terça-feira, 30 de outubro de 2007

Felicidades...

Você já desejou que a pessoa que você amava fosse feliz com outra? Eu já. Acredite, não foi fácil, mas foi a atitude mais idiota ou talvez a mais madura que já tomei. Hoje, sinto-me mais leve e muito em paz comigo mesma.

Estávamos naquele processo de paquera (cascata, ou chame como quiser) há alguns meses. Sempre que nos encontrávamos era “aquele” clima (ou assim pensava eu). Eu passava a semana toda contando os minutos para encontrá-lo, mas claro que os encontros eram casuais e nunca marcados.

E depois de tanto resistir, acabei ficando com ele. Não sei nem se posso chamar de “ficada”, já que foi só um beijo e logo tive que ir embora. Depois disso, não nos encontramos mais. Falávamos-nos apenas por mensagem de celular ou MSN.

Escrevi algo para ele aqui no blog, ele até leu. Duas semanas depois do beijo e ele estava diferente, já não respondia a minhas mensagens e logo parei de mandá-las. Também não entrava no MSN e por isso não mais conversávamos.

Até que uma noite, enquanto jantava, o celular tocou. Nem acreditei quando vi o nome dele e atendi cheia de emoção, porém bastante confusa. Ele não disse nada demais, apenas pediu para que eu entrasse no MSN, pois precisávamos conversar.

Ao ouvir que “precisávamos conversar”, eu sabia que a conversa não seria boa, não para mim. Mas entrei no MSN. E, logo que a conversa começou, eu já sabia o que ele diria.

Não sei explicar, mas eu sabia exatamente o que ele diria, antes mesmo dele começar a “falar”. Como eu não tinha nada a dizer, fiquei parada, apenas lendo. E quando eu li aquilo que eu já sabia, ás lágrimas começaram a cair dos meus olhos. Por um segundo tive vontade de matá-lo, mas logo em seguida eu disse:

- Eu amo você, e você sabe disso. E, por amar tanto assim, eu só desejo que você seja feliz. E se não sou eu quem pode te fazer feliz, espero que ela possa. Desejo mesmo toda felicidade pra vocês.

Pronto! Eu já não tinha mais nada a dizer. Ele ainda tentou me dizer que, antes de começar a namorar falava de mim para ela, e que, não quis brincar comigo... Essas coisas idiotas que eles dizem pra tentar sair de bonzinho, sabe?

Mas, ainda com as lágrimas escorrendo, me despedi dele e o deletei do MSN. Parei de freqüentar o único lugar onde nos encontrávamos e passei muito tempo sem vê-lo. Achei que, ter desejado felicidades não teria sido a coisa mais sensata a ser dita, mas eu realmente não sabia o que dizer e aquilo foi a única coisa que me veio a cabeça.

Não sei se ele acreditou que as minhas “felicidades” para ele foram verdadeiras. No entanto, quando eu amo, eu quero mais é que a pessoa amada seja feliz. Apesar de que, não sei se hoje conseguiria desejar a quem tanto amo que vá ser feliz com outra. Mas naquele dia eu consegui, e foi sincero.


Kari Mendonça

sábado, 27 de outubro de 2007

Uma pequena estória

Desde pequena ela tinha um sonho. O sonho de se casar. Mas, diferente das outras meninas, ela não queria casar de branco e nem em uma igreja. O motivo? Ela queria apenas ser diferente de todas as outras noivas.

Quando ela o conheceu, soube que ele era o “cara” certo. Sabia que queria se casar com ele, antes mesmo de começarem a namorar, mas guardou seus sentimentos. Eles se conheceram aos poucos e aos poucos foram se apaixonando.

Começaram a namorar. Todos os dias eles se telefonavam. Todos os finais de semana eles passavam juntos. Algumas vezes saiam com os amigos dela, outras com os amigos dele, mas sempre juntos. O relacionamento deles era tranqüilo, sem cobranças e cheio de respeito, carinho e amor.

Tudo o que ela mais queria era casar com ele. Sabia que era nos braços dele que queria acordar todas as manhãs e com ele passar o fim de todos os seus dias. Mas ela nunca havia comentado nada com ele. Tinha medo de que ele achasse que ela estava indo longe demais e por isso sempre guardou esse sonho ás sete chaves.

O relacionamento estava cada vez melhor. Estavam cada vez mais apaixonados. Cada dia ela tinha mais certeza de que era ele o “cara” e ele demonstrava gostar mais dela. Cada encontro era como da primeira vez, sempre mágico.

Uma sexta-feira, ele a chamou para ir à praia. Ela, como adorava ir a praia com ele, aceitou. Adorava sentar na areia da praia, ouvindo apenas o som das ondas e encostar a cabeça nos ombros dele. Adorava senti-lo tão perto. E naquela noite, sabia que a lua estaria cheia, e ela sempre foi apaixonada por “luas” cheias.

Depois de alguns minutos de um silêncio tão íntimo entre dois e de serem observados apenas pela lua e pelo mar, ele resolveu que era hora de falar.

- Amor, eu andei pensando numas coisas.
- Foi? Então me conta vai! Disse ela sorrindo.
- Andei pensando e percebi que já não agüento mais passar a semana longe de ti. Não agüento mais me despedir na segunda pela manhã e só voltar a te ver na quarta. O que tu achas da gente casar? Assim a gente poderia ficar mais perto um do outro.
- Tas falando sério?
- Claro que eu tô, né amor? Quero passar o resto da vida contigo.
- É?
E eles se beijaram. E a noite foi maravilhosa. Passaram todo o tempo planejando o casamento, que, eles decidiram que seria em três meses, pois não havia porque esperar mais. Ela falou sobre o seu sonho, e ele disse que concordava em não casar na igreja, mas que havia sonhado em ver sua noiva entrando de branco na igreja.

Como tudo o que ela queria era ele, não fez questão em casar como todas as outras noivas. O mês seguinte foi bastante corrido. Conseguiram arranjar um buffet, ela conseguiu comprar um vestido. Já haviam comprado um apartamento. Tudo parecia um sonho.

Os meses seguintes foram corridos. Eles quase não se divertiam mais. Sempre que estavam juntos, estavam resolvendo problemas do casamento ou arrumando o apartamento. As conversas passaram a ser apenas sobre o buffet ou o casamento. À noite, estavam tão cansados que nem aproveitavam um ao outro. Mas cada um, tentava se convencer de que isso só estava acontecendo por causa da correria.

Aos poucos eles foram se distanciando. Já não se telefonavam todos os dias e o cansaço era uma das desculpas. Não conversavam mais sobre o que estava lhes acontecendo, ou sobre como estavam se sentindo. Iriam se casar e ela nem ao menos sabia o que ele estava achando de tudo isso.

