segunda-feira, 31 de março de 2008

Ainda não é saudade...

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Não! Ainda não é saudade....
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Ainda sinto no meu corpo o teu cheiro.
O gosto da tua boca ainda está na minha,
e o lençol ainda está dessarumado e
com o teu cheiro.
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Não! Ainda não é saudade...
Mas eu sei que ela vai chegar,
e pior, sei que vai ser já já!
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Kari Mendonça

quarta-feira, 26 de março de 2008

Algumas coisas...

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Respondendo ao Meme passado pelo Antônio,
a quinta frase da página 161 do livro mais próximo é:

"Porque fiquei cheio de medo".
Do livro, "Crime e castigo", Dostoiévsk.


Ah! Queria aproveitar também e agradecer cada um dos selinhos e prêmios que tenho recebido. Obrigada mesmo!

Queria também me desculpar pela ausência nos blogs e até por aqui. As coisas andam corridas, ou talvez nem tanto, mas enfim, a minha cabeça anda bem corrida e um pouco cheia. Ah! E se por acaso eu apareço no blog de um e não no do outro,
acredite, não é nada pessoal.


E não podia deixar de agradecer ao Xande, por ter sido o único a notar as mudanças no blog. Obrigada moçinho!!!!!

Beijos! E até a volta!

Kari Mendonça

sábado, 22 de março de 2008

Vem! Vem, meu bem!

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E o tempo passou,
A saudade aumentou,
E o meu desejo se espalhou.

E eu já não vejo a hora de te ter aqui.
Mas cadê tu? Vem logo.

Vem!
Chega logo nos meus braços, vem!
Vem pra cá me dá um beijo, vem!
Vem!
Que eu já não sei viver sem tu, meu bem!

E eu quero te levar pra qualquer lugar.
Poder te namorar, te beijar e te abraçar.

Vem!
Passa logo esses dias, vem!
Que eu quero tu por perto, vem!
Vem!
Que já não sei viver sem tu, meu bem!

E eu quero ver o tempo passar,
A saudade diminuir
E o meu desejo aumentar.

Vem!
Que eu já não quero viver sem tu, meu bem!
Vem!


Kari Mendonça

segunda-feira, 17 de março de 2008

A outra metade

Aninha nunca acreditou no amor. Sempre o considerou algum tipo de lenda criado apenas para juntas as pessoas e povoar a terra. Não conseguia compreender porque suas amigas ficavam tão melosas quando começavam a namorar. Achava aquilo tudo muito chato.

Prestes a completar seus 23 anos, ela nunca havia namorado ninguém. Achava que não poderia deixar de se dedicar aos estudos para se preocupar com alguém “altamente dispensável”, como ela costumava dizer. Já havia ficado com alguns meninos em alguns shows, mas nada além de alguns beijos e uns poucos amassos.

Não pense que faltavam pretendentes, Aninha era uma menina muito bonita, com seus olhos castanhos e seus cabelos curtos e sempre com um penteado moderno. Gostava de se vestir bem, e por isso aprendeu, aos 12 anos, a costurar. Todo mês comprava algumas revistas de moda e fazia para si mesma alguns modelos.

Sua vontade de criar acabou levando-a até a faculdade de moda, onde dedicava a maior parte do seu tempo. A outra parte, ficava para o trabalho em uma agência de moda e sua casa. Ela morava sozinha, pois aos 20 anos decidiu não depender mais dos seus pais e resolveu batalhar para viver.

No dia do seu aniversário, onde completaria 23 anos, Aninha conheceu Léo. À primeira vista ela gostou dele, aos poucos percebeu que ambos gostavam de algumas mesmas coisas e se indignavam da mesma forma com o mundo. Resolveram marcar um almoço e, dois dias depois se encontraram no shopping.

Aproveitando à tarde que ambos possuíam livre naquele dia, acabaram indo ao cinema e passaram um dia muito agradável juntos. Alguns passeios depois e Léo a pediu em namoro. Ela aceitou, afinal, sentia-se bem ao seu lado, gostava da conversa que tinham juntos e da saudade que sentia quando não se encontravam.

