quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A menina e o amor

A menina estava andando pelo parque, quando ouviu um choro lá longe. Ela foi seguindo até que o encontrou ali, em baixo de uma árvore. De imediato ela o reconheceu e percebeu que não poderia deixá-lo ali, sozinho e tão triste.

- Oi. – perguntou ela. – Você está bem?
- Não! Não estou bem oras, mas o que importa?!
- Claro que importa. Eu não vou deixá-lo aqui sozinho, não desse jeito. E só vou sair quando você conversar comigo.
- Ah menina! Eu adoraria conversar com você, mas creio que você não me entenderia. Ainda é muito nova. Acho até que você não sabe quem eu sou.
- Mas é claro que eu sei quem és. Escuto falar de você desde o dia em que nasci. Sempre tive uma curiosidade enorme em te conhecer e sempre soube que, assim que o visse, eu o reconheceria. E aqui estou eu, pronta para conversar, e disposta a te entender. Vamos lá, pode conversar comigo.
- Olha, eu não sei onde estou com a cabeça, mas eu realmente preciso conversar com alguém, quem quer que seja. Você tem tempo? E disposição?
- Tempo é o que não me falta. Estou de férias! E disposição, eu sempre tive de sobra.
- Sabe o que é? Ando muito triste ultimamente. Tenho percebido que as pessoas estão estranhas. Não sei explicar, mas elas já não as mesmas. Nunca vou conseguir entender o ser humano... Eles se acham sempre tão inteligentes, tão sábios, mas é só tocar no meu nome que eles se transformam em leigos. Eles não me conhecem, não sabem nada sobre mim. Quer dizer, a maioria deles não sabe. Ou todos não sabem, não sei. Confuso, né?
- Um pouco, mas pode continuar.
- Pensando bem, há quem me entenda sim, os poetas. Ah os poetas!!! Eles sempre me entenderam. São os únicos que conseguem me descrever com perfeição e sem pieguices. Mas o problema são os humanos, como sempre. Mesmo com a descrição tão perfeita, ainda assim eles não conseguem me entender. É, mas se eles não me entendessem apenas, não haveria mal algum, afinal, não sou para se entender, sou apenas para se sentir e pronto! Isso já deveria deixá-los pra lá de satisfeitos.
- Olha, desculpa interromper, mas é que eu já ouvi falar que você não era tão bom assim não. A minha irmã tinha um namorado e quando o namoro acabou, ela me disse que você a havia destruído.
- É, há quem diga essas coisas a meu respeito. Mas na verdade, quem a fez sofrer não fui eu. Tenho certeza que sua irmã nem ao menos me conhece, ela apenas achou que conhecia. Está vendo? Esse é o grande problema do ser humano. Eles me popularizaram, sabe? Transformaram-me numa mercadoria. O problema é que, a mercadoria que eles vendem é falsificada. Eu sou único. Único e insubstituível. Ás vezes as pessoas vivem anos e anos de suas vidas achando que estou ao seu lado, mas não estou, e não porque não quero, mas porque elas nunca me encontraram.
- Claro que não encontraram. Se você viver escondido como hoje, será quase impossível achar você.
- Não menina. Eu não me escondo assim sempre. Apenas hoje eu não agüentei sair por aí. Estava muito debilitado. O problema é que algumas pessoas desistem muito fácil de mim. Na primeira desilusão, elas não querem me olhar nunca mais. Ignoram-me. Ás vezes eu bato em suas portas por algum tempo, mas elas continuam lá trancadas sem me olhar. E só decidem sair, depois que já fui embora, aí elas ficam dizendo que eu é que sou o injusto e o errado. A culpa sempre cai pro mais fraco. Não que eu seja fraco. Quer dizer, para alguns eu até sou, para outros eu sou firme como uma rocha!
- Ah! Se alguns o sentem com tanta firmeza, então esses o entendem, certo?
- Nem sempre. Ás vezes eles apenas decidiram não me entender, e por isso mantemos uma relação muito boa e muito estável. Um outro problema, é que alguns pensam que eu só posso existir entre duas pessoas de sexo oposto, ou não obrigatoriamente, mas enfim, elas acham que eu não posso estar em todos os lugares e nem com todas as pessoas. Eles esquecem que eu estou presente em todos os momentos, e se eles me notassem, poderiam ser muito mais felizes. Você acha que se eles conhecessem de fato a minha existência, existiriam tantas guerras? Claro que não! Se soubessem “me praticar”, digamos assim, não existiria tanta miséria e tanta desigualdade. Mas eles acham que só “me praticam” na cama, e, muitas vezes, nem lá eu estou. Eles adoram falar o meu nome e me usam da mesma forma como chupam picolé, a hora que dá vontade. E não é bem assim, eu sou especial, sabe? Sem querer me gabar...
- Sei sim...
- Então, em algumas relações, eu nem estou presente, como já disse, não porque não quero, mas porque eles sequer me chamaram para participar. E muitas vezes, nessas relações eu sou transformado apenas num apelido carinhoso e sem graça. Apelido esse que popularizou demais, sabe? Fico tão triste em ver essa banalização comigo. Eu não merecia esse desprezo que a humanidade me dá. Digo desprezo, pois, como também já disse, apesar de falarem muito em mim, eles, na verdade, me desprezam. E só mais uma coisa, as pessoas acham que podem me encontrar em algum lugar qualquer, mas elas esquecem que eu posso ser encontrado dentro delas.
- Dentro? Como assim?
- Você já deve ter ouvido falar em “amor-próprio”, não é? Alguns o acham um tremendo ato de egoísmo, mas eu lhes digo que não é. Amar a si mesmo é o mais importante, afinal, como desejar que alguém um dia chegue a lhe amar, se nem você o faz? Fica complicado. Ás vezes, as pessoas deveriam olhar pra dentro de si, e quando finalmente me achassem por ali, aí então é que elas deveriam procurar alguém para amar. E mais, elas têm que saber que, eu não apareço do dia para a noite. Eu chego, mas de mansinho. A princípio é difícil me notarem, mas se as coisas caminharem bem, logo me percebem e eu já estou de um tamanho indescritível.
- Olha, acho que talvez eu tenho entendido um pouco você, ou talvez eu nunca chegue a entende-lo como muitos, mas eu só queria dizer que, eu nunca vou banalizar você como algumas pessoas fazem. E eu nunca vou deixar que uma desilusão qualquer me faça desacreditar em você e na sua magnitude, pois eu sei o quanto você é especial, e hoje eu sei ainda mais. E não se preocupe, pois, as lições que aprendi hoje, levarei a vida inteira e as passarei para os meus filhos.
- Você promete isso menina?
- Prometo! Olha, está escurecendo, eu tenho que ir, mas sei que nos encontraremos muitas vezes ainda. Ah! E só pra saber, meu nome é Ana.
- Ana? Um bonito nome. Eu sou o Amor!
- É, eu já sabia!


Kari Mendonça

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Apenas uma estória

Ela acordou, abriu os olhos e escutou o chuveiro ligado. Fingiu então que estava dormindo, até que ele fosse embora. Não o queria encontrar. Não depois da briga que tiveram ontem e das coisas terríveis que foram ditas. Queria poder nunca mais o olhar nos olhos, mas sabia que seria impossível.

Sabia também que as coisas iriam se ajeitar como sempre. Ou, pensando bem, há muito tempo que as coisas não se ajeitavam de verdade. Há muito que eles fingiam estar tudo bem, quando ambos sabiam que não estava.

Tentou se lembrar a última vez em que haviam ficado juntos sem dizer nenhuma palavra, sem que o silêncio os incomodasse, onde apenas a presença do outro já fosse uma ótima companhia. Tentou então lembrar quando o havia desejado como homem pela última vez. Mas foi difícil encontrar qualquer uma das respostas.

Começou a pensar nos últimos meses. Queria descobrir quando as coisas haviam começado a ficar estranhas, mas cada lembrança levava a uma outra, e quando se deu conta, ela já estava pensando no que havia acontecido há alguns anos. Perceber aquilo foi um choque. Não conseguia aceitar que as coisas estivessem difíceis há tanto tempo.

Como nunca havia percebido? Por que nunca havia tentado conversar, como sempre o fez? Não conseguia culpar ninguém, nem a si mesma. Sabia que ninguém tinha culpa, ou talvez o culpado fosse o tempo. “Talvez ele tenha outra”, ela pensou. Mas então, por que ainda estaria com ela? Por que não havia ido embora?

E, quando se deu conta, as horas haviam passado e logo ele voltaria para casa. Precisava tomar uma atitude. Pensou em arrumar as malas e dizer a ele que estava indo embora. Mas não era isso que ela queria. Lembrou-se de quando se conheceram, de como ela havia gostado dele logo de início. O quanto o desejava e sonhava com o dia em que, finalmente, ficariam juntos de vez.

Não! Não poderia deixar que as coisas terminassem daquela forma. Percebeu que ainda o amava muito. Caminhando para o quarto viu uma foto e reparou o quanto ele era bonito e percebeu que ainda o desejava como homem. Ainda o queria. Precisava concertar as coisas, e seria hoje. Ou ficaria tudo bem, ou tudo acabaria de vez, afinal, de que adiantaria continuar uma relação dessa forma, onde ambos só estavam sofrendo?

Foi para a cozinha, preparou um jantar especial com o que ele tanto gostava. Arrumou a mesa e ficou esperando-o com uma garrafa de vinho. No horário de sempre, ele chegou. Olhou a mesa arrumada e, sem entender a olhou. Ela encheu as taças, mandou-o sentar-se à mesa, ajeitou o que faltava e disse: “precisamos conversar”.

E então, ela começou dizendo que havia percebido que, há muito eles já não se entendiam. E o contou tudo o que havia pensado e lembrado durante o dia. Ele ouvia tudo atentamente, enquanto as lágrimas lhe escorriam os olhos. E, enquanto falava as lágrimas também a invadiram, não só por falar, mas por vê-lo chorando. Queria abraçá-lo e dizer o quanto o amava, mas precisava continuar a conversa até o fim.