Um sábado, quinze dias antes do casamento, eles resolveram sair para descansar um pouco. Ela tentou conversar sobre o que estava acontecendo, mas não sabia o que dizer. Mas era perceptível que eles já não estavam como antes. Ela o amava. Ela o queria amar da mesma forma, mas já não tinha tanta certeza, mas sempre que pensava isso, deixava o pensamento passar.

Eles tentaram seguir com a situação do jeito que estava. Tinham certeza que depois do casamento tudo ficaria melhor. Até que chegou o grande dia. O casamento seria à tarde, ás quatro horas. Eles não se encontraram pela manhã. Ela quis vê-lo, mas ninguém a deixou sair de casa. Ela então, resolveu que se aprontaria mais cedo.

E às duas horas ela estava completamente pronta. Ninguém a entendeu, até que ela pegou o carro e foi até a casa dele. Ele ainda estava se aprontando, mas ela pediu para ele descer o mais rápido possível, pois precisava falar com ele. Ele desceu e ela o levou até a praia, aquela onde ele a havia pedido em casamento.

Ela não precisou dizer nada. Eles se sentaram um ao lado do outro. As lágrimas começaram a sair dos seus olhos. Ele a abraçou. E ela perguntou:

- O que foi que aconteceu com a gente?Ele não conseguia responder. As lágrimas caiam dos seus olhos e as palavras estavam entaladas. Então ela continuou:

- Eu te amo, mas já não posso dizer que amo tanto. E apesar de ter sonhado todo esse tempo com esse dia, eu vejo que ele não está sendo tão especial como deveria ser. Desde aquela noite aqui na praia que nós não conversamos. E se tudo isso aconteceu só com os preparativos para o casamento, imagina o que vai nos acontecer quando a vida bater na nossa porta?
- Eu sei. Eu tentei não perceber que estávamos nos distanciando. Tentei fingir que nada estava acontecendo. Mas na verdade, eu não sei o que aconteceu. Eu também te amo, mas isso já não é o que eu quero pra minha vida.
- E por que nunca sentamos e conversamos sobre isso? Até quando iríamos levar essa estória. Já não nos entendemos mais. Já não sei o que te acontece no dia a dia e nem como anda o teu trabalho. Olho-te e já não te reconheço mais.
- Eu sei, já não sou o mesmo daquela noite na praia.

Já não haviam palavras a serem ditas. Ele então a abraçou. Foi um abraço forte, porém muito doloroso, pois, por algum motivo, ambos sabiam que seria o último. Ele então a beijou na testa e foi embora.

Ela sabia que era a melhor coisa a ser feita. Já não conseguia imaginar sua vida ao lado dele. E ela então percebeu que, não basta amor para sustentar um relacionamento e que a vida, nem sempre segue o rumo que tanto sonhamos. No entanto, ela sabia o quanto ele havia sido especial em sua vida e jamais o esqueceria.



Kari Mendonça

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Desilusão

Acordei-me cedo. Por um instante não quis me levantar, mas logo percebi que eu precisava ir aquele funeral.
Tomei banho, vesti uma calça jeans e uma blusa preta (sim, em alguns casos eu gosto da tradição).
O dia estava bonito. O sol brilhava como nunca e só eu parecia entender o porquê de todo aquele brilho.
Peguei o carro e fui até o cemitério. Estava vazio. Não havia ninguém velando aquele “corpo”.
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Não gosto de olhar dentro do caixão. Nunca gostei. Sentei-me então, próximo a ele, mas sem olhar.
Por um segundo, não entendi o que fazia ali. Mas lembrei-me que eu não podia faltar àquele momento.
Eu precisava estar ali. Precisava me despedir dela e ter a certeza de que ela jamais iria voltar.
Eu sabia também, que, se fosse ao contrário ela estaria no meu velório.
Estaria rindo e feliz da vida por ter conseguido o que tanto queria, me destruir. Mesmo assim, sei que ela não faltaria.
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Mas não importava mais, ela havia morrido e jamais iria conseguir me destruir ou me dominar de novo.
Também me senti obrigada a estar ali, sentada e segurando aquela margarida, pois eu sabia que era a única culpada da sua morte.
Mas eu não sentia remorso. Eu sentia um alívio. Alívio esse que me angustiava por senti-lo, apesar de saber que tomei a decisão certa.
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Enquanto segurava a margarida, lembrei-me de todos os momentos que passamos juntas.
De todas as lágrimas que derramei por causa dela.
De todas as vezes que fui invadida por uma tristeza enorme que parecia que nunca me largaria.
De todas ás vezes em que me senti frustrada e deprimida, achando que a vida já não tinha nenhum sentido.
E foi por não agüentar mais viver com tanta tristeza, tanta frustração e depressão, que decidi acabar com a vida sua vida e com tudo isso.
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A minha mente estava tão longe, o tempo acabou passando rápido e nem percebi quando os coveiros entraram na sala, o funeral ia começar.
Perguntaram se eu queria esperar mais alguém chegar, mas eu lhes disse que ninguém chegaria. Perguntaram se poderiam fechar o caixão e antes de dizer que sim, decidi olha-la pela última vez. Seria bom, pois seria a última vez.
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E quando olhei ali dentro, lá estava ela, com um sorriso sarcástico.
Era ela, e eu fiquei feliz em saber que nunca mais a veria e que ela nunca mais poderia me fazer mal algum.
O caixão foi fechado, os coveiros o carregaram.
Olhei atentamente enquanto o colocavam na sepultura, precisava ter certeza que ela jamais sairia de lá.
Joguei a margarida. A sepultura foi fechada e então, a placa foi colocada:

“Aqui jaz a DESILUSÃO.
Que descanse em paz e não volte mais.”


Dei as costas para a sepultura, abri um largo sorriso e caminhei até o carro.


