quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ah! As pessoas...

Engraçado como na vida, sempre esperamos algo das pessoas. E é por isso que elas acabam sempre nos surpreendendo. Ás vezes essa surpresa é a pior possível. Isso ocorre quando normalmente julgamos bem alguém que acaba nos fazendo mal.

Outras vezes, no entanto, julgamos por algum motivo, de forma errada pessoas que nunca nos fizeram nada (nem bom e nem ruim). É uma mania tremenda que temos de classificar ou rotular, ou simplesmente de esperar das pessoas algo que, talvez, elas não possam nos dar.

Enfim, queria chegar em uma data específica, o meu aniversário. Nunca gostei muito dele, mas isso não vem ao caso. O que importa é que, esperei que algumas pessoas, ditas amigas minhas, me ligassem ou, ao menos, mandassem mensagem para o celular ou um e-mail.

Mas elas não fizeram isso. Não as pessoas que eu tanto esperei. Pelo contrário, a primeira mensagem no celular foi da minha amiga Lili. Sim, é fato que Lili é minha amiga, mas a conheci através do blog e tínhamos nos visto pessoalmente há pouco tempo. Ou seja, se ela esquecesse o meu aniversário, eu jamais ficaria triste com isso.

A segunda mensagem que recebi foi de uma colega da faculdade. Poxa! Logo ela! Lembrei que, no final do semestre passado, estávamos um pouco afastadas, mas mesmo assim ela lembrou e não só isso, ela me deu os parabéns. Fiquei triste pelo nosso afastamento.

E depois de receber essas mensagens, esperei que alguém mais pudesse mandar. Ainda tinha esperança de receber algum telefonema, quando o telefone tocou. Olhei o número, Rio Grande do Sul. Oras, quem me ligaria de lá jamais ligaria naquele horário, mas atendi o telefone achando que seria, provavelmente, algum engano.

E, para minha surpresa, não era engano. Era pra mim! E era de Novo Hamburgo. Na verdade, eu não lembro bem o que falei, devo ter falado apenas besteiras, visto que fiquei tão feliz que fiquei boba. Foi a ligação mais especial que recebi. Talvez eu não o tenha dito isso ainda, mas ele não imagina como mudou aquele meu dia.

Mais tarde recebi uma ligação de uma amiga com a qual não falo há quase um ano. O aniversário dela havia sido alguns dias antes do meu, eu lembrei a data, mas não a telefonei nem mandei mensagem, pois pensei que ela poderia nem lembrar de mim. Sim, foi uma atitude estúpida e fiquei triste comigo mesma.

Mais tarde algumas pessoas me telefonaram. Fiquei imensamente feliz por receber telefonemas, mensagens e e-mails das pessoas que menos esperei, e me entristeci ao perceber que, aquelas com quem tanto desejei falar, não me telefonaram.

O que essa estória toda me fez pensar foi que, de fato, as pessoas podem sempre te surpreender. E é melhor que você não espere nada, de nenhuma delas, pois assim, apenas as surpresas boas serão sentidas e reconhecidas.
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Kari Mendonça

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tua, e entregue ao tempo

Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas prá poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo...
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Definitivamente o relógio está de mal comigo. Eu não sei o que fiz, mas ele resolveu andar mais lento do que nunca. Talvez o fato de ter resolvido conta-lo interfira nisso, não sei... Os segundos transformaram-se em horas e as horas andam com os dias. O tempo não pára, mas não e o que parece. Aí que angústia!
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Mas quer saber? Não me importa quão lento ele possa parecer, o fato de saber que ele passa já me faz sorrir. E a certeza de saber que, ele passando, você estará aqui, me deixa indescritivelmente mais feliz ainda.
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Por mais longe que o tempo possa parecer, agora ele tem data para “chegar”. Se antes eu pensava que, “cada dia era menos um dia”, hoje eu tenho certeza disso. E a melhor certeza é poder te ter ao meu lado.
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Tu! Tu que és meu. Aquele a quem me entreguei como nunca. Aquele a quem “peguei de jeito”, da mesma forma como fui pega. Tu, que me fizesses tua. Tu, a quem eu quero sempre fazer bem.
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E eu já me entreguei de todas as formas e de nenhuma. Conheces meus medos como conheço os teus. Conheces minhas angústias como eu as tuas. Mas não conheces minhas manias. Não sabes o meu cheiro...
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Ah! Serão tantas descobertas, tantos momentos. Haverá pouco tempo, eu sei, e pior ainda é saber que ele vai passar o mais rápido possível. Sei que as horas passarão como os segundos, em uma rapidez incrível.
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Mas tento não pensar no depois. Também não consigo pensar no agora. Eu quero o amanhã e quero hoje. E agora?
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E agora que eu tenho que esperar
O agora passar,
O hoje acabar, para então,
Lentamente o amanhã chegar.
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E eu espero.
Espero porque te quero!
Espero porque sou tua.
Somente tua e pra sempre tua!
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Tua, como as pétalas
Pertencem a rosa,
E como a rosa pertence
Ao mais belo dos jardins.
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E quando o amanhã chegar,
Eu quero poder te olhar,
Um pouco depois de te beijar
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E dizer que sou mais tua
Do que jamais foi a rosa
De qualquer um dos jardins.
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Kari Mendonça
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Tô louca prá te ver chegar
Tô louca prá te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração...
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PS.: As partes em vermelho são da música "fico assim sem você", da autoria Abdullah / Cacá Moraes.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Bola de neve

