quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O dia da saudade

Sabia que é hoje
O dia da saudade?

É dia de querer perto
Quem há muito não se vê.
É dia de lembrar o que
Por algum motivo se quis...

É hoje! Hoje é
O dia da saudade!

É dia de pensar
Naquilo que já passou.
Mas também é dia de
Sonhar com o que
Ainda não chegou.

Hoje é o dia da saudade,
Mas pra saudade ninguém contou.
E é por isso que eu a sinto,
A cada dia, pra onde vou.


Kari Mendonça
... .
..
"Saudade

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.
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Que saudade...

Mário Quintana"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A caixinha amarela

Acordei cedo. Sabia que a caixinha poderia chegar a qualquer momento e não queria perder nenhum segundo quando ela chegasse. Não fazia idéia do que estaria ali dentro, mas sabia que, fosse o que fosse, seria sempre especial pra mim. Afinal, o que torna um presente especial não é tanto o presente em si, mas quem o enviou.

Naquela manhã eu não estava me sentindo bem. Estava, digamos assim, com ressaca, apesar de não haver bebido. Estava um pouco tonta e nem sequer conseguia escutar música enquanto estava deitada. Fechei os olhos e esperei ansiosamente que tocassem a campainha.

Mesmo não me sentido bem, não consegui ficar deitada. A ansiedade era grande demais. “O que ele havia mandado?”. “O que estaria lá dentro???”. A minha mente não parava um minuto sequer. Olhava o relógio e o tempo não passava. Os minutos se transformaram em horas e pareciam intermináveis.

Além de não estar bem fisicamente, por algum motivo o meu emocional estava bastante abalado. Deitei na cama e chorei. Finalmente consegui ouvi um pouco de música enquanto chorava. Parei um pouco e decidi fazer algo para me distrair. Mas não havia muito a ser feito...

As horas passaram e a caixinha não chegava. Achei que ela jamais chegaria e chorei só de pensar nessa possibilidade. Claro que ela seria importante e teria o mesmo valor se viesse qualquer outro dia, mas eu precisava que ela chegasse naquele tarde.

Sabia que apenas ela seria capaz de me tirar sorrisos do rosto e de me animar. Queria aquela caixinha mais que tudo. Não me importava que ninguém me telefonasse ou lembrasse que dia era aquele, a única coisa que me interessava era ela, a caixinha amarela.

Já eram quatro horas da tarde quando achei que ela não chegaria mais, não naquele dia. “Talvez amanhã”, pensei eu. E quando estava sentada, olhando o nada, pensando na vida que poderia ter sido e não foi. Ouvi uma Kombi. Conheço bem barulho de Kombi e fiquei feliz em ouvi-la parar ali na frente de casa.

Corri para abrir a porta, peguei Meg no colo para que ela não saísse e o ouvir gritar, “é o correio”. “Eu sabia!!!!”, pensei eufórica. Abri a porta, peguei a caixinha amarela, assinei um papel. Coloquei a caixa do lado, no chão, fechei o portão e sentei-me ali, exatamente onde estava.

Abri a caixinha com todo cuidado, não queria rasgar nenhum pedaçinho, mas não foi possível, acabei rasgando um pequeno pedaço. Dentro da caixinha estava algo pequeno, que deveria andar comigo aonde eu fosse (e já até esta na carteira pra não desgrudar de mim), uma lembrança daquele (nosso) estado tão lindo (que ficará na minha estante, assim que ela chegar).

Também estava um livro de Ditados e Expressões (adorei! Adoro essas coisas que nos ensinam e nos deixam mais perto de lugares distantes), e por último, mas não menos importante, estava um livro de poesia do Fernando Pessoa onde ele conta a estória de Portugal através de poemas (já comecei a ler e estou adorando, claro!!!).

Havia também uma carta. Ah a carta! Já a li inúmeras vezes e já estou quase decorando aquelas letrinhas e frases. Não canso de olhá-la, de lê-la. Não recebo uma carta já a algum tempo, mas por algum motivo, aquela foi mais especial que qualquer outra.

O valor de todas as coisas que estavam naquela caixinha, não foi nem um pouco material. Aquela caixa era importante e preciosa pra mim, pois foi enviada por alguém MUITO especial. Saber que foi ele, a última pessoa a tocar naquelas coisas antes de mim, fez com que eu tocasse tudo com muito cuidado.

