sábado, 22 de novembro de 2008

Maio/08

Acordei cedo e abri um largo sorriso. Ainda estava escuro quando levantei, mas levantei feliz. Corri para tomar banho. A roupa já estava separada. Escovei os dentes. Estava pronta quando minha mãe veio me chamar. Tomou um susto, mas sorriu também. Os apressei para sairmos logo. Não eram nem seis horas quando chegamos ao aeroporto. Estava ansiosa, mas não estava nervosa.

Despachei a mala. Foi quando tudo pareceu real. Achei que não fosse acontecer, mas eu realmente estava ali, pronta para ir vê-lo. Estava tomando café com meus pais no aeroporto, quando ouvi a chamada do vôo. “Meu Deus! Eu vou mesmo!”. Terminei de comer e me despedi. Eles sorriram. Sabiam que estava prestes a realizar um sonho e sei que ficaram felizes por mim.

Entrei na “salinha” e segui por onde deveria. Morri de vergonha ao perceber que era quase a última a entrar no avião. Mas resolvi pensar “que se danem”. Sentei na janela. Não sabia qual sensação seria aquela, mas não estava com medo e nem nervosa. Sabia que logo estaria em seus braços. Sabia que em algumas horas poderia beijá-lo. E isso me tranqüilizou.

“Meu Deus! Como é bonito aqui em cima!” Encantei-me com aquele céu tão belo. As nuvens parecem mais divertidas de perto. Queria pegá-las, mas segui sorrindo e pensando. E ouvindo música. Isabella Taviani e várias outras. Desci em São Paulo. Não havia ninguém me esperando. Fiquei perambulando pelo aeroporto. Comi um sanduíche. Esperei o tempo passar.

Despachei novamente a mala e segui viagem. Não agüentava mais de vontade de chegar. Precisava abraçá-lo. Meus lábios estavam sedentos por seus lábios. Estava ansiosa. Mas não ansiosa por não saber o que iria acontecer. Ansiosa por querer quer chegasse logo. Por querer que o avião pousasse, antes mesmo de decolar. A viagem continuou tranqüila.

Não comi nada. A expectativa da chegada não me deixou comer. Continuei ouvindo música. Mas não demorou muito e ouvi que estávamos lá. “Cheguei!”. Senti um frio na barriga. Queria correr para me encontrar com ele, mas não podia. Sai do avião. Andei por todo aquele interminável corredor. Estava no local onde fica a esteira, quando consegui avistá-lo do outro lado do vidro.

Queria gritar, correr. Abraçá-lo e beijá-lo intensamente. Mas esperei a minha mala aparecer. Peguei-a um pouco rápido e sai o mais depressa que pude. Ele me viu e sorriu. Continuei andando em sua direção, também sorrindo. Cheguei perto. Não consegui olhá-lo muito bem antes de lhe dar um beijo. Ah! Como eu estava com saudades daquele beijo.

Abraçamo-nos. O olhei de perto. Peguei sua mão e fomos embora. Queria viver aqueles cinco dias intensamente. Queria, na verdade, fazer daqueles dias, os próximos muitos dias da minha vida. O beijei muito. O abracei intensamente inúmeras vezes. Aproveitei cada segundo e fui embora.

Agora a saudade voltou a apertar. A vontade de ir ao aeroporto toma conta de mim mais uma vez. A contagem regressiva já começou. E eu já não vejo a hora de tê-lo comigo novamente.


Kari Mendonça
.Caso eu chegue a me ausentar, me desculpe. Sabe como é, últimas semanas do semestre, trabalhos inúmeros... Muita coisa pra fazer e pensar. Mas, talvez isso não atrapalhe. É só um pré-aviso, caso venha atrapalhar. Beijo!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Outra carta

(Sem intenção de ser carta, mas foi assim que acabou ficando...)
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Hoje, eu não vou te escrever mais uma carta como fiz um ano atrás. Porque hoje, eu não quero falar com você, e, diferente do ano passado, eu não vou falar com você de jeito nenhum. Sabe, eu não tenho muito a te dizer, e talvez eu nunca tenha tido. Pensando bem, acho que nunca conversamos de fato. Só coisas banais. E eu cansei de falar coisas banais.

Talvez, tudo o que eu tinha para te dizer, eu disse um ano atrás. Desabafei mesmo e agora não me resta mais nenhuma palavra. Eu não vou te desejar um feliz aniversário. Não que eu não te deseje. Desejo coisas maravilhosas pra você. Mas porque não acho que tenha necessidade de te dizer coisa alguma.

Acho que você não tem o que me falar, não é mesmo? Visto que a última vez que conversamos, você quase não falou comigo... Acho que você também não tinha o que me dizer. Olha, eu não vou ficar aqui dizendo o quanto lamento pelo que você está passando. Quer dizer, eu sinto muito, por você e apenas por você, mas acho que algumas coisas acontecem e nos fazem amadurecer.

