quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O meu Recife

Desde pequena, gosto de mexer em fotografias e em coisas antigas. Conheci as minhas quarto bisavós e duas delas moravam ao meu lado. Gostava de estar com elas, de ouvir suas histórias e seus momentos que, aos meus olhos, pareciam ter acontecido há muito tempo atrás, mas que, para elas, era como se tivessem acontecido ontem.

Com o passar dos anos, elas foram morrendo e sempre que suas coisas eram colocadas em algum canto da casa, eu corria para lá. Ficava horas, ás vezes dias viajando em lembranças que não foram minhas e tentando imaginar cada momento descrito em todas aquelas fotos.

Os meus bisavôs não conheci. Nenhum deles. Mas, um dia, descobri a carteira de sócio de um deles, era do Clube Náutico Capibaribe. Sorri sozinha imaginando como seria o clube naquela época. Esses dias, olhando novamente algumas fotos, reencontrei duas que muito me agradam.
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São as fotos do Recife, do meu Recife. Da Veneza brasileira. Do Capibaribe iluminado. Das pontes encantadoras. Do Recife que todo turista deveria conhecer. O Recife, como ele mesmo (meu bisavô) escreveu, em 1928. O Recife a luz do sol e iluminado para destacar seus encantos.
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Fiquei alguns minutos olhando as fotos. Questionei-me como seria essa cidade naquele ano. Onde ele estaria quando tirou essas fotos? O que estava pensando? O que pretendia? Para muitas das perguntas, eu jamais terei resposta, mas, uma delas, posso responder sem hesitar e, conseqüentemente, com enorme pesar.

O Recife não é o mesmo. Não apenas por alguns edifícios a mais, por algumas avenidas novas ou pontes reformadas. Mas pela violência. Acredito que em 1928, o Recife não era a capital mais violenta do país. As cidades pernambucanas não eram comparada aos países europeus, ganhando com o maior número de mortos.

Em 1928, não havia, na Rua Guilherme Pinto, um contador de homicídios. Sim! Recife, a capital com maior número de homicídios do país “ganhou”, em 30 de abril, o primeiro contador de homicídios do mundo. A intenção foi “mexer com a população” e, de certa forma, exigir alguma providência do Estado.

Acredito que, naquele ano, era agradável passear pelas belas pontes, pela avenida Boa Viagem, ou pelo centro da cidade á noite. Hoje é perigoso. Ainda saímos pelas ruas, mas há sempre aquele medo. Medo de não voltar para casa ou de voltar ferido e “sem nada”. Afinal, um assalto fere a dignidade daquele que tanto batalhou para conseguir o que, em poucos segundos, lhe foi roubado.

A violência não destruiu a beleza da Veneza, mas a modificou. O Capibaribe transborda suas lágrimas, o vazio (comparado aos anos anteriores), no Recife Antigo, entristece qualquer um. É por isso que, quem vem ao Recife, nota que apesar de tão belo, algo se esconde. Algo que, de certa forma é culpa dos recifenses, mas que, aos poucos (infelizmente ainda é aos poucos), eles estão tentando mudar.

E eu quero o Recife da foto. O Recife de 1928. O Recife sem violência. O Recife da infância do Manuel Bandeira, das palavras do João Cabral, o Recife da minha saudade...


Kari Mendonça

domingo, 26 de outubro de 2008

Ao meu bem

Aumentei a tela. Estavas lá, em tamanho quase real, a minha frente. Sem saberes, te beijei a testa, num gesto de carinho. Teu rosto parecia tão perto do meu. Teus lábios estavam tão próximos, cobertos apenas por teu braço, que apoiava a cabeça. Estavas lendo. Tão concentrado que se quer percebeu que eu te observava atentamente. De tudo o que estava vendo, a tua pulseirinha do pulso direito, era a mais próxima, a mais visível. Gosto dessa pulseira. Sei que tem um significado especial pra ti e, sempre que penso em ti, lembro dela. Não há como pensar em teus braços, sem a tua pulseira. E não há como pensar na pulseira sem te querer por perto.

