segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Uma carta

Apenas uma carta que jamais será lida pelo destinatário....
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Hoje é teu aniversário, não é? Não pense que esqueci. Jamais esquecerei que dia é hoje e quais lembranças ele me traz. Se algum dia eu pudesse esquecer o teu aniversário, depois do que aconteceu, não esqueço mais.

Uma pequena parte de mim quer te ligar e desejar os parabéns e toda felicidade do mundo. Essa parte quer te dar um abraço e dizer que, apesar da distância e de nos vermos tão poucas vezes, és especial pra mim e não importa o que aconteça, sempre estarás nos meus pensamentos.

Mas a outra parte de mim é a que mais dói. Pois ela te culpa por tudo o que aconteceu. E por mais que eu tente me convencer que não tivesses culpa nenhuma, ainda assim eu te culpo.

Sei que não estavas em nenhuma situação favorável. Sei o quanto foi terrível o ano que passou pra ti e sei que o teu sofrimento foi enorme. Tento me lembrar sempre disso, mas sempre que lembro, percebo que depois que ficastes doente, ela ficou ainda pior. Parecia que ela já não queria mais lutar pela vida para que tu pudesses viver.

Ou melhor, não parecia, ela realmente parou de lutar. Ouvi dizer que ela fez um certo “acordo” com Deus, para que Ele a levasse se fosse pra tu ficares aqui, bem. E parece que Ele a ouviu, não é? Ela se foi e aqui estas tu, muito bem agora.

Ver-te bem o que mais me dói, quando deveria me deixar feliz. Desculpe-me se não consigo comemorar a tua vitória. Desculpe-me se é tão difícil olhar pra ti como antes. Mas acredite, não é fácil lembrar que as últimas palavras que ela disse com consciência e que lembro, foi sobre querer te ver.

Ela queria mais que tudo estar contigo. Sempre que aparecia alguém ela perguntava sobre ti. Todas as enfermeiras e médicos daquele hospital sabiam o teu nome e sabiam um pouco da tua estória. Ela estava sempre enchendo o peito para falar sobre ti.

Imagina o quanto não foi terrível perceber que ela só estava daquele jeito porque soube que estavas doente. Fico me perguntando, “e se ela nunca tivesse sabido de nada, ainda estaria aqui?” Talvez sim, talvez não. Mas eu não consigo parar de pensar no “talvez sim” e é por isso que não consigo deixar de te culpar.

Acredite, naquele momento eu fiquei muito dividida entre sofrer por ti ou por ela. Por algum tempo sofri pelos dois, mas quando comecei a vê-la morrer na minha frente, a percebê-la cada dia pior, o meu coração só conseguia sofrer por ela. E confesso que por um certo tempo, acabei esquecendo que estavas tão mal.

Eu poderia dizer que hoje faz um ano e então pareceria tão pouco tempo. Mas eu também poderia expressar dizendo que tudo aconteceu há 365 dias atrás e talvez pareça que foi há tanto tempo. E é exatamente assim que parece, que foi há muito tempo. E ao mesmo tempo em que é como se tivesse sido ontem.

Tenho todas as lembranças muito claras. Lembro de todos aqueles 32 dias com muita exatidão. Lembro do quanto foi terrível. E aí eu lembro da sua reação ao saber de tudo. Eu soube que você reagiu como se nada tivesse acontecido e isso me deixa com muita raiva, porque eu não consigo parar de pensar que fostes tu a causa de sua morte. E ainda assim vós não demonstrastes nenhuma reação?

Eu sempre pensei que jamais desejaria que alguém passasse pelo que passei. E que ninguém visse o que vi. Mas eu não posso mentir que ás vezes queria que tivesses estado lá. Que tivesses visto tudo, cada segundo e cada mudança de expressão naqueles olhos. Talvez assim tivesses reagido e tivesses sofrido um pouco do que sofri.

Parece injusto eu sei, não queria te desejar isso, pois, mais uma vez digo, que sei o quanto foi difícil viver o que estavas vivendo. Mas enfim... Não consigo não te culpar e talvez jamais consiga.
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Eu não queria, mas insistiram e não tive como não falar contigo. Ouvir a tua voz foi estranho e ao mesmo tempo tão bom. Percebi o quanto estavas feliz e confesso que a culpa que te joguei diminuiu um pouco, mas não desapareceu. A vontade de te dar um abraço e um beijo aumentaram consideravelmente. Me senti mal por pensar o que ando pensando, mas não consigo afastar esses pensamentos e sentimentos de mim.

