terça-feira, 2 de outubro de 2007

É fato e eu não faço nada

“Eis um pequeno fato:
Você vai morrer.”


Essa frase foi tirada do livro “A menina que roubava livros”. Nada é mais verdadeiro do que esse “pequeno fato”, que, por vários motivos, sempre me deixou muito pensativa. Não tenho medo de morrer, já disse várias vezes, que morrer pra mim, é lucro, mas tenho medo de não viver, afinal, como disse Luís Fernando Veríssimo:

"Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Que você sabe que vai morrer, isso eu tenho certeza, mas, já parou pra pensar como tudo será no fim? No fim, quero dizer, depois de tudo, depois que nem o seu corpo mais existir? Eu já.

Não importa que seja pobre, rico, preto, branco, asiático, mulato, baixo, gordo, magro, ou seja lá o que for, no fim, todos seremos colocados dentro de uma caixinha. A última vez que nos verem, estaremos todos com os braços cruzados, as pernas juntas e o corpo coberto de flores. Terminaremos como pó, todos nós.

E não adianta juntar coisa alguma. Dentro da caixinha só caberá você, mais nada. Ah, e não pense, “mas eu tenho jóias, pedirei para que me enterrem com elas”. Acredite, ninguém o fará.

Após a sua morte, se você tiver algum "bem", qualquer que seja e que valha algum dinheiro, as pessoas que foram próximas a você revelarão de fato quem são, e a necessidade de adquirir tudo aquilo que era seu, acabará trazendo discórdia entre aqueles que eram tão próximos.

E pensando dessa forma, eu me pergunto, por que tanta ganância? Por que tanta necessidade de juntar coisas, posses, casas, dinheiro? Por que tanto egoísmo? Se tudo isso ficará jogado para que pessoas briguem por isso.

Não adianta passar por cima de tudo e de todos para obter o que você chama de objetivo. Um dia, você terá que prestar contas, não a mim, nem a quem você “atropelou”, mas a Deus, e eu creio que o julgamento Dele é o único que é justo.

Conheço alguém que passou a vida trabalho para ter dinheiro. Trabalhou mais de quarenta anos num certo lugar, tinha uma excelente conta bancária, e sempre desejou se aposentar para poder, então, viver. Ao se aposentar, descobriu que estava com câncer e passou os seus últimos anos de vida lutando contra ele. Grande parte do dinheiro que sempre juntou, serviu para pagar cirurgias e tratamentos.

Não espere o sol nascer, a maré baixar, os problemas acabarem e a paz chegar, para então viver. Viva cada momento, cada segundo como se realmente fosse o último. Parece clichê, não é? Mas é verdadeiro. Nunca saberemos quando a nossa passagem por esse mundo acabará, afinal, somos todos passageiros e jamais seremos eternos.

Não ache que você é melhor que alguém, lembre-se que ambos terminarão da mesma forma. Não julgue as pessoas, afinal, você nunca saberá os muitos que já o julgaram e tenho certeza que saber disso, não te agradaria em nada.

Hoje ouvi uma frase que diz que o “tempo que nos resta são apenas dias”. Não importa quantos, mas serão dias, apenas isso. Aconselho que você saiba aproveitar bem os seus dias, os seus minutos e cada momento que aparecer.

E lembre-se, não seja indiferente com as pessoas, não as ignore e nem as trate sem respeito. Não esqueça nunca, que terminaremos todos iguais e por isso, não apenas, somos todos iguais. Merecemos respeito, atenção, amor e tudo o que nos for oferecido de melhor.

Não ache que estou aqui querendo dar uma lição de vida para que você viva melhor. Não! Estou aqui, dizendo a mim mesma que aprenda a viver melhor. Tudo que estou dizendo, digo para mim, e escrevo para que entre de uma forma mais prática na minha mente.

Kari Mendonça,
ainda de Luto

8 comentários:

Priscilla Pontes disse...

bem, discordo quanto ao fato de não sermos eternos, por convicções próprias religiosas...mas realmente muitas pessoas gastam o precioso presente que nós é dado chamado "Vida" fazendo o mal, ou simplesmente não fazendo o bem com atitudes egoístas e irracionais...com isso vamos perdendo cada vez mais o respeito pelo próprio e fazendo da nossa dignidade "moeda de escambo" para obter uma "pseudo" felicidade baseada no material,quando desse material você nada leva ao fim dessa vida...


Bjos kari!

(me manda por favor uma foto da tatoo da bosboleta p eu terminar o desenho!)

Antônio disse...

Bom texto, fecha bastante com o que eu penso. Só não escrevo muito a respeito, porque não tenho medo do futuro, continuo afirmando isso.
Prefiro aproveitar o que tenho hoje e ser feliz com isso. Assim, se morrer amanhã, morro em paz.

Beijão, cuide-se!

Palavras de um mundo incerto disse...

Q beleza de texto, adorei, Kari, guria!

Isso vivo e penso a cada mnomento de minha vida.

E não foi nenhuma lição, mas sim uma mensagem muito bacana para esses otários que vivem com reis e princesas num castelo que um dia ficará vazio e apenas o soprar do vento no ambiente.

Obrigado, querida, adorei!

Bjos e abraços, com carinho!

Marcos Ster

.karol holzer. disse...

.desculpe Kari, mas tenho um certo pãnico em falar sobre morte... assim que percebi que seu texto falava sobre isso, parei de ler... nem sei se o assência do text á a morte, mas, como tô passando por uma fase ótima, não quero ler.
.morro de medo de morrer, chega a me dar taquicardia falar sobre isso e imaginar minha morte... e é só! publica outro texto que eu lei.
.desculpe minha fraqueza!

Lua disse...

Oi Kari, eu sou Lua... conheci o mundo blogueiro através da Karol e estou me inserindo nesse mundo mágico. como não conheço ningu´me adicionaei os amigos delas, que aliás, já venho acompanhando os textos há tempos.

Alexandre Hallais disse...

Doce Kari,

difícil hein???
Difícil não gostar do texto. O texto é justo como uma mini-saia... e ao mesmo tempo é claro como um córrego isolado em mata virgem.
Teu texto guria é bem polêmico. Não vou alimentar labaredas mas também não vou jogar água... muito menos ficar em cima do muro...
Apenas um comentário...
A cada dia as horas contam regressivas e sinto o gélido ar moribundo, aos vermes... terás mais um vagabundo.

Sou seu fã mocinha...

Beijos do amigo,

Alexandre Hallais

Magui disse...

É isso mesmo.E, eu também fico pensando para quê esse pessoal quer um dinheiro que não lhes erve pra nada...

Daniele disse...

É, a única certeza da vida é a morte. E chega a ser irônico, pensar que no fim, seremos todos iguais. Terminaremos como pó, como vc disse.
Não adianta o que fizer em vida, se o bem ou o mal, o fato é q um dia ela chegará e nos fará todos iguais.
"O tempo que nos resta são apenas dias."
É isso aí.
Descobri seu blog hj.
Mto legal, gostei das suas reflexões. E acredite, o que aconteceu com a menina no post anterior, não é privilégio de Recife, e isso é triste, mto triste.
Que Deus nos proteja, pq acho q só ele mesmo...
Beijão!