quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Final de ano

Nunca gostei de final de ano. É uma época melancólica demais, e eu acho que, de melancolia já basta o dia a dia. Também não acredito em superstições. Nunca achei que esconder um santo de cabeça para baixo me traria um namorado ou que virar o ano de calçinha rosa me enviaria um amor.

Certa vez ouvi que o que você estivesse fazendo na virada do ano, seria o que faria pelo ano inteiro. Assim, imaginei como seria o ano de quem tivesse uma dor de barriga “daquelas” perto da meia noite... Talvez por isso eu prefira não acreditar nessas coisas. Mas, confesso que já virei o ano com uma calçinha rosa e não lembro de nada especial ter acontecido.

O fato é que, a meia noite já está quase chegando. Sim! Diferente de muitos, estou em casa, em frente ao computador e escrevendo. Mas estou bem e muito, muito feliz por ter alguém tão especial esperando eu acabar de escrever, deitado no sofá e ouvindo música bem aqui ao meu lado.


Lembro que, no último ano, quando, para ele já era meia noite, mas não ainda para mim, não agüentei e peguei o telefone. Virei o ano ouvindo aquela voz tão doce que, mesmo longe enxugava minhas lágrimas. Bom, tenho que confessar que isso se repetiu bastante durante o ano, mas isso não vem ao caso...

E é tão bom estar em casa, com ele ao meu lado e sabendo que o ano que está quase acabando foi, apesar de todos os pesares, maravilhoso para nós dois. E sabe... Mesmo não acreditando em nada, eu pretendo daqui a pouco, levantar daqui e correr pra dar um abraço bem forte nele.

É isso que eu quero estar fazendo quando o ano acabar. Quero beijá-lo, na esperança de que o beijo se repita ainda tantas outras vezes durante esse ano que está por começar. E, para Papai do Céu, eu peço que, no novo ano, menos lágrimas caiam do meu rosto, mais sorrisos apareçam.

Que eu possa receber e dar muitos mais abraços. Que possa beijá-lo tantas vezes quando desejar. Que as pessoas ao meu redor possam sorrir mais comigo, que possamos ser mais felizes e que tudo de melhor possa acontecer na minha vida e na de todos que fazem parte dela.

E que as coisas possam ser melhores para aqueles que não fazem parte da minha vida, aqueles que sequer conheço ou ouvi falar.



Kari Mendonça

sábado, 20 de dezembro de 2008

Outro mundo


Eu queria te escrever as mais belas palavras ou o mais bonito poema. Mas quando eu penso em você eu perco a concentração. O teu sorriso me alegra o dia. Os teus beijos me adoçam a amanhã, a tarde, a noite. O teu olhar me envergonha, mas me faz sentir tão bem, tão incrivelmente querida, amada, desejada. As tuas palavras me tiram da incerteza desse mundo e deixam tudo mais bonito, mais calmo e tão mais apaixonante. O teu corpo perto me dá segurança, me faz sentir invencível e indestrutível. A tua presença me leva para outro mundo, um mundo só de nós dois. Um mundo meu e seu, onde nada é só meu ou só seu. Um mundo onde nem as incertezas são tão incertas. Um mundo onde eu quero ficar e de onde eu já não quero mais sair. É o mundo que a gente criou.



Kari Mendonça
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Desculpem-me a ausência. Mas ando sem tempo para sentar e escrever. Estou tentando aproveitar todos os segundos que posso ao lado daquele que me desconcentra, que me alegra o dia e que criou esse mundo (esse outro mundo) comigo. Beijos!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Reflexão de um ano que está para acabar... (Parte II)

É fato que o ano que está para acabar me deixará ensinamentos que jamais esquecerei. Ensinamentos que vierem com dor, mas que me ajudaram a crescer (vide post anterior). Mas também tive ensinamentos que vieram com sorrisos, momentos que me fizerem feliz e acontecimentos que levarei para a vida inteira como os melhores possíveis.

Foi um ano que, do início ao fim eu amei. E amei muito (e continuo amando...). E me senti amada como nunca. Um ano em que tive alguém ao meu lado, cada vez que chorei ou sorri. Que pude fazer também parte da vida de alguém especial. E por mais que pareça clichê, sim, eu tive certeza que encontrei a minha metade que andava perdida lá pelo Sul.

Foi nesse ano que me senti realizada ao conhecer Porto Alegre, a cidade dos meus sonhos (literalmente). E se eu já gostava de lá sem nem conhecer, agora eu gosto ainda mais e tenho mais certeza de que é pra lá onde quero ir. Gostei demais também de conhecer uma família maravilhosa que me recebeu muito bem e onde me senti querida. Junto com isso, fiz minha primeira viagem de avião e foi muito boa (diga-se de passagem).

Também foi um bom ano na faculdade. E, apesar de ter reprovado em duas cadeiras, ainda assim foi um ano que aprendi muito e gostei demais. Aprendi “técnicas”, formas e jeitos de levar o jornalismo. Abri meus horizontes e percebi que não preciso trabalhar em um jornal para exercer a profissão.

Na faculdade também fiz alguns bons amigos e fortaleci a amizade com quem já estudava comigo. Passei bons momentos no barzinho em frente à faculdade. Conversei muita besteira com esse povo, sorrio muito e discuti bastante na hora de fazer trabalhos. Enfim, foi legal.

Entristeço-me apenas, por não ter curtido tanto outras amizades, como as do colégio. Vimos-nos tão pouco. Cada um tinha sempre algo pra fazer, pra estudar. Os horários nunca batiam e o ano vai acabar e a gente não se encontra. Mas nem por isso deixaram de ser pessoas extremamente especiais na minha vida.

Um ano que revi a minha irmã e pudemos matar a saudade. Conversamos muito (coisas que não falamos por telefone), nos divertimos muitos. Passamos bons momentos juntas e foi bom ter, por alguns dias, alguém pra dividir o quarto. Mas, ela teve que voltar e agora estamos, novamente, cada um no seu canto.

A minha família cresceu com a chegada de Kate (minha rottweiler) e Darlanzinho (meu gatinho lindão), duas coisinhas que mudaram mesmo a vida da gente, que nos enchem de sorriso e aperreios. Meg (minha yorkshire) ainda não perdeu a virgindade, mas estamos fazendo de tudo pra que ela perca ano que vem (a coitadinha).

Foi também um ano que me senti mais próxima dos meus pais. Onde conversamos coisas que jamais imaginamos conversar. Esclarecemos toda e qualquer coisa ou mal entendido e decidimos sempre esclarecer, pois é o melhor a ser feito.

Enfim, o ano que vai acabar foi um ano bom. Como todos, teve alguns momentos ruins, umas lágrimas, porém vários momentos bons e muitos sorrisos. Vários aprendizados. Muitas coisas pra levar adiante e várias outra pra não lembrar mais. Espero que o ano que vai começar possa ser melhor ainda.



Kari Mendonça

domingo, 7 de dezembro de 2008

Reflexão de um ano que está para acabar...

Esse ano, confesso que aprendi bastante com as pessoas ao meu “redor”. Pude reafirmar e confirmar algumas certezas e perceber coisas importantes. Foi um ano que fui odiada por muitos, acusada por outros e ignorada pela maioria.

Mas, quer saber? Pouco me importa o que as pessoas pensam ou fazem a meu respeito. Eu tenho plena consciência de quem sou e do que faço e não me arrependo de nada e nem tenho motivos para pedir desculpas.

Dentre as coisas que aprendi/percebi esta o ser humano como ponto principal. Percebi que as pessoas não reagem bem ao ouvir verdades. Que elas não admitem que algo seja dito, simplesmente por se saberem daquela forma. As pessoas só querem ouvir aquilo que as agrada, e por isso, a verdade parece doer imensamente.

Reconfirmei o quanto as pessoas são egoístas e insensíveis. Que elas se acham sempre certas e fazem de tudo para saírem “bem na fita”, não importa por quem ou onde tenham que passar. Que as pessoas só pensam em si e esquecem-se de todos os que estão ao redor.

Descobri o quanto as pessoas podem ser hipócritas e o que o medo da morte pode fazer. As pessoas, quando pensam que vão morrer, querem concertar tudo, mas não concertar de fato, apenas deixar de uma forma que se sintam bem, não importando mais ninguém.

E isso as deixa ainda mais insensíveis, pois elas acham que o mundo deve girar ao seu redor, apenas porque existe a possibilidade de morrer. Mas oras, a possibilidade de morrer existe a qualquer instante e com qualquer um. Mas as pessoas são hipócritas. Opa! Acho que já falei isso.

Percebi também que, quando as pessoas não estão satisfeitas com algumas situação (causada por elas mesmo, muitas vezes), elas querem que as coisas mudem, mas não sabem pedir desculpas. Porque elas se acham muito superiores para tal “humilhação”.

Enfim, esse ano pessoas que algum dia tiveram algum valor para mim, antes de perderem o valor, me ensinaram e mostraram muitas coisas. E sabe, sou agradecida por todo e qualquer ensinamento. E me sinto mais forte para continuar meu caminho.

E, sem falar que, com o “apoio” de sua raiva, me sinto mais forte também para continuar desabafando e escrevendo aquilo que me dá vontade e me satisfaz.


Kari Mendonça

PS.: Nada relatado é ficção. Realmente aprendi tudo isso com pessoas que, um dia, fizeram parte da minha vida. O meu blog não é anônimo e apesar de “Kari” ser pseudônimo, todo mundo sabe que sou eu que escrevo(afinal, não foi lá um pseudônimo muito bom o que achei, né? hehehe), por isso, algumas coisas que escrevi já foram motivo de discórdia fora das “telinhas” do pc. Entretanto, como já disse, sei quem sou e o que sou e não importo com essas discórdias, pois elas só me mostraram o quanto hipócritas as pessoas podem ser. Era isso! Abraços.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sem mim

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Meu coração não sabe o que escrever.
As palavras parecem sempre se esconder.
E eu já quase não encontro mais meu ser.

As lágrimas que caem pela face,
A dor me aperta o peito,
A saudade me dói a alma.

É uma dúvida, que traz a dor.
É uma saudade que vem com calor.
São as lágrimas, o meu único sabor.
São dias assim...
Dias que eu não me encontro em mim.



Kari Mendonça

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Algumas vezes...

