quinta-feira, 6 de março de 2008

Ética do amor

Engraçado como um texto mexe com as pessoas. Quando li o texto do Rubem Alves, Ética de princípios, confesso que não pensei em quase nada do que tanto foi falado nos comentários. Todos interpretaram alguma coisa, e com isso percebi que eu não havia interpretado quase nada. Foi apenas algo que me deixou pensando durante dias.
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Ao ler o texto, achei que, ser ético, ás vezes, acaba sendo uma atitude um pouco cruel, mas até o meu próprio pensando me deixou ainda mais confusa devido a situações que vivenciei. O exemplo que o Rubem usou foi o caso de uma paciente em estado terminal, com câncer, perguntar a um médico se escaparia.
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Aos dez anos de idade, o terceiro quarto da minha casa deixou de ser apenas o "quartinho da tv" para ser um hospital em casa ("home care", como chamam). O hospital era para a minha bisavó materna que estava com câncer, em estado terminal. Ela nunca soube o que tinha, a única coisa que lhe diziam era que estava com uma virose.
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Dois meses depois que minha bisavó chegou aqui com o hospital, ela faleceu. Exatamente aqui, onde estou sentada e escrevendo, obviamente, existia uma cama e não um computador. Alguns anos depois a sua filha, minha avó materna, também teve câncer, mas o tratamento foi bem sucedido e tudo estava bem.
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Estava bem, até novembro de 2006, quando, ao sentir umas dores nas costas, mas não por causa delas e sim por enjôos, a minha avó foi levada para o hospital e de lá não saiu mais. Após vários exames foi descoberta a metástase na coluna, em estado altamente avançado e crítico.
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Os médicos diziam que o processo seria lento, uns oito meses em média. Primeiro ela perderia os movimentos das pernas. Algum tempo depois o dos braços, e assim por diante. Dois dias depois ela não andava mais. O processo foi bastante acelerado surpreendendo a todos, inclusive aos médicos.
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Um pouco mais de um mês após entrar no hospital a minha avó faleceu. Ela também não soube da mestástase, e por isso, não sabia que estava em estado terminal. E nesse momento você me pergunta o que isso tem a ver com o texto do Rubem, e eu te respondo que é bem simples.
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O fato é que, o exemplo citado no texto foi algo que vivenciei, e quer saber? Não usaria a ética em nenhum deles, não a ética profissional, mas talvez a ética do amor. Sim, e foi essa ética que usei. Foi essa ética que usei todos os 32 dias em que fui naquele hospital visitar a minha avó. Foi ela que usei nos dois meses que passei convivendo com o fim da minha bisavó dentro da minha própria casa.
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Então sim, eu acredito na ética do amor. Nem sempre o profissionalismo é tudo na vida. Nem sempre a verdade é a coisa certa a ser dita (em momento extremos, que fique bem claro isso, pois sou uma pessoa que preza a verdade acima de tudo. Confuso, né?). E quanto a outros exemplos e perguntas feitas no texto, tenho minhas opiniões formadas sobre alguns deles, apenas não havia pensado em respondé-los.
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Quanto a pesquisa com células-tronco, tenho que dizer que sou completamente a favor, pois o meu primo de 16 anos que mora na Europa e também teve câncer, hoje está curado devido ao uso dessas células. Logo, eu jamais poderia ser contra sabendo que foi algo que lhe salvou a vida.
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E sim, a camisinha ainda é o único método pra diminuir a incidência da Aids. E não vem me dizer que parece que está "chupando bala com papel", pois não tem nada a ver. Não consigo entender a tamanha resistência em usar uma coisinha tão simples para diminuir problemas futuros. Mas quer saber? O uso da camisinha vai da consciência de cada um.
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Quanto ao aborto, esse sou contra em qualquer situação, exceto em risco de vida para a mãe. Aí você vem me falar sobre um caso de estupro, mas eu continuarei afirmando que sou contra. Afinal, eu não acho que você deve criar um filho se não quer ou não tem condições, já ouviu falar em orfanato?
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Quanto a eutanásia, ainda não tenho nenhum posicionamento a respeito. Penso, penso, mas não consigo concordar ou discordar com nada. Sim! Algumas coisas ficam estagnadas na minha mente e não vão a lugar algum.
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E quanto ao divórcio, também acho que é uma escolha de cada um. Como já disse inúmeras vezes, não acho que alguém começe uma relação pensando no seu fim, e principalmente um casamento. Mas se chega um momento em que não dá mais certo por algum motivo, acho que não há motivos para levar adiante.
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Mas enfim, são alguns assuntos que realmente não gosto tanto de discutir. Apenas os comentários feitos no post passado, me chamaram a atenção para pensar em coisas que já havia pensando, mas não por causa do texto.
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Acabei pensando nesse monte de coisas. Acabei desabafando ou sei lá o quê. Aproveitei pra falar um pouco do meu ponto de vista sobre inúmeros assuntos, mas realmente eu não gostaria de comentários discutindo ainda mais isso.
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Kari Mendonça

7 comentários:

Reticências disse...

