domingo, 29 de junho de 2008

Monólogo sem nexo

Quem és tu?
Quem és que tens tanto poder sobre mim?
Quem és que não me sai do pensamento? E nem do coração?
Oras, como podes?
Chegastes de repente e logo me roubastes o sossego...
Quem és que não me deixas só?
Quem és tu, que vivi sempre ao meu lado, mesmo quando longe estás?
Serias tu, o amor? Ou serias a solidão?
Sim! Ambos invadem a alma e me roubam qualquer calma.
E como saber quem és, afinal?
Oras, poderia ser fácil, pois o amor sempre vem com alguém, não é verdade?
Se existe amor, existe alguém amado, certo?
E a solidão me deixaria solitária...
(Ah! Que grande descoberta...)
Mas enfim... Ainda não sei quem és.
Sequer sei se ainda estas aqui...
Desde que comecei a falar, não senti a tua presença.
Logo... Se não te sinto, serias a solidão, pois o amor não dá tréguas...
Argh! Mas mesmo sem te sentir sei que, de alguma forma estas em mim.
Então, definitivamente, só podes ser o amor.
Só o amor me faria escrever e falar coisas assim... Sem nexo...
Mas... Se és o amor, onde está meu ser amado?
Ah não! Ele? Mas ele sequer lembra de mim.
E já faz tanto tempo... Pensei ter superado.
É, havia me esquecido que, quando chegas, nunca estas sozinho, não é?
Espera! Se és verdadeiramente o amor, tenho uma pergunta a te fazer...
Já fui amada? Quer dizer, já sentiram por mim o que tantas vezes desperdicei com otários como ele?
...
Tudo bem. Depois desse silêncio, eu não quero mais saber.
Não! Não fala nada...
É melhor morrer na esperança que na desilusão.
E por falar nisso... Uma coisa eu queria saber.
Por que você e a paixão não podem estar sempre juntos, o tempo inteiro?
Quer dizer, é tão bom quando estamos amando e apaixonadas.
...
Aff! Não gostas de conversa não é?
Desculpe-me então! Ficarei na minha.
Mas espera. Se não me respondes, pode ser porque não és o amor.
Mas afinal, poderias me responder quem és?
Quem és tu que não me deixa? Que me enlouquece?
Que me faz agir como uma boba e dizer coisas que jamais diria em sã consciência?
Quem és? Quem diabos és tu? Responde-me droga!
Tira-me essa angústia do peito, essa inquietude....
Quem és tu? E por que resolvestes me visitar?
Logo a mim? Afinal, quem sou eu? O que te fiz?
Não! A questão não é sobre mim, mas sobre tu.
Não sei quem és.
Não consigo respostas e, a cada segundo surgem milhares de perguntas....
Diz-me quem és, por favor.
Queria levantar-me e ir embora.
Seguir meu rumo, mesmo sem respostas.
Mas sabe por que não vou?
Porque sei que iras comigo!
E como eu poderia sair por aí, sem saber com quem estou?
Quem és tu?
Se não és o amor e nem a solidão, poderias ser a desilusão?
O ódio? A mágoa? Angústia?
Oras, a angústia sei que não és, pois essa só passou a me acompanhar depois da tua chegada.
Não vais me responder, não é?
E não adianta quanto tempo eu passe aqui, certo?
Nesse caso, vou dormir.
Mas, ao acordar, desejarei saber, afinal, quem tu és.



Kari Mendonça

quarta-feira, 25 de junho de 2008

E só pensar em escrever...

Impressionante é o poder que o tempo tem. Parece que foi ontem o primeiro dia de aula, quando entrei na sala da faculdade a primeira vez, atrasada e sem conhecer ninguém. Sentei lá atrás, fiquei na minha até o final da noite. Conversei com uma menina, mas nada demais.

E hoje terminou mais um semestre, o terceiro. Semestre que vem estarei exatamente no meio do curso. O tempo passa rápido demais. O semestre então, passa voando... Mas esse foi especial. Talvez não o mais produtivo, mas divertido com toda certeza.

Conheci pessoas que levarei pra sempre... Pessoas ótimas, cativantes, engraçadas e, com toda certeza, pra lá de especiais. Fiz coisas que nunca havia feito antes e descobri que não tem nada melhor que sentar-se à mesa de um bar e conversar... Sai de tudo...

