sexta-feira, 31 de agosto de 2007

23 anos...


Eles não se conheciam, no entanto, ela o achava um chato. Já ele, noivo de “outra”, não tinha nenhuma opinião sobre ela. Quando a “outra” resolveu dar um tempo no noivado, ele disse que não ficaria esperado e o noivado acabou.

Uma amiga em comum resolveu apresentá-los. Ele foi buscá-la em casa e assim que o viu, ela pensou: “vou me casar com ele”. Ele pensou o mesmo a seu respeito. Saíram, tiveram uma noite agradável e em pouco tempo começaram a namorar.

Com apenas de sete meses de namoro, resolveram se casar. No dia sete de abril de 1984, noivaram, mesmo, ele estando hospitalizado devido a uma cirurgia de urgência.

Com dez meses de namoro e três de noivado, chegou o grande dia. O casamento não foi o dos seus sonhos e sim dos sonhos da mãe dela. Mas eles nem se importaram tanto, queriam apenas estar juntos.

Eles não são nem um pouco parecidos. Seus temperamentos são completamente diferentes. Ela é romântica, ele, nem tanto. Isso acaba a irritando um pouco, reclama o fato de ele não ser como ela, mas ele a ama, percebe-se isso atrás de seu jeito tímido.

Do casamento, nasceram duas belas meninas. A relação dos quatro é de causar inveja. Quando estão juntos, parecem apenas bons amigos. Não existe formalidade entre eles. Existe respeito, mas também a liberdade de expressão.

Cada um fala o que pensa e assim vivem em harmonia. Brigam, claro, como toda boa família, mas no fim, sempre acabam se entendo e tudo acaba bem.

Hoje, eles fazem 23 anos de casados. Algo raro nos dias de hoje.

Vinte e três anos de muitas coisas. De amor. De cumplicidade. De brigas. De paixão. De discussões. De decepções. De alegrias, tristezas, sorrisos e lágrimas.

Não é fácil conviver com alguém por tanto tempo. Como já ouvi dizer: “o casamento é uma eterna construção. Cada dia se coloca um tijolinho.” E é isso que eles vem fazendo todos os dias.

Admiro-os por tal vitória (sim, considero o fato de permanecerem casados uma vitória). Desejo poder viver com alguém assim um dia. E agradeço a Deus, todos os dias, por ser fruto desse relacionamento tão bonito.

-Um beijo
Kari Mendonça

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Eu, hoje (?)

Há algum tempo atrás eu não era como sou hoje. Não falo fisicamente, pois, reparando as minhas fotos, noto que são todas iguais. Mas isso não vem ao caso. Eu era diferente em vários aspectos. Acho que melhorei em alguns, em outros, nem tanto.

A paciência nunca foi uma das minhas melhores amigas. Hoje nos encontramos em algumas ocasiões, mas confesso que a nossa relação não é das melhores. Coisas pequenas estão me tirando do sério, mas a culpa não é exatamente minha, sabe?

Não sei explicar, mas coisas cotidianas estão me irritando. Coisas simples, mas que estão se tornando chatas. Deixa-me explicar melhor...

As pessoas ultimamente só falam em dinheiro. “Porque tá tudo muito caro”, “porque não tenho dinheiro para o carro novo”, “queria dar uma progressiva no cabelo, mas é caro”. Esse tipo de coisa. Só falam nisso agora, parece que o mundo gira em torno do dinheiro.

Eu sei que o dinheiro é importante e tal, sei que faz falta, sei que algumas coisas, de fato, estão mais caras do que ontem, sei de tudo isso, mas também sei que dinheiro não é tudo nessa vida e por isso não precisam ficar falando sobre ele o tempo inteiro.

A vida alheia é um outro assunto que se tornou desinteressante pra mim. Já tive orkut, já passei horas olhando os “orkuts” dos outros. Pra saber se fulano tava namorando. Se fulana já tinha acabado com aquele babaca... Mas começou a me fazer mal, sabe?

Deletei o orkut. Não me trazia nenhuma gratificação. Parei de saber o que acontece com os outros e hoje me sinto muito bem. Numa roda de conversa, quando começam a falar da vida das pessoas, fico na minha. Não acho necessário comentar nada a respeito.

Voltando a falar sobre como eu era, sempre falei o que me viesse na cabeça. Nunca medi minhas palavras e acabei magoando muitos. Hoje já não assim. Passo a maior parte do tempo em silêncio, apenas ouvindo. Dou a minha opinião apenas quando acho necessário, e me preocupo mais com as palavras.

Ás vezes não me controlo, e acabo falando o que não devo ou quando não posso. Mas é sem querer, de verdade.

Dessa forma, aprendi a ouvir mais. É tão bom ouvir as pessoas. Ás vezes elas estão tristes, abusadas, desesperadas e tudo o que elas querem é botar pra fora, mas sem obter nenhuma opinião a respeito, sabe? E eu escuto, com todo prazer.