Kari Mendonça

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

As sombras

Não sei se gosto quando os dias são diferentes, quando saio da rotina.
Essa noite não foi igual a nenhuma outra.
Pela primeira vez, fui a pé pra faculdade.
Senti o vento em meu rosto, o luar em minha pele.
E a minha mente borbulhou durante todo o caminho.
Vários pensamentos me passaram, várias lembranças.
Tive vontade de sentar ali.
No meio da Agamenon Magalhães, sob o luar e sem parar de pensar.
Mas eu não podia parar, tinha aula. E segui adiante.
Por pura sorte, acabei não tendo aula.
Peguei minhas coisas e voltei por aquele mesmo caminho.
O luar ainda me iluminava quando cheguei em casa.
Percebi que, durante todo o caminho (ida e volta), eu não estava sozinha.
Havia uma sombra a me seguir.
Uma sombra, que, mesmo quando eu não a podia ver, sabia que ela estava ali. Descobri que era então, a minha sombra.
Horas mais tarde, ao ler vários textos que muito me fizeram bem, percebi que não é só a minha sombra que anda comigo.
Existem algumas outras sombras que me perseguem.
Sombras essas que se misturam em meus pensamentos.
Que fazem parte de mim. Que são lembranças.
Uma sombra que me cerca e que ás vezes, toma conta de mim.
É a sombra de um passado que já passou.
Sombra de pessoas que já me deixaram e por algum motivo ainda me perseguem.
São sombras de um amor que já acabou, mas que ainda me rodeia.
Sombra do futuro que está por vir, mas que me (as)sombra.
Sombra de um amor que nem ao menos sei se existe ou se sinto.
É a sombra de uma amizade interrompida por causa de uma paixão.
Sombra de uma saudade infinita de quem não posso mais ter comigo.
Também a sombra de uma saudade de quem quero ao meu lado e não posso ter.
É a sombra do que quero pra mim e não sei se conseguirei.
Percebi, ao olhar-me no espelho, que não consigo mais me ver.
Agora que notei que elas existem, só consigo ver as sombras na minha frente.
Só tenho vontade de sentar-me ao luar, em meio à chuva e chorar.
Chorar por todas essas sombras que me assombram, que me perseguem.
Por todos os sorrisos que não consigo mostrar a ninguém.
Por todos os momentos em que me senti inútil e não pude ajudar.
Por todas as lágrimas que eu vi cair e nem ao menos pude enxugar.
Por todas as vezes que tentei, mas não consegui segurar as palavras e acabei magoando.
Sim! Os meus atos também são sombras sobre mim.
Ainda me assombram, todas as palavras que eu não deveria ter dito.
Todas as vezes que disse que amava e que fui ignorada.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Que vontade de gritar, abrir os braços e jogar todas essas sombras pra bem longe.
Mas parece que elas estão tomando conta de mim. Estão cada vez mais perto.
Em breve, já não saberemos distinguir entre mim e elas.
E aí? O que será de mim quando isso acontecer?
Sei lá... E talvez nem me interesse saber...


Kari Mendonça

sábado, 20 de outubro de 2007

O meu dia ideal

Ao ler o blog de uma amiga, fui perguntada sobre o que seria ideal. Respondi então, que um dia ideal seria exatamente como ela o descreveu, mas, parei para refletir e percebi o engano que cometi.

Percebi que, para que o meu dia fosse ideal, eu não precisaria presenciar o nascer ou o pôr-do-sol. A lua não precisaria estar cheia e nem ao menos bonita.

Eu não precisaria estar na praia, nem a maré precisaria estar baixa. O sol não precisaria brilhar tanto, e nem a chuva precisaria se conter.

Também eu, não precisaria estar no campo, arodeada das mais belas paisagens verdes e do ar mais puro e mais gostoso.

Eu não precisaria ganhar presentes, nem mesmo se fosse um macaco de pelúcia que eu tanto gosto.

Também não precisaria de um jantar a luz de velas ou mesmo de qualquer festa, “balada” ou agitação.

Não precisaria de nem de uma música para me fazer lembrar futuramente. Não precisaria de música alguma.

Também não precisaria de uma roupa nova, nem de idas ao salão de beleza para deixar tudo mais perfeitinho.

Não precisaria de câmera fotográfica, pois não seria necessário registrar esse dia, ele jamais seria esquecido.

Também não precisaria ir ao MC Donald´s passar a tarde inteira ou fazer um churrasco na beira da piscina. Nem seria preciso comprar um monte de pizzas e nem jogar dominó.

Para que o meu dia fosse ideal, tudo que eu precisaria era dos meus amigos. Pois eles transformam qualquer dia de chuva em um dia ensolarado.

Qualquer tarde sem graça, em uma tarde inesquecível. Qualquer lágrima em um sorriso, e até qualquer sorriso em uma gargalhada.

Porque quando estamos juntos, nem percebemos o passar das horas e nem nos preocupamos se parecemos ridículos falando tanta besteira em público.

E porque, mesmo que passemos muito tempo sem nos vermos, cada vez que nos encontramos, seja por acaso ou não, é sempre uma enorme festa e nos faz perceber o quanto somos especiais.

E até aqueles amigos que eu tenho, mas que nunca vi, fazem o meu dia ideal quando me deixam ler um pouco sobre eles a cada post. Sempre que os leio, sinto-me um pouco mais perto e isso é tão bom!!!

Enfim, o meu dia ideal, não poderia ser feito por mim e nem pela natureza, mas apenas por esses presentes tão lindos que papai do céu me deu, os meus amigos!

*Na foto: Didi, Renata, Pripa, Bel, Candy, Mila, Mari, Lirinha, May, Van e Belinha

Kari Mendonça

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A.mor


Muito tenho ouvido falar sobre amor.
Todos amam alguém ou alguma coisa.
Alguns dizem que o amor está sendo banalizado, que o “eu te amo” está sendo usado tanto quanto o “bom dia” e que isso é inadmissível.
Estava eu decida a falar racionalmente sobre o amor.
Sem poesias, sem prosas, sem palavras melosas e sem pedir a opinião de qualquer poeta.
Pedi então, a opinião ao Houaiss, ele, eu sabia, me responderia da forma mais racional possível.
Mas ele acabou me dizendo muita coisa.
(Pra você ter uma idéia, se colocado no word, a descrição da palavra “amor” ocuparia 20 páginas com a letra tamanho 12. Viu como era coisa demais?)
Coisas que, através delas, posso dizer que o que sinto é amor, mas mesmo assim, não explica muito.
E foi assim que ele me descreveu o amor:


A.mor (s.m)
1. atração física ou afetiva
2. adoração, veneração, culto (a Deus)
3. afeto, carinho, ternura, dedicação
4. aventura amorosa; caso, namoro
5. ato sexual
6. o ser amado
7. demonstração de zelo, dedicação, fidelidade
8. apego a algo que dá prazer; paixão, fascínio (a natureza)



No entanto, eu falei que estava decidida a falar racionalmente sobre o amor, lembra? Mas quer saber? Não existe definição melhor que a dos poetas. Eles sim sabem como definir o amor.
Os poetas sim, entendem do coração. E só quem entende o coração é capaz de falar do amor.
Quer descrição melhor do que a de Fernando Pessoa, quando disse que:


“Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, é não pensar...”



Ou, quando ele disse que:


“O amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é.”


Até o próprio Drummond, fez desmerecer qualquer descrição do Houaiss, quando disse, que:


“Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionáriose
a regulamentos vários.”



Ah! Mas ninguém descreveu tão bem a maravilhosa sensação de sentir-se amado, como Martha Medeiros, quando disse que:


“Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não
existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado
quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para
a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem
não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas
escuta.”


E foi ela também, que mostrou que o contrário do amor não é o ódio e sim a indiferença, quando disse:


“...o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a
indiferença é um exílio no deserto.”


Viu? Ninguém melhor que os poetas para descreverem o amor.
Não há dicionário, não há Aurélio ou Houaiss que possam descrever a beleza dessa palavra.
Os poetas sentem e amam e não há descrição melhor do que a daquele que sabe o que escreve, pois escreve o que sente.

