quinta-feira, 10 de julho de 2008

Até onde?

Todos os dias, logo cedo, gosto de ler as notícias pela internet. Me mantenho sempre informada e me choco a cada dia com o que é noticiado. Estava pronta para começar a escrever e, enquanto procurava minhas fontes, fui surpreendida por um outro questionamento.

No dia 20 de junho, em São José dos Campos, um rapaz, após trancar a esposa num quarto, ameaçou jogar o filho de três anos pela janela e, só não jogou, pois um amigo passou pelas janelas e o impediu. No entanto, apesar de não tê-lo jogado, o pai o feriu com dois golpes de faca. Eduardo, o pai da criança está preso.

Já em 30 do mesmo mês, em Curitiba, uma mãe, afim de se “livrar do pacote”, jogou a filha de oito meses da janela do sexto andar. Tatiane Damiane, que é enfermeira, estava recebendo tratamento psicológico devido à depressão e não pôde ser levada para unidade feminina, pois as presas disseram que, caso ela fosse, fariam justiça com as próprias mãos.

Em Santa Catarina, a comerciante Edna Adriana, está sendo investigada quanto a sua queda e a da filha do terceiro andar de um shopping. Algumas testemunhas afirmam que a mãe jogou a filha e pulou em seguida, outros dizem que a menina caiu e, ao tentar salvar, a mãe caiu também. A polícia espera os laudos e não descarta nenhuma possibilidade.

Em Pernambuco, na noite de terça-feira, o pai jogou a filha de quatro meses no esgoto após discutir com a ex-mulher e mãe da menina, que não aceitou reatar o relacionamento. A criança foi levada para o hospital e está bem.

E, com toda certeza, ao ler cada um dos relatos acima, foi inevitável não pensar na menina Isabella, 6, que foi morta no último dia 29 de março. E é aí que surgem alguns questionamentos. São tantos os casos de pais que matam filhos, que eu me pergunto o que transformou da morte da Isabela um espetáculo de audiência.

Rapidamente eu penso que, o fato de pertencer à classe média, e o ocorrido ter sido em um prédio de luxo, tenha influenciado bastante para a quantidade de matarias, notícias, manchetes e programas televisivos dedicados exaustivamente ao caso.

E não! Eu não estou sendo insensível, apenas não consigo compreender. Afinal, a filha da Tatiane também perdeu a vida. E o filho do Eduardo foi esfaqueado. Também merecem o apoio e a sensibilidade da sociedade. E, acima de tudo, também merecem a nossa revolta.

É! Mas os questionamentos não param por aí. Depois de analisar essas notícias e acontecimentos e pensar que todos deveriam ter o mesmo destaque na mídia para, da mesma forma, atingir a sociedade, independente de suas classes sociais, também penso que, tais notícias não deveriam ser noticiadas com destaque.

Contraditório? Parece, mas não é. Deixe-me explicar melhor. Todos esses “incidentes” e alguns outros não citados, ocorreram após a morte da Isabella. E então eu penso que, talvez, se a mídia não tivesse dado tanto ênfase ao caso e não tivesse noticiado tanto, durante tanto tempo, as pessoas poderiam não ter “gostado” da idéia.

No caso da Tatiane, por exemplo, quando a Isabella morreu, sua filha estava com quatro meses e ela já a considerava um “pacote”. Ou seja, talvez, se não soubesse da morte da menina, a enfermeira poderia ter, simplesmente, resolvido dar a filha a alguém que pudesse criá-la.

Dessa forma, penso que a mídia deveria informar a sociedade sobre todos os acontecimentos, mas sem dar ênfase a uns e outros e sem transformar notícias em “espetáculos”, pois as pessoas acabam sendo influenciadas, assim como são pelas novelas.

E, após toda essa reflexão e, de certa forma, desabafo, me pergunto, até onde vale noticiar alguma coisa? E quais conseqüências as notícias podem gerar?
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Kari Mendonça

8 comentários:

F. disse...

Lindinha, eu tenho tentado me abstrair dessas notícias. Não que elas não sejam dignas de nota - é que pra mim essa modinha de matar bebês e crianças é tão dolorosa, que é como se sabendo dos detalhes eu pudesse sentir a dor deles.