Fez com que tudo se tornasse precioso pra mim. E, depois de abrir aquela caixinha, percebi que havia valido cada segundo de ansiedade, cada minuto interminável...


Kari Mendonça
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PS1.: Finalmente a internet aqui de casa foi instalada. Demorou em... Mas agora tá tudo certo. Já fiz as visitas nos blogs, já li o que estava atrasado e agora, tudo volta ao normal....
PS2.: Muito obrigada a todos pelos parabéns!!!! Obrigada mesmo!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Aos 19

Era o seu aniversário. Ela não sabia se ficava feliz ou triste com isso. Quando era mais nova, era o aniversário de 14 anos que a encantava, pois finalmente poderia entrar em certos filmes. Sua maior frustração foi, quando passou seu aniversário e surgiu a classificação de 16... Dessa forma, ela teve que sonhar com os 18 anos. Aí sim, imaginava ela, sua vida mudaria completamente.
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Em um de seus aniversários, aprendeu que não adiantava fazer um pedido ao apagar as velinhas, precisava-se enfiar o dedo indicador no bolo. Desde então ela fazia isso sempre, ou melhor, sempre que tinha algum bolo para fazer...
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E no dia dos 18 anos, havia se mudado há poucos dias. A casa ainda estava uma bagunça e cheia de caixas. Ela estava cansada de tanto arrumar as coisas. O seu aniversário passou em branco, exceto pela coxinha e o brigadeiro que comeu com suas irmãs e sua mãe, em uma lanchonete perto de casa. Da mesma forma como o dia de seu aniversário, foi o resto do ano. Meio sem graça, nada de mais.
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Ela tirou a carteira de motorista. Definitivamente aquele foi o pior dia de sua vida. Dia 29 de maio de 2007. Nunca havia ficado tão nervosa. Ao sair de lá estava com os braços doendo e os dedos sem conseguir mexer. Havia segurado aquela direção com muita força. Sinceramente, ela não conseguia entender como havia passado, mas passou. Pegou a sua carteira. Pena que nunca a usou.
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Sim! Ao sair do Detran ela pegou o carro, mas entrou em pânico e não conseguiu sair do canto. Tentou algumas vezes, mas o medo sempre a invade e a atormenta. Ela ainda não desistiu de tentar, mas, cada vez que tenta se sente pior. Sente-se incapaz. E quem gosta de se sentir assim, não é?
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Mais, em seus 18 anos, recebeu um presente maravilhoso. O melhor de todos, como ela costuma dizer. É! Um menino daqueles, pra lá de especial, sabe? Ela se apaixonou completamente e é ele que faz dos seus dias os melhores possíveis. Mesmo quando a saudade bate, ou quando ela quer sair correndo para seus braços...
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Mesmo quando ela chora por não tê-lo ao seu lado a todo momento, ainda assim ela o quer mais e mais. E desde que o conheceu ela não quer mais ninguém, só ele. E hoje, ela é dele. Sim! Só dele. E sabe que ele também é dela. E, independente de qualquer coisa, eles são felizes juntos.
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E hoje ela faz 19 anos. Engraçado é que, ela novamente se mudou há alguns dias. Ainda estão arrumando as coisas e ela, mais uma vez, está cansada. Ela quer que o seu dia passe em branco. Não gosta de festas, nunca gostou. O presente que ela queria ninguém pode dar (ou ninguém quer), e por isso, ela também não faz questão de receber mais nada.
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Ela o queria ao seu lado. Ao menos hoje, só hoje. Mas também não pode. Então não quer ficar com mais ninguém. Não quer sair. Não quer ver o mundo. O mundo que ela criou para si já está bom. Incompleto, porém caminhando para completude. E como vivem dizendo para ela, “você ainda é jovem, tem muito que aprender”.
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Ah! Mas ela não gosta quando dizem isso. Ela vive dizendo que nasceu tarde, pois sempre quer mais da vida. Sempre quer o que ainda não pode ou não deve. Odeia quando a dizem que ela não entende algo, principalmente quando ela sabe sobre o que estão falando.
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Ela não é uma pessoa fácil. Conviver com ela não é sempre um mar de rosas. Paciência? Ela não tem muita. Nunca teve. Também não é do tipo que leva desaforo pra casa, e raramente consegue segurar a sua língua. Às vezes se arrepende, mas aí já é tarde pra fazer alguma coisa.
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Desde pequena, sempre quis morar no Sul do Brasil. Nunca teve vontade de conhecer o mundo, apenas a América Latina e Cuba, já a deixariam completamente satisfeita. Pretende se formar em jornalismo, mas, como a profissão não é muito valorizada onde ela vive (no Nordeste), ela vai embora pro Sul assim que puder.
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Não é que ela não goste do Nordeste, que isso fique claro. Ela ama a sua terra, o seu canto. Mas ela sonha com a sua profissão e formação há muito tempo, e vai correr atrás daquilo que achar melhor, e, mesmo que não seja o melhor, que seja o que ela quer.
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O maior sonho de sua vida é ter um filho. Quando comentou sobre isso, porém, foi questionada se não gostaria de se casar. Ela quer se casar um dia, mas nunca sonhou em entrar na igreja e muito menos com um vestido branco. O dinheiro que gastaria numa festa, pensa ela, seria melhor usar arrumando sua casa.
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Sempre que ela vê uma mulher grávida, morre de inveja. Não pode ver um bebê na rua que se encanta e fica toda boba. Sim, ela é jovem ainda. Mas como já disse, ela pensa alto. Pensa mais do que deveria. Mas ela pensa! E não vê a hora de segurar o seu filho no colo.
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O ano para ela só começa no dia 25. Sempre foi assim. Mais especificamente ás 10:40 da manhã. E mais um ano se inicia na sua vida. E ela só quer que tudo corra bem. Que as coisas se estabilizem. Que talvez aprendam a compreendê-la melhor. Que ela deixe de pensar algumas coisas que não deveria.
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E que, ela possa ser feliz! É só o que ela vai pedir quando finalmente apagar as velinhas em seu sonho, hoje à noite, minutos antes de dormir.
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Kari Mendonça

