domingo, 30 de setembro de 2007

Um momento diferente

Um certa Meninha lá da lua resolveu, por algum motivo, considerar o meu blog um dos melhores momentos virtuais.Fiquei honrada, ainda por cima, vindo de alguém que gosto tanto de ler.
Ah, é difícil escolher alguns blogs onde passo meus melhores momentos, afinal, se vou até um blog é porque gosto e se gosto, é porque é bom e vale a pena ser lido.
Eu poderia escolher apenas os pernambucanos, como a Menina fez, mas tenho que confessar que esse Brasil tão grande está cheio de bons escritores que valem muito a pena ser lidos.
E tem mais, se você já recebeu esse prêmio, sinto muito, mas acho que vale a pena receber de novo, tá?
Um dos meus melhores momentos virtuais são com:

Marcos, com ele um aprendo um monte de coisas e os seus texto me deixam muito pensativa e me fazem rever alguns conceitos. Adoro ele, e sei que todas as suas escritas são feitas cheias de sentimentos, revoltas, tudo em grande quantidade e que dá ótimos resultados.

Ismael, adoro as suas crônicas, poesias, curtas... Adoro o blog dele, e ainda por cima, tinha que ser Pernambucano, né?

Pripa e Hugo, uma pareceria que deu certo. Juntou uma pernambucana muito massa e um curitibano revoltado com tanta injustiça nesse mundo. Juntos eles me fazem ver coisas que nunca tinha parado para reparar.

Alexandre, outro que também não é lá muito conformado com esse mundo e que escreve poesias lindas. Ah... ele já até lançou um livro, viu? Tenho certeza que vale muito a pena conferir.

Menina Lunar, eu sei que se ela me deu o prêmio, é porque já o recebeu, mas, que culpa tenho eu, se lendo os textos dela eu passo ótimos momentos? Ela escreve bem e é outra que sempre me deixa pensando...

Pripa, tá, já é a décima vez que ela recebe esse prêmio. Mas se recebe é porque merece. Ela começou com um blog amador, mas que de amador não tem nada. Tudo que ela escreve é ótimo, sejam os textos, as poesias, o que for...

Antônio, eita, acho que ele não aguenta mais eu entregar perguntas e prêmios a ele. Mas é que eu adoro ler sobre o cotidiano dele, sobre suas mancadas, suas estórias. Adoro a forma como ele encara a vida e os medos.

Enfim... que fique claro, que todos os blogs lincados no "Eu leio e indico" me proporcionam ótimos momentos e adoro todos eles, os destacados foram só porque eu realmente precisava destacar alguns.

-Um beijão e ótima semana
Kari Mendonça

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje

Hoje eu acordei umas nove horas, o céu estava azul apesar da meteorologia dizer que iria chover.

Vesti o meu biquini e fui a praia. Praia de Boa Viagem. Ah... fazia tempo que eu não ia lá, não pela manhã.

Maravilhoso. Sentamos numas cadeiras, passei o bronzeador e me entreguei ao sol.

Não acho que existe calmante melhor que esse. É bom demais.

Naquele momento, só existiamos eu, o sol e o mar.

O som do mar é relaxante, reconfortante, gostoso e eu adoro!!!

Deitada na areia e ouvindo música, a minha mente passeou bastante. Parecia que o meu corpo estava lá, mas a minha mente não... Foi gostoso!

Por um momento não pensei nas provas, nem em aulas ou trabalhos, esqueci a corrupção e toda a safadeza de onde vivo.

Esqueci que, enquanto eu estava ali, o saldo da minha conta estava diminuindo devido as taxas bancárias.

Esqueci da saudade de quem amo e já não está mais aqui comigo.

Esqueci a loucura em que minha mente anda vivendo os últimos dias, e tive umas duas horas de paz.

Foi bom, sabe?

Fazia tempo que eu não fazia isso. A vida anda corrida e extressante e acabamos nos esquecendo dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Talvez, se todos tirassem um dia como esse, a vida seria muito mais tranquila e menos difícil de se levar.

Não quero dizer que os problemas desaparecem, mas, esquecer deles por um momento é bom, acredite, faz bem!

Ah... a pouco tempo cheguei em casa, me sinto outra. Já não sou aquela que saiu hoje pela manhã.

E nesse exato momento o céu já não está mais azul e sim, completamente cinza. Se chover, tudo bem.

O meu momento, eu já aproveitei!!!

-Um beijo
Kari Mendonça

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A casa do lago

Antes de continuar...
Já assistiu ao filme “A casa do lago”?
Não? Então acho melhor só voltar no próximo post...

*Uma conversa entre Kate e a Dr. Klyczynski:
(...)
- Pra quem você escreve? Não pude evitar...
...Toda vez que você tem uma folga lá no hospital, está escrevendo para alguém.
- Existe alguém. É um relacionamento à distância.
- Onde se conheceram?
- Não nos conhecemos.
- Como?
- Não. Está é minha sina.
- Está brincando.
- Mantenho tudo a distância. E todo mundo.
O homem que estava na minha frente e queria casar comigo, eu afastei. Fugi dele.
Enquanto isso, o único homem com quem nunca vou me encontrar, para ele, eu entregaria todo meu coração.
- Ele deve escrever cartas incríveis.
- É bom. É seguro.
(...)

