terça-feira, 29 de julho de 2008

"Passou rápido, não foi?"

Ontem a noite você me perguntou se passou rápido esse tempo. E sim! Passou muito rápido. Parece que foi ontem que fomos te buscar e, hoje já estávamos lá novamente pra nos despedirmos. Oras, e eu já não lembrava mais como é dura a dor da despedida, principalmente quando não sabemos a hora em que nos veremos novamente.

Não me dói saber que você foi embora, pois eu sei que você só foi seguir a sua vida e é isso que a gente deve fazer, correr atrás daquilo que se quer, e eu sempre desejei toda felicidade do mundo pra você e ainda desejo. Mas me dói não saber quando vou te ver novamente, ou saber que, talvez (se tudo der certo pra mim), quando nos vejamos, tudo esteja tão diferente.

Mas, tenho que confessar que esses dias foram muito bons. Foi bom te ter aqui mais uma vez pra me lembrar que não sou filha única, pra me ajudar na hora de arrumar uma roupa para sair. Ajudar a escolher a combinação da sandália ou da camiseta.

Esses dias me fizeram perceber o quão diferente eu sou sem você. Nesses quase dois anos, sai de casa bem menos do que todo esse mês. É você quem me leva pra sair, quem me empurra para os passeios e me tira desse conforto caseiro que eu sempre gostei.

Você veio no momento certo. Veio exatamente quando voltamos pra cá, onde crescemos juntas, onde tanto brigamos, brincamos e aprendemos. E foi maravilhoso poder viver esse “repeteco” meio diferente contigo. Digo diferente apenas porque crescemos, mas ainda assim brigamos e brincamos e aprendemos sempre uma com a outra.

Foi tão bom ter alguém com quem conversar antes de dormir. Estava desacostumada a ter que dividir as minhas coisas, o meu quarto, mas foi tão bom reaprender a fazer tudo isso. Agora a pouco entrei no quarto, estava tão vazio. Faltavam as suas coisas, suas roupas, seu celular ali no canto da estante...

E como diriam nossos namorados, “bah guria, tu faz muita falta por aqui em...”. Eu te amo muito! E obrigada por ser essa irmã tão especial que você é, pois, de todas, és a minha preferida!
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Kari Mendonça

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A beleza mais bela

Estava eu, domingo à tarde, sozinha em casa, sem nada para fazer quando, após muita luta, resolvi assistir televisão. Alguns muitos depois de trocar incansavelmente os canais, parei no programa “Tudo é possível”, com Eliana. Sim! Eu estava desesperada. Mas, não foi Eliana e nem o programa que me chamaram a atenção, foi a Cláudia Leitte.

E não! Eu não sou fã dela, sequer sei alguma música que ela canta. Não gosto de axé e nunca tive nenhuma simpatia pela cantora (nem nada contra). No entanto, semana passada, a sua foto saiu em todas as revistas de fofoca com a declaração de que está grávida (até quem não lê essas revistas ficou sabendo do fato).

E, na última sexta-feira, fui ao shopping com umas amigas, e, como de costume, para passar o tempo, sentamos na parte infantil da livraria e começamos a ler as revistas. Duas delas eram de fofoca e tinham na capa a Cláudia Leitte. Resolvi ler a tal declaração na qual ela dizia estar imensamente feliz etc. Na hora, não demonstrei nenhuma reação.

Mas, voltando ao domingo, quando parei na rede Record e vi a Cláudia Leitte, logo pensei: “ela está diferente”. Comecei a assistir e, a cada instante Eliana falava da gravidez da amiga e essa sorria feliz e comentava algo. Parece que, ser mãe era um grande sonho seu.

Ainda achando-a “diferente”, comecei a reparar e, quando ficou de pé, logo percebi que seu bumbum estava maior por causa da gravidez. E, apensar do bom corte da roupa, a cantora não estava com a tão desejada cintura de sempre. Mas, olhando mais detalhadamente, percebi que ela estava mais bonita do que nunca.

Sim! Ela estava radiante. Reparei também que, sempre que falava da sua gravidez, essa beleza ficava ainda mais visível. Quando conclui tudo isso, a apresentadora comentou exatamente o que eu estava pensando, na beleza com a qual a cantora invadiu o palco. Nesse momento, Cláudia Leitte comentou que não estava tão bem assim, que as roupas estavam ficando apertadas e tudo aquilo que eu já havia reparado.