Sabe quando uma conversa te deixa pensando por horas? E quando um assunto te leva a pensar em inúmeros outros e a sua cabeça e pensamentos parecem uma enorme bola de neve? Foi o que aconteceu... Por isso do título... Mas enfim...

Entrei na sala de aula, e, o assunto em questão era sobre relacionamentos. Por chegar um pouco depois, resolvi sentar-me e apenas ouvir. Não lembro como a conversar chegou a esse ponto, mas uma menina comentou que o namorado mora no México, mas vem ao Brasil a cada três meses.

Foi quando alguém comentou que não conseguiria manter uma relação á distância, por não saber conviver ou suportar com a ausência do outro, e também pelo ciúme. Nesse momento, a tal menina comentou que, durante o tempo que o namorado estava fora, eles se falavam pela internet, e que também, ela ficava com outras pessoas.

Enquanto falava ela ria, e então completou, “ele me pergunta se o traio, e eu respondo que não”, e continuou rindo. Então, uma outra menina comentou sua teoria, dizendo que não existe namoro virtual, e que, o tempo em que eles passam separados, é como se não estivessem juntos.

A professora chegou, a conversa teve que acabar e cada uma seguiu seu rumo. Mas aquela conversar ficou na minha cabeça. Aquelas palavras e assuntos ficaram martelando durante toda a noite. E é por isso que estou aqui, pra tentar arrumar esses pensamentos confusos.

Primeiro a tal menina falou que mantinha um relacionamento à distância e a admirei por isso, afinal, não é qualquer pessoa que consegue manter tal relação. Depois a menina vem me dizer que “fica com outros” com a maior naturalidade possível, como se fosse algo normal e aceitável.

Ainda durante a conversa, uma quarta menina comentou que todos já foram traídos e que temos que aceitar. E não é bem assim. Nem todos foram traídos, assim como nem todos traíram. Mas afinal, quando o ser humano perdeu qualquer credibilidade? Por que é tão impossível acreditar na fidelidade humana? E por que parece tão difícil ser fiel?

A infidelidade, apenas “mostra” a inexistência do caráter. Não consigo aceitar que uma mulher chegue em casa, fiquei com seus filhos, durma com seu esposo, e passe os finais de semana com outro. E isso serve para o oposto também.

Oras, se não há o interesse na pessoa ao seu lado, qual a dificuldade em terminar tal relação para seguir com o tal outro? Não! Não há dificuldade nenhuma, e é isso que não consigo compreender. Certa vez me perguntaram se eu perdoaria uma traição, respondi que não sabia e que, só saberia se um dia passasse por isso. E ainda não sei, mas é fato que acho inaceitável.

Quanto ao namoro virtual, também não acredito que exista, afinal é impossível a virtualidade dos sentimentos. Por mais que a forma de “estar juntos” seja facilitada pelo mundo moderno através da internet, por exemplo, o sentimento existente é real. E o compromisso também. E é por isso que o respeito deve existir.

É também por isso que passei a admirar aqueles que mantêm uma relação à distância, pois não é fácil. Há a saudade, a vontade de estar perto. A carência. E sim, as necessidades humanas. Se você parar para pensar o que o outro está fazendo quando você não está por perto, ou quem são as suas amigas ou coisas desse tipo, vai ser difícil suportar esses pensamentos.