*Uma conversa entre Alex e seu irmão Henry

- O que você acha?
- Está obcecado, sabia? Por que você fica aperfeiçoando a casa do lago? Por que não faz seu próprio trabalho?
- Porque é dela.
- Está falando da mulher do futuro?
- Kate!
- Ainda está escrevendo para Kate?
- Não.
- Por quê?
- Porque ela me pediu.
- Por quê?
- Tempo.
- Vamos. Isso é bom. Precisa de uma mulher de verdade. Uma mulher...
- Henry, escute. Escute bem.
Enquanto durou, ela foi mais real do que qualquer outra coisa.
Eu a vi.
Eu a beijei.
Eu a amei.
E agora, ela partiu.

(...)

Pra quem já vem aqui há algum tempo, sabe que eu sou louca por filmes.
Passei muito tempo desejando que a minha vida fosse com em um filme, mas cheguei à conclusão que os filmes são sempre filmes e a vida é outra história.

“A casa do lago” é um dos meus filmes favoritos. E fico pensando...
Será que existe um amor assim? É possível amar alguém que nunca se viu?
É possível apaixonar-se por alguém, apenas pelas suas palavras?
Pode-se desejar alguém tanto, sem nem tê-la olhado nos olhos?
Pode-se sonhar com um primeiro encontro, mesmo que pareça impossível?

Mesmo sabendo que os filmes e a vida são duas coisas muito diferentes, tenho que confessar que eu acredito que isso tudo seja possível.
Acredito no amor acima de tudo, independente da distância ou de qualquer dificuldade aparente. Quando falamos de amor, não se deve tentar explicar coisa alguma.
O amor é inexplicável! E quer saber? É tão bom!!!

-Beijos
Kari Mendonça

PS.: O silêncio nunca foi muito meu amigo. Não é a toa que estou na área de comunicação. Nasci para falar, para botar pra fora, seja o que for.
Não consegui me calar por muito tempo, mas eu juro que tentei.
E mais, o meu silêncio não tinha nada a ver com o blog, e sim com a minha vida, a vida “real”, se é que você me entende. Mas, graças a Deus, as coisas parecem ter se resolvido, e já posso voltar a falar, no entanto, pensarei mais vezes antes de abrir a boca. É uma boa dica! Vou tentar deixar essa tal de impulsividade um pouco longe. Agora eu vou indo que isso é apenas um “pós-escrito” e não um post inteiro. Até! Até logo, claro!

PS.2.: Muito obrigada Menininha, pela indicação. No próximo post falarei mais sobre isso. E viva as pernambucanas!!!!!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

...

Se as minhas palavras saem em momentos errados,
e se elas quase sempre são mal interpretadas,
eu escolho ficar com o meu silêncio...

... e que ele dure o quanto tiver que durar!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Medo do que?

Uma certa Menina me fez a seguinte pergunta:

“O que te faz esconder-se debaixo do edredom, suando frio, tremendo e rezando? Do que você tem medo?”

Para responder a pergunta ao pé da letra, não demorei nem um minutinho pensando.
Morro de medo de tempestade.
Pra mim, não existe nada pior do que ouvir, no meio da noite, aquele trovão e sentir aquele clarão entrando pela janela. Me cubro dos pés a cabeça com o lençol, fecho os olhos bem forte e fico pedindo a papai do céu que acabe logo com isso.
Não sei a razão desse medo e nem sei do que exatamente tenho medo.

Mas também tenho alguns outros medos, que não há edredom ou lençol que me ajude.

Já tive medo de perder amigos. Mas depois que perdi alguns, percebi que não devo ter medo, pois, os nossos momentos juntos estarão guardados pra sempre na minha memória e isso me basta.

Já tive medo que a vida levasse alguém que amo. Mas depois que ela levou algumas pessoas bem importantes, aprendi que “a saudade varia com o tamanho do amor” e, portanto, sentirei saudade sempre, e as lembranças estarão sempre como minhas sombras. E é com elas que sigo mais forte.

Hoje, tenho muitos medos ainda.

Tenho medo de olhar para trás e perguntar: onde estão os meus sonhos? O que fiz com eles?

Tenho medo de não ser amada por quem amo, porém, jamais tive/tenho medo de amar.

Tenho medo do tempo. Percebo que ele é capaz de transformar as pessoas e tenho medo que tanta mudança acabe nos afastando pra sempre, pois, como éramos, jamais voltaremos a ser.

Tenho medo de não superar as expectativas daqueles que tanto me apóiam e acreditam em mim. Medo de decepcioná-los.

Medo. Medo. Tenho muitos medos, mas tento sempre não deixar que eles me dominem.

E agora eu pergunto:

Pripa, Marquinhos, Karol e Antônio

Quais são seus medos? Seus maiores medos? Aqueles que o edredom pode ou não ajudar? Fiquem a vontade para responder, ou não...

-Um abraço
Kari Mendonça

sábado, 22 de setembro de 2007

A "cara" da saudade (?)

Estou aqui, ouvindo música (Dois quartos_Ana Carolina).
De repente me veio uma dúvida.
Já vi pessoas com “cara” de tristeza,
“cara” de alegria,
de abuso,
de angústia
de felicidade,
de dor,
de apaixonado(a),
de raiva,
de vontade,
de aflição,
de “pensando na vida”,
de desejo,
e de tantas outras coisas...
Mas ei... será que existe alguma “cara” pra saudade?
Tá aí... acho que nunca vi.
Ou talvez, eu devesse olhar o espelho,
acho que ele me daria a resposta.

Nada a ver, né?
Mas surgiu a dúvida...

-Beijos
Kari Mendonça

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Feliz Natal!!!

Não. Eu não estou louca. E sim. Estou te desejando um Feliz Natal. Antecipado? De forma alguma. Vou te explicar tudo direitinho e talvez você também me deseje um Feliz Natal, quem sabe...