E, enquanto escrevo, saio para te observar e volto. Penso em mil coisas enquanto te olho. Vez ou outra tu levantas os olhos. E, meio rápido, tu me olhas e logo voltas para teu livro. Gosto de ver concentrado, atento em algo. Sei que, quando vais fazer, seja o que for, gostas de fazer direito. E isso eu admiro bastante em ti. E por mais que pareça bonito escrever que eu passaria a vida aqui te observando, não é o que quero. Não conseguiria passar tanto tempo assim te beijando a testa sem sentires meus lábios. Ouvindo teus beijos sem sentir o calor da tua boca. Vendo teu corpo, sem poder te tocar. E sonhando contigo, sem poder realizar.

É por isso que eu conto os dias, os segundos para estar contigo. Ou melhor, contigo estou sempre, mas não vejo a hora de estar ao teu lado, sentindo teu cheio, tua pela, teu suor...


Kari Mendonça

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

As caixas

O dia hoje não foi fácil. Doeu, magoou, fez chorar, mas, finalmente consegui organizar tudo dentro de quantas caixinhas foram necessárias. O fato é que eu percebi que estava fazendo tudo errado. E tem coisa pior do que descobrir que tudo o que fazia não estava correto? Não deveria ser daquele jeito? É ruim, mas ainda bem que dá tempo de desarrumar e organizar tudo novamente.

Assim, fui atrás de caixas. Qualquer caixa, desde que não fosse transparente, e de qualquer tamanho, desde que coubesse no meu quarto. No cantinho, ali, próximo a janela. Sentei-me próximo as caixas, abri cada uma com cuidado. Fiz questão de deixá-las bem coloridas (na parte interior apenas), afinal, não permitiria que eles ficassem em um lugar qualquer.

Após colorir, deixei-as seguras, afinal, o que seria colocado nelas é de alto valor e extremamente frágil. Com tudo pronto, sentei-me em frente a elas. Decidi que era hora de organizar aquela bagunça. Por alguns minutos, fiquei apenas sentada, não estava pronta. Não sabia por onde começar. Tardou, mas, decidi que não poderia ficar parada para sempre.

E foi nesse momento que comecei a reaver, lembrar e pensar em cada um dos meus sonhos. Para cada um deles fiz uma lista com pós e contras. Quais valeriam ou não a pena lutar para realizar e quais pareciam apenas sonhos de uma menina iludida que, por mais que tentasse se enganar, sabia que jamais sairiam de seus pensamentos. Quando acabei a enorme lista, foi a hora mais difícil.

Tive que escolher quais, de fato, eu estou disposta a lutar, haja o que houver. Os outros, deixei no papel na lata de lixo lá do quarto. Já aqueles que escolhei, embrulhei cada um, cuidadosamente, e os coloquei nas caixas. Uma caixa para cada sonho. E cada caixa tinha o tamanho equivalente ao sonho.

E, antes que você resolva perguntar por que eu tive tanto trabalho apenas para organizá-los, eu explico. As caixas não foram para deixá-los em ordem. Elas servirão para escondê-los. De mim? Não! De forma alguma. Todos os dias, assim que levantar da cama, olharei para cada um deles e assim, levantarei com a garra de lutar para realizá-los e, poder, logo, tirá-los de lá.

Espero que não tenha ficado confuso. Mas é que, percebi que ficar falando o que quero e o que pretendo não me ajuda em nada, ao contrário, atrapalha. Pois, enquanto eu conto aos setes ventos os meus sonhos, ás vezes, os ventos voltam contra mim e tentam me fazer mudar de idéia ou tentam me deixa em dúvidas.

E eu não quero que meus sonhos sejam colocados em bandejas para que, quem quer que seja, resolva o que é ou não melhor para mim. E foi por isso que decidi colocá-los nas caixas. Para protegê-los, fortalecê-los e, em breve, tirá-los de lá e escrever em frente à caixa, realizado!



Kari Mendonça

E, com a decisão de “embrulhar” os sonhos, o blog acaba ficando um pouco diferente. Mas só um pouco. Ainda será (sempre) meu canto de desabafo, apenas não falarei de algumas coisas sempre tão presentes. Dessa forma, os contos invadirão e serão muito bem vindos. Será maravilhoso colocar a minha mente a prova para criar e imaginar tantas histórias para escrever.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um segundo!