Outra coisa que eu não dava muito valor, eram os meus amigos. Sempre achei que os valorizava, até perdê-los e perceber que a culpa não foi de ninguém exatamente. Aprendi que se eu amo os meus amigos, eu devo demonstrar isso a eles.

Mais uma vez acho que acabei falando algumas coisas nada a ver. Queria falar sobre como mudei de uns tempos pra cá, mas não sei se cheguei ao meu objetivo.

No entanto, percebi que a paciência de certa forma é minha amiga, pois para ouvir as pessoas, muitas vezes, é necessário ser muito paciente pra não olhar e dizer: “deixa de ser idiota, oras."

-É isso
Kari Mendonça

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Amar... amor...


De acordo com Oswald de Andrade, o amor resume-se ao humor, já Drummond diz que o "amor é estado de graça e com amor não se paga".

Amar não resume-se ao sexo oposto, mas em uma relação entre duas pessoas. Existe amor de irmão, amor de pai, de primo, de amigo e acima de tudo o amor que vem com a paixão.

O amor é complexo. Uns amam simplesmente por amar, outros necessitam ser amados antes de tudo. Alguns reclamam que são sulfocados pelo "amor em excesso", já outros por recebê-lo de forma escassa.

Penso que o mais importante na vida é amor. Ninguém vive sem tê-lo, seja correspondido, rejeitado ou platônico.

Vivemos numa eterna busca ao amor perfeito, e acabamos nos esquecendo que não somos perfeitos, e por ser "controlado"(ou simplesmente, sentido) pelas pessoas o amor também não pode ser.

Se o julgam por amar de mais ou em "quantidades insulficientes", talvez o problema não seja a "quantidade" do seu amor, mas o remetente. Seria melhor procurar um outro remetente, pois o seu amor em excesso pode completar alguém e o seu amor escasso pode ser o sulficiente para um outro alguém.

O amor não mede conseqüências, vence barreiras, preconceitos e seja lá o que for.

Porém amar, nem sempre é um mar de rosas. O amor quando não correspondido pode causar sérios danos, e por isso, devemos saber a hora de parar. Não de parar de amar, pois é difícil, porém, a hora de parar de alimentar esse tal amor. Pois o amor é como uma planta, se não o regar, não cresce.

Sei que falei muito e posso não ter chegado a nenhuma conclusão, entretanto, o amor não se conclui, apenas se sente e pronto.

Antes de ir, gostaria de citar uma frase da jornalista Marina Colasanti, tirada do seu livro A Nova Mulher. " Lembre-se que o amor da vida é aquele que a gente escolhe entre tantos e aquele com quem, entre tantos, fica".

Kari Mendonça
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Movimento entre Blogs - Vale a pena ler de novo
1 - Qualquer blog convocado pode participar.
2 - O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou(sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!),e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.
3 - Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.
4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.
5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.
Fui convidada por Pripa a aderir o movimento.
E agora convido:
-Beijos
Kari

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ela e a borboleta


Era fim de tarde, o sol já não estava mais tão forte, mas ela não conseguia ir embora.
Estava ali á alguma horas, e estava encantada com tanta beleza.
Nunca tinha visto tantas flores tão belas, nem tamanha diversidade de plantas.
E no meio da mais bela paisagem, surge uma borboleta.
Ela desviou o olhar e não conseguiu deixar de admirar aquela tão bela borboleta.
Por um momento, sentiu inveja. “Queria ser como ela”, pensou.
E decidiu que ainda tinha muito o que fazer naquele jardim. Sentou-se, então, em baixo duma árvore.
Olhando pra tudo aquilo, desejou ter asas. Queria ser livre para voar e poder andar entre flores tão belas e tão cheirosas.
Admirou a borboleta por tudo. Por sua beleza, por sua força, por sua sensibilidade e por sua gentileza.
Notou que as borboletas sentiam o gosto das flores, pelas patas. Já havia lido a respeito. E reparou que ela nunca percebia nada e sempre acabava caindo nas “brincadeiras sem graça” dessa vida.
Naquele momento, ela lembrou outra coisa que havia lido sobre as borboletas: “nunca se deve pegar uma borboleta com as mãos, devido à delicadeza das escamas em suas asas”.
E isso a fez lembrar de quantas vezes já haviam tocado em “suas escamas” e como havia ficado impossibilitada de “voar”.
Ficou feliz por perceber que em algo se identificava com aquele ser.
Queria poder ter mais momentos como aquele.
Assim como tinham as borboletas. Um momento só delas, onde se preparavam para o casulo e só saiam de lá completamente modificadas.
No entanto, “queria ter essa força”, pensou ela, quando lembrou-se do que faz uma borboleta para sair do casulo.
Percebeu então que, mais que nunca, desejava ser igual a ela.
Queria ser forte nos momentos de dor. Mas também não queria perder sua sensibilidade.
Lembrou-se de quantas vezes havia sido criticada por amar demais, ou por não ter dito o que ele merecia ouvir, ou simplesmente por ter deixado a felicidade de lado.
Por muitas vezes, escondeu-se em seu casulo, mas nunca havia saído mais forte de lá.
O casulo a ajudava a pensar, no entanto, de tanto pensar, acabava por se lamentar demais e nunca tinha “tempo” para esquecer o passado.
Decidiu, naquele momento, que retornaria para um casulo, mas dessa vez seria diferente.
Só sairia de lá quando estivesse completamente modificada e forte.
Passaria então a dedicar-se a si mesma, a dar valor as pequenas coisas e começaria definitivamente a "voar".
Iria onde jamais teria ido, fazia o que jamais fez.
Decidiu que seria como a borboleta: livre, forte, sensível, bela e feliz.
Deixaria de pensar em coisas sem valor e passaria a apreciar coisas como aquele jardim.
Como nunca o havia notado? Não conseguia entender!