E nesses três semestres, muita coisa passou pela minha cabeça. Já desisti do curso na faculdade. Já desisti do jornalismo em si. Já resolvi abandonar tudo, procurar um emprego e ganhar dinheiro. Já desisti de tudo e resolvi continuar o curso até o fim e levar o jornalismo a sério, pois vi que é realmente o que eu quero.

Decidi que só saiu de lá por algum motivo mais sério. Apesar de que, não vejo a hora de receber o meu diploma e poder seguir meu rumo nessa vida e trabalhar nessa profissão que acho tão bonita.

Para muitos é uma profissão sem valor, principalmente agora onde a informação está em toda parte. Outros acham ruim, pois o salário não é dos melhores. Eu não acho nada, mas foi o que escolhi pra seguir.

E não me importo se qualquer um pode ser um agente de comunicação com blogs e sites. Também não me importo com salários, pois, de uma coisa eu sei, não saberia fazer outra coisa, fosse o que fosse.

Mas, apesar da minha paixão toda, a minha maior paixão não tem diploma e nem precisa de faculdade, pois sonho em ser mãe. Ah! Essa sim será minha maior realização, e, cuidar dos meus filhos será a melhor forma de exercer qualquer papel nessa sociedade.

Mas tudo no seu tempo. E, com o tempo, espero fazer cada coisa do seu jeito. Engraçado é que eu sempre quero que vida passe mais rápido do que ela já passa. Mas é que, eu só percebo que ela passa rápido, quando já passou...

E mais uma vez acabei falando e falando... Mas quer saber? Fazia tempo que eu não sentava pra escrever as coisas que passam pela cabeça, só pra escrever. Ultimamente penso muito antes de escrever, estava com saudade de esquecer de pensar e só pensar em escrever...


Kari Mendonça

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Eu e algumas respostas...

Eu quero ser mãe!
Eu tenho 19 anos e muitos, muitos sonhos!
Eu gostaria de ter quem amo ao meu lado.
Eu gostaria de não ter que morar tão longe de quem amo.
Eu acho que tudo sempre tá errado ou incompleto.
Eu odeio quando me “mandam” fazer algo.
Eu sinto saudades das minhas avós, das minhas cadelas, e de quem tá longe, mas não necessariamente nessa ordem...
Eu faço jornalismo e me formo em 2010.
Eu fiz e não faria de novo... Aquele beijo em outubro... Aff
Eu fazia e deixei de fazer... Fazia brigadeiro quase todos os dias, mas achei melhor parar...
Eu escuto todo tipo de música, exceto axé.
Eu cheiro a “Ma Chéri" e "Day by day”.
Eu imploro... Na verdade, não imploro, eu faço...
Eu me pergunto, por que a vida é assim?
Eu me arrependo de um bocado de coisas...
Eu amo, porque não sei amar de outra forma!
Eu sinto dor nos joelhos. Mas também sinto no coração, quando a saudade aperta.
Eu sinto falta de quando não tinha responsabilidades.
Eu sempre escuto música quando dirijo sozinha.
Eu não fico um dia sem tomar banho!
Eu acredito que as coisas vão melhorar pra mim!
Eu danço coisa nenhuma... Sou péssima com qualquer tipo de dança...
Eu canto no banheiro! Adoro levar o som pra lá...
Eu choro, principalmente quando estou de tpm.
Eu falho sempre. Todo dia. Mas tento aprender com cada erro.
Eu luto por um país melhor. Mas, por enquanto, luto só nos pensamentos e nas vontades...
Eu escrevo pra botar pra fora qualquer coisa que possa me engasgar.
Eu ganho um beijo todo dia!
Eu perco a vontade de continuar, quando tudo dá errado.
Eu nunca beijei em meio à chuva em pelo luar... Mas morro de vontade!
Eu estou ouvindo Djavan e pensando “nele”.
Eu sou uma pessoa chata. Sim! É verdade!
Eu fico feliz quando lembram de mim! Adoro mensagens no celular só pra mandar um beijo!
Eu tenho esperança de acordar todos os dias ao lado de quem tanto amo!
Eu preciso de uma boa noite de sono pra acordar bem!
Eu deveria aprender a pedir desculpas. E a esquecer o passado.
.
.
Perguntinhas que achei interessante responder...
Kari Mendonça