Quanto a mim, eu não banalizo a palavra “amor”, eu o sinto e quanto quero, eu demonstro, pois, “se eu morrer amanhã”, quero que todos que amo, saibam que foram amados por mim.
No entanto, não é fácil dizer que se ama a quem realmente se ama. É difícil e eu não sei explicar o porquê.
Mas uma coisa é certa, quem ama, ama e pronto.
O amor não exige nada em troca, nem o próprio amor. Por isso, não se sinta obrigado a dizer “te amo” quando ouvir, pois é melhor o silêncio do que um “eu te amo” que não é sincero.
E sinceridade e respeito, acredito eu, conseguem ser maiores que qualquer amor.

Sei lá... acho que acabei me perdendo no meio do caminho, desculpa.
Lembrei até de uma frase que me foi dita por um amigo:



“Quando se começa a falar muito do amor, a explicá-lo e a entendê-lo, é porque
já não se está mais amando”.


Será?


Kari Mendonça

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

As horas e a liberdade

Aos seis anos o seu presente de aniversário foi um relógio. Mas não um relógio qualquer. Ele era a prova d´água, para que não fosse necessário tira-lo do braço nunca. Era digital, pois não sabia ver as horas. E tinha que ter “conometro”, como ela dizia.
O relógio era a única coisa que, de fato, lhe pertencia e por isso, ela cuidava com todo carinho. Não o tirava do braço em momento algum.
Seu maior divertimento era olhar as horas, mexer no “conometro”, no timer e no alarme, mesmo sem saber para que dois deles serviam. Ah, não posso deixar de mencionar a luz que o relógio tinha, para que ela pudesse ver as horas até no escuro.
Pra onde ia, mostrava o seu relógio. Foi a última coisa que mostrou a sua avó, isso ela lembra bem. Estavam na praia, era a comemoração do aniversário do seu primo, poucos dias antes do seu, mas, como já havia ganho o seu presente, o exibiu toda orgulhosa por todos os lados.
Com o tempo, a pulseira do relógio ressecou. Era de se esperar, já que ela o levava para a piscina o tempo todo e não o tirava nem na hora do banho. Mas não foi o fim do mundo, trocou-se a pulseira e a vida continuo.
E assim seguiu até os seus 11 anos, quando, ao tentar tirar a pulseira já quebrada, ela acabou quebrando o local de encaixe da pulseira. E apesar do relógio ainda funcionar perfeitamente, ela não o pode mais usar, pois já não era possível colocar pulseira alguma.
Enquanto estava sem ele, "o seu companheiro de todas as horas", as horas pareciam eternas e eram angustiantes. Não havia nada pior do que perguntas as horas a alguém.
Ao perceber sua angústia, sua avó sugeriu que ganhasse um relógio novo e, mesmo sem poder, sua mãe acabou comprando um relógio não tão barato assim, e com “conometro”. Ela adorou! Mas a alegria durou até o seu primeiro banho, quando o relógio parou. E ao ser levado para a garantia, garantiram a sua mãe de que o relógio havia sido mexido e, por não ter como provar, o relógio acabou indo para o lixo, antes mesmo de ser pago.
Os dias de tortura voltaram, mas duraram até o aniversário de 12 anos, quando ganhou um novo relógio exatamente igual ao primeiro, exceto pela cor, um tinha detalhes vermelhos, o outro era azul.
Finalmente a sua vida voltou a ser como antes. E como tanto gostava, voltou a viver cada segundo sabendo exatamente que segundo era aquele.
Ela era assim, não podia presenciar nenhum acontecimento que olhava para o relógio, para que pudesse marcar o exato momento em que aconteceu. Assim, quando fosse contar a alguém, poderia ser bem exata, como ela tanto gostava.

- Mãe, fui dormir ontem ás 3:32 da manhã.

Sim. Ela fazia isso.
E sua vida era completamente cercada pelas horas.
Na época do colégio, acordava-se exatamente ás 5:25 para tomar banho com calma e estar vestida ás 5:45, para então, ter terminado de tomar café da manhã ás 6:00. Assim, poderia estar na parada de ônibus exatamente ás 6:10 e chegava ao colégio ás 6:35. Os portões ainda estavam fechados, mas ela não se importava. Gostava de chegar cedo, pois só assim teria ido sentada no ônibus.
Durante as aulas, perdia mais tempo olhando para o relógio do que para a aula em si. O “conometro” já nem era mais tão importante, mas o fato de ser digital ainda era essencial, pois, mesmo aos 16 anos ainda não sabia ver as horas.
Já haviam tentado ensina-la diversas vezes, mas ela sempre achou complicado demais ter que contar 15, 20, 25.... Achava uma perda de tempo e era por isso que gostava quando olhava para o pulso e via 3:15 p.m. Ah! Ela também nunca gostou das 24 horas. Era complicado demais pensar que depois do12 vinha o 13 que representava 1hora. Afinal, 13 deveria ser 3horas e 14 quatro, assim pensava ela.
O tempo foi passando. E sua dependência com as horas sempre aumentava. Se marcava um encontro ás 2:00 e ás 2:05 a pessoa não chegasse, ela ficava nervosa e achava que não viriam mais.
Recentemente ela se sentiu incomodada. Saber das horas já não a alegrava tanto.
Queira um pouco de liberdade.
Queria ir dormir, acordar no meio da madrugada, não saber a que horas acordou e então voltar para dormir.
E foi assim, que um certo dia, ela decidiu deixa-lo.
Não foi um momento fácil, mas ela tirou o relógio do pulso, aquele com quem estava há seis anos, e o colocou em cima da mesa.
Hoje, ela já não se importa tanto assim com o tempo.
Já não “conometra” toda a sua vida e finalmente conheceu o significado da palavra liberdade.
Sim! Hoje ela é uma garota livre. Não depende mais de nada e nem de ninguém.
Percebeu que não há porque tanta pressa nessa vida, que não há nada melhor do que viver cada segundo, sem saber que exato segundo é esse.

Kari Mendonça
PS.: Desculpa o tamanho do post, mas é que foi o centésimo e acabei me empolgando...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Desabafo...

O desabafo é confuso, mas não tem ligação alguma com o último "desabafo confuso", mas enfim, desabafos são sempre confusos ou não seriam desabafos. E não há nada melhor do que botar pra fora, afinal, não é essa a proposta desse blog? Sim, é esta a proposta!