Um dia lhe perguntaram se aquilo que ela sentia não seria o tal do amor. Mas Aninha teimava em dizer que não. Não era amor, mas a cada dia ela se sentia mais envolvida com ele, queria sempre estar mais perto.

Preocupava-se se ele estava bem, se havia chegado em casa, afinal, “a violência é enorme nos dias de hoje”, ela costumava dizer. Se algo não saia bem durante seu dia, era ele o primeiro a quem ela recorria. Era para ele que contava suas conquistas, tristezas, angústias...

Em uma tarde de domingo, após uma pequena discussão, onde ela queria comer pizza, mas ele preferia pedir um sanduíche e ficar em casa assistindo filme, Léo a olhou nos olhos e disse, “está bem, vamos comer pizza, mas só porque eu amo muito você”.

Aninha ainda não havia ouvido tal declaração, mas se sentiu feliz em saber daquilo. Ela levantou do sofá, correu para os braços dele e deu um abraço apertado. E enquanto o abraçava, falou em seu ouvido, “também amo muito você”. Naquele momento ela descobriu que o amor não era uma lenda.

Depois daquele dia as coisas ficaram mais bonitas aos olhos de Aninha. Conseguir definir aquele sentimento lhe deu mais liberdade, apesar de não conseguir explicar o que sentia. Sim, era confuso e nem ela entendia. Decidiu não tentar entender e apenas viver como estava vivendo...

Em uma noite de sexta-feira, quando estavam na praia, admirando aquele lindo luar, ela o olhou de lado e perguntou, “sabia que o meu coração bate mais forte quando você chega?”. Ele sorriu, a abraçou e após um longo beijo disse, “não sabia. Mas saiba que a senhorita cuida muito bem desse meu coração, pois ele, assim como eu, é todo seu”.

E naquela noite, ela percebeu que o seu coração já não era mais apenas seu, era dele também. E ficou feliz em sentir aquilo. Era como se os dois corações, os dois seres e os dois sentimentos se completassem. E ela ficou feliz em ter descoberto o amor daquela forma, sentia-se mais completa, mais feliz. Sentia-se bem.

Era uma tarde de sexta-feira, Aninha estava trabalhando, mas Léo estava de folga e foi jogar futebol com os amigos. Era quase quinze horas quando o telefone tocou e era Lucas, o melhor amigo de Léo, dizendo que ele havia passado mal durante o jogo e o tinham levado para o hospital que ficava perto do seu trabalho.

Ela perguntou como ele estava e Lucas respondeu que ele estava sendo examinado e pediu para que ela viesse o mais rápido possível. Alguns poucos minutos depois e ela chegou ao hospital e, a primeira coisa que viu foi Lucas sentado com a cabeça baixa. Ela correu.

Perguntou o que havia acontecido, quando percebeu que ele estava chorando. Nesse momento, ainda sem saber de nada, as lágrimas escorreram por seus olhos, e ela perguntou desesperadamente onde estava Léo, ao que Lucas respondeu, “ele não resistiu”.

Enquanto as lágrimas escorriam, ela não conseguia reagir e nem pensar. Lucas a sentou na cadeira e disse que enquanto jogavam bola, ele passou mal, e, quando saiu para beber uma água, caiu no chão. “Foi infarto fulminante”, ele terminou. Mas ainda sem entender, Aninha só conseguia chorar.

Viu seus sogros chegarem ao hospital, mas não lembra de muita coisa daquele dia. Lembra pouco da manhã seguinte, quando acordou sentindo uma enorme dor no peito, e uma vontade de não sair dali nunca mais. Não conseguia se conformar em ir ao enterro de Léo. Ele não poderia estar morto. Não ele!