E foi então que percebi que a beleza da alma ultrapassa qualquer beleza física. Que não importa como sejamos e quantas “imperfeições” tenhamos “a mostra”, o mais importante é aquilo que está na alma. É a beleza que transborda pelos olhos e que irradia qualquer palco, qualquer salão, qualquer vida.


Kari Mendonça

sábado, 26 de julho de 2008

Dia das avós

Hoje me sinto órfã. Não de pais, mas de avós. Não é todos os dias em que o sentimento de órfã me acomoda o peito, mas estava lendo a UOL, quando me deparei com a notícia que hoje é o dia das avós.

Lembrei-me das vezes em que comemorei esse dia. Não foram muitas, pois quase nunca me lembrava da data, mas lembro da primeira vez em que ouvi falar. Fui à casa da minha avó materna onde, além dela, moravam também duas bisavós. Foi uma festa, vários cartazes e um grande abraço em cada uma delas.

Com uma das bisavós, nunca tive muito contato, pois, desde que me entendo por gente, ela não era muito boa da memória. Mas, de certa forma, gostava de ficar com ela. De observá-la lendo a mesma folha do jornal inúmeras vezes, ou quando me falava de alguém do seu passado. Mas, apesar da pouca memória, viveu até os 98 anos, morrendo em 2003.

A outra bisavó era mais ativa. Gostava de passear e eu adorava estar com ela. Quando estava em seu quarto, sempre pensava que deveria aproveitá-la bastante, pois sabia que ela não ficaria muito tempo comigo. Lembro-me das delícias culinárias que ela fazia... Aos dez anos, tive que vê-la morrer, dentro da minha própria casa por causa do câncer.

A minha avó era uma boa pessoa. Não era perfeita e aprendi muito com todas suas imperfeições, mas era uma boa pessoa. Ajudava sempre que podia, contava histórias para passar o tempo e nos levava pra passear sempre que dava vontade. Gostava de nos presentear.

E, apesar de muitos momentos bons que passamos, hoje tenho dificuldade de lembrar da maioria deles. Não que eles tenham sido insignificantes, mas, como tantas vezes falei aqui, vê-la morrer não foi fácil. Ver alguém tão forte, de repente enfraquecer e desistir da vida, é uma lembrança que levarei para a vida inteira, sem esquecer nenhum detalhe.

Essa data comemorei apenas com as três avós citadas a cima, mas não foram as únicas que conheci. A minha avó materna também é alguém de quem guardo boas lembranças, apesar de poucas. Às vezes tenho dúvidas se, de fato, são lembranças, ou são apenas coisas que aconteceram no filme que tínhamos.

Lembro de seu sorriso. De como me segurou com força, certa vez em que eu esperneava para ir com a minha mãe. Foi ela que me ensinou a comer leite condensado com Nescau, ou pão com “queijo de copo”. Lembro também, do dia em que nos despedimos. Foi a primeira vez em que tive que lidar com a morte, aos seis anos.

Na verdade, como poucas pessoas, eu tive a sorte de conhecer as minhas quatro bisavós. Tenho uma foto “histórica” com elas juntas no meu aniversário de oito anos. Uma delas vi apenas nesse dia, a outra ainda vejo, pouco, mas vejo, e é por quem tenho um imenso carinho.

Quando estava no hospital, nessa data tão especial, escrevi para a minha avó o quanto ela era importante para mim, disse que a amava duas vezes e terminei com uma frase que li em algum lugar e jamais vou esquecer: “porque vó é mãe duas vezes”.

E eu tenho saudade das minhas avós. Do colo delas. Daqueles abraços sempre tão fortes. Do carinho. Dos beijos. Das histórias...


Kari Mendonça

terça-feira, 22 de julho de 2008

Momento diferente (IV)

Hoje vou apenas responder um meme passado pelo Antônio...


