quarta-feira, 16 de julho de 2008

Aquela noite

Acordou no meio da noite sentindo uma forte dor na barriga. Gritar foi inevitável. Carlos, seu marido, levantou rápido, vestiu a roupa que estava a postos, pegou a malinha e disse, “vamos”. Ela mal conseguia se levantar, ele a ajudou a vestir a roupa e logo foram para o hospital. No caminho, ligaram para a médica, “é agora Dra.”, dizia ele empolgado, enquanto ela gemia de dor.

Chegaram logo no hospital e tão logo encontraram a Dra. Clara. Enquanto, levaram-na para o quarto e a dor só fazia aumentar, ou melhor, o tempo entre as dores, chamadas de contrações, estavam cada vez mais curtos. E, de repente, a bolsa estourou, no caminho para o quarto. “Vamos para a sala de parto”, disse a médica.

Na sala, como planejado, fora os médicos, só estava Carlos, tão emocionado quanto qualquer “marinheiro de primeira viagem”. Ele segurou a sua mão e ela começou a fazer força. E, enquanto gritava de dor, as lágrimas lhe escorriam pelo rosto. O choro se dava pela emoção, pela dor e pela vontade de que tudo acabasse logo.

Não demorou muito e a cabeça de Lucas logo foi vista. Pouco depois e ela só ouviu aquele choro. “Que choro gostoso”, pensou, enquanto as lágrimas escorriam cada vez mais. Carlos também não parava de chorar, quando o segurou nos braços e, o mais rápido que pode, o levou até ela. E foi ali, seu primeiro contato, com o seu primeiro filho.

Até hoje ela não consegue descrever aquele momento. Olhou atentamente cada detalhe daquele ser tão pequeno e tão seu. Sim! Era um pedaço seu que estava no mundo. Um pedaço do seu coração que precisava de um cuidado eterno, pois, cuidado de mãe jamais acaba. Era seu filho!

Não conseguia parar de olhá-lo. Fitou por alguns minutos aqueles lindos olhos acinzentados, iguais ao do pai. Abraçou-o, e pegou naquele pé tão pequenino, naquelas mãos tão minúsculas. Ainda era difícil acreditar que era seu. Seu filho, Lucas. Aquele que foi tão esperado e tão desejado e que já era tão amado.

Foram intermináveis aqueles minutos antes de Lucas ser levado pelas enfermeiras. Carlos as seguia para todos os lados, pois tinham medo que algo pudesse acontecer. Os dias no hospital foram cansativos, mas logo foram para casa. Era fim de tarde quando sairamo do hospital. Depois que chegaram, não demorou muito e ela caiu no sono.

Algum tempo demais, ouviu um choro lá longe. Queria levantar, mas o corpo não deixava. Então parou de escutar os choros e continuou dormindo. Minutos depois levantou espantada, “é Lucas”, pensou enquanto andava rápido para o quarto. Ao chegar lá, parou, sem fazer barulho e, por alguns instantes ali ficou.

Era Carlos com Lucas em seus braços. E ele caminhava de um lado para o outro, com um olhar tão cheio de ternura para seu filho, enquanto cantava uma cantiga de ninar. As lágrimas escorreram um pouco de seus olhos. Aquela cena, era tão emocionante quanto ver seu filho a primeira vez.

Era tão bonito poder olhar os homens da sua vida daquela forma. Era uma cena com a qual havia sonhado toda a vida. E por isso, continuou ali alguns instantes antes de entrar. Queria memorizar aquela cena de uma maneira especial. E, até hoje, ao colocar Lucas para dormir, ela descreve aqueles minutos detalhadamente, para que ele saiba, e nunca esqueça, o quanto o seu pai o amou.


Kari Mendonça

8 comentários:

candy disse...

Amou?
morreu o pai de Lucas?
O.o


*casamento, filho...
seus posts andam que andam né?
no que vc tem pensado heeein?
hehehehe
=X

;*

Lívia Lins disse...

Oiii...obrigada pelo comentário...gostei muito do seu texto tb.

bjoo

Palavras de um mundo incerto disse...

Eitaaa!!!
Adorei está maravilhosa estória real. Ei, aqui em Poa nasceu quadrigêmeos. Na Santa Casa. Acreditas que eu trabalho próximo da maternidade Mário Totta? Sim! Trabalho!!!


Beijos querida!!!

E boa noite!!! hrehe

Marcos Seiter

Adriano DiCarvalho disse...

Bom, só posso dizer que estórias assim me pegam de jeito e me deixam sem saber o que dizer... Me emocionam. E quando me chegam com a sinceridade que colocou neste texto, aí me deixam mudo, bobo, emocionado...

Lindo!

Ps.: Presente pra ti lá.

Bjão.

Candinha disse...

me lembrou meus dois priminhos q nasceram há poucos meses.. é uma sensação tão boa, ver a mais nova criação de Papai do Céu.. tão lindo, com mãozinhas e pezinhos bem pequenos, os olhos querendo abrir pra enxergar um mundo tão colorido.. enche o coração de amor e esperança! num é? ^^

texto lindo, kari; como sempre. um beijo enorme, Candinha.

Érica disse...

O pai do Lucas morreu foi??
Que triste.
:(
Mas a história foi realmente linda.
Parabêns.
Beijos.
:)

Katarine disse...

Linda Kari! Como todas as outras. Fiquei imaginando como poderá ser comigo, daqui há alguns...anos? Meses? rsrsrsrs...

Como estou triste de não poder te visitar com frequência. Mas saiba que não esqueço de vc.
Um beijo grande!!

® disse...

Penso que essa história vai ter segundo capítulo, apenas por causa do verbo amar no passado... errei?