- Eu queria saber o que nos aconteceu, o que anda nos acontecendo, pois, apesar de todas essas coisas eu ainda amo muito você. E você é o único a quem eu quero. O único homem que desejei mais que tudo, e que desejarei sempre. Mas, mesmo amando-o tanto, acho que não podemos continuar levando as coisas como elas estão. O que você me diz?

E assim ela disse tudo o que tinha a dizer e esperou ansiosamente até que ele dissesse alguma coisa, quando, finalmente ele enxugou os olhos, e falou:

- É, tenho notado que as coisas andam estranhas. Não sei o que nos aconteceu e, apesar de vir tentando arrumar essa bagunça, eu realmente não sei o que fazer. Toda vez que tento me aproximar de você eu acho que você não quer. Cada vez que eu tento dizer alguma coisa, eu penso que seria melhor não dizer nada. Mas é você quem eu amo, e amo muito. E também és a única a quem desejei mais que qualquer outra coisa na vida e não consigo, por nem um segundo, imaginar a minha vida sem você. Eu não sei onde erramos e nem como chegamos aqui, mas, se quisermos, acho que podemos começar de novo.

- Acho que começar de novo seria uma ótima idéia. Mas então, é melhor dizermos algumas coisas que precisam ser ditas, apenas para não cometermos os mesmos erros, não acha? E eu acho que, quando você tiver alguma coisa a dizer, diga, mesmo que ache que seria melhor ficar calado. Fale, para que possamos conversar e chegar a uma conclusão ou um entendimento e, quando achar que eu não quero que você se aproxime, pense apenas que você é um idiota por pensar isso e não espere mais nenhum segundo para chegar até mim.
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Então eles começaram a falar coisas que nunca haviam falado antes. Disseram coisas que os incomodavam ou também detalhes que os faziam sorrir. Comentaram o quanto sentiam falta da companhia do outro, e de como não haviam percebi que o tempo os estava distanciando. Mas não importava mais, eles haviam aprendido a lição e jamais deixariam de conversar sobre qualquer coisa. Decidiram que, qualquer problema, por menor que fosse, deveria ser resolvido antes do final do dia.

E, após olharem-se nos olhos, eles fizeram um brinde ao novo começo, e se beijaram. Um beijo cheio de ternura, amor e muito, desejo. Algo que não faziam já há muito tempo. Aproveitaram aquela mesa tão arrumada, comeram aquele quase banquete e foram curtir a sua nova lua-de-mel.

E então, eles perceberam que, para manter um relacionamento, o mais importante é o diálogo. Pois, sem ele, o tempo é capaz de separar qualquer um. Quando não há conversa, o tempo juntos torna-se um martírio, e, até o silêncio torna-se ensurdecedor.


Kari Mendonça

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Hoje! Um ano atrás...

Era uma quinta-feira. Acordei cedo. Meus pais já haviam saído e eu estava sozinha no quarto. Queria me levantar, ao mesmo tempo em que queria me esconder de tudo. De certa forma, eu sabia o que estava reservado para aquele dia e por isso não queria levantar. Sabia que seria um dia triste, só não imaginei que fosse tanto.

Voltei a dormir, achei que seria a melhor opção. Perto do meio dia minha mãe me telefonou, e eu deveria me arrumar, pois meu pai estava indo me buscar. Me arrumei rápido e logo estava pronta. Fomos em algum lugar que não lembro agora, e logo fomos encontrar com minha mãe.

Ela não havia almoçado, e eu sugeri que ela fosse com meu pai, pois eu poderia ficar ali. Ela, rapidamente disse que não, e ordenou que eu fosse com ele. Nós fomos, fizemos os pratos e nos sentamos. Enquanto comíamos, não conversamos muito. Não sabíamos o que dizer naquela situação.

Quando já estávamos acabando, o telefone tocou, era minha mãe. Já sabíamos o que ela diria e meu pai saiu correndo e me jogou a carteira. Uma parte de mim queria correr atrás dele, outra queria continuar ali. Mas eu precisava pagar o almoço, e deveria receber o troco, que não era mais de cinqüenta centavos.

Sim, eu poderia ter esquecido o troco e corrido, mas as minhas pernas não deixaram que eu fizesse isso. Rapidamente joguei na carteira e desci as escadas correndo. O meu pai estava no corredor ao telefone. Eu o olhei nos olhos, e ele sabia o que eu estava perguntando, assim como eu soube o que ele respondeu ao me olhar.

Entrei quase correndo no quarto, e lá estava a minha mãe, sentada numa cadeira em frente á cama, chorando. Eu olhei para a cama, sentei no colo da minha mãe e chorei desesperadamente como nunca. Ficamos intermináveis minutos ali, sem dizer nenhuma palavra, mas nos confortando mutuamente.

Foram longos os minutos a espera dos enfermeiros, dos aparelhos, até atestarem aquilo já havíamos sentido. E enquanto tudo era arrumado, todos pareciam querer me tirar dali. Eu lhes disse que já havia passado pelo pior, mas eles insistiram, até que eu lhes disse alguma coisa e finalmente desistiram.

E eu continuei ali. Sentada naquele sofá ao lado da cama. Eu a olhava atenciosamente. Eu prestava atenção a cada detalhe. Eu não queria perder um minuto sequer ao seu lado, apesar de saber que ela já não estava mais ali. Queria me despedir, mas não consegui. Droga! Eu não consegui lhe dar sequer um último beijo.

Lembro-me apenas do nosso último abraço, mas não do último beijo. E quando a tiraram do quarto, foi como perder o meu chão. Eu não queria que a tirassem de perto de mim, eu não havia me despedido ainda. Eu não havia dito o quanto ela era importante pra mim e nem o quanto eu a amava.

E de repente, as coisas pareceram ficar bem. Todos ao meu redor estavam conversando, telefonando e agindo como se nada tivesse acontecido. Eu peguei seus documentos, mostrei a quem me pediu e fiquei triste por todos estarem continuando o dia sem ela, como se fosse normal.

Não! Não é normal nenhum dia que passo sem ela. Esse ano que passou não foi fácil. Cada dia eu queria dar um telefonema, fazer uma visita, dar um abraço, um beijo e pedir um cafuné, mas ela já não podia me dar e nem receber. É! Antes de acordar, eu sabia que aquele dia não seria fácil, eu só não imaginei que fosse ser tão difícil.
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E que eu fosse me lembrar tão detalhadamente dele um ano depois.


Kari Mendonça

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As marcas

Há alguns dias, enquanto escovando os dentes, olhei meu reflexo no espelho. Passei alguns minutos olhando aquela imagem, e reparei como nunca havia reparado antes as marcas nas minhas sobrancelhas.

Ambas possuem marcas de um piercing. Mas, a estória dos piercings não vem ao caso, e sim a marca que eles deixaram. Naquele momento, olhando fixamente para o meu reflexo, lembrei-me de vários momentos.

Lembrei-me de quando coloquei o piercing a primeira vez, da expectativa que senti. De todos os meus cuidados com aquela pequena jóia. Do dia que a tirei e de quando a coloquei novamente. Vários foram os momentos que passaram aos meus olhos e refletiram naquele espelho junto com a minha imagem.

E percebi que, não importa o que tenha nos acontecido e nem como tenha acontecido, o passado estará sempre presente em nossas vidas, e muitas vezes ele fica em formas de marcas. E não adianta tentar apaga-las, pois elas estarão sempre lá, e cada vez que você as olhar será como reviver um pouco do que passou.

Nos primeiros momentos, é difícil olhar aquela marca. Ela dói, pois ainda não foi cicatrizada. E não precisamos sequer olha-la, não a esquecemos nenhum segundo. A cada instante nos lembramos de como aquela marca chegou ali, e de quem as deixou, mesmo que tenhamos sido nós mesmos.

Mas o tempo passa. E o tempo é um ótimo remédio. E a ferida acaba cicatrizando, e tudo o que resta é a aquela marca. E é com essa marca que você tem que aprender a viver. E não importa o tamanho dela, você terá que conviver com ela até o fim dos seus dias.

Alguns usam as marcas do passado para se esconder do futuro. Outros as usam para culpar o passado e acabam não conhecendo o presente. Há também os que passam à vida olhando suas marcas e chorando, se lamentando, vivem, de certa forma, “cultivando” a dor.

Mas há ainda aqueles que fazem das suas marcas uma vitória. Aqueles que cada vez que a olham, têm a certeza de que querem mudar de vida, e fazem de tudo para conseguir. São aqueles que, das suas marcas criam forças e conseguem se reerguer.

As marcas sempre estarão presente em nossas vidas. No entanto, o que fazer com elas, só depende de cada um de nós. Que possamos olhar as nossas marcas com admiração, lembrando que, apesar de termos caído com elas, foram elas que nos levantaram.


Kari Mendonça

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Momento diferente (III)

Não! Não é falta do que escrever, mas é que eu realmente não posso deixar de agradecer a algumas pessoas e responder algumas coisinhas...

Queria agradecer a Carol e a Thaís, por me considerarem "Uma mulher que faz pensar”.

Poxa! Eu não sei se faço alguém pensar em alguma coisa, mas obrigada mesmo, viu meninas?

E queria agradecer também ao Aliomar, por me considerar um “Blog de Elite” e uma dos “Escritores da liberdade”. Já havia recebido o do escritores, mas fico muito agradecida.

Obrigada mesmo, viu moçinho que surgiu de repente, mas que já conquistou com seu cantinho tão agradável.

Sim... A Carol também me mandou um coisinha bem legal:

"Você escolhe 10 amigos para declarar sua amizade e nomeá-los num post. Não há selos nem prêmios, apenas nossa declaração sincera”
E os meus 10 são:
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Marcos, Carol, Alexandre, Pripa, Zihh, Candy, Marquinhos, Antônio, Hugo e Adriano.

E, por último, a Janaína me mandou um desafio e eu topei.

Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas ela é limitada. Além de você não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?
Feijoada e brigadeiro

2. Além da água (e, também com sorte, água de côco se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?
Leite com toddy

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você levaria?
A Bíblia

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?
“A casa do lago”

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por que?
Word, para escrever sempre que desse vontade

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias(o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?
O blog “
Palavras de um mundo incerto”, afinal, é sempre bom ler um pouco de poesia ou estórias, ou saber o que se passa por esse mundo incerto...

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?
A música seria “2 Bicudos”, Ana Carolina, e se fosse um CD, seria “Dois quartos”, também dela.

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por que?
Para minha mãe, no dia do aniversário dela, precisa explicar o porquê?

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistira o longo deste ano na ilha - limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?
“Prison Break”

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?
De uma das minhas irmãs, dizendo como estão os meus pais.

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha?
Meg, minha yorkshire mais linda do mundo.

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Etc…).
De conversar com meu namorado e com as minhas irmãs e de usar o pc.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?
Ficar sozinha é sempre bom, e numa ilha deserta então... melhor ainda! Nada melhor que olhar para o mar, aproveitar o sol, e pensar na vida...

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros itens à sua escolha que:
a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores.
b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo.O que você vai levar e por que?
Levaria uma foto, pra olhar para um certo par de olhos verdes sempre que desse vontade; meu travesseiro que é bem pequenininho e uma foto com meus pais e minhas irmãs.



Ah! E como sempre, eu não vou passar nada pra ninguém.
Mas Marquinhos, sinta-se a vontade pra usar naqueles dias em que a inspiração estiver fraca, viu "guri"? hehehehehehe

-Beijos e até a próxima
Kari Mendonça

domingo, 16 de dezembro de 2007

Eu e meu problema

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É difícil, mas chega um momento na vida em que você tem que parar de enganar a si mesmo e dizer: o problema não é os outros, o problema sou eu! É, mas até que você enxergue isso demora um pouco, e ás vezes até, já é tarde demais.

Há muito tempo venho culpando a vida, culpando as coisas e os outros, mas recentemente eu percebi que nenhum deles tem culpa alguma, eles sempre foram assim, e talvez não tenha nada de errado com nenhum deles. E, se existe algum problema, esse problema sou eu. Sim, eu!

Desde pequena eu sempre fui muito independente. Minha mãe diz que, desde os 2 anos de idade eu já escolhia a roupa que iria usar, e isso deixava a minha avó horrorizada, “como pode uma menina desse tamanho tomando uma decisão?”, dizia ela. E desde que eu me lembro de alguma coisa, eu sempre quis a independência.

Pode parecer brincadeira, mas desde os 11 anos eu sonho com o dia que irei morar sozinha. Sim! Já arrumei a minha futura casa várias vezes na minha mente. Os meus pais sempre souberam dos meus pensamentos, e minha mãe sempre diz que, “passarinho quando cria asa, voa”, e eu já não vejo a hora de voar.

Mas eu sempre tive um defeito muito sério. Eu teimo em dizer que não sou assim, mas na verdade eu sei que sou, é apenas difícil assumir. Quando eu quero alguma coisa, eu quero e pronto. Eu faço de tudo pra conseguir, e se não consigo é como se o mundo desabasse sobre a minha cabeça.

E quando eu quero, eu quero bem feito. O meu avô sempre perguntava o que eu queria de presente, então ele sempre dizia que não poderia ser como eu queria e por isso iria me dar uma outra coisa. Mas eu terminava por responder que, caso ele não quisesse me dar o que eu estava pedindo, era melhor que não me desse nada. E com isso, acabei perdendo muitos presentes.

E essa minha mania idiota de querer tudo como eu quero, acabou fazendo com que o meu maior sonho perdesse completamente a graça, simplesmente por não poder realizá-lo exatamente como e onde gostaria.

Queria poder correr atrás de tudo o que eu quero. Queria jogar tudo pro alto e começar a realizar minhas coisas aos poucos. Mas eu não posso, pois o meu sonho não é tão pequeno assim, eu não teria como mantê-lo. E, apesar de gostar de desafios e de estar preparada para enfrentar o que for as pessoas parecem nunca me levar a sério.

É difícil assumir, mas morro de inveja de quem arrumou as malas e correu atrás do que sempre quis. Ah! Como eu queria fazer o mesmo! Mas as coisas parecem sempre mais complicadas quando chega a minha vez, sabe? Eu nunca posso, eu nunca tenho. E parece tão difícil conseguir.

E é por isso que eu sei que, quando eu fico reclamando disso e daquilo, o problema não está em nenhum outro lugar, se não em mim mesma. Eu é que não gosto nem disso e nem daquilo. Eu é que perdi a graça pelas coisas. E eu que já não sei mais onde vou parar...


Kari Mendonça

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Um dia perfeito!

Estava lembrando de uma das nossas conversas. Você disse que o tempo estava nublado, e que, por isso, seria um dia perfeito para estarmos juntos assistindo filme, comendo pipoca e tomando refrigerante. Depois disso, comecei a pensar sobre o assunto.

E foi aí que imaginei um dia ensolarado, com o céu completamente azul e sem nenhuma nuvem. Ah! Em um dia assim poderíamos fazer inúmeras coisas. Talvez ir a praia, aproveitar o sol e a brisa do mar. Tomar uma smirnoff ICE bem geladinha com um caranguejo bem gostoso.

Ou então, poderíamos ir a um parque. Adoro parques, acho que já até te disse isso. Poderíamos nos sentar, olhar o laguinho (a maioria dos parques tem algum lago, né?) e ficar ali, bem juntinhos, curtinho um ao outro.

Aí eu lembrei que também existem dias de chuva. Eita! Os dias de chuva são os melhores pra ficarmos bem agarradinhos. Não precisaríamos sair. Em casa, enrolados num lençol, assistindo um romance e comendo chocolate. Perfeito, não?

E depois de pensar um pouco sobre isso, cheguei à conclusão de que não existe dia perfeito para estar contigo. Estar contigo torna qualquer dia perfeito. ♥

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Kari Mendonça,
pra alguém muito,
muito especial!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

"Isto é virtual?"

Recentimente recebi um e-mail duma amiga. Não costumo abrir esse tipo de e-mail encaminhado e sempre os apago antes de tudo. No entanto, por algum motivo resolvi ler esse e-mail, e fico feliz em tê-lo lido, pois mexeu muito comigo.
Talvez você pense que e só mais uma estória idiota, talvez você se incomode como eu, ou talvez você fique indiferente, pra mim, pouco importa a sua reação.
O autor do texto, era desconhecido para mim, pois não veio especificando no e-mail, no entanto, recentemente fui informada da autoria.
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Kari Mendonça
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"Entrei apressado e com muita fome no restaurante.
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Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.
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Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
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- Tio, dá um trocado?
- Não tenho menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão...
- Está bem, compro um para você.
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Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
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- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
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Percebo que o menino tinha ficado ali.
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- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?
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Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
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- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.
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Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:
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- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.
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Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:
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- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual, tio?
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Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
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- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse..
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?
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Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'.
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Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!"
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Rosa Pena
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A morte do "bom velhinho"

Estava passando pelo viaduto Joana Bezerra, onde o enfeite de Natal é uma imitação de neve, um tanto feio, mas isso não vem ao caso. Minha mãe comentou que a neve e toda essa estória de pólo norte não têm nada haver com o nosso clima, e por isso Papai Noel deveria ser representado de uma outra forma, com um bermudão vermelho e sem camisa.

Então, eu parei para pensar no que nunca me interessei, na lenda do "bom velhinho". E percebi que é uma lenda muito diferente de todas as outras, pois envolve diretamente a vida das pessoas, e apesar de viver tão longe, ainda assim ele aparece por aqui todos os anos e é alguém muito esperado.

Sei que muitos dos adultos, jovens e até algumas crianças já não acreditam mais nele e nem na sua história tão fantasiosa, mas ainda assim, inúmeras crianças acreditam e sentem-se dentro da própria estória, afinal, um dos presentes daquele saco vermelho será delas.

Acreditar no bom velhinho é muito mais do que acreditar numa lenda. A criança passa o ano inteiro tentando ser uma boa criança, e quando o Natal se aproxima, ela escreve uma cartinha pedindo aquilo que tanto quer e espera ansiosamente o tão sonhado dia de recebe-lo.

Acreditar nele alimenta a alma de esperança e dá aos dias uma expectativa enorme. Dessa forma, já parou para imaginar a frustração da criança ao não receber aquilo que tanto desejou?

E não falo daquela criança que pediu um carrinho X e ganhou o carrinho Y, mas falo daquela que pediu uma mãe. Ou daquela outra que desejou um dia sem fome. Ou também aquela que só queria um lar, um dia sem frio.

Será que aquele menino que me ofereceu um chiclete na semana passada não se comportou bem durante o ano? Ou será que ele apenas não teve a oportunidade de escrever uma carta? Oras, mas não dizem que Papai Noel dá presentes a todas as criançinhas?

Refletindo um pouco sobre a conversa com a minha mãe, cheguei à conclusão de que Papai Noel deveria ser morto. Sim! Dever-se-ia acabar com essa lenda, devido a enorme tristeza que ela trás para a maioria das crianças no mundo. Uma forma de acabar com a lenda, seria a criação de uma outra lenda.

Oras, é muito fácil! Todos nós teremos que lidar com a morte cedo ou tarde. Então, por que não dizer as criançinhas que a idade chegou e que o bom velhinho não conseguiu ir contra ela? Assim, elas iriam se acostumar com a idéia, e cedo ou tarde, acabariam aceitando.

As reações, acredito eu, seriam as mais diversas. Alguns chorariam, pois não mais recebiam seus pedidos, outros pensariam, “finalmente aquele velho morreu, nunca me trouxe nada mesmo”. Talvez um até pensasse, “poxa, agora nunca saberei se ele finalmente me traria um presente esse ano”.

Mas, no entanto, com os anos, as crianças não mais pensariam nele. E talvez, a diferença entre as crianças do mundo inteiro, ficasse um pouco menor, afinal, não existiram os que receberam presente e os que não receberam.

É, olhando assim, parece só uma lenda engraçada. Mas talvez ela só tenha graça pra você, por que você nunca desejou algo que não pudesse entrar pela chaminé, ou pela janela...

