sexta-feira, 25 de abril de 2008

E agora? Não sei mais...

Para os que ainda não sabem, sou estudante de jornalismo, cursando o terceiro período (ou semestre, como queira). No último semestre, passei por momentos ruins e cheguei a desistir do curso. Digo do curso, não do jornalismo, mas a dúvida passou e vi o que eu realmente queria.

O novo semestre começou e eu estava empolgada. Tinha certeza, mais que nunca, que estava no curso certo. Mas a banalização da informação começou a me perturbar. Sim! Eu quero ser jornalista, procurar a notícia onde ela estiver, informar a população, escrever... Mas não quero passar por cima de ninguém pra isso.

Vou ser mais específica. O fato é que, há quase um mês, sempre que ligo a televisão, o nome Isabella está sendo pronunciado, e, quando não, está escrito na tela. Só se fala na menina que foi jogada do sexto andar.

Hoje, assistindo ao “Hoje em dia” da Rede Record que, desde o dia primeiro, “dedica” mais de uma hora para falar sobre o caso. Acho que hoje, no entanto, foi diferente, pois as horas de “dedicação” foram maiores.

Enquanto no estúdio tinham peritos, advogados e promotores falando sobre o caso, na frente do edifício London, estava uma repórter que, a cada vez que saia alguém do prédio ela entrava no ar na tentativa de perguntar se sabiam algo sobre o ocorrido naquela madrugada de sábado.

Sim! Ela estava fazendo o papel dela, mas confesso que fiquei irritada. A cada pessoa que saia ela fazia as mesmas perguntas. Entrevistaram até a esposa do zelador do edifício que não morava no local (até pouco depois do crime) e não conhece ninguém, ou seja, nada do que ela falou foi relevante.

Talvez você me ache insensível, mas o fato é que estou cansada dessa apelação e sensacionalismo que temos visto tanto. Os programas de televisão não falam sobre isso o tempo inteiro para informar a ninguém, falam, pois dá ibope e o que eles querem é audiência e lucro.

Conversando com alguém (não lembro quem) eu disse que, logo as pessoas esqueceriam da Isabella. Então me responderam que não, pois foi um crime “bárbaro” e a sociedade está chocada. Mas eu continuo afirmando que isso também será esquecido. Afinal, alguém lembra quem foi o João Hélio? Ou o Manfred e a Marisa?

Viu? As pessoas esquecem. O calor do momento passa. A vida volta ao normal e, quando ninguém lembrar de mais nada, haverá um julgamento. E, quando isso acontecer, será necessário lembrar a sociedade, detalhadamente, de todo o ocorrido.

Sabe a Suzane e os irmãos Cravinhos que mataram o Manfred e a Marisa? Não sei se lembras, mas eles confessaram o crime. Acredita que no julgamento (após terem confessado), eles foram quase absorvidos? É, foram três votos a favor deles, e quatro votos contra. Ou seja, não adianta culpar o casal hoje, pois ninguém sabe quem será o jurado daqui a uns cinco (no mínimo) anos...

Enfim, o fato é que, após observar a forma como uma notícia está sendo tratada e de me irritar completamente com uma repórter eu fiquei bastante pensativa. “É isso que eu quero pra mim”? Na verdade, eu não sei. O que me levou ao jornalismo foi a vontade de escrever, mas acho que não será o suficiente para seguir.

Mas, de uma coisa eu tenho certeza, eu não gosto dessa banalização da informação. E, para obter qualquer “notícia”, também não quero precisar passar por cima de ninguém.


Kari Mendonça

11 comentários:

Pripa Pontes disse...