Kari Mendonça

terça-feira, 21 de agosto de 2007

COMUNICADO IMPORTANTE

Por algum motivo que eu não sei qual é, eu não tô onseguindo comentar nos blogs do Weblogger.

Antônio, Marcus Vinícios e Karol eu tô tentando comentar nos blosg, tá? Mas é que eu não tô conseguindo mesmo....

Mas eu vou continuar tentando até eu conseguir, tá?

Ah... tenho um monte de coisas na minha cabeça agora, poderia fazer um post legal... Mas sabe quando você não consegue juntar as idéias?

Tipo...
Eu pensei em falar sobre PROMESSAS, aquelas que me fizeram e que eu nunca vi e por isso, hoje, fico descrente quando me prometem algo...

Também pensei em falar sobre como eu me CANSEI de um monte de coisas.
Cansei de falar sempre o que eu penso, já que nunca me escultam mesmo....
Cansei de tentar ajudar quem não quer ajuda...
Cansei de tentar fazer as coisas direito quando nem me notam...
Esse tipo de coisa, sabe? Dariam um post legal.

Sim... Também pensei em falar sobre uma dinâmica feita na aula de filosofia, sobre QUEM VOCÊ LEVARIA PARA O ABRIGO? !

Ou também sobre, como a A DISTÂNCIA AFASTA AS PESSOAS, sabe? Tipo... quando duas pessoas muito próximas se afastam, pois uma delas foi pra longe e como isso modificou a relação das duas. Quando já não existe mais tanto diálogo, nem cumplicidade ou amizade e até a irmandade parece adormecida...

Pensei também em falar sobre AMIZADE, aquela verdadeira, sabe? Aquelas que distância nenhuma e nem o tempo modifica.

Viu como tem coisa na minha cabeça agora? Eu tentei. Já "escrevi" vários posts na minha mente(sempre faço isso antes de escrever no pc), mas nenhum deles me pareceu completo, porque nenhum dos meus tantos sentimentos estão conseguindo se entender.

Nem o Meme que Pripa me passou eu consegui fazer, e olhe que é simples. É só pra escrever sete fatos casuais....

Mas enfim.... O post na verdade foi só pra falar sobre o problema com o Weblogger, e aproveitei pra falar um pouco mais....

Talvez eu escreve sobre cada um desses assuntos depois... Ou talvez não!

-Até quando as idéias voltarem para seus lugares
e os sentimentos voltarem a se entender!
Kari Mendonça

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Aproveite!!!!

Ela perdeu o marido quando estava grávida do seu segundo filho, há quase 15 anos. Tinha tudo e tudo o que tinha, perdeu. Começou do zero, com dois filhos pequenos e uma pensão do falecido marido. Sempre batalhou por tudo. Hoje, mora numa casa pequena, sem luxo algum. Paga todas as suas contas. Não tem nenhuma dívida. E é uma pessoa muito tranqüila, e alto astral. Tem todos os motivos para reclamar da vida, mas não o faz. Apenas aproveita cada momento, da melhor forma possível.

Ele também é viúvo, perdeu a esposa há pouco tempo. Tem duas filhas. Vive numa casa própria. Possui vários imóveis alugados e uma casa de campo. É aposentado e ainda recebe a pensão da esposa, fora os tantos alugueis. Nunca aproveitou a vida, nem quando a esposa era viva. Vive para adquirir bens e junta-los. Tem a vida que muitos pediram a Deus. Mas não dá valor a nada do que tem e vive reclamando da falta de dinheiro (apesar de não existir).

Olhando essas duas pessoas tão diferentes eu paro. E penso na vida, nas pessoas e nos momentos.

Como pode alguém com tudo, ser tão amargo, infeliz e insatisfeito com a vida? E alguém com tão pouco, saber aproveitar cada momento?

Ás vezes, as pessoas dizem que não podem aproveitar a vida pela falta do dinheiro. Não podem ir a um bar ou a um restaurante caro. Mas aproveitar a vida não significa gastar muito. Conheço um casal, que sempre que querem sair, mas estão sem dinheiro, vão ao shopping, pedem petiscos e tomam um chop. Não gastam muito, mas aproveitam o momento.