Kari Mendonça

domingo, 9 de dezembro de 2007

Nem tudo...

Quem já vem aqui há algum tempo, conhece bem a minha “mania” de “enterrar” pessoas e momentos da minha vida. Mas, por algum motivo, senti uma vontade enorme de falar a verdade sobre algumas coisas. Como assim? Ah! Só lendo pra entender...

A primeira pessoa que decidi definitivamente “enterrar” da minha vida foi a única que, de fato, eu consegui. Na verdade, eu nunca, digo, nunca mesmo, penso nele (e não! Não e nenhum ex namorado ou coisa assim. É alguém que deveria significar muito pra mim, mas nunca fez por merecer). Eu já o ignorava há muito tempo, e ele sempre fez o mesmo. Até que, ele demonstrou na minha frente que eu não tinha nenhum valor para ele. Desde então eu ignoro por completo a sua existência. E quer saber? Nunca me fez falta.

Já tentei “enterrar” alguns amigos. Amigos que pareciam tão amigos, mas que, no meu momento mais difícil, estavam ocupados demais para me estender as mãos. Desde que os “enterrei”, não penso mais com tanta freqüência, mas não vou mentir dizendo que nunca penso neles. Penso, até mais do que deveria! Ás vezes me pergunto se, algumas coisas não tivessem acontecido, se ainda seriamos como antes. E, por algum motivo, eu acho que não.

Um outro alguém que decidi “enterrar” recentemente, também deveria significar muito pra mim, e não posso negar que, mesmo não querendo, ele ainda significa, mas não tanto quanto deveria. É outro que passou, do dia para a noite, a ignorar a minha existência. Há mais de três meses não nos vemos, e estaria quase esquecendo o seu rosto, se não houvesse uma foto um cima da minha cama, no meu mural, ao qual eu olho toda noite antes de deitar na cama. E por que ainda não tirei a foto? Pois ele não está sozinho, alguém muito importante o acompanha na foto e é só por isso que ela continua ali.

Alguns momentos da minha vida também foram definitivamente “enterrados”, outros não tão definitivamente assim. Um deles, se você me perguntar, eu nem lembro. É até engraçado como não consigo me lembrar de coisa alguma. Quando, por algum motivo, comentam sobre, eu só consigo concordar após inúmeros minutos tentando lembrar de alguma coisa, e nem sempre consigo. Fico feliz, pois realmente não vale a pena lembrar daquelas dias.

Já um outro momento, eu “enterrei” por algum tempo. Mas já há algum tempinho que venho lembrando das coisas e me surgem inúmeros questionamentos. Sempre me pergunto se a culpa foi apenas minha. Quer dizer, quem mais eu poderia culpar? Bom, eu poderia culpar meus pais, seria muito cômodo dizer que tudo foi culpa deles, pois me tiraram do meu canto e me levaram ao desconhecido. Mas eles não têm culpa, eu o pior de tudo é que eu sei disso.

Penso que eu poderia ter sido mais agradável com as pessoas. Sei que não fiz o mínimo esforço para agradar ninguém. Pensando bem, eu até tentei, como elas também tentaram nos primeiros dias. Depois ambas perdemos as forças e não conseguimos manter aquela falsidade toda. Na verdade, eu não sei se elas eram falsas ou se eu preferi considera-las assim apenas para me defender.

Pergunto-me se as coisas teriam sido um pouco diferente, se eu tivesse apenas, saído um pouco mais tarde um certo dia. Se eu tivesse sorrido um pouco mais, com tanto me pediu uma amiga. Se eu não tivesse enfiado a minha cara nos livros. Ah! Mas os livros eram o meu refúgio. Era com eles que eu me escondia de tudo e de todos e ninguém poderia me julgar, afinal, eu estava lendo.

Ás vezes penso que exagerei demais. Mas ai eu lembro que eu sempre exagero quando o assunto é sentimento. Se eu amo, amo mesmo. Se não eu não gosto de algo, dificilmente começo a gostar (com raras exceções, claro). Se eu sofro, não consigo simplesmente passar uma maquiagem, abrir um sorriso e sair como se nada tivesse acontecendo. Oras, maquiagem nenhuma esconde os meus olhos, o meu olhar.

Ah! O meu olhar! Esse sempre me denuncia. Ás vezes eu gostaria de andar com os olhos fechados. É impressionante o que eu faço quando alguém me desagrada. Certa vez eu não disse nada, apenas olhei e fingi que não vi. Minha amiga então olhou pra mim e começou a rir. Fiquei sem entender, até que ela disse, “essa tua cara é ‘a melhor’”. E eu pensei “droga! De novo o meu olhar me denunciando os pensamentos”.

Pronto! Só quis mostrar que, nem tudo o que eu digo, eu consigo fazer. Não porque não quero, mas muitas vezes, pois apenas não consigo. Como assim? Ah! Eu tento acabar com o meu sofrimento da melhor forma que eu arranjar, mas nem sempre isso acaba com a minha dor por completo. Nem sempre consigo esquecer pessoas, talvez porque elas significaram muito pra mim, e é difícil pensar que elas já não significam mais... ☻


Kari Mendonça

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Entre páginas...

Já faz algum tempo em que Pripa me indicou um “meme”, um tanto quanto, diferente. Eu teria que descrever e comentar sobre 5 dos meus livros favoritos, mas aí é que temos um pequeno problema, sempre que eu chego ao final de um livro ele entra para a lista dos favoritos, pois quando não gosto, eu simplesmente não consigo acabar de ler.
Logo, isso me causou uma séria dúvida sobre quais livros falar, até que decidi me dedicar a uma autora em particular que, até semana passada, tinha exatamente 5 livros publicados no Brasil. Agora são 6, e eu já o estou lendo, claro. A autora a quem me refiro é Marian Keyes, uma irlandesa que morou alguns anos em Londes e escreve os melhores romances possíveis, na minha humilde opinião.
A ordem que os livros foram publicados no Brasil, não foi a ordem que li, logo, falarei um pouco do meu processo de leitura.

Era o meu primeiro dia de férias, e eu fui ao shopping com uma amiga. Tudo o que eu tinha na carteira era o dinheiro que passaria as férias inteiras. Entramos na livraria, e como sempre, fiquei deslumbrada com um livrinho, até que encontrei uma capa grande e laranja escrito “Sushi”, e pensei, “que nome engraçado para se dar a um livro”. Li sobre a estória e achei que poderia ser interessante. E adivinha o preço do livro? Exatamente a quantia que eu tinha para passar as férias inteiras. Mas como eu passo as férias sempre em casa, achei que seria muito, muito lucrativo.


Sushi conta a estória de três mulheres muito diferentes. Lisa é um tanto arrogante, porém muito elegante, e começa a se achar a mulher mais infeliz do mundo ao ser transferida para Dublin, e não para NY como tanto queria. Já Ashling é apenas uma editora de uma revista que está sendo lançada e sua chefe nova é Lisa. Ela é bastante ansiosa, e pensa sempre que falta “algo mais” na sua vidinha. Clodagh, no entanto, tem a vida que muitas queriam. Ela é casada e tem dois filhos, a sua vida parece um verdadeiro conto de fadas, até que ela resolve “pular a cerca”. A vida das três se cruzam de alguma forma, mas cada uma com a sua individualidade, seus aprendizados e seus romances. Cada uma aprende a viver a vida da melhor forma, deixando orgulho, timidez e muitas outras coisas para trás.

Melancia conta a estória de Claire, uma das cinco irmãs da família Walsh. Ela recebe a notícia de que o seu marido a está deixando, no exato momento em que pega o seu primeiro filho no colo pela primeira vez. A sua vida vira de cabeça para baixo. Tudo parece dá tão errado e tão trágico que ela parece que jamais irá se recuperar. Até que, de repente, surge Alex, um simples amigo da sua irmã, que consegue mudar toda a sua vida.

Casório?!
conta a estória de Lucy, que, de acordo com uma cartomante, irá se casar em um ano. Ela mora com as amigas e não tem namorado. Nunca teve muita sorte com homens e o que mais procura é que eles não se pareçam nem um pouco com o seu pai alcoólatra, mas parece que todos os que ela arranja acabam sendo assim. Mas, como sempre dizem, o par perfeito pode estar mais perto do que você imagina. Pena que ela sofre um bocado até descobrir isso.

Férias! conta a estória de um outro membro da família Walsh, Rachel. Ela tem um namorado perfeito e tudo parece muito bem, até que a sua dependência com as drogas começa a ficar cada vez maior. Um dia, acontece o estopim, e ela é mandada pela sua família, para o “Claustro”, uma clínica para viciados, mas ela ainda teima em dizer que não é uma toxicômana. Mas, olhando o lado bom das coisas, ela pensa que até precisava de umas férias e tudo seria muito tranqüilo. Mas sua vida acaba sendo completamente transformada naquele lugar em que ela menos esperava. É um livro mais sério que os outros, mas ainda assim, o assunto é tratado com pitadas de humor e romance, característicos da Marian.

É Agora... ou Nunca, conta a estória de três amigos, Tara, Katherine e Fintan. Três irlandeses perdidos em Londres, cada um com a sua particularidade. Tara tem um namorado muito chato, mas ela teima em achar que um dia ainda vai casar com ele, apesar dele viver dizendo que nunca fará isso. Katherine é uma solteirona e bem sucedida, que guarda algum segredo que ninguém nunca descobriu, mas que a tornou uma pessoa muito na dele e com horrores a relacionamentos, mas mesmo assim, ela ainda espera encontrar o cara certo, do contrário, não viveria comprando conjuntos de langerie. Fintan é gay e casado já a algum tempo, é um amigo ótimo, mas odeia a forma com suas amigas levam a vida. E é através de uma péssima notícia que ele se aproveita para mudar definitivamente a vida delas.