E sentindo uma enorme dor na alma, ela levantou, tomou um banho e foi até o enterro. Não conseguiu se aproximar do caixão. Não queria vê-lo ali, ou jamais conseguiria guardar todas as lembranças dos bons momentos que passaram juntos. Queria lembrar daquele sorriso torto que era o dele, daquela risada alta e daquele olhar meigo.

Saiu de lá e foi à praia. Aquele local onde passaram tantos momentos juntos. Onde namoraram tanto. E onde ela descobriu que o seu coração era dele e o dele dela. E naquele momento ela percebeu que o amor não era nenhuma lenda e ela havia descoberto isso através de Léo.

E assim como, naquela noite em que estavam juntos, ela descobriu que seu coração era também dele, ela decidiu então, que assim seria para sempre. Havia descoberto a maravilha que é amar, mas não estava disposta a amar mais ninguém, a não ser aquele que, um dia, a fez sentir-se completa.


Kari Mendonça

sexta-feira, 14 de março de 2008

A quoi ça sert l'amour

Pra que serve o amor?
A gente conta todos os dias
Incessantemente histórias
Sobre a que serve amar?

O amor não se explica
É uma coisa assim
Que vem não se sabe de onde
E te pega de uma vez

Eu, eu escutei dizer
Que o amor faz sofrer
Que o amor faz chorar
Pra que se serve amar?

O amor, serve pra que?
Para nos dar alegria
com lágrimas nos olhos
É uma triste maravilha

No entanto, dizem sempre
Que o amor decepciona
Que há um dos dois
Que nunca está contente

Mesmo quando o perdemos
O amor que conhecemos
Nos deixa um gosto de mel
O amor é eterno

Tudo isso é muito lindo
Mas quando acaba
Não lhe resta nada
Além de uma enorme dor

Tudo agora
Que lhe parece "rasgável"
Amanhã, será para você
Uma lembrança de alegria

Em resumo, eu entendi
Que sem amor na vida
Sem essas alegrias, essas dores
Nós vivemos para nada

Mas sim, me escute
Cada vez mais eu acredito
E eu acreditarei pra sempre
Que é pra isso que serve o amor

Mas você, você é o último
Mas você, você é o primeiro
Antes de você não havia nada
Com você eu estou bem

Era você quem eu queria
Era de você que eu precisava
Eu te amarei pra sempre
E a isso que serve o amor.

Edith Piaf

segunda-feira, 10 de março de 2008

A estória de Pedro e Clara (Parte II)