Basta um segundo e tudo fica diferente. Um segundo. Apenas isso e pode ser fatal. Em um segundo o gatilho pode ser puxado, ou não. Nesse segundo, uma vida pode acabar, ou não. Afinal, por mais que não pareça, a vida é feita de segundos. Segundos que formarão minutos, mas onde cada um tem uma importância fundamental.

Porque um segundo pode ser especial. Em um segundo eles se olham nos olhos e dizem “sim!”. Nesse segundo ela reconhece que ele é o homem da sua vida, e vice versa. E por mais que tudo tenha sido pensando e decidido com antecedência, é naquele segundo onde tudo toma “forma” e se concretiza.

Mas um segundo também pode ser fatal. É o segundo do gatilho, do “não”... É o segundo de abrir a porta e o encontrar na cama com outra. O segundo em que a respiração acaba e, no segundo seguinte, é necessário fechar aqueles olhos já sem vida. E é esse segundo que vai destruir a sua vida.

Ou não! Por mais terrível e desastroso que tenham sido os segundos (ás vezes multiplicados em horas), é necessário seguir em frente. De alguma forma, com alguma força, mas é necessário não se prender aos segundos que passaram. Não revivê-los a cada instante é fundamental para continuar a caminhada.

Assim como, não se pode ser feliz apenas relembrando os bons segundos. É preciso fazer de tudo para que os segundos seguintes também sejam felizes. Afinal, um segundo de lembrança é prazeroso, mas, querendo ou não, o segundo seguinte é triste, pois bate a saudade, a vontade de voltar aquele momento e reviver tudo novamente.

Resumindo, é necessário que não se perca os poucos segundos que a vida oferece, afinal, um segundo faz toda a diferença.



Kari Mendonça

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O luar na escuridão

"Amor assim, mesmo distante é como a luz na escuridão."
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Faltou luz!
Mas não faz mal.
Todas as luzes, hoje,
poderiam ser desligadas.

Todos os faróis poderiam
não ser usados.
Todos os postes deveriam
ser economizados.

Hoje, a noite poderia
parecer uma imensa escuridão.

Mas ela está lá.

E mesmo que não haja luz para iluminar,
a lua vai sempre irradiar
um eterno brilho em teu olhar.


Kari Mendonça

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Era só um almoço... (Final)

A quem interessar, a primeira parte está logo abaixo....
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Ele abriu a porta e disse, “seja bem vinda”. Entrei e achei tudo muito bonito. Não era tão arrumado, mas desconsiderei por ser apartamento de homem, afinal, eles nunca serão como nós. Sentei no sofá e logo ele me ofereceu uma taça de vinho. Vinho branco. Será que ele sabia que eu não gostava de tinto? Que vinho maravilhoso. Não demorou muito, e ele disse que o almoço estava quase pronto. E então perguntei o que ele havia feito. E ele respondeu:

- Pra falar a verdade, eu liguei para o restaurante e, já que não pude fazer reserva, pedi para chegarem ao meio dia. Espero que não fiques chateada.- Não! Por que ficaria?- Por eu não ter feito almoço...
Sorrimos juntos. E continuamos conversando até a campainha tocar. E não é que chegaram ao meio dia? Foi aí que tive certeza que a história da reserva tinha sido conversa furada. Mas gostei. Estava confortável e muito agradável ali. Depois da segunda taça, eu já não estava tão nervosa. Senti-me bem, como não sentia há muito tempo, ainda mais, perto de um homem.

O almoço estava gostoso. Foi macarrão ao molho quatro queijos com filé ao molho madeira. O restaurante era o meu preferido e sorri ao descobrir isso. Não comi muito, estava mais nervosa do que com fome. Notei que ele também não comeu. Continuamos conversando. Ficamos algum tempo sentados á mesa, mas logo voltamos para o sofá. A conversa parecia nunca ter fim. Percebi que fiquei um pouco excitada.

Como aquele homem era charmoso e encantador! Em meio a uma taça e outra, ele me olhava diferente. Em algum momento da conversa, chegou mais perto. Com uma mão (e que mãos aquele homem tinha!!) puxou minha cintura para perto, com a outra, segurou minha nuca. Perguntou se estava tudo bem. E, antes de responder, me aproximei para beijá-lo. E o beijo foi imensamente encantador.

