quarta-feira, 18 de junho de 2008

A irmã de Natália

Natália é a minha irmã, e, há algum tempo percebi que, para muitos, eu sempre fui apenas a irmã dela. Foi duro perceber isso, até porque, percebi um pouco tarde, quando já havia seguido em frente e desistido de tentar manter qualquer relacionamento com quem não parecia estar interessado.

Foi difícil, mas foi também esclarecedor. É triste perceber que, para algumas pessoas você nunca passou de um simples nada, mas é bom ficar ciente de que você não precisa se sentir culpada por ter “sumido” do mapa.

Há dois anos a minha irmã foi embora do Brasil. E, após deixá-la no aeroporto, a minha vida mudou completamente. Por longos anos não fomos do tipo “irmãs inseparáveis”. Cada uma tinha a sua vida, seus amigos, ou melhor, ela tinha os dela, eu nunca tive muitos.

Por algum motivo inexplicável, começamos a fazer parte da mesma “turma”. Saíamos sempre juntas com o “pessoal”. Onde uma estava, a outra estava junto com todos aqueles amigos em comum. Isso, de fato, nos aproximou bastante, mas durou pouco.

No começo, eu dizia que eles não eram meus amigos e sim amigos dela, mas ela sempre me criticava e dizia que não. Que eram meus amigos e que gostavam de mim tanto quanto gostavam dela. E, quando a amizade parecia estar naquela fase ótima, fomos morar em outra cidade.

Foi então que percebemos que, muitos daqueles amigos, não eram tão amigos assim, pois, com uma pequena distância, a amizade pareceu quase não mais existir. Mas, acabamos voltando para Recife e tudo parecia estar “normal”, mas, não demorou dois meses, e Natália foi embora.

“É a prova de fogo”, pensei na época. Por alguns meses, ainda tentei manter contato com essas pessoas. Freqüentava os mesmos lugares, aparecia sempre, mas nunca me tratavam como antes. Era como se eu tivesse mudado ou não fosse a mesma, mas eu era, e eles sabiam disso.

Com o tempo, acabei me afastando. Decidi que era hora de seguir em frente, de procurar coisas e pessoas novas. Decidi que não mais correria atrás de quem fazia pouco caso da minha amizade. Correr atrás de pessoas cansa, e tem uma hora que o melhor a fazer é seguir em frente.

Foi quando resolvi fazer os meus amigos, aqueles que me conhecessem como Karina, ou Kari, mas não como a irmã de alguém. E deu certo. Hoje tenho amigos que se importam comigo e por quem tenho uma consideração imensa.


Kari Mendonça

10 comentários:

Antônio disse...

Sempre fui a "Natália" da história. As pessoas eram conhecidas como "namorada do Antônio", "irmã do Antônio" etc. E, acredite, não adiantou de nada, toda essa popularidade só serviu pra me mostrar o quanto eu sou vazio e o quão rápido as pessoas vão embora.

Beijo!

candy disse...

Eu lembro dessa nossa conversa no shopping, tomando sorvete e vendo as pessoas passarem por nós com tanta pressa...
saudade
=/

Já passei pelo dois lados, e ainda passo. As vezes sou a irmã de Erica e as vezes ela é a irmã de Candy. Agora nem tanto pq somos muito unidas e os amigos são em comum.
Mas não gosto de falar mto nisso pq começo a pensar que um dia cada umsa segue seu rumo e não gosto de pensar minha vida sem ela.
:(

beeeijos, amiga!
Ahhh, e vc é Kari pra mim e nem conheço Natália
:D

Palavras de um mundo incerto disse...

Bah, que tri!!!

Essa "prova de fogo" valeu a pena, pois isso fez com que tu refletisse e visse em que mundo nós vivemos, onde pessoas figem ser o que não são, visse?

Fico tão feliz por tu ter amigos de verdade e não contatos!!!

Meus amigos são poucos e poucos. Meus contatos são muitos. Mas as vezes nem mantém contato.


Beijos querida!!!

Marcos Seiter

» NaY « disse...

Que bom que você percebeu isso e conseguiu mudar, não se acomodou àquilo que lhe era dado e foi atras do que queria...

Amigos de verdade tenho muito poucos, mas são todos muito especiais, e isso que importa! Qualidade, e não quantidade!

Xerus
=***

® disse...

Nunca me senti ´sombra` de ninguém assim, nao sei como é. Sempre fui muito mais eu, talvez justamente isso tenha transformado meu grupo de amigos cada vez mais seleto.

Quanto aos comentários moderados, eu tava zoando bobinha!! rss

Nunca tive essa experiência ruím em meu cafofo, mas posso imaginar como seja, e moderar é a melhor maneira de bloquear.

Um beijao!

Érica disse...

Hoje seus amigos são os que conhecem você por dentro. Porque por dentro é que vale. O que tem por fora é só embalagem. Quem consegue reconhecer no outro qualidades além de qualquer fronteira, merece nosso respeito e consideração. Hoje você é muito mais que Kari, você é a sua fortaleza e o abrigo de muitos que precisam da sua luz, que é infinita.
Beijo amiga (pra mim tu já é minha amiga visse?) Seja feliz sempre.

Adriano DiCarvalho disse...

Ei Kari, assim como o Antônio eu sempre fui a "Nathália" e os outros eram amigos, colegas, namoradas e conhecidos meus. Mas apesar de tudo indicar que minha popularidade era efêmera, eu tinha a consciência, assim como ainda tenho, de que poucas são as pessoas que pra sempre ficarão. E que de fato existem pessoas que colocaram na sua vida para cumprir algo e depois evaporarem com pó. E não menos importantes por isso!

Agora não esquece de pegar seu mimo lá no post "A Águia e Eu" viu!
Tá lá te esperando há alguns dias, sumida...rs

Bjão.

Carolina; respira-me disse...

Sabe o que é Kari?
As vezes ficamos tão presos nas palavras que esquecemos de lê-las, apenas escrevemos...

Comigo já aconteceu isso. Ás vezes eu era a Natália da história, mas ultimamente não.

Meu ex-namorado é daqueles que tem milhoes de amigos. É daquele tipo d epessoa que todos amam e adoram, que onde vai faz amizade. Ele - dizendo em palavras simples - é da galera. É uma pessoa com uma magia, que encanta qualquer um. Então eu, a Carol Carol, virou a Carol, aquela namorada do fulano. E mesmos separados eu ainda sou a Carol, a Carol do Fulano. (isso me irrita mas é engraçado).

Esses dias um AMIGO tanto meu quanto dele, ao falar de mim (isso eu fiquei sabendo) para um outro amigo dele disse assim:

- Então Fulano você sabe a Carol...?
- Que Carol?
- A Carol do Fulano (nota: fulano, o meu ex)
- Ah! A Carol do Fulano, sei sim!


HSAUSHAUSHAUHSAUSHAUSHAUSHAUSHA

irritante.
mas me descontraiu bastante.
um grande beijo Kari, deaxo! andas sumida!

Katarine disse...

É isso aí!
Nada de ficar correndo atrás de quem não te dá valor!
E é sempre bom sermos conhecidos e valorizados por quem e pelo que somos!
abraço e beijo grande!!

Flávia disse...

Eu, até uns anos atrás, sempre era a alguma coisa de alguém - namorada, irmã, filha... hoje já me acostumei a ser a Flávia. E não trocop isso por nada. Ter uma identidade e saber que o meu lugar no mundo é apenas meu não tem preço.

Beijos ;)