Até quando as coisas serão assim?
Até quando vou ter que ficar vendo a felicidade bater nas portas dos outros e nunca aparecer na minha?
Sei que muito recentemente eu disse que a felicidade não bate na porta de ninguém. Bom, acho que ela não bate em algumas ocasiões, em outras ela até aparece.
Já não agüento mais isso. As coisas nunca melhoram, nunca se ajeitam...
Sempre quando surge alguma possibilidade de melhorar, por menor que seja, já melhoraria muito, aí vem alguém, coloca o dedinho e destrói tudo. Tudo!
Todos os sonhos que um dia eu tive. Todas as lembranças que um dia eu fiz tanta questão de guardar. Pra quê? As pessoas não se importam com os outros, e muito menos comigo ou com o que eu sinto.
Elas são egoístas, querem dinheiro. São gananciosas e amargas.
Mas quer saber? Vá com a sua ganância para os infernos, porque eu sei que quando você morrer, você não vai levar nada.
Por que as pessoas mudam tanto? Um dia elas são tão amigáveis, tão simpáticas e tão “amorosas”. E, basta acontecer um pequeno imprevisto e elas se transformam. E revelam o seu verdadeiro eu.
Recentemente cheguei a uma conclusão muito verdadeira: “atrás de todo grande homem, existe uma grande mulher”. E não me venha dizer que é algo altamente feminista, pois não é. Comprovei isso com a vida.
Eu já os considerei grandes homens e eles até pareciam ser, mas, depois que suas esposas morreram, eles se revelaram verdadeiros idiotas, egoístas e nada merecedores de qualquer admiração. Logo, o que um dia os transformou em grandes homens, foram as grandes mulheres.
Não que elas fossem santas. De forma alguma. Elas não eram, mas percebe-se a falta que fazem.
Já não agüento ver todos “subindo” na vida, melhorando, “se dando bem”.
Já não suporto mais ver tantos sorrisos, tanta felicidade ao redor.
Oras, eu não sei o que de fato é felicidade, não sei se algum dia fui feliz, pois não sei se felicidade é olhar pra trás e lembrar dos momentos bons, ou se felicidade é algo que ainda está para chegar, ou sei lá o que.
Martha Medeiros disse que a felicidade só chega aos 35 anos. Pensando assim, ainda falta muito tempo até que eu a encontre, e não sei se conseguirei esperar até lá.
Oras, eu só queria uma vida normal, sabe? Com pessoas normais ao meu redor.
Não tem nada que me cause mais dor do que ver aqueles que tanto amo chorando, ou aperriados com as coisas da vida. Queria poder ajuda-los, mas não há nada que eu possa fazer.
Não há nada que eu possa fazer.
Apenas sentar aqui, escrever, botar pra fora o que me engasga junto com as lágrimas e esperar que o amanhã chegue, e que ele possa ser, ao menos, um pouco melhor e mais fácil.

Kari Mendonça

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E já que eu não posso mudar o rumo da vida,
mudo, ao menos, o meu cantinho!
Espero que gostem!

domingo, 14 de outubro de 2007

Strip-tease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás.

Tocou a campainha, e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender. Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. "Quero que você me escute, simplesmente!" Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

PRIMEIRO TIROU A MÁSCARA

"Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento, preciso dizer o que sinto."

ENTÃO ELA DESFEZ-SE DA ARROGÂNCIA

"Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

ERA O PUDOR SENDO DESABOTOADO

"Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou."

RETIRAVA O MEDO

"Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei."

POR FIM, A ÚLTIMA PEÇA CAÍA, DEIXANDO-A NUA

"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui."

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

Martha Medeiros

PS.: Martha Medeiros, né? Não precisa dizer mais nada!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Eu e elas

Recentemente fui questionada sobre a possibilidade de não ser quem aparento ser. Desde então, tenho passado muito tempo pensando sobre quem realmente eu sou.

Eu sou eu, oras! Mas não sou eu em todos os momentos. Ou melhor, sou eu, mas não a mesma eu. Confuso, né? Mas então, deixe-me apresentar algumas das criaturinhas que vivem dentro de mim, comigo, que formam o meu Eu.

Um dia existiu Karininha, uma criança, um tanto chatinha. Seus amigos eram todos mais velhos, por causa da sua irmã, e ela adorava se sentir pequenininha entre eles. Mas também adorava pisar nos seus pés e isso os irritava um pouco. Mas ela cresceu e perdeu muito do que um dia foi.

Hoje, existe Karina Mendonça, uma estudante de jornalismo desempregada. Uma aluna não muito notada, pois a timidez a impede de falar em público e por isso, acaba sempre omitindo suas opiniões e suas dúvidas. Uma jovem “na dela” e considerada um pouco séria. Escolheu o curso de jornalismo, pois gosta de escrever e pensa em mudar o mundo.

Também existe Karê (para uns) ou Kari (para outros), uma menina cheia de amigos. Não gosta de baladas, mas não troca os momentos com os amigos por nada nesse mundo. Adora falar besteira, é engraçada e vive com o rosto doendo de tanto rir, pois qualquer coisa, qualquer que seja, acaba lhe tirando um sorriso do rosto. Também é uma mulher, que gosta de ouvir, os mesmos amigos que a divertem, nos momentos sérios e gosta de aconselhar.

Ah, ainda tem Kaká, que um dia foi Katitia. Uma menina que nunca vai crescer e que adora todos os seus primos. E que, apesar de ter tentado sempre mostrar que era mais forte do que eles, ela gosta de se sentir pequenina e frágil entre eles.

Eita! Não podia esquecer Kazinha, uma filha nem sempre tão boa assim. Uma jovem criança que insiste em crescer logo. Dominada pela determinação e independência, ela faz questão de se impor, sempre. Tem com seus pais uma relação de amizade, o que sempre os aproximou. Ela é doce e amarga, depende do referencial...

Existe também Karina, que sempre aparece quando o assunto é sério, e talvez por isso ela seja tão sensível e tão forte ao mesmo tempo. Ela é séria, mas adora os momentos de descontração. Seu coração nem sempre fala mais alto que a razão. Mas razão nem sempre tem prioridade nas suas decisões.

E quase acabando, existe Kari Mendonça, que foi reduzida para Kari. Ah, essa vocês conhecem muito bem. Ela tem um blog, sabe? E nele escreve tudo o que sente ou dá vontade. Tem os sentimentos a “flor da pele”. É cheia de revoltas e desejos. Sonha em mudar o mundo e ir embora pra um certo lugarzinho onde há alguém a sua espera.

Mas dentre todas essas criaturinhas, arrisco-me a dizer que sou Eu, essa que vos escreve, a mais completa dentre todas elas, pois sou uma mistura de todas. Sou completa pois sou única e ao mesmo tempo cheia de partes.

Em alguns momentos sou invadida pela timidez ou pela força. Ás vezes sinto-me frágil e pequena, e tudo o que quero é colo. Há momentos também em que a revolta toma conta de mim e não consigo me conformar com tanta injustiça em um mundo tão pequeno.

Também há os sentimentos que são sempre intensos, e talvez isso explique essa imensa necessidade de botar tudo pra fora. Em momentos sinto-me mulher, com vontades, sonhos e desejos. Uma mulher que sabe o que quer da vida, que afirma tudo com convicção e quando decide algo, vai até as últimas conseqüências.