Tem coisa mais gostosa, que ir pra praia? Não precisa gastar muito dinheiro, mas é tão legal. Pede-se uma coca, ou uma cerveja, deita-se na areia, aproveita-se o mar, o sol....
Aproveitar a vida é saudável, sabia? Já foi comprovado por estudiosos.

Pode reparar, que, aqueles que não aproveitam e não vão a lugar nenhum. Aqueles que se privam de momentos agradáveis, são sempre amargos, rancorosos, como o rapaz citado no início. Sair com uma pessoa dessas é chato, pois eles são chatos. Suas conversas sempre são baseadas em dinheiro e na falta dele, ou na economia. Não sabem falar sobre coisas agradáveis.

Algumas pessoas criticam as mulheres. Mas me diga, sinceramente, tem coisa mais saudável do que sentar numa mesa cheia de amigas e passar uma tarde inteira conversando sobre coisas sem muita importância? Falando apenas sobre lembranças, namorados, ex-namorados, roupas, sapatos e um monte de coisas bestas? Claro que essas conversas não podem ser sempre, mas de vez em quando é tão bom. Alivia a tensão da alma.

Sei que viver é estressante. Não é porque sou uma mera estudante sem estágio que não tenho noção da vida. Muito pelo contrário. Logo cedo, por saber mexer no computador como ninguém na minha casa, fui destinada a resolver todos os problemas bancários e por isso, conheço a realidade de viver. Tem que se pagar contas, mesmo quando o dinheiro o pouco. Tem que trabalhar. Mas mesmo assim, têm-se que VIVER também!

Alguns aproveitam nas “baladas”, nos shows, nos bares... Outros preferem lugares mais calmos, como uma praia, um cinema, ou uma sessão de filmes em casa. Que seja com os amigos, com o companheiro(a), filhos, pais, ou sozinho. Guarde sempre um espaço para você. Um minutinho(vários de preferência) para esquecer dos problemas, das dívidas ou de qualquer outra dificuldade existente nesse mundo(e eu sei que são inúmeras).

Não se torne uma pessoa amarga, egoísta e egocêntrica. As pessoas começarão a te evitar e aos poucos, todos se afastarão. Aproveite mesmo, não importa se você é um adolescente, um jovem, adulto ou uma pessoa mais velha. Não existe idade para ser feliz. Sim! Aproveitar os momentos bons da vida, torna as pessoas mais felizes. Seja uma delas!

-Beijo
Kari Mendonça

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Os cantinhos da casa

“Dias após a desgraça do Areia Branca, quando o edifício virou escombros,
um dos desolados ex-moradores deu entrevista lamentando, acima de tudo, ter
perdido os cantinhos da casa. Mais do que o risco de morte que tinha corrido,
mais do que a perda de um patrimônio, mais do que a situação de sem-teto na qual
se encontrava agora, o desafortunado lamentava ter perdido para sempre os
cantinhos da casa. Ainda que feito sem maiores detalhes, o depoimento me tocou
profundamente. Pois fiquei imaginando a importância emocional que tais cantinhos
deviam representar na vida daquele senhor e os motivos que o levaram a fazer, de
pronto, esta declaração. Por que numa hora de tanta infelicidade alguém pode
externar como dano maior algo que pertence exclusivamente à sua intimidade? Ou
seja, declarar como prejuízo irreparável o valor sentimental de determinados
retalhos de ambientes?

Refletindo, no momento, sobre a imprevisível espontaneidade da declaração daquele senhor, acabei traçando um paralelo com os cantinhos da nossa mente. Sim, porque se trata, igualmente, de refúgios para os quais nós todos recorremos nas horas de aflição.

Eu tenho a convicção que todos nós cumprimos o caminho de nossas vidas
percorrendo infinitas etapas que ficam bem ou mal registradas na fluidez da
nossa memória, mas reservamos uns cantinhos especiais para certos momentos. Que momentos são esses? Acho impossível classificá-los por gênero. Acho que só podem
ser classificados por graus. Graus de intensidade emocional. Acho que é para
eles que nós reservamos esses espaços especiais. Para que fiquem indeléveis.
Serão então os mais relevantes registrados até uma altura qualquer de nossas
vidas? Serão, se por isso entendermos, os que fizeram vibrar com maior
intensidade as cordas da nossa sensibilidade. Pois esses momentos felizes ficam
guardadinhos na mente e é à lembrança deles que nós apelamos – consciente ou
inconscientemente – na busca de uma compensação, um refúgio, uma consolação da
qual precisamos para enfrentar alguma situação adversa que venhamos a
atravessar.

Pois é. Parece que acabo de descobrir que os cantinhos privilegiados da
memória são muito parecidos com os cantinhos ambientais da intimidade da gente.
Eles guardam a lembrança de momentos entre os mais emocionantes e
significativos, produzidos pela evolução do intelecto, do relacionamento e da
sensibilidade das pessoas. Aquele primeiro e tão suspirado encontro amoroso...,
a leitura daquele livro tantas vezes adiada e finalmente realizada com
satisfação plena..., aquele singelo, mas para a gente importante negócio
fechado, em certos momentos, com um simples aperto de mão..., assim como tantos
outros pequenos e grandes prazeres e algumas realizações que pontuam a nossa
existência acontecem nos mais diversos lugares, neles incluídos os tais
cantinhos da casa da gente. Chegando ao ponto daquele senhor considerar o seu
sumiço como a maior perda provocada pelo desmoronamento do imóvel. Uma perda
inestimável no momento em que eles tinham virado apenas cantinhos da
memória.”