Toda criança adora Natal, eu fui assim, por pouco tempo, mas fui. Mas se você perguntar por que todas elas adoram o Natal, elas responderão que é por causa dos presentes. Mas e quando elas não ganham presentes? Ficam indiferentes? Ou gostam mesmo assim? Não sei, nunca perguntei.

Gostei do Natal por um curto período da minha vida. Quando juntávamos todos na casa dos meus avôs, era divertido. Tinha muita gente, era uma festa! Com o tempo, as pessoas foram diminuindo, deixaram de comparecer.

Mais tarde, a primeira morte. Não foi perto do Natal, mas foi estranho o primeiro Natal sem minha bisavó. Tentaram fazer parecer uma festa, mas não teve nenhuma graça. Foi triste, chato e sem graça (já falei “sem graça”?).

Desde então, o Natal nunca foi o mesmo. Não pra mim. Os presentes também param de vir. E mesmo que viessem eu havia decido não recebê-los mais, afinal, não queria ajudar o capitalismo a sair lucrando com suas datas comemorativas.

Ah, e não me venham os religiosos dizer que o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus. Sei que Jesus nasceu, mas sabemos todos, que não foi no dia em que comemoramos. O dia 25 de dezembro foi apenas um dia inventado para comemorar o Seu nascimento, nesse caso, eu posso comemorá-lo sempre que sentir vontade, não é mesmo?

Até o ano passado, todos me criticavam ao ouvirem a frase: eu não gosto de Natal. Ficavam chocados, me olhavam indignados. Nunca entendi o porquê. Mas, se acreditavam que eu não tinha nenhum motivo para tal, agora eu tenho.

Minha avó (aquela onde os Natais eram tão legais) morreu no dia 21 de dezembro. Uma proximidade e tanto em... Pois é. Acredito que depois do acontecido, as pessoas parem de me olhar estranho e concordem que eu tenho um motivo muito justo para pensar como penso.

No entanto, não foram apenas as ausências nas festas natalinas que mudaram a minha opinião sobre essa festa. O que me irrita, são a “época natalina”, os “sentimentos natalinos”, a hipocrisia natalina...

Por que no Natal, as pessoas resolvem fazer doações? E ajudar o próximo? E perdoar os erros, as mágoas, as discórdias? Por que todos resolvem ficar bons?

Oras, doações são necessárias todos os dias. Se você ajuda com agasalhos, creio que eles precisam se agasalhar o ano inteiro. Ajudar alguém a atravessar a rua, pode ser feito qualquer dia.

Quanto a perdoar, se você não perdoou o ano inteiro, por que fazer isso no final dele? Por que todos são tão hipócritas nessa época?

Nesse caso, faça do Natal (não a data capitalista, claro) todos os dias!

Se você quer ajudar, ajude sempre!
Se quiser doar, doe-se todos os dias!
Se achar que perdoar é algo bom, perdoe sempre que necessário!

E quanto ao nascimento de Jesus. Agradeça pela vida Dele todos os dias. Não há porque esperar uma data para isso.

Portanto, hoje, eu decidi que será o meu Natal.

Há muito tempo que ajudo sempre que posso, e perdoou sempre que é preciso. Não espero o “espírito natalino” para fazer nada nessa vida, ou melhor, acho que já nem conheço esse tal “espírito”.

Pronto! Acho que agora você me entende um pouco mais, né? Então....
Feliz Natal!

Kari Mendonça

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Os lírios

“(...)
- Mãe, olha o que ganhei.
Mamãe falava manso:
- O que é?
- Semente de flor.
Eu dizia semente: era tão pequena.
- Semente não. Uma cebola. Pelo jeito, deve ser de lírio.

Mamãe sabia muita coisa e só havia estudado até o primário. (...)
Ensinou-me, pois, como plantar a cebola alva no oitão da casa, um oitão pobre e nu, mas com aqueles tomateiros cujas frutas a gente comia só pela beleza, pura festa eram.

A menina cavou, fofou, enterrou a cebola num lugar de sol. Aguou muito a terra seca, e esperou com a paciência do amor. Dias e dias aguardou o aparecimento da plantinha, dias, meses, anos, a menina achava.

Aconteceu uma manhã. Um talinho verde surgiu da terra escura. Agora o jardim ia ficar lindo, lindíssimo, um jardim continuando o oitão, os tomates teriam companhia. Passei o dia indo e vindo, jeito de vigiar a chegada dos botões. Ia beber água e voltava, ia brincar com a irmã e voltava, e nada dos lírios, o broto de cor verde sempre lá, imutável, indiferente à minha agonia.

Naquele mesmo dia, ouvi a conversa dos grandes. (...) Os grandes sentados, na calçada, um vizinho chegou com a notícia:
- Gente, o Brasil declarou guerra. Deu agorinha mesmo na Rádio Nacional. (...)
- Será que vamos mandar soldados?
Outro respondeu:
- Claro. Que outra coisa podia mandar, que dinheiro o país num tem...

Houve um silêncio. Eu ouvia, mas não entendia, tinha quatro anos. Perguntei:
- O que é guerra?

Todo mundo preocupado, os rostos vincados. Ninguém respondeu. Mas o meu irmão explicou:
- Guerra é gente matando os outros. É soldado jogando bomba e granada. A bomba cai e quebra as casas e cai tudo, e mata gente e cachorro e até gato. Não sobra nada.