E essa última sou Eu e eu não tenho nome. Sou uma mistura de criaturinhas, de sentimentos, de atitudes, de tantas outras coisas e de nomes. Por isso, insisto em dizer que Eu, sou apenas Eu.

Eu,

"todas elas juntas num só ser"

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Quarenta anos sem "Che"



Pois é, eu estou na semana de provas e havia decidido só voltar por aqui no feriado. No entanto, hoje não é um dia qualquer, não pra mim. Não para os que ainda gostam de lembrar quem foi Enersto Guevara de La Sierna, ou apenas “Che”.

Há quarenta anos, morria um dos maiores símbolos do socialismo, que por acaso, acabou se tornando um grande símbolo do também capitalismo. Irônico, não? Mas acredito que não era essa a intenção de Alberto Korda¹ ao tirar aquela tão famosa e tão vista fotografia de “Che”.

Alguns o consideram um herói, outros o vêem como um assassino. Outros ainda, não sabem nada a seu respeito, apenas conhecem a sua imagem.

Poucos sabem, mas Ernesto “Che” Guevara, filho de Ernesto Guevara Lynch e Célia de la Serna, nasceu em Rosário, Argentina, em 14 de junho de 1928. Era o primogênito, sempre muito estudioso, dedicou-se a carreira de medicina.

Ainda durante a faculdade, e em meio ao receio de sua mãe, “Che” juntou-se ao amigo Alberto Granado para uma viagem pela América Latina. Planejavam passar por cidades da própria Argentina, do Chile, Peru, Colômbia e Venezuela. Mas o que gerou receio em sua mãe, não foi a viagem, mas o transporte: a moto de Alberto, “La Poderosa II”.

A viagem começou bem, com alguns problemas na moto apenas. Mas com o tempo, o dinheiro foi ficando curto, as coisas não saiam exatamente como planejadas, e eles acabaram arranjando um emprego em um leprosário em San Pedro, Peru. Alberto era bioquímico.

Apesar de não sair como planejada, a viagem foi muito bem vista por “Che”. Não fosse ela, talvez ele jamais tivesse percebido o quão injusto é esse mundo e o quão miserável é vida de boa parte da América Latina (não posso falar sobre a situação atual, pois confesso não ter tanto conhecimento, mas tudo que sei, foi “Che” “quem me contou” através de seu diário).

Em um momento onde as idéias borbulhavam, e a vontade de fazer uma revolução na Argentina era grande, “Che”, em uma festa de amigos, acabou conhecendo Raúl Castro, e ao contar-lhe suas revoltas, foi apresentado ao seu irmão, Fidel Castro.

“Che” tinha disposição e vontade de lutar, por isso resolveu juntar-se a Fidel e seus companheiros Camilo Cienfuegos, Pancho Gonzáles, Pablo Hurtado e tantos outros, e formaram o “Movimento 26 de Julho”, com a promessa de que, feita a revolução em Cuba, teria apoio para lutar na Argentina.

A revolução foi muito bem sucedida e em 31 de dezembro de 1958, Fulgencio Baptista, o então ditador de Cuba, deixa o país. É a vitória da revolução. Mas não foi nada fácil para tantos jovens assumir um país, onde os próprios cubanos preferiam deixar o país para ir aos Estados Unidos. Não foi fácil e as dificuldades eram enormes, mas juntos, eles conseguiram manter as coisas, estáveis, ao menos.

E, para que a revolução desse certo, todos precisavam ajudar, e “Che” foi Ministro da Agricultura e da Indústria, mesmo não conhecendo muito sobre ambos. Tirso Saenz², conta que para “Che” não havia hora e suas reuniões eram sempre marcadas na madrugada (apenas uma curiosidade).

Em certo momento, quando percebeu que as coisas já haviam tomado o seu rumo, “Che” achou que era hora de seguir seu caminho. Deixou uma carta a Fidel Castro, despedindo-se de Cuba e do povo cubano que tanto o acolheu. Saindo de lá, “Che” se dirigiu a Bolívia, mas não como “Che” e sim como Ramón Benítez e tantos outros nomes.

E foi na Bolívia que tudo acabou. Procurado pela CIA, “Che” foi capturado no dia oito de outubro de 1967. O tiro que o matou, em nove de outubro, foi de Mario Terán, mas os momentos finais da vida de “Che” Guevara, poucos saberão. Alguns dizem, que ao ver Mario entrando, “Che” falou: “Sei que você só veio me matar. Atire, covarde, você só vai matar um homem”.

Ernesto “Che” Guevara, não foi apenas um guerrilheiro, foi um marido e um pai, sendo sua primeira esposa, a peruana Hilda Gadea, com quem teve sua primeira filha, Hilda Beatriz (Hildita). Casou-se depois com a cubana Aleida, com quem teve quatro filho, Aleida (Aleidita), Célia, Camilo e Ernesto. Antes de ir à Bolívia, “Che” deixou uma carta para todos eles, despedindo-se.

Como já dito, alguns o consideram um grande homem, outros o desprezam por completo. Mas independente do que pensam, “Che” foi apenas Ernesto "Che" Guevara, um homem com ideias, que lutou até o fim por eles.

E apesar de tão criticado, queria que me mostrassem alguém hoje, que seria capaz de lutar e até morrer por um povo que não é seu e por um país que apenas o acolheu. Dizemos tanto, mas tão pouco fazemos. Talvez precisemos de ideal, para assim, lutar por aquilo que tantos criticamos.
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1. Alberto Korda era fotógrafo oficial de Fidel Castro e foi ele quem tirou aquela célebre foto de “Che”, que você provavelmente já viu em alguma camisa.
2. Tirso W. Saenz é autor do livro “O Ministro Che Guevara, testemunho de um colaborador”, Ed. Garamond.

Fontes:
SAENZ, Tirso W. “O Ministro Che Guevara”, Ed. Garamond
GUEVARA, Ernesto Che. “Diário de Viagem”, Sá Editora
Revista CAROS AMIGOS Especial “Guevara, vida e morte de um mito”, 4°Edição
Filme “Diários de Motocicleta”, dirigido por Walter Sales
E tantos outros filmes que vi, matérias que li e claro, a minha opinião sobre ele.

Kari Mendonça
Luto

domingo, 7 de outubro de 2007

Desabafo confuso...


Não! Não adianta tentar. Vocês nunca vão me entender! Quando eu penso que vai ser diferente, as coisas terminam sempre iguais.

E não adianta me dizerem que acreditam em mim, ou que me conhecem. Eu sei que não. Posso perceber só por seus olhares ou por pequenas palavras.

Não consigo entender qual a dificuldade de me ver como mulher. Já não sou aquela menina que tomava chimarrão na beira da piscina em Aracaju, ou que corria pra casinha de pano pra brincar com as bonecas.

Eu já amei, sabia? Amei muito. E não venha me dizer que eu era muito jovem pra saber o que é isso. Eu sei amar, e quando amo, amo intensamente. É tão difícil assim de entender?