Italo Bianchi

OBS.: O Edifício Areia Branca, ficava localizado na praia de Piedade, na Região Metropolitana do Recife e desabou no dia 14 de outubro de 2004, ás 20:30. Era um prédio de 12 andares. Quatro pessoas foram mortas.

-É isso!
Kari Mendonça

domingo, 12 de agosto de 2007

Um jovem casal


Ele era magro, bonito, alto. Ela era também magra, uma morena bonita e não muito mais baixa do que ele.
Ele tinha uma cara de bobo, de apaixonado, e não tirava os olhos dela nenhum minuto. Ela parecia mais séria, mostrava um ar de superioridade, mas notava-se que também gostava muito dele.
A princípio, ele estava brincando com os amigos que aos poucos, foram indo embora, então, finalmente sentou-se ao lado dela e envolveu seus braços, como se fosse uma cobra, nos braços dela.
Notei que se beijaram algumas vezes, e sempre no fim, ele com aquela cara de bobo e ela muito tímida.
Algum tempo depois, após alguns beijos e alguns olhares sem graça, ela teve que ir embora. Ao se levantar, ele fez questão de beijá-la e ela retribuiu.
Até que ele a chamou, um papel havia caído no chão, e ela voltou para buscá-lo.
Ele tentou beijá-la mais uma vez, mas ela fingiu que não viu e saiu.

Notei que eram jovens. Jovens até demais, mas percebi que não há idade para amar.
Já ouvi comentários de que não havia prova maior de amor do que um casal de idosos, pois demonstrava que nem tempo havia atrapalhado aquele sentimento tão lindo.
Sempre concordei com essa afirmação, no entanto, naquela tarde, percebi que também não há nada mais lindo que um jovem amor.
Aquele que nasce num jovem pela primeira vez, e traz todas aquelas sensações tão boas(?).
Com o primeiro amor, nasce vergonha, surge saudade, a espera, o medo de não saber o que está acontecendo e nem ao menos o que acontecerá.
Acontece o primeiro encontro premeditado, um abraço gostoso e tão sonhado....
Traz também o primeiro beijo. O beijo sem graça, onde não se sabe o que fazer com a boca, a cabeça, ou as mãos....
Acontece o primeiro telefonema, não se sabe o que dizer, a conversa quase não acontece, mas ouvir a respiração do outro, já dá uma grande satisfação. Com o tempo a conversa começa a fluir naturalmente.
Segue-se pelo segundo encontro, aquele após o primeiro beijo, onde o segundo(beijo) já é imaginado, onde cada segundo é mágico e vai ficar guardado pra sempre.
O primeiro amor pode não durar pra sempre, mas terá sido bom enquanto durou e com toda certeza, terá ensinado muitas coisas.
No “segundo amor”, as coisas são muito diferentes e ao mesmo tempo muito iguais.
Já se sabe como reagir em alguns momentos. O beijo parece ser ainda mais gostoso. A vergonha ainda existe, mas vai embora muito mais rápido que da primeira vez.
E assim as coisas vão acontecendo, sempre ficando mais fáceis e mais difíceis ao mesmo tempo.
O amor é sempre amor. Mas existem várias formas de amar. Já não se quer amar mais tão intensamente para não sofrer como da última vez, então, tenta-se amar um pouco mesmo. Mas é difícil, a intensidade do amor não é controlada, não por nós mesmos.
Ele surge, e quando você percebe, já não há mais nada a se fazer, apenas, tentar aproveitar cada bom momento que ele lhe proporcionar e aprender com cada momento difícil. Afinal, a vida é um eterno aprendizado. E o amor não é diferente.

Acabei falando, falando...
Mas é que aquele jovem casal, que não deviam ter mais de 13 anos, me chamou a atenção e não os consegui tirá-los da minha cabeça, sempre pensando em como poderia postar algo a respeito daqueles poucos minutos que presenciei naquela tarde. Pronto! Parece que eu achei uma forma de encaixá-los no meu post.

-Um beijo
Kari Mendonça

sábado, 11 de agosto de 2007

Como posso crer?

Conversando com alguns amigos, certa vez, eles comentaram que de vez em quando passavam pelo meu blog.

Perguntei-lhes por que não comentavam e eles disseram que gostavam de apenas ler.

No entanto, é sempre bom um comentário, é o que chamamos na comunicação de feedback.

É bom, pois me ajuda, a saber, o que você pensou ao ler o texto e o que você pensa a respeito do assunto.

Todos os comentário são sempre lidos, e quando possível, analisados.