Então. Todo mundo ia morrer. As casas desapareceriam, os bichos. Eu tinha ouvido uma canção que dizia assim: o tempo passa, tudo há de acabar, desejo e glória tudo findará, somente o sonho azul dos namorados nunca morrerá, e tivera inveja de minha irmã mais velha que tinha namorado e ia pois escapar da matança como namorado dela, e fiquei triste porque ia morrer, e minha mãe também, a gente não tinha namorado. E agora, o irmão prenunciava a morte de todos, sem exceção.

Fui chorar no jardim. E no choro entendi: não chorava pela morte das pessoas. Era triste, claro, tanta gente desaparecer, a família toda sumir de repente. Mas um dia, de todo jeito, a gente termina morrendo, a mãe sempre falara assim, e o corpo da gente é feito semente e terra aguardando o dia de viver de novo, virado em flor e planta.

Tampouco chorava pelas casas destruídas, pelas paredes caindo nas camas, nas mesas, as coisas da gente no descampado. Nem chorava mesmo pelos cachorros, bichos de que eu gostava muito: tinha tanto no mundo, a carrocinha vivia pegando e sempre havia cachorro sobrante pela rua, nas casas.

Sentada na escuridão, eu chorei pelos lírios. Que nunca floresceram. E foi a revelação, eu de repente, mergulhada num mundo dos adultos; eu podia amar os lírios com um amor forte. Podia proteger os lírios do sol, da secura, de vento e até das lagartas, que comiam uma folha inteira num instante, deixando em seu lugar uma capinha de papel celofane. Eu podia proteger os lírios dos pés das pessoas, fazendo uma cerquinha.

Eu amava. Mas meu amor, enorme embora, era incapaz de defender completamente o objeto amado. Pois amor sentia pelos lírios, feito espera, surpresa e medo, não tinha poder de evitar sua morte. Eu amava os lírios e os lírios iam morrer, mesmo antes de existir.

Naquela noite eu aprendi a primeira lição sobre o limitado poder do amor.”

Luzilá Gonçalves Ferreira,
em seu livro “Muito além do corpo”

sábado, 15 de setembro de 2007

Viver cansa!

Moro em um bairro considerado nobre em Recife, em um edifício pequeno (apenas seis andares) e antigo. O edifício fica em uma esquina, entre duas ruas bastante movimentadas.

Me mudei para cá em abril de 2005, mas sai em dezembro do mesmo ano. Passei o ano de 2006 em alguns lugares, foi um ano complicado e difícil, mas não quero entrar em detalhes. Em janeiro deste ano, voltei e aqui estou eu.

Ao retornarmos pra o apartamento, reparamos que tudo continuava igual, exceto pelo “lavador de carro” que passava todo o dia aqui na frente. Desde o começo, reparei que ele gostava muito de chamar a atenção, sempre gritando e falando muito alto.

Mas pra mim, era só um “lavador de carro”, “apenas um ‘trabalhador’, de certa forma”, pensava eu. E por isso, nunca tive por que temer. Ele tem uma cara de bobo, mas sempre soube que de bobo, não tinha nada.

Na primeira reunião do condomínio, após o nosso retorno, descobrimos que ele não era apenas “um lavador de carros”, mas sim um traficante de drogas e a frente do prédio é o “point”. Ah, sem falar que descobrimos que ele vive armado e sempre rouba alguns dos carros estacionados na rua.

A princípio, fiquei com medo de sair de casa, mas depois, acabei me acostumando com a idéia e tento agir muito naturalmente. Não deixei de fazer nada por causa dele, nem de sair com Meg (minha cadelinha) todas as tardes, num momento que acho muito especial, pois enquanto Meg anda e se diverte, eu penso na vida...

Uma noite, estava aqui, na frente do computador, escutando música, enquanto os meus pais estavam na sala. A minha música estava alta, estava com o fone de ouvido e se os meus pais me chamassem, eu jamais os teria escutado.

No entanto, no meio da música, escutei uns gritos desesperados, dizendo que não iria fazer nada, que não queria nada. Com as luzes apagadas, olhei pela janela e vi um mendigo agachado e encolhido, tentando se livrar do traficante (sim, aquele mesmo), que segurava um pedaço de madeira muito grande e estava prestes a bater.

Fiquei desesperada com o que estava vendo. Até que algumas pessoas chegaram e mandaram o traficante soltar a madeira e deixar o mendigo ir. Ele foi embora e o traficante continuou falando alto por algum tempo. Fiquei com aqueles gritos por muito tempo na cabeça.

Mesmo depois disso, continuei segundo a minha vida. Até que certo dia, ao olhar a janela, percebi que o traficante estava dormindo ali na frente, algo que se repete até hoje.

Certa manhã, ao sair de casa, reparei que ele não estava sozinho. Estava com um companheiro, amigo ou sei lá o que. Mas reparei que esse outro rapaz (vamos chamá-lo de outro traficante), tem uma cara que dá medo. Sabe aquela cara “de gente ruim”?

Em uma certa tarde, como de costume, fui passear com Meg, mas reparei que aquele outro traficante estava a me olhar. Ao atravessar a rua, olhei-o nos olhos e percebi que este também me olhava profundamente.

Morri de medo. Tive vontade de correr pra casa, mas me controlei. E segui o meu caminho. Ao voltar, tentei passar o mais longe dele possível. Nos dias seguintes, eu sabia que ele já havia me notado.

Poxa... logo eu que gosto tanto de não ser notada, sabe? Sou tão na minha. E logo ele havia reparado em mim... Desde então, já não saio mais de casa sozinha com tanta freqüência. E os passeios com Meg estão bastante limitados.