Abriu a porta. Entrou calmamente como sempre entrava. Fechou a porta e só então acendeu a luz. Espantou-se com a mesa de jantar. Estava arrumada com dois pratos, duas taças, talheres, duas velas (ainda apagadas) e algumas pétalas. Notou que o chão também estava com pétalas. Eram rosas vermelhas, as suas preferidas. Mas não ouviu nada. Estava silencioso.
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Aproveitando, entrou silenciosamente em casa. Mas, ao dar o primeiro passo, a música “Sometimes”, de Gabrielle, começou a tocar. Gostava daquela música, pois falava das dificuldades de um relacionamento. Fala que, mesmo com os dias difíceis, ainda assim vale a pena estar junto. Havia mostrado essa música para ele depois de uma briga que tiveram, mas não imaginava que ele lembrasse.
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“Sometimes I love you (Algumas vezes eu te amo)
Sometimes I don't (Algumas vezes não)
But I never ever (Mas eu nunca, nunca)
Never want to let you go (Nunca quero deixar você ir)
The road's not easy (A estrada não é fácil)
But the feeling's strong (Mas o sentimento é forte)
It's the little things that keep me holding on (São as pequenas coisas que me fazem agüentar)”
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As lágrimas começaram a cair. Lembrou da discussão que tiveram dois dias antes. O motivo havia sido algo bobo. Não lembrava ao certo, mas sabia que tudo tinha sido resolvido. Quase não consegui andar até o quarto. Sabia que, ao vê-lo choraria ainda mais. Sim! Era uma boba que chorava muito. Persistiu e continuou caminhando. Ele a estava esperando na porta. Estava bonito. “Meu Deus como ele é lindo!”.
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Antes de se mexer, ele percebeu suas lágrimas e então correu para abraçá-la. E foi um abraço forte e envolvente. Não queriam se largar. Ela então o beijou e ele limpou suas lágrimas. Ela perguntou o que estava acontecendo e ele respondeu que aquele dia era um dia especial. Num susto, tentou lembrar qual era aquela data e não lembrou de nada comemorativo.
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Perguntou-lhe então se havia esquecido a data e ele respondeu: “não esqueceu, pois não havia o que lembrar. Hoje, eu apenas acordei com uma enorme vontade de dizer o quanto te amo e não queria dormir sem demonstrar tudo o que eu sinto.” Involuntariamente as lágrimas voltaram a cair e ela o abraçou ainda mais forte. Perguntou se poderia tomar um rápido banho e se arrumar para a noite especial. Ele lhe deu cinco minutos.
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Enquanto tomava banho, ouviu ainda o final da música:
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Of all the crazy things in life there's pain (De todas as coisas loucas da vida que doem)
It's you and me (É você e eu)
We've come so far sometimes I can't believe (Nós chegamos tão longe às vezes que eu não acredito)
That I wouldn't change a thing (Que eu não mudaria nada)”
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E como nenhuma mulher consegue se arrumar nesse tempo, ela só apareceu dez minutos depois. Colocou aquele vestido vermelho que havia comprado para uma ocasião especial. Definitivamente aquela era uma ocasião especial. Foi até a sala e lá estava ele. Ajeitou a cadeira e ela sentou. O jantar ele mesmo havia preparado. Ele cozinhava, mas só quando tinha muita vontade mesmo. Mas, quando se esforçava fazia algo bom.
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Era filé ao molho madeira com arroz. Estava gostoso. Comeram silenciosamente. Olhavam-se em alguns momentos e sempre saia um sorriso tímido. Ela parou de comer e ficou encarando-o. “Te amo”, soltou. Ele sorrio e respondeu, “eu também, minha linda”. Continuaram a comer e logo acabaram. Então ele se levantou, pegou os pratos e levou para a cozinha.
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Então voltou, a pegou pela mão e disse: “está preparada? A noite está apenas começando...”, e sorriu maliciosamente. Ela respondeu. E foram para o quarto.
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Kari Mendonça
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A última semana foi muito corrida. Aí aí... Muitos trabalhos. Finalmente acabei tudo hoje. Entretanto, férias só sexta-feira. Colocarei as visitas em ordem. Estou morrendo de saudade... Beijos!

sábado, 22 de novembro de 2008

Maio/08

Acordei cedo e abri um largo sorriso. Ainda estava escuro quando levantei, mas levantei feliz. Corri para tomar banho. A roupa já estava separada. Escovei os dentes. Estava pronta quando minha mãe veio me chamar. Tomou um susto, mas sorriu também. Os apressei para sairmos logo. Não eram nem seis horas quando chegamos ao aeroporto. Estava ansiosa, mas não estava nervosa.

Despachei a mala. Foi quando tudo pareceu real. Achei que não fosse acontecer, mas eu realmente estava ali, pronta para ir vê-lo. Estava tomando café com meus pais no aeroporto, quando ouvi a chamada do vôo. “Meu Deus! Eu vou mesmo!”. Terminei de comer e me despedi. Eles sorriram. Sabiam que estava prestes a realizar um sonho e sei que ficaram felizes por mim.

Entrei na “salinha” e segui por onde deveria. Morri de vergonha ao perceber que era quase a última a entrar no avião. Mas resolvi pensar “que se danem”. Sentei na janela. Não sabia qual sensação seria aquela, mas não estava com medo e nem nervosa. Sabia que logo estaria em seus braços. Sabia que em algumas horas poderia beijá-lo. E isso me tranqüilizou.

“Meu Deus! Como é bonito aqui em cima!” Encantei-me com aquele céu tão belo. As nuvens parecem mais divertidas de perto. Queria pegá-las, mas segui sorrindo e pensando. E ouvindo música. Isabella Taviani e várias outras. Desci em São Paulo. Não havia ninguém me esperando. Fiquei perambulando pelo aeroporto. Comi um sanduíche. Esperei o tempo passar.

Despachei novamente a mala e segui viagem. Não agüentava mais de vontade de chegar. Precisava abraçá-lo. Meus lábios estavam sedentos por seus lábios. Estava ansiosa. Mas não ansiosa por não saber o que iria acontecer. Ansiosa por querer quer chegasse logo. Por querer que o avião pousasse, antes mesmo de decolar. A viagem continuou tranqüila.

Não comi nada. A expectativa da chegada não me deixou comer. Continuei ouvindo música. Mas não demorou muito e ouvi que estávamos lá. “Cheguei!”. Senti um frio na barriga. Queria correr para me encontrar com ele, mas não podia. Sai do avião. Andei por todo aquele interminável corredor. Estava no local onde fica a esteira, quando consegui avistá-lo do outro lado do vidro.

Queria gritar, correr. Abraçá-lo e beijá-lo intensamente. Mas esperei a minha mala aparecer. Peguei-a um pouco rápido e sai o mais depressa que pude. Ele me viu e sorriu. Continuei andando em sua direção, também sorrindo. Cheguei perto. Não consegui olhá-lo muito bem antes de lhe dar um beijo. Ah! Como eu estava com saudades daquele beijo.

Abraçamo-nos. O olhei de perto. Peguei sua mão e fomos embora. Queria viver aqueles cinco dias intensamente. Queria, na verdade, fazer daqueles dias, os próximos muitos dias da minha vida. O beijei muito. O abracei intensamente inúmeras vezes. Aproveitei cada segundo e fui embora.

Agora a saudade voltou a apertar. A vontade de ir ao aeroporto toma conta de mim mais uma vez. A contagem regressiva já começou. E eu já não vejo a hora de tê-lo comigo novamente.


Kari Mendonça
.Caso eu chegue a me ausentar, me desculpe. Sabe como é, últimas semanas do semestre, trabalhos inúmeros... Muita coisa pra fazer e pensar. Mas, talvez isso não atrapalhe. É só um pré-aviso, caso venha atrapalhar. Beijo!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Outra carta

(Sem intenção de ser carta, mas foi assim que acabou ficando...)
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Hoje, eu não vou te escrever mais uma carta como fiz um ano atrás. Porque hoje, eu não quero falar com você, e, diferente do ano passado, eu não vou falar com você de jeito nenhum. Sabe, eu não tenho muito a te dizer, e talvez eu nunca tenha tido. Pensando bem, acho que nunca conversamos de fato. Só coisas banais. E eu cansei de falar coisas banais.

Talvez, tudo o que eu tinha para te dizer, eu disse um ano atrás. Desabafei mesmo e agora não me resta mais nenhuma palavra. Eu não vou te desejar um feliz aniversário. Não que eu não te deseje. Desejo coisas maravilhosas pra você. Mas porque não acho que tenha necessidade de te dizer coisa alguma.

Acho que você não tem o que me falar, não é mesmo? Visto que a última vez que conversamos, você quase não falou comigo... Acho que você também não tinha o que me dizer. Olha, eu não vou ficar aqui dizendo o quanto lamento pelo que você está passando. Quer dizer, eu sinto muito, por você e apenas por você, mas acho que algumas coisas acontecem e nos fazem amadurecer.

Quem sabe você não amadurece? Quer dizer, talvez você já esteja muito mais maduro do que quando “conversamos” da última vez, ou talvez você ainda seja aquele menino bobo tentando parecer um homem. Enfim, pra quem não tinha nada para te dizer, acabei dizendo um bocado de coisas.

Mas, vou aproveitar para me despedir. Creio que jamais nos veremos novamente. E acredito que, caso nos vejamos, continuaremos sem conversa. Portanto, fique bem. Seja feliz. Viva a sua vida por aí que eu vou viver a minha por aqui. Boas férias, um feliz natal (por todos que virão) e, um feliz aniversário!

Era isso! Adeus!
Beijos,
Karina
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PS.: Sim! Um pouco confuso. Mas, de certa forma, não deixou de ser um desabafo... E, como eu já disse, desabafos são sempre confusos...

domingo, 16 de novembro de 2008

101 coisas que você não quer saber sobre mim!