Não é a toa, que venho comentar sobre um comentário em especial.

Á alguns posts, foi comentado que eu estava descrente da humanidade e que isso não era bom. Desde então, venho pensando muito a respeito.

De fato, a humanidade me choca a cada dia e me entristece ver o que o homem é capaz de fazer.

Como posso crer numa humanidade capaz de usar a religião como desculpa para tantos atos terríveis?

Como posso, eu, crer numa humanidade em que o dinheiro é mais importante do que as pessoas?

Onde o outro não tem valor nenhum, se isso não for para beneficiá-lo?

Onde as guerras começam pelos motivos mais banais possíveis?

Onde um cara que passou anos lutando contra uma ditadura, acabou por se tornar um grande ditador?

Onde um outro cara, passou anos de sua vida, tentando subir e prometendo ajudar aos outros, e quando finalmente conseguiu, resolve pensar que seria o máximo juntar os presidentes da América Latina para um jogo de futebol (?)??

Onde alguém é capaz de matar uma criança, um ser tão inocente?

Como eu posso crer que essa humanidade tão cruel e tão egoísta é capaz de mudar?

É difícil. Mas acredite, eu ainda penso que as coisas poderiam mudar.

Não posso explicar, mas eu não acredito na humanidade e ao mesmo tempo eu acho que ela pode ser transformada.

Ás vezes, como comentei a um amigo, tenho vontade de sair por aí gritando e perguntado se são todos estão loucos e se não vêem o que anda acontecendo.

E se vêem, por que não fazem nada? Talvez não tenhamos mais nada a fazer, ou talvez tenhamos ainda uma grade luta pela frente.

Mas isso, só saberemos se lutarmos, se formos contra o que nos é imposto.

Che Guevara, ao deixar uma carta aos filhos disse: “Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário.”

Você não precisa sair por aí com uma blusa vermelha ou com uma estrela. Você não precisa ser um revolucionário.

Mas se você sentir profundamente essas tantas injustiças que vemos todos os dias, tanto na televisão, quando no dia-a-dia, acredito que já temos um pedaço do caminho andado.

Eu não posso mudar a humanidade sozinha. Mas eu posso fazer a minha parte. E você a sua.

E que fique claro que, apesar de tudo, eu ainda creio nessa humanidade desgraçada e imunda, afinal, se eu não crer, como poderei acreditar que as coisas melhorarão um dia?

Por isso, nunca deixe de comentar, as críticas são sempre boas!

-È isso!
Kari Mendonça

PS.: Tá, eu sei que pode parecer "clichê" falar "faça a sua parte", mas eu realmente acredito que se eu fizer minha parte e se você fizer a sua estaremos nos diferenciando dos que não fazem nada, logo, podemos mudar o mundo!
Se cada um fizer um "pedaçinho", juntos teremos feito um "pedaço considerável", não acha?

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

When you love someone

O meu computador quebrou (pra variar um pouco).
Na falta de tempo e espaço pra escrever um post bem legal, ou bem chato (depende do ponto de vista), levando em conta que eu estou numa lan house, resolvi colocar a tradução de uma música que eu gosto muito.

" Quando você amar alguém
Você fará qualquer coisa
Você fará todas as coisas loucas que você não pode
explicar

Você atirará na lua e
apagará o sol

Quando você amar
alguém

Você negará a verdade e
acreditará numa mentira

Haverá
tempos que você acreditará que realmente pode voar

Mas suas noites solitárias, apenas começaram
Quando você amar alguém
Você sentirá isto bem fundo
E nada mais poderá mudar seu pensamento
Quando você quer alguém, quando você
precisar de alguém

Quando você amar
alguém...

Quando você amar alguém,
você se sacrificará

Você daria tudo
isto que você adquiriu e você não pensará duas vezes

Você arriscaria tudo não importa o que pode
vir

Quando você amar alguém
Você atirará na lua e apagará o sol
Quando você amar alguém."

Linda, né não??
A música é "When you love someone", de Bryan Adams.
http://www.youtube.com/watch?v=m9Y-8-TGFOs

-Beijos e até a volta do meu pc
Kari Mendonça

PS.: O meu pc chegou! Tadinho, já não é mais o mesmo...


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Os oceanos e as gotas d´água

Mexendo no meu caderno, encontrei uma frase. Li. Não foi a primeira vez.

Mas percebi o que jamais havia notado: a grandiosidade de tal frase.

“Você já parou pra pensar que os oceanos são feitos de gotas d´água?” Era a frase.

Passando os olhos, parece uma coisa boba ou uma frase qualquer, mas não é.

Quando vamos à praia e paramos para admirar o que chamamos de mar (que de fato é um oceano), muitas vezes sob o luar, jamais pensamos naquelas gotas.

Admiramos o conjunto, porém jamais as partes.

Muitas vezes ao perceber uma simples gota de água não damos nenhum valor. Por quê?

Porque, assim como na vida, fomos ensinados a só admirar grandes fatos, grandes pessoas e grandes monumentos.

