quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Meu! Minha!

Hoje li um e-mail no qual meu namorado se referiu a mim como “minha”, mas dessa vez não foi como todas as outras, e, desde que li estou pensativa. Ao ler aquele e-mail e ao me deparar com o termo “minha”, lembrei de uma ocasião na qual um rapaz comentava sobre um noivo enquanto lamentava a perda de sua noiva.

Eles namoravam há oito anos, o casamento estava marcado para março de 2008 e o fato ocorreu em setembro do ano passado. A noiva em questão havia levado um tiro e, enquanto chorava e lamentava, o noivo não parava de dizer “minha, minha noiva! É a minha noiva”.

Aquele que contava a estória fez uma reflexão sobre aquele momento e falou que, ao ouvir aquele jovem dizer o “minha” com tanta convicção ficou emocionado. Quantas vezes nos perdemos no meio do caminho e esquecemos de dizer “minha esposa”, “meu esposo”, “meu amado”, “meu filho(a)”.

Quantas vezes a vida nos distância daqueles que são nossos por fazerem parte de nós. Quantas vezes deixamos as coisas passarem e não lembramos aqueles que amamos que de fato os amamos e que eles serão sempre nossos de alguma forma.

Aquela reflexão foi um pouco maior. Não lembro exatamente tudo o que foi dito, mas lembro da essência. E ao lembrar-me dela, foi inevitável não pensar no pequeno príncipe e na sua rosa.

Enquanto vivia no seu planeta, o principezinho conheceu aquela rosa, e dela cuidou, arrumou, mas infelizmente teve que se despedir. Em um outro planeta, o principezinho conheceu a raposa e ela lhe pediu que a cativasse para que pudessem ser amigos, mas ele não quis, pois sabia que logo teria que se despedir.

Mas a raposa não queria saber, queria ser cativada e queria cativar. Ela também tinha muito o que ensinar aquele príncipe. E, nos dias em que ia ao encontro da raposa, ele descobriu um jardim repleto de rosas iguais a sua.

- Que quer dizer “cativar”? Disse o principezinho.
- Significa “criar laços”...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade do outro. Serás pra mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.

E, no dia da despedida, ocorreu o seguinte diálogo:

- Ah! Eu vou chorar. Disse a raposa.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas fiz dela um amigo. Ela é agora a única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco, ela sozinha é porém mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou , então a raposa:
- Adeus disse ele...
- Adeus disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. (...) Foi o tempo que perdestes com tua rosa que fez tua rosa tão importante. (...) Os homens esquecem essa verdade. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

Há quem diga que “ninguém é de ninguém”, e posso até concordar que ninguém tem poder sobre ninguém, no entanto, “ser” de alguém não quer dizer obrigatoriamente que você se anulou para ser do outro.

O sentido de posse se dá pelo prazer de cativar. É seu então você cuida com carinho, você quer bem. Você cultiva. É seu e por isso, você quer o melhor para aquela pessoa, quer a felicidade dela e, quando alguma coisa a acontece mexe com você também.

Que possamos nunca nos esquecer de que temos muitas pessoas que são, de fato, nossas. Pessoas a quem cativamos. Mas que saibamos demonstrar o que sentimos e que nunca nos esqueçamos de dizer a esse alguém que o consideramos um amigo, por exemplo, um amigo nosso.

E que, acima de tudo, nunca nos esqueçamos de fazer sempre o melhor pelas pessoas que fazem parte de nós e também aquelas a quem, de alguma forma, também fazemos parte.


Kari Mendonça

23 comentários:

Helena disse...

Nao sou uma pessoa que sei monstrar os sentimentos, e muitas vezes me arrependo por nao dizer ao meu pai por exemplo, que ele é tudo pra mim...

candy disse...

Lindo texto, Kari!
Sensível até demais!
^^
"O essencial é invisível para os olhos".
Essencial vai muito além do que se vê, apenas se sente...