sábado, 21 de junho de 2008

Eu quero um beijo


Eu quero um beijo.
Um beijo doce,
Salgado talvez...
Um beijo quente,
Com gosto de nós.
.
Eu quero um beijo.
Teus lábios nos meus.
Teus sonhos nos meus.
Teus pensamentos sendo eu,
Como todos os meus são teus.
.
Um beijo que me leve,
Aonde tu estiveres.
Que me coloque ao teu lado,
Perto dos teus lábios.
E que me faça sentir
O que sentes por mim.
.
Eu quero um beijo.
Um beijo teu!
Pois só teus beijos,
Completam os meus.
.
.
Kari Mendonça

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A irmã de Natália

Natália é a minha irmã, e, há algum tempo percebi que, para muitos, eu sempre fui apenas a irmã dela. Foi duro perceber isso, até porque, percebi um pouco tarde, quando já havia seguido em frente e desistido de tentar manter qualquer relacionamento com quem não parecia estar interessado.

Foi difícil, mas foi também esclarecedor. É triste perceber que, para algumas pessoas você nunca passou de um simples nada, mas é bom ficar ciente de que você não precisa se sentir culpada por ter “sumido” do mapa.

Há dois anos a minha irmã foi embora do Brasil. E, após deixá-la no aeroporto, a minha vida mudou completamente. Por longos anos não fomos do tipo “irmãs inseparáveis”. Cada uma tinha a sua vida, seus amigos, ou melhor, ela tinha os dela, eu nunca tive muitos.

Por algum motivo inexplicável, começamos a fazer parte da mesma “turma”. Saíamos sempre juntas com o “pessoal”. Onde uma estava, a outra estava junto com todos aqueles amigos em comum. Isso, de fato, nos aproximou bastante, mas durou pouco.

No começo, eu dizia que eles não eram meus amigos e sim amigos dela, mas ela sempre me criticava e dizia que não. Que eram meus amigos e que gostavam de mim tanto quanto gostavam dela. E, quando a amizade parecia estar naquela fase ótima, fomos morar em outra cidade.

Foi então que percebemos que, muitos daqueles amigos, não eram tão amigos assim, pois, com uma pequena distância, a amizade pareceu quase não mais existir. Mas, acabamos voltando para Recife e tudo parecia estar “normal”, mas, não demorou dois meses, e Natália foi embora.

“É a prova de fogo”, pensei na época. Por alguns meses, ainda tentei manter contato com essas pessoas. Freqüentava os mesmos lugares, aparecia sempre, mas nunca me tratavam como antes. Era como se eu tivesse mudado ou não fosse a mesma, mas eu era, e eles sabiam disso.

Com o tempo, acabei me afastando. Decidi que era hora de seguir em frente, de procurar coisas e pessoas novas. Decidi que não mais correria atrás de quem fazia pouco caso da minha amizade. Correr atrás de pessoas cansa, e tem uma hora que o melhor a fazer é seguir em frente.

Foi quando resolvi fazer os meus amigos, aqueles que me conhecessem como Karina, ou Kari, mas não como a irmã de alguém. E deu certo. Hoje tenho amigos que se importam comigo e por quem tenho uma consideração imensa.


Kari Mendonça

sexta-feira, 13 de junho de 2008

E nada mudou!

Há dois anos nascia um blog. Há dois anos eu me enchi de dúvidas e questionamentos. Meu coração estava em prantos. Eu tinha perguntas, mas ninguém tinha as minhas respostas. Estava a ponto de engasgar, quando decidi que era hora de botar pra fora tudo o que se passava pela minha alma, minha mente.

O que parecia um desabafo acabou se tornando o começo de uma nova era. Sim, pode parecer exagero, mas esse blog mudou a minha vida. Com um comentário aqui e outro ali, fiz amigos. Amigos daqueles que conto tudo, me aperreio junto e até fico ansiosa por eles (né Lili?).

Não fiz apenas amigos. Aquele que era um amigo, tornou-se “um algo mais”. Hoje, é uma das pessoas mais importantes pra mim. Aprendi que a distância não atrapalha em nada. Que é possível amar, sorrir, e sofrer com aqueles que estão longe. É possível lembrar de quem nunca se viu. E até sentir falta da presença.