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Quarto vazio

Sentada naquele quarto vazio,
Escutando apenas o barulho
Causado pelo eco do meu silêncio.


Senti-me como aquele quarto,
Vazia! De palavras, de sentimentos.
Só não sentia o vazio da dor.

Uma dor que doía, machucava.
Uma dor que me tirava o ar.

Queria respirar, mas não conseguia.
Não haviam frases a serem ditas,
E nem sequer havia quem as ouvissem.

Enfim, levantei-me! Abri a porta.
Sai. Olhei para trás, e desejei
Não sentir aquilo nunca mais.


Kari Mendonça
inventando poesia,
parte II

PS.: Desculpem não responder aos comentários, mas, como já havia dito, me mudei no sábado e ainda estou sem internet em casa. Estou usando (indevidamente) o computador alheio, e, por isso, não posso ficar muito tempo e nem sair por aí entrando em muitos sites. A OI me deu o prazo de três dias, então, espero de todo coração estar com internet no máximo na quarta-feira para ler e comentar em seus blogs que estão me fazendo muita, muita falta mesmo em... Beijos

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Confuso? Muito!

Se tem uma frase que, desde sempre martela na minha cabeça, é aquela que diz que "o mundo dá voltas". Já até fizem uma música sobre isso. E já até fiz um post falando sobre as voltas que esse mundo dá. Mas é que, como nunca tenho percebido que a minha vida também dá voltas. Por mundo tempo andei em círculos, andei para lugar nenhum. Hoje, vou para algum lugar, mas ainda assim estou no círculo. Isso pode ser bom, ou talvez não. É confuso, eu sei, por isso o título.
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Mas calma aí... eu vou te facilitar um pouco a compreensão para tamanha confusão... Aos 15 dias de nascida, minha mãe me levou pra morar em Aracaju, aos 4 anos voltamos pra Recife e moramos um pouco na casa dos meus avós, enquanto a nossa casa estava em construção. Aos 6 anos nos mudamos pra casa e moramos lá até os meus 14 anos. Aos 16 viemos morar nesse apartamento onde estou no momento.
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Até aí tudo certinho, né?
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Acontece que, aos 17 anos, voltei para Aracaju. Aos 17 e meio, voltei para casa dos meus avós. Aos 18 para esse apartamento, e agora, nas vésperas dos meus 19 anos, estou voltando para a casa. Aquela que esperamos construir. Confuso ainda, ou deu pra perceber o círculo?
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Voltar para a tal casa, era o que eu sempre quis, desde o dia em que saimos. Em todos os sonhos que tive (daqueles que temos enquanto dormimos), sempre que estava em casa, estava lá. Nunca sonhei com nenhuma das outras casas em que morei. Sempre chorei por não estar lá. Passava inúmeras horas andando por aquela casa com a minha imaginação. Desejava estar no meu quarto. Tomar banho na minha piscina. Queria estar ali, no meu cantinho.
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Quando a possibilidade de voltar pra lá surgui, fiquei super feliz, até chorei de felicidade. No entanto, ao receber a notícia confirmada de que eu voltaria, as coisas foram um pouco diferentes. Sábado estarei me mudando. Mas ainda não sei o que estou sentindo. Não sei se estou feliz por ter conseguido o que tanto quis (queria me mudar antes do meu aniversário). Mas, de repente, me dá uma vontade enorme de chorar. Chorar por que, oras? Não sei, mas não é de felicidade.
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Minha mãe ficou eufórica, meu pai ficou super feliz, e eu... Eu ainda não sei como estou. Minha mãe me questionou o que estava acontecendo, porque eu não estava feliz já que era o que eu tanto queria. E a sua pergunta fica martelando na minha cabeça o tempo todo. E, assim como não consegui responder nada para ela, não consigo responder para mim.
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Ontem fomos lavar a casa. Fazia cinco anos que eu não entrava lá. Foi estranho. Inúmeros momentos me passaram na mente. Lembrei de quando me trancava no banheiro, liga o som na última música do CD dos Hanson, sentava atrás da porta e ficava horas ali, chorando. Lembrei também quando brigava com a minha irmã para ela desligar a tv. Ou quando a casa ainda estava construindo e eu entrei no quarto, cheio de tijolos, subi em cima deles e fiquei ali, brincando com a minha boneca.
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Foram muitos os momentos que passei lá. Bons e ruins. Foram oito anos da minha vida. É muita coisa... É muito sentimento... Ah!!!!!!!!!!!! É inexplicável. Enquanto quero sorrir e gritar que, finalmente estou voltando para casa, quero também ligar o som bem alto, escutar o CD dos Hanson e chorar atrás da porta do banheiro. Eu não sei o que quero ou o que sinto. Já não sei mais coisa alguma, e a única coisa que seu é que, é mais uma etapa para começar. Talvez seja mais um ciclo.
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E não importa se estou preparada ou não. As coisas simplesmente estão, e continuarão, acontecendo. E eu tenho que caminhar com elas, mesmo sem saber o feito que elas estejam me causando. Mesmo sem certeza alguma de qualquer coisa... Talvez eu ainda volte para dizer o quão feliz estou... Mas não me peça para fazer isso agora. Agora não!
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Kari Mendonça

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Caminho do querer

"Quero-te como uma menina
que gosta de brincar
Quero como uma mulher
que aprendeu a amar.
.Quero-te como quem
sabe o que quer
Quero mais do
que qualquer mulher.
.E é querendo-te que sei.
Sei para onde ir,
Como seguir.
.E seguirei até ti.
Até te achar,
Ou me perder no caminhar."..
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Kari Mendonça,
inventando poesia,
vê se pode?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"Mulheres inteligentes, relacionamentos completos"