Coisas que não vão mudar a sua vida, mas que, inspirada no blog da Flavinha, resolvi responder também essa listinha sobre mim. Coisas fúteis que vocês não querem saber, mas que não custa falar, como ela mesmo disse.
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1. Pra quem não sabe, meu nome é Karina. Kari é pseudônimo!
2. Nasci cheia de cabelo e parecendo uma japonesa negra (nasci preta, preta mesmo, por causa do cordão umbilical que estava enrolado no meu pescoço).
3. Aos cinco anos cai de um muro e, por pouco não quebrei o nariz.
4. Quando meu gato chegou, eu dava “mingau” numa mamadeira pra ele.
5. Eu não gosto de dormir sozinha.
6. Até os 15 anos dormia com um bichinho de pelúcia.
7. Hoje, durmo com Meg (minha yorkshire) e Darlanzinho (meu gato).
8. Sou apaixonada por fotografias.
9. Tenho duas tatuagens: uma estrela no pulso esquerdo e uma borboleta na canela direita.
10. Tenho oito furos nas orelhas (quatro em cada).
11. Uso sempre uma argola em cada furo da orelha.
12. Ah! Eu que fiz cinco desses furos, em casa!
13. Amo ler!
14. Sou fã da Marian Keyes e da Meg Cabot.
15. Aos cinco anos dei um murro no queixo do meu primo (coitado, doeu a beça).
16. Já passei madrugas lendo e adoro!
17. Não gosto mais do MSN (exceto para dar recados ou ...).
18. Odeio Orkut, conversas sobre Orkut, fotos para Orkut e qualquer coisa relacionada com Orkut.
19. Tive fotolog até levar meu blog a sério.
20. “Namorei” pela primeira vez aos dez anos.
21. Dei meu primeiro beijo aos 12 anos (sim! Os números estão corretos).
22. Anos mais tarde, beijei aquele primeiro “namorado”.
23. Quando criança não gostava de usar vestidos.
24. Não gosto de Natal e nem do “espírito natalino”.
25. Acho a virado do ano uma coisa muito triste e melancólica.
26. Já fiquei com um primo (morro e não digo qual!).
27. Choro por qualquer coisa ou por nada.
28. Só não gosto de filmes pornô, ficção científica e francês.
29. Desde os 13 anos quero ser jornalista.
30. Brinquei de boneca até os 12 anos.
31. Digo pra todo mundo que tenho 1,55m, mas só eu sei a verdade!
32. Sou louca por bichinhos de pelúcia.
33. Sou mais louca ainda por macacos de pelúcia.
34. Amo receber cartas, apesar de não receber faz tempo...
35. Lá pelos nove anos queimei o cabelo da boneca tentando fazer uma escova...
36. Eu não bebo refrigerante há um ano e meio. E não é por frescura, mas passei a achar o gosto ruim... Nem uma coca-cola super gelada me dá tesão...
37. Já quis fazer medicina (ortopedia), mas desisti quando descobri que teria que estudar mais do que o necessário.
38. Comecei a falar palavrão depois que comecei a dirigir.
39. Eu não sei mentir (e isso não é mentira).
40. Sou irônica.
41. Odeio ironias (irônico, não?).
42. Sou tímida.
43. Orgulhosa.
44. Muito chata².
45. Exigênte³.
46. Se quer me dá, me dê bem feito ou não me dê nada.
47. Acho “privacidade” algo que deveria ser mais respeitado.
48. Amo cozinhar!
49. Não gosto de arrumar a casa. Só meu quarto.
50. Deixo meu quarto super desarrumado pra fazer uma super faxina!
51. Adoro arrumação com música.
52. Odeio mudanças (de residência).
53. Mas, não vejo a hora de me mudar para um canto meu.
54. Me irrito com certa facilidade.
55. Não tenho paciência com crianças malcriadas.
56. Meu namorado me chama de “meia-paciência”.
57. Odeio falta de consideração.
58. E, por isso, tenho muita consideração com as pessoas.
59. Gosto de ser pontual e acho atraso (sem justificativa) uma falta de respeito.
60. Eu não sei nadar.
61. Eu me afasto de quem não me faz bem.
62. Não sei passar horas no telefone.
63. Odeie quando minha prima nasceu no dia do meu aniversário (oras! Teve o ano inteiro pra nascer... aff).
64. Nunca quis casar de vestido branco.
65. Aos 15 anos cumpri minha promessa de comprar, com meu primeiro salário, um pingente de ouro branco para minha mãe.
66. Sempre que passo numa joalharia paro para olhar alianças. Já virou até um hobby.
67. Sempre que observo alguém, olho primeiro para as mãos (e a esquerda primeiro).
68. Eu nem quero uma festa de casamento.
69. Afinal, eu não gosto de festas de casamento. Acho tãooo chato!
70. Adoro aniversário infantil.
71. Sempre achei que nasci tarde. Estou sempre querendo coisas que só posso “mais tarde”... Aff
72. Lá pelos 12 anos, uma garrafa de álcool pegou fogo na minha mão (corri para o chuveiro e nada de mais aconteceu).
73. Sempre gostei de fogo e por isso, não condeno Nero, afinal, é lindo demais algo pegando fogo!
74. Não sei fingir que está tudo bem quando não está.
75. Adoro tentar concertar aparelhos eletrônicos.
76. Meus dois ex. namorados eram grandes amigos.
77. Adoro sandálias de salto alto, mas não posso usar por causa do joelho.
78. A minha boca é a parte mais bonita do meu corpo.
79. Não converso sobre religião.
80. Odeio pessoas egoístas.
81. Odeio mais ainda as gananciosas.
82. Aos 14 anos coloquei um piercing na sobrancelha esquerda (ele foi expulso) e, aos 15 anos, coloquei na sobrancelha direita (mas também expulsou...). Por isso fiz uma tatuagem...
83. Não gosto de aniversários (os meus). Acho tão triste, não sei porquê.
84. Já deixei o dia do meu aniversário passar completamente em branco.
85. Só consigo dormir depois de tomar banho.
86. Me identifico com o filme “A casa do lago”.
87. Odeio e não assisto a Rede Globo.
88. Aos seis anos ganhei um relógio e só o tirei do pulso aos nove, quando ele quebrou.
89. Aos dez anos ganhei um relógio igual ao dos seis e só o tirei do pulso no início desse ano, quando decidi não viver mais a vida cronometrada.
90. Gosto da solidão, ás vezes.
91. Levo trufas pra vender na faculdade, mas não tenho jeito para vendas...
92. Não consigo ficar horas estudando.
93. E acho ir pra aula suficiente para saber o assunto.
94. Muitas vezes vou dormir prometendo não comer mais doces.
95. Me arrependo sempre que como um doce e depois lembro da promessa.
96. Acho chocolate uma das melhores coisas do mundo.
97. Eu tenho TPM (e odeio quem diz que ela não existe).
98. Odeio ser mulher quando preciso usar um banheiro público.
99. Sou uma pernambucana que nasceu com o coração lá no Sul... Finalmente me achei pelas bandas de Porto Alegre!
100. Sempre gostei do número três. Fui fã (mas fã mesmo, de juntar pastas e ir no show) do KLB, Hanson e, por acaso, minha sogra tem três filhos... (heheheh)
101. Eu sempre acho que não deveria ter falado quando acabo de falar.
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Era isso!
Se leu até o fim, parabéns!
Kari Mendonça

sábado, 15 de novembro de 2008

Pensamentos de uma insônia...

Mariana estava em casa. Não conseguia estudar, pois a cabeça não parava para se concentrar. Não conseguia ouvir música, pois o volume a incomodava os pensamentos. Sequer conseguia dormir. Os pensamentos não a deixam em paz. Decidiu sentar na cama. Pegou um papel, uma caneta e começou a escrever. Não sabia o que era, nem para quem poderia ser, mas escreveu.

"Eu não te conheço há muito tempo. Mas você vive me dizendo que não é mais como foi um dia. Que seus pensamentos, suas atitudes e até a sua forma de ver a vida mudaram bastante de lá pra cá. E eu amo você. Muito. Amo o seu jeito de ser, a sua forma de ver a vida e os pensamentos que você tem, mas ás vezes, não consigo não me questionar sobre quem você deixou para trás.

Ás vezes penso que, talvez, tenha sido uma parte muito boa de você, a parte que ficou. Parte essa que me pergunto se, algum dia, chegarei a conhecer. São pequenas coisas que você me diz que me deixam a pensar. Algumas afirmações e indagações. Me pego pensando coisas que não deveria. Que não me fazem bem. Mas que são inevitáveis. E não me venha dizer que esses pensamentos poderiam ser evitados, porque eu não consigo evitá-los. É mais forte que eu.

Se você soubesse a curiosidade que tenho em saber quem é ela. Ela, que teve tanto poder de te mudar assim tão completamente. Que te fez sofrer tanto, a ponto de duvidares do amor e de temeres o futuro. Quem é ela que ainda te invade os pensamentos, que ainda te magoa, de alguma forma?

Não! Eu não duvido dos seus sentimentos por mim, em nenhum segundo. Mas percebo que, de alguma forma, ela ainda se faz presente nos seus pensamentos. Mas eu fico me perguntando quantas vezes você já disse que a amava? Sim! Pois apesar do que você diz, foi amor, ou não teria te feito sofrer tanto. E, quantos pensamentos sobre o futuro vocês tiveram juntos? Quantos planos? Imagino que tantos..."

Ao terminar, dobrou o papel com cuidado. Sabia para quem deveria enviar. Abriu a gaveta, procurou um envelope e escreveu: "ao meu presente mais belo, com toda a intenção de um futuro ainda mais brilhante". Beijou o envelope. Colocou-o em baixo ao travesseiro e, finalmente, adormeceu. Eram pensamentos. Pensamentos que não deveriam ficar para si, por isso os escreveu...



Kari Mendonça

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quatro, três, dois, um!

Quatro braços, que
juntos, formam três.

Quatro olhos, que
tentam, ser apenas dois.

Duas bocas, que,
a todo momento, ficam uma.

Vários pensamentos.
Duas opiniões.

Várias contradições,
duas conclusões.

Dois seres.
Dois corpos.

Um só sentimento!

E um só ato.
O ato de amar.



Kari Mendonça

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vai!

Ela estava deitada, quando sentiu que alguém a observava. Abriu os olhos devagar e pode ver que era ele. Escondeu o rosto com as mãos e sorriu. Ele continuou sério. Levantou e foi ao banheiro. Decidiu continuar deitada até ele voltar. Ele demorou um pouco mais que o normal. Achou estranho. Assim que ele saiu, correu para o banheiro. Escovou os dentes e tomou banho.

Ao sair, ele estava sentado na cama. Cabisbaixo e pensativo. Resolveu perguntar o que estava acontecendo, afinal, tudo ontem parecia estar tão bem. "Precisamos conversar", foi a resposta que recebeu. "Não! Essa frase não!" Sabia que, fosse o que fosse, o que estava por vir naquela conversa não seria algo bom. Sentou-se ao lado dele e disse-lhe para começar a falar...

- Tainá, é que... Não ta mais dando certo, sabe? Quer dizer, a gente está tentando fingir que está tudo bem, mas, há muito tempo não está...
Enquanto ele falava, ela ficou quase em choque.

- Desculpa, mas não está tudo bem há quanto tempo? Quer dizer... Ontem você disse que me amava e agora me vem com essa história? Não! Definitivamente eu não quero ouvir.
- Mas eu te amo, menina, é só que, o nosso relacionamento é que não está dando certo. Há dias que estou tentando conversar contigo. Sei lá... Preciso de outro lance, sabe? De uma mudança na vida, de...




- Estou sim Tái! Respondeu com a cabeça baixa. Mas eu não queria que tudo acabasse com mágoas, sabe? Quer dizer... Tudo o que a gente viveu até agora foi tão lindo e eu queria que acabasse da mesma forma.

Nesse momento ela se descontrolou.

- Como assim? Se, como você diz, tudo não está bem há tanto tempo, por que você nunca falou nada? Por que continuou me tratando como sempre? E porque diabos continuou dizendo que me amava? Tem noção que há tempos eu vivo pra você? Tudo que eu faço é pra você ou com você, e você não teve nem a consideração de me dizer que não estava se sentindo bem com a relação? Porque você sabe que não tinha nada errado. O único com alguma coisa aqui é você. Que porra de sentimento é esse que você diz sentir?
- Mas...




- Tái, vamos conversar. Não grita vai!
As lágrimas não paravam de cair. Ele levantou seu rosto ela pôde perceber que ele também estava chorando.

- Então tá! Me conta tudo! Não mente pra mim não... Você ta com alguém, é isso?
- Não Tái! Eu jamais faria isso contigo. É só que andei pensando e não sei se estou preparado pra algo mais sério. Quer dizer, a gente ta juntos há três anos, eu quase que vivo aqui, mas eu quero um pouco de tempo pra mim, sabe? Não tem ninguém e eu não quero ninguém...



- Gui, você sabe que eu não vou ficar te esperando, né? Eu to sofrendo muito em ouvir tudo isso. Mas tá certo! Pode ir viver a sua vida que eu vou me recompondo aqui. Mas depois, não me volta dizendo que já está bem e pode ficar comigo, viu? Vai! E eu fico aqui pensando no que fazer com a nossa "vida genial".