Minha nossa! Além de tudo ele ainda sabia beijar! Que homem era aquele na minha frente? Senti que a mão que estava na cintura começou a percorrer as minhas costas. E entre os laços, ele roçava seus dedos para tocar a minha pele. E o apartamento, tão agradável até pouco, começou a ficar quente. E que calor era aquele!? E enquanto tentava percorrer minhas costas, meu desejo foi aumentando.

Eu queria me entregar a ele, como nunca. Queria ser possuída. Apertei um pouco sua nuca, na intenção de mostrá-lo que não queria que ele saísse dali e nem parasse o que estava fazendo. Quando fiz isso, a mão começou a descer e, ao sair das minhas costas, foi para nas minhas coxas. E foi ali que soube por que havia escolhido um vestido. E enquanto ele me deixa mais excitada, mas minhas mãos resolveram também percorrer suas coxas.

Mas, antes que pudesse achar as coxas (afinal, aqueles beijos eram quase delirantes), acabei tocando em algo. É... Na verdade eu não sei bem como dizer onde toquei exatamente, apesar de você já poder imaginar. Quer dizer... Quando toquei, por um segundo quis tirar as mãos e sair dali, mas não consegui, nem as minhas mãos... Senti-me bem e extremamente excitada em saber que estava deixando-o também excitado.

Ele pareceu gostar do que as minhas mãos faziam, pois suas mãos acabaram também saindo das minhas coxas e foram parar exatamente no meio delas. E entre beijos e carícias, ele acabou se levantando. Tomei um susto. “Será que não estava gostando?” pensei. Mas ele me segurou pelas mãos e me levou até seu quarto. Um quarto tipicamente de homem, sem muitos detalhes e não tão arrumado, mas também não estava bagunçado.

Quando chegamos perto da cama, ele me puxou para perto do seu corpo e continuou a me beijar. Dessa vez não apenas na boca, mas também a minha nuca, meus ombros, e foi descendo... Queria beijar os meus peitos, mas o formato do vestido o impedia. Então, fez o que estava com vontade de fazer a muito tempo. Puxou o laço que ficava ao final das minhas costas e foi desfazendo o enlaçado, até poder puxar o vestido por cima. Levantei os braços para ajudá-lo e logo ele jogou o vestido no chão...

E enquanto beijava meu corpo, o calor que eu sentia só aumentava. O desejo e o “tesão” também. Eu queria ser possuída por aquele homem. Puxei-o até que seus olhos se encontrassem com os meus e desabotoei sua camisa com toda pressa. Quando a joguei longe, fui com as mãos para a calça e percebi que o... O.... É.... Bom, que ele estava pra lá de "excitadíssimo".

Tirei a calça e a cueca numa puxada só (com cuidado, claro!). Ele foi andando para frente e assim, me levando com seu corpo. Acabei caindo na cama, e ele veio para cima de mim. Minha nossa! O que era aquilo? A sua... Como era mesmo? Havia lido certa vez num livro, como ela chamou aquilo? Ah! A sua “Pulsante Virilidade” estava a todo vapor e ela já não estava mais nervosa. Era aquilo que queria. Queria ser devorada por aquela “Pulsante Virilidade”.

Ele estava prestes a começar quando, foi um pouco para o lado, mexeu na cabeceira da cama e pegou a camisinha. Numa rapidez nunca vista tirou-a da embalagem e a “vestiu”. Enquanto isso, eu o admirava. Aquele homem era realmente maravilhoso. E, antes de me penetrar o corpo, ele me beijou de uma forma tão carinhosa... Foi algo tão especial... E então, ele veio, com todo carinho e...

E... Bom! Desculpe se não vou contar os detalhes das minhas transas (percebeu o plural???), mas acho que isso já é um pouco particular demais. Mas, só uma coisa, o Sérgio foi ainda mais maravilhoso do que eu pude imaginar... Saí de lá apenas na manhã seguinte. E continuamos saindo. Quem sabe, não dê em algo mais.... Qualquer coisa, eu aviso, pode deixar!
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Kari Mendonça
Inspirado nos livros da Marian Keyes.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Era só um almoço...

