sábado, 26 de julho de 2008

Dia das avós

Hoje me sinto órfã. Não de pais, mas de avós. Não é todos os dias em que o sentimento de órfã me acomoda o peito, mas estava lendo a UOL, quando me deparei com a notícia que hoje é o dia das avós.

Lembrei-me das vezes em que comemorei esse dia. Não foram muitas, pois quase nunca me lembrava da data, mas lembro da primeira vez em que ouvi falar. Fui à casa da minha avó materna onde, além dela, moravam também duas bisavós. Foi uma festa, vários cartazes e um grande abraço em cada uma delas.

Com uma das bisavós, nunca tive muito contato, pois, desde que me entendo por gente, ela não era muito boa da memória. Mas, de certa forma, gostava de ficar com ela. De observá-la lendo a mesma folha do jornal inúmeras vezes, ou quando me falava de alguém do seu passado. Mas, apesar da pouca memória, viveu até os 98 anos, morrendo em 2003.

A outra bisavó era mais ativa. Gostava de passear e eu adorava estar com ela. Quando estava em seu quarto, sempre pensava que deveria aproveitá-la bastante, pois sabia que ela não ficaria muito tempo comigo. Lembro-me das delícias culinárias que ela fazia... Aos dez anos, tive que vê-la morrer, dentro da minha própria casa por causa do câncer.

A minha avó era uma boa pessoa. Não era perfeita e aprendi muito com todas suas imperfeições, mas era uma boa pessoa. Ajudava sempre que podia, contava histórias para passar o tempo e nos levava pra passear sempre que dava vontade. Gostava de nos presentear.

E, apesar de muitos momentos bons que passamos, hoje tenho dificuldade de lembrar da maioria deles. Não que eles tenham sido insignificantes, mas, como tantas vezes falei aqui, vê-la morrer não foi fácil. Ver alguém tão forte, de repente enfraquecer e desistir da vida, é uma lembrança que levarei para a vida inteira, sem esquecer nenhum detalhe.

Essa data comemorei apenas com as três avós citadas a cima, mas não foram as únicas que conheci. A minha avó materna também é alguém de quem guardo boas lembranças, apesar de poucas. Às vezes tenho dúvidas se, de fato, são lembranças, ou são apenas coisas que aconteceram no filme que tínhamos.

Lembro de seu sorriso. De como me segurou com força, certa vez em que eu esperneava para ir com a minha mãe. Foi ela que me ensinou a comer leite condensado com Nescau, ou pão com “queijo de copo”. Lembro também, do dia em que nos despedimos. Foi a primeira vez em que tive que lidar com a morte, aos seis anos.

Na verdade, como poucas pessoas, eu tive a sorte de conhecer as minhas quatro bisavós. Tenho uma foto “histórica” com elas juntas no meu aniversário de oito anos. Uma delas vi apenas nesse dia, a outra ainda vejo, pouco, mas vejo, e é por quem tenho um imenso carinho.

Quando estava no hospital, nessa data tão especial, escrevi para a minha avó o quanto ela era importante para mim, disse que a amava duas vezes e terminei com uma frase que li em algum lugar e jamais vou esquecer: “porque vó é mãe duas vezes”.

E eu tenho saudade das minhas avós. Do colo delas. Daqueles abraços sempre tão fortes. Do carinho. Dos beijos. Das histórias...


Kari Mendonça

12 comentários:

Lizzie disse...

Graças a Deus meus avós maternos e paternos estão vivos. Bem velhinhos, mas vivos...
Agradeço muito por isso, e pela importância imensa que eles têm na minha vida. Acho que quando eles se 'forem', vou sentir também essa sensação de órfã...


Andei sumidíssima da blogosfera, bem sei. Mas voltei, e cheia de saudades de todos vocês!

Beijocas
www.lizziepohlmann.com

Flah disse...

Eu só tenho uma avó... mas por questões familiares, não temos tido muito contato nos últimos meses... deu saudade agora, mais que nunca. Talvez ter lido esse post seja um sinal. Vai ver por isso senti uma lagrimazinha se formar no cantinho do meu olho...

E tem um protesto lá no meu blog. Coisa séria. Quando tiver tempo, passa lá pra ficar por dentro.

Beijo!

Mayara disse...