1-Escolher banda/artista: Ana Carolina
2- Responder somente com os títulos das canções:
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1) Descreva-se: Um Edifício No Meio do Mundo
2 ) O que as pessoas acham de você: Tempestade e Ventania
3 ) Descreva seu último relacionamento: Meu Erro
4 ) Descreva a atual relação: Mais Que Isso
5 ) Onde queria estar agora: Ruas de Outono
6 ) O que você pensa sobre o amor: O Melhor De Mim
7 ) Como é sua vida: Todo Sentimento
8 ) Se tivesse direito a apenas um desejo: Rosas
9 ) Uma frase sábia: É Hora Da Virada
10) Uma frase para os próximos...: Então Vá Se Perder
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Aproveitando também...
Quero agradecer ao Adriano por todos os selinhos e prêmios que ele tanto me dá. Muito obrigada moçinho! Fico muito feliz em saber que alguém gosta do que escrevo ás vezes como desabafo e, ás vezes, só como imaginação....
Quero agradecer também a Marcela pelo selinho que ela me deu. Fiquei imensamente feliz!
Como foram alguns bons selos e prêmios, não vou repassar para ninguém.
Apenas queria deixar registrado o meu enorme agradecimento.
Obrigada também a todos que, sempre que podem, passam por aqui!
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Abraços!
Kari Mendonça

domingo, 20 de julho de 2008

A tua voz

Quando eu estou triste,
não é a toa que a única vontade
que tenho, é a de pegar
um telefone e te ligar.

Não é a toa que,
tudo o que eu quero
é te ouvir.

Mesmo que não fales nada.
Mas na tua respiração,
consigo ouvir tuas palavras.

Mas, ás vezes, não são
as palavras que procuro ouvir,
e sim, a tua voz.

É a tua voz que me acalma,
que me fortalece,
e que me faz seguir em frente,
esperando a hora de te ligar novamente.


Kari Mendonça .

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ovos fritos

É fato que relacionamentos perfeitos não existem, mas também é certo que há algumas coisas que podemos fazer para deixar qualquer relação mais agradável e, quem sabe, duradoura. Talvez por isso existam tantos livros que ensinam fórmulas para relacionamentos.

Não! Não é minha intenção citar vários “passes de mágica” que mudarão sua vida. No entanto, há uma pequena “fórmula”, que considero fundamental: seja você mesmo. Parece óbvio, mas não é. Conheço pessoas que, para cada relação, se tornam pessoas diferentes, ou seja, se moldam ao parceiro (a).

E, cada vez que penso nesse tipo de pessoas, é inevitável não lembrar do filme "Noiva em fuga" (Runaway Bride), na qual Maggie Carpenter (Júlia Roberts) foge de três casamentos e, quando o jornalista Ike Graham (Richard Gere) decide pesquisar a respeito, descobre que Maggie, na verdade, não sabe o que quer.

A cada um dos noivos que foram deixados no altar, Ike faz várias perguntas e, na conversa, descobre que, para cada noivo, ela dizia que seus ovos preferidos eram iguais aqueles que o noivo tanto gostava. E, um dia, em meio a uma discussão, Ike diz a Maggie que, antes de continuar, ela precisa decidir de que tipo de ovos ela gosta.

No final do filme, após uma série de experimentos, finalmente ela decide quais os seus ovos preferidos, mas, muitas pessoas não conseguem se decidir como a personagem. Parece uma comparação boba, mas, da mesma forma que não se conseguirá comer ovos dos quais não se gosta para sempre, assim, não se conseguirá manter um personagem o tempo inteiro.

Se o cara gosta de “funk” e você não gosta nem um pouco, mas resolve dizer que gosta, só para agradar, um dia ele vai querer ouvir um pouco de “funk” com você e, com toda certeza não será fácil fingir por muito tempo que a música é “boa”. Uma comparação boba, e seu, mas foi apenas um exemplo.

Dizem que os opostos se atraem. Outros dizem que isso só acontece com aqueles que têm interesses iguais ou semelhantes. Já eu acredito que o amor pode aparecer de qualquer forma, seja entre opostos, iguais ou como for. O que não pode, é tentar ser o que não se é.

Acredite, você será muito mais atraente se possuir suas opiniões, suas escolhas, seus gostos. Se, de fato, existir um “você” e não apenas um reflexo do outro. Portanto, antes de seguir ou começar qualquer coisa, descubra qual é seu tipo de “ovos preferidos”.


Kari Mendonça

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Aquela noite

Acordou no meio da noite sentindo uma forte dor na barriga. Gritar foi inevitável. Carlos, seu marido, levantou rápido, vestiu a roupa que estava a postos, pegou a malinha e disse, “vamos”. Ela mal conseguia se levantar, ele a ajudou a vestir a roupa e logo foram para o hospital. No caminho, ligaram para a médica, “é agora Dra.”, dizia ele empolgado, enquanto ela gemia de dor.