Não! Eu não faço as coisas “demais”. Eu faço na medida, ou pelo menos, sempre tento. E se estiver fazendo “demais”, qual o problema? Tenho o direito de “quebrar a cara”, não tenho?

Também não tenho o direito de tentar ser feliz? Indo buscar a minha felicidade onde quer que ela esteja? Ou não? Devo ficar esperando eternamente até que ela bata na minha porta?

Porque vocês sabem, muito mais que eu, que a felicidade não bate na porta de ninguém. Ou não eram vocês que viviam me mandando sair, pois em casa não encontraria nada e nem ninguém?

Ah! De uma coisa vocês sabem, quando eu quero alguma coisa, eu corro atrás. E faço tudo o que posso, tentando até o impossível pra conseguir. Porque a determinação é minha maior aliada.

E sendo assim, já cansaram de ouvir o que pretendo fazer daqui pra frente, não é? E não adianta. Eu vou continuar dizendo todos os dias, para que, aos poucos, vocês possam compreender que eu não vou desistir até conseguir.

Ás vezes, parece que vocês já sabem. Parece que me apóiam. Mas de repente, sai um comentário, sabe? Uma pequena frase, que me mostra que não é bem assim...

Mas não tem problema, eu sei o que eu quero. E tendo apoio ou não, eu vou correr atrás do que eu quero. É só uma pena que não me levem tão a sério quanto deveriam.

Confuso, né? Fazia tempo que não escrevia algo assim.
Mas hoje eu tava precisando desabafar.
Queria que me entendessem, sabe? Mas isso parece ser tão difícil...
Enfim, semana de prova, desculpem se me ausentar das visitas.
Prometo colocar tudo em ordem durante o feriado, tá?
-Um beijão
Kari Mendonça
Luto

sábado, 6 de outubro de 2007

Eu e outubro passado...

De vez em quando, nas horas vagas (o dia quase inteiro, infelizmente), venho ao blogue e leio algo que escrevi há algum tempo. Os meus arquivos têm me causado muito interesse, talvez por 2006 não tiver sido um ano agradável, tento esquece-lo cada dia um pouco.

Nesse caso, não é lendo os arquivos que esqueço, mas acredite, é bom perceber como as coisas mudaram. Mudaram e mudaram muito. Pra melhor, ainda bem! Gosto de ler. Lembro como estava me sentindo quando escrevi aquilo. Lembro das minhas lágrimas, das risadas, dos momentos... Enfim, tenho lido e ao resolver ler o mês de outubro me deparei com alguns fatos e sentimentos.

Em 2006, comecei outubro escrevendo quase que uma carta ao então, mais novo Senador do estado de Alagoas, Fernando Collor. Na ocasião, fiquei chocada com tal vitória e ainda perguntei aonde iria parar o nosso Senado. Bom, acho que já sabemos, não é? O Senado foi para lugar nenhum com as costas viradas para o Brasil.

Em um outro texto escrevi uma também carta a alguém. Ele leu, o que me deixou extremamente satisfeita na época, levando em conta que ele nunca vinha aqui. No entanto, o desenrolar da estória não foi lá dos melhores, ou assim pensei naquele momento.

Mas hoje vejo que o desenrolar da estória foi o melhor que jamais poderia ter sido. Finalmente uma “odisséia” da minha vida chegou ao fim. Libertei-me daquele sentimento que andou comigo durante tanto tempo. Pude então, colocar uma flor no túmulo daquela estória e seguir em frente.

Num outro texto, mostrei o que as músicas “O tempo não pára” e “O mundo dá voltas” tem em comum. A música do poeta Cazuza, apesar de escrita há tantos anos é ainda, uma realidade brasileira, o que me leva a pensar que Badauí tem toda razão ao dizer que o “mundo dá voltas”.

Em um último texto, escrevi sobre a falta que um amigo me fazia. Não havia nenhum amigo em particular, eu estava apenas à procura de um amigo. Percebi que nos momentos alegres, sempre havia alguém ao meu lado, no entanto, nos momentos tristes eu estava sempre sozinha.

Hoje a minha realidade é completamente diferente. Tenho amigos, amigos de verdade, sabe? Daqueles que choram junto comigo. Daqueles que me criticam pra que eu possa crescer. E mais, descobri que alguns desses amigos, eu já os tinha, só não os tinha reparado ainda.

Estamos no começo do mês, eu sei. Mas, definitivamente, as coisas melhoraram na minha vida. E por mais que elas desandem nada poderá mudar o que já melhorou.
Kari Mendonça
Luto

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Dele e não tua




Certa vez me escreveram algo,
que começou mais ou menos assim:
Minha "alguma coisa"...
Não consegui ler nada mais,
meus olhos só conseguiam ler aquele “minha”,
até que os apertei, li mais uma vez
e gritei: tua é um cacete!
Eu sou dele, e não tua.
É ele que me rouba os pensamentos,
que mora no meu coração,
que tem as minhas vontades,
e os meus desejos.
É nele que penso quando estou triste,
ou quando algo me alegra.
É ele a quem eu corro pra
contar alguma novidade.
É apenas nos braços dele que
eu me jogo sem ter medo de cair.
É nos beijos dele que penso, sempre
que vejo um beijo apaixonado.
É com ele que sonho todas as noites.
É ele quem eu beijo sempre, antes de dormir.
É nele que eu falo, sempre que tenho vontade,
só pra falar dele...
É com ele que tenho vários
momentos planejados, mas sei que
os inesperados são sempre melhores.
É ele que me tira um sorriso do rosto,
mesmo quando não estou bem.
É ele quem me faz sentir o que
nunca havia sentido por ninguém.
É pra ele que eu guardo todos os meus
desejos e meus beijos.
É ele, só ele que me faz cada dia mais feliz.
E eu sou DELE, só dele
e de mais ninguém!

Kari Mendonça,
Luto

terça-feira, 2 de outubro de 2007

É fato e eu não faço nada

“Eis um pequeno fato:
Você vai morrer.”


Essa frase foi tirada do livro “A menina que roubava livros”. Nada é mais verdadeiro do que esse “pequeno fato”, que, por vários motivos, sempre me deixou muito pensativa. Não tenho medo de morrer, já disse várias vezes, que morrer pra mim, é lucro, mas tenho medo de não viver, afinal, como disse Luís Fernando Veríssimo:

"Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Que você sabe que vai morrer, isso eu tenho certeza, mas, já parou pra pensar como tudo será no fim? No fim, quero dizer, depois de tudo, depois que nem o seu corpo mais existir? Eu já.

Não importa que seja pobre, rico, preto, branco, asiático, mulato, baixo, gordo, magro, ou seja lá o que for, no fim, todos seremos colocados dentro de uma caixinha. A última vez que nos verem, estaremos todos com os braços cruzados, as pernas juntas e o corpo coberto de flores. Terminaremos como pó, todos nós.

