quarta-feira, 7 de maio de 2008

A solidão!

A aula acabou e tudo parecia normal. Fui até o carro, entrei, liguei o som com Ana Carolina e seus “dois quartos” e segui o caminho para casa. Não se passou muito tempo e logo percebi que não estava sozinha. Olhei o retrovisor e lá estava ela, sentada no banco de trás, me olhando com aquele olhar sarcástico.

Tentei ignorar sua presença, e comecei então a cantar, “Pois então vai! / A porta esteve aberta o tempo todo / Sai! (...) Pois então vai! / A porta na verdade nem existe / Sai! / O que está esperando?”... Mas ela continuava a me olhar.

Segui o resto do caminho tentando esquecer aquela presença, mas era quase impossível. Enquanto dirigia, não conseguia parar de fitá-la e começei a me angustiar. E a angústia foi tomando conta de mim e, quando cheguei em casa só queria ir para o quarto.

Queria me esconder, dela, do mundo. Queria sumir, mas até isso parecia difícil... Fui para o computador, pensei que poderia encontrar um momento de paz, quando ele entrou. Ele, o único que consegue me fazer rir, que me entende.

Enquanto falava com ele, percebi que ela se afastou, acho que quis nos dar um pouco de privacidade, não sei. Mas nos falamos pouco e logo ele teve que ir embora, e no instante em que saiu ela voltou. Mas dessa vez não ficou distante.

Sentou-se ao meu lado, me abraçou com força e acabei me entregando por completo. Fui tomar banho, mas nem assim ela me deixou em paz. Ficou ali, sentada, esperando eu sair. E quando fui me deixar, lá estava ela.

Eu queria mandá-la embora, mas já não conseguia. Sentia apenas vontade de chorar. Deitei-me na cama, quando senti aquele abraço forte. Forte, porém angustiante. As lágrimas começaram a cair e os meus pensamentos se tornaram os mais diversos.

Não conseguia parar de pensar em coisas ruins, coisas que dóem. Sentimentos tristes. Era ela. Era tudo culpa dela. Cheguei a pensar na minha morte. Me questinei quem apareceria para se despedir, e conclui que jamais saberia, pois, quando acontecer, será tarde demais para mim.

Os minutos antes de pegar no sono não foram tantos quanto parecerram, mas demoram a passar. E, quando eu já estava quase dormindo, senti um beijo na testa e ouvi, lá longe, um “até logo”.


Kari Mendonça

10 comentários:

Adriano DiCarvalho disse...

Ual! Rs.
Kari, Kari, li três vezes seu conto e tive três avaliações. Então percebi que quanto mais eu lesse, mais eu teria outras novas avaliações. Concluí: "Ela" depende de quem vê e do que se sente. Adorei essa possibiliade de poder chamar de "Ela" muitas coisas dentro de nós...

Parabéns!

Adriano DiCarvalho disse...

Oi Kari, sou eu de novo!rs
Esqueci de concluir. Sei que você se referia a solidão, mas achei que "essa" a que você chamou de "ela" poderia ser muitas outras coisas. Sei lá, acho que você poderia pensar que você não tivesse sido clara, sim você foi! Mas gosto do abistrato que seu conto pode proporcionar. é isso.

Bjão.

Alle Nascimento disse...

que horror [que linda descrição]... esse até logo deve ser perturbador...

moça fique bem!

abçs
alle!

Candy disse...

Pois essa danada depois que te deu um beijo na testa ontem, veio me visitar.
E ela é mais cabida do que se possa imaginar. Deitou na minha cama e nem vi quando ela foi embora. Acho que já estou me habituando a sua presença...

;*

Palavras de um mundo incerto disse...

Bah, fiquei imaginando tu sofrendo estes momentos chatos que essa "solidão" traz.


Beijos e abraços em tu!!!


Com carinho!!!


Marcos Ster

Flávia disse...

Ai, Kari... que lindo isso que vc escreveu... e acho mesmo que a sua "ela" deve ser irmã gêmea da "ela" que vem me atormentando...

Vontade de chorar, sabe? Pois é...

Beijo, flor.

Antônio disse...

Engraçado... Cada um tem uma visão diferente. A mesma que soa para alguns como vilã é para mim uma grande amiga, que me afaga nos momentos que mais preciso.
Questão de ponto-de-vista mesmo, nada a mais.

Beijão, querida!

Uma vencedora... disse...

Oie, Kari.

"Ela" sempre está perto de mim, quase em todos os momentos, até naqueles que eu consigo descontrair e conversar com pessoas que me fazem bem....

Eu descobri que ELA está morando em alguma parte do meu corpo e tem uma aliada, a tristeza!!!

Bjs

Janaína

flávia. disse...

as vezes, essa cena acontece comigo também. as vezes é bom, alivia. mas eu prefiro não participar dessa cena. ;D
brigada pelo ultimo comentário no meu blog, me fez muito bem!
beijos ;*

Menina Lunar disse...

Vamos exorcizar esses demônios??

Eu também preciso.

Beijo Kari linda, e melhoras, pra nós.