Chegaram logo no hospital e tão logo encontraram a Dra. Clara. Enquanto, levaram-na para o quarto e a dor só fazia aumentar, ou melhor, o tempo entre as dores, chamadas de contrações, estavam cada vez mais curtos. E, de repente, a bolsa estourou, no caminho para o quarto. “Vamos para a sala de parto”, disse a médica.

Na sala, como planejado, fora os médicos, só estava Carlos, tão emocionado quanto qualquer “marinheiro de primeira viagem”. Ele segurou a sua mão e ela começou a fazer força. E, enquanto gritava de dor, as lágrimas lhe escorriam pelo rosto. O choro se dava pela emoção, pela dor e pela vontade de que tudo acabasse logo.

Não demorou muito e a cabeça de Lucas logo foi vista. Pouco depois e ela só ouviu aquele choro. “Que choro gostoso”, pensou, enquanto as lágrimas escorriam cada vez mais. Carlos também não parava de chorar, quando o segurou nos braços e, o mais rápido que pode, o levou até ela. E foi ali, seu primeiro contato, com o seu primeiro filho.

Até hoje ela não consegue descrever aquele momento. Olhou atentamente cada detalhe daquele ser tão pequeno e tão seu. Sim! Era um pedaço seu que estava no mundo. Um pedaço do seu coração que precisava de um cuidado eterno, pois, cuidado de mãe jamais acaba. Era seu filho!

Não conseguia parar de olhá-lo. Fitou por alguns minutos aqueles lindos olhos acinzentados, iguais ao do pai. Abraçou-o, e pegou naquele pé tão pequenino, naquelas mãos tão minúsculas. Ainda era difícil acreditar que era seu. Seu filho, Lucas. Aquele que foi tão esperado e tão desejado e que já era tão amado.

Foram intermináveis aqueles minutos antes de Lucas ser levado pelas enfermeiras. Carlos as seguia para todos os lados, pois tinham medo que algo pudesse acontecer. Os dias no hospital foram cansativos, mas logo foram para casa. Era fim de tarde quando sairamo do hospital. Depois que chegaram, não demorou muito e ela caiu no sono.

Algum tempo demais, ouviu um choro lá longe. Queria levantar, mas o corpo não deixava. Então parou de escutar os choros e continuou dormindo. Minutos depois levantou espantada, “é Lucas”, pensou enquanto andava rápido para o quarto. Ao chegar lá, parou, sem fazer barulho e, por alguns instantes ali ficou.

Era Carlos com Lucas em seus braços. E ele caminhava de um lado para o outro, com um olhar tão cheio de ternura para seu filho, enquanto cantava uma cantiga de ninar. As lágrimas escorreram um pouco de seus olhos. Aquela cena, era tão emocionante quanto ver seu filho a primeira vez.

Era tão bonito poder olhar os homens da sua vida daquela forma. Era uma cena com a qual havia sonhado toda a vida. E por isso, continuou ali alguns instantes antes de entrar. Queria memorizar aquela cena de uma maneira especial. E, até hoje, ao colocar Lucas para dormir, ela descreve aqueles minutos detalhadamente, para que ele saiba, e nunca esqueça, o quanto o seu pai o amou.


Kari Mendonça

domingo, 13 de julho de 2008

Carta para ti

Meu bem,
Resolvi te escrever essa carta, pois não saberia como falar contigo. Pensei em escrever um poema, mas as rimas não bateram e nem as palavras combinaram umas com as outras. Pensei também em te presentear com algo, flores talvez, afinal, sei como um pouco de romance pode fazer uma grande diferença.

Mas decidi te chamar a atenção de outra forma, com uma carta. Sei que deves estar surpreso, pois nunca te mando cartas. Não sou boa com as palavras, nunca sei o que escrever e, só Deus sabe a dificuldade que estou tendo em tentar juntar frases nessa folha (ou melhor, nessas folhas, pois já rasguei várias outras em que, simplesmente, não consegui escrever nada).

Viu? Sou tão ruim com as palavras que acabei me perdendo. O propósito da carta, na verdade, é te contar o sonho que tive essa noite. Sonhei que era domingo, o dia estava amanhecendo quando acordei. Era um dia especial, por isso levantei junto com o Sol. Tomei um banho demorado, e liguei o som para me acompanhar. Pensei em te ligar, mas achei melhor esperar, afinal, logo nos veríamos.