E não adianta juntar coisa alguma. Dentro da caixinha só caberá você, mais nada. Ah, e não pense, “mas eu tenho jóias, pedirei para que me enterrem com elas”. Acredite, ninguém o fará.

Após a sua morte, se você tiver algum "bem", qualquer que seja e que valha algum dinheiro, as pessoas que foram próximas a você revelarão de fato quem são, e a necessidade de adquirir tudo aquilo que era seu, acabará trazendo discórdia entre aqueles que eram tão próximos.

E pensando dessa forma, eu me pergunto, por que tanta ganância? Por que tanta necessidade de juntar coisas, posses, casas, dinheiro? Por que tanto egoísmo? Se tudo isso ficará jogado para que pessoas briguem por isso.

Não adianta passar por cima de tudo e de todos para obter o que você chama de objetivo. Um dia, você terá que prestar contas, não a mim, nem a quem você “atropelou”, mas a Deus, e eu creio que o julgamento Dele é o único que é justo.

Conheço alguém que passou a vida trabalho para ter dinheiro. Trabalhou mais de quarenta anos num certo lugar, tinha uma excelente conta bancária, e sempre desejou se aposentar para poder, então, viver. Ao se aposentar, descobriu que estava com câncer e passou os seus últimos anos de vida lutando contra ele. Grande parte do dinheiro que sempre juntou, serviu para pagar cirurgias e tratamentos.

Não espere o sol nascer, a maré baixar, os problemas acabarem e a paz chegar, para então viver. Viva cada momento, cada segundo como se realmente fosse o último. Parece clichê, não é? Mas é verdadeiro. Nunca saberemos quando a nossa passagem por esse mundo acabará, afinal, somos todos passageiros e jamais seremos eternos.

Não ache que você é melhor que alguém, lembre-se que ambos terminarão da mesma forma. Não julgue as pessoas, afinal, você nunca saberá os muitos que já o julgaram e tenho certeza que saber disso, não te agradaria em nada.

Hoje ouvi uma frase que diz que o “tempo que nos resta são apenas dias”. Não importa quantos, mas serão dias, apenas isso. Aconselho que você saiba aproveitar bem os seus dias, os seus minutos e cada momento que aparecer.

E lembre-se, não seja indiferente com as pessoas, não as ignore e nem as trate sem respeito. Não esqueça nunca, que terminaremos todos iguais e por isso, não apenas, somos todos iguais. Merecemos respeito, atenção, amor e tudo o que nos for oferecido de melhor.

Não ache que estou aqui querendo dar uma lição de vida para que você viva melhor. Não! Estou aqui, dizendo a mim mesma que aprenda a viver melhor. Tudo que estou dizendo, digo para mim, e escrevo para que entre de uma forma mais prática na minha mente.

Kari Mendonça,
ainda de Luto

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Mundo pequeno e injusto

Ontem eu tive que ir ao teatro, não apenas assistir uma peça por lazer, mas fazer uma análise atenta sobre tudo, pois este será o tema de um trabalho meu. No sábado, já havíamos ido ao teatro, conversamos com os atores e decidimos ir no domingo assistir a peça, eu e uma colega confirmamos a presença.

Perto da hora marcada, resolvi ligar para saber se estava tudo certo, ela disse que era melhor que chegássemos mais tarde, sua voz estava um pouco aflita, mas não dei nenhuma importância.

Mais tarde, uma amiga resolveu ir comigo e lá ligamos para a “colega” que, com a voz ainda mais aflita disse que não iria, pois estava indo ao hospital visitar uma amiga que havia sido baleada. E num ato completamente egoísta eu fiquei chateada. Pensei que ela poderia ter me dito mais cedo que não ia, mas deixei pra lá.

Hoje à tarde, sai com a minha mãe, fomos comprar a ração de Meg (minha dog) e no caminho, ela ligou para o meu avô, que, comentou que a filha que um primo dele havia sido baleada e ficaria tetraplégica.

Na hora não consegui pensar em nada. Fiquei triste , pois conheço o seu pai e imaginei a sua dor. Ficamos, eu e minha mãe, alguns minutos sem reação, pois sabíamos apenas que ela era jovem e tinha uma vida inteira pela frente.

Agora à noite, chegando à faculdade, minha amiga me disse que a nossa colega não iria para a aula, pois a sua amiga havia morrido. E foi nesse instante que a minha ficha caiu. Pensei que seria muita conhecidência que duas jovens tivessem sido baleadas nesse fim de semana, sim, não é impossível, mas achei demais.

Ao me pegar na aula, minha mãe me contou que a filha do nosso amigo, de fato, havia falecido hoje à tarde. Fiquei em estado de choque. Não estou me sentindo nada bem e me pergunto aonde vamos parar.

Até quando jovens, como essa, serão baleadas por uma tentativa de assalto? Quando poderemos andar pelas ruas sem temor? Sem medo? E com alguma certeza de que chegaremos ao destino desejado?

Ela era uma jovem, 26 anos, formada em odontologia, estava chegando em casa, quando foi abordada por três indivíduos que dispararam dois tiros contra ela. A polícia, claro, ainda está investigando os fatos, e muito provavelmente, esse caso nunca seja resolvido, assim como tantos outros.

Pois é, o mundo é pequeno mesmo, ou talvez o Recife seja de fato um “ovo”, mas o que estou querendo dizer é que nunca me senti tão mal na vida. Nunca me arrependi tanto de um pensamento meu. Talvez se eu soubesse que ela era filha do nosso amigo, eu jamais tivesse criticado minha colega por não ter ido ao teatro.

Mas que diferença isso faz? Sendo filha de que for, era uma jovem e deixou uma família e eu não podia ter ignorado o fato que ela estava numa cama de hospital. Em momento algum eu poderia ter criticado a minha colega, afinal, ela não estava indo a uma festa e sim a um hospital.

Caramba, cada dia tenho mais certeza de como ser “humano” é a criatura mais egoísta que existe. Tirando pelas minhas próprias atitudes e reações. Estou me sentindo péssima, mas fica a lição de que, antes de criticar, veja os fatos e não leve em consideração os "personagens".

Mais uma vez, quantas vidas precisarão ser tiradas, para que alguém faça algo? Quantos jovens precisarão levar tiros, pra que a sociedade exija algum respeito pela nossas vidas? Quando poderemos usufruir do tal direito de “ir e vir”? Se, ao “ir”, jamais sabemos se poderemos “vir”.

A gente sempre pensa que a violência não vai bater a nossa porta, mas eu te digo, ela bate, viu? E é bom você começar a exigir respeito pela vida, antes que seja tarde demais.

Kari Mendonça

PS.: O meu coração está de LUTO, não apenas pela morte de Rafaella Arcoverde, mas pelo Recife, e quer saber? Pelo Brasil em geral, afinal, as coisas não estão violentas e difíceis apenas por aqui.