- Tái! Agora era ele quem chorava mais intensamente.

- Vai Gui! Vai viver a tua vida, que eu fico aqui com a minha. Tão perto e tão longe de mim... Vai! Não piora as coisas Guilherme. Aproveita que a porta está aberta. Quer dizer... A porta esteve aberta o tempo inteiro, por que diabos você continuou desse jeito?
Ele levantou o rosto e, antes que pudesse dizer alguma coisa, ela falou:

- Eu não sei o que está te segurando. VAI! Pensa que a porta nem existe e vai. Vai logo, não me deixa mais tempo te olhando aqui e me perguntando o que eu fiz de errado.
- Não fez nada...



- Vai Guilherme. Tá esperando o quê? Você sabe voar não sabe? E, afinal, você sempre sabe voar de volta... Pra mim!

Ele levantou. Ela continuou com a cabeça baixa, quase sufocada com o próprio choro. Ele a beijou a testa. Saiu pela porta. Não era a primeira vez que dizia precisar de um tempo para si, mas, dessa vez, ela não sabia se estava disposta a recebê-lo de volta... Se voltasse... Afinal, num voou, ás vezes podemos nos perder nas nuvens... E ela sabia disso. Talvez fosse esse seu maior medo.


Kari Mendonça
*Inspirado na música "Vai", Ana Carolina.
- Mas nada! Sai daqui Guilherme. SAI por aquela porta E NÃO VOLTA MAIS! VAI EMBORA! Enquanto falava, as lágrimas lhe escorriam o rosto. Sentou na cama como se tivesse caído, sem forças.
- Calma aí! Que onda é essa de outro lance pra viver? Você não pode ta falando sério, né? Falou fitando-lhe os olhos.

sábado, 8 de novembro de 2008

Se eu morresse amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudade morreria
...Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de povir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
...Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n´alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
...Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
...Se eu morresse amanhã!


Álvares de Azevedo
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Manuel Antônio Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos.
Escreveu esse poema dias antes de sua morte.
O poema foi lido no velório por Joaquim Manuel de Macedo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aninha e o sorriso da lua

Aninha se achava a pior pessoa do mundo. Ás vezes ela, simplesmente, cansava das pessoas. Não queria mais papo e se afastava. Algumas vezes era passageiro, outras ia até conseguir a distância completa Ela sabia que isso não era bom, mas não conseguia ser diferente. E, por mais que tudo estivesse bem, como sua própria mãe disse uma vez, ela andava sempre com uma tristeza profundo a sua volta.

Aninha queria deixar a tristeza, mas ela é que não a deixava. Ás vezes tudo parecia ter se acertado e a tristeza sumia por uns dias, mas logo estava de volta. Até que desapareceu por um tempo maior. Entretanto, apesar da distância, a tristeza sempre aparecia para uma visita. Não era bem vinda, mas Aninha nunca sabia mandá-la embora, mas também não a deixava ficar por muito tempo.

Acontece que as pessoas começaram a se acostumar com Aninha sem a tristeza e, quando ela estava por perto ninguém parecia entender. Com tudo isso, Aninha aprendeu a esconder a tristeza ao máximo. Chorava sozinha, mas fingia que estava tudo bem. Mas havia aqueles dias em que, fingir era impossível, e Aninha acabava ouvindo sempre comentários críticos sobre seu comportamento.

Na noite anterior ela havia chorado. Chorou por vários motivos, mas fingiu que era por apenas um. Acordou bem, mas, ao longo do dia, as coisas foram ficando difíceis. Parecia que tudo iria acontecer naquele dia. Queria que ele acabasse o mais rápido possível. Terminou que ela falou o que não devia. Como sempre. Aninha achava que sempre falava o que não devia, quando não devia. Achava também que falava demais.

“Preciso me controlar”, pensava toda vez que acabava de falar. Era impossível segurar suas opiniões para si. Quando acabava de falar, percebia sempre que havia magoado quem não podia. Era também por isso que se achava a pior pessoa do mundo. As coisas pareciam sempre tão complicadas. Mas ela nunca sabia se eram, de fato, ou se ela que complicava demais. Ficava sempre na dúvida.

Naquele dia, quis passar o tempo inteiro deitada, com os olhos fechados e ouvindo alguma música. Qualquer música que fosse. Talvez alguma que lembrasse bons momentos. É! Era dos bons momentos que Aninha tinha saudade. Mas, apesar da saudade, achava que não conseguiria viver com aqueles momentos hoje em dia. Era uma menina confusa. Cada vez que olhava no espelho achava-se mais confusa.

E, quando aquele dia estava quase acabando, Aninha ainda queria sentar e apenas chorar. Chorar mais ainda. Chorar por todos os motivos e por motivo nenhum. Chorar de saudade, de mágoa, de tristeza, de raiva. Chorar pelas pessoas que gostava e pelas que já não gostava mais. Chorar para se sentir melhor e poder acordar com outros sentimentos.

E foi quando, no caminho para casa, ela olhou para o céu. Ficou confusa. Então percebeu a lua escondida em meio às nuvens. Forçou a vista e então reparou. A lua estava sorrindo para ela. Ficou alguns minutos fissurada naquele sorriso. O sinal abriu, precisava atravessar. Aninha sorriu de volta e seguiu seu caminho. Não precisava mais chorar, o sorriso da lua teve um efeito tão bom quanto o das lágrimas.



Kari Mendonça

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

50 Receitas

Há uma música do Leoni que eu gosto muito, mas há um trecho dessa música que me atrai ainda mais. A música é “50 receitas” e o trecho é aquele que diz, “mais o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar”. Há três anos descobri o cd dele. E, quando eu gosto de algo, eu escuto até cansar. E escutei bastante esse cd, até que cansei.

Hoje o escuto vez ou outra. Ainda gosto muito. Mas essa frase, esse trecho da música, não pára de martelar a minha cabeça sempre que percebo ou sinto alguma coisa, pois percebo que, pior que sentir a dor, é pensar que ela vai passar. Sim! Já escrevi um pouco sobro isso quando uma amiga acabou um relacionamento, mas agora são outras coisas que passarão.

Abrangi o sentido da frase para fora dos relacionamentos amorosos. Afinal, há tantas pessoas que precisamos (ou não) esquecer, que 50 receitas poderiam ajudar. E não precisa necessariamente ser um ex. namorado ou marido, basta ser alguém que fez parte da nossa vida. Sabe... Foi duro. A verdade me bateu no peito com muita força, mas eu percebi que tudo, digo tudo mesmo, passa.

Quando perdemos alguém que amamos, os primeiros dias são aterrorizantes, afinal, não sabemos como viveremos sem aquela pessoa ao lado, ou sem vê-la aos domingos ou na escola. Ficamos apavorados com a nova vida que vai começar. Não queremos que comece. Não queremos seguir em frente. Não sem o pai, a mão ou a avô que se foi.

Mas, em algum momento, sentimos a necessidade de sair do quarto e ir até a sala, só para conferir que ela continua vazia e não deixará de ficar assim até que você sente no sofá. Mas você não quer sentar sozinha. Falta ele. Ela. Falta algum barulho na casa. Uma voz. Um passo. E você se sente apavorado ao perceber que os dias passaram e você não tem mais aquela companhia. E nem terá.

E, é fato que a dor vai sempre existir, e a saudade também, mas em doses menores. Sentar no sofá não será tão doloroso. As lembranças não machucarão tanto, ao contrário, te farão sorrir. E mais, falar da pessoa não será como te cortar o coração, exceto, claro, em algumas ocasiões, algumas datas específicas.

Na hora da dor, tudo o que você não quer pensar é que vai passar, mas passa. Sempre passa. Pra quem sofre, essa é a pior coisa a se ouvir e talvez você me diga que eu não passei por algo extremamente terrível para dizer que tudo passa. Então eu te respondo que, ver uma pessoa que amo morrer todos os dias e agonizar até o último segundo foi terrível.

E eu achei que nunca fosse passar, mas passou. Agora eu consigo viver com isso. Olhar as fotos ainda dói, mas algumas lembranças já me fazem sorrir. Entrar na casa ainda é estranho e sentir seu cheiro ainda machuca. Mas ainda é recente. Para o tempo do coração é! Mas eu sei que vai continuar melhorando e sendo, cada vez, menos difícil.

Entretanto, nas minhas descobertas, percebi que não é apenas a dor que passa (diminuindo, e, ás vezes, sem nunca acabar), mas tudo passa. Seja uma raiva, uma mágoa... O tempo é capaz de curar. Achei, em algum momento, que jamais aceitaria “uma” tal situação, mas o tempo me mostrou que, a situação em si não tem culpa do que está em sua volta.

E é por isso que eu não tenho motivos para não gostar da “situação”. Também não tenho motivos para não aceitar que, apesar da dor, as pessoas devem seguir em frente (sim, eu preciso me explicar. É que, para mim, é meio difícil ver as pessoas seguindo em frente em algumas ocasiões, por mais que eu sempre diga que é isso que elas devem fazer.).

É difícil aceitar que algumas raivas também acabam. Não porque pediram desculpas ou porque tudo está bem, mas porque, em algum momento você percebe que não tem mais sentido sentir aquilo. Mesmo que você nunca diga, mas seus sentimentos mudam com o tempo, com a maturidade...

Enfim, “o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar”, porém, se pensarmos bem, pior seria se não cicatrizasse jamais...



Kari Mendonça

domingo, 2 de novembro de 2008

Álbum de fotografia

Acabaram-se os álbuns de fotografia. Hoje em dia, quando vejo pessoas com câmeras fotográficas (o que vejo com uma constância enorme e em qualquer lugar), escuto sempre conversas do tipo: “se junta aí pra colocar no Orkut.”. Sempre fico indignada com tudo isso. Talvez por ser, digamos, um pouco sentimental.

O fato é que eu sou do tipo que gosta de álbuns de fotografia. Numa manhã de segunda-feira, ou seja quando for, eu sento no chão do quarto e passo horas olhando fotos. Revivo cada momento ali representado. Sorrio. Choro. Sinto raiva ou saudade. É um misto de sentimentos e emoções que sinto, cada vez que revejo as fotos.

Entretanto, não troco meus momentos passando as páginas do álbum por nada no mundo. Por mais que doa perceber que algumas pessoas das fotos não estão mais aqui e que só as encontrarei ali, ainda assim não troco a saudade e nem as lágrimas. É um tempo de reflexão e me faz bem.

Alguns podem argumentar a tecnologia e dizer que as câmeras digitais fazem álbuns online ou no computador. Mas sabe, esses argumentos não me valem. Afinal, as fotos digitais podem ser reveladas. Sempre revelo as minhas. De 50 fotos que tiro, ao menos, 20 são reveladas e ficam em meu álbum.

Não apenas para mim e para os meus momentos "reflexivos", mas para o momento que desde sempre sonho. O momento de mostrar o meu álbum aos meus filhos e, quem sabe, netos. Sempre gostei de olhar fotos. Não acho nada mais fascinante que uma fotografia. Pegava, quando pequena, os álbuns da minha mãe e perguntava o momento de cada uma das fotos.