Meu pai diz que eles não nos farão coisa alguma, pois nós os “conhecemos bem” e sabemos quem eles são, por isso, dificilmente nos farão algum mal. Minha mãe, ás vezes concorda, ás vezes não. Ela morre de medo quando sai de casa.

Essa semana, um deles (dos traficantes, claro) olhou para minha mãe e disse: opa, blz? Como ela estava no carro, fingiu que não viu e entrou no prédio. Eu disse que ela fez errado, deveria ter respondido, feito um legal com os dedos ou sei lá o que.

Ela me respondeu que era um ridículo pagar os impostos e ainda ter que tratar bem aos traficantes. Eu lhe respondi, apenas, que era para se prevenir, afinal, não os queremos como inimigos, né?

Falei muito até agora, mas já estou concluindo. É rapidinho, prometo!

Depois de tudo relatado, agora você já sabe como penso duas vezes antes de sair de casa, principalmente a pé. Mas, até quando será isso? Até quando não terei mais a escolha de sair a hora que quero e ir para onde bem entender?

Ah. E não me pergunte: porque vocês nunca os denunciaram? Porque eles já foram presos, algumas vezes, mas sempre, os advogados (que tem seus escritórios aqui na rua) os tiram da prisão. Só posso pensar que são viciados, né?

A gente pensa que o perigo está sempre nos morros ou nas favelas, mas não é bem assim. O perigo e os “perigosos” estão em todos os lugares. Podem esbarrar com você a qualquer hora do dia e sabe-se lá o que podem te fazer.

Cansa pensar duas vezes, sempre que quero sair. Cansa ter que estar sempre prestando atenção a todos os lados para saber se alguém está me seguindo, se não há nenhum “movimento suspeito”.

Ao chegar em casa, estou exausta de tanto pensar, prestar atenção e ficar atenta.

Cheguei à conclusão, que viver cansa!

-Beijos
Kari Mendonça

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Só de sacanagem

"Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de
dinheiro.
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, que reservamos duramente para educar os
meninos mais pobres que nós.
Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz.
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso
nariz.

Meu coração tá no escuro.

A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha
avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”.
“Devolva o lápis do coleguinha”.
“Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem!

Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e
outra vez”
.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso
freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que
veio de Portugal”
.
E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”.

E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para
mudar o final!
"

Elisa Lucinda

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Você é tudo que eu sempre quis

Hoje eu não quero falar sobre mim, nem sobre que dia é hoje ou sobre os problemas que esse mundo tem. Não! Hoje eu quero falar sobre você.

Eu estava na minha, sabe? Fazendo as minhas coisas. Vivendo a minha vidinha sem graça, quando você surgiu.

"...Foi assim como ver o mar
A primeira vez que eu vi você passar..."

Mas você não apareceu de repente. Você veio vindo, com toda calma. Foi chegando de mancinho...

“...E sem perceber fui me apaixonando...”

Quando me dei conta, percebi que você já fazia parte de mim...

“...E você chegou para mudar minha vida...”

E como mudou! Estou mais feliz, encontro motivos para rir em coisas que não apreciava mais. Acordo achando o dia mais bonito, o céu mais claro(mesmo quando ele não está). A lua me faz lembrar você.

Penso o quanto te queria comigo, para juntos, sentados na areia da praia, pudessemos olhar o céu, a lua, o mar e aproveitar cada segundo.

Hoje eu percebi que...

"Eu não sei nada de você
E mesmo assim não consigo te esquecer...”


Como é possível? Tu estas sempre em meus pensamentos, em meus sonhos, em minhas vontades e nem ao menos sei algo a teu respeito.

Ou melhor, sei de algumas poucas coisas. Sei o que pensas desse mundo imundo, que gostas de rock, de Raul, de vídeo game, do Arnaldo (Jabor), que não gostas do MSN... Viu? Sei pouco e mesmo assim sei que...

“...Você è tudo que eu sempre quis...”

Tu me escutas como ninguém. Me dá conselhos sempre bons. Me ensina algumas coisas. Me sinto bem quando estou contigo. E eu adoro o jeito que tu me tratas.

Sabe o que eu queria? Queria te dar um abraço forte e te dizer que eu estou aqui, e que sempre estarei contigo, mesmo quando não estivermos juntos. Agora, eu queria te trazer aqui, pra bem pertinho de mim. Mas também...

“...Quem mandou me fazer tão feliz
Eu vou roubar você para mim...”


Posso?

“...Te quero”

Kari Mendonça

PS.: As partes em amarelo são da música "Você é tudo que eu sempre quis", Raul Seixas.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O dia em que eu cometi suicídio