Quando acabei o banho, minha mãe estava no quarto me esperando. Abriu um grande sorriso e me abraçou. “É hoje”, disse ela. Logo perguntei por meu pai, mas ela disse que estava no quarto, chorando um pouco. Corri para perto dele, o abracei e disse para não se preocupar, pois aquele era o dia mais feliz da minha vida. Abraçamos-nos e acabei chorando um pouco com ele.

Limpei as lágrimas e corri para me maquilar. Sim, eu faria minha maquilagem, pois, apesar de imensamente especial, tudo seria bem simples, exatamente como havíamos planejado. Não demorou muito e eu já estava pronta. Com a ajuda dos meus pais, coloquei o vestido, era simples, mas era branco e muito, muito bonito.

Pegamos o carro e fomos à praia. O hotel, à beira mar, estava lindo, também da forma como escolhemos. Chegamos cedo, o pastor ainda não havia chegado e por isso, fiquei em um quarto esperando. Logo você apareceu. Estavas tão lindo com aquele paletó cor de marfim. Olhamo-nos e corremos para o abraço.

Sei que dizem que não deveríamos nos ver, mas aquele momento foi muito especial. Então nos despedimos. Na areia da praia, havia um caminho de madeira que ia do salão do hotel até o arco onde estavam os pastores e testemunhas (padrinhos). Você entrou e ficou me esperando. Não demorou muito e eu e meu pai aparecemos.

Não consigo explicar a sensação de te ver ali na frente, olhando para mim e me esperando. Não me esperando para chegar lá, mas, me esperando para uma vida ao teu lado. E logo cheguei perto de ti e nos olhamos nos olhos. E, por alguns instantes, apenas nos olhamos. O pastor começou a cerimônia e, antes que acabasse, resolvi te falar umas coisas.

“Meu bem, meu amor, meu tudo. Por mais que não acreditem em promessas, não consigo não te prometer ser fiel. Fiel aos nossos sentimentos, ao amor que me demonstras ao longo desse tempo juntos, ao abrigo que me destes. Prometo-te estar sempre contigo, pois juntos, até o sofrimento fica dividido, já a felicidade, essa vem em dobro. Saiba que, de todas as coisas que te ofereço, te darei também a minha maior riqueza, o meu amor.”

E, após essas palavras, acabamos nos beijando e, juntos, saímos pelo caminho de madeira, mas logo corremos para a beira do mar. E então, acordei com as lágrimas nos olhos. Queria tanto que tudo aquilo fosse verdade, que por isso, resolvi te escrever. Sim! E por mais estranho que possa parecer, eu “tô” aqui, pedindo a sua mão. Então, eu só queria que dissestes "sim, pra mim"!

Com muito, muito amor.
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Kari Mendonça
* Inspirado na música “Diga sim pra mim”, Isabella Taviani. .

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Até onde?

Todos os dias, logo cedo, gosto de ler as notícias pela internet. Me mantenho sempre informada e me choco a cada dia com o que é noticiado. Estava pronta para começar a escrever e, enquanto procurava minhas fontes, fui surpreendida por um outro questionamento.

No dia 20 de junho, em São José dos Campos, um rapaz, após trancar a esposa num quarto, ameaçou jogar o filho de três anos pela janela e, só não jogou, pois um amigo passou pelas janelas e o impediu. No entanto, apesar de não tê-lo jogado, o pai o feriu com dois golpes de faca. Eduardo, o pai da criança está preso.

Já em 30 do mesmo mês, em Curitiba, uma mãe, afim de se “livrar do pacote”, jogou a filha de oito meses da janela do sexto andar. Tatiane Damiane, que é enfermeira, estava recebendo tratamento psicológico devido à depressão e não pôde ser levada para unidade feminina, pois as presas disseram que, caso ela fosse, fariam justiça com as próprias mãos.

Em Santa Catarina, a comerciante Edna Adriana, está sendo investigada quanto a sua queda e a da filha do terceiro andar de um shopping. Algumas testemunhas afirmam que a mãe jogou a filha e pulou em seguida, outros dizem que a menina caiu e, ao tentar salvar, a mãe caiu também. A polícia espera os laudos e não descarta nenhuma possibilidade.

Em Pernambuco, na noite de terça-feira, o pai jogou a filha de quatro meses no esgoto após discutir com a ex-mulher e mãe da menina, que não aceitou reatar o relacionamento. A criança foi levada para o hospital e está bem.