Todos os livros são cobertos de humor, e claro, uma estória romântica sempre é bom. E as noites apimentadas dessas moçinhas, são sempre “as melhores”. As confusões da família Walsh também. Ah! E falando em família Walsh, o novo livro “Los Angeles”, conta a estória de Maggie, outra Walsh, que resolve largar tudo e correr para Los Angeles. Ainda estou no começo do livro, mas já estou adorando e não consigo parar de ler. A leitura da Marian Keyes, é sempre leve e muito agradável. E todos os livros são da Editora Bertrand Brasil.

Espero que tenham gostado. Se não gostam desse tipo de livro, uma pena.
Não vou passar o “meme” pra ninguém, mas, sintam-se a vontade para falar sobre seus livros preferidos...


Kari Mendonça

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Meninas e meninos

Dia desses eu estava sentada quando alguns meninos se aproximaram e começaram a brincar com o ioio. Não deviam ter mais que dez anos e acho que todos se conheciam, com exceção de um outro bem menorzinho que apareceu de repente e quis brincar também. Os outros abriram a roda, ele entrou e ficaram brincando todos juntos.

Ao presenciar esse momento, pude ver como as meninas e os meninos são diferentes. Os meninos não disseram nada ao menor, apenas abriram à roda e o incluiram na brincadeira. Em uma roda de meninas, isso jamais aconteceria. Os meninos, pelo que percebo, têm um sentimento de amizade muito mais forte, enquanto as meninas estão sempre competindo, por mais amigas que sejam.

Se dois meninos são apresentados, na mesma hora eles sentam e começam a brincar ou conversar como bons amigos. Se duas meninas são apresentadas, primeiro elas se analisam, e se acharem que são diferentes, elas se ignoram a noite inteira, se não, elas podem até iniciar um papo, que ás vezes, é quase um questionário.

As meninas crescem brincando com a responsabilidade de alguma maneira, quando assumem o papel de mãe das bonecas. Elas passam a infância cuidando daquela bonequinha com todo carinho. Enquanto eles crescem querendo ser heróis, seja com os brinquedos ou com o vídeo-game. E durante algum tempo, eles não querem ficar juntos, pois é como se "desse choque".


E elas, quando se apaixonam, ficam carinhosas e bobas. Já eles, ficam chatos, tirando brincadeiras com elas e precisando chamar a atenção de todo jeito. Elas chegam até a escrever cartas, eles tentam beija-las.

Quando ficam mais velhos, aquela distância entre eles começa a diminuir e tudo o que eles querem é ficar juntos. Eles só pensam em sexo, enquanto elas pensam na tão sonhada primeira noite, onde imaginam os mínimos detalhes como a lua cheia iluminando-os, ou o barulho do mar como trilha sonora.

Engraçado que, o tempo vai passando e eles ficam cada vez mais diferentes. Elas sonham com o dia do casamento e eles só querem morar juntos. E enquanto elas são sempre românticas e sonhadoras, eles são sempre tão racionais e objetivos.

Mas, o mais engraçado ainda, é que, em algum momento da vida eles percebem que mesmo tão diferentes, eles se completam.


Kari Mendonça

sábado, 1 de dezembro de 2007

Ninguém precisa me entender...

Você não precisam me entender. Muito menos concordar com qualquer coisa que eu escrevo. Não peço que todos concordem comigo, se concordassem a vida seria muito chata. Gosto de ser contrária a todos, ou ao menos, a maioria. Gosto de discórdias, elas sempre me fazem refletir sobre o que eu penso, mas nem por isso mudo meus pensamentos e crenças.

Pra mim, sempre foi mais fácil fugir da realidade. Não sei, mas acho que, na verdade, tenho medo dela. É mais fácil “enterrar pessoas vivas” na minha vida, do que sofrer por elas. É mais fácil passar o dia inteiro com raiva e calada, do que chorando como gostaria. É sempre mais fácil fingir que as coisas não me abalam, do que mostrar a todos que elas não só me abalam, mas machucam e é difícil pra cicatrizar.

Continuo levando a minha vidinha de sempre. Por mais que eu tente encarar a realidade de frente, sempre foi muito difícil pra mim. É muito mais fácil viver no meu “mundinho encantando”, onde os meus sonhos estão acima de qualquer coisa. Sonhos, eu tenho muitos, se chegarei a realizá-los algum dia? Eu não sei. Mas eu tento correr atrás.

Se eu amo? Amo sim, amo muito! Talvez eu não saiba de fato o que é o amor, mas esse sentimento não pode ser outra coisa, e se for, não sei o que é, mas sei que é bom e me faz um bem enorme. Felicidade? Nunca soube se era apenas um estado de espírito ou um estilo de vida, mas acredito nos momentos felizes que essa vida tem. De vez em quando eu os encontro, mas logo eles vão embora.

Nunca gosto de conversar sobre religião, pois as pessoas nunca me respeitam. As minhas crenças são banalizadas e ridicularizadas pela mídia, mas eu não tenho vergonha de dizer no que acredito, apenas não gosto de ouvir comentários desrespeitosos. E na sociedade em que vivemos, é muito mais fácil atirar a primeira pedra. Respeito é algo quase em extinção.

Ah! O capitalismo? Eu acho que foi a maior idiotice criada pela humanidade. Tá, eu não vou dizer que não o alimento, mas nem por isso deixo de condená-lo. Acredito que o socialismo poderia ser uma solução, mas não o socialismo que conhecemos, não a utopia a que fomos ensinados. Falo do socialismo real, esse sim poderia solucionar muitas coisas.

O mundo me dá nojo e ao mesmo tempo me entristece. Parte o meu coração ver alguém num sono profundo, no meio de uma praça em cima de um papelão. Irrita-me profundamente saber que uma criança pegou uma arma e atirou na primeira pessoa que passou na sua frente. Odeio ver um filhinho de papai se drogando e reclamando da vida. E entristeço-me ao perceber uma criança vendendo chiclete no sinal.

Revolto-me com tanto dinheiro gasto com “Pans Americanos”, com Copas, carnavais e o que for, quando mais da metade da população brasileira vive na miséria. Ou quando alguém me olha e diz: “estou sem dinheiro”, e eu penso, como assim? Não estas tão bem? Não tens comida na mesa?

Talvez você esteja lendo e pensando que sou apenas uma filhinha de papai revoltada com o mundo, que passa o dia na frente de um computador, sonhando com uma realidade que não existe. E talvez eu seja, de fato, essa a quem você está chamando de idiota. Mas, a sua opinião não me importa. Quer dizer, saber o que você pensa pode ser interessante, mas não vai mudar o meu jeito de ser e nem de pensar.

E não sou uma pessoa fácil, eu sei disso. Mas eu sou muito menos difícil do que todos pensam. Eu não faço nada para agradar ninguém, apenas a mim mesma. Quando eu não quero, eu não quero e pronto! Mas também quando eu quero, eu faço de tudo até conseguir.

Algumas coisas idiotas me deixam super feliz e outras coisas banais me tiram do sério. Uma das coisas que me tiram muito do sério é quando eu entro no meu blog e encontro um comentário falando sobre algo nem um pouco relacionado com o que escrevi. Oras, eu não escrevo pra ninguém. Não faço questão que “me” leiam, e muito menos que comentem. Mas se vai comentar, comente ao menos algo produtivo ou relacionado ao texto.

E talvez você esteja se perguntando qual a finalidade desse texto, nesse caso, vou te responder então: não há finalidade nenhuma! Apenas senti uma vontade enorme de escrever tudo isso. Precisava “botar pra fora”. Faz tempo que não faço isso. Tenho escrito algumas crônicas, estórias ás vezes reais, outras que eu gostaria que fossem reais e outras apenas fictícias. Estava sentindo falta de falar sobre mim, sobre o que sinto, penso, quero, gosto e desgosto.

Talvez você goste um pouco menos de mim após ler tudo isso. Ou talvez continue indiferente. Mas como já disse, pouco me importa o que passa na sua cabeça. E mesmo assim, desculpa qualquer coisa.
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E talvez nada disso tenha sentido para nenhum de nós. Mas é melhor sentar e escrever, do que me esconder no meu quarto e chorar. Talvez eu não tenha motivos para chorar, ou talvez eu os tenha, não sei. Mas alguma coisa em mim está doendo, e a angústa tem-me invadido já à alguns dias. Queria fugir daqui, do mundo, da realidade toda. Queria que um principezinho viesse me levar pra qualquer outro planeta.
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Kari Mendonça

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Razão ou coração?

Ontem, ao chegar à faculdade, encontrei minha amiga um pouco triste. Logo ela que é sempre tão alegre e sorridente. Perguntei-a o que tinha acontecido e ela me informou que havia se tornado uma pessoa solteira. Tomei um susto! Eu a conheço desde o começo do ano, e já não é a primeira vez que eles acabam o namoro.

Na primeira vez, logo no começo do ano, ela quase não conseguiu falar nada, só fazia chorar. Ontem, no entanto, ela não estava chorando e me contou toda a estória sem cair uma lágrima sequer, exceto no final, quando ela me olhou e disse, “eu gosto muito dele, sabe? Mas eu sei que a gente já não dá certo juntos.”.

Enquanto eu deveria ter me alegrado em saber que ela finalmente percebeu isso, por algum motivo fiquei triste. Um namoro com mais de cinco anos, não acaba dessa forma, pensei eu. Mas acabou, e apesar disso, eu sei que eles ainda se amam muito.

E então eu fiquei pensando que todo fim de namoro é triste. Depois pensei um pouco mais, e percebei que não. Não para todas as partes, e nem em todas as situações. Um namoro que tive acabou várias vezes, e todos os finais foram diferentes. A primeira vez, eu o olhei nos olhos e disse: “não dá mais pra mim”. Voltamos, e na semana seguinte, eu o liguei e disse novamente que realmente não dava mais.

Um ano depois estávamos juntos de novo e com pouco tempo ele acabou, e enquanto eu me acabava de chorar, ele estava muito bem. Passei anos gostando dele e sofrendo por não estarmos juntos, mas ele sempre me dizia que gostava de muito de mim, mas que não poderíamos ficar juntos. Eu sempre o questionava que, se gostasse mesmo, não haveria motivos que não nos deixassem ficar juntos.