-Não esqueça de ler a Parte I.
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(...)
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“Eu não o pedi desculpas”, pensava ela. Gostava de ouvir sua mãe, pois sempre a acalmava, mas ela sempre acabava falando que Pedro havia telefonado e mandado alguns recados, e isso a deixava angustiada.
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“Eu não posso morrer, não agora! Não sem antes falar com ele e dizer o quanto o amo”. E era esse pensamento que a deixava mais forte a cada dia. Com o tempo sua mãe reparou que as lágrimas caiam quando se falavam em Pedro e, apesar de querer que a filha ficasse boa, sabia que o pior poderia acontecer.
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Ao sair do hospital, ela telefonou para Pedro e lhe contou o que havia reparado. Disse-lhe que compraria sua passagem ainda naquela manhã, pois o queria lá o mais rápido possível. Ele ficou feliz, mas pensou que aquela atitude poderia ser um aviso da piora de Clara e isso o deixou triste e nervoso.
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A passagem foi comprada e, na manhã seguinte Pedro chegou à cidade. Do aeroporto foi direto para o hospital. Entrou sozinho na UTI e, ao perceber sua amada deitada naquela cama, as lágrimas não paravam de cair dos seus olhos. Sentou-se ao lado da cama, segurou sua mão, encostou a cabeça nela e chorou.
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Enquanto chorava uma enfermeira entrou e, ao perceber a cena falou:
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- Fale com ela. Ela pode ouvi-lo.
.Ele sabia disso, mas não conseguia dizer coisa alguma. Até que a olhou no rosto e disse:
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- Minha menina, eu estava com tanta saudade de ti. Não imaginas o quanto foi difícil estar longe todos esses dias. Não parei de telefonar nem um dia, e não deixei de pensar em ti por nem um segundo. Eu queria dizer o quanto te amo e o quanto és especial e importante na minha vida. E enquanto falava, as lágrimas caiam e caíram ainda mais ao perceber as lágrimas no rosto de Clara.
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Novamente ele encostou a cabeça nas mãos que segurava com as suas, e chorou por não poder fazer nada. Queria ajudá-la. Queria vê-la bem. Enquanto Clara ouvia tudo atentamente. As lágrimas escorriam por seus olhos, pois sentia vontade de lhe dizer as mesmas coisas.
.Enquanto ouvia aquele choro tão triste, Clara abriu os olhos. Não sabia exatamente onde estava. Percebeu que alguém segurava suas mãos e rapidamente abaixou o olhar para aquele que chorava. Foi quando reparou que era Pedro, e logo se lembrou da discussão, do carro, do barulho das ambulâncias e da voz de sua mãe.
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Lembrou da voz de Pedro, e das coisas que ele havia dito há pouco. Ela apertou a mão, o que o fez levantar a cabeça e olhá-la nos olhos. Ao perceber que ela estava acordada não acreditou. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela falou "te amo! E amo muito”.
.- Minha menina!!! Também te amo muito, respondeu ele.
.Ela colocou a mão na boca dele e então falou:
.- Me desculpa por aquela discussão boba. Nada justifica minhas atitudes, mas eu preciso te pedir desculpas.
- Não! Não precisa se desculpar de nada, vamos esquecer aquele dia. Não fala nada agora que eu vou chamar um médico, respondeu Pedro.
- Não! Não chama ninguém. Eu preciso falar contigo. E precisa ser agora, ela falou ao perceber que ele estava se levantando.
- Mas... Ele tentou.
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Mas ela continuou firme:
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- Você não entende... Foi você que me manteve consciente todos esses dias. Foi por você que eu lutei pela vida. Eu precisava te pedir desculpas. Dizer-te o quanto fui boba e o quanto te amo. Naquela noite eu fui à praia, mas esqueci o celular no carro, por isso não atendi as tuas ligações, me desculpa!
.Em meio às lágrimas, Pedro respondeu:
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- Minha menina, eu já disse que não precisa se desculpar. Aquela foi só uma discussão boba. Ambos falamos coisas que não queríamos, e tu não imaginas quão maravilhoso é poder te ver bem. Não imaginas como fiquei desesperado em pensar na possibilidade de te perder. Te amo muito e não sei se saberia viver sem a parte mais linda do meu ser, tu.
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Quando terminou de falar, ele a beijou na testa e foi chamar o médico... Alguns dias depois Clara foi transferida para um quarto. Pedro ficou ainda umas semanas e voltou para sua cidade.
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A relação dos dois está cada dia mais firme, e o sentimento de ambos, cada vez mais forte. Eles pensam em noivar no meio do ano, e pretendem casar ainda esse ano, pois Pedro quer levá-la para morar junto dele. Não agüenta mais ficar longe de sua amada.
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A saúde de Clara está ótima. Não teve nenhuma seqüela do acidente e ela está muito feliz com a idéia de se casar com Pedro. Também não vê a hora poder estar com ele a todo o momento.
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Kari Mendonça

sábado, 8 de março de 2008

A estória de Pedro e Clara (Parte I)

