segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O dia em que eu cometi suicídio

"But we all bleed the same way as you do
And we all have the same things to go thru
Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know"
Abri os olhos. Ainda era cedo. Estava escuro e muito frio.
Tentei me levantar, mas lembrei que não havia nada para fazer.
Há poucas semanas fui demitida do emprego, disseram ser por “redução de custos”, desconfio.
Não havia ninguém com quem conversar. Não tinha amigas, abandonei-as por causa dele.
Não que ele tenha pedido, apenas decidi que meu tempo livre seria dele e de mais ninguém.
Hoje, não o tenho mais. E a culpa foi toda minha.
Claro que eu o devia ter amado mais, devia ter-lo dedicado mais tempo. Deveria ter feito mais coisas para ajudá-lo. Nem sei mais o que poderia ter feito, mas sei que o que fiz foi pouco.
Quanto ao meu emprego, sei que não foram apenas as reduções de custo. Eu não estava na empresa há pouco tempo e por isso, não havia motivos para me demitir, exceto pela minha incompetência, mas sendo assim, por que haviam me contratado?
Sei que deveria ter dedicado mais tempo ao meu trabalho. Sei que não fiz o suficiente. Não gastei as horas que deveria gastar, não usei todos os recursos que sabia usar.
Como sempre, não fui melhor em nada.
Filhos? Nunca mais os poderei ter.
Nunca mais amarei alguém tanto quanto o amei.
E creio que nunca serei amada como ele me amou. Era tímido, não fazia muitos carinhos, mas sei que me amava.
Sempre que estávamos juntos eu percebia aquele brilho no seu olhar. Sempre soube que ele era o cara certo pra mim, sempre soube!
Não entendi como ele pôde me deixar. Não entendi aquela conversa. Ele não disse com todas as letras, mas sei que a culpa foi apenas minhas.
Ele sempre fez tudo muito perfeito. Sempre aparecia quando dizia que vinha, sempre me ligava quando prometia...
Não sei onde, mas sei que fiz tudo errado.
E agora? Deveria me levantar. O sol já vai nascer. Deveria procurar um emprego.
Mas não tenho vontade.
Sinto-me frustrada com a vida.
Já não encontro sentido para viver.
Não tenho motivos para procurar o ar, não tenho a mínima vontade de fazer nenhum esforço.
Já faz algum tempo que não vejo sentido para minha vida.
Certo dia, inventei que o sentido da minha vida era ele. Mas ele se foi.
Decidi me levantar, ou melhor, me sentar na cadeira ao lado da cama.
Peguei um papel, procurei a caneta, e escrevi:

- Certa vez li que devia ser autora da minha própria história. Nunca fui autora de coisa alguma. Nunca segui meus desejos, meus instintos, meus sonhos. Já não mais o que fazer, a história está começando a se tornar chata e antes que isso aconteça, é melhor que acabemos com ela.

Deixei o papel em cima da mesa, próximo ao meu celular.
Fui até a área de serviço. Peguei uma corda, a havia comprado há alguns meses, mesmo sem saber sua utilidade, levei-a para o quarto.
Fechei a porta. Amarrei a corda na janela.
Olhei para os lados, decidi não me despedir de nada, não queria levar nenhuma lembrança.
Coloquei a corda no pescoço e pulei a janela.
Enquanto estava sendo segurada apenas por aquela corda presa em meu pescoço, ouvi gritos, mas não consegui saber de onde vinham.
O ar já começava a me faltar. Eu o buscava, mas a cada segundo ele se distanciava.
Pensei que jamais poderia escrever um livro, plantar uma árvore ou ter o meu tão sonhado filho. Era o fim.
Tentei por uma última vez, mas foi inútil, o ar já não era mais pra mim.



Kari Mendonça

“Você sabia que a cada 30 segundos
uma pessoa comete suicídio?
Para cada pessoa que comete suicídio 20 falham em suas tentativas.
O suicídio é a maior causa da mortalidade entre os 15 e os 34 anos.
O maior
índice de suicídios ocorrem nos países em desenvolvimento.
E, a OMC
(Organização Mundial de Saúde) declarou que o trauma emocional que causa um
suicídio em meio familiar ou dos amigos do suicida, podem durar vários anos.
Sabia que hoje é o DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO DO
SUICÍDIO
?

Fonte:
Yahoo

5 comentários:

Samanta disse...

Acho essa atitude de suícidio uma coisa meio parecida com o viciado em drogas, bebidas.
Não sei se conseguirei me expressar...
Pra grande maioria das pessoas os fatos acontecem e dá-se a importância, porém, usa-se a decepção para crecser.
Com eles não.
É uma fuga, como a dos viciados, porém o sofrimento não é perpetuado.
Todos sentem a perda mas, não é aquele martírio dos viciados...
Dá pra me entender?
Encontro-me sem palavras, hoje...
Beijos no coração.

Alexandre Hallais disse...

Querida,

o texto está ótimo. Forte, belo e dramático.
Senti vontade de tudo... até de sair correndo para não deixar você fazer nada. rs
Obrigado pelo comentário! Você é sempre doce e amável.

Doce Kari... durma com Deus!
Doce Kari... fique na paz!

Beijos

Alexandre Hallais

Katarine Rosalem disse...

Ei Kari!
Nossa... adorei o texto. Muito bom.
Sabia que há muito, os jornais deixaram de noticiar suicídios? Exatamente para não incentivar essa prática.
Afff... olha eu falando de trabalho, rs.
Fique à vontade para visitar minha Aquarela. Tá certo que não costumo postar com muita frequência, mas garanto que vai gostar. hehehehehe
Pode deixar que voltarei outras vezes tb.
Ah! Vou colocar um link do seu blog na minha página.
Abçs
Katarine

Antônio disse...

O suicídio é conseqüência de uma perda muito grande do sentido da vida, como diz o texto. É a pior sensação que pode ocorrer com uma pessoa, a de querer terminar com a própria vida.
Não, não sou um suicida frustrado, mas já quis, sim, morrer, e hoje lamento pelas pessoas que fazem isso, ao passo que agradeço a Deus por ter deixado essas idéias insanas lá nos primórdios da minha conturbada adolescência que, felizmente, se foi.

Beijão!

.karol holzer. disse...

.AHHHHHH, que nervoso me dá ler essas coisas!!!
.eu nuca quis me matar... morrer é meu maior medo!!!
.sempre há uma solução!

.bj.

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