Quem sabe você não amadurece? Quer dizer, talvez você já esteja muito mais maduro do que quando “conversamos” da última vez, ou talvez você ainda seja aquele menino bobo tentando parecer um homem. Enfim, pra quem não tinha nada para te dizer, acabei dizendo um bocado de coisas.

Mas, vou aproveitar para me despedir. Creio que jamais nos veremos novamente. E acredito que, caso nos vejamos, continuaremos sem conversa. Portanto, fique bem. Seja feliz. Viva a sua vida por aí que eu vou viver a minha por aqui. Boas férias, um feliz natal (por todos que virão) e, um feliz aniversário!

Era isso! Adeus!
Beijos,
Karina
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PS.: Sim! Um pouco confuso. Mas, de certa forma, não deixou de ser um desabafo... E, como eu já disse, desabafos são sempre confusos...

domingo, 16 de novembro de 2008

101 coisas que você não quer saber sobre mim!

Coisas que não vão mudar a sua vida, mas que, inspirada no blog da Flavinha, resolvi responder também essa listinha sobre mim. Coisas fúteis que vocês não querem saber, mas que não custa falar, como ela mesmo disse.
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1. Pra quem não sabe, meu nome é Karina. Kari é pseudônimo!
2. Nasci cheia de cabelo e parecendo uma japonesa negra (nasci preta, preta mesmo, por causa do cordão umbilical que estava enrolado no meu pescoço).
3. Aos cinco anos cai de um muro e, por pouco não quebrei o nariz.
4. Quando meu gato chegou, eu dava “mingau” numa mamadeira pra ele.
5. Eu não gosto de dormir sozinha.
6. Até os 15 anos dormia com um bichinho de pelúcia.
7. Hoje, durmo com Meg (minha yorkshire) e Darlanzinho (meu gato).
8. Sou apaixonada por fotografias.
9. Tenho duas tatuagens: uma estrela no pulso esquerdo e uma borboleta na canela direita.
10. Tenho oito furos nas orelhas (quatro em cada).
11. Uso sempre uma argola em cada furo da orelha.
12. Ah! Eu que fiz cinco desses furos, em casa!
13. Amo ler!
14. Sou fã da Marian Keyes e da Meg Cabot.
15. Aos cinco anos dei um murro no queixo do meu primo (coitado, doeu a beça).
16. Já passei madrugas lendo e adoro!
17. Não gosto mais do MSN (exceto para dar recados ou ...).
18. Odeio Orkut, conversas sobre Orkut, fotos para Orkut e qualquer coisa relacionada com Orkut.
19. Tive fotolog até levar meu blog a sério.
20. “Namorei” pela primeira vez aos dez anos.
21. Dei meu primeiro beijo aos 12 anos (sim! Os números estão corretos).
22. Anos mais tarde, beijei aquele primeiro “namorado”.
23. Quando criança não gostava de usar vestidos.
24. Não gosto de Natal e nem do “espírito natalino”.
25. Acho a virado do ano uma coisa muito triste e melancólica.
26. Já fiquei com um primo (morro e não digo qual!).
27. Choro por qualquer coisa ou por nada.
28. Só não gosto de filmes pornô, ficção científica e francês.
29. Desde os 13 anos quero ser jornalista.
30. Brinquei de boneca até os 12 anos.
31. Digo pra todo mundo que tenho 1,55m, mas só eu sei a verdade!
32. Sou louca por bichinhos de pelúcia.
33. Sou mais louca ainda por macacos de pelúcia.
34. Amo receber cartas, apesar de não receber faz tempo...
35. Lá pelos nove anos queimei o cabelo da boneca tentando fazer uma escova...
36. Eu não bebo refrigerante há um ano e meio. E não é por frescura, mas passei a achar o gosto ruim... Nem uma coca-cola super gelada me dá tesão...
37. Já quis fazer medicina (ortopedia), mas desisti quando descobri que teria que estudar mais do que o necessário.
38. Comecei a falar palavrão depois que comecei a dirigir.
39. Eu não sei mentir (e isso não é mentira).
40. Sou irônica.
41. Odeio ironias (irônico, não?).
42. Sou tímida.
43. Orgulhosa.
44. Muito chata².
45. Exigênte³.
46. Se quer me dá, me dê bem feito ou não me dê nada.
47. Acho “privacidade” algo que deveria ser mais respeitado.
48. Amo cozinhar!
49. Não gosto de arrumar a casa. Só meu quarto.
50. Deixo meu quarto super desarrumado pra fazer uma super faxina!
51. Adoro arrumação com música.
52. Odeio mudanças (de residência).
53. Mas, não vejo a hora de me mudar para um canto meu.
54. Me irrito com certa facilidade.
55. Não tenho paciência com crianças malcriadas.
56. Meu namorado me chama de “meia-paciência”.
57. Odeio falta de consideração.
58. E, por isso, tenho muita consideração com as pessoas.
59. Gosto de ser pontual e acho atraso (sem justificativa) uma falta de respeito.
60. Eu não sei nadar.
61. Eu me afasto