Em uma aula qualquer, durante os seis meses finais do último ano do ensino médio, eu e minhas amigas nos juntamos para fazer um esboço do que seriam os assuntos tratados no nosso livro, "mulheres inteligentes, relacionamentos completos".
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Infelizmente eu não lembro o que colocamos no papel. Lembro apenas que eram 14 títulos que seriam os capítulos do livro. Pretendíamos um dia organizá-lo. Uma idéia infantil talvez, ou apenas um passatempo.
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Acontece que hoje fui lembrada desse episódio e, ao lembrar o título do livro, fiquei um pouco pensativa. Apesar de não saber o que escrevemos, lembro apenas que colocamos frases que diziam que, para ter um relacionamento completo, a mulher precisaria fazer algo ou ser de aluma forma. Precisaria, acima de tudo, ser inteligente.
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Talvez fosse um livro de auto-ajuda, não sei. O que importa apenas é que, ao pensar sobre o assunto, percebi o quão ridícula foi a nossa idéia. Pergunto-me como pudemos pensar em "criar fórmulas" para que um relacionamento pudesse ser completo!
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Oras, manter uma relação é como falar ao telefone, impossível de fazer sozinho. Não importa que lhe digam como agir ou o que fazer, uma relação nunca irá para frente se duas pessoas não quiserem e não fizerem acontecer.
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Ás vezes, ao entrar na uol, por exemplo, onde gosto de ler notícias, encontro sempre algumas manchetes de revistas, que quando tenho curisidade, gosto de ler. É engraçado como as matérias são ridículas. Fico me perguntando se existe quem siga tais "dicas".
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"Como manter uma relação saudável". "Como segurar o seu homem". "Você é uma boa namorada"?" Como melhorar o seu desempenho na cama". "O que fazer para agradar ser amor". Essas e outras perguntas e dicas vejo com muita freqüencia.
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Como pode alguém acreditar que, seguindo "dicas" terá sucesso em seu relacionamento? Claro que há algumas coisas que podem ser feitas, como compreender e ceder um pouco. Mas nem sempre as "dicas" podem ser generalizadas, pois nem todas as mulheres são iguais. E nem todos os homens.
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De que adianta fazer tudo "perfeito", seguir todas as "regras", agradar ao máximo, quando o outro já não quer mais nada? Quando, de alguma parte, já não há o interesse em levar para a frente? Uma relação deve ser regada, mas não apenas uma vez por dia. Deve haver o respeito acima de tudo.
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Uma mulher ou um homem não deixa der ser inteligente por sua relação ter chegado ao fim. Exceto apenas, quando há traição, mas esse é um assunto para outro dia. Existem inúmeros motivos que podem separar ou unir pessoas, sentimento é um deles. Tempo também.
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Quando se fala na relação entre duas pessoas, não se pode falar em inteligência. Sabedoria talvez. Pois há quem seja sábio sem necessariamente ser inteligente.
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Kari Mendonça

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Diferente? Talvez...

No primeiro semestre do ano passado, uma professora me marcou bastante. Como pessoa, nunca simpatizei com ela, por a achar um pouco arrogante. Já como educadora, sempre a admirei pela sua forma de tornar fácil e agradável a aprendizagem sobre as "teorias da comunicação".
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Certa vez, enquanto conversávamos, ela, que também estudou jornalismo, comentou que, ao entrar na faculdade e estudar um pouco sobre mídia e outros assuntos, acabou perdendo o interesse com a televisão, e com isso, acabou por se isolar da maioria das pessoas. Completando, ela comentou que, para "ser diferente" da maioria, é preciso ser forte para aguentar as conseqüências.