Hoje, porém, eu percebo que ele estava certo. Nós nos gostávamos, mas não dávamos mais certo. Ele me irritava. Sempre odiei o seu jeito de se vestir, e a sua mania de brincar com tudo e com todos. Nunca o vi sério e isso sempre me tirou do sério. Sempre detestei a forma como ele tratava as amigas e como sempre me dizia que não tinha tido nada com nenhuma delas, quando eu sabia que tinha. Alguma parte de mim, sempre soube que jamais daríamos certo.

Mas eu o amava muito, e acabei sofrendo um bocado. Um amor platônico é mais fácil de ser levado, pois a outra parte não sabe de nada e por isso, não tem como te fazer sofrer. Já um amor não correspondido também é um pouco mais fácil, pois o outro não gosta e pronto. Quando o fim é por alguma briga, o ódio ou a raiva substituem o amor. Mas quando ambos se gostam, é difícil seguir em frente.

Você sempre se questiona porque o sentimento ainda existe, e porque dói tanto. É quando a razão fala mais alto que o coração. E talvez quando eu chegue à faculdade hoje, e minha amiga me diga que voltou com o namorado. Mas, não sei por que, algo me diz que dessa vez, será diferente. ♥


Kari Mendonça

terça-feira, 27 de novembro de 2007

A "coisificação" da mulher

Já há algum tempo que venho reparando nos homens. Não neles exatamente, mas em como eles reagem ao perceber uma figura feminina nas proximidades. Cada vez eu fico mais chocada e tenho mais certeza de como eles (muitos deles, a maioria, mas não todos) são uns idiotas.

Fico me perguntando, quando a mulher deixou de ser aquela figura tão santificada e tão respeitada. Tudo bem que o respeito à mulher nunca foi tão grande, pois ela sempre foi apenas um ser inferir e submisso aos homens, mas antigamente, pelo menos, a mulher era tratada com um pouco mais de dignidade.

Hoje, no entanto, a mulher é vista apenas como uma coisa. Coisa essa que os homens gostam de olhar, ou melhor, se olhassem apenas, seria muito bom, mas eles de fato, "secam" as mulheres com os olhos. É impressionante como eles se viram para olhar uma mulher que passou e mais especificamente, olhar a sua "bunda".

Uma mulher consegue analisar um homem em uma fração de segundos. Ela consegue perceber toda a roupa que ele está vestindo, a cor do cabelo, dos olhos, e até toda a suas costas (sim, as mulheres também olham para um pouco abaixo das costas, qual o problema?), e ele nem sequer percebe que toda essa análise foi feita.

Mas eles não conseguem ser discretos assim. Quando um homem olha uma mulher, é possível sentir o seu olhar penetrando a alma, tamanha é a fixação com que olham, seja para qual parte do corpo for. Não tem coisa pior para um mulher, do que perceber um homem olhando os seus peitos. É constrangedor e dá uma raiva muito grande.

São poucas, muito poucas as mulheres que se sentem bem em receber esses olhares, não sei por que, mas elas se sentem valorizadas. È, mas não é porque algumas poucas mulheres pensam assim que eles deveriam nos olhar como simples coisas.

Não somos vítimas, e nem coitadinhas, de forma alguma. Mas merecemos respeito e gostaríamos de ser olhadas ao menos, como seres humanos, e não como um corpo apenas com "bunda" e peito, pois acredite, de nada valem esses dois "apetrechos" quando a cabeça é vazia.

De nada vale um corpo bonito, quando o conteúdo é vazio. Acredite, a beleza um dia acaba. Os homens sempre dizem que o que procuram primeiro numa mulher é a beleza e o corpo, depois eles procuram o conteúdo. As mulheres, no entanto, gostam de poupar trabalho e procuram primeiro por um bom conteúdo, depois elas olham as embalagens.

Claro que, para todos os tipos citados, existem exceções. Algumas poucas mulheres procuram só beleza, e alguns pouquíssimos homens procuram o conteúdo. Mas nunca esqueça que, somos mulheres, somos jóias raríssimas, verdadeiras rosas.

Merecemos todo cuidado e todo o valor que as pedras mais preciosas necessitam. Por isso, dá próxima vez que for olhar para uma mulher, admire-a com todo respeito, e não olhe apenas como se estivesse olhando uma coisinha qualquer.


Kari Mendonça

domingo, 25 de novembro de 2007

Retrato falado

Enviado pela Thaís, e como ela mesma falou, é ótimo pra quando a gente não sabe o que escrever...

Uma hora: 10:45
Um astro: Adam Garcia
Um móvel: minha cama
Um líquido: água
Uma pedra preciosa: esmeralda
Uma árvore: pau-brasil
Uma flor: lírio
Uma cor: azul
Um animal: cachorro
Uma música: "Fotografia", Leoni
Um livro: "É agora ou nunca", Marian Keyes
Um lugar: meu quarto
Um verbo: amar
Uma expressão: "viva cada dia como se fosse o último"
Um mês: janeiro
Um número: 2
Um instrumento musical: violão
Estação do ano: verão
Um filme: "A casa do lago"

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Pra ti

Hoje eu estava só, e tudo o que eu mais queria era te ter ao meu lado. Tinha tantas coisas para te falar. E eu até,
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“tentei dizer
mas vi você
tão longe de chegar...
mais perto de algum lugar.”
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E ao te ver assim tão longe, as palavras travaram e não mais consegui dizer tudo o que eu queria. Mas, o que eu mais quero te dizer é o quanto eu te quero. E que, eu tenho apenas uma certeza, e
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“eu não consigo esconder
certo ou errado, eu quero ter você”.
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Ás vezes bate um certo desespero. E eu penso que não mais suportarei tudo isso, eu até tento esconder de mim mesma esses pensamentos estranhos, mas o que eu sinto por ti,

“não dá pra ocultar
algo preso quer sair do meu olhar
atravessar montanhas e te alcançar
tocar o seu olhar
te fazer me enxergar e se enxergar em mim”.
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E é nessas horas de desespero, que eu me pergunto,
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“qual é o fio que nos une e nos separa?”
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Eu não sei responder. Há muitas perguntas para as quais eu não tenho resposta. Há tantas coisas nessa vida que eu não sei nada a respeito. Mas você me apareceu e me ajudou a enchergar o mundo de uma forma um pouco diferente. E talvez por isso, cada dia eu gosto um pouco mais de ti. E ás vezes eu só tenho vontade de te pedir uma coisa,
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“me prenda em seus braços
é o que eu te peço”.
.
Estar nos teus braços, estar contigo é o que mais quero, e não me canso de te dizer isso, pois não quero que tu esqueças jamais. E por ti, eu até iria ainda fosse só,
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"pra dizer que sem você não há mais nada
quero ter você bem mais que perto
com você eu sinto o céu aberto”.
.
E não pense que eu também não sinto medo, pois eu sinto. Tenho medo de, por algum motivo, tudo acabar de repente, e,
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“eu não quero te perder
eu não quero te prender
eu só quero te encontrar, uma manhã e um pouco mais”.
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Pois eu tenho apenas,
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“um desejo de ti
um desejo de ir
pela estrada”.
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Ah! Uma vez eu ouvi que,
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“viver é um livro de esquecimento”,
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é por isso que,
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“eu só quero lembrar de você
até perder a memória”.
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E olha, não esquece nunca, nunca que,
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“eu nunca disse que iria ser
a pessoa certa pra você
mas sou eu quem te adora”.
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E adoro muito!
E te quero mais que tudo!
E és tu, só tu, que me faz cada dia mais feliz.
.
.
Eu queria te escrever algo bem bonito, eu até tentei, mas não consegui.
Mas eu precisava muito te dizer tudo isso, e percebi que algumas músicas iriam me ajudar, e por isso resolvi usá-las pra te dizer e te mostrar o quanto és especial pra mim! Te adoro muitão!
.
Kari Mendonça
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PS.: As partes em vermelho são músicas de Ana Carolina.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O choro

Ela estava sentada, em frente ao computador, tentando escrever uma carta, enquanto as lágrimas lhe escorriam pelo rosto. Ninguém percebeu o seu choro silencioso, e ao mesmo tempo em que isso a consolava, a vontade de fazer o choro falar era muito maior.

Até que a sua mãe a chamou, ela não teve como se esconder e ao olhar para trás, foi questionada sobre as lágrimas. Era tudo o que ela precisava, e nesse exato momento as lágrimas começaram a escorrer desesperadamente pelo seu rosto, o silêncio desapareceu por completo.

O seu choro era alto e enquanto chorava, ela buscava desesperada pelo ar, precisava respirar ou seria engolida pelo seu próprio choro. Ele já não saia apenas dos olhos, mas da alma. E a cada lágrima escorrida, um pouco de alívio lhe cercava a alma.

Enquanto tentavam lhe acalmar, ela apenas chorava. Não conseguia falar nada, nem sequer pensar em alguma coisa, precisava apenas chorar, pois assim como escrever, chorar sempre a acalmou. E em alguma parte de si, sentiu-se feliz por estar finalmente chorando daquele jeito.

Sua cabeça estava pesada, algumas lembranças pareciam maiores a cada momento, e sua angústia só aumentava. O ato de chorar não a ajudou fisicamente, pois a sua cabeça começou a doer ainda mais, seus olhos ardiam. Mas a sua alma, aquela que mais importava, estava em paz.

E quando finalmente se acalmou, ela resolveu tomar um banho. Sua mãe sempre a mandava tomar banho quando ela estava triste, doente ou com raiva. Antes ela alegava que estava doente, por exemplo, e não suja. Mas sua mãe sempre afirmava que um banho era sempre uma boa ajuda.

E, ao sair do banho, ela estava se sentindo melhor. Ainda com uma pequena dor de cabeça, mas um alívio tremendo na alma.



Kari Mendonça

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Uma carta

Apenas uma carta que jamais será lida pelo destinatário....
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Hoje é teu aniversário, não é? Não pense que esqueci. Jamais esquecerei que dia é hoje e quais lembranças ele me traz. Se algum dia eu pudesse esquecer o teu aniversário, depois do que aconteceu, não esqueço mais.