Kari, 1° ví sim seu recadinho no dia do meu níver, obrigada ^^
2° queria muuuuito ter ido ver vcs na Mc, mas tive que viajar mais cedo do que pensei e outros programas virão...
3° acho que essas dúvidas são sempr positivas, não se pode confiar em alguém que é 100% certo que seu curso é tudo o que sempre esperou, no mínimo ele está idealizando demais, se negando à realidade. Eu mesmo dentro de toda a "paixonite" por RI, descobrí certas coisas nesse 3° período que me fizeram repensar mto minha decisão. Como a crença de que não há nem haverá justiça internacional, então para quê diplomatas? P quê eu estar me debruçando em cima de teorias e teorias se no fim todos só buscam garantir seus próprios interesses através da guerra?
Apesar dessa crise, consegui me estabelecer e decidí que apesar da corrupção política no meio, dos "apadrinhamentos" de uma ONU sem autonomia, eu quero diplomacia e quero ser um profissional que segue meus princípios em busca de uma valorização e reconhecimento do meu país.
Portanto, kari, se escrever é o que vc realmente quer, e eu sei q vc tem o dom p isso, vá em frente e enfrente as adversidades desse meio ue só servirão para lhe fortalecer como profissional. Apesar de todos os sensacionalismos e buscas por manchentes escandalisantes ainda se encontram jornalistas sérios e são eles que fazem o verdadeiro jornalismo existir. Você também pode ser assim, basta erguer-se, superar os obstáculos e sempre, seguir em frente!
No mais, profissionais que só buscam o lucro e desmoralizam a categoria existem em todas as áreas.

OOps me empolguei né? Chega. ^^

Muitas saudades viu Kari!!!
Bjos e um ótimo fim de semana!

Uma vencedora... disse...

Amiga...

Quero dizer que ter você mesmo que por algumas vezes nem sempre tão frequentes no seu espaço, me deixa muito, muito feliz!!!

Concordo com você quando se refere ao exagero que estão fazendo em torno de tão fatidiga noticia, que ao invés de ter um unico motivo, mobilizar a população com relação a esse crime, está fazendo com que a midia tire proveito disso sem dó nem piedade, somente por dinheiro!!!

Bjs

Janaína

Lilah disse...

Concordo com vc,Kari.

O Brasil gosta de novelas, e faz de casos como esses de pessoas de classe média,"normais" que praticam algum ato criminoso hediondo algo pra se acompanhar.
por isso que o BBB faz sucesso,eles gostam do zoologico humano.
e o jornalismo caminha pra superficialidade,
admiro aqueles profissionais que usam o seu poder para serem criticos e falarem sobre tudo.
é complicado ver uma pessoa q estudou 4 anos repetindo coisas que todos falam.
viram máquinas.

=/

candy disse...

Li tudinho
hihihi

qnt ao ultimo post, vc sabe sim!
vc sabe que quer ser jornalista. E sabe muito mais: que não quer ser igual ao tipo de jornalista que vc disse.
Vc vai além, muito além.
E eu boto mtaaaa fé nisso!
acredito na pernambucana aos montes!

;******

Katarine disse...

Kari,
Engraçado, me faço esta mesma pergunta todos os dias, quando tenho que ir a um velório, ou ficar na frente do DML implorando para algum familiar de uma pessoa assassinada falar comigo.
Lembre-se, sou repórter de polícia.
Fico pensando se as pessoas realmente querem saber o que a mãe de um adolescente envolvido com o tráfico quer falar. Se é que ela quer falar, porque a resposta geralmente é negativa.
Aí me pergunto: foi isso que sonhei quando preenchi a lacuna de Comunicação Social na ficha de inscrição do vestibular?
Não, jamais pensei nisso para minha vida. Mas infelizmente, páginas de cultura não vendem jornal. E eu tenho que me sustentar.
mas se vc me perguntasse a qual editoria eu gostaria de pertencer, a resposta já está acima. Gostaria de discutir coisas interessantes, que nos façam pensar, como cultura, educação, economia.
Mas... parece que isso não vende jornal...
Uma pena. Mas o que me faz continuar onde estou, é a esperança de que um dia vou mudar de editoria, e de que um dia as pessoas vão pensar diferente.
É isso.
Parte da angústia de minhas palavras em meu blog dizem respeito ao que você levantou em seu post. Isso é ser jornalista?
Não, eu penso que não. E é por isso que nossas mentes jovens tem que usar sua força para tentar mudar, tentar fazer um jornalismo mais digno, mais humano, um jornlismo diferente.
Parece demagogia? Mas não para isso que estudamosna faculdade?
Se é isso que sonhas para ti, não desista, vá em frente. Pois todas as profissões têm seu lado ruim.
E esse é um dos lados ruins da nossa.
Bjos e fica com Deus!!
Que bom que voltaste!!!