Clara sempre foi uma menina tranqüila. É uma menina bonita, com seus olhos cor de mel e seus cabelos escuros e longos. Não tem muitos amigos, mas os poucos que tem, considera como irmãos. Quando se apaixona, entra de corpo e alma na relação.
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Mantém um namoro à distância com Pedro. Eles se conheceram quando ele veio passar as férias em sua cidade e, desde então, estão completamente apaixonados um pelo outro. A cada três meses eles se encontram, e a relação já dura dois anos e meio.
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Naquela tarde ela estava um pouco irritada com as provas, havia passado à noite inteira estudando e lendo livros. Também estava triste por ter saído do emprego e ficou chateada quando Pedro não atendeu seus telefonemas.
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Mais tarde, quando ele retornou, ela não quis falar. Disse que, quando queria ele a desprezou e por isso não tinha mais nada para falar naquele momento. Ele ficou triste com a reação e achou melhor não discutir, então, desligou o telefone.
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Ah! Essa foi a gota d´água. Ela telefonou e começou a discussão mais idiota de todas... Ele acabou ficando irritado e as coisas tomaram proporções um pouco maiores. Algum tempo depois de falarem coisas inúteis e com toda intenção de magoar um ao outro, ambos desligaram o telefone.
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Sentada na cama do seu quarto, Clara começou a chorar desesperadamente. De repente percebeu o que havia feito. Tentou ligar mais uma vez, mas Pedro não atendeu ao telefone. Ela sabia que deveria esperar mais um pouco para ligar, mas queria se desculpar.
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Tentou mais algumas vezes, mas ele não atendeu. Lembrou-se da prova, foi tomar banho e se arrumar. Pegou o carro e seguiu para a faculdade. Entrou na sala, não disse muitas palavras, fez a prova e foi embora. Não queria ir para casa, precisa de um tempo sozinha.
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Precisava pensar nas conseqüências de suas atitudes impensadas. Resolveu ir à praia, o mar sempre a acalmava e ela precisava sentir-se reconfortada. Na verdade, ela precisava dele, e não conseguia entender o que aconteceu durante a tarde.
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Quando já estava na praia a um bom tempo, resolveu tentar mais uma vez, e foi quando percebeu que havia deixado o celular no carro. Decidiu telefonar mais tarde, não queria sair naquele momento, não quando já estava se acalmando. Quando as lágrimas estavam quase secas.
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Percebeu que as horas haviam passado e decidiu ir para casa. Entrou no carro e, ao encontrar o celular, percebeu quatro ligações do Pedro. “Ele me ama”, pensou ela. Estava pronta para telefonar, quando percebeu alguém querendo estacionar em sua vaga. Saiu do estacionamento e seguiu na avenida.
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Mas precisava telefonar para ele, não poderia esperar mais nem um segundo. Enquanto seguia, discava os números até que ouvi o telefone chamando. Ele atendeu, “meu amor?”. Mas antes que ela pudesse responder, um bêbado passou o sinal vermelho, com toda velocidade, e bateu exatamente em seu carro.
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Pedro ouviu um grito seguido de uma batida, e nada mais. Gritava por Clara, mas ela não respondia. Desligou o telefone e tentou ligar outras vezes, mas era inútil, ouvia apenas que o telefone estava fora da área. Ele começou a se desesperar, e telefonou para seus sogros, precisava lhes dizer o que havia acontecido, apesar de não saber ao certo.
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As ambulâncias chegaram, e ela foi levada ao hospital em estado grave. Seus pais a encontraram e transferiram para um hospital particular. Ligaram para Pedro e disseram o que realmente havia acontecido. Falaram sobre o acidente e o grave estado em que Clara se encontrava. Do outro lado da linha, ele parecia desesperado, chorava muito.
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Queria ir vê-la, mas havia viajado há apenas um mês e não tinha condições financeiras para voltar logo. Mas queria estar junto da sua “menina”, como ele a chamava. Precisava estar ao lado dela nesse momento difícil. Resolveu esperar um pouco.
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Os dias foram passando e Clara continuava no hospital, não mais em estado grave, mais ainda em coma. Todos os dias sua mãe ia conversar com ela. Sim, durante o coma ela escutava tudo, e cada vez que ouvia o nome Pedro, as lágrimas escorriam pelo seu rosto.
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Kari Mendonça
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-A estória ainda não acabou.
É que fui escrevendo, e escrevendo...
E quando percebi, estava um pouco grande...
Em muito breve colocarei a Parte II!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ética do amor