Tenho minhas duas avós e minhas duas bisavós, mas moram longe. As saudades apertam, ficamos muito tempo sem nos falarmos, mas também quando nos encontramos...
Vó é Vó! Não importa a distância!
E como você disse 'Vó é mãe duas vezes', e elas sempre estarão em nossos corações e nas boas lembranças.

No meu mundo. disse...

“porque vó é mãe duas vezes”.
Essa é uma das maiores verdades do mundo.
Tenho minhas duas avós mas hj por descuido não desejei Feliz dia da avó pra elas.
Mas não faltarei amanhã.
São tantas coisas a aprender, espero que elas fiquem comigo durante um tmpo mais.

Palavras de um mundo incerto disse...

Pequena,
esse coração gigante é a prova de teu carinho. Amei!!!

Bah, sinto a saudade de meu avô e minha avó, que foram importantes para mim. Sempre lembro da imagem do meu avô mascando fumo, aqui no pátio do meu tio(filho dele), e ele me olhava. heeh


Beijos e abraços!!!

Bom domingo!!!! hehehe



Marcos Seiter

Katarine disse...

Puxa. Eu conheci duas das minhas bisavós. O que mais me lembro delas é a fragilidade que ambas tinham. As duas eram maternas. Uma delas morreu de cancer. Não me lembro qual idade eu tinha na época. A outra morreu depois de ficar 13 anos em cima de uma cama. Tenho poucas lembranças, pois nunca fui muito ligada a elas. Mas me lembro bem quando as duas adoeceram e a circunstância de suas mortes. Foram todas muito tristes.
Quanto às minhas avós... A paterna, infelizmente não tive a oportunidade de conhecer. ela morreu antes de eu completar um ano. Acho que se eu tivesse vontade de ter conhecido alguém, não seria nenhum pessoa famosa, ou ídolo. Esse alguém seria ela.
E vc já sentiu saudade de alguém que nunca viu? POis é, de vez enquando eu sinto saudades dela.
Quanto a minha avó materna, ahhh... ela é um doce! Sempre pronta a ajudar... Às vezes fico me perguntando como será quando precisarmos nos despedir. Não sei como será e se eu vou aguentar. MAs... por enquanto, só quero aproveitar os momentos que pudermos estar juntas.
Nuxa.... fiz um post!!!
bjos!!!

» NaY « disse...

Uma das maiores tristezas que carrego comigo é o de não ter tido colo de avó. A materna faleceu qdo minha mãe ainda era criança e a paterna quando eu tinha 5 anos (tenho poucas lembranças com ela). Mas em compensação tive um avô que tinha um coração grandão e um colo confortável, que de certa forma amenizou essa dor =)

Xerus
=***

P.S.: Voltei! ;D

Alê Raposo disse...

Esse tipo de texto nos traz um monte de lembranças... fiquei aqui pensando em tantas coisas da época que a minha avó era viva (há um ano). É engraçado pq são lembranças de coisas simples, do dia-a-dia...
Dá uma saudade

ALF disse...

Nunca fui próximo dos meus avós.
Os avós maternos nunca cheguei a ver. Hoje tenho só minha amó paterna. Tenho muito carinho por ela, mas lamente não ser tão próximo quanto um bom neto, apesar de que more do lado dela.

Beijocas

® disse...

Sinto-me sempre orfa quando nao tenho mais um ombro amigo, um colo... mas a pior que já senti foi quando perdi pai e mae, ah, essa, foi dureza.
Benditas sejam as lembrancas!!!
Que essa lembranca que tem nitidamente dos detalhes de alguém desistindo de viver, faca com que vc nunca desista!

Érica disse...

Não tenho mais avós. Já morreram faz tempo. AGora eu tinha um avô de coração, era um senhor que morava perto lá de casa e que desde que eu era pequena brincava comigo quando me via, trazia-me presentes e dizia a minha mãe que dos treze netos que ele tinha eu era a que ele mais amava. Isso pra mim valia muito mais que qualquer vô ou vó de sangue. Não sou apegada a datas, acho tudo muito comercial, e isso me faz não penetrar nessa atmosfera comemorativa. Mas lamento por você amiga Kari e respeito seus sentimentos.
Beijos e saudade.

Camila disse...

AMO DEMAIS MINHA AVÓ, INFELIZMENTE MEUS AVÔS MORRERAM E A MÃE DE MEU PAI EU NÃO CONHECI!
MORAMOS LONGE UMA DA OUTRA, MAS SOMOS MUITO UNIDAS!
A AMO DEMAIS
BEIJU
=)