Uma pequena parte de mim quer te ligar e desejar os parabéns e toda felicidade do mundo. Essa parte quer te dar um abraço e dizer que, apesar da distância e de nos vermos tão poucas vezes, és especial pra mim e não importa o que aconteça, sempre estarás nos meus pensamentos.

Mas a outra parte de mim é a que mais dói. Pois ela te culpa por tudo o que aconteceu. E por mais que eu tente me convencer que não tivesses culpa nenhuma, ainda assim eu te culpo.

Sei que não estavas em nenhuma situação favorável. Sei o quanto foi terrível o ano que passou pra ti e sei que o teu sofrimento foi enorme. Tento me lembrar sempre disso, mas sempre que lembro, percebo que depois que ficastes doente, ela ficou ainda pior. Parecia que ela já não queria mais lutar pela vida para que tu pudesses viver.

Ou melhor, não parecia, ela realmente parou de lutar. Ouvi dizer que ela fez um certo “acordo” com Deus, para que Ele a levasse se fosse pra tu ficares aqui, bem. E parece que Ele a ouviu, não é? Ela se foi e aqui estas tu, muito bem agora.

Ver-te bem o que mais me dói, quando deveria me deixar feliz. Desculpe-me se não consigo comemorar a tua vitória. Desculpe-me se é tão difícil olhar pra ti como antes. Mas acredite, não é fácil lembrar que as últimas palavras que ela disse com consciência e que lembro, foi sobre querer te ver.

Ela queria mais que tudo estar contigo. Sempre que aparecia alguém ela perguntava sobre ti. Todas as enfermeiras e médicos daquele hospital sabiam o teu nome e sabiam um pouco da tua estória. Ela estava sempre enchendo o peito para falar sobre ti.

Imagina o quanto não foi terrível perceber que ela só estava daquele jeito porque soube que estavas doente. Fico me perguntando, “e se ela nunca tivesse sabido de nada, ainda estaria aqui?” Talvez sim, talvez não. Mas eu não consigo parar de pensar no “talvez sim” e é por isso que não consigo deixar de te culpar.

Acredite, naquele momento eu fiquei muito dividida entre sofrer por ti ou por ela. Por algum tempo sofri pelos dois, mas quando comecei a vê-la morrer na minha frente, a percebê-la cada dia pior, o meu coração só conseguia sofrer por ela. E confesso que por um certo tempo, acabei esquecendo que estavas tão mal.

Eu poderia dizer que hoje faz um ano e então pareceria tão pouco tempo. Mas eu também poderia expressar dizendo que tudo aconteceu há 365 dias atrás e talvez pareça que foi há tanto tempo. E é exatamente assim que parece, que foi há muito tempo. E ao mesmo tempo em que é como se tivesse sido ontem.

Tenho todas as lembranças muito claras. Lembro de todos aqueles 32 dias com muita exatidão. Lembro do quanto foi terrível. E aí eu lembro da sua reação ao saber de tudo. Eu soube que você reagiu como se nada tivesse acontecido e isso me deixa com muita raiva, porque eu não consigo parar de pensar que fostes tu a causa de sua morte. E ainda assim vós não demonstrastes nenhuma reação?

Eu sempre pensei que jamais desejaria que alguém passasse pelo que passei. E que ninguém visse o que vi. Mas eu não posso mentir que ás vezes queria que tivesses estado lá. Que tivesses visto tudo, cada segundo e cada mudança de expressão naqueles olhos. Talvez assim tivesses reagido e tivesses sofrido um pouco do que sofri.

Parece injusto eu sei, não queria te desejar isso, pois, mais uma vez digo, que sei o quanto foi difícil viver o que estavas vivendo. Mas enfim... Não consigo não te culpar e talvez jamais consiga.
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Eu não queria, mas insistiram e não tive como não falar contigo. Ouvir a tua voz foi estranho e ao mesmo tempo tão bom. Percebi o quanto estavas feliz e confesso que a culpa que te joguei diminuiu um pouco, mas não desapareceu. A vontade de te dar um abraço e um beijo aumentaram consideravelmente. Me senti mal por pensar o que ando pensando, mas não consigo afastar esses pensamentos e sentimentos de mim.

Me desculpa.
Feliz aniversário!


Beijos,
Karina

domingo, 18 de novembro de 2007

A rosa

Certa vez ouvi que “um casamento é como um jardim e por isso deve ser cultivado todos os dias. Afinal, você não planta um jardim e aparece um mês depois para vê-lo, pois jamais o encontrará.” Refletindo sobre tal afirmação, tive que acha-la muito verdadeira.

Percebi então que, qualquer relacionamento é como uma rosa, e por isso deve ser plantado, cultivado e regado todos os dias. Deve ser cuidado com carinho devido à fragilidade das pétalas, e regado, acima de tudo, com o respeito.

E assim como as rosas, existem os espinhos. Não adianta tentar arranca-los, pois só trará sofrimento a rosa e deixará marcas que só poderão ser vistas algum tempo depois. Ás vezes a cicatriz é muito pequena, mas sempre é colocada a mostra em meio a uma discussão. É por isso que não se deve arrancá-los, deve-se apenas aprender a segurar a rosa sem deixar que os espinhos o arranhem.

Na hora da discussão, todas as armas são usadas. Todas as feridas são mostradas, todas as mágoas e ressentimentos. Essa é uma forma de destruir qualquer beleza existente na rosa, pois, sem qualquer uma das suas mais belas pétalas, ela perde todo o seu encanto, e jamais será possível qualquer remendo.

Não gaste a sua relação com coisas pequenas. Lembre dos espinhos que a rosa tem e perceba que nem tudo é do jeito que você gostaria que fosse, e nem por isso é menos bonito e vale menos a pena. Diga um “eu te amo” sempre que sentir vontade, você não imagina a diferença que isso pode fazer em qualquer rosa.

Mas não pense que quanto mais duradoura é uma relação, mais forte ela fica. Pelo contrário, cada dia ela fica mais fragilizada, pois se conhece o outro um pouco mais e sabe-se exatamente o seu “ponto fraco”. O tempo pode desgastar uma relação e não é fácil ir contra ele.

No entanto, a relação não só deve durar enquanto a rosa estiver viva. Lembre-se que é possível eternizar uma rosa ao colocá-la dentro de um livro. Ela não perderá a sua beleza, porém cada dia estará mais frágil e por isso deverá ser manuseada com todo cuidado.

Depois de pensar sobre tudo isso, jamais olharei uma rosa da mesma forma, e jamais conduzirei qualquer relação sem cuidado, sem cultivo e sem amor. ♥


Kari Mendonça

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Fim de tarde

Ela acordou cedo. Havia sonhado com ele a noite inteira e já não agüentava mais tanta saudade. Precisava sentir aqueles braços entrelaçando seu corpo. Sentir seu cheiro, sua pele. Já não agüentava mais esperar tanto por aqueles beijos. Precisava vê-lo, precisava estar com ele e não podia mais esperar um dia sequer.

Ligou para o seu amigo, ele vendia passagens e eles já haviam conversando sobre a possível viagem que ela faria. Viagem essa que já não agüentava mais adiar ou esperar tanto. Acertaram tudo, ela embarcaria em duas horas, pois queria estar lá o mais rápido possível.

Arrumou suas coisas. Não levaria muito, pois estaria de volta em alguns dias. Estava indo apenas matar essa saudade que doía tanto. Arrumou-se, e foi até o aeroporto. As coisas foram um pouco rápidas, já que não havia muito tempo para grandes planos.

Entrou no avião. Era a primeira vez que entrava em um, mas não ficou nervosa, queria apenas que as horas passassem um pouco depressa. Ligou o seu mp3, escolheu suas melhores músicas e nem percebeu a hora passar. De repente, percebeu que já haviam chegado.

E foi apenas nesse momento que ela começou a ficar um pouco nervosa. O que diria a ele? Perguntou-se pela primeira vez. Havia imaginado aquele momento tantas vezes e por isso nunca imaginou que essa dúvida pudesse lhe passar pela cabeça. Resolveu, portanto, ignora-la.

Desceu naquele aeroporto, já havia ouvido falar muito dele. E já havia desejado estar ali inúmeras vezes. Sentiu-se feliz por finalmente estar ali. Olhou para o relógio e percebeu que ele sairia do trabalho em quarenta minutos. Procurou um táxi e disse para onde iria.

Desceu na frente de onde ele trabalhava. Faltava pouco para ele sair. O nervosismo apareceu mais uma vez, mas ela o ignorou e finalmente ligou para ele. Ele atendeu o celular um tanto surpreso, ela nunca o havia ligado no meio da semana em pleno entardecer.

- Oi!
- Oi? Minha pequenininha, tudo bem?
- Tudo bem sim! Só queria te dizer que, quando tu saíres, eu estou aqui na frente te esperando, tá?
- Hã? Como assim?
- Como assim o quê? Eu to aqui na frente ô, esperando tu!


E ainda segurando os celulares, ele apareceu na frente dela. A timidez desapareceu e qualquer nervosismo também. Ela o abraçou bem forte. Ele ainda estava sem acreditar, mas a abraçou também e, quando seus olhos se encontraram, eles se beijaram. E foi um beijo gostoso, cheio de carinho, de vontades, de desejos. Um beijo bem demorado.

Quando conseguiram se separar um pouquinho, ela disse que não o queria atrapalhar e iria esperar a hora que ele fosse embora para poderem conversar e então ficar juntos. Ele ainda não conseguia acreditar que estava olhando para ela, aquela a quem ele tanto queria. Despediram-se e ele voltou ao trabalho.

Cinco minutos depois ele estava de volta. Ela o olhou e eles sorriram. Pegaram-se nas mãos e saíram. Ele não perguntou nada, sabia para onde leva-la, já havia prometido há muito tempo. Chegaram naquele parque. Era tão bonito quanto ela havia imaginado, mas era muito melhor poder estar ali com ele.