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"Que ridícula", pensei eu na época. Entretanto, após estudar algumas coisas, entender sobre outras, ou simplesmente por amadurecer um pouco, acabei desgostosa com a televisão também. Já passei um dia inteiro na frente da TV assistindo alguma coisa, hoje não consigo passar mais de cinco minutos. Ah! Sem falar que, quando, raramente assisto algo, não é na Globo, claro.
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Ah! Mas não vá pensar que eu sou uma alienada. Não! Nem um pouco. Sei de muitas coisas que acontecem pelo mundo. Estou sempre lendo e procurando algo. Ás vezes, minha mãe acaba de assitir ao jornal e vem me contar alguma notícia, mas ela nunca consegue me contar algo que eu já não saiba. Sempre leio antes na internet.
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Semana passada, conversando com meu namorado, ele comentou sobre o BBB que irá estrear por esses dias. Ele não gosta, e comentou apenas para fazer alguns comentários, mas, enquanto o ouvia falar, percebi que eu não sabia de nada. Nem sequer da estréia do programa mais comentado e esperado pelo brasileiro. E foi com isso que lembrei da minha professora.
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Percebi que, por deixar de assitir televisão, muitas vezes não tenho assunto para conversar com as pessoas. Quando vou ao salão de beleza, por exemplo, o assunto é sempre sobre as novelas, sobre o Big Brother e sobre essas coisas, e eu nunca tenho o que conversar. Fico apenas na minha, ouvindo o que falam. O assunto que eu gostaria de conversar, não é de interesse de mais ninguém, por isso me calo.
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E talvez você esteja pensando sobre mim, o mesmo que pensei a respeito da minha professora, "que arrogante". Mas não é arrogância, acredite, é apenas uma forma diferente de ver o mundo. E, a cada momento eu percebo que ela tinha razão. Para pensar diferente, é preciso estar preparado para as conseqüências, pois, querendo ou não, você acaba isolado.
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Mas quer saber? Não me importo tanto com isso. Pois há coisas que jamais aceitarei, coisas as quais jamais darei o meu apoio em forma de audiência. Não suporto ouvir o Pedro Bial falando com os "brothers" e chamando-os de heróis... Oras! Herói pra mim é outra coisa, e não um bando de jovens mostrando a bunda e correndo atrás da fama.
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Herói é o meu primo, que lutou, aos 15 anos, contra o câncer. Herói é a minha faxineira que trabalha de segunda a sábado em mais de sete casas para alimentar e sustentar sozinha as seis pessoas que moram com ela. Herói, é a minha vizinha que há 24 anos vive com o seu filho doente mental, a quem, até hoje, ela trata como uma criança. Uma criança que dá muito trabalho.
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Herói, na minha humilde concepção é alguém que luta por algo grande. Alguém que luta pela vida, pela sobrevivência. E não por fama ou dinheiro. E não me importo em ficar na minha, pois aprendi a ver a vida de uma outra forma. Aprendi e me interessar por outras coisas e a querer mais do que o mundo pode me dar.
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E, se pra isso eu tiver que continuar a minha caminhada pela vida sozinha, não importo em fazê-lo, desde que esteja com a minha consciência tranqüila. E sempre que precisar conversar, não me importo em pegar um caderno e escrever. Poderá não ser uma conversa tão boa, pois não terei argumentos contrários aos meus, mas, independente, sigo o meu caminho.
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Kari Mendonça