Candinha disse...

kari.. Acho que agora, e mais do que nunca, é que vc deve continuar cursando jornalismo, o seu curso. Como entender do que se trata essa profissão e de que maneira vc será como profissional senão entendendo e explorando cada vez mais esse universo? Alguém uma vez disse que revolta sem ação era só ideologia, ideologia sem protesto é só conceito, e acho q taí a sua ideologia, a sua revolta; vc ama escrever, e se revolta com o jornalismo dos dias de hoje, então faça diferente. Não queira mudar o mundo, mas simplesmente mude a forma de ver o mundo, mude a forma de se transmitir uma notícia sensacionalista, mude a cabeça das pessoas. Você tem todas as armas pra isso; é jovem, estudante, determinada, e tem o poder de escrever. De falar e gritar com lápis e caneta. Mas antes de querer mudar o jornalismo, é importante entender como ele funciona. Por isso, minha linda, eu acho q vc não devia deixar a peteca cair, mas continuar na briga, continuar lá pra absorver tudo q vc puder, pra um dia, quem sabe, fazer a diferença.

Tem uma galera junto ctg, doooidos pra mudar esse sistema sensacionalista. E tem outra galera que confia 100% no teu poder de expressão.

Espero que tenha entendido. Bjão, Kariroca. AMO TU. Candinha =*

::Lone Wolf:: disse...

Casos assim acontecem sempre. Mas não no seio da elite. E é por isso que a repercussão foi tão grande. Se tivesse acontecido com algum pobre da periferia, no máximo teria feito uma pequena abordagem.
É triste.

Beijos.

∆٭♥∞

Flávia disse...

Kari, semana passada todo mundo que chegava perto de mim era pra comentar o caso da Isabella. Até que me enchi e disse "olha, não quero mais saber disso. Tão transformando a morte dessa criança em um circo de horrores. Deixem a menina descansar em paz". O resultado? Quase fui apedrejada.

Tá, tudo bem, informação é essencial e coisa e tal, mas é preciso saber o que fazer com ela, pois overdose de informação, ao invés de formar opinião, deforma. fico feliz de saber que há em formação jornalistas sérios, assim como vc, que enxergam que massificar a notícia é prejudicial - tanto para a classe jornalistica quanto para o público.

Beijo!

Marcus Vinícius disse...

Nem sei o que pensar sobre isso. É quase como a vez que desmoronou uma costrução do metrô de São Paulo, ou em Congonhas. Não pararam mais de falar nisso, como se não tivessem assunto, né?

Bem, não tenho muito o que falar sobre isso.

Beijão!

Antônio disse...

Até o dia em que acontecer algo com alguém próximo da gente. Daí, garanto, a visão disso muda.
Tá todo mundo cansado da Isabella, reclamando o tempo todo do sensacionalismo. Eu, que não vejo as notícias, que acompanho o caso à distância, vejo como uma grande falta de empatia de todos.
É óbvio que temos centenas de casos assim diariamente, ou até milhares, mas isso não anula a brutalidade do crime e a vontade de ver a justiça ser feita.
Se o tempo passa e esquecemos dos casos, é porque nossa justiça é falha e manipuladora, mas não quer dizer que seja puro sensacionalismo.
Quando ocorre um caso novo, relembro todos os anteriores e me pergunto por que ainda continua acontecendo. Choca, entristece, mas não posso querer que a mídia não faça alardes, pois me nego a ver como normal uma criança que é atirada de um prédio, ou arrastada por um carro por quilômetros.
O que sobra de sensacionalismo na televisão, falta em sensibilidade nas pessoas.
Repito, até o dia em que acontecer em alguma família de nossa convivência. Daí, certamente, a coisa muda.

Beijo!

Adriano DiCarvalho disse...

Olá Kari, segui suas pegadas em um outro blog. E foi ótimo, pois adorei seus escritos. Quanto a este em específico me lembrou muito um post que fiz chamado "VOCÊ É DO TAMANHO DO SEU SONHO". Em termos. Mas concordo em gênero número e grau com seus questionamentos. Apenas uma coisa: Se é seu sonho, então vá lá, termine, se forme, se especialize e tente fazer sua parte pra mudar todos os pontos da sua profissão que vc acha que devem ser mudados. Vá na essência do ofício e construa sua tese em cima dos ideais de seus mestres!
Abs
Vou passar a lê-la.