Ela o olhou nos olhos. Não conseguia olha-lo sem abrir um largo sorriso. Também não conseguia se segurar e o beijou. Mais um beijo cheio de carinho, de desejos. Tão bom! E eles passaram todo aquele fim de tarde ali, sentados, entre conversas e beijos. Entre olhares e amassos.

E ela desejou não voltar pra casa nunca mais. Só pra poder ficar ali, com ele. Só para poder tê-lo em seus braços e beija-lo quando quisesse. Para nunca mais deixar de olhar aqueles olhos, aquela boca... E foi por isso que ela aproveitou cada segundo ao seu lado, e talvez por isso, cada segundo tenha sido tão mágico. ♥


Kari Mendonça

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Fila de banco

Estava eu decidida a fazer um post sobre a saudade, mas não a saudade convencional, aquela que todo mundo sente e fala. Uma saudade diferente. Mas interrompi meus pensamentos para ir ao banco fazer um pagamento. Maldita hora que eu fui ao banco. Cheguei ás duas e vinte, peguei uma ficha, passei quase uma hora na fila, até que descobri por um acaso, que não poderia fazer pagamentos com cheques de outra agência.

Tá, se você já sabia disso, não venha me dizer um monte de coisas. Mas eu me pergunto, por que não existem placas com informações em banco? Por que só existem propagandas idiotas sobre como você gastar mais dinheiro e dever mais ao banco? Bom... Mas isso não vem ao caso.

Já não é a primeira vez que vou ao banco e passo horas em uma fila. Mas pude reparar que, fila de banco é sempre fila de banco. Os assuntos são sempre os mesmos. Ah não! Eu não gosto de conversar em fila de banco ou do que for. Minha mãe me ensinou a não falar com estranhos e talvez por isso eu tenha tanta aversão a papo com pessoas que não conheço, mas claro, exceto que alguém nos apresente, mas enfim...

Voltando ao assunto do “papo de banco”. Pude reparar que são sempre os mesmo. As pessoas criticam a fila que está sempre grande e parece não andar nunca. É engraçado ver algumas pessoas revoltadas com tamanha demora, elas gritam, xingam o gerente, fazem qualquer coisa para chamar atenção. O mais engraçado é que nada acontece e a fila continua seguindo seu rumo bem devagar.

Como normalmente a maioria vai ao banco fazer algum pagamento, um outro assunto muito falado é sobre o preço das coisas. Como a conta de luz está alta, ou a conta de água que parece nunca baixar, ou a de telefone que mudou de nome. Ah! Alguns vão sacar algum dinheiro ou fazer depósito e por isso é muito comentando sobre as taxas bancárias que são sempre muito altas. Claro que a CPMF também sempre acaba entrando no assunto...

E como os assuntos sempre mostram que o cidadão, por algum motivo, está em desvantagem, o assunto sempre termina na presidência e o pivô sempre acaba sendo Lula. Apenas uma vez ouvi um rapaz falando que Lula estava fazendo algumas melhorias no Nordeste e por isso gostava dele. Em todas as outras vezes, as pessoas da fila estavam discutindo como o Brasil está ruim.

É engraçado perceber que elas não têm nenhum argumento, tudo o que elas fazem é criticar. Criticam porque acham errado ou porque disseram para elas que estava errado. Criticam, pois não há nada melhor do que falar do que está errado. Tá, eu sei que o Brasil tem muitas coisas a serem criticadas e não condeno quem o faz.

Mas acho que, se você vai criticar alguma coisa, você deve ao menos ter algum argumento, sabe? Bom... Mas o assunto num era esse, era só sobre as filas dos bancos. Mas ahh! Deixa pra lá!


Kari Mendonça

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Indecisão?

O ano está finalmente chegando ao final. Para uns, um ano comum com alguns problemas e algumas alegrias, para outros, um dos anos mais estressantes da sua vida, o ano do vestibular. E, a maioria dos que estão se preparando para o vestibular, não tem mais de 18 anos.

E é aí onde eu sempre tive uma pequena dúvida. Estaria um jovem preparado para decidir todo o seu futuro aos 17 anos? Afinal, o vestibular é o que coloca você dentro de uma faculdade, onde passará no mínimo quatro anos estudando sobre um certo assunto específico e então, você será encaminhado para o mercado de trabalho onde passará o resto da sua vida trabalhando naquilo.

Acredito que, aos 17 anos a maioria dos jovens não está preparado para decidir todo o seu futuro. Nem sempre pensei assim, até ver que muitos que passaram no vestibular na primeira vez que o fizeram, decidiram fazer um outro curso alguns anos depois. Vivencie vários exemplos disso dentro da minha própria casa.

Uma das minhas irmãs fez vestibular para Hotelaria, não passou, e no ano seguinte decidiu fazer Letras. Outra irmã minha, começou um curso de História, mas desistiu antes de acabar o primeiro semestre e hoje está tentando para Medicina. Já a minha irmã mais velha, cursou dois anos de Ciências Sociais e desistiu. Hoje ela faz Educação Física e está muito satisfeita.

Estudo com um menino que já começou o curso de Psicologia, de Direito e agora está cursando Publicidade. Uma amiga que também faz Jornalismo, decidiu que queria mudar de curso e ir para Enfermagem, no entanto, ela é do “ProUni” e por isso não pode mudar de área, apenas de curso. Sendo assim, ela resolveu que fará Direito no semestre que vem.

É normal que nem todos façam vestibular para aquilo o sonhavam quando criança, afinal, estamos em constante mudança e é normal que mudemos de idéia. Há algum tempo, eu costumava criticar aqueles que acabam o Ensino Médio e decidem não fazer vestibular, pois dizem não estar preparados. Hoje eu os compreendo, e até os admiro, pois, quando decidirem o que querem, creio que farão a escolha certa.

É certo que, nenhum ano dentro de uma universidade será perdido, mesmo que o curso final não tenha nenhum vinculo com o inicial. Também é certo que, todo conhecimento é muito válido. Mas afinal, o problema seria do jovem indeciso ou do sistema educacional?

Eu poderia criticar o jovem, pois é sempre mais fácil criticá-lo. No entanto, muitas vezes não estamos preparados para tantas decisões importantes. É enorme a pressão que vivemos. Os nossos pais esperam que tenhamos um futuro e que sejamos bem sucedidos, e a sociedade nos espera no concorrido mercado de trabalho. O mundo espera que deixemos de ser um adolescente e nos tornemos um cidadão com direitos, deveres e inúmeras obrigações.

Talvez o sistema também tenha um pouco de culpa nisso tudo. Nas escolas européias, o aluno entra para a universidade aos 20 anos. Sim, a diferença entre 17 e 20 pode não parecer muito grande, mas acredite, a diferença é enorme. Um exemplo disso é que, se repararmos uma criança de 1 ano e outra de 3, ambas estarão em estágios completamente diferentes de suas vidas, e a diferença é facilmente perceptível.

Talvez o sistema nunca mude. Talvez, nós jovens, nunca deixemos de ser um pouco complicados. Mas, o que é triste de ver é o enorme número de profissionais insatisfeitos, ou porque fizeram algo que lhes foi imposto ou porque decidiram fazer algo apenas pelo maior número de ofertas de emprego.

É difícil decidir todo o seu futuro com uma simples inscrição, porém, pior ainda é não fazer aquilo que se quer, mesmo que não seja na sua primeira opção.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Um par de olhos

A caminho da faculdade, ele me olhou. Não como outros, pois não olhou para mim, mas para os meus olhos. Olhei-o fixamente também. Decidi não desviar o olhar enquanto nos aproximávamos. Após alguns longos segundos, quase nos esbarramos e ele desviou, olhei mais um instante, e fiz o mesmo.

Não o consegui tirar da cabeça, e nem ao menos, esquecer aquele olhar. Ele era bonito, tenho que confessar que reparei, mas isso não vem ao caso. Passei o resto do caminho pensando naquele olhar, ou melhor, naquela “troca de olhares”. Foi intenso, mas foi rápido.

Percebi que nunca mais verei aqueles olhos e nem aquele olhar que tanto me chamou atenção. Mas afinal, por que me chamou tanta atenção um simples par de olhos encontrados no meio de um caminho?

Na verdade eu não sei porque ainda estou pensando naqueles rápidos segundos. Talvez porque eles me façam pensar nas inúmeras pessoas que atravessam a minha vida por um curto período de tempo.

Sempre que ando pela rua, coisa que gosto de fazer com muita freqüência, apesar de parecer bastante “desligada”, como me disseram certa vez, eu presto bastante atenção a tudo ao meu redor.

Reparo em tudo que está acontecendo. Fico imaginando como será a vida de cada uma daquelas pessoas. O que elas fazem no seu dia-a-dia. Pergunto-me se elas têm alguém especial esperando em casa, se amam ou se tem filhos.

Fico imaginando que sim ou que não, a cada uma das perguntas e a minha mente vira um filme sobre a vida de cada uma delas. Parece louco, eu sei. Mas são coisas da mente, que culpa tenho eu, afinal?

Sempre penso que qualquer um pode virar alvo de um conto ou de alguma estória desse blog, e com aqueles olhos não foi diferente. No entanto, a diferente está em não ter pensado sobre a vida do dono do par de olhos. Não me perguntei o que ele faz e nem se tem alguém especial em sua vida.

Lembrando agora, acho que ele estava indo ou voltando da aula. Não tenho certeza, mas acho que vi um caderno. Sua blusa era cinza e a calça preta. Reparei tudo isso enquanto apenas lhe olhava os olhos. Juro que não virei depois que ele passou.

Talvez nos encontremos algum dia. Mas espero que não aconteça, ou aqueles rápidos segundos perderão todo o encanto. E, talvez eu nunca esqueça aquele par de olhos, tamanha foi a intensidade. E essa sim faz com que valha a pena lembrar pra sempre daquele par de olhos castanhos.

No entanto, depois de pensar mais um pouco sobre aquele momento, de lembrar daqueles segundos tão intensos em que aquele olhar me penetrou a alma, desejei que aqueles olhos não fossem castanhos, mas sim, um certo par de olhos verdes.


Kari Mendonça