segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

E o que vem depois...

No momento em que perdemos alguém a quem amamos, não há nada a se fazer e não adianta lamentar. Ás vezes, até agradecemos, pois o sofrimento da pessoa querida acabou.

Choramos mais pela nossa dor, pois sabemos o que virá depois. Ou talvez choremos por não sabermos...

O que vem depois é a saudade e essa, como ouvi dizer “varia com o tamanho do amor” e é por isso que minha saudade durará eternamente.

A saudade dói muito. Mas não falo da saudade que “matamos” com um telefonema, ou quando sabemos que o encontro ocorrerá em breve.

A saudade que dói é aquela que a única forma de saciá-la é com fotografias e lembranças.

Como diria Leoni:
“E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz”.

Hoje é dia de Natal e todos estão felizes, comemorando e rindo, mas eu não estou com o tão chamado “espírito natalino”.

Na verdade há alguns anos não gosto de Natal e ninguém nunca me entendeu, porque talvez eu nunca tenha conseguido explicar. Mas a partir de agora, eu tenho um bom motivo para lhes dar.

Perdi a minha avó a exatos quatro dias e como já disseram “vó é mãe duas vezes” e é por isso que não perdi uma avó, perdi quase que uma mãe.

Alguem que estava comigo em todos os momentos.
Alguem que sabia me fazer sorrir a cada instante.
Alguem que tinha o melhor colo que conheçi.
Alguem que me ajudou de todos as formas sempre que necessário.
Enfim, alguem importante demais na minha vida.

Algumas vezes eu reclamava, pois sempre que estava no quarto, ouvia os pés de vovó se arrastando em direção ao meu quarto e hoje eu daria tudo pra ouvir aqueles passos.

A saudade é enorme, mas uma coisa que me tranquiliza é que pude dar a minha avó uma última alegria, a de passar no vestibular.

Ás pessoas me ligam e perguntam se estou bem. O que elas esperam que eu responda? Nunca sei o que dizer e digo sempre que estou bem sim.

Afinal, a saudade vai exister sempre dentro de mim e ninguém poderá me ajudar quanto a isso.

Ninguem sabe o que se passa na minha mente (talvez apenas os leitores desse blog, ou talvez, nem vocês...), ninguém sabe a falta que minha avó me faz.

Muitas vezes me peguei pensando o que aconteceria caso alguém morresse, mas confesso que nunca cheguei a pensar na morte de minha avó. Nunca achei que ela fosse morrer logo.

Hoje, morando nessa casa onde tudo é exatamente do jeito dela, nos locais que ela escolheu e da forma dela, é inevitável pensar nela o tempo todo.

Mas é isso. A vida é assim mesmo, temos um ciclo a seguir e tudo sempre terá um fim, exeto a saudade.

-Beijos
Kari Mendonça

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Só um desabafo...

À um pouco mais de um ano eu havia acabado de chegar em Garanhuns para o casamento de um primo quando soube da notícia da morte de uma tia.

Imediatamente pegamos a estrada de volta á Recife.

Estávamos no carro todos em estado de choque, pois apenas tínhamos ouvido falar que minha tia seria submetida a uma operação e até onde sabíamos, seria no dia anterior.

Soubemos mais tarde que de fato a operação foi no dia anterior e a morte foi causada por alguma complicação até agora inexplicável para mim (talvez por eu não entender muito da área médica).

A viagem entre Garanhuns e Recife, com minha mãe no volante (levando em conta que ela não corre, e não gosta de dirigir a noite) demora ou demorava, cerca de umas quatro horas e foi necessário um pouco mais para que a minha “ficha pudesse cair” para o fato de que minha tia estava morta.

Até hoje ainda me pego pensando que de fato ela morreu, e ás vezes ainda sinto dificuldade de acreditar, pois foi algo repentino demais.

Na ocasião, conclui para mim mesma, que perder alguém repentinamente era a pior forma de se perder alguém (ficou repetido,eu sei, mas não encontrei outra forma de expressar a minha conclusão).

