terça-feira, 1 de julho de 2008

Era um tempo bom...

Lendo o blog de uma amiga, acabei retornando a minha infância e adolescência. Não que ambos tenham acontecido há muito tempo, mas já faz um tempo que não lembro daquela época. Pra quem me acompanha a um tempinho, sabe que, em janeiro retornei a casa onde cresci.

Após cinco anos longe, aqui estou de volta. E é muito mais fácil lembrar de qualquer momento quando olho para essas paredes. É fácil e até inevitável. As lembranças surgem a cada olhar, os sorrisos e as lágrimas também...

Lembro quando a casa ainda estava em construção, e foi exatamente nesse quarto que resolvi brincar com as bonecas. Subi nos milhares de tijolos e fiquei algum tempo brincando, mais tarde fui para o telhado me juntar com os meninos pra chupar manga verde com açúcar.

Pouco tempo depois que nos mudamos, comprei uma casinha de pano. Era pequena, mas cabiam todas as bonecas, as panelinhas e eu. Era apertado, mas eu passava horas cuidando das bonecas e “fazendo comidinha”. Quando estava triste, era pra lá que corria.

Mas as brincadeiras não se restringiam a casinha, oras, claro que não. Com um carinho de “bebê” eu leva a boneca pequena, e, em cada braço, carregava outra. Natália era a mais velha e a única que tinha nome. Passava tardes passeando pela casa, fazendo “compras” e me divertindo.


Aprendi a brincar sozinha, pois, se dependesse da minha irmã, eu não faria nada. Adorava brincar de Barbie, mas, sempre que iria brincar com Natália (a minha irmã, não a boneca), ela me ajudava a arrumar a “casa” e todo o território onde aconteceria a brincadeira.

Mas quando tudo estava pronto para começar, ela dizia que estava cansada. E lá ia eu, chorando e sozinha desarrumar e guardar tudo... Poucas foram às vezes em que ela brincou até o fim. Posso até contar nos dedos.

Sempre quis uma boneca de pano, mas nunca consegui ganhar uma. Sempre que via, era cara ou não era bonita. Um dia “mainha” tentou fazer uma pra mim, mas não deu muito certo. Quer dizer, eu sei que a intenção foi das melhores, mas a boneca ficou feia, coitada... Até “mainha” não gostou.

Os anos passaram e agi como se tivesse esquecido, mas na verdade, continuava querendo a minha, tão sonhada, boneca de pano. E foi no ano passado, aos dezoito anos, que fui presenteada pela minha mãe, no natal, com ela, a tal boneca de pano. É fato que eu não brinco mais, mas o lugar dela é todo especial na estante do quarto.

Hoje as bonecas estão numa caixa na porta de casa esperando serem doadas, como “mainha” prometeu. A “comidinha” que faço é na cozinha, e não uso mais flores. As Barbies estão guardadas, não com tanto cuidado, mas ainda guardadas.

O quarto é cheio de bichos de pelúcia, e desses não me desfaço jamais, pois cada um tem uma história. Cada um foi presente de alguém. E, apesar de dedicar meu tempo a outras coisas, ainda sinto saudades de brincar com as bonecas... Era um tempo bom...


Kari Mendonça

13 comentários:

candy disse...

uahuahuauhaau
imaginei a pobre boneca que sua mamis fez!
tadinha!
kkkkkkkkkkkkk

eu tenho uma bonequinha de pano, pequeninhas, mas bem lindinha...
no dia das crianças de 2004 eu tava mexendo com meu ex (que na epoca era atual hahaha) e dizendo que queria um presente de dia das crianças... então mais por brincadeira ele me deu uma bonequinha de pano (loirinha pq ele dizia que era minha cara hehehe) e eu dei um carrinho.
tão bom lembrar disso agora
hihih ^^

Mas sabia que, relembrando a infancia, eu nunca gostei muito de boneca? Sempre fui molecona de gostar de jogar bola, rolar na areia, ficar suada...
sua irma nunca te chamou pra "brincar de dormir" não?
uahuahuahauah
¬¬

Fui atender uma ligação e agora perdi o rumo do que tava escrevendo...
enfim....

