terça-feira, 3 de junho de 2008

A manhã seguinte

“Triiiiiiiiiimmmmmmmm...”. Era o despertador. Ela o abraçou forte e pensou, “não vai trabalhar hoje. Hoje não, por favor.”. Ele retribuiu o abraço, a beijou a testa e permaneceram assim por alguns minutos, até que ele levantou-se. “Vou me arrumar”, falou. Ela permaneceu deitada, esperando-o voltar.

Alguns minutos depois, ele voltou para o quarto e, enquanto terminava de se arrumar, ela o observava atentamente. Queria guardar todos os detalhes daquela manhã, pois ela sempre acreditou que eram os detalhes que deixavam as lembranças mais marcantes.

E, quando terminou de se arrumar, ele a beijou a boca, mas, antes de sair do quarto, lhe jogou um bombom e falou, “mais tarde eu volto”. Ela então voltou para dormir, agora sozinha, naquela cama que pareceu tão grande. Abraçou o travesseiro que ainda estava com o cheirinho dele e pegou no sono.

Horas mais tarde acordou. Abriu os olhos e sentiu-se triste. Não queria que aquele dia acabasse, não queria nem que ele tivesse chegado. Mas precisava continuar, afinal, o dia passaria independente de levantar ou não da cama. Ela então levantou-se e tomou banho.

Conversou um pouco com os cunhados, mas logo eles foram embora e ela ficou sozinha. Sentiu-se triste. Não por estar sozinha, mas porque gostava de lá. Gostava de estar à espera dele que logo chegaria de um dia de trabalho. Gostava de poder estar lá para recebê-lo com um abraço e um beijo.

O pouco de tarde que passou sozinha, custou a passar. Lembrou-se detalhadamente dos dias que estava passando ali. Percebeu que já não era igual a quando chegara e estava ainda mais apaixonada por ele. Talvez por isso estivesse sendo tão difícil seguir com aquele dia. Aquele último dia naquela cidade.

Sabia que não era o último dia para sempre. Iria voltar, claro que iria! Sonhou a vida inteira em morar lá e agora só tinha mais certeza do que queria. Decidiu assistir televisão e sabia que logo ele voltaria. Não demorou muito e ele abriu a porta. Ela continuou sentada esperando que ele viesse lhe dar um beijo.

Ele veio. Abaixou-se no sofá e a beijou. Um beijo quente, cheio de paixão. Depois se beijaram mais uma vez e ele comentou que a boca dela estava com um gosto um pouco amargo. “É o gosto da despedida”, ela disse. Ele a repreendeu e continuaram a se beijar e ficar ali, juntos e em silêncio.

Mais tarde comeram um pouco e foram se deitar. Ficaram ouvindo música, deitados na cama. Não trocaram muitas palavras, apenas se sentiram juntos e isso já os acalentava o coração. Intermináveis pareceram os minutos abraçados. E ela não queria que aquela noite terminasse jamais.

Queria que o mundo parasse. Não queria sair de perto dele. Doía lembrar-se que teria de se despedir na manhã seguinte. Não! A despedida de novo não! Pegaram no sono, mas ela não dormiu muito bem. A cada instante se acordava, achando que já estava na hora. E, na hora de se levantar, ela o beijou a boca. Abraço-o forte e foi se arrumar.

Ele tomou um café, mas ela não estava com fome. Saíram e ainda estava escuro. Ficaram uns minutos esperando o ônibus que logo chegou. Enquanto estavam no caminho, não trocaram palavras, apenas carinho. Olharam-se, sorriam. Ela reparou na lua. Sim, a lua, ainda pela manhã. Queria lembrar pra sempre daquele momento, por mais que estivesse doendo.

Chegaram ao aeroporto. Fizeram o check in e decidiram tomar café juntos. Dividiram um sanduíche. Ficaram ainda alguns minutos por lá. Olharam livros, mas sabiam que o momento só estava se aproximando. Era sete horas quando ela decidiu entrar. Não queria que ele se atrasasse no serviço por sua culpa.

As lágrimas estavam prestes a lhe escorrer os olhos. Não imaginava que, a cada despedida fosse ficando mais difícil. Abraçaram-se forte. Beijaram-se intensamente, até que ele falou “até loguinho, meu bem”. E ela respondeu, “até loguinho” e entrou, sem querer olhar para trás.