No entanto, até os grandes momentos são feitos de pequenos gestos e poucas palavras.

Talvez, se parássemos de desejar o melhor, o maior e o mais bonitos, começaríamos a dar mais valor ao que é nosso e as coisas pequenas da vida.

Da mesma forma que “gotas” são “jogadas” na nossa vida, acabamos “jogando-as” na vida de outros.

Sabe aquela senhora que passou por você no supermercado e você sorriu?

Já parou pra pensar que essa pode ter sido uma “gota” na vida dela?

Assim, como aquele “com amor”, fez toda a diferença ao ler uma carta e deixando
um oceano mais bonito.

Também o “eu nunca te amei” pode destruir todo o oceano de alguém.

Cada gesto.

Cada atitude.

Cada palavra é uma “gota”, seja na sua ou na vida de alguém.

Deveríamos admirar cada “gota d´água” de nossas vidas, ou assim, jamais perceberemos o oceano tão bonito em que vivemos.

Aproveite cada momento.

Diga “eu te amo” sempre que sentir vontade.

Diga, quando já não amar mais aquele(a) ao seu lado.

Seja sincero, honesto e respeite. Você não imagina quantas “gotinhas” isso pode trazer.

Pare de olhar apenas o oceano e perceba o quão bonita é uma simples gota!

-Um beijo
Kari Mendonça

domingo, 5 de agosto de 2007

Vestígios de uma(s) noite(s) em claro


Tem coisa pior do passar a noite em claro? Tem sim. Passar várias noites em claro.

Eu, particularmente, cheguei ao meu limite.

Já não sei mais o que eu fazer. Já tomei remédio, chá, já fiz de tudo, mas eu simplesmente não consigo dormir.

É angustiante os momentos em que a noite vai passando e o meu sono nem apareceu ainda... E pior é quando ele finalmente aparece e é interrompido.

Poxa... logo eu que sempre fui uma amante da noite. Sempre apreciei cada segundo do meu precioso sono!

Talvez eu esteja apenas ansiosa. Ou talvez apaixonada, vê se pode!

É, apaixonada mesmo. Mas é que ontem eu descobri que “apaixonada” em latim significa “sem paz” e isso, explicaria muita coisa.

Ah. E ainda tem mais, parece que quando a sua noite não foi boa, todo o seu dia é meio que destruído por ela.

Passo o dia com sono. Impaciente. Abusada. Angustiada. Com uma vontade de chorar gigante. E lamentando a noite que eu não tive...

Pronto. Já disse tudo que eu tinha a dizer.

Foi um post pequeno e chato (eu sei), mas o que eu posso fazer se é exatamente assim que me sinto agora (em pleno domingo, ás seis e vinte da manhã)?


-Bom dia pra vocês
-Até breve
Kari Mendonça

sábado, 4 de agosto de 2007

Monólogo das mãos

"Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......

As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!

Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.

A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar.

Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!

Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!

As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.

Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos.

As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.

O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.

A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada a pena e a cruz!

Modela os mármores e os bronzes; da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.

Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.

O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade. O noivo para casar-se pede a mão de sua amada; Jesus abençoava com as mãos; as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.

Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.

E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.

Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.

E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.

E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!"

Por Ghiaroni

-Acho esse texto o máximo!!! Espero que tenham gostado também!
-Beijos
Kari Mendonça

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Eu já... (Parte II)

Já rir pra me acabar.
Já acabei um namoro pelo telefone.
Já passei horas vendo fotos e me lembrando de quando cada uma foi tirada.
Já passei a tarde no MC Donald´s conversando besteiras.
Já telefonei só pra dizer: eu te amo e desliguei.
Já completei um caderno inteiro só com poesias, músicas, prosas e frases.
Já passei a madrugada lendo um livro.
Já tirei foto no espelho.
Já tirei foto no banheiro.
Já fui dormir pela manhã.
Já desejei alguém que nunca vi.
Já coloquei um piercing (2 vezes).
Já brinquei na chuva.
Já beijei escondida.
Já chorei ao ler uma carta.
Já fui ao show dos meus sonhos.
Já fiz uma tatuagem (2, na verdade).
Já furei minha orelha com gelo e um brinco.
Já “casei” de brincadeira.
Já fiquei com um ex. namorado.
Já gritei pra me acalmar.
Já liguei o som ALTO só pra incomodar.
Já passei a madrugada no msn.
Já tive orkut.
Já deletei meu orkut.
Já perdi a senha do meu fotolog.
Já estudei no dia da prova.
Já fiz prova sem estudar.
Já fui pro colégio e não assiti nenhuma aula.
Já sai do colégio direto pro cinema.
Já fiz uma dieta maluca (mas que deu resultado).
Já passei um mês sem sair de casa.
Já sonhei com alguém que nunca vi.
Já quis estar em outro lugar, com um outro alguém.
Já entrei em um filme que não podia.
Já beijei no cinema.
Já me vesti de bruxa.
Já passei um dia sem falar com ninguém.
Já conversei com um desconhecido como se fossemos amigos.
Já chorei em um casamento.
Já sorri em um velório.
Já pintei um quadro.
Já usei óculos.
Já fui a uma festa de hallowen.
Já quebrei uma promessa.
Já dormi ouvindo música.
Já falei com os olhos.
Já passei uma madrugada conversando ao telefone.
Já escrevi e-mails que nunca mandei.
Já falei besteiras.
Já fiz tanta coisa besta que nem lembro mais.
Já fiz coisas ótimas...
...outras nem tanto!

