sexta-feira, 24 de outubro de 2008

As caixas

O dia hoje não foi fácil. Doeu, magoou, fez chorar, mas, finalmente consegui organizar tudo dentro de quantas caixinhas foram necessárias. O fato é que eu percebi que estava fazendo tudo errado. E tem coisa pior do que descobrir que tudo o que fazia não estava correto? Não deveria ser daquele jeito? É ruim, mas ainda bem que dá tempo de desarrumar e organizar tudo novamente.

Assim, fui atrás de caixas. Qualquer caixa, desde que não fosse transparente, e de qualquer tamanho, desde que coubesse no meu quarto. No cantinho, ali, próximo a janela. Sentei-me próximo as caixas, abri cada uma com cuidado. Fiz questão de deixá-las bem coloridas (na parte interior apenas), afinal, não permitiria que eles ficassem em um lugar qualquer.

Após colorir, deixei-as seguras, afinal, o que seria colocado nelas é de alto valor e extremamente frágil. Com tudo pronto, sentei-me em frente a elas. Decidi que era hora de organizar aquela bagunça. Por alguns minutos, fiquei apenas sentada, não estava pronta. Não sabia por onde começar. Tardou, mas, decidi que não poderia ficar parada para sempre.

E foi nesse momento que comecei a reaver, lembrar e pensar em cada um dos meus sonhos. Para cada um deles fiz uma lista com pós e contras. Quais valeriam ou não a pena lutar para realizar e quais pareciam apenas sonhos de uma menina iludida que, por mais que tentasse se enganar, sabia que jamais sairiam de seus pensamentos. Quando acabei a enorme lista, foi a hora mais difícil.

Tive que escolher quais, de fato, eu estou disposta a lutar, haja o que houver. Os outros, deixei no papel na lata de lixo lá do quarto. Já aqueles que escolhei, embrulhei cada um, cuidadosamente, e os coloquei nas caixas. Uma caixa para cada sonho. E cada caixa tinha o tamanho equivalente ao sonho.

E, antes que você resolva perguntar por que eu tive tanto trabalho apenas para organizá-los, eu explico. As caixas não foram para deixá-los em ordem. Elas servirão para escondê-los. De mim? Não! De forma alguma. Todos os dias, assim que levantar da cama, olharei para cada um deles e assim, levantarei com a garra de lutar para realizá-los e, poder, logo, tirá-los de lá.

Espero que não tenha ficado confuso. Mas é que, percebi que ficar falando o que quero e o que pretendo não me ajuda em nada, ao contrário, atrapalha. Pois, enquanto eu conto aos setes ventos os meus sonhos, ás vezes, os ventos voltam contra mim e tentam me fazer mudar de idéia ou tentam me deixa em dúvidas.

E eu não quero que meus sonhos sejam colocados em bandejas para que, quem quer que seja, resolva o que é ou não melhor para mim. E foi por isso que decidi colocá-los nas caixas. Para protegê-los, fortalecê-los e, em breve, tirá-los de lá e escrever em frente à caixa, realizado!



Kari Mendonça

E, com a decisão de “embrulhar” os sonhos, o blog acaba ficando um pouco diferente. Mas só um pouco. Ainda será (sempre) meu canto de desabafo, apenas não falarei de algumas coisas sempre tão presentes. Dessa forma, os contos invadirão e serão muito bem vindos. Será maravilhoso colocar a minha mente a prova para criar e imaginar tantas histórias para escrever.

10 comentários:

Palavras de um mundo incerto disse...

Minha querida, lindo, emocionante, verdadeiro o que escreveste.

É isso, pequena, esse é o grande segredo para alcançar cada sonho ou outro foco qualquer, quando há caminhos e caminhos de chegar ao que quer conquistar.

Viva cada momento como se fosse o único, pois desse, brilhará uma nova ponte para o amanhã.

Bjos e abraços em ti, querida!!!


Com carinho!!!


Marcos Seiter

Uma Vencedora disse...

Amiga...

Quero te confessar que as lágrimas brotaram e sem poder conseguir contê-las, elas caíram...

São tantos sonhos, são tantas coisas que eu ainda espero da vida sem previsão qualquer de conseguir realizá-los...