É, são assuntos polêmicos e como tais dificilmente chegarão a um consenso.

Qdo vc se diz a favor ou contra algumas ação, leva-se em conta sua experiência concreta. E isso pode mudar, com o tempo.

Engraçado vc levantar esse ponto qdo o congresso adiou a votação sobre o uso de células tronco.

Bjo

Candinha disse...

te amo, kariroca. saudade!
Candinha. :*

p.s.: escrevendo diretamente da agência (!!!) =D

xero!

amanda disse...

eu também sou a favor das células-tronco. Me comovi muito com o teu texto, imagino que deve ter sido uma barra. Mas me adimiro pela sua força, pelo seu otimismo. Deve ser uma pessoa sensacional! Teu blog está nos meu links. E tu mora na terra dos meus sonhos, Beijos ;*

Antônio disse...

Vou, pacientemente, me posicionar sobre todos os assuntos citados.

1) A ética do amor: sou a favor, sempre! Por mais que o mundo exija profissionalismo em certos momentos, vou contra, pois acho que é o amor o maior construtor do bem e, mesmo que para isso uma mentira tenha que ser sustentada, eu apóio.

2) A mentira em si: "tô te incomodando?", me pergunta minha avó, às vezes. Vou responder que sim, só porque ela tá contando pela quinta vez a mesma coisa? Não, eu minto. "Tô bonita?", "ficou bom?", "gostou do meu namorado?", são todas perguntas que, sim, eu minto, se for para ver o sorriso de uma pessoa querida. Mentira, para mim, só é condenável quando prejudica a vida de uma pessoa imediatamente.

3) Células-tronco: se for para o bem da humanidade, sou a favor. Clonagem é outro papo, mas temos que pensar nas vidas que já existem e que clamam por bem-estar.

4) Camisinha: sempre! É uma droga de usar? É. Tira a sensibilidade? Um pouco. Porém, proteção é tudo. Se não conheço o histórico da parceira, nem titubeio.

5) Aborto: sou contra apenas se não tiver motivo aparente. Sei que existem orfanatos, mas também sei a dor de não ter amor de pai e mãe, e o orfanato não dá 100% de garantia de adoção. Portanto, em casos de estupro, sou a favor. "Mãe, e meu pai?" "É um ladrão que me violentou". Creio que isso seja um tanto traumático.

6) Eutanásia: está dentro do livre arbítrio. Se uma pessoa pode pegar uma arma, por mais errado que seja, e dar um tiro na cabeça, tem também o direito de desistir da vida se a dor for insuportável.

7) Divórcio: totalmente a favor. Não suportaria ver minha mãe sendo infeliz para o resto da vida apenas para manter as aparências de um papel.

A verdade é que, quando se vive um assunto desses na pele, a opinião muda. Passamos de julgadores a vítimas, ou réus, o que muda todo o campo de visão. Temos que considerar isso, e que cada pessoa pensa diferente.

E hoje foi minha vez de postar um texto aqui nos comentários. =]

Beijão, moça!

candy disse...

Amiga, li tudinho e tenho milhares de comentários a fazer, mas no momento parece que meus dedos nao querem tc.. acho que eles não querem nada na verdade.
Respondendo sua pergunta: é oq vc pensa sim.

*hahaha
Antônio postou um mega comentário e eu me lembrei das minhas frases sem fins nos blogs queridos!
hehe
"Que momento!"

;***

Uma vencedora... disse...

Amiga,

Vc está certíssima...

Eu concordo com vc em todos os pontos!!!

As pessoas muitas vezes não param para perceber que existe situações na vida que poderia ser vista de forma diferente e simplesmente agem com imaturidade...

E que todos acham que nunca acotecerá com eles mesmos...

Bjs

Janaína

ALF disse...

Como disse, existem certas coisas que não conseguimos entender.
Bem, acima de tudo, ´devíamos sempre agir com esperança, com essa certeza de ganhar.
São assuntos polêmicos, embore ache a eutanásia a mais confusa. Não vou me posicionar também.
O aborto também não é justificável. A criança não tem culpa. Se não quiser cuidar dela, existem orfanatos. Simples. Agora desperdiçar uma vida não. Poxa, uma vida é uma bênção, seja da forma como foi concebida.

As células-tronco, se ajudam eu apoio. Certas tecnologias, usadas com sabedoria são muito úteis.

;)
Beijos