"But we all bleed the same way as you do
And we all have the same things to go thru
Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know"
Abri os olhos. Ainda era cedo. Estava escuro e muito frio.
Tentei me levantar, mas lembrei que não havia nada para fazer.
Há poucas semanas fui demitida do emprego, disseram ser por “redução de custos”, desconfio.
Não havia ninguém com quem conversar. Não tinha amigas, abandonei-as por causa dele.
Não que ele tenha pedido, apenas decidi que meu tempo livre seria dele e de mais ninguém.
Hoje, não o tenho mais. E a culpa foi toda minha.
Claro que eu o devia ter amado mais, devia ter-lo dedicado mais tempo. Deveria ter feito mais coisas para ajudá-lo. Nem sei mais o que poderia ter feito, mas sei que o que fiz foi pouco.
Quanto ao meu emprego, sei que não foram apenas as reduções de custo. Eu não estava na empresa há pouco tempo e por isso, não havia motivos para me demitir, exceto pela minha incompetência, mas sendo assim, por que haviam me contratado?
Sei que deveria ter dedicado mais tempo ao meu trabalho. Sei que não fiz o suficiente. Não gastei as horas que deveria gastar, não usei todos os recursos que sabia usar.
Como sempre, não fui melhor em nada.
Filhos? Nunca mais os poderei ter.
Nunca mais amarei alguém tanto quanto o amei.
E creio que nunca serei amada como ele me amou. Era tímido, não fazia muitos carinhos, mas sei que me amava.
Sempre que estávamos juntos eu percebia aquele brilho no seu olhar. Sempre soube que ele era o cara certo pra mim, sempre soube!
Não entendi como ele pôde me deixar. Não entendi aquela conversa. Ele não disse com todas as letras, mas sei que a culpa foi apenas minhas.
Ele sempre fez tudo muito perfeito. Sempre aparecia quando dizia que vinha, sempre me ligava quando prometia...
Não sei onde, mas sei que fiz tudo errado.
E agora? Deveria me levantar. O sol já vai nascer. Deveria procurar um emprego.
Mas não tenho vontade.
Sinto-me frustrada com a vida.
Já não encontro sentido para viver.
Não tenho motivos para procurar o ar, não tenho a mínima vontade de fazer nenhum esforço.
Já faz algum tempo que não vejo sentido para minha vida.
Certo dia, inventei que o sentido da minha vida era ele. Mas ele se foi.
Decidi me levantar, ou melhor, me sentar na cadeira ao lado da cama.
Peguei um papel, procurei a caneta, e escrevi:

- Certa vez li que devia ser autora da minha própria história. Nunca fui autora de coisa alguma. Nunca segui meus desejos, meus instintos, meus sonhos. Já não mais o que fazer, a história está começando a se tornar chata e antes que isso aconteça, é melhor que acabemos com ela.

Deixei o papel em cima da mesa, próximo ao meu celular.
Fui até a área de serviço. Peguei uma corda, a havia comprado há alguns meses, mesmo sem saber sua utilidade, levei-a para o quarto.
Fechei a porta. Amarrei a corda na janela.
Olhei para os lados, decidi não me despedir de nada, não queria levar nenhuma lembrança.
Coloquei a corda no pescoço e pulei a janela.
Enquanto estava sendo segurada apenas por aquela corda presa em meu pescoço, ouvi gritos, mas não consegui saber de onde vinham.
O ar já começava a me faltar. Eu o buscava, mas a cada segundo ele se distanciava.
Pensei que jamais poderia escrever um livro, plantar uma árvore ou ter o meu tão sonhado filho. Era o fim.
Tentei por uma última vez, mas foi inútil, o ar já não era mais pra mim.



Kari Mendonça

“Você sabia que a cada 30 segundos
uma pessoa comete suicídio?
Para cada pessoa que comete suicídio 20 falham em suas tentativas.
O suicídio é a maior causa da mortalidade entre os 15 e os 34 anos.
O maior
índice de suicídios ocorrem nos países em desenvolvimento.
E, a OMC
(Organização Mundial de Saúde) declarou que o trauma emocional que causa um
suicídio em meio familiar ou dos amigos do suicida, podem durar vários anos.
Sabia que hoje é o DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO DO
SUICÍDIO
?

Fonte:
Yahoo

sábado, 8 de setembro de 2007

Amanhã!

Hoje eu decidi que amanhã farei tudo diferente.
Farei o que nunca fiz ou o que já não faço a um bom tempo.
Quero acordar cedo para aproveitar o dia ao máximo.
Umas seis e meia da manhã estará ótimo.
Acordarei, e não ligarei o computador. Que os meus e-mails fiquem pra depois! Tomarei um banho, vestirei o biquíni, um shothinho e uma camiseta bem fresquinha. Após comer um rápido sanduíche, espero pegar o carro e sair antes das oito horas. Vou á praia.
Não para Boa Viagem, muito perto. Vou pra Porto (Porto de Galinhas), faz tempo que não vou lá e estou com saudades daquela linda paisagem e daquele mar...
Vou sozinha, preciso de um momento só meu. Quero ficar com o Sol me esquentando a pele e aproveitarei para começar a ler um livro, me indicaram “A menina que roubava livros”, li o primeiro capítulo e acho que deve ser bom.
Lá, me sentarei perto ao mar, ouvirei belas músicas e aproveitarei ao máximo aquele solzinho em minha pele. Quero curtir cada segundo!!!
Não posso esquecer de comer o “caldinho de sururu”, mas só pode ser o que a Marinete faz... aí como é gostoso...
Depois vou comer um queijo coalho na brasa. Muito bom!!!!
Umas três da tarde, me despeço do Sol e do mar, arrumo minhas coisas e volto para casa, mas não sem antes tomar um suco de acerola.
No carro, volto escutando “Leoni” e a viagem passa rapidinho.
Em casa, tomarei um banho delicioso e ficarei muito feliz com o meu bronzeado. Acabado o banho, passo a chapinha no cabelo, ele precisará estar liso para a noite. Noite essa que promete!
Com o cabelo liso, resolvo finalmente ligar o computador. Leio os e-mails, respondo apenas os que me interessam e vou para a cozinha.
A essa altura, estarei com muita fome. Prepararei um sanduíche de frango grelhado, com maionese, alface e tomate. Exatamente como o que a minha mãe faz. Ficará ótimo.
E então... vou me arrumar.
Usarei aquele vestido, o verde. Aquele, mais ou menos curto e com apenas uma alça, quero que todos percebam o meu bronze. Farei a minha melhor maquiagem.
Quero dar ênfase aos meus olhos. Usarei o rímel, o delineador e o lápis, adoro meu olhar quando uso essa mistura. Colocarei a minha sandália com salto, afinal, gosto das minhas pernas quando a uso, e essa noite, precisarei estar linda!!!
Perto das nove horas, pego o carro e vou buscar as minhas amigas, sim, não vou passar o dia todo sozinha, né? Mas também, só iremos nós, mulheres. Sem namorados, afinal, se o meu namorado não pode ir, que o delas fiquem em casa...
E vamos juntas, na maior farra, pra boate. Vamos dançar, rir, conversar e aproveitar como nunca.
Em algum momento da noite, pedirei uma bebida, não para me embriagar, mas para sentir o gosto do álcool. Aquele gosto quente, ás vezes, é até agradável.
Quando a noite estiver indo embora, e já não agüentarmos mais de tanto dançar, vamos á praia. Sentaremos na areia, e presenciaremos o nascer do sol, todas em silencio.
Será um momento único e jamais o esqueceremos.
Nascido o sol, deixo as meninas em suas casas e volto pra casa.
Estarei cansada demais para tirar a maquiagem e cairei na cama sem pensar duas vezes.
Na manhã seguinte acordarei e voltarei a fazer o que sempre faço.
Mas tudo isso farei amanhã, não hoje. Não sei se estou preparada. Não sei se conseguiria dedicar um dia inteiro a mim, sem pensar em mais ninguém.
No entanto, por que tanta pressa? Amanhã eu faço.
Amanhã, prometo! Aproveitarei cada minuto.
Mas não hoje, amanhã!