Sim! O blog mudou minha vida. Comecei escrevendo algumas coisas, com o tempo fui escrevendo outros tipos... Aprendi a escrever contos, estórias e até poesias. Aprendi que não há nada melhor do que falar o que engasga, e melhor ainda é quando as pessoas certas lêem o que deveriam.

Mas aprendi também que algumas coisas nunca mudam. Que não importa quanto tempo passe, algumas coisas serão sempre iguais. Falo de um modo geral, mas falo do meu Brasil também. O tal desabafo que fez nascer o “botando pra fora”, chamava-se “De luto pelo meu Brasil”.

Era época de copa, as pessoas estavam interessadas demais na seleção e nos jogos e eu não conseguia parar de pensar no meu músico que havia sido assassinado há poucos dias. Perguntei-me o que nos fazia tão alienados em meio a tanta violência. Alguns concordaram comigo, outro me disseram que precisamos de algumas coisas pra “distrair”.

Há dois anos leio os comentários e percebo que as coisas não mudaram nesse tempo. A única diferente é que não estamos em ano de copa. É fato que, com tanta “desgraça” o brasileiro precisa sim se divertir e “aliviar” a cabeça, mas também acho que tanta energia poderia ser gasta de uma outra forma.

Até quando veremos os nossos impostos em mansões de políticos? Até quando criarão CPIs apenas para passar o tempo, quando nada é resolvido e ninguém é cassado? Até quando votarão projetos de leis que o cidadão nem sequer sabe que existem? Até quando esses “ladrões de gravata” continuarão no poder?

Até quando não poderemos sair de casa com a certeza que, se não voltarmos, não foi por falta de segurança pública? Até quando perderemos os nossos para os bandidos ou as drogas? Até quando assistiremos noticiários achando que tudo é normal???

Não! A violência não é normal. Uma criança ser arrastada por um carro não é normal, e ser jogada de um prédio também não. Não é normal que um torcedor seja baleado apenas por torcer pelo time “errado”. E não é normal que não se possa sair de casa com relógios, pulseiras e colares.

As pessoas muito gostam de criticar o Brasil. Dizem que o país é “ruim”, que não tem “jeito”, que “tudo está perdido” e é por isso que muitos acabam indo morar na Europa, e outros vão para o tão sonhado “american way of life¹”. Mas eu penso diferente. Eu falo e eu critico. Não sou nenhuma alienada para o que acontece por aqui.

Mas digamos que eu faço críticas “construtivas”. Eu falo para nos abrir os olhos e para que possamos juntos, mudar o futuro dessa nação. Porque afinal, esse é o meu lugar. E não importa quão difícil seja a vida por aqui, é aqui que eu quero continuar.

Porque, por mais difícil que as coisas possam parecer, eu posso ser o que eu quiser. Se quiser ser uma garçonete, eu posso. Se quiser ser uma médica, também posso. E, acima de qualquer profissão, eu sou uma cidadã. Eu tenho direitos.

E não importa para qual parte do mundo eu fosse, eu sempre seria uma estrangeira. E não é isso que eu quero pro meu futuro. Eu quero ser o que quiser e quero ter o direito de falar e de lutar pelo que eu acho certo.

Eu quero um Brasil melhor. E não importa o que eu tenha que fazer, eu vou conseguir. O meu coração, apesar desses dois anos, ainda está de luto pelo meu país. Algumas coisas ainda me entristecem e eu descobri que o luto pode ser ainda mais longo do que se imagina.

Mas estar de luto, não significa que desisti, afinal, como dizem, “eu sou brasileira, e não desisto nunca”.


Kari Mendonça
¹. Modo de vida americano.
*Mudançinha no visual pra comemorar o niver! Espero que gostem!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Era dia dos namorados...

Doze de junho de 1999. Eu tinha dez anos e um namorado. O nome dele era Kaio, 12 anos. Namorávamos há quatro meses, mas antes de continuar a falar do dia 12, deixa só eu contar como tudo começou...

Kaio era um amigo, e seus pais eram muito amigos dos meus, por isso nos víamos bastante. Depois de um tempo, percebi que ele me tratava diferente e eu gostava daquilo. No dia seis de março, fui ao cinema com meus primos e alguns amigos deles.

No meio do filme eu quis sair, disse que não estava gostando (hoje adoro e assisto sempre!). Meu primo saiu comigo e Kaio também. Notei que, enquanto caminhávamos pelo shopping, ele se afastou, e foi quando meu primo perguntou se eu não queria namorar Kaio.