Estava sem prática. Há meses não saia com ninguém, desde que o Beto foi embora com a Sara (que, por acaso, era minha melhor amiga. Ainda bem que foram pra bem longe). Havia conhecido o Sérgio na casa de uma amiga (apesar de não saber mais, de fato, reconhecer uma amizade). Era sábado à noite, a Paula me convidou pra um jantar e achei que seriamos só nos duas e talvez o Guto (namorado dela).

Mas não. O Sérgio estava lá e também alguns amigos dela. Alguns solteiros e outros não. Sei que foi tudo proposital, e os amigos estavam apenas para disfarçar. Mas sabe, ela acabou acertando. O Sérgio é um homem maravilhoso. Simpático, interessante, e... Sensual... Sim! Ele tinha um corpo maravilhoso, mas confesso que só percebi na segunda vez que nos encontramos, na casa do Guto.

Nas duas noites conversamos bastante. Não interagimos com mais ninguém e a conversa fluiu de uma forma mágica. Eu sabia que a Paula havia contado o que me aconteceu, afinal, o Beto não tinha sido um namorado qualquer, pois moramos juntos por três anos, depois de um ano e meio de namoro, e não foi fácil superar o fato dele ter ido embora do dia pra noite e, ainda por cima, saber que foi com a Sara. Mas, ele não tocou no assunto.

E resolvi não tocar também. Não havia esquecido completamente o Beto, mas, o tempo que conseguia não pensar nele, resolvi que seria sagrado. E, com o Sérgio, eu conseguia nem lembrar o último beijo que dei, ou da última vez que havia transado. Opa! Falei em sexo? Não era essa a intenção, afinal, eu estava apenas conhecendo o Sérgio e, ainda não tínhamos nem ficado sozinhos.

Na casa do Guto, quando vi que estava ficando tarde, resolvi ir para casa. Não queria, mas não podia sair sozinha tarde da noite. Despedi-me de todos, mas, antes de sair pela porta, entreguei ao Sérgio um guardanapo com meu telefone e a frase: “querendo conversar, pode ligar.”. Espero que ele não tenha me achado vulgar ou atirada, eu apenas gostei de sua companhia e ele parecia ter gostado da minha.

Dois dias depois ele ligou. Perguntou o que eu faria no sábado e eu disse que não tinha planos. Ele me chamou para um almoço e confesso que fiquei tranqüila. “Um almoço!” Se chamasse para um jantar, estaria pensando em sexo, mas, se era apenas um almoço, não havia porque me preocupar. Mas afinal, por que eu estava pensando em sexo novamente? Na sexta-feira à noite, ele ligou.

Perguntou se eu ficaria chateada se mudássemos um pouco os planos. Respondi que tudo dependeria do novo plano. Então ele respondeu:

- É que... O restaurante que tentei reservar estava lotado. Sabe como é, final de ano tem sempre confraternizações e é difícil fazer reserva. Então, pensei se o almoço não poderia ser aqui em casa...
Sorri ao telefone. Sabia que não era tão difícil fazer reservas, ainda mais quando final do ano não estava tão próximo assim. E, ainda por cima, ninguém resolve fazer uma reserva um dia antes, não é mesmo? Mas aceitei. Continuei me firmando no fato de ser apenas um almoço. Um almoço não seria nada de mais.

O sábado chegou. Acordei umas nove horas, ele me pegaria as onze. Tomei um banho demorado, molhei os cabelos (gostava quando eles ficavam cacheados e bonitos). A depilação estava perfeita, havia feito tudo uma semana antes. OPA! De novo isso? Mas afinal, se seria apenas almoço, por que eu estava pensando na depilação? Concentração! Eu precisava de concentração.

Abri o guarda roupas e escolhi uma calcinha pequena. Gostava de calçinhas pequenas para sair. As grandes e mais confortáveis, costumava usar em casa. Lembro que o Beto sempre gostava de me ver passeando pela casa com uma calcinha grande e uma camisa baby look. Dizia que eu ficava sexy daquele jeito. Sinto saudades dele. Não deveria. Não depois do que ele me fez, mas ainda é tão difícil...

Não! Definitivamente eu não pensaria no Alberto, nem na Sara e nem em nada do que havia me acontecido nos últimos sete meses. Eu estava, pela primeira vez me sentido bem. Peguei a calçinha pequena e fui procurar um vestido. Percebi que era bom estar saindo pela primeira vez com alguém. Alguém que não conhecia o meu guarda-roupa. Resolvi relaxar e aproveitar o momento.