Adorava ouvir as histórias, imaginar os momentos que não vivi e admirar a fotografia. E é isso que quero fazer, mostrar meus álbuns para meus filhos, afinal, é a única lembrança minha que deixarei para eles. É a única forma que ficarei eternizada e onde poderão me encontrar todas as vezes que olharem.

Portanto, não me importa como sejam as câmeras fotográficas e nem aonde vá a tecnologia, eu ainda sou a favor das fotos reveladas, dos álbuns e dos momentos de rever as fotos. Afinal, em alguns momentos da vida, a nostalgia é fundamental...


Kari Mendonça
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PS.: O layout foi modificado pois o outro estava dando alguns erros e problemas na publicação. Espero que gostem! Beijos

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O meu Recife

Desde pequena, gosto de mexer em fotografias e em coisas antigas. Conheci as minhas quarto bisavós e duas delas moravam ao meu lado. Gostava de estar com elas, de ouvir suas histórias e seus momentos que, aos meus olhos, pareciam ter acontecido há muito tempo atrás, mas que, para elas, era como se tivessem acontecido ontem.

Com o passar dos anos, elas foram morrendo e sempre que suas coisas eram colocadas em algum canto da casa, eu corria para lá. Ficava horas, ás vezes dias viajando em lembranças que não foram minhas e tentando imaginar cada momento descrito em todas aquelas fotos.

Os meus bisavôs não conheci. Nenhum deles. Mas, um dia, descobri a carteira de sócio de um deles, era do Clube Náutico Capibaribe. Sorri sozinha imaginando como seria o clube naquela época. Esses dias, olhando novamente algumas fotos, reencontrei duas que muito me agradam.
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São as fotos do Recife, do meu Recife. Da Veneza brasileira. Do Capibaribe iluminado. Das pontes encantadoras. Do Recife que todo turista deveria conhecer. O Recife, como ele mesmo (meu bisavô) escreveu, em 1928. O Recife a luz do sol e iluminado para destacar seus encantos.
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Fiquei alguns minutos olhando as fotos. Questionei-me como seria essa cidade naquele ano. Onde ele estaria quando tirou essas fotos? O que estava pensando? O que pretendia? Para muitas das perguntas, eu jamais terei resposta, mas, uma delas, posso responder sem hesitar e, conseqüentemente, com enorme pesar.

O Recife não é o mesmo. Não apenas por alguns edifícios a mais, por algumas avenidas novas ou pontes reformadas. Mas pela violência. Acredito que em 1928, o Recife não era a capital mais violenta do país. As cidades pernambucanas não eram comparada aos países europeus, ganhando com o maior número de mortos.

Em 1928, não havia, na Rua Guilherme Pinto, um contador de homicídios. Sim! Recife, a capital com maior número de homicídios do país “ganhou”, em 30 de abril, o primeiro contador de homicídios do mundo. A intenção foi “mexer com a população” e, de certa forma, exigir alguma providência do Estado.

Acredito que, naquele ano, era agradável passear pelas belas pontes, pela avenida Boa Viagem, ou pelo centro da cidade á noite. Hoje é perigoso. Ainda saímos pelas ruas, mas há sempre aquele medo. Medo de não voltar para casa ou de voltar ferido e “sem nada”. Afinal, um assalto fere a dignidade daquele que tanto batalhou para conseguir o que, em poucos segundos, lhe foi roubado.

A violência não destruiu a beleza da Veneza, mas a modificou. O Capibaribe transborda suas lágrimas, o vazio (comparado aos anos anteriores), no Recife Antigo, entristece qualquer um. É por isso que, quem vem ao Recife, nota que apesar de tão belo, algo se esconde. Algo que, de certa forma é culpa dos recifenses, mas que, aos poucos (infelizmente ainda é aos poucos), eles estão tentando mudar.

E eu quero o Recife da foto. O Recife de 1928. O Recife sem violência. O Recife da infância do Manuel Bandeira, das palavras do João Cabral, o Recife da minha saudade...


Kari Mendonça

domingo, 26 de outubro de 2008

Ao meu bem

Aumentei a tela. Estavas lá, em tamanho quase real, a minha frente. Sem saberes, te beijei a testa, num gesto de carinho. Teu rosto parecia tão perto do meu. Teus lábios estavam tão próximos, cobertos apenas por teu braço, que apoiava a cabeça. Estavas lendo. Tão concentrado que se quer percebeu que eu te observava atentamente. De tudo o que estava vendo, a tua pulseirinha do pulso direito, era a mais próxima, a mais visível. Gosto dessa pulseira. Sei que tem um significado especial pra ti e, sempre que penso em ti, lembro dela. Não há como pensar em teus braços, sem a tua pulseira. E não há como pensar na pulseira sem te querer por perto.

E, enquanto escrevo, saio para te observar e volto. Penso em mil coisas enquanto te olho. Vez ou outra tu levantas os olhos. E, meio rápido, tu me olhas e logo voltas para teu livro. Gosto de ver concentrado, atento em algo. Sei que, quando vais fazer, seja o que for, gostas de fazer direito. E isso eu admiro bastante em ti. E por mais que pareça bonito escrever que eu passaria a vida aqui te observando, não é o que quero. Não conseguiria passar tanto tempo assim te beijando a testa sem sentires meus lábios. Ouvindo teus beijos sem sentir o calor da tua boca. Vendo teu corpo, sem poder te tocar. E sonhando contigo, sem poder realizar.

É por isso que eu conto os dias, os segundos para estar contigo. Ou melhor, contigo estou sempre, mas não vejo a hora de estar ao teu lado, sentindo teu cheio, tua pela, teu suor...


Kari Mendonça

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

As caixas

O dia hoje não foi fácil. Doeu, magoou, fez chorar, mas, finalmente consegui organizar tudo dentro de quantas caixinhas foram necessárias. O fato é que eu percebi que estava fazendo tudo errado. E tem coisa pior do que descobrir que tudo o que fazia não estava correto? Não deveria ser daquele jeito? É ruim, mas ainda bem que dá tempo de desarrumar e organizar tudo novamente.

Assim, fui atrás de caixas. Qualquer caixa, desde que não fosse transparente, e de qualquer tamanho, desde que coubesse no meu quarto. No cantinho, ali, próximo a janela. Sentei-me próximo as caixas, abri cada uma com cuidado. Fiz questão de deixá-las bem coloridas (na parte interior apenas), afinal, não permitiria que eles ficassem em um lugar qualquer.

Após colorir, deixei-as seguras, afinal, o que seria colocado nelas é de alto valor e extremamente frágil. Com tudo pronto, sentei-me em frente a elas. Decidi que era hora de organizar aquela bagunça. Por alguns minutos, fiquei apenas sentada, não estava pronta. Não sabia por onde começar. Tardou, mas, decidi que não poderia ficar parada para sempre.

E foi nesse momento que comecei a reaver, lembrar e pensar em cada um dos meus sonhos. Para cada um deles fiz uma lista com pós e contras. Quais valeriam ou não a pena lutar para realizar e quais pareciam apenas sonhos de uma menina iludida que, por mais que tentasse se enganar, sabia que jamais sairiam de seus pensamentos. Quando acabei a enorme lista, foi a hora mais difícil.

Tive que escolher quais, de fato, eu estou disposta a lutar, haja o que houver. Os outros, deixei no papel na lata de lixo lá do quarto. Já aqueles que escolhei, embrulhei cada um, cuidadosamente, e os coloquei nas caixas. Uma caixa para cada sonho. E cada caixa tinha o tamanho equivalente ao sonho.

E, antes que você resolva perguntar por que eu tive tanto trabalho apenas para organizá-los, eu explico. As caixas não foram para deixá-los em ordem. Elas servirão para escondê-los. De mim? Não! De forma alguma. Todos os dias, assim que levantar da cama, olharei para cada um deles e assim, levantarei com a garra de lutar para realizá-los e, poder, logo, tirá-los de lá.

Espero que não tenha ficado confuso. Mas é que, percebi que ficar falando o que quero e o que pretendo não me ajuda em nada, ao contrário, atrapalha. Pois, enquanto eu conto aos setes ventos os meus sonhos, ás vezes, os ventos voltam contra mim e tentam me fazer mudar de idéia ou tentam me deixa em dúvidas.

E eu não quero que meus sonhos sejam colocados em bandejas para que, quem quer que seja, resolva o que é ou não melhor para mim. E foi por isso que decidi colocá-los nas caixas. Para protegê-los, fortalecê-los e, em breve, tirá-los de lá e escrever em frente à caixa, realizado!



Kari Mendonça

E, com a decisão de “embrulhar” os sonhos, o blog acaba ficando um pouco diferente. Mas só um pouco. Ainda será (sempre) meu canto de desabafo, apenas não falarei de algumas coisas sempre tão presentes. Dessa forma, os contos invadirão e serão muito bem vindos. Será maravilhoso colocar a minha mente a prova para criar e imaginar tantas histórias para escrever.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um segundo!

Basta um segundo e tudo fica diferente. Um segundo. Apenas isso e pode ser fatal. Em um segundo o gatilho pode ser puxado, ou não. Nesse segundo, uma vida pode acabar, ou não. Afinal, por mais que não pareça, a vida é feita de segundos. Segundos que formarão minutos, mas onde cada um tem uma importância fundamental.

Porque um segundo pode ser especial. Em um segundo eles se olham nos olhos e dizem “sim!”. Nesse segundo ela reconhece que ele é o homem da sua vida, e vice versa. E por mais que tudo tenha sido pensando e decidido com antecedência, é naquele segundo onde tudo toma “forma” e se concretiza.

Mas um segundo também pode ser fatal. É o segundo do gatilho, do “não”... É o segundo de abrir a porta e o encontrar na cama com outra. O segundo em que a respiração acaba e, no segundo seguinte, é necessário fechar aqueles olhos já sem vida. E é esse segundo que vai destruir a sua vida.

Ou não! Por mais terrível e desastroso que tenham sido os segundos (ás vezes multiplicados em horas), é necessário seguir em frente. De alguma forma, com alguma força, mas é necessário não se prender aos segundos que passaram. Não revivê-los a cada instante é fundamental para continuar a caminhada.

Assim como, não se pode ser feliz apenas relembrando os bons segundos. É preciso fazer de tudo para que os segundos seguintes também sejam felizes. Afinal, um segundo de lembrança é prazeroso, mas, querendo ou não, o segundo seguinte é triste, pois bate a saudade, a vontade de voltar aquele momento e reviver tudo novamente.

Resumindo, é necessário que não se perca os poucos segundos que a vida oferece, afinal, um segundo faz toda a diferença.



Kari Mendonça

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O luar na escuridão

"Amor assim, mesmo distante é como a luz na escuridão."
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Faltou luz!
Mas não faz mal.
Todas as luzes, hoje,
poderiam ser desligadas.

Todos os faróis poderiam
não ser usados.
Todos os postes deveriam
ser economizados.

Hoje, a noite poderia
parecer uma imensa escuridão.

Mas ela está lá.