Eu disse que só responderia no dia seguinte pela manhã. Fiquei sem saber o que fazer, mas fingi que nada tinha acontecido. No dia seguinte, meu primo perguntou a resposta, mas eu disse que só responderia a noite. Ele disse que não poderia, então eu respondi “tá certo”. Ele perguntou qual seria a minha resposta e eu disse que já havia lhe dado.

Dessa forma, estávamos namorando. Era um namoro de criança. Víamos-nos muito por causa dos nossos pais, mas não éramos vistos juntos em público, não segurávamos as mãos e, de forma alguma, nos beijávamos.

Em uma das vezes que foi lá pra casa, ele tentou me beijar, enquanto eu estava no computador. Ele chegou por trás, beijou o meu pescoço, a bochecha e, quando quase estava chegando à boca (e eu quase gelada de pavor), o meu pai entrou no quarto.

Kaio ficou um pouco sem graça, e nunca soube se meu pai notou. Sei apenas que eu fiquei muito feliz. Mas... Voltamos para o dia 12 de junho de 1999. Estavam lá em casa Kaio, seus pais, sua irmã e o namorado dela (meu primo), meus pais, minha irmã e o então namorado dela e a minha prima.

Passamos um dia bastante agradável. Foi o meu primeiro dia dos namorados com alguém e eu lhe dei uma camisa. Ganhei um ursinho Pooh. O dia estava correndo bem, até que todos decidiram terminar o dia no cinema. Queriam assistir a um filme, mas, por ainda não ter doze anos, eu não poderia ir.

A idéia então era que todos fossem assistir ao tal filme e eu e Kaio iríamos assistir ao “O príncipe do Egito”. Eu realmente queria assistir a esse filme, mas quando me imaginei “sozinha” numa sala de cinema com ele, eu entrei em pânico.

Ele tentaria me beijar. Eu sabia que tentaria, e eu não teria como escapar... Então, comecei a chorar e disse que não iria para o cinema de jeito nenhum. Minha mãe não entendia o meu choro e quando me perguntava o que estava acontecendo, eu apenas dizia que não queria ir ao cinema.

E depois de muito choro e escândalo, resolveram ficar em casa e alugar algum filme. O que os nossos pais fizeram, eu não lembro, mas sei que terminamos no meu quarto, eu e Kaio, minha irmã e o então cunhadinho, meu primo e a namorada e a minha prima.

Assistimos algum filme que eu realmente não sei qual foi, mas fiquei feliz em estar em um local cheio, onde ele jamais tentaria me beijar. E foi assim que, por causa de um “suposto” beijo (que eu nem sei se realmente chegaria a acontecer), eu acabei com o dia dos namorados de cinco casais.


Kari Mendonça

terça-feira, 10 de junho de 2008

O sentimento de culpa

Trabalho feito pra faculdade, mas achei interessante colocar por aqui. Espero que gostem! Beijos!
.
Karina Mendonça, 19, culpa-se todos os dias por não ter dito a sua avó o quanto a amava. Pedro Henrique, 22, culpa-se por não ter dado em cima de uma amiga de quem gostava, mesmo não faltando oportunidades. Já Daniela Santana, 23, culpa-se quando compra algo que sabe ser desnecessário ou quando come algo que engorda. Mariana Carline, 23, sente a culpa quando lembra que não ouviu a sua família em relação a um relacionamento com um homem casado.

Inúmeros são os motivos quando a culpa está envolvida. Alguns mais sérios, outros considerados banais. Alguns a desprezam, mas a culpa existe e a maioria das pessoas a conhece bem. Mas a culpa não é um simples sentimento, ela pode trazer sérias conseqüências e nem sempre agradáveis. De acordo com o psicólogo Gerson Abarca, “a culpa é um dos sentimentos mais destrutivos para a mente humana.” E, também de acordo com ele, é ela um dos grandes fatores que levam a depressão.

A culpa está presente em todos nós. Se o resultado da prova não foi bom, tendemos a nos culpar, pois deveríamos ter estudado mais. Se sofrermos um acidente, nos culpamos por não ter “previsto” o acontecido. E é esse “acúmulo” de culpas que leva a depressão. O Dr. Gerson chama esse acúmulo de “limbo” e fala que, quando não se tem espaço para a fantasia, com o tempo “cria-se desta forma um limbo, uma camada ou barreira que impede a transição entre a fantasia e a realidade. Ano após ano, a mente reage com o sintoma da depressão.”

