sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ela e a borboleta


Era fim de tarde, o sol já não estava mais tão forte, mas ela não conseguia ir embora.
Estava ali á alguma horas, e estava encantada com tanta beleza.
Nunca tinha visto tantas flores tão belas, nem tamanha diversidade de plantas.
E no meio da mais bela paisagem, surge uma borboleta.
Ela desviou o olhar e não conseguiu deixar de admirar aquela tão bela borboleta.
Por um momento, sentiu inveja. “Queria ser como ela”, pensou.
E decidiu que ainda tinha muito o que fazer naquele jardim. Sentou-se, então, em baixo duma árvore.
Olhando pra tudo aquilo, desejou ter asas. Queria ser livre para voar e poder andar entre flores tão belas e tão cheirosas.
Admirou a borboleta por tudo. Por sua beleza, por sua força, por sua sensibilidade e por sua gentileza.
Notou que as borboletas sentiam o gosto das flores, pelas patas. Já havia lido a respeito. E reparou que ela nunca percebia nada e sempre acabava caindo nas “brincadeiras sem graça” dessa vida.
Naquele momento, ela lembrou outra coisa que havia lido sobre as borboletas: “nunca se deve pegar uma borboleta com as mãos, devido à delicadeza das escamas em suas asas”.
E isso a fez lembrar de quantas vezes já haviam tocado em “suas escamas” e como havia ficado impossibilitada de “voar”.
Ficou feliz por perceber que em algo se identificava com aquele ser.
Queria poder ter mais momentos como aquele.
Assim como tinham as borboletas. Um momento só delas, onde se preparavam para o casulo e só saiam de lá completamente modificadas.
No entanto, “queria ter essa força”, pensou ela, quando lembrou-se do que faz uma borboleta para sair do casulo.
Percebeu então que, mais que nunca, desejava ser igual a ela.
Queria ser forte nos momentos de dor. Mas também não queria perder sua sensibilidade.
Lembrou-se de quantas vezes havia sido criticada por amar demais, ou por não ter dito o que ele merecia ouvir, ou simplesmente por ter deixado a felicidade de lado.
Por muitas vezes, escondeu-se em seu casulo, mas nunca havia saído mais forte de lá.
O casulo a ajudava a pensar, no entanto, de tanto pensar, acabava por se lamentar demais e nunca tinha “tempo” para esquecer o passado.
Decidiu, naquele momento, que retornaria para um casulo, mas dessa vez seria diferente.
Só sairia de lá quando estivesse completamente modificada e forte.
Passaria então a dedicar-se a si mesma, a dar valor as pequenas coisas e começaria definitivamente a "voar".
Iria onde jamais teria ido, fazia o que jamais fez.
Decidiu que seria como a borboleta: livre, forte, sensível, bela e feliz.
Deixaria de pensar em coisas sem valor e passaria a apreciar coisas como aquele jardim.
Como nunca o havia notado? Não conseguia entender!


Kari Mendonça

9 comentários:

auau disse...

Ares novos,
Caminhos novos,
Vida nova,
Pensamentos novos...

Sempre bom evoluir para melhor..



Luz


Auíri Au

menina lunar disse...

É lindo³.
Me convenceu, Kari. Depois dessa, quero ser como a borboleta também!!

Beijos..

ps:moça talentosa!!

=]

Marcus Vinícius disse...

Uau, essa foi uma senhora reflexão.

Muito bom o texto. Foi tu que fez?

Eu não gostaria de ser como as borboletas, eu gosto de ser como eu sou. Mas eu sempre tento não machucar as suas escamas...

Abraço!

PS: quando fizermos o dvd da viagem pro Chile que o coral fez, eu vejo com os meus amigos pra recortarmos algumas músicas e postarmos no youtube. Se isso for feito, daí eu te mando os links.

Priscilla Pontes disse...

Que lindo kari adorei ^^
bela mensagem!
agente pode aprender tanto com a natureza não é?
Basta olhar ao redor.

Bjos.
Amo tu, viu?

Halyni disse...

Olá....esta é a minha primeira visita aqui...
Muito inteligente seu post, para uma professora de português, é um prato cheio, vi mil utilidades para ele....
Voltarei sempre!
Se for você na foto, te achei parecida com a Eliana Ribeiro...
Seja bem vinda ao meu blog, quando quiser.

Abraço.

Antônio disse...

Certos casulos são necessários, mas precisamos ter cuidado com eles, pois não podemos nos ausentar por muito tempo do que ocorre a nossa volta, ou corremos o risco de cair no esquecimento.
Atualmente, procuro conciliar meus casulos com a absorção do que os outros me proporcionam, filtrando naturalmente o que não presta e refletindo internamente sobre o que pode ser melhor na minha vida.
Sempre é bom notar a simplicidade de uma borboleta, pois ela nos lembra o quanto complicamos a vida e esquecemos que ser feliz é simples.
Tirar lições disso é ainda melhor.

Beijão, cuide-se!

Priscilla Pontes disse...

não zi n me ligou...acho q sei o q é.
pera ou te mandar um email

benechaves disse...

Bom quando uma pessoa consegue sair de seu casulo e voar como uma borboleta, livre e feliz a alçar fronteiras no seu aberto caminho.
Que vc tenha uma bela semana e que tudo fique em paz.

Um beijo livre...

Palavras de um mundo incerto disse...

Bah, Kari!

Demais e adorei, muito.
Liberdade,amor, sensibilidade. Ser feliz. Queria ser o jardim.

Bjos!!!

Marcos Ster