E mesmo que não haja luz para iluminar,
a lua vai sempre irradiar
um eterno brilho em teu olhar.


Kari Mendonça

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Era só um almoço... (Final)

A quem interessar, a primeira parte está logo abaixo....
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Ele abriu a porta e disse, “seja bem vinda”. Entrei e achei tudo muito bonito. Não era tão arrumado, mas desconsiderei por ser apartamento de homem, afinal, eles nunca serão como nós. Sentei no sofá e logo ele me ofereceu uma taça de vinho. Vinho branco. Será que ele sabia que eu não gostava de tinto? Que vinho maravilhoso. Não demorou muito, e ele disse que o almoço estava quase pronto. E então perguntei o que ele havia feito. E ele respondeu:

- Pra falar a verdade, eu liguei para o restaurante e, já que não pude fazer reserva, pedi para chegarem ao meio dia. Espero que não fiques chateada.- Não! Por que ficaria?- Por eu não ter feito almoço...
Sorrimos juntos. E continuamos conversando até a campainha tocar. E não é que chegaram ao meio dia? Foi aí que tive certeza que a história da reserva tinha sido conversa furada. Mas gostei. Estava confortável e muito agradável ali. Depois da segunda taça, eu já não estava tão nervosa. Senti-me bem, como não sentia há muito tempo, ainda mais, perto de um homem.

O almoço estava gostoso. Foi macarrão ao molho quatro queijos com filé ao molho madeira. O restaurante era o meu preferido e sorri ao descobrir isso. Não comi muito, estava mais nervosa do que com fome. Notei que ele também não comeu. Continuamos conversando. Ficamos algum tempo sentados á mesa, mas logo voltamos para o sofá. A conversa parecia nunca ter fim. Percebi que fiquei um pouco excitada.

Como aquele homem era charmoso e encantador! Em meio a uma taça e outra, ele me olhava diferente. Em algum momento da conversa, chegou mais perto. Com uma mão (e que mãos aquele homem tinha!!) puxou minha cintura para perto, com a outra, segurou minha nuca. Perguntou se estava tudo bem. E, antes de responder, me aproximei para beijá-lo. E o beijo foi imensamente encantador.

Minha nossa! Além de tudo ele ainda sabia beijar! Que homem era aquele na minha frente? Senti que a mão que estava na cintura começou a percorrer as minhas costas. E entre os laços, ele roçava seus dedos para tocar a minha pele. E o apartamento, tão agradável até pouco, começou a ficar quente. E que calor era aquele!? E enquanto tentava percorrer minhas costas, meu desejo foi aumentando.

Eu queria me entregar a ele, como nunca. Queria ser possuída. Apertei um pouco sua nuca, na intenção de mostrá-lo que não queria que ele saísse dali e nem parasse o que estava fazendo. Quando fiz isso, a mão começou a descer e, ao sair das minhas costas, foi para nas minhas coxas. E foi ali que soube por que havia escolhido um vestido. E enquanto ele me deixa mais excitada, mas minhas mãos resolveram também percorrer suas coxas.

Mas, antes que pudesse achar as coxas (afinal, aqueles beijos eram quase delirantes), acabei tocando em algo. É... Na verdade eu não sei bem como dizer onde toquei exatamente, apesar de você já poder imaginar. Quer dizer... Quando toquei, por um segundo quis tirar as mãos e sair dali, mas não consegui, nem as minhas mãos... Senti-me bem e extremamente excitada em saber que estava deixando-o também excitado.

Ele pareceu gostar do que as minhas mãos faziam, pois suas mãos acabaram também saindo das minhas coxas e foram parar exatamente no meio delas. E entre beijos e carícias, ele acabou se levantando. Tomei um susto. “Será que não estava gostando?” pensei. Mas ele me segurou pelas mãos e me levou até seu quarto. Um quarto tipicamente de homem, sem muitos detalhes e não tão arrumado, mas também não estava bagunçado.

Quando chegamos perto da cama, ele me puxou para perto do seu corpo e continuou a me beijar. Dessa vez não apenas na boca, mas também a minha nuca, meus ombros, e foi descendo... Queria beijar os meus peitos, mas o formato do vestido o impedia. Então, fez o que estava com vontade de fazer a muito tempo. Puxou o laço que ficava ao final das minhas costas e foi desfazendo o enlaçado, até poder puxar o vestido por cima. Levantei os braços para ajudá-lo e logo ele jogou o vestido no chão...

E enquanto beijava meu corpo, o calor que eu sentia só aumentava. O desejo e o “tesão” também. Eu queria ser possuída por aquele homem. Puxei-o até que seus olhos se encontrassem com os meus e desabotoei sua camisa com toda pressa. Quando a joguei longe, fui com as mãos para a calça e percebi que o... O.... É.... Bom, que ele estava pra lá de "excitadíssimo".

Tirei a calça e a cueca numa puxada só (com cuidado, claro!). Ele foi andando para frente e assim, me levando com seu corpo. Acabei caindo na cama, e ele veio para cima de mim. Minha nossa! O que era aquilo? A sua... Como era mesmo? Havia lido certa vez num livro, como ela chamou aquilo? Ah! A sua “Pulsante Virilidade” estava a todo vapor e ela já não estava mais nervosa. Era aquilo que queria. Queria ser devorada por aquela “Pulsante Virilidade”.

Ele estava prestes a começar quando, foi um pouco para o lado, mexeu na cabeceira da cama e pegou a camisinha. Numa rapidez nunca vista tirou-a da embalagem e a “vestiu”. Enquanto isso, eu o admirava. Aquele homem era realmente maravilhoso. E, antes de me penetrar o corpo, ele me beijou de uma forma tão carinhosa... Foi algo tão especial... E então, ele veio, com todo carinho e...

E... Bom! Desculpe se não vou contar os detalhes das minhas transas (percebeu o plural???), mas acho que isso já é um pouco particular demais. Mas, só uma coisa, o Sérgio foi ainda mais maravilhoso do que eu pude imaginar... Saí de lá apenas na manhã seguinte. E continuamos saindo. Quem sabe, não dê em algo mais.... Qualquer coisa, eu aviso, pode deixar!
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Kari Mendonça
Inspirado nos livros da Marian Keyes.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Era só um almoço...

Estava sem prática. Há meses não saia com ninguém, desde que o Beto foi embora com a Sara (que, por acaso, era minha melhor amiga. Ainda bem que foram pra bem longe). Havia conhecido o Sérgio na casa de uma amiga (apesar de não saber mais, de fato, reconhecer uma amizade). Era sábado à noite, a Paula me convidou pra um jantar e achei que seriamos só nos duas e talvez o Guto (namorado dela).

Mas não. O Sérgio estava lá e também alguns amigos dela. Alguns solteiros e outros não. Sei que foi tudo proposital, e os amigos estavam apenas para disfarçar. Mas sabe, ela acabou acertando. O Sérgio é um homem maravilhoso. Simpático, interessante, e... Sensual... Sim! Ele tinha um corpo maravilhoso, mas confesso que só percebi na segunda vez que nos encontramos, na casa do Guto.

Nas duas noites conversamos bastante. Não interagimos com mais ninguém e a conversa fluiu de uma forma mágica. Eu sabia que a Paula havia contado o que me aconteceu, afinal, o Beto não tinha sido um namorado qualquer, pois moramos juntos por três anos, depois de um ano e meio de namoro, e não foi fácil superar o fato dele ter ido embora do dia pra noite e, ainda por cima, saber que foi com a Sara. Mas, ele não tocou no assunto.

E resolvi não tocar também. Não havia esquecido completamente o Beto, mas, o tempo que conseguia não pensar nele, resolvi que seria sagrado. E, com o Sérgio, eu conseguia nem lembrar o último beijo que dei, ou da última vez que havia transado. Opa! Falei em sexo? Não era essa a intenção, afinal, eu estava apenas conhecendo o Sérgio e, ainda não tínhamos nem ficado sozinhos.

Na casa do Guto, quando vi que estava ficando tarde, resolvi ir para casa. Não queria, mas não podia sair sozinha tarde da noite. Despedi-me de todos, mas, antes de sair pela porta, entreguei ao Sérgio um guardanapo com meu telefone e a frase: “querendo conversar, pode ligar.”. Espero que ele não tenha me achado vulgar ou atirada, eu apenas gostei de sua companhia e ele parecia ter gostado da minha.

Dois dias depois ele ligou. Perguntou o que eu faria no sábado e eu disse que não tinha planos. Ele me chamou para um almoço e confesso que fiquei tranqüila. “Um almoço!” Se chamasse para um jantar, estaria pensando em sexo, mas, se era apenas um almoço, não havia porque me preocupar. Mas afinal, por que eu estava pensando em sexo novamente? Na sexta-feira à noite, ele ligou.

Perguntou se eu ficaria chateada se mudássemos um pouco os planos. Respondi que tudo dependeria do novo plano. Então ele respondeu:

- É que... O restaurante que tentei reservar estava lotado. Sabe como é, final de ano tem sempre confraternizações e é difícil fazer reserva. Então, pensei se o almoço não poderia ser aqui em casa...
Sorri ao telefone. Sabia que não era tão difícil fazer reservas, ainda mais quando final do ano não estava tão próximo assim. E, ainda por cima, ninguém resolve fazer uma reserva um dia antes, não é mesmo? Mas aceitei. Continuei me firmando no fato de ser apenas um almoço. Um almoço não seria nada de mais.

O sábado chegou. Acordei umas nove horas, ele me pegaria as onze. Tomei um banho demorado, molhei os cabelos (gostava quando eles ficavam cacheados e bonitos). A depilação estava perfeita, havia feito tudo uma semana antes. OPA! De novo isso? Mas afinal, se seria apenas almoço, por que eu estava pensando na depilação? Concentração! Eu precisava de concentração.

Abri o guarda roupas e escolhi uma calcinha pequena. Gostava de calçinhas pequenas para sair. As grandes e mais confortáveis, costumava usar em casa. Lembro que o Beto sempre gostava de me ver passeando pela casa com uma calcinha grande e uma camisa baby look. Dizia que eu ficava sexy daquele jeito. Sinto saudades dele. Não deveria. Não depois do que ele me fez, mas ainda é tão difícil...

Não! Definitivamente eu não pensaria no Alberto, nem na Sara e nem em nada do que havia me acontecido nos últimos sete meses. Eu estava, pela primeira vez me sentido bem. Peguei a calçinha pequena e fui procurar um vestido. Percebi que era bom estar saindo pela primeira vez com alguém. Alguém que não conhecia o meu guarda-roupa. Resolvi relaxar e aproveitar o momento.

Peguei um vestido de algodão. Era bonito e confortável. Na frente era estilo tomara que caia e parecia bem “comportado”, na parte de trás, no entanto, havia... Ou melhor, quase não havia pano. As costas ficavam de fora, apenas com um enlaçado do mesmo tecido. Escolhi uma sandália com um pouco de salto, mas não muito. Os cabelos deixei soltos. A maquiagem foi simples, apenas com um pouco de pó, um blush e um gloss com gosto de morango.