Ah, to melhor hoje, viu?
:D
é amanhã o grande dia
uiiiiii que chegue logo!

Beeiijooo, miiinha amiga!
:D

Sinto que sei que sou: disse...

Minha amiga....te perdou por nao falar comigo no msn
Obrigada sempre por suas palavras
Amo conversar com você viu
Se cuida
Bjus

Katarine disse...

Como é difícil cativar as pessoas, e quanto é difícil valoriza-las depois que as cativamos. Mas eu sou assim: se perco alguém que demorei a cativar, ou que me cativou, sinto como de tivesse perdido um pedaço de mim...
"É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."

*Como vc trabalhou enquanto estive ausente, rs!! Mas já coloquei todos os meus recados em dia, hehehe.
Bjos!!!!

Pripa Pontes disse...

Quando o sentido de posse não se tranforma em ciúmes e poder sobre a outra pessoa, mas sim amor e cuidado, realmente o "meu" ou o "Minh" torna-se algo significativo. é o cativar o cultivar...como tão bem Exupéry nos mostra no Pequeno Príncipe.
Tava com saudades de passar por aqui ^^
Voltei para p o Recife e aqui estou.
Beijos, kari!!

Antônio disse...

É, nesse caso o "ser" de alguém, ou o "ter" alguém não confere o sentido literal de posse, como bem disseste.
No entanto, é aí que está o diferencial de quem tem sensibilidade. Essa subjetividade que os sentimetos imprimem ao que parece imutável, e a leitura diferenciada de quem raciocina com o coração e faz dele doação para quem se ama...

Nunca li O Pequeno Príncipe, talvez por nunca ter participado de um concurso de miss, hehehe. Um dia ainda faço isso.

Beijão!

Fire disse...

Eis aí o que sempre digo, aoportunidades perdidas não voltam mais!!

E o meu maio medo é não saber demonstrar meus sentimentos....

bjus Kari!

Fláh disse...

"Foi o tempo que perdestes com tua rosa que fez tua rosa tão importante."

adoooro Pequeno Principe de verdade.

Você até tme razão "Ninguém é de ninguém", mas apartir do momento que se deixa cativar, o outro passar a ser vc mesmo. Dois, sendo apenas um só.

Mylene Ribeiro disse...

Lindo como sempre Kari .

Aí q saudade que eu tava de ler tuas palavras :DDD

Amo pequeno príncipe, acho q não preciso nem comentar né !?

Menina que toca a alma !!!

Bjos

Marcus Vinícius disse...

Bonita reflexão, mas só entenden quem já passou pelo aperto de querer ter dito enão ter dito...

Beijão!

Auíri Au disse...

"...ela é minha menina
eu sou o menino dela....
..ela é o meu amor
..eu sou o amor todinho dela..."
mutantes

Quando comecei a ler logo lembrei dessa música, mesmo ninguém sendo de ninguém é sempre bom saber, que há uma pessoa te desejando e querendo o melhor para você!

Suas palavras me fazem bem!!!!



O ano começou...
viva o carnval
viva a hiprocrisia
viva as bundas..

hehehe


Bjos de luz!!!

Thayssa disse...

Linda reflexão.
O pequeno principe é sempre maravilhoso :)

Beijos

::Lone Wolf:: disse...

Simplesmente o melhor capítulo do livro. Mesmo após o fim, o que importa são os bons momentos que ficaram.
Ah, também já estava com saudade!

Bejos.

∆٭♥∞

Uma vencedora disse...

Oie Kari,

Eu li o seu texto e então pude refletir sobre o conteúdo que escreveu...

Eu queria tanto poder novamente chamar alguém de meu, só meu!!! Não por ser só meu de forma possessiva, mas por ser o meu tesouro, o meu perfume, o meu sorriso, o meu querer bem, o meu tudo!!!

....

Bjs

Janaína

Ninguem disse...

Eu as vezes não gosto de ser chamada de 'minha', ou de chamar alguém assim. Mas confesso que realmente há algo de cativante e bom nisso.