Engraçado como um texto mexe com as pessoas. Quando li o texto do Rubem Alves, Ética de princípios, confesso que não pensei em quase nada do que tanto foi falado nos comentários. Todos interpretaram alguma coisa, e com isso percebi que eu não havia interpretado quase nada. Foi apenas algo que me deixou pensando durante dias.
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Ao ler o texto, achei que, ser ético, ás vezes, acaba sendo uma atitude um pouco cruel, mas até o meu próprio pensando me deixou ainda mais confusa devido a situações que vivenciei. O exemplo que o Rubem usou foi o caso de uma paciente em estado terminal, com câncer, perguntar a um médico se escaparia.
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Aos dez anos de idade, o terceiro quarto da minha casa deixou de ser apenas o "quartinho da tv" para ser um hospital em casa ("home care", como chamam). O hospital era para a minha bisavó materna que estava com câncer, em estado terminal. Ela nunca soube o que tinha, a única coisa que lhe diziam era que estava com uma virose.
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Dois meses depois que minha bisavó chegou aqui com o hospital, ela faleceu. Exatamente aqui, onde estou sentada e escrevendo, obviamente, existia uma cama e não um computador. Alguns anos depois a sua filha, minha avó materna, também teve câncer, mas o tratamento foi bem sucedido e tudo estava bem.
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Estava bem, até novembro de 2006, quando, ao sentir umas dores nas costas, mas não por causa delas e sim por enjôos, a minha avó foi levada para o hospital e de lá não saiu mais. Após vários exames foi descoberta a metástase na coluna, em estado altamente avançado e crítico.
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Os médicos diziam que o processo seria lento, uns oito meses em média. Primeiro ela perderia os movimentos das pernas. Algum tempo depois o dos braços, e assim por diante. Dois dias depois ela não andava mais. O processo foi bastante acelerado surpreendendo a todos, inclusive aos médicos.
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Um pouco mais de um mês após entrar no hospital a minha avó faleceu. Ela também não soube da mestástase, e por isso, não sabia que estava em estado terminal. E nesse momento você me pergunta o que isso tem a ver com o texto do Rubem, e eu te respondo que é bem simples.
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O fato é que, o exemplo citado no texto foi algo que vivenciei, e quer saber? Não usaria a ética em nenhum deles, não a ética profissional, mas talvez a ética do amor. Sim, e foi essa ética que usei. Foi essa ética que usei todos os 32 dias em que fui naquele hospital visitar a minha avó. Foi ela que usei nos dois meses que passei convivendo com o fim da minha bisavó dentro da minha própria casa.
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Então sim, eu acredito na ética do amor. Nem sempre o profissionalismo é tudo na vida. Nem sempre a verdade é a coisa certa a ser dita (em momento extremos, que fique bem claro isso, pois sou uma pessoa que preza a verdade acima de tudo. Confuso, né?). E quanto a outros exemplos e perguntas feitas no texto, tenho minhas opiniões formadas sobre alguns deles, apenas não havia pensado em respondé-los.
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Quanto a pesquisa com células-tronco, tenho que dizer que sou completamente a favor, pois o meu primo de 16 anos que mora na Europa e também teve câncer, hoje está curado devido ao uso dessas células. Logo, eu jamais poderia ser contra sabendo que foi algo que lhe salvou a vida.
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E sim, a camisinha ainda é o único método pra diminuir a incidência da Aids. E não vem me dizer que parece que está "chupando bala com papel", pois não tem nada a ver. Não consigo entender a tamanha resistência em usar uma coisinha tão simples para diminuir problemas futuros. Mas quer saber? O uso da camisinha vai da consciência de cada um.
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Quanto ao aborto, esse sou contra em qualquer situação, exceto em risco de vida para a mãe. Aí você vem me falar sobre um caso de estupro, mas eu continuarei afirmando que sou contra. Afinal, eu não acho que você deve criar um filho se não quer ou não tem condições, já ouviu falar em orfanato?
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Quanto a eutanásia, ainda não tenho nenhum posicionamento a respeito. Penso, penso, mas não consigo concordar ou discordar com nada. Sim! Algumas coisas ficam estagnadas na minha mente e não vão a lugar algum.
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E quanto ao divórcio, também acho que é uma escolha de cada um. Como já disse inúmeras vezes, não acho que alguém começe uma relação pensando no seu fim, e principalmente um casamento. Mas se chega um momento em que não dá mais certo por algum motivo, acho que não há motivos para levar adiante.
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Mas enfim, são alguns assuntos que realmente não gosto tanto de discutir. Apenas os comentários feitos no post passado, me chamaram a atenção para pensar em coisas que já havia pensando, mas não por causa do texto.
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Acabei pensando nesse monte de coisas. Acabei desabafando ou sei lá o quê. Aproveitei pra falar um pouco do meu ponto de vista sobre inúmeros assuntos, mas realmente eu não gostaria de comentários discutindo ainda mais isso.
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Kari Mendonça