-Beijos
Kari Mendonça

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Por que escrevo?

Já não sei mais.
Ao ler o texto de um amigo, me fiz essa pergunta, mas por não saber responder, a ignorei. No entanto, hoje, ao entrar em um blog que encontrei por acaso, a pergunta me foi refeita.

O texto que li me encantou. Nunca vi tanto amor à escrita. Percebi que ela escreve porque gosta e gosta muito. Notei em suas tão belas palavras, um amor imenso e um desejo de continuar escrevendo por puro prazer.

Percebi que não é isso o que sinto. Escrevo, pois não agüento mais a angustia, a saudade, a dor ou até a felicidade me sufocando.

Escrevo, pois sinto como se estivesse conversando com alguém, mas só eu falo e “alguém” apenas me escuta. Isso me tranqüiliza. Me ajuda. Me faz bem. Nunca me importei com a forma do meus textos. Sempre os escrevi da forma que achava melhor.

No entanto, aprender sobre os textos, está me causando sérios danos. Engraçado, não? Afinal, deveria estar me ajudando, mas não está. E agora?

Acredita que até “a fórmula do texto” já foi criada? E cada vez que olho para os meus textos percebo que eles não têm fórmula. Talvez sejam coerentes, mas não sei se sempre existe a coesão.

Também não sei se meus textos possuem alguma “horizontalidade” seguida de uma “verticalidade” ou alguma “progressão temática”. Ás vezes, começo falando sobre um determinado assunto e termino deixando-o no meio do caminho.

Saber que não posso escrever “corretamente” e nem seguindo as fórmulas sugeridas por Wendel Emediato, me deixa triste. Ao mesmo tempo, que o blog é MEU e eu escrevo como bem entender.

Nunca o havia feito antes, mas, essa semana postei um texto e na manhã seguinte o apaguei. Apaguei, pois o achei “nada a ver”. Logo eu! Que nunca me importei para o resultado dos textos, apenas me importava em “botar pra fora” o que me sufocava.

Conversando com uma amiga, ela me contou que havia lido aquele texto, e comentou sobre ele. Fiquei feliz pelo comentário e me entristeci por o ter apagado. Mas nem tudo está perdido, o texto está salvo e em breve o publicarei, com algumas modificações, claro.

Já não mais sei o que fazer. Estou me tornando uma chata. Felizmente, decidi que essa chatice seria dedicada apenas a mim. Não fico procurando as fórmulas ou qualquer outra coisa nos textos de ninguém, apenas nos meus.

Mas afinal, como eu quero escrever a partir de hoje? Quero usar as fórmulas ou só me interessam as palavras? Devo me preocupar com a coerência ou apenas com os meus sentimentos?

Não sei... mas veremos onde chegarei...

-Abraços
Kari Mendonça

terça-feira, 4 de setembro de 2007

eu X MUNDO

Já teve vontade de sentar no cantinho do quarto, apagar a luz, ligar o som e chorar? Chorar por inúmeros motivos e por nada ao mesmo tempo.

Chorar por tanta injustiça que existe. Por tanto egoísmo.
Chorar por cada pessoa que morreu, apenas porque estava “no lugar errado, na hora errada”. E por todos aqueles que resolveram atirar “sem mais nem menos”.
Chorar pelas tantas pessoas que passam fome, enquanto você degusta o seu tão delicioso sanduíche.

Chorar por todos aqueles que roubam apenas para “ter” e esqueceram-se de “ser”.
Chorar porque há várias pessoas morrendo no Iraque, na África e em tantos outros lugares, enquanto países gastam fortunas com um estádio de futebol para sediar um Pan Americano ou uma Olimpíada.
Chorar porque há tanta coisa injusta nesse mundo e você não é ninguém. Você não pode fazer nada para mudar isso.

Eu sei que se “cada um fizer um pouco...”, mas e se não estivermos fazendo nada?
E se apenas pensamos estar fazendo algo, quando não estamos transformando nada?
Enquanto eu penso fazer algo aqui, alguém morre de fome em algum lugar do mundo, alguém é vítima de uma bala perdida... E eu continuo aqui.