Sim, eu mudei outra vez... hahaha
:***

Paulo Roberto disse...

Poxa!!!!!
Já vi muitos blog´s, já me fascinei por muitos deles, por posts belissimos e com bastante conteúdo, mas esse aqui superou todos os outros, o que vc escreveu aqui é muito bello, isso mesmo bello com dois "L" pela intensidade do sentimento que essa palavra "MINHA" te impulsionou a externar tanta coisa linda, tanta verdade no que vc sente, vc consegue passar isso no que vc escreve.
Adorei, amei.

Abraço!

Renata Marques. disse...

infelizmente, as vezes as pessoa confudem carinho com posse...
o amor gera o medo da perda; portanto a pocessividade é um erro perdoável! ;)

Tudo que envolve pessoas e sentimentos, é altamente complexo!

Mas o pequenininho de cabelos dourados, com sua sábia ingenuidade e sua encantadora doçura, me ajuda a dismistificar alguns comportamentos humanos.

acho os humanos tão previsíveis...

´´as pessoas grandes são decididamentes bizarras´´ ;)

AMO esse livro!
e adoro seu blog! ambos me proporcionam bons momentos de reflexão!
agora tb tenho um blog...espero receber sua visita.

bjus!

Enterufter disse...

Oi MINHA amiga Kari...rsrs

É tão verdadeiro o que você falou. Tão intenso. As pessoas que amamos acabam se tornando "nossas" mesmo, porque são únicas, sem iguais no mundo. Algumas experiências só foram vividas ao lado delas, momentos felizes só foram compartilhados com elas...Linda e inteligente reflexão!

Abraços!

Marcela disse...

Karilinda, hoje eu escrevi um texto e assinei como "Sua Marcela". Recebni até um comentário se referindo a isso.. Depois passei aqui pra te visitar e encontrei esse texto sensivel e maravilhoso. Obrigada!
O Pequeno Principe, esse livro é o melhor, é fenomenal.
Adoro vc coisa rica! =)
Beijo

Lizzie disse...

"tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Eu me torno, você se torna, todos nós nos tornamos. E sim, "meu", e sim, "minha", porque as pessoas fazem parte das nossas vidas. À partir do momento em que elas entram, torna-se irrecuperável o tempo em que as desconhecíamos.

Beijocas
Belíssimo post, Kari!
Adoro-te!
www.lizziepohlmann.com

The Thinker disse...

olá menina Kari ! Td bem ? sumidos nós...

Nem sempre esse pronome eh usado como posessivo mas as vezes como carinho. Mas as vezes eh usado com posse mas escondido como se fosse de carinho.



Bjs.



www.think.blig.com.br

Bruno Oliveira / Paulo Fernando disse...

Concordo que as pessoas não tem opoder sobre ninguém mas que todos tem os seus "meus" e seus "seus", é estranho dizermos isso no mundo atual mas é a realidade todos nós somos de alguém, ou do pai, da mãe, namorada, e etc.
Ser de alguém é muito bom.

Oi Kari, vc visitou o meu blog e não pude deixar conhecer seu blog e simplesmente adorei, parabéns, não consigo mais parar de entrar pra ver se tem algo novo. Continue nos visitando.

Paulo Fernando

ALF disse...

Isso, isso. Como foi tão bom ler esse eu texto. Maravilhosa reflexão. Realmente o sentido em ser de alguém não é exatamente ao de posse material, mas o de fazer parte de nós, por estar cativo ali no nosso coraçãozinho.
Cada amigo meu é meu de verdade, cada pessoa que eu cativei é minha, e sou de cada um que me cativou. São pessoas especiais, amigos, família, paixões...

Que texto sublime Kari. Você foi muito feliz em nos presentar com a parte que eu acho mais bela do livro.

"O essencial é invisível aos olhos"

a mais pura verdade.

;)

Lindo, lindo...

Beijos