As dez e quarenta já estava completamente pronta. Sente-me no sofá e percebi que estava nervosa. Era a primeira vez que sairia com alguém. Não sabia como agir, mas me sentia bem quando estava com o Sérgio e resolvi me agarrar a isso. As onze em ponto, ele tocou a campainha. Abri a porta e logo ele disse: “meu Deus, como você está linda!”. Fiquei um pouco sem graça e o nervosismo aumentou.

Antes de sairmos da porta, ele me deu um beijo na bochecha. Fomos até o carro e logo ele ligou o som. Não em volume alto, apenas como “música ambiente”. A música era do OneRepublic. Gostei do que ouvi. Não era agitado e achei agradável. Fomos conversando sobre a semana. Não demorou muito e chegamos. Ele me ajudou a descer e fiquei encantada com tamanho cavalheirismo.
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Continua...
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Kari Mendonça
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Começei a escrever. Era apenas um post, mas acabou se tornando uma história um pouco grande, porém bastante interessante... Por isso, dividi em duas (grandes) partes. Caso interesse, em breve tem o final...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Medo do quê?

Uma certa Menina me fez a seguinte pergunta: “o que te faz esconder-se debaixo do edredom, suando frio, tremendo e rezando? Do que você tem medo?”

Para responder a pergunta ao pé da letra, não demorei nem um minutinho pensando. Morro de medo de tempestade. Pra mim, não existe nada pior do que ouvir, no meio da noite, aquele trovão e sentir aquele clarão entrando pela janela. Me cubro dos pés a cabeça com o lençol, fecho os olhos bem forte e fico pedindo a papai do céu que acabe logo com isso. Não sei a razão desse medo e nem sei do que exatamente tenho medo.

Mas também tenho alguns outros medos, que não há edredom ou lençol que me ajude. Já tive medo de perder amigos. Mas depois que perdi alguns, percebi que não devo ter medo, pois, os nossos momentos juntos estarão guardados pra sempre na minha memória e isso me basta.

Já tive medo que a vida levasse alguém que amo. Mas depois que ela levou algumas pessoas bem importantes, aprendi que “a saudade varia com o tamanho do amor” e, portanto, sentirei saudade sempre, e as lembranças estarão sempre como minhas sombras. E é com elas que sigo mais forte.

Hoje, tenho muitos medos ainda. Tenho medo de olhar para trás e perguntar: onde estão os meus sonhos? O que fiz com eles? Tenho medo de não ser amada por quem amo, porém, jamais tive/tenho medo de amar. Tenho medo do tempo. Percebo que ele é capaz de transformar as pessoas e tenho medo que tanta mudança acabe nos afastando pra sempre, pois, como éramos, jamais voltaremos a ser.

Tenho medo de não superar as expectativas daqueles que tanto me apóiam e acreditam em mim. Medo de decepcioná-los. Medo. Medo. Tenho muitos medos, mas tento sempre não deixar que eles me dominem.


Kari Mendonça

Publicado originalmente em 24 de setembro de 2007

domingo, 5 de outubro de 2008

"Oito sonhos que a gente tem que realizar antes de morrer"

Pra começar, eu tenho aquele sonho de ter uma família, com meus filhos e o “homem da minha vida”. Mas eu não sonho com um casamento, uma igreja e um vestido branco. Sonho com a minha casa, as minhas coisas, o meu dinheiro.

Sonho também em ser uma boa profissional da área de comunicação, do jornalismo. Bem sucedida, realizada e feliz com o que alcancei. Entretanto, jamais penso em colocar a carreira em primeiro lugar. A minha casa é sempre mais importante.

Eu sonho em comprar uma passagem só de “ida”. Em ir pra onde quero, com quem quero e como quero, e começar a minha vida do zero. Fazer novos amigos, arrumar um emprego... Começar tudo da forma que jamais pude.

Também sonho em carregar meu filho no colo. Em poder olhá-lo a primeira vez, sentir seu coração perto ao meu. Poder amamentá-lo e ensiná-lo da melhor forma. Quero poder vê-lo crescer e pronto para o mundo. Sonho com os filhos dos meus filhos, quando as minhas responsabilidades serão menores e poderei curtir ainda mais.

Tenho o sonho de escrever um livro. Um romance, como os da Marian Keyers ou Meg Cabot. Com personagens engraçadas, frustradas e que sofrem bocados até que as coisas se arrumem e que encontrem alguém especial. Um livro que, além de me deixar satisfeita, possa alegrar as férias de tantas pessoas como elas me alegram há tantos anos.

Sonho com uma tarde friorenta de sábado, duas xícaras de chocolate quente, muitos filmes e “ele” ao meu lado. Ou uma noite de quarta-feira, após um dia de trabalho, poder olhar o pai dos meus filhos brincando com eles enquanto preparo o jantar.

E, entre sonhos simples e, aparentemente nem tão impossíveis assim, onde tudo o que basta é um pouco de esforço, vontade e perseverança, eu sonho em olhar para os meus pais e dizer: “eu consegui. Finalmente sou alguém na vida e é tudo graças a vocês.”.



Kari Mendonça

Camila, sei que fui contra as regras e fiz tudo diferente, mas esse foi um jeito que arrumei para responder ao meme. Aí estão os oito sonhos que quero realizar antes de morrer. Gostei da oportunidade! Beijos

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Interpretações

É por isso que escrever é tão bom. Influenciada pelo último post, percebi o quão gratificante é escrever algo e saber que lerem e como leram. É engraçado que, ao escrever, o autor pensa em algo e, quando lêem, as pessoas, na maioria das vezes, pensam outras coisas diferentes.

Ao escrever sobre a despedida, por exemplo, pensei naquela despedida no final de um encontro, de uma noite. Quando você se despede, mas sabe que logo se falarão e se encontrarão. Não pensei em grandes e dolorosas despedidas, apesar de que, me despedir, mesmo sabendo o que for, sempre dói um pouquinho.

Não é que eu não queira despedidas, eu quero sim, todos os dias. Mas quero despedidas diferentes, em situações diferentes. Quero, por exemplo, me despedir pela manhã, sabendo que nos encontraremos a noite. Quero me despedir no final da tarde, antes de sair com as amigas, sabendo que nos encontraremos mais tarde.

E o engraçado foi perceber a quantidade de interpretações. A Cris, por exemplo, falou que gosta de despedidas, pois elas nos renovam. E eu concordo. É sempre bom se despedir de um momento que passou, levantar a cabeça e seguir em frente. Já a Késia, a Érica, a Carol, e a Alexandra falaram das despedidas intensas. Daquelas que doem infinitamente e que nos deixa dias e dias esperando a volta, sabendo que ela não vai existir.

A Amália interpretou também a despedida definitiva. Disse que, “se o fim é certo, quando antes melhor”. Mas penso que, todo encontro tem um final, mas é sempre bom que eles aconteçam para nos ensinarem e que acabem para que desejemos um reencontro.

Mas afinal, eu não quero falar das despedidas e sim das interpretações. É tão bom quando alguém comenta algo que você escreveu e mostra uma visão diferente, um outro ponto que, até então, você não havia percebido. O seu texto acaba ganhando um novo significado até para você. Mas isso só acontece por causa dos outros.

E é por isso que eu não consigo entender como algumas pessoas são tão egoístas e gostam de viver sozinhas. Quer dizer... Eu não sou das pessoas mais sociais possíveis, mas eu tenho amigos e algumas pessoas que me rodeiam são de extrema importância pra minha formação a cada dia. Se não fossem elas, talvez eu não fosse como sou hoje. Assim como o que escrevo, se não fossem as pessoas, eu só teria uma interpretação de mim mesma.
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Kari Mendonça

domingo, 28 de setembro de 2008

Despedida

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É cada vez mais difícil me despedir de você.
Eu não quero que você vá.
E eu nunca quero ir.
Quem inventou a despedida?
Faz diferença saber?
Não faz.
Assim como não faz, se eu te pedir pra ficar.
Fica comigo!
Não vai embora, por favor!
Me abraça.
Diz que não precisaremos nos despedir, não hoje.
Sem beijos longos e tristes,
sem lágrimas nos olhos,
sem "até logo"...
Só hoje.
É tudo que eu peço.
Um abraço forte,
um beijo rápido, como de rotina,
como se fossemos fazer isso para sempre.
Segura a minha mão.
Não solta.
Me dá, no máximo, um beijo de "boa noite".
Mas se deita ao meu lado.
Fica por perto.
Me faz te sentir perto.
Mais perto.
Assim.
(...)
Em teus braços é que me sinto bem.
Não me solta.
E não me deixa sair daqui.
Sem despedidas.
Sem qualquer despedida,
e ao teu lado.
É assim que quero ficar.
É daqui, dos teus braços,
que jamais quero sair.
Não se despede, por favor.
Fica comigo.
Ao menos essa noite,
não me deixa.
Fica, segura minha mão.
Seja meu porto seguro.
Seja MEU.
E não vá, ao menos essa noite.
Essa noite e pra que não precisemos
nos despedir novamente.
Pois, é cada vez mais difícil me despedir de você.


Kari Mendonça

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Amor de mãe

Há quem ache tudo uma tremenda besteira, mas eu sempre levei a sério. A minha vida sempre foi rodeada de animais. Já tive hamster, coelhos, pintinhos, cachorros e gatos. Na maior parte da vida morei em casas, até que, em 2003 mudei-me para um apartamento onde mal cabia eu, meus pais e minha irmã.

Assim, nossas cadelas (Thalía e Kelly) foram dadas a um conhecido, exceto Lili que já tinha 12 anos e era parte da família, que ficou com meus avôs. Em 2004, por motivos nunca revelados a mim e a minha família, soubemos do falecimento de Lili e foi uma tristeza enorme. Ela era realmente um membro da família e fez (faz até hoje) uma falta sem tamanho.

Ainda em 2004, me sentindo muito só, pedi a minha mãe um hamster, seu nome era, em homenagem a mulher de Che, Hilda Beatriz Gadea Chevara de Mendonça. Era pequenininha com um nome enorme, mas me fazia, de certa forma, companhia. Mas Hildinha morreu antes do final de 2005 e também fiquei muito triste.

Em dezembro, também de 2005, com a vontade de nos levar embora de Recife, meu pai trouxe Meg as nossas vidas. Meg é uma yorkshire muito linda. É o xodó da casa. Anda atrás da minha mãe o tempo inteiro e dorme todas as noites, comigo. Digo que é minha companheira de quarto, mas ocupa mais a cama do que eu.

Esse ano, como voltamos para a casa (aquela que saímos quando demos as cadelas), achamos que precisávamos de mais “gente” em casa e acabamos ganhando Kate, uma rottweiler. Ela chegou bem pequenininha e também dormia comigo, mas agora já está grandinha e dorme lá fora. É grande, mas ainda é tão boba.... Tão linda!!!!

O caso é que, mesmo com a casa cheia, sabe quando você acha que falta “mais alguém”? Eu achei. E também estava me sentindo só, abandonada... Com aquela sensação de “ninguém me ama, ninguém me quer”. E foi por isso que resolvi adotar “Darlanzinho”. Era um gatinho que, por várias vezes, quando levei Meg pra tomar banho, encontrei.