Ando meio desiludida com esse mundo.
Meus sonhos andam estremecidos, pois já não sei onde eles me levarão. Já não sei se é o caminho certo a seguir. Mas se não for esse, o que farei?
Se não continuar a fazer o que faço para então ter um pouco mais de voz e de poder, talvez eu nunca chegue a fazer nada por esse mundo.
No entanto, mesmo tendo mais voz e mais poder, ainda assim poderá ser que ninguém nunca chegue a me escutar.

Às vezes, tenho vontade de gritar e dizer ao mundo o que eu sinto e tudo o que eu acho que está errado. Dizer como eu me sinto, cada vez que vejo uma criança batendo no vidro do carro e pedindo “um trocadinho”. Caramba, isso dói tanto.

Mas como eu não posso gritar e nem dizer ao mundo inteiro, eu me sento aqui, ligo o som (Detonautas – Psicodeliamorsexo&distorção) e escrevo.
Escrever me acalma, sempre me acalmou. Mas apesar de me acalmar, não muda muita coisa, né?

-Até
Kari Mendonça

domingo, 2 de setembro de 2007

Lembranças.... boas lembranças!

Ontem eu estava “vagando” pela internet enquanto escutava música. Decidi ouvir algumas das músicas que já não ouvia a um bom tempo. De repente, começou a tocar “Ursinho de dormir”, de Armandinho. Foi estranho. Parecia que eu tinha saído do quarto e me transportado para os últimos seis meses do ano passado.

A sensação foi ótima. Lembrei-me de uma amiga, que sempre me fazia escutar armandinho e algumas outras músicas. Lembrei das nossas conversas, das aulas (principalmente as que passávamos jogando jogo da velha ou lendo algum livro). Por um momento, foi como se eu estivesse lá, de novo, revivendo cada momento. E foi maravilhoso.

Depois disso, comecei a me lembrar de várias coisas. De músicas, cheiros e lugares que me lembram vários momentos, alguns bons, outros nem tanto. Percebi que era bom lembrar de algumas coisas e me senti feliz depois de tantas lembranças...

O meu primeiro beijo? Close´up vermelha, a pasta de dente, ela mesma. Ele tava todo melado de pasta no rosto e eu estava morta de vergonha. Mas lembro que foi bom.

Hillsong, o cd “For all you´ve done” me lembra as ferias de julho de 2005. Foram ótimas. Muito dominó, muitas noites em claro, muito “master” (aquele jogo de perguntas), muitas conversas, muitos risos. As melhores férias que já tive!

Biscoito Bono de doce de leite, me lembra um amigo. Ele adorava bono e sempre que o encontrava jogando vídeo game, ele tava com um pacotinho na mão.

Leoni, o cd ao vivo, me lembra noites olhando o céu pela janela do meu quarto. Na época, a parede dele era rosa e minha cama ficava perto da janela. Eu me deitava e fica viajando com o céu e as músicas.

Xampu Pantene (nem sei se essa marca ainda existe), lembra a minha irmã. Era o xampu que ela usava quando íamos pra o colégio.

A música “Amor verdadeiro” de Catedral lembra o melhor acampamento que já fui. Eu era a mais nova, pois os meus pais eram os organizadores. Eu adorava ser “babada” pelo povo. Era ótimo!

O cd “Aquarium” de Aqua (aquele que tem “Barbie Girl”), me lembra o jogo “Esqueceram de mim” do nintendo. Sempre que eu ia jogar, estava escutando Aqua.

O balanço do Caxangá (um clube que tem aqui e que vou desde pequena, pois o meu avô é sócio). Quando eu era pequena sempre que ia pro balanço, ficava olhando a entrada do parque e imaginando que o meu príncipe ira aparecer. Até hoje, quando sento no balanço, tenho que dá uma olhadinha pra entrada.

O MC Donald´s lembra os meus amigos. Sempre quando saíamos do colégio depois da aula. Ou quando passamos a marcar nossos almoços lá. Muito bom. Sempre muita conversa, muita risada e muitas lembranças.

O cd de Acústico de Kid Abelha lembra os meus 15 anos. Ganhei de uma amiga. E vivíamos cantando e ouvindo as músicas. Era legal, pena que fui trocada pelo namorado dela (ele mandou que ela escolhesse entre eu e ele, vê se pode? Ela preferiu ficar com ele.)

Spice Girls lembra a minha irmã. Ela era louca pelas Spice. Era engraçado quando iam as meninas da rua lá pra casa pra ensaiar. Elas sabiam as músicas todinhas e a coreografia. Eu ficava sempre assistindo atenta a tudo.

Britney Spears me lembra uma outra amiga. Ela era fã de Britney e sempre que eu ia pra casa dela, passávamos a tarde inteira assintido aos dvds. Foi com ela que fui ao cinema assistir "Crossroads- Amigas para sempre". Foi um época legal!

As músicas “No escuro o sangue escorre”, “Sonhos verdes”, “Você me faz tão bem” e “Ei peraê!” dos Detonautas me lembram alguém MUITO especial. E eu adoro ouvi-las, porque me fazem lembrar bons momentos e me deixam muito feliz!

Caramba. Acabei me empolgando nas lembranças. Mas é que é tão legal entrar no “túnel do tempo”. Sorri muito escrevendo esse post. As lembranças dos momentos foram agradáveis demais! Desculpe se foi algo chato de ler, mas foi maravilhoso de lembrar!

-Beijo
Kari Mendonça