E, com toda certeza, ao ler cada um dos relatos acima, foi inevitável não pensar na menina Isabella, 6, que foi morta no último dia 29 de março. E é aí que surgem alguns questionamentos. São tantos os casos de pais que matam filhos, que eu me pergunto o que transformou da morte da Isabela um espetáculo de audiência.

Rapidamente eu penso que, o fato de pertencer à classe média, e o ocorrido ter sido em um prédio de luxo, tenha influenciado bastante para a quantidade de matarias, notícias, manchetes e programas televisivos dedicados exaustivamente ao caso.

E não! Eu não estou sendo insensível, apenas não consigo compreender. Afinal, a filha da Tatiane também perdeu a vida. E o filho do Eduardo foi esfaqueado. Também merecem o apoio e a sensibilidade da sociedade. E, acima de tudo, também merecem a nossa revolta.

É! Mas os questionamentos não param por aí. Depois de analisar essas notícias e acontecimentos e pensar que todos deveriam ter o mesmo destaque na mídia para, da mesma forma, atingir a sociedade, independente de suas classes sociais, também penso que, tais notícias não deveriam ser noticiadas com destaque.

Contraditório? Parece, mas não é. Deixe-me explicar melhor. Todos esses “incidentes” e alguns outros não citados, ocorreram após a morte da Isabella. E então eu penso que, talvez, se a mídia não tivesse dado tanto ênfase ao caso e não tivesse noticiado tanto, durante tanto tempo, as pessoas poderiam não ter “gostado” da idéia.

No caso da Tatiane, por exemplo, quando a Isabella morreu, sua filha estava com quatro meses e ela já a considerava um “pacote”. Ou seja, talvez, se não soubesse da morte da menina, a enfermeira poderia ter, simplesmente, resolvido dar a filha a alguém que pudesse criá-la.

Dessa forma, penso que a mídia deveria informar a sociedade sobre todos os acontecimentos, mas sem dar ênfase a uns e outros e sem transformar notícias em “espetáculos”, pois as pessoas acabam sendo influenciadas, assim como são pelas novelas.

E, após toda essa reflexão e, de certa forma, desabafo, me pergunto, até onde vale noticiar alguma coisa? E quais conseqüências as notícias podem gerar?
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Kari Mendonça

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sem título e sem autor...

Você está sozinho. Em frente à TV, devora duas barras de chocolate, enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm!
É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras.
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O amor dá meia volta. Por que o amor nunca chega na hora certa? O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você.
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O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. Aprenda uma coisa "o amor é imprevisível". Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça- feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão.
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Idealizar é sofrer, amar é surpreender. Talvez tenhamos que conhecer algumas pessoas erradas antes de encontrar a pessoa certa. Talvez a pessoa certa, você considera a mais errada, que só quer curtir, mas que um dia te fará feliz, e para que isso aconteça, só depende de você, pois ao encontrá-la, agradeceró por esta bênção. Porém, estamos tão presos àquela porta fechada que não somos capazes de ver o novo caminho que se abriu, podendo estar do seu lado. Não busque boas aparências, elas podem mudar.
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Encontre aquela pessoa que te faça dar garagalhadas ao falar uma piadinha... que faça seu coração sorrir. Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraça-la. Sonhe com aquilo que você quiser, faça aquilo que voce quiser, principalmente se estiver bebado, vá para onde você queira ir, seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
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A autoria do texto acima é desconhecida. Foi algo que encontrei pela internet a alguns anos e copiei num caderninho. Se copiei, é porque gostei. E, na falta de tempo para sentar e escrever, resolvei beneficiá-los com algo que acho tão belo.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Você já?

Você já se apaixonou sem sequer um primeiro olhar?
Já se apaixonou sem nunca ter visto, apenas conversado?
Já quis um beijo de quem nunca ouviu a voz?

Você já desejou, sem saber o por quê?
Já quis largar tudo e ir pra bem longe?
Já dormiu não querendo acordar nunca mais?

Você já olhou pra trás e viu que não deveria ter feito diferente?
Já se arrependeu, mesmo sabendo que foi “aquilo” que mudou tudo?
Já desejou não lembrar de algumas coisas e pessoas?

Você já quis perto quem está longe?
Já teve saudades, pegou o telefone e ligou só pra mandar um beijo?
Já foi dormir com os olhos vermelhos por chorar de saudade?