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Não é mais uma carta

"Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo..."

Eu amo você. Desculpa ser assim tão direta, mas já estava se tornando impossível continuar guardando isso dentro do peito. É! Tanto amor assim chega a sufocar.
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Não! Não quero que você pense nada, não agora! Apenas continue a ler, por favor.
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Sei que já conversamos sobre isso inúmeras vezes, mas sei também que descobrimos que, apesar de ambos não sabermos o que é o amor, temos visões diferentes sobre ele. Lembra quando eu te disse que "ainda não é amor"? Eu tentei, por algum motivo, convencer a mim mesma, mas acredite, foi difícil.
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Estava lembrando da carta que te escrevi, e percebi que a namorada do meu amigo tem razão, "é muito amor". É amor! Tem que ser. Se não fosse amor, a distância jamais teria nos aproximado, receber um "bom dia" seu não seria tão valioso e saber como você está não mudaria todo o meu dia. E você talvez desse sossego aos meus pensamentos.
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Se não fosse amor, eu não mudaria a minha rotina só para passar mais tempo contigo; eu não te ligaria cheia de coisas para contar, mas ao ouvir a tua voz... Eu simplesmente não consigo dizer nada. Te ouvir não seria tão mágico e reconfortante. E eu não iria te querer tanto.
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Eu posso também não saber o que é felicidade, mas me sinto feliz ao seu lado, pois é você que me faz sorrir todas as manhãs, e que me dá forças quando eu estou pra baixo. É você que acredita em mim, quando nem eu acredito mais. Que me diz quando estou errada da forma mais carinhosa possível.
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É pra você que eu corro pra contar uma novidade ou uma briga que eu tive. É por você que eu sinto o que nunca senti antes. E é com você que eu aprendo e ainda vou aprender muito mais. Porque é com você que eu me importo, é você quem eu amo.
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Não! Não quero ainda que você pense algo. Quero que você não diga nada. Quero apenas que você continue lendo. Interprete como quiser, e se não quiser, não interprete nada.
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Não digo que te amo para ouvir um "eu também", digo apenas para que você saiba e pronto! Digo, pois já não aguento mais guardar só pra mim. Não vou dizer que és o meu amor, pois, aprendi que, antes de amar alguém, devo amar a mim mesma.
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Podes não ser o meu amor, mas, um "pouco" do amor que tenho é seu. Só seu. Assim como eu! ♥
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"Amo-te assim porque não sei amar de outra maneira".
Com amor,
Kari Mendonça

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ela!