-Um beijo
Kari Mendonça

PS.: Eu já... (Parte I).

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Se Maria Graham voltasse

Artigo publicado dia no 30/07 pelo Jornal do Comércio, por José Mário Rodrigues.

"Quando estávamos sob domínio português, em 1821, andou pelo Recife a viajante inglesa Maria Graham. Ela se demorou um pouco mais de vinte dias. Encontrou uma cidade tumultuada por conta de revolta contra o então governador e capitão general da província de Pernambuco, Luiz do Rego Barreto, que em julho do mesmo ano havia sofrido um atentado. O povo fazia barricadas contra o governo, os tiroteios eram freqüentes e o lixo tomava conta das ruas.

Mesmo naquele cenário inseguro, Maria Graham percorreu todos os lugares. Comeu frutas que não conhecia, conversou, entrou nas casas e anotou com precisão os costumes e hábitos exóticos dos nativos em pé de guerra. Ficou horrorizada com a escravidão e a maneira degradante como os senhores e os brancos tratavam os negros que morriam doentes na imundície da senzala.

Comecei a delirar com uma hipótese absurda: se Maria Graham voltasse ao Recife, quase dois séculos depois, o que ela anotaria em seu diário de viagem? Como se trata de um delírio, é bom que se diga, sem uso de drogas, vou abolir deste texto o condicional e dar um salto de 186 anos no tempo. Fica mais fácil e compreensível relatar a volta imaginária da viajante inglesa, elogiada por Gilberto Freyre em Casa grande & senzala.

Pronto. Maria Graham chegou. Hóspede da Prefeitura do Recife, o cerimonial preparou o roteiro da sua visita à cidade. Ao descer no Aeroporto dos Guararapes, a viajante ficou impressionada com o progresso e a modernidade do Recife. Ainda no Aeroporto, lhe chamou atenção as obras de arte de João Câmara, Zé Cláudio, Gil Vicente e as esculturas de Francisco Brennand. Demonstrou interesse em conhecer os artistas da terra e levar algumas telas para a sua coleção particular.

Instalou-se na suíte presidencial do Recife Palace. À noite foi recepcionada com um jantar na casa do prefeito. No dia seguinte, em hora previamente estabelecida, o guia do cerimonial estava plantado no saguão do hotel para levar a famosa escritora a um olhar sobre cidade. Entre outros lugares turísticos foram incluídos a Oficina Brennand, o Castelo de Ricardo Brennand, a Capela Dourada, o Marco Zero, a Fundação Gilberto Freyre e uma rápida passagem pela Sé de Olinda.

Acontece que a viajante tarimbada, pesquisadora arguta, historiadora internacionalmente conhecida, deu um bolo no guia e resolveu sair sozinha para redescobrir a cidade. Esses roteiros oficiais programados eram tudo que não queria, pois escondem a realidade local e a vida como ela é. Foi aí que começou o desastre. Ela tomou o ônibus Boa Viagem/Caxangá, desceu na Avenida Guararapes, saiu andando pelo Pátio de São Pedro em direção ao Mercado São José. Nem bem chegou ao destino, foi assaltada por três meninos de rua que lhe roubaram a bolsa com passaporte e mais um punhado de libras esterlinas que esqueceu cambiar. Como meninos não conheciam a moeda inglesa, foi fácil prendê-los. A polícia conseguiu reaver os documentos, mas o dinheiro sumiu.

Maria Graham não desistiu de chegar ao mercado e encontrou por lá um escritor maldito, que ninguém quer publicar, pois o seu assunto são os excluídos, as prostitutas, os cafetões, os travestis, a extrema pobreza que “relaxa e goza”.

Desta vez, ela ficou assombrada com a violência e comentou com Liêdo Maranhão a estatística da criminalidade. Mata-se por um celular. Mata-se pelo volume do som. Mata-se para demarcar ponto de venda de droga e o não pagamento da droga. Mata-se para roubar e rouba-se para comprar armas e matar. Matam-se muitas mulheres. Matam-se jovens e os jovens se matam. Ao chegar ao hotel a viajante leu os jornais e, desiludida, resolveu cancelar a visita. o que viu, bastou. A população cresceu, a cidade tanto se modernizou como empobreceu, mas a barbárie é a mesma.

Um dado positivo acrescentou ao seu novo diário: o protesto das ruas. Os sem teto, os sem terra, os sem salário digno cobram seus direitos, xingam os governantes e pedem paz. O Recife lava o rosto adormecido na água do mar e acorda para a vida."