Você já fez alguma “festa do pijama”?
Já passou uma madrugada inteira conversando com amigos?
Já dividiu o (seu) quarto com mais de dez pessoas pra uma noite?

Você já realizou algum sonho?
Já conseguiu o que achou que jamais conseguiria?
Já venceu algum medo?

Você já deixou o seu cabelo mostrar o seu estado de espírito?
Já mudou radicalmente quando estava triste?
Já pintou as unhas de preto?

Você já beijou o(a) seu(sua) melhor amigo(a)?
Já dispensou o cara(a menina) por quem era apaixonada(o)?
Já sonhou com algum artista?

Você já passou um dia inteiro no quarto, sem querer falar com ninguém?
Já passou uma madrugada lendo um livro até o seu final, pela manhã?
Já gastou o dinheiro de todas as férias com um único livro?

Você já chorou por amor?
Já quis ser poeta?
Já escreveu uma carta que nunca enviou?

Eu já. Quem sabe seja por isso que sou assim.


Kari Mendonça

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Esse texto foi um "meme" passado pelo Antônio, onde eu deveria escrever algo que começasse com "Você já" e terminasse com "Eu já. Quem sabe seja por isso que sou assim.". Espero ter respondido a altura! E, sintam-se a vontade para fazer o mesmo! Beijos!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Era um tempo bom...

Lendo o blog de uma amiga, acabei retornando a minha infância e adolescência. Não que ambos tenham acontecido há muito tempo, mas já faz um tempo que não lembro daquela época. Pra quem me acompanha a um tempinho, sabe que, em janeiro retornei a casa onde cresci.

Após cinco anos longe, aqui estou de volta. E é muito mais fácil lembrar de qualquer momento quando olho para essas paredes. É fácil e até inevitável. As lembranças surgem a cada olhar, os sorrisos e as lágrimas também...

Lembro quando a casa ainda estava em construção, e foi exatamente nesse quarto que resolvi brincar com as bonecas. Subi nos milhares de tijolos e fiquei algum tempo brincando, mais tarde fui para o telhado me juntar com os meninos pra chupar manga verde com açúcar.

Pouco tempo depois que nos mudamos, comprei uma casinha de pano. Era pequena, mas cabiam todas as bonecas, as panelinhas e eu. Era apertado, mas eu passava horas cuidando das bonecas e “fazendo comidinha”. Quando estava triste, era pra lá que corria.

Mas as brincadeiras não se restringiam a casinha, oras, claro que não. Com um carinho de “bebê” eu leva a boneca pequena, e, em cada braço, carregava outra. Natália era a mais velha e a única que tinha nome. Passava tardes passeando pela casa, fazendo “compras” e me divertindo.


Aprendi a brincar sozinha, pois, se dependesse da minha irmã, eu não faria nada. Adorava brincar de Barbie, mas, sempre que iria brincar com Natália (a minha irmã, não a boneca), ela me ajudava a arrumar a “casa” e todo o território onde aconteceria a brincadeira.

Mas quando tudo estava pronto para começar, ela dizia que estava cansada. E lá ia eu, chorando e sozinha desarrumar e guardar tudo... Poucas foram às vezes em que ela brincou até o fim. Posso até contar nos dedos.

Sempre quis uma boneca de pano, mas nunca consegui ganhar uma. Sempre que via, era cara ou não era bonita. Um dia “mainha” tentou fazer uma pra mim, mas não deu muito certo. Quer dizer, eu sei que a intenção foi das melhores, mas a boneca ficou feia, coitada... Até “mainha” não gostou.

Os anos passaram e agi como se tivesse esquecido, mas na verdade, continuava querendo a minha, tão sonhada, boneca de pano. E foi no ano passado, aos dezoito anos, que fui presenteada pela minha mãe, no natal, com ela, a tal boneca de pano. É fato que eu não brinco mais, mas o lugar dela é todo especial na estante do quarto.

Hoje as bonecas estão numa caixa na porta de casa esperando serem doadas, como “mainha” prometeu. A “comidinha” que faço é na cozinha, e não uso mais flores. As Barbies estão guardadas, não com tanto cuidado, mas ainda guardadas.

O quarto é cheio de bichos de pelúcia, e desses não me desfaço jamais, pois cada um tem uma história. Cada um foi presente de alguém. E, apesar de dedicar meu tempo a outras coisas, ainda sinto saudades de brincar com as bonecas... Era um tempo bom...


Kari Mendonça