domingo, 29 de junho de 2008

Monólogo sem nexo

Quem és tu?
Quem és que tens tanto poder sobre mim?
Quem és que não me sai do pensamento? E nem do coração?
Oras, como podes?
Chegastes de repente e logo me roubastes o sossego...
Quem és que não me deixas só?
Quem és tu, que vivi sempre ao meu lado, mesmo quando longe estás?
Serias tu, o amor? Ou serias a solidão?
Sim! Ambos invadem a alma e me roubam qualquer calma.
E como saber quem és, afinal?
Oras, poderia ser fácil, pois o amor sempre vem com alguém, não é verdade?
Se existe amor, existe alguém amado, certo?
E a solidão me deixaria solitária...
(Ah! Que grande descoberta...)
Mas enfim... Ainda não sei quem és.
Sequer sei se ainda estas aqui...
Desde que comecei a falar, não senti a tua presença.
Logo... Se não te sinto, serias a solidão, pois o amor não dá tréguas...
Argh! Mas mesmo sem te sentir sei que, de alguma forma estas em mim.
Então, definitivamente, só podes ser o amor.
Só o amor me faria escrever e falar coisas assim... Sem nexo...
Mas... Se és o amor, onde está meu ser amado?
Ah não! Ele? Mas ele sequer lembra de mim.
E já faz tanto tempo... Pensei ter superado.
É, havia me esquecido que, quando chegas, nunca estas sozinho, não é?
Espera! Se és verdadeiramente o amor, tenho uma pergunta a te fazer...
Já fui amada? Quer dizer, já sentiram por mim o que tantas vezes desperdicei com otários como ele?
...
Tudo bem. Depois desse silêncio, eu não quero mais saber.
Não! Não fala nada...
É melhor morrer na esperança que na desilusão.
E por falar nisso... Uma coisa eu queria saber.
Por que você e a paixão não podem estar sempre juntos, o tempo inteiro?
Quer dizer, é tão bom quando estamos amando e apaixonadas.
...
Aff! Não gostas de conversa não é?
Desculpe-me então! Ficarei na minha.
Mas espera. Se não me respondes, pode ser porque não és o amor.
Mas afinal, poderias me responder quem és?
Quem és tu que não me deixa? Que me enlouquece?
Que me faz agir como uma boba e dizer coisas que jamais diria em sã consciência?
Quem és? Quem diabos és tu? Responde-me droga!
Tira-me essa angústia do peito, essa inquietude....
Quem és tu? E por que resolvestes me visitar?
Logo a mim? Afinal, quem sou eu? O que te fiz?
Não! A questão não é sobre mim, mas sobre tu.
Não sei quem és.
Não consigo respostas e, a cada segundo surgem milhares de perguntas....
Diz-me quem és, por favor.
Queria levantar-me e ir embora.
Seguir meu rumo, mesmo sem respostas.
Mas sabe por que não vou?
Porque sei que iras comigo!
E como eu poderia sair por aí, sem saber com quem estou?
Quem és tu?
Se não és o amor e nem a solidão, poderias ser a desilusão?
O ódio? A mágoa? Angústia?
Oras, a angústia sei que não és, pois essa só passou a me acompanhar depois da tua chegada.
Não vais me responder, não é?
E não adianta quanto tempo eu passe aqui, certo?
Nesse caso, vou dormir.
Mas, ao acordar, desejarei saber, afinal, quem tu és.



Kari Mendonça

7 comentários:

F. disse...

O pior (ou melhor) é que a gente nunca sabe quem é. Sentimento é assim, tem rosto mutante...

Beijo ;)

® disse...

É, paixao é caso de justica mesmo!
E vai além... atos passionais, clausuras, questionamentos, e noites de insônias.
Logo, já nao posso te ajudar a responder tb.

Antônio disse...

Dúvidas, dúvidas, dúvidas...

No meio de tantas perguntas, te faço apenas uma: é mesmo necessário questionar tanto assim? Tente não se machucar...

Ah, e obrigado pela força. Tua amizade sempre me ajuda nessas horas tortuosas. =)

Beijão!

Érica disse...

Sentimentos são insólitos. E o que tem de melhor é que existem para nos preencher. Não há como decifrá-los. Simplesmente sentir.

Beijos linda.
Saudades.

Adriano DiCarvalho disse...

Mas quem raio poserá ser, gente!!! Kari não se faz isso com pessoas curiosas...rs Espero que seja a felicidade.

Minha amiga, tem presente pra você lá viu!

Bjão.

Alê Raposo disse...

Este é um texto pra você ler, reler e ainda ficar pensativa...

ALF disse...

É a tua consciência. Ela é tão presente quanto o amor e a solidão, mas não tem um amado, nem te faz sentir só. É aquele que mesmo sem te responder te consegue dizer algo à suas perguntas.
Não existe o monólogo. Isso seria um diálogo com o nosso proprio eu. E acredite, ele responde, com sussurros.
;)

Beijos