quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Só um desabafo...

À um pouco mais de um ano eu havia acabado de chegar em Garanhuns para o casamento de um primo quando soube da notícia da morte de uma tia.

Imediatamente pegamos a estrada de volta á Recife.

Estávamos no carro todos em estado de choque, pois apenas tínhamos ouvido falar que minha tia seria submetida a uma operação e até onde sabíamos, seria no dia anterior.

Soubemos mais tarde que de fato a operação foi no dia anterior e a morte foi causada por alguma complicação até agora inexplicável para mim (talvez por eu não entender muito da área médica).

A viagem entre Garanhuns e Recife, com minha mãe no volante (levando em conta que ela não corre, e não gosta de dirigir a noite) demora ou demorava, cerca de umas quatro horas e foi necessário um pouco mais para que a minha “ficha pudesse cair” para o fato de que minha tia estava morta.

Até hoje ainda me pego pensando que de fato ela morreu, e ás vezes ainda sinto dificuldade de acreditar, pois foi algo repentino demais.

Na ocasião, conclui para mim mesma, que perder alguém repentinamente era a pior forma de se perder alguém (ficou repetido,eu sei, mas não encontrei outra forma de expressar a minha conclusão).

Hoje, devido ao que venho passando, percebo que repentinamente não é a pior forma de se perder alguém, pois vejo que não há nada pior do que se ver alguém que se ama morrer aos poucos.

Minha avó está no hospital á um pouco mais de um mês.

Ela tem câncer e está com metástase no líquido da coluna (caso você seja um leigo como eu, acho melhor explicar que esse tal líquido é “meio” que o centro do sistema nervoso, pois ele passa todas as informações do corpo ao cérebro), sendo assim, as informações estão com dificuldades de chegar ao cérebro e a cada dia ela perde alguns movimentos e alguns sentidos.

Se você nunca passou por isso, mesmo que eu não simpatize nem um pouco contigo, eu espero de verdade que você nunca tenha que passar.

Não há, nesse mundo, nada pior do que se ver alguém que se ama morrer aos poucos.

Dói tanto que não consigo explicar minha dor com palavras por mais que eu tente ou procure no dicionário.

O que mais me dói, é que não posso fazer nada, pois já não há nada que possa ser feito e tudo o que faço é acompanhar a vida de alguém tão importante pra mim se acabando a cada dia.

Confesso que sinto um pouco de inveja dos que a conhecem, pois se lembrarão dela sempre como uma pessoa forte, um tanto implicante, com um sorriso alegre e um abraço gostoso.

Mas já não consigo me lembrar de tudo isso, pois não me sai da cabeça a pessoa sem forças que tenho visto nos últimos dias, com um olhar de angústia, um sorriso inconsciente e uma expressão de dor.

Já não sei mais até onde as minhas forças chegarão, mas Deus tem me provado que sou muito mais forte do que pensava e que ainda preciso ser, pois as outras pessoas que estão sofrendo também precisam de mim.

Não tenho medo da morte nem nunca o tive, pois creio que há algo muito melhor ao lado do Pai, mas o que me incomoda é a forma como tudo acontece e já não entendo porque minha avó precisa passar por tanto sofrimento.

Sei que Deus tem um propósito para cada um de nós e sei que Ele sempre fará o melhor, mas apenas peço que não a deixe sofrendo tanto por tanto tempo mais, pois a dor de que a vê sofrendo é também de um tamanho muito grande.

Bom, aqui fica mais um desabafo meu.

-Beijos
Kari Mendonça

4 comentários:

Anônimo disse...

Simplesmente porque todos nós necessitamos de um abraço de quando em vez, deixo um abraço do fundo da minha alma para ti.

Se quiseres no blog http://lumenorigine.blogspot.com/ podes visualizar os vídeos Os Abraços são Grátis.

Anônimo disse...

Kari,

Oro para que Deus continue a ti dar forças. A você e a toda sua família.

Um abraço
-DV

O que é, é" disse...

o pior é naum poder fazer nada por vc, sabia? essa incapacidade de naum poder mover uma palha por tua avó, e assim te deixar feliz, é o pior. mai tamu ai visse.

Palavras de um mundo incerto disse...

É triste Kari,
Mas é a vida.

Nós temos a capacidade de fazer um ser,mas de salvá-lo de seu fim, não. É a vida.

Bjo!

Marcos Ster