quinta-feira, 5 de junho de 2008

O tempo passou

Há alguns messes escrevi uma carta para uma amiga. A carta, chamei de “Sabe, a vida nem sempre sai como planejamos...”. Escrevi sofre o fim de relacionamentos, quando uma amiga havia acabado um namoro de seis anos e estava bastante triste. A escrevi assim que cheguei em casa após horas de conversa com ela, onde ela não parou de chorar nenhum instante.

Lembro de todos os detalhes daquela noite e de como eu procurei algo para lhe dizer, mas não consegui achar nada. Havíamos esbarrado com o seu ex. namorado e isso a deixou ainda mais triste. Eles se cumprimentaram, mas havia um “gelo” perceptível entre os dois.

E enquanto eu a tentava consolar, eu falei “lembra de quando vocês acabaram da última vez? Você me disse que sabia que não davam certo.”. E ela me respondeu que já não pensava daquela maneira. Que gostava muito dele e só queria estar ao seu lado.

Vários foram os dias em que cheguei à faculdade e a encontrei com o olhar baixo, um jeito triste. Numa sexta-feira ela me falou que as amigas a haviam convencido a sair e ela tentaria se divertir. O tempo passou. Como mudamos de sala, passamos a não nos ver com tanta freqüência.

Em uma das vezes que nos encontramos, ela comentou que havia conversado com o ex. Ele queria voltar, mas acabaram achando que não era uma boa idéia. Ela disse que ainda gostava dele e queria estar com ele, mas não agora, queria esperar mais um pouco. Depois nos falamos e ela havia, mais uma vez se encontrado com ele, mas também não deu em nada.

Passamos meses sem nos encontrar, até que nos esbarramos essa semana. Ela estava como sempre a conheci: radiante. Com aquele sorriso tão dela e tão cativante. Perguntei se não queria vir ao churrasco que faremos com o pessoal da turma, mas ela disse sorrindo que tinha outros compromissos e que a vida de solteira não era fácil.

Despedimos-nos e me senti feliz. Olhando para ela percebi que, de fato, as feridas cicatrizam e seguimos em frente. E não importa quão grande seja a queda, sempre nos levantaremos. E por mais que seja difícil a caminhada, ainda assim continuaremos a caminhar.

Hoje a encontrei novamente. Não nos falamos, apenas a observei de longe. Ela estava feliz, sorrindo muito e brincando. Lembrei-me que cheguei a pensar que jamais a veria assim novamente, por mais que eu soubesse que aquela tristeza não fosse durar sempre.

Fiquei feliz em perceber que não existe mais aquele choro desesperado e nem aquela angústia por pensar na vida sem “ele”. Ela aprendeu a viver sozinha. Aprendeu a caminhar por seus próprios pés e a seguir. Conversando certa vez, ela até comentou que pensa em estudar fora do país.

Engraçado como a vida pode ser, não é mesmo? Uma hora somos empurrados e estamos caídos, tristes e desesperados. Num momento seguinte nos levantamos e seguimos por um outro caminho. Talvez não tão brilhante como o anterior, mas com um brilho diferente, com outro gosto.

E a vida é assim. E é nos momentos da queda que adquirimos grandes aprendizados. É naquele momento que, quando não conseguimos mais pensar em nada, paramos para avaliar o tempo que passou. O que fizemos de errado e aonde acertamos. E são esses momentos que nos engrandecem e que nos fazem seguir.

E é por isso que mesmo não querendo que a cicatriz apareça, e mesmo não querendo aprender a seguir de outra maneira, ainda assim o “corte” será cicatrizado e, na hora de levantar, seremos completamente diferentes de quando caímos.


Kari Mendonça
Para um melhor entendimento, aconselho a ler o texto linkado.

9 comentários:

Antônio disse...

É, a vida é um aprendizado contínuo, que nos mostra que estamos eternamente superando nossos próprios limites. Como li ontem, só não lembro onde, "na vida, cada final representa um começo", o que é bem verdade, pois estamos diariamente iniciando novas jornadas, que podem ou não terminar.

Beijo!

Adriano DiCarvalho disse...

Aprendi a me orgulhar de todo o passado. Os erros de percurso de outrora, hoje realmente não fazem o menor sentido de continuarem martelando minhas idéias. O tempo, definitivamente, continua sendo o melhor remédio...

Bj

Alê Raposo disse...

Não existe ditado mais certo quanto aquele que diz que o tempo é o melhor remédio.
E é mesmo!

São felizes as pessoas que, quando estão passando por alguma dificuldade, têm isso em mente.

|Thamires disse...

q seria da vida sem esses "obstáculos"?.....


;***

» NaY « disse...

O problema é que queremos que todos os nossos desejos sejam realizados imediatamente, no agora... Como se se eles não fossem realizados não haveria mais a possibilidade de um bom futuro... Mas que bom que a vida não é assim!

Estou com uma amiga numa situação parecida com tua... Talvez encaminhe este post a ela...

Xerus
=***

flávia. disse...

E é isso mesmo. A gente cai, mas depois levanta! E aprende sempre com esses tombos.
E por mais que pareça que não nos recuperaremos, a recuperação quase sempre é inevitável (graças a Deus), porque a vida é assim. Ainda bem que é assim. ;)
beeijo

Rafael Coelho disse...

Oi Kari!

Passei só para deixar um "Oi" e dizer que o blog está show.


Abraços!

Auíri Au disse...

O tempo muda a gente o tempo inteiro!
E quando precisamos de álguem e ela nos coloca no colo com palavras...só iremos crescer!!
Você tem atitudes nobre!!

beijos!!

^^

Alice Désirée disse...

Terminar um namoro deve ser barra..Nunca passei por isso e espero nunca ter q passar pq amo mto meu namorado! E n sei se conseguiria esbarrar com ele por aí pensando q n poderia fazer as mesmas coisas q faço hoje..
Tô com blog novo e gostaria q vc fosse lá!
Bjs!!
=1