Estou refletindo no seu post, e confesso que irei fazer literalmente o mesmo, e não será uma estória, será uma iniciativa...

Bjs

Janaína

Jaya disse...

Kari,

Há tempos Carol me indicou teu blog. Já passeei por aqui algumas boas vezes, confesso. Mas, tímida que sou, me mantive na minha mudez. Rs. Virei daqueles visitantes que apreciam as belezas e saem com a alma cheia de sorrisos. Particularmente, eu gosto que seja assim também. (:

Hoje, resolvi falar. Posso falar? Rs. Falar que fiquei olhando os últimos textos, e deliciando-os todos. E aquele texto do almoço, hein?! Uau, dona Kari! É bom saber que essa tua mente alça vôo para lugares assim, viu? Me faz ficar menos chateada por saber que os posts aqui serão diferentes...

Falando sobre o texto, Kari, como eu te entendo! Isso aqui:

"Espero que não tenha ficado confuso. Mas é que, percebi que ficar falando o que quero e o que pretendo não me ajuda em nada, ao contrário, atrapalha. Pois, enquanto eu conto aos setes ventos os meus sonhos, ás vezes, os ventos voltam contra mim e tentam me fazer mudar de idéia ou tentam me deixa em dúvidas".

Quando a gente sente na pele os efeitos da exposição, aprende a acarinhar os sonhos e dividi-los com quem de fato se importa com as cores que moram neles.

Eu fico daqui, pensando, como pode tanta energia ruim rondar nossas manifestações de alegrias, não? Deixa pra gritar a felicidade de um sonho realizado pra quem carrega a alma gigante, liberta dessas pequenezas que só aparecem pra atrapalhar.

Que os ventos soprem ao teu favor, moça. E que muito em breve a marca "realizado" se faça presente em todas as tuas caixas.

E bom, faço desse teu canto janela minha, agora. Pra não te perder de vista.

Uns beijos nocê.

® disse...

´Os sonhos só começam a ser se tiverem asas e danças e vôos desfocados.`

Torço para ver os sonhos tirados das caixas e arrumados na foto :-)

amália :) disse...

muuuuito boa a sua idéia, assim como foi muuuuito bom o seu texto. :)

Ana disse...

Ah Kari, por necessário que seja encaixotar certas coisas, é tão difícil. Deus, como é.

Enfim, bom domingo viu?

Flávia disse...

Acho que vou adotar essa idéia das caixas. Coisa que não é muito fácil - pessoas como eu e, suponho, como você são daquelas cujos sonhos vibram nos olhos... e como é que se guarda um olhar vibrante? Mas a gente vai tentando resguardar essas preciosidades... não pra tirar o brilho delas, mas pra protegê-las de quem não seja capaz de perceber seu valor, nem de respeitar sua existência.

Beijos, moça!

Jaya disse...

Eba!

Te espero sempre, então.
(:

Cheiro, Kari.

ALF disse...

Os sonhos são alicerces para a nossa vida. Eles que nos encaminham pela estrada do conhecimento. Eles que nos faz embarcar no mistério prazer de seguir, de lutar, de buscar ferrenhamento algo para cocnretizar. Servem como um estímulo e desse estímulo aprendemos a viver,e descobrirmos por várias formas a beleza que transcende na essência pulsante do dia a dia, e que vive pujantemente no ar, na soberania do céu e na ostentação brilhante das estrelas.

Realmente, não precisamos contabilizar e nem contar nossos sonhos ao sete ventos. Há quem se ache no direito de julgar o que necessitamos e o que precisamos fazer. Seria muito melhor que cada um cuidasse de sua vida, com tento e sabedoria. Talvez deva fazer um pouco como você e guardar meus sonhos, para que não me atrapalhem na minha caminhada em busca de realizá-los.

Texto infinitamente sensível e cheio de luz, da sua parte Kari. Fico embalado com essa sua alma tão doce e amorosa.

Um Grande beijo, pra ti.
Se cuida minha querida amiga.

Uma belíssima semana pra ti.
;)

*Lusinha* disse...

Eu concordo. Às vezes, algumas coisas devem ser deixadas de canto não porque são menos importantes ou porque não merecem nossa atenção, mas porque merecem "amadurecer" um pouco antes de mexermos nelas.
Bjitos!