Hoje, devido ao que venho passando, percebo que repentinamente não é a pior forma de se perder alguém, pois vejo que não há nada pior do que se ver alguém que se ama morrer aos poucos.

Minha avó está no hospital á um pouco mais de um mês.

Ela tem câncer e está com metástase no líquido da coluna (caso você seja um leigo como eu, acho melhor explicar que esse tal líquido é “meio” que o centro do sistema nervoso, pois ele passa todas as informações do corpo ao cérebro), sendo assim, as informações estão com dificuldades de chegar ao cérebro e a cada dia ela perde alguns movimentos e alguns sentidos.

Se você nunca passou por isso, mesmo que eu não simpatize nem um pouco contigo, eu espero de verdade que você nunca tenha que passar.

Não há, nesse mundo, nada pior do que se ver alguém que se ama morrer aos poucos.

Dói tanto que não consigo explicar minha dor com palavras por mais que eu tente ou procure no dicionário.

O que mais me dói, é que não posso fazer nada, pois já não há nada que possa ser feito e tudo o que faço é acompanhar a vida de alguém tão importante pra mim se acabando a cada dia.

Confesso que sinto um pouco de inveja dos que a conhecem, pois se lembrarão dela sempre como uma pessoa forte, um tanto implicante, com um sorriso alegre e um abraço gostoso.

Mas já não consigo me lembrar de tudo isso, pois não me sai da cabeça a pessoa sem forças que tenho visto nos últimos dias, com um olhar de angústia, um sorriso inconsciente e uma expressão de dor.

Já não sei mais até onde as minhas forças chegarão, mas Deus tem me provado que sou muito mais forte do que pensava e que ainda preciso ser, pois as outras pessoas que estão sofrendo também precisam de mim.

Não tenho medo da morte nem nunca o tive, pois creio que há algo muito melhor ao lado do Pai, mas o que me incomoda é a forma como tudo acontece e já não entendo porque minha avó precisa passar por tanto sofrimento.

Sei que Deus tem um propósito para cada um de nós e sei que Ele sempre fará o melhor, mas apenas peço que não a deixe sofrendo tanto por tanto tempo mais, pois a dor de que a vê sofrendo é também de um tamanho muito grande.

Bom, aqui fica mais um desabafo meu.

-Beijos
Kari Mendonça

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Esperança

"Quando estou só e o choro parece querer chegar
E um sentimento de temor
Como será o amanhã que eu não vejo e quer me assustar
Oh, meu Deus! Ajuda-me a confiar

Quando os sonhos se frustram
Ou parecem não se realizar
Quando as forças se acabam
Tudo o que eu sei é te adorar

Quando as feridas no meu coração não querem sarar
E me atrapalham a visão
Tuas promessas são tão grandes e as lutas querem me esmagar
Oh, meu Deus! Ajuda-me a avançar

Quando os sonhos se frustram
Ou parecem não se realizar
Quando as forças se acabam
Tudo o que eu sei é te adorar

Tua presença me aquieta a alma e me faz ninar
Como um bebê que não precisa se preocupar
A minha vida escondida em tuas mãos esta
Oh, meu Deus! Em Ti eu posso descansar

A esperança renasce
E a certeza de que perto estás
Tua paz me invade
Pois tudo o que sei é te adorar

A esperança renasce
E a certeza de que perto estás
Tua paz me invade
Pois tudo o que sei é te adorar

Pois tudo o que sei é te adorar
É te adorar"


Já disse que não gosto de colocar aqui coisas das quais não escrevi, mas não ando com cabeça pra escrever muitas coisas e essa música, do Ministério Diante do Trono da Igreja Batista de Alagoinha, têm me falado muito e tem me ajudado a ter forças e esperança.

Espero que ela possa ajudá-lo tanto quanto a mim.

-Beijos
Kari Mendonça