É preciso criar uma fantasia para seguir com a realidade, ou será impossível criar estímulos para seguir em frente. E, quando se decide não seguir, a depressão aparece, aos poucos e de uma forma lenta. É por isso que o Dr. Gerson fala que devemos “encontrar o melhor caminho” entre a realidade e a fantasia, pois fantasia em excesso também é prejudicial.

Mas a culpa não causa apenas a depressão, mas também o remorso. De acordo com Luis Kancyper, a definição de remorso seria, “num pesar interno, o qual produz na alma, o ter realizado uma ação má. Tratar-se-ia de uma inquietude que desperta a memória de uma culpa, crescida clandestinamente na obscuridade. Esta culpa põe em evidência o acionar de um castigador interno, que cumpre as suas funções de tortura no próprio sujeito. Essa tortura pode ocorrer de forma alternada ou permanente.”

A avó de Karina, 19, morreu há quase dois anos e, até hoje ela lamenta não ter lhe dito o quanto era importante em sua vida. E o remorso existe, e Karina tem consciência de sua existência, pois, de certa forma, se tortura por isso sempre que pensa na avó. Da mesma forma Pedro Henrique, 22, que hoje estuda na França, mas sempre que se envolve com alguma garota, lembra daquela com quem tanto quis, mas nunca se envolveu.

A culpa ou o sentimento de culpa também se fazem presentes de forma inconsciente, como descreveu Freud. No caso da Daniela, 23, por exemplo, que, mesmo sentindo-se culpada mais tarde, ainda assim compra as coisas desnecessárias e come o que engorda. Ou seja, a sua culpa não é consciente, pois, se fosse, ela não compraria por saber do sentimento existente, ou, que viria a existir.

O remorso foi bem descrito por Freud, em 1924, quando disse que, “o remorso não seria monocausado, isto é, além da existência do sentimento de culpa, existiria também uma exigência interna de manifestar um comportamento auto-punitivo e repetitivo, o qual estaria a serviço da necessidade de padecer de um sofrimento de cunho masoquista.” É por isso que, o “culpado” sente uma extrema necessidade de “pagar” pela culpa, seja como for. É o caso de pessoas com anorexia que, por sentirem-se culpadas por comer, acabam provocando o vômito, como uma forma de auto-punição.

Tovar Tomaselli fala que “o remorso originado pela culpa, está relacionado com a memória de perda da marca traumática, que deixa uma ação condenável, pela qual o superego reclama, mediante o sentimento de culpa, um castigo implacável.” Sendo o superego algo que está ligado às proibições, autoridades e limites. Ou seja, o sentimento de culpa pode levar a destruição do indivíduo, não apenas psicológica, mas também física, quando esse não suporta o “peso”.

A culpa em si também pode ser classificada, como o fez León Grinberg que a classificou em persecutória e depressiva. A culpa persecutória é aquela relacionada ao ressentimento pelo objeto e pelo ego apenas. Já a culpa depressiva está ligada ao ressentimento e ao remorso, onde existe a preocupação pelo ego, pelo objeto, e existe também a nostalgia e a responsabilidade pelo acontecido.

No entanto, a culpa também pode ser vista como algo bom ou necessário. O psicólogo Antônio Carlos Alves fala que ela pode ser um “freio contra os instintos destrutivos.” Ele pensa que a culpa deveria ajudar apenas para a percepção de um erro ou sinal de exagero, mas nunca uma forma de auto destruição.

Dessa forma, podemos perceber que a culpa não é um simples sentimento. É algo que existe, de fato, em todos nós, das mais variadas formas e dos mais variados pontos de vista. A culpa pode até existir, vai depender do que você fará com ela, pois, ela é capaz de destruir aquele que a ignora ou que não aprendeu a conviver com sua “existência”.


Kari Mendonça

Fontes:

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O tempo passou

Há alguns messes escrevi uma carta para uma amiga. A carta, chamei de “Sabe, a vida nem sempre sai como planejamos...”. Escrevi sofre o fim de relacionamentos, quando uma amiga havia acabado um namoro de seis anos e estava bastante triste. A escrevi assim que cheguei em casa após horas de conversa com ela, onde ela não parou de chorar nenhum instante.

