terça-feira, 4 de setembro de 2007

eu X MUNDO

Já teve vontade de sentar no cantinho do quarto, apagar a luz, ligar o som e chorar? Chorar por inúmeros motivos e por nada ao mesmo tempo.

Chorar por tanta injustiça que existe. Por tanto egoísmo.
Chorar por cada pessoa que morreu, apenas porque estava “no lugar errado, na hora errada”. E por todos aqueles que resolveram atirar “sem mais nem menos”.
Chorar pelas tantas pessoas que passam fome, enquanto você degusta o seu tão delicioso sanduíche.

Chorar por todos aqueles que roubam apenas para “ter” e esqueceram-se de “ser”.
Chorar porque há várias pessoas morrendo no Iraque, na África e em tantos outros lugares, enquanto países gastam fortunas com um estádio de futebol para sediar um Pan Americano ou uma Olimpíada.
Chorar porque há tanta coisa injusta nesse mundo e você não é ninguém. Você não pode fazer nada para mudar isso.

Eu sei que se “cada um fizer um pouco...”, mas e se não estivermos fazendo nada?
E se apenas pensamos estar fazendo algo, quando não estamos transformando nada?
Enquanto eu penso fazer algo aqui, alguém morre de fome em algum lugar do mundo, alguém é vítima de uma bala perdida... E eu continuo aqui.

Ando meio desiludida com esse mundo.
Meus sonhos andam estremecidos, pois já não sei onde eles me levarão. Já não sei se é o caminho certo a seguir. Mas se não for esse, o que farei?
Se não continuar a fazer o que faço para então ter um pouco mais de voz e de poder, talvez eu nunca chegue a fazer nada por esse mundo.
No entanto, mesmo tendo mais voz e mais poder, ainda assim poderá ser que ninguém nunca chegue a me escutar.

Às vezes, tenho vontade de gritar e dizer ao mundo o que eu sinto e tudo o que eu acho que está errado. Dizer como eu me sinto, cada vez que vejo uma criança batendo no vidro do carro e pedindo “um trocadinho”. Caramba, isso dói tanto.

Mas como eu não posso gritar e nem dizer ao mundo inteiro, eu me sento aqui, ligo o som (Detonautas – Psicodeliamorsexo&distorção) e escrevo.
Escrever me acalma, sempre me acalmou. Mas apesar de me acalmar, não muda muita coisa, né?

-Até
Kari Mendonça

3 comentários:

Auíri Au disse...

Tenha fé!!
Ainda existe uma saída!!
Tenha certeza que suas palavras irão mudar...
Também sinto essa angustia as vezes, mais ai eu me levanto e vou ler, estudar me sentir equilibrado para poder discutir e tentar mudar o caminho....


Beijos


Auíri

menina lunar disse...

Que texto perfeito. Que bom, que maravilha você se importar com a dor alheia, com a morte de um desconhecido, com a fome de um estranho. Que coisa bonita isso! E que bom seria se todos os seres humanos pensassem assim.

É. Eu, você e alguns poucos importam-se. Mas meia dúzia de andorinhas fraquinhas realmente não fazem verão. Querer mudar o mundo apenas com vontades isoladas é e sempre foi mera utopia.

Dói mesmo, Kari. No fundo da alma.

=*

Palavras de um mundo incerto disse...

Ah guria!

Cada leitura que eu faço de teus textos,fico imaginando sua voz, as caras que tu faz ao escrever, ao se irritar com esta barbaridade chamada desumanidade.

Eu,tu e mais outros seres estamos já fazendo a nossa parte, pois mudar o mundo ninguém nunca vai mudar. Quando tiver meu filho(a)(?) passarei lições para ele ver, ensinarei, e assim seguir uma geração.

Hoje dia sete, dia da mentira, eu queria sair peladão aqui em Poa e poder protestar nesta hierarquia nada democratica e que creio eu, nunca será. Penso nisso e um dia vou realizar(?).

Bjos!
Adorei o texto!
Com carinho!

Marcos Ster