Peguei um vestido de algodão. Era bonito e confortável. Na frente era estilo tomara que caia e parecia bem “comportado”, na parte de trás, no entanto, havia... Ou melhor, quase não havia pano. As costas ficavam de fora, apenas com um enlaçado do mesmo tecido. Escolhi uma sandália com um pouco de salto, mas não muito. Os cabelos deixei soltos. A maquiagem foi simples, apenas com um pouco de pó, um blush e um gloss com gosto de morango.

As dez e quarenta já estava completamente pronta. Sente-me no sofá e percebi que estava nervosa. Era a primeira vez que sairia com alguém. Não sabia como agir, mas me sentia bem quando estava com o Sérgio e resolvi me agarrar a isso. As onze em ponto, ele tocou a campainha. Abri a porta e logo ele disse: “meu Deus, como você está linda!”. Fiquei um pouco sem graça e o nervosismo aumentou.

Antes de sairmos da porta, ele me deu um beijo na bochecha. Fomos até o carro e logo ele ligou o som. Não em volume alto, apenas como “música ambiente”. A música era do OneRepublic. Gostei do que ouvi. Não era agitado e achei agradável. Fomos conversando sobre a semana. Não demorou muito e chegamos. Ele me ajudou a descer e fiquei encantada com tamanho cavalheirismo.
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Continua...
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Kari Mendonça
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Começei a escrever. Era apenas um post, mas acabou se tornando uma história um pouco grande, porém bastante interessante... Por isso, dividi em duas (grandes) partes. Caso interesse, em breve tem o final...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Medo do quê?

Uma certa Menina me fez a seguinte pergunta: “o que te faz esconder-se debaixo do edredom, suando frio, tremendo e rezando? Do que você tem medo?”

Para responder a pergunta ao pé da letra, não demorei nem um minutinho pensando. Morro de medo de tempestade. Pra mim, não existe nada pior do que ouvir, no meio da noite, aquele trovão e sentir aquele clarão entrando pela janela. Me cubro dos pés a cabeça com o lençol, fecho os olhos bem forte e fico pedindo a papai do céu que acabe logo com isso. Não sei a razão desse medo e nem sei do que exatamente tenho medo.

Mas também tenho alguns outros medos, que não há edredom ou lençol que me ajude. Já tive medo de perder amigos. Mas depois que perdi alguns, percebi que não devo ter medo, pois, os nossos momentos juntos estarão guardados pra sempre na minha memória e isso me basta.

Já tive medo que a vida levasse alguém que amo. Mas depois que ela levou algumas pessoas bem importantes, aprendi que “a saudade varia com o tamanho do amor” e, portanto, sentirei saudade sempre, e as lembranças estarão sempre como minhas sombras. E é com elas que sigo mais forte.

Hoje, tenho muitos medos ainda. Tenho medo de olhar para trás e perguntar: onde estão os meus sonhos? O que fiz com eles? Tenho medo de não ser amada por quem amo, porém, jamais tive/tenho medo de amar. Tenho medo do tempo. Percebo que ele é capaz de transformar as pessoas e tenho medo que tanta mudança acabe nos afastando pra sempre, pois, como éramos, jamais voltaremos a ser.

Tenho medo de não superar as expectativas daqueles que tanto me apóiam e acreditam em mim. Medo de decepcioná-los. Medo. Medo. Tenho muitos medos, mas tento sempre não deixar que eles me dominem.


Kari Mendonça

Publicado originalmente em 24 de setembro de 2007

domingo, 5 de outubro de 2008

"Oito sonhos que a gente tem que realizar antes de morrer"

Pra começar, eu tenho aquele sonho de ter uma família, com meus filhos e o “homem da minha vida”. Mas eu não sonho com um casamento, uma igreja e um vestido branco. Sonho com a minha casa, as minhas coisas, o meu dinheiro.

Sonho também em ser uma boa profissional da área de comunicação, do jornalismo. Bem sucedida, realizada e feliz com o que alcancei. Entretanto, jamais penso em colocar a carreira em primeiro lugar. A minha casa é sempre mais importante.