Lembro de todos os detalhes daquela noite e de como eu procurei algo para lhe dizer, mas não consegui achar nada. Havíamos esbarrado com o seu ex. namorado e isso a deixou ainda mais triste. Eles se cumprimentaram, mas havia um “gelo” perceptível entre os dois.

E enquanto eu a tentava consolar, eu falei “lembra de quando vocês acabaram da última vez? Você me disse que sabia que não davam certo.”. E ela me respondeu que já não pensava daquela maneira. Que gostava muito dele e só queria estar ao seu lado.

Vários foram os dias em que cheguei à faculdade e a encontrei com o olhar baixo, um jeito triste. Numa sexta-feira ela me falou que as amigas a haviam convencido a sair e ela tentaria se divertir. O tempo passou. Como mudamos de sala, passamos a não nos ver com tanta freqüência.

Em uma das vezes que nos encontramos, ela comentou que havia conversado com o ex. Ele queria voltar, mas acabaram achando que não era uma boa idéia. Ela disse que ainda gostava dele e queria estar com ele, mas não agora, queria esperar mais um pouco. Depois nos falamos e ela havia, mais uma vez se encontrado com ele, mas também não deu em nada.

Passamos meses sem nos encontrar, até que nos esbarramos essa semana. Ela estava como sempre a conheci: radiante. Com aquele sorriso tão dela e tão cativante. Perguntei se não queria vir ao churrasco que faremos com o pessoal da turma, mas ela disse sorrindo que tinha outros compromissos e que a vida de solteira não era fácil.

Despedimos-nos e me senti feliz. Olhando para ela percebi que, de fato, as feridas cicatrizam e seguimos em frente. E não importa quão grande seja a queda, sempre nos levantaremos. E por mais que seja difícil a caminhada, ainda assim continuaremos a caminhar.

Hoje a encontrei novamente. Não nos falamos, apenas a observei de longe. Ela estava feliz, sorrindo muito e brincando. Lembrei-me que cheguei a pensar que jamais a veria assim novamente, por mais que eu soubesse que aquela tristeza não fosse durar sempre.

Fiquei feliz em perceber que não existe mais aquele choro desesperado e nem aquela angústia por pensar na vida sem “ele”. Ela aprendeu a viver sozinha. Aprendeu a caminhar por seus próprios pés e a seguir. Conversando certa vez, ela até comentou que pensa em estudar fora do país.

Engraçado como a vida pode ser, não é mesmo? Uma hora somos empurrados e estamos caídos, tristes e desesperados. Num momento seguinte nos levantamos e seguimos por um outro caminho. Talvez não tão brilhante como o anterior, mas com um brilho diferente, com outro gosto.

E a vida é assim. E é nos momentos da queda que adquirimos grandes aprendizados. É naquele momento que, quando não conseguimos mais pensar em nada, paramos para avaliar o tempo que passou. O que fizemos de errado e aonde acertamos. E são esses momentos que nos engrandecem e que nos fazem seguir.

E é por isso que mesmo não querendo que a cicatriz apareça, e mesmo não querendo aprender a seguir de outra maneira, ainda assim o “corte” será cicatrizado e, na hora de levantar, seremos completamente diferentes de quando caímos.


Kari Mendonça
Para um melhor entendimento, aconselho a ler o texto linkado.

terça-feira, 3 de junho de 2008

A manhã seguinte

“Triiiiiiiiiimmmmmmmm...”. Era o despertador. Ela o abraçou forte e pensou, “não vai trabalhar hoje. Hoje não, por favor.”. Ele retribuiu o abraço, a beijou a testa e permaneceram assim por alguns minutos, até que ele levantou-se. “Vou me arrumar”, falou. Ela permaneceu deitada, esperando-o voltar.

Alguns minutos depois, ele voltou para o quarto e, enquanto terminava de se arrumar, ela o observava atentamente. Queria guardar todos os detalhes daquela manhã, pois ela sempre acreditou que eram os detalhes que deixavam as lembranças mais marcantes.

E, quando terminou de se arrumar, ele a beijou a boca, mas, antes de sair do quarto, lhe jogou um bombom e falou, “mais tarde eu volto”. Ela então voltou para dormir, agora sozinha, naquela cama que pareceu tão grande. Abraçou o travesseiro que ainda estava com o cheirinho dele e pegou no sono.