É por isso que, para manter esse tipo de relação é preciso maturidade. Assim, como para quem está na relação como para compreender quem a vive. Não é por não estar junto a todo o momento, que se tem o “direito” de “ficar com outros” a fim de substituir a ausência. Para manter essa relação é preciso saber que essa ausência não existe, pois a presença se dá a cada pensamento.

Existirão dias em que a saudade chegará a ser insuportável, mas é preciso ser forte. É preciso ter a vontade de seguir em frente, acreditando que nem sempre existirá alguns “km” entre os dois.

E talvez eu seja apenas uma boba, mas eu ainda acredito no ser humano. Na fidelidade. Nos amores que suportam oceanos de distância... E quanto à maturidade, não sei se é por ela ou pela falta dela, que a infidelidade ainda é um assunto que acho difícil de encarar com naturalidade...

E agora só não vale pensar que ficou sem sentido. Eu avisei que era uma bola de neve, não avisei???



Kari Mendonça

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Eu tento, mas...

Eu tento escrever,
mas só consigo escrever pra você.
Então eu tento esquecer,
mas é impossível não pensar em te querer.
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E quando me rendo,
começo a escrever.
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Mas faço apenas versos.
Versos e ao inveso.
Versos soltos,
sem sentido.
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Eu tento escrever,
mas só consigo pensar em você.
E quanto mais eu tento esquecer,
mais eu quero me entregar e me perder.
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Kari Mendonça

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Uma tarde diferente...

Ana estava andando pela rua. O céu estava nublado, assim como seus olhos, mas diferente deles, a chuva ainda não estava caindo... Ela não gostava que a vissem chorar, mas não havia como esconder o rosto e não mais conseguia segurar as lágrimas que caiam a cada instante numa velocidade e quantidade ainda maior.

Seus passos estavam cada vez mais largos, mas o caminho parecia, a cada momento, mais longo. Queria correr, mas sabia que em nada ajudaria, pois o caminho só ficaria maior e mais cansativo.

Quando ainda faltava uma boa parte do caminho, ela já não agüentava aquela situação. Foi quando olhou para o lado esquerdo e percebeu um pequeno parque, estava com a cabeça tão longe que não lembrou que ele ficava ali. Era um parque bonito, cheio de flores e um pequeno lago.

Ela então, atravessou a rua, sentou-se próximo ao lago com os braços na cabeça e entregou-se aquele choro tão angustiante. Chorava, e chorava a cada instante com mais intensidade. Fazia uma enorme força para buscar o ar e as lágrimas não paravam de cair.

A angústia lhe invadia o peito. A solidão lhe abraçava a alma. E a dor esmagava todo o seu corpo. Sentia-se incapaz de tudo e qualquer coisa. Senti-se insegura e indefesa. Por um instante quis morrer, mas sabia que aquela não podia ser sua última opção. Também não poderia desejar "matar" ninguém, pois não havia quem fosse o causador de seus tormentos.

De uma coisa ela tinha certeza, não desejava ver ninguém. As pessoas ao seu redor nunca a conseguiram compreender, e sempre que estava triste a chamavam de chata ou diziam que precisava mudar seu humor. E ela odiava aquilo! Não estava mal humorada, estava apenas triste, oras.

Não sabia há quanto tempo estava sentada em frente ao lago, mas o Sol, escondido entre as nuvens, estava indo embora. Suas lágrimas já haviam secado. Sentia o corpo um pouco mais leve. Levantou-se então, e seguiu o resto do caminho até em casa.

Ao entrar, foi questionada sobre onde estava, mas conseguiu apenas responder que estava bem. Subiu as escadas, tomou um demorado banho e foi dormir. Sim! Era cedo, mas quanto mais tempo se “desligasse do mundo”, mais fácil seria acordar na manhã seguinte.