Eu sonho em comprar uma passagem só de “ida”. Em ir pra onde quero, com quem quero e como quero, e começar a minha vida do zero. Fazer novos amigos, arrumar um emprego... Começar tudo da forma que jamais pude.

Também sonho em carregar meu filho no colo. Em poder olhá-lo a primeira vez, sentir seu coração perto ao meu. Poder amamentá-lo e ensiná-lo da melhor forma. Quero poder vê-lo crescer e pronto para o mundo. Sonho com os filhos dos meus filhos, quando as minhas responsabilidades serão menores e poderei curtir ainda mais.

Tenho o sonho de escrever um livro. Um romance, como os da Marian Keyers ou Meg Cabot. Com personagens engraçadas, frustradas e que sofrem bocados até que as coisas se arrumem e que encontrem alguém especial. Um livro que, além de me deixar satisfeita, possa alegrar as férias de tantas pessoas como elas me alegram há tantos anos.

Sonho com uma tarde friorenta de sábado, duas xícaras de chocolate quente, muitos filmes e “ele” ao meu lado. Ou uma noite de quarta-feira, após um dia de trabalho, poder olhar o pai dos meus filhos brincando com eles enquanto preparo o jantar.

E, entre sonhos simples e, aparentemente nem tão impossíveis assim, onde tudo o que basta é um pouco de esforço, vontade e perseverança, eu sonho em olhar para os meus pais e dizer: “eu consegui. Finalmente sou alguém na vida e é tudo graças a vocês.”.



Kari Mendonça

Camila, sei que fui contra as regras e fiz tudo diferente, mas esse foi um jeito que arrumei para responder ao meme. Aí estão os oito sonhos que quero realizar antes de morrer. Gostei da oportunidade! Beijos

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Interpretações

É por isso que escrever é tão bom. Influenciada pelo último post, percebi o quão gratificante é escrever algo e saber que lerem e como leram. É engraçado que, ao escrever, o autor pensa em algo e, quando lêem, as pessoas, na maioria das vezes, pensam outras coisas diferentes.

Ao escrever sobre a despedida, por exemplo, pensei naquela despedida no final de um encontro, de uma noite. Quando você se despede, mas sabe que logo se falarão e se encontrarão. Não pensei em grandes e dolorosas despedidas, apesar de que, me despedir, mesmo sabendo o que for, sempre dói um pouquinho.

Não é que eu não queira despedidas, eu quero sim, todos os dias. Mas quero despedidas diferentes, em situações diferentes. Quero, por exemplo, me despedir pela manhã, sabendo que nos encontraremos a noite. Quero me despedir no final da tarde, antes de sair com as amigas, sabendo que nos encontraremos mais tarde.

E o engraçado foi perceber a quantidade de interpretações. A Cris, por exemplo, falou que gosta de despedidas, pois elas nos renovam. E eu concordo. É sempre bom se despedir de um momento que passou, levantar a cabeça e seguir em frente. Já a Késia, a Érica, a Carol, e a Alexandra falaram das despedidas intensas. Daquelas que doem infinitamente e que nos deixa dias e dias esperando a volta, sabendo que ela não vai existir.

A Amália interpretou também a despedida definitiva. Disse que, “se o fim é certo, quando antes melhor”. Mas penso que, todo encontro tem um final, mas é sempre bom que eles aconteçam para nos ensinarem e que acabem para que desejemos um reencontro.

Mas afinal, eu não quero falar das despedidas e sim das interpretações. É tão bom quando alguém comenta algo que você escreveu e mostra uma visão diferente, um outro ponto que, até então, você não havia percebido. O seu texto acaba ganhando um novo significado até para você. Mas isso só acontece por causa dos outros.

E é por isso que eu não consigo entender como algumas pessoas são tão egoístas e gostam de viver sozinhas. Quer dizer... Eu não sou das pessoas mais sociais possíveis, mas eu tenho amigos e algumas pessoas que me rodeiam são de extrema importância pra minha formação a cada dia. Se não fossem elas, talvez eu não fosse como sou hoje. Assim como o que escrevo, se não fossem as pessoas, eu só teria uma interpretação de mim mesma.
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Kari Mendonça