Horas mais tarde acordou. Abriu os olhos e sentiu-se triste. Não queria que aquele dia acabasse, não queria nem que ele tivesse chegado. Mas precisava continuar, afinal, o dia passaria independente de levantar ou não da cama. Ela então levantou-se e tomou banho.

Conversou um pouco com os cunhados, mas logo eles foram embora e ela ficou sozinha. Sentiu-se triste. Não por estar sozinha, mas porque gostava de lá. Gostava de estar à espera dele que logo chegaria de um dia de trabalho. Gostava de poder estar lá para recebê-lo com um abraço e um beijo.

O pouco de tarde que passou sozinha, custou a passar. Lembrou-se detalhadamente dos dias que estava passando ali. Percebeu que já não era igual a quando chegara e estava ainda mais apaixonada por ele. Talvez por isso estivesse sendo tão difícil seguir com aquele dia. Aquele último dia naquela cidade.

Sabia que não era o último dia para sempre. Iria voltar, claro que iria! Sonhou a vida inteira em morar lá e agora só tinha mais certeza do que queria. Decidiu assistir televisão e sabia que logo ele voltaria. Não demorou muito e ele abriu a porta. Ela continuou sentada esperando que ele viesse lhe dar um beijo.

Ele veio. Abaixou-se no sofá e a beijou. Um beijo quente, cheio de paixão. Depois se beijaram mais uma vez e ele comentou que a boca dela estava com um gosto um pouco amargo. “É o gosto da despedida”, ela disse. Ele a repreendeu e continuaram a se beijar e ficar ali, juntos e em silêncio.

Mais tarde comeram um pouco e foram se deitar. Ficaram ouvindo música, deitados na cama. Não trocaram muitas palavras, apenas se sentiram juntos e isso já os acalentava o coração. Intermináveis pareceram os minutos abraçados. E ela não queria que aquela noite terminasse jamais.

Queria que o mundo parasse. Não queria sair de perto dele. Doía lembrar-se que teria de se despedir na manhã seguinte. Não! A despedida de novo não! Pegaram no sono, mas ela não dormiu muito bem. A cada instante se acordava, achando que já estava na hora. E, na hora de se levantar, ela o beijou a boca. Abraço-o forte e foi se arrumar.

Ele tomou um café, mas ela não estava com fome. Saíram e ainda estava escuro. Ficaram uns minutos esperando o ônibus que logo chegou. Enquanto estavam no caminho, não trocaram palavras, apenas carinho. Olharam-se, sorriam. Ela reparou na lua. Sim, a lua, ainda pela manhã. Queria lembrar pra sempre daquele momento, por mais que estivesse doendo.

Chegaram ao aeroporto. Fizeram o check in e decidiram tomar café juntos. Dividiram um sanduíche. Ficaram ainda alguns minutos por lá. Olharam livros, mas sabiam que o momento só estava se aproximando. Era sete horas quando ela decidiu entrar. Não queria que ele se atrasasse no serviço por sua culpa.

As lágrimas estavam prestes a lhe escorrer os olhos. Não imaginava que, a cada despedida fosse ficando mais difícil. Abraçaram-se forte. Beijaram-se intensamente, até que ele falou “até loguinho, meu bem”. E ela respondeu, “até loguinho” e entrou, sem querer olhar para trás.

Seguiu o caminho ainda segurando as lágrimas. Queria ser forte e conseguiu aparentar. Não chorou. Não na frente de ninguém. As lágrimas caíram não dos seus olhos, mas do coração. Era lá que estava doendo. Era lá que estava apertado e machucando. Mas também era lá, naquele coração, que ela descobriu existir um sentimento enorme.

Já faz algumas semanas que ela voltou para casa. A saudade aperta, mas, cada vez que sente saudade, percebe-se mais apaixonada. Essa semana, quando a saudade apertou, revolveu comer o bombom que ele havia lhe dado naquela manhã.
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Ao colar o bombom na boca, foi como sentir os beijos dele. E todas as lembranças lhe invadiram a mente. A saudade foi amenizada. As lembranças a levaram de volta aos momentos vividos. O coração acalmou. E um sorriso lhe surgiu a face.


Kari Mendonça