Foi encontrado muito novinho na rua e, Darlan (um amigo meu, que trabalha no pet shop) pegou para cuidar. Foi amor a primeira vista. Falei com minha mãe, mas ela sempre dizia que ele era muito pequeno e daria um trabalho sem tamanho. Mas, tanto fiz que acabei trazendo-o para casa. Seu nome é em homenagem ao seu “salvador”.
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Darlanzinho cabe na palma da minha mão. Comecei a dar comida numa seringa, mas vi que ele tentava sempre chupar e resolvi facilitar as coisas, comprei uma mamadeira. Sim, uma mamadeira! E com bico de silicone. E não é que ele adorou? Quando pego a mamadeira ele vem de longe correndo e é a coisa mais linda quando está mamando.

E, como disse no início, sei que muitos acham uma temenda besteira, mas eu levo a sério. Darlanzinho só está comigo há duas semanas, mas eu não saberia viver sem ele que, por acaso, também dorme comigo. Acorda-me no meio da madrugada para comer e eu, sequer reclamo.

Nesse exato momento ele está olhando pra mim, com uma carinha de “pidão” e está miando muito... Eu me apaguei completamente a esse bichinho tão pequeno. E eu, como já disse, não saberia mais viver sem ele. Sem aqueles lindos olhos azuis me olhando pela manhã. Sem um “mial” de bom dia logo cedo.

Ele precisa de mim e talvez por isso eu me sinta tão importante perto dele. Sinto-me bem. E, por mais idiota que possa parecer para alguns, eu amo tanto ele... Amo e cuido com todo carinho. É como um filho, sabe? Até atenção ele me pede... E, se falei tantas coisas, foi apenas para dizer que, de todos, nunca havia me apegado tanto a um bichinho como me apeguei a ele.


Kari Mendonça

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PS.: Aproveitando, quero fazer uma homenagem a todos os meus bichinhos (exceto os que não lembro, pois era pequena e, só sei que existiram pela minha mãe). Saudades eternas de: Lili, Darla, Thalía, Kelly, Buiuda, Stanley, Tarzan, Claudinei, Rambo e a todos que fizeram parte da minha vida!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"Lembrar sem mágoas"

Desde pequena aprendi que “perdoar é lembrar sem mágoas”. Até então, me diziam que perdoar era esquecer e, por isso, fiquei feliz em saber que não era preciso esquecer completamente, apenas, lembrar sem a mágoa. Sim, fiquei feliz, pois esquecer é algo que acho difícil, muito difícil mesmo.

Mas, com o tempo, acabei percebendo que “lembrar sem mágoas” também é difícil pra caramba. É tão mais fácil perdoar alguém e manter-se bem distante, como se nada tivesse acontecido, mas também, sem contato algum. Eu sou covarde. Sim, eu sou!

Todas as vezes que me magoaram, eu fui embora. Algumas vezes tentei voltar, mas sempre ia embora novamente, até que um dia, fui embora e não voltei mais. E estou muito bem, obrigada. Segui meu caminho como se nada nunca tivesse acontecido, mas, continuo distante de tudo e de todos.

E agora, de repente, me pedem para perdoar e esquecer. Pedem-me também para “passar uma borracha”, fingir que nada aconteceu e seguir com a convivência da forma mais natural possível. Ainda estou pensando sobre o assunto...

Confesso que não tenho mágoas. Ou talvez eu tenha um monte, mas apenas não gosto de admitir. Enfim, com ou sem magoas, eu ainda tenho as lembranças. Lembrança de um grito ao telefone, de um olhar com o maior desprezo, de telefonemas que não recebi e de atitudes que me tiraram, por várias noites, o sono.

Sei que algumas coisas devem ser esquecidas. Sei também que se lembrar do que magoa faz muito mal a alma e também a saúde. Sei que a minha atitude não é a melhor e nem a mais correta do mundo. Mas dói e é por essa dor que eu não consigo fazer diferente.

Portanto, andei pensando e pensando, e ainda não conclui coisa alguma, apenas percebi que não consigo simplesmente fingir que tudo foi um pesadelo, pois não foi e eu estava muito bem acordada. Peço apenas que não me cobrem nada, não me peçam nada.

Que me deixem levar a situação no meu tempo, por mais longo que ele seja. E, que fique claro que, esquecer, eu realmente não consigo.



Kari Mendonça

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Silêncio [II]

E aqui estou eu, mais uma vez questionando sobre o silêncio. É que eu não canso de me perguntar, porque, afinal, o silêncio incomoda tanto. O ser humano é realmente complicado. Reclamam se alguém fala demais, no entanto, reclamando quando outro alguém não fala.

Há algumas semanas, se não meses, uma amiga faz questionamentos sobre o meu silêncio. Quando não fala diretamente, ela solta alguma graçinha do tipo: “Kari, pára de falar poxa.” (sim amore, é você mesmo, viu?). E eu sempre acabo sorrindo meio sem graça.

Não! Não fico chateada com as brincadeiras, mas é que, realmente há momentos em que eu não gosto de falar. Em outros eu não sei o que falar e, na maioria das vezes, eu escolho não falar. Sabe como é, se falar, vou acabar falando umas verdades e, quem sabe, vou acabar magoando alguém.

E eu não quero continuar magoando as pessoas como eu sempre faço, cada vez que, por algum motivo, resolvo abrir a boca. É melhor ficar na minha. Não falar nada. Não pensar a respeito. Simplesmente, o silêncio me agrada, o meu, pelo menos.

Sempre fui adepta a essa prática. Ou melhor, nem sempre “sempre”, mas, há algum tempo, percebi que ficar em silêncio faz bem. Ajuda nas situações, pois, você acaba se concentrando mais no que as pessoas falam quando não precisa pensar no que vai falar.

E, você acaba observando melhor a situação. Assim, fica bem mais fácil opinar ou questionar depois. Mas, na verdade, não é apenas por isso que eu fico tanto tempo em silêncio, mas é que, enquanto silencio, eu penso. E eu penso coisas demais. Tantas coisas que ás vezes cansa pensar tanto.

São tantas idéias, tantos desejos, vontades, sonhos... E, enquanto penso, na maioria das vezes acabo entristecendo e, também por isso, fico em silêncio. Ali, eu e meus pensamentos. Enfim, eu gosto de ficar em silêncio, de me afogar nos meus pensamentos, de me esconder do mundo, de....

Confuso, né? Imagina então como não está a minha cabeça, minhas idéias? A minha voz, pelo menos, essa você sabe....


Kari Mendonça
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A quem interessar - Silêncio
Resumo da foto: "Um momento de silêncio.
Não quero ouvir nada. Não quero sentir nada. Não quero ser nada neste lugar.
Deixa-me ficar invisivel nos meus pensamentos."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

De todo coração

Vó, essa é a primeira vez que te escrevo algo. Sei que a senhora nunca vai ler, mas gosto de pensar que, enquanto escrevo, a senhora me escuta. São tantas coisas pra falar, mas eu realmente não sei por onde começar. Sabe que, eu fico tão triste quando penso na senhora...
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A tristeza vem por um único motivo, a falta das lembranças. Poxa! Tivemos tão pouco tempo juntas, e eu tenho tanta inveja de Samuel, por exemplo, que passou seis anos a mais ao seu lado e eu tenho certeza que ele tem muito mais lembranças do que eu. Isso é tão injusto, Vó.
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Hoje em dia, quando penso na senhora, não sei se é, de fato, uma lembrança ou foi algo que criei. É que foram tão poucos momentos que me lembro, que acabo misturando com momentos que vi no vídeo ou que me contaram. Ah sim! Sempre que falam da senhora eu te imagino exatamente como eu lembro.
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Sabe que, eu me arrependo tanto de não ter te dado aquele último beijo. Aquele beijo gelado. Mas, me conforta o coração saber que a senhora segurou a rosa que te coloquei nas mãos, aquela vermelha. Lembro tão bem daquele dia. E parece que, quando começa setembro, ele vai sendo revivido, todos os anos.
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E já se passaram treze anos Vó. É tanto tempo sem a senhora por perto, sem o teu colo. Acho que se a senhora me encontrasse hoje não me reconheceria, eu cresci, sabe? Já tirei a carteira de motorista e estou até fazendo faculdade. Mainha diz que estou dirigindo bem e Tia “Caloide” sempre me deu o maior apoio com o curso.
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É Vó, eu vou ser jornalista que nem ela. Mas não quero aparecer em televisão não, sabe? Eu não gosto muito. Na verdade, eu morro de vergonha. Oras, eu também não sou tão bonita como ela. Quer dizer... E por falar nisso, a senhora não imagina o quanto as suas irmãs estão mais parecidas...
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Vó, das poucas lembranças que eu tenho, uma delas é quando a senhora me segurava e eu esperneava pra ir para a aula com mainha. Me desculpa por aquele dia, eu não sabia que teríamos tão pouco tempo. Estive pensando e percebi que só passamos juntas, de verdade, dois anos, pois os outros quarto eu morava fora.
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Outra lembrança é a do leite moça com Nescau que a senhora preparava no domingo. Ou do pão com queijo “de copo”. Ou, a melhor de todas, o bolinho de fubá... Ah Vó!!! A senhora acredita que, até hoje ninguém nunca fez um bolinho como o que a senhora fazia? Até tentaram, mas nunca ficou igual.
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E por falar no bolinho, até hoje eu culpo mainha de ter entregue os últimos bolinhos que a senhora me fez, pra o menino da rua. Ela sempre diz que não sabia que seriam os últimos, mas eu sempre reclamo. Ai que saudade daquele bolinho...
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Outra lembrança que tenho é da senhora na rede amarela com eu e Natália, enquanto a senhora cantava “ô lua branca de fulgores...”. Sabe Vó, eu estive lendo a letra dessa música e achei tão triste. Por que a senhora sempre cantava ela? Todas as pessoas que falo, lembram da senhora cantando essa música.
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Outra música que bem lembro é aquela da fita azul, que dizia “ponha um grande sorriso no seu rosto...”. Mainha sempre cantava pra gente quando estávamos tristes, quer dizer, ela canta até hoje... E eu sempre me lembro de quando a senhora ligava o filme da música. Eu não lembro bem o filme, e só desse pedaço da música.
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Ô Vó... As coisas mudaram tanto desde que a senhora se foi.... Mudaram não apenas por termos crescido e amadurecido, mas sei lá... Eu penso que, talvez, se a senhora estivesse por aqui, tanta coisa não teria acontecido. Tantos desentendimentos, discórdias... Tanta bagunça e distância.
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Vó! Queria tanto poder te dar um abraço agora... Tenho tanta saudade da senhora. Saudade de momentos que nunca vivi, de abraços que nunca dei... De momentos que passei e sempre achei que faltava a senhora lá pra completar a festa.
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Agora eu vou indo dormir. Estou um pouco cansada, sabe? Mas Vó, eu quero que a senhora saiba que eu amo muito a senhora, mesmo nunca tendo podido te dizer isso. E, outra coisa que me conforta o coração é que, para a senhora, eu vou ser sempre a caçula.
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Um beijão,
Da neta mais nova,
Karina