terça-feira, 4 de março de 2008

Ética de princípios

Já faz algum tempo que decidi fazer desse blog, algo apenas meu. Sem textos de outros. E, quando não tivesse nada interessante para escrever, nada escreveria. E não mais colocaria textos para "acumular" publicações. Acontece que hoje, eu estava com o word aberto, pronto para escrever um texto, quando resolvi passear pela UOL e encontrei a seguinte manchete: "qual ética está a serviço do amor?". Resolvi ler o que o Rubem Alves havia falado sobre isso, e afinal, o que seria isso? Ao acaber de ler, percebi que gostaria que mais pessoas lessem aquilo. Mas nem todos passam pela UOL, e nem todos lêem a Folha de S. Paulo, então, nada mais certo do que abrir uma pequena exceção no meu blog para uma boa leitura dos meus queridos leitores. Espero que gostem, tanto quanto eu...
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Kari Mendonça
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As duas éticas: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos -a que os filósofos dão o nome de ética contextual.
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Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre os estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não vêem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe...
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Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos vêem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram...
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Vou aplicar a metáfora a uma situação concreta. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo.
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O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: "Doutor, será que eu escapo desta?"
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Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer?
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Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: "Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer..." Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações.
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A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.
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Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: "Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano -'A senhora breve estará curada...'-, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?" E ele dirá:
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"Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer..." Aí, então, os dois conversarão longamente -como se estivessem de mãos dadas ...- sobre a morte que os dois haverão de enfrentar. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade.
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Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem.
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Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da Aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará?
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Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: "Qual delas está mais a serviço do amor?"
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Rubem Alves,

domingo, 2 de março de 2008

Um dia me perguntaram

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Um dia me perguntaram
Se eu sabia amar.
Respondi que não sei.

- Não sei se sei.
Nunca me ensinaram,
Nem me deram nenhum
Manual pra aprender.
Mas ás vezes sinto coisas...
Coisas dentro de mim.

Disseram que não fui clara.
Pediram uma explicação.
Pensei, pensei, até que falei:

- Eu não sei se é amor,
Também não sei se é amar.
Mas sei que o coração
Bate mais forte só em
Ouvir falar (dele).
A saudade machuca,
Mas ajuda.
O tempo distância,
Mas aproxima.
O coração quer,
O corpo pede,
E a alma já nem sabe
Mais o que fazer.
É impossível explicar
Ou apenas comentar,
Mas é algo grande.
Chega até a não caber no
Coração. Ah! O coração...
Esse bate mais forte só de pensar...
E falar então...

Disseram que quando acabei,
Estava sorrindo, mas,
Sabe que nem notei.
E foi quando concluíram,
Que eu já amei!

Mas tive que completar,
Que não importa o que existiu,
Nem mesmo o que se sentiu.
O amor mais belo de todos
É aquele sinto hoje,
E que nasce todos os dias,
Quando recebo um simples
“Bom dia”!



Kari Mendonça