Me pergunto todos os dias se esse tipo de gente pode ser chamado de gente. E em que mundo, meu Deus, em que mundo a gente vive.

Beijo, querida.

® disse...

Tenho o mesmo hábito que vc, e bate uma indignacao qdo leio essas notícias...

Nao há um só dia em que nao lemos, assistimos e ouvimos todo tipo de notícias tratando de injusticas, desigualdades...

Se o caso Isabela fosse apenas mais um Zé das Couves, teria tido a mesma atencao da mídia?

Estamos vendo através da própria mídia nossos valores desacreditados, desprezados e negados. Eu, sinceramente, já nao acredito em mais nada.

* Que legal um post meu te fez ver a vida por um outro ângulo, é por isso que sou blogueira, pq a leitura de novas idéias me faz ver o mundo de outra maneira... Bjao darling!

Aneyze Santos disse...

Vale a pena observar que todas essas "notícias" são deprimente do meu ponto de vista.

Acho que a origem de todos esses acontecimentos se deve primordialmente a cultura brasileira.
è estranho perceber que se tudo tivesse sido diferente, tavez o Brasil fosse um país muito melhro do que ele é hoje.

A sociedade nso últimos tempos têm respirado violência, se sabe o que é pior de tudo isso Kari?

As pessoas nunca acham que àquilo que elas vêem na TV pode um dia acontecer com elas.

E é nesse rumo que o nosso país continua andando, infelizmente por enquanto esse é o caminho por qual todos nós brasileiros seguimos em frente. Mas do meu ponto de vista, o que se deve ser feito são questionamentos, se a sociedade continuar a observar os acontecimentos, infelizmente o Brasil nunca andará para frente.

Talvez eu tenha escapado do assunto central do texto, mas é que pra mim, seja dentro ou fora da família, a violência é uma só.

Beijos.

Érica disse...

Aberrações. Nada mais que isso. A gente não imagina o que é a mente do ser humano. Ela é sombria. Eu nem sei o que dizer, pq eu acho que nada que eu disser vai caber pra esse espetáculo de perversidade.
Triste. Mas que isso, lamentável.

Beijos Kari.

candy disse...

Kariii, me desculpa por nao vir aqui há sééééculos!
Na verdade eu vinha, mas não comentava sei lá pq
:P

Eu entendo oq vc fala e até concordo em certa parte. Não aguentava mais Isabella e não é por falta de sensibilidade e sim pq o único assunto era esse e já estava sendo explorado de forma a apenas dar ibope e nao com o intuito de informar a população.
Mas creio que essas notícias sejam de suma importância não apenas para sabermos que elas acontecem, mas para saber até como agir em situações como essa, por exemplo.
O ruim não é dar a notícia em si e sim o quanto é falado sobre a mesma coisa.
=/

*me lembrei agora sobre a mídia não dar notícias sobre suicídio para evitar que a massa que é propensa a tal ato, não o faça.
Já ouviu falar alguma coisa?
(perg. por vc ser da area e possa ser que algum professor tenha falado).

Bom fds, Pernambucana!!!

;****

Adriano DiCarvalho disse...

O ser humano ainda me surpreende! Pra o bem e pra o mau! Infelizmente. Gostaria de não ter que ser informado dessas atrocidades, mas preciso ler, ver os noticiários, enfim. Não há como me abster. Porém, tento não repercurtir em mim as desgraças sabe! Tento!


E ah! Indiquei teu Blog a um prêmio. Espero que goste. Bjão

Palavras de um mundo incerto disse...

Bah, não entendo mais as mentes dos seres humanos. Perderam a sensibilidade pelo prazewr de fazer o bem, de querer viver a vida com paz aqui no planeta terra. O inferno nos recebeu de braços abertos.


Bjos querida e adorei seu faro jornalístico.



Marcos Seiter

ALF disse...

É um assunto a ser tratado com delicadeza. De fato contraditório, e polêmico.

Também não sei até que ponto nós seres humanos vamos chegar.

Lamentável...

Beijos