Me desculpa.
Feliz aniversário!


Beijos,
Karina

18 comentários:

|Thamires disse...

ai q triste!!!se vc quer q passe ...reze!


ps.:sobre eu nunca ter pensado num "eu te amo" falso:ñ gaste sua saliva contando mentiras!kkk

Somente EU mesma disse...

Amiga,

Desculpe por tudo... Por principalmente estar te envolvendo nessa história!!!

As coisas ficaram piores, e já encerrei o meu orkut, e vou a delegacia prestar queixa, pois estou com medo, porque ele é possessivo...

Bjs

Janaína

Candinha disse...

=/

que triste, kari.. não entendi nada! :~

mas te amo! beijo!

Helena disse...

Fico impressionada como voce consegue pstar com tanta frequencia.
Espero que isso seja apenas uma historia... se é que me entende.
Bjos

Alexandre Hallais disse...

Doce e querida Kari,

este texto que suas mãos deram forma, remeteu-me à uma música do Oswaldo Montenegro, aliás, acho que do Chico Buarque, mas gosto mais na voz do Montenegro.

Sem pressa para comentar, hoje posso ver tuas formas e linhas, meridianos... posso sentir o gosto de suas palavras... um gosto bom e ruim. Às vezes um amargo, felicidade e lá vai Kari...

Eu sou bastante suspeito em falar de você...

Beijos e te adoro!

Vou ler o texto anterior... "A rosa"...

Beijos

Zihh disse...

ow kari, brigada pelo comentário.. ás vezes é bom saber que as pessoas lembram da gente.
queria poder dizer alguma coisa sobre o teu texto, mas infelizmente eu não consigo retirar palavras de lugar algum, mas enfim, é isso.

saudades da senhora.

=*

Uma Sobrevivente disse...

Oie amiga...

Voltei, mas agora sem qualquer referencia a pessoa, sem foto, sem nomes e sem propragandas... Estarei conservando o outro blog por em quanto até decidir o que fazer... Já coloquei o link lá...

Bjs

JR

(marta entre parênteses) disse...

que lindo...
eu tenho um problema seeerio de esquecimentos de dadas...:/

Mylene Ribeiro disse...

Ai Kari !!!

Nao sei nem o q falar, msm pq eu nao entendi... mas me tocou .

As vezes eu me sinto mal por pensar o q ando pensando sobre algumas pessoas ...

Ah sobre o meu post, tb acho q os homens nao tem q provar masculinidade nenhuma sendo serios e insensiveis muito pelo contrario AMO homens sensiveis desde q eles sejam HOMENS .

Escrevi aquilo me baseando em algumas cenas q presenciei e respeito a opiniao d todos , cada um acha o q quiser e tire suas proprias conclusoes .

Ah desculpa pela ausencia d acentuacao meu teclado estah desconfigurado...

Bjao e um bom restinho d semana pra vc .

Lilah disse...

nossa...
sua escrita comove,
talvez possa existir cartas que são feitas, mas q não precisam ser entregues.

confie em Deus e na sorte!
positividade!

Palavras de um mundo incerto disse...

Querida, Kari!

Fico tri feliz por tu estar vivendo este momento com sinceridade.

A sinceridade é o sentimento.
A sinceridade é a maturidade.
A sinceridade é a evolução.
A sinceridade é a verdade.

Viva...

Bjos e boa semana pra ti!!!


Com carinho!!!


Marcos Ster

Sinto que sei que sou: disse...

Essa carta é tao sincera
Linda

Auíri Au disse...

Sincera e careta...
rsrs
Que triste
:(

Mais a vida continua...
SORRIA

Candy disse...

Kaaaari
viajo daqui a pc!
\o/
tirar uns dias de folga! :D


Ah, depois quero saber como foi essa historia do post, viu?

beiiiijos

Sinto que sei que sou: disse...

Boa tarde moça, sumiu por hj eh?
Parece e escrve mais ...

Bjus

Sinto que sei que sou: disse...

Eh bom mesmo
ah bons estudos pra ti ai, e qdo der um tepinho escree pra aliviar...:)

benechaves disse...

Oi, querida:passado aqui pra te deixar um abraço e sem entender nadinha de nada de tal carta. Vc sumiu, hein?Estudando muito ou amando ainda mais?(rs).
Uma ótima semana!

Beijos de saudade...

ALF disse...

Kari, minhq querida, que profunda mescla de revoltas e tristezas. Um desabafo que atribula toda uma vida que se passou. De experiências tristes não assimiladas. Tão passional...

Adorei o texto.

:)

Beijos