Na verdade, acho que sempre a conheci. Acredito que não há quem não a conheça nessa vida. Sempre tivemos uma relação estável, digamos assim. Sempre conseguimos nos entender bem, mas confesso que sempre tive um pouco de receio a seu respeito, não sei explicar o motivo, mas sempre tive...

Não sei ao certo quando a conheci, quando fomos apresentadas uma a outra, mas creio que já faz algum tempo. Sim! Desde que tenho alguma lembrança de existência, ela já estava ao meu lado, de uma forma suave, mas sempre ao meu lado.

No entanto, ultimamente a nossa relação tem se estreitado, e muito. Como eu já disse alguma vez, ela está se tornando minha melhor amiga, daquelas inseparáveis. O problema é que, eu preferia quando ela aparecia de vez em quando.

Ás vezes, quando estava sozinha, ela aparecia e me acompanhava com as lembranças. De vez em quando me tirava algumas lágrimas, ainda me tira, mas nunca havia me magoado. Posso até dizer que era um ótimo consolo.

Lembro que foram poucas às vezes em que ela me abraçou intensamente, isso, ao menos, até algum tempo atrás. Depois de alguns acontecimentos, no entanto, ela me visitou e parece que não quer mais ir embora. É verdade que, ás vezes, não noto a sua presença, mas de alguma forma, sei que está ali.

Não sei se posso dizer que ela tem fases como a lua, pois não sei se seriam fases as várias formas como ela é capaz de se fazer presente. Ás vezes aparece em forma de consolo e enxuga uma lágrima. Outras vezes, porém, aparece apenas para me tirar lembranças, dor e choro.

Ultimamente também, ela tem-se feito presente de uma forma diferente. Não sei explicar, mas é diferente. A sua presença me faz lembrar o quanto alguém é especial pra mim, mas o mesmo tempo, me lembra o quanto esse alguém está longe, e o quanto eu o queria perto.

Ás vezes, ao acordar, sinto-a me abraçar, mas quando vejo que o abraço está começando a demorar, eu a afasto, um pouco, pelo menos. Mas nem sempre consigo fazer isso, e ás vezes ela praticamente me domina e é impossível afasta-la.

Sei que ela vai continuar comigo, sei sim! Sei também que ela só vai crescer e talvez nunca morra. Mas é que uns dias são piores que outros. E apesar de estar quase me acostumando com sua presença cada dia mais “presente”, ainda há aqueles dias em que eu tenho vontade de afastá-la pra longe.

Ah! O nome dela? Saudade. E creio que você também a conheça!


Kari Mendonça

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sem título

Não! Eu não vou simplesmente desejar um “feliz ano novo” pra ninguém, pois eu não acho que o ano milagrosamente vai ser bom. O ano não é feito de datas, mas sim de pessoas e de momentos. E, os seus momentos dependem unicamente de você, das suas atitudes e decisões.

Por isso, desejo apenas que você tenha mais cuidado antes de decidir algo e seguir em frente. Também desejo que você não desista fácil daquilo que você tanto sonha, pois saiba que as coisas não caem do céu, é preciso lutar muito para consegui-las. Saiba também que, alcançar aquilo que tanto sonhamos é maravilhoso e vale a pena qualquer esforço que tenhamos feito.

E não fique fazendo promessas que você sabe que nunca sairão do papel. Os melhores momentos são aqueles inesperados, e as melhores coisas são aquelas que nos acontecem de repente, quando menos esperamos.

Não ache que, por ter acordado nessa terça-feira, as coisas serão diferentes e tudo será muito melhor, como já disse, as coisas não acontecerão milagrosamente. Você ainda terá que terminar de ler aquele livro que começou no “ano passado”, e ainda terá que olhar para os mesmos vizinhos de sempre.

Sim! Você poderá ter algumas mudanças “radicais”, como entrar numa universidade, mudar de cidade ou de casa, mas acredite, as mudanças não acontecem apenas no cotidiano, mas, em sua maior parte, elas tem que acontecer dentro de nós.

Pronto! Acho que já disse muito mais do que havia planejado (acredite, isso era apenas um PS, mas acabou se tornando um post). Espero, de verdade, que você tenha amadurecido nos últimos dias e que possa finalmente colocar em prática todo esse amadurecimento.

É isso! A vida continua.
E o caminho dela, depende apenas de você!


Kari Mendonça