Kari Mendonça

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sem nada... (ou não)

Tenho tentado escrever alguma coisa. Mas ás vezes não consigo por inúmeros motivos, até que, de repente, acontece algo ou alguém diz algo que me traz inúmeras coisas na cabeça, e aí começo a escrever. É certo que algumas dessas vezes escrevo coisas aparentemente sem sentido, mas o sentido sempre existe, pra mim, ao menos.
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Nos últimos dias tenho ficado alguns minutos em frente ao computador, fazendo de tudo para escrever algo interessante não só pra mim, mas para os que aparecem por aqui e resolvem ler. Tenho lido inúmeras notícias dos mais variados acontecimentos, e acredite, tenho muitas coisas pra falar.
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O que acontece é que, sempre que sento na frente do computador disposta a escrever algo, você resolve se instalar na minha cabeça. Não! Isso não é algo ruim, de forma alguma. Gosto de pensar em você. Adoro me perder nos pensamentos que te envolvem. E é por isso que ultimamente, sempre acabo escrevendo algo sobre você ou sobre o que sinto.
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E não me importo se os outros acharem chato ler isso, afinal, se não gostarem, podem não voltar, não faço questão. Mas eu me pergunto se você achará chato. Ás vezes penso, “será que ele vai pensar que eu não tenho mais nada na cabeça”? Eu tenho, viu? Tenho muitas outras coisas, mas de todas elas, você é a que mais me envolve.
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E parece que, nos últimos dias tens me envolvido ainda mais. Talvez porque estou em casa, sem fazer nada e sem nada mais o que me preocupar, mas o fato é que tenho sonhado contigo mais do que o normal. Talvez isso que estou sentindo, algo que posso chamar de ansiedade, diminua um pouco quando a “vida real” bater na minha porta, a partir de amanhã.
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O que acontece é que eu não sei se quero que isso diminua, mas talvez seja o melhor. Acredita que hoje pela manhã, resolvi me entregar aos números e fiz aquela conta maluca? É! Eu fiz, e o resultado foi aproximadamente 3.456.000. Claro que quando você estiver lendo será um número um pouco menor (ainda bem!).
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Viu? Acabei de escrever algo completamente sem sentido (eu acho) para os outros, mas com um sentido todo especial pra mim, e espero que pra você também. Ou não. Enfim...
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Kari Mendonça

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Uma frase e fico a pensar...

Já faz algum tempo que resolvi ler o livro Brida, do Paulo Coelho. Não gosto muito do misticismo, e acabo lendo esses e outros livros apenas como estórias de ficção. Mas essa estória foi diferente, mexeu comigo, sabe? Uma bela estória que fala sobre a outra metade. Nunca acreditei muito nessas coisas, mas sempre achei que existe alguém certo pra você e que você é também o certo para esse alguém.
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Uma frase, já no final do livro, que me recordei recentemente, não sai da minha cabeça e me deixa a pensar... A frase é dita pelo Mago a Brida:
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"Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre."
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Essa frase, rapidamente me faz lembrar de uma cena do filme "Cold Mountain", quando o Inmam está saindo do hospital e encontra com o cego, então acontece o seguinte dialogo:
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"- Queria saber onde você perdeu a visão?
- Antes de nascer. Nunca vi nada nesse mundo. Nem uma árvore, arma ou mulher. Mas já toquei nas três.
- O que você daria para enxergar por dez minutos?
- Dez minutos? Nem um tostão furado. Poderia me transformar num revoltado.
- É nisto que a minha visão me transformou.
- Não foi isso que quis dizer. Você disse 10 minutos. É ter algo e depois perdê-la, é o que quero dizer.
- Então discordamos. Não há muito que eu não desse por dez minutos em um lugar.
- Em um lugar... Ou com alguém?"
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Tanto a frase como o diálogo me deixam pensante... Eu discordo do Mago, assim como do cego. E concordo plenamente com o Inmam, pois não há nada que eu não desse por, pelo menos dez minutos ao lado de alguém especial pra mim. Não suportaria viver o resto da vida sem nunca tê-lo ao meu lado, apenas para saber que seria meu eternamente. De que adianta "ser meu pra sempre", se eu nunca puder tê-lo realmente como meu, ao meu lado? De que adianta eternizar um sentimento e nunca poder usufruí-lo?
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E eu continuo aqui...
Pensando...
Refletindo...
Com mil coisas na cabeça...
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Kari Mendonça

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sabe, a vida nem sempre sai como planejamos...

Ninguém começa algo esperando o seu fim, exceto algumas coisas, claro. Mas ninguém entra num relacionamento esperando que ele termine. E ninguém vive pensando que tudo pode simplesmente acabar de uma hora para a outra.

É, mas algumas coisas chegam ao fim, querendo ou não. Às vezes o amor foi acabando aos poucos para um e foi um choque demonstrar isso para o outro. Uma relação pode acabar por inúmeros motivos, e você nem sempre está preparado para esse fim.