Seguiu o caminho ainda segurando as lágrimas. Queria ser forte e conseguiu aparentar. Não chorou. Não na frente de ninguém. As lágrimas caíram não dos seus olhos, mas do coração. Era lá que estava doendo. Era lá que estava apertado e machucando. Mas também era lá, naquele coração, que ela descobriu existir um sentimento enorme.

Já faz algumas semanas que ela voltou para casa. A saudade aperta, mas, cada vez que sente saudade, percebe-se mais apaixonada. Essa semana, quando a saudade apertou, revolveu comer o bombom que ele havia lhe dado naquela manhã.
.
Ao colar o bombom na boca, foi como sentir os beijos dele. E todas as lembranças lhe invadiram a mente. A saudade foi amenizada. As lembranças a levaram de volta aos momentos vividos. O coração acalmou. E um sorriso lhe surgiu a face.


Kari Mendonça

11 comentários:

Marcus Vinícius disse...

Tenho certeza que já te disseram isso, mas eu não consigo me segurar de dizer de novo: tu escreve de um jeito que o leitor sente o que a "personagem" sente! Eu terminei o texto com o coração apertado, menina! Não fosse o bombom, não teria conseguido tão fácil voltar pra realidade...

Beijão, guria apaixonada!

Antônio disse...

Ei, me diga uma coisa, qual foi a sensação de assistir ao Jornal do Almoço com o sotaque daqui?
Falo isso porque sempre que vou pra uma região diferente, estranho o sotaque dos âncoras do telejornal, hehehehe.

Ah, fica tranqüila, que logo vocês se vêem novamente. O importante é amar, e isso parece que há de sobra!

Beijo!

Mylene Ribeiro disse...

Kari foi impressão ou vc está apaixonada ?!


Acabei de ler mais um delicioso "conto" seu :)!!!

E pq a paixão tb não me encontra ?! se vc a ver fala pra ela q tô precisando de uma visitinha, do coração acelerando, os olhos brilhando e a mente lá no alto !!!

Bjos moça Linda

Flávia disse...

coisa triste despedida... e coisa boa saber que despedida pode ter nas entrelinhas esse gostinho dos reencontros...

Beijo!

|Thamires disse...

êêê menina apaixonada sô!!!
escreve mais, escreve! q eu tenho vontade de ficar assim também!

bjuus

Candinha disse...

ô kari, a gnt fica msmo com o coração apertadinho qndo te lê.. é fabuloso!

que esse amor aumente com cada pôr-do-sol, com cada sorriso q a lua te der, com cada friozinho na barriga q vc sentir qndo lembrar dele.. que vcs sejam muito felizes, amiga!

saudade, um xêro!

Marjorie disse...

Eitá que saudade gostosa hein!!
É tão bom sentir isso (se não for por muito tempo né... hehehehe)

Ah! sabe que nessa história a menina podia ter uma prima, que da próxima vex iria com ela, assim enquanto o amado trabalha, ela sai para passear com a prima e quem sabe até fazer uma surpresinha para ele no trabalho... hehehehe

Adorei a minha idéia!!!

Beijos

Adriano DiCarvalho disse...

Ia comentar algo próximo do real, mas me tornaria repetitivo!rs
Então me limito a dizer que, como sempre, seus contos nos levam a mesma viagem de suas personagens principais... Boas viagens!

Quando a despedida, ela é importante. De alguma forma eu sei que é... Também não vou me estender quanto a isso, pois já postei algo sobre e não quero ser repetitivo também aqui.

Parabéns, Kari!

candy disse...

Ow, Kari...
vc sabe q isso mexe cmg né?
me abstenho de comentários hoje.

*mtooo bom saber de tudo isso, viu?
:D
hihihi


;*

Alê Raposo disse...

Humm, mais um belíssimo texto!!
A cada dia que passa a saudade só vai aumentar... mas isso é maravilhoso pq o reencontro fica melhor ainda.
Aproveita estes momentos, são bons demais né?

Érica disse...

Kari, muito lindo e verdadeiro seu texto. Você é uma criarurazinha especial demais, merece esses momentos plenos e inesqueciveis sempre. Eu torço por você, tenho muita sorte por você entrar na minha vida...own giganta, daqui um abraço.