Boa semana, amigaa!
;****

Marcus Vinícius disse...

São poucos os que são sensíveis o suficiente para perceber o quão doloroso é para alguém receber um presente da mãe, não gostar, e não dizer nada. Ainda mais quando é feito pela prórpia mae...

Bem, tinha que comentar isso, por que já me acontecer uma ou duas vezes. Óbvio que não com uma boneca de pano, mas com algo que minha fez com a maior das boas vontades e eu não gostei.

Fiquei imaginando tu brincando de boneca depois de grande... shuashaushausha
O teu quarto deve ser O Quarto de Pati, cheio dos ursinhos e cachorrinhos de pelúcia... Nunca dei um desses para ninguém, mas vai ficar agora na memória essa idéia. Ela é no mínimo, "conquistadora", hehehe.

Beijão, guria que não me deixa ficar fora da blogoesfera!

Érica disse...

Recordações são boas mesmo. Principalmente essas bem inocentes, quando a gente não tinha tanta coisa chata pra pensar.
Beijo.
Adorei esse momento recordar. hehe...

Antônio disse...

E viva o saudosismo! Sempre é bom recordar tempos felizes, para que eles espalhem esse sentimento pelo presente afora...

Beijo!

Mayara disse...

Bons tempos...
A saudade da infância sempre é grande, mas temos que nos preocupar com o presente, e aproveitá-lo da melhor maneira possível!

Beijos

Zihh disse...

Lindo texto Kari!
Recordar é uma coisa que me faz um bem indescritível.
Ler o teu texto me trouxe lembranças do tempo em que eu também brincava de boneca. Ahh como era bom, imaginar um mundo no qual eu poderia ser o que eu quissesse, e as minhas bonecas eram protótipos de todos os tipos de pessoas que eu queria ter ao meu redor.

Faz muito, muito, muito tempo que eu não vejo se quer uma boneca na minha frente. Acho que se eu fosse a uma loja de brinquedos e me deparasse com uma, talvez eu simplesmente olhasse e percebesse quão bom eram meus olhos na época em que eu era criança.

Mas os seres humanos crescem, e rapidamente deixam de ver o mundo com os mesmos olhos. Talvez essa seja a parte ruim de crescer.


Beijos.

® disse...

Com a maturidade chegando, sem perceber vai se desfazer dos bichinhos de pelúcia tb, pq vai perceber nao fazem mais sentido de estar ali...

Esse teu relacionamento de amor-e-ódio com a sua irma, me faz lembrar da minha, e que com o tempo, e com as coisas mais relevantes da vida, desapareceu.

Difícil eu parar para pensar no tempo que passou, sao muitas coisas, deve ser isso, meu hardware mental já extrapolou rsss.

amália :) disse...

e bateu uma nostalgia sem tamanho ;~

Alê Raposo disse...

Ahhh vou fazer também um momento nostalgia rsrsr

Adorei. Sempre gosto do que tu escreves.

Beijos

F. disse...

eu ainda guardo os meus brinquedos. Não todos, mas os mais significativos. Tiro das caixas, limpo, lavo os vestidos, arrumo os cabelos das bonecas, deixo-os tomar ar, guardo-os novamente com carinho e saudade do tempo em que éramos inseparáveis. Às vezes acho que tê-los por perto é uma forma de não deixar partir a criança que eu fui.

Beijos ;)

Candy disse...

Kariii
\o/\o/
como ta de ferias, heeein, pernambucana?
:D

;****

Adriano DiCarvalho disse...

Mas essa moça é mais saudosista que eu supunha, meu Deus!rs
Brincadeira Kari, também gosto de remexer no baú das lembranças e colorir meu hoje. Massageia meu espírito...

Olha só, advinha! Presente pra você lá viu!

Bjão.

ALF disse...

Cada fase de nossa vida tem seu encanto. As saudosas lembranças nos enchem de nostalgia mesmo.

Tempo bom, ah tempo bom.

Também me recorrer aqui dias de intenso sorriso. Saudades...

;)

Beijos