Quando se entra numa relação, se planeja ficar com o outro por toda a sua vida. E não venha me dizer que isso é pensar alto demais ou coisa parecida, afinal, por que alguém começaria um namoro pensando em acabá-lo em cerca de um ano, por exemplo?

E, parece que, quando mais dura uma relação, mais as coisas parecem concretas, e a certeza de que o “felizes para sempre” realmente vai existir. Mas, relação duradoura não quer dizer que “até que a morte os separe” realmente vai acontecer.

Mas afinal, quem vai ficar pensando no fim do seu relacionamento quando tudo parece tão bem? Ninguém, ou talvez algum lunático, não sei, mas enfim... O que estou querendo dizer é que, a vida, de vez em quando, apronta algumas com a gente.

E nem sempre estamos preparados para enfrentar essas situações. A dor é enorme e parece a cada dia maior. O choro parece interminável. O seu coração chega a parecer “uma ervilha de tão pequeno. É um vazio, uma dor... E parece que não vai acabar nunca.”.

Mas acaba! E uma das piores coisas para se ouvir em meio às lágrimas, é quando alguém diz que “vai passar”, ou que “o tempo resolve tudo” ou que simplesmente “você vai superar”. Dá uma vontade enorme de gritar. Você tem vontade de dizer em alto e bom som: “eu não quero que passe, eu não quero seguir em frente, não desse jeito”.

Como disse Leoni, “mas o pior é pensar, que isso um dia vai cicatrizar...”. É sim... Em meio a dor, quando as feridas estão abertas e ainda queimando, é terrível pensar que vai, de fato, cicatrizar e que você vai acabar seguindo em frente. E não adianta dizer que você não consegue pensar nisso, é inevitável.

Dói pensar que nada saiu como planejado. Que tudo o que você havia pensando foi “por água abaixo”, e talvez a culpa não seja sua e de ninguém. Talvez tivesse apenas que acontecer.

O tempo que vocês passaram juntos foi bom, claro que foi. Tiveram as suas brigas, mas tiveram maravilhosos momentos juntos. Foram anos de aprendizado e amadurecimento. È difícil pensar nisso, mas talvez vocês não tenham sido feitos um para o outro.

E eu sei que dói. Dói muito. Mas algumas coisas são feitas pra doer mesmo, sabe? Pois é a dor que nos faz mais fortes e que nos ajuda a levantar e seguir mais decididos daquilo que queremos.

Há quem critique a dor e as lágrimas, mas elas são ótimas professoras da vida. Ambas machucam, e machucam muito, mas o tempo há de ajudar aqueles que sofrem e há de cicatrizar os corações arrebentados.

E então, quando levantarmos da queda, e percebermos que nada saiu como planejado, não há nada melhor do que fazer novos planos, novas metas e continuar seguindo em frente...



Kari Mendonça,
em uma carta para uma amiga!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Meu! Minha!

Hoje li um e-mail no qual meu namorado se referiu a mim como “minha”, mas dessa vez não foi como todas as outras, e, desde que li estou pensativa. Ao ler aquele e-mail e ao me deparar com o termo “minha”, lembrei de uma ocasião na qual um rapaz comentava sobre um noivo enquanto lamentava a perda de sua noiva.

Eles namoravam há oito anos, o casamento estava marcado para março de 2008 e o fato ocorreu em setembro do ano passado. A noiva em questão havia levado um tiro e, enquanto chorava e lamentava, o noivo não parava de dizer “minha, minha noiva! É a minha noiva”.

Aquele que contava a estória fez uma reflexão sobre aquele momento e falou que, ao ouvir aquele jovem dizer o “minha” com tanta convicção ficou emocionado. Quantas vezes nos perdemos no meio do caminho e esquecemos de dizer “minha esposa”, “meu esposo”, “meu amado”, “meu filho(a)”.

Quantas vezes a vida nos distância daqueles que são nossos por fazerem parte de nós. Quantas vezes deixamos as coisas passarem e não lembramos aqueles que amamos que de fato os amamos e que eles serão sempre nossos de alguma forma.

Aquela reflexão foi um pouco maior. Não lembro exatamente tudo o que foi dito, mas lembro da essência. E ao lembrar-me dela, foi inevitável não pensar no pequeno príncipe e na sua rosa.

Enquanto vivia no seu planeta, o principezinho conheceu aquela rosa, e dela cuidou, arrumou, mas infelizmente teve que se despedir. Em um outro planeta, o principezinho conheceu a raposa e ela lhe pediu que a cativasse para que pudessem ser amigos, mas ele não quis, pois sabia que logo teria que se despedir.

Mas a raposa não queria saber, queria ser cativada e queria cativar. Ela também tinha muito o que ensinar aquele príncipe. E, nos dias em que ia ao encontro da raposa, ele descobriu um jardim repleto de rosas iguais a sua.

- Que quer dizer “cativar”? Disse o principezinho.
- Significa “criar laços”...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade do outro. Serás pra mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.

E, no dia da despedida, ocorreu o seguinte diálogo:

- Ah! Eu vou chorar. Disse a raposa.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas fiz dela um amigo. Ela é agora a única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco, ela sozinha é porém mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou , então a raposa:
- Adeus disse ele...
- Adeus disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. (...) Foi o tempo que perdestes com tua rosa que fez tua rosa tão importante. (...) Os homens esquecem essa verdade. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

Há quem diga que “ninguém é de ninguém”, e posso até concordar que ninguém tem poder sobre ninguém, no entanto, “ser” de alguém não quer dizer obrigatoriamente que você se anulou para ser do outro.

O sentido de posse se dá pelo prazer de cativar. É seu então você cuida com carinho, você quer bem. Você cultiva. É seu e por isso, você quer o melhor para aquela pessoa, quer a felicidade dela e, quando alguma coisa a acontece mexe com você também.

Que possamos nunca nos esquecer de que temos muitas pessoas que são, de fato, nossas. Pessoas a quem cativamos. Mas que saibamos demonstrar o que sentimos e que nunca nos esqueçamos de dizer a esse alguém que o consideramos um amigo, por exemplo, um amigo nosso.

E que, acima de tudo, nunca nos esqueçamos de fazer sempre o melhor pelas pessoas que fazem parte de nós e também aquelas a quem, de alguma forma, também fazemos parte.


Kari Mendonça

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

"Era vidro e se quebrou..."

Provavelmente você já deve ter ouvido falar que, a confiança é como um vidro, e se quebrar, não tem mais jeito. Talvez você pense como um dia ela pensou, “que coisa boba, se a confiança realmente existiu, não vai acabar por qualquer coisa”. É, mas a vida acabou por ensiná-la um pouco diferente.
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Ela confiava fielmente no que lhe era dito. Nunca questionou uma só palavra. A dúvida nunca lhe passou pela cabeça. A insegurança, quando tentava se aproximar, era rapidamente afastada pela confiança, e essa, era indescritivelmente grande.
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Um dia veio a promessa e a afirmação de que, naquele tal dia, ela ganharia o que tanto havia sonhado. Desde então praticamente contava os dias para o “tal dia”, quando deveria começar contando os anos. Mas a ansiedade era grande, a vontade de realizar o sonho era maior ainda.
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Mas as coisas foram mudando, e a situação foi ficando menos favorável. Algo a dizia que não seria dessa vez que seu sonho seria concretizado, mas a afirmação continuava sendo feita e refeita e, sendo assim, não havia por que duvidar.
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A afirmação foi um pouco modificada e isso a deixou triste, mas ainda assim o seu sonho estava sendo encaminhado, era isso o que continuavam dizendo. E era nisso que ela continuava agarrada com todas as forças, na sua confiança. No que a estavam dizendo e prometendo.
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O dia estava se aproximando, as coisas pareciam estar correndo, não muito bem, mas razoavelmente, até que veio a notícia, o seu sonho teria de ser adiado. Mas isso não foi algo repentino, era algo já certo, apenas ninguém a havia informado. Ninguém havia sido sincero com ela.
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Ela ficou triste. Mas, para sair por cima (como se fizesse alguma diferença), disse que já sabia. Sim, algo a dizia isso, mas ela não queria escutar, pois a sua confiança era grande demais. Depois desse dia, no entanto, essa confiança diminuiu, e muito. Ela ainda tentou concerta-la, mas não teve jeito.
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O vidro já havia sido quebrado, os cacos já estavam todos pelo chão... Não adiantava varrer, juntar tudo e tentar colar. Não havia pedaços de vidro apenas, havia cacos. Cacos de vidro dos menores possíveis, mas que fariam falta na hora do “remendo”.
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Ela ainda vem tentando concertar, tentou colar algumas vezes, mas já percebeu que cada pedaçinho é único e insubstituível. E, quando ela achou que poderia concertar as coisas, preferiu pedir que não a prometessem nada, assim, ninguém sairia magoado. Mas dizer isso, já a havia magoado bastante e já não havia mais cura.
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A confiança jamais será a mesma. E ela decidiu correr atrás daquilo o que quer, mas da sua maneira, sem depender de ninguém. Ela tenta, faz seu caminho, trilha suas metas, mas tem sempre alguém para destruir tudo. E ela se pergunta: se não podem me dar? Por que ainda assim, querem me tirar?
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Ela não sabe a resposta, mas aprendeu que, não importa o tamanho que a confiança um dia teve, no momento em que ela é quebrada, jamais poderá ser reconstituída.
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Kari Mendonça

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Eu

Posso não saber muito sobre a vida.
Posso não ter vivido nada ainda.
Posso achar que a vida é uma farsa,
E posso não entender nada sobre amor.
Posso ainda não saber amar,
Mas não quero viver sem acreditar.
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Posso não saber do amanhã,
Pois nem sei se estarei aqui ao entardecer.
Posso nunca ter amado,
Mas gostaria de aprender com você.
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Posso não ter certeza de nada,
Mas quero o nada ao seu lado.
Posso não saber o que falar,
E não mais importa o que já foi falado.
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Posso ter vivido pouco,
E posso até ter tido outros.
Mas já não me importa o que passou,
Nem por onde você andou.
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Posso não saber muito sobre a vida,
Mas sei quando quero algo.
E não importa se a razão
Fala mais alto que o coração.
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Eu vou seguir.
Vou aonde tiver que ir.
Mas chegarei até ti,
E a gente ainda vai ser muito,
Muito feliz!

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Tua pequenininha

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Uma pergunta, e foi o fim...

Sabe quando uma amizade termina? Ás vezes por uma discussão (boba, em sua maioria), outras vezes pela distância, ou simplesmente pela vida. A minha amizade, no entanto, acabou com uma pergunta. É! Simples assim.

Éramos amigas há três anos. Andávamos grudadas o tempo inteiro. Éramos um trio perfeito. Quando uma ia ao shopping, chamava logo as outras. Íamos juntas para os shows. Os fins de semana eram sempre na casa uma das outras... Tínhamos nossas discussões, mas quem não as tem? Sempre resolvíamos tudo.

Duas de nós mudamos de colégio, mas isso não nos distanciou. Sim, nos víamos menos e saíamos menos também, mas a amizade continuava firme. Devido a uma promoção que tinha no meu celular, passávamos mais de quatro horas no telefone durante o final de semana. Tínhamos sempre coisas pra falar, assuntos para entrar em dia. Conversávamos sobre tudo.

Um dia ela me contou que estava namorando. Fiquei super feliz, pois, por ser minha amiga, e por gostar tanto dela, sempre desejei o melhor para sua vida. Diego, esse era o nome dele. Ela achou que, uma de suas melhores amigas precisava conhecer seu namorado, e então, fomos ao cinema, nós e mais alguns amigos. Achei-o um pouco estranho, na dele. Não falou muito comigo, e acho até que nem me olhou.

Eu estava feliz por vê-la, por conhecê-lo e por sair com amigos que já não via há algum tempo. Estávamos todos rindo e nos divertindo, mas Diego não tinha nenhuma reação. A tarde foi ótima, para mim ao menos. As minhas amigas, as que ainda estudavam com ela, diziam sempre que ele não era uma pessoa muito legal, era na dele (como já havia percebido) e não gostava muito de ninguém.

Nas nossas conversas ao telefone, Diego era sempre o assunto principal. O meu ex, que era rolo, depois foi namorado e voltou a ser ex, quase nunca aparecia na estória. Mas eu nunca fiz questão de nada. Gostava de vê-la feliz. Percebia a sua empolgação cada vez que falava nele, dele ou sobre alguma coisa que o envolvesse. Ás vezes ficava um pouco cansada, mas nunca a pedi para parar de falar dele.

Escutava tudo com muita atenção, e cheguei a criar opiniões sobre ele, baseado nas coisas que ela me falava. Sim, ele gostava muito dela, dava para perceber, mas, por algum motivo eu o achava exagerado demais. Por causa dele, ela acabou brigando com seu irmão e passou mais de um ano sem falar com ele.

Eu sempre a perguntava se realmente valia a pena estar sem falar com seu irmão por causa de um simples namorado. Afinal, querendo ou não, um namoro pode acabar a qualquer momento, a irmandade, entretanto, jamais acaba. Ela me ignorou por completo e decide não falar mais nada. Achei que não deveria me meter, afinal, quem era eu em sua vida?

Com o tempo ela foi se distanciando. Quando a telefonava, sempre precisava desligar logo. Parecia que não mais queria me contar coisa alguma. Todas as vezes que tentava marcar alguma coisa para fazermos, ela sairia com Diego. Antes de sentir o que poderia ser ciúmes, pensei, “ele é o namorado dela, deve ter mais direitos. Deixa dos dois se aproveitarem, afinal, eu quero mais que ela seja feliz.”

Um dia fui deixar um recado no Orkut da minha amiga (lembra que éramos três?), e, ao chegar lá, deparei-me com seu perfil. “Ela não deve ter me achado”, pensei. Depois vi que era difícil, visto que tínhamos inúmeros amigos em comum. A adicionei e deixei um recado dizendo o quando sentia a sua falta. Mas ela nunca me respondeu. Parou de entrar no MSN, e quando a encontrava, ela nunca podia falar comigo.

Deixei as coisas como estavam. Mas a situação começou a me incomodar. Gosto de tudo “às claras”, sabe? Quando o meu namoro acabou, passei meses sem falar com ele, até que um dia o encontrei no MSN e resolvi perguntar o que havia nos acontecido. Por que o namoro havia chegado ao fim? Conversamos um pouco, tudo ficou esclarecido e até voltamos a ser amigos... Por pouco tempo, mas isso é estória pra outro dia....

Resolvi que precisava conversar com ela. As coisas não poderiam continuar como estavam, pois não estava me fazendo bem. Um dia a encontrei no MSN e disse que queria muito falar com ela. E comecei a dizer que notei a distância que havia nascido entre nós. Perguntei-lhe o que estava acontecendo, por que não mais me ligava e ainda por cima me ignorava?

Se ela estivesse com raiva de mim, eu aceitaria, mesmo sabendo que não fiz nada errado. Mas o que mais me machucava, era sua completa indiferença com a minha amizade. Depois que falei e perguntei muitas coisas, ela disse que, apesar de não dever, iria me dizer algumas coisas. Falou-me então que Diego não gostava de mim. “Que mal o fiz?”, perguntei, mas eu não havia feito nada errado, ela apenas não gostava de mim.

Diego se sentia incomodado com a minha existência, com os meus telefonemas. Por algum motivo bobo, ele achava que eu atrapalhava o seu namoro, e por isso, um belo dia, ele a disse: “você vai ter que escolher, ou eu ou ela”. Nunca ouvi frase mais ridícula. Mas não foi a primeira vez em que vi um homem perguntar isso a sua namorada. Não sei por que os homens são tão inseguros que se sentem intimidados com uma simples amizade.

O que mais me deixou triste, porém, não foi saber que ele perguntou isso, mas foi ouvir que ela respondeu que preferia ele, “com toda certeza”. Penso que, ela poderia ter lutado um pouco só pela amizade, assim como ouvi uma outra menina dizer, quando foi questionada que, com toda certeza, preferia a amizade. O namorado, depois disso, ficou sem graça e resolveu continuar como estava. E depois dessa conversar, nunca mais a procurei. Ela fez o mesmo.

Recentemente soube que ela fez três anos de namoro com Diego, e então pensei, “caramba! Já faz três anos que não nos falamos. Três anos em que, a minha amizade foi jogada fora por causa de uma pergunta boba”. Ás vezes penso em como estaríamos hoje se Diego nunca tivesse aparecido em nossas vidas, e então eu percebo, que, talvez não estivéssemos em lugar algum ou estivéssemos exatamente onde estamos, visto que não houve nenhum interesse da parte dela em manter a amizade.

Não vou dizer que não sinto a sua falta, pois sinto. Gostava de seu jeito alegre, mas tive que aprender a viver sem toda aquela alegria. Espero, sinceramente, que ela esteja bem. Que o seu namoro esteja bem e que ela seja muito feliz. E quanto a mim, venho vivendo a minha vida, da melhor forma possível. Outras pessoas especiais surgiram, outras desapareceram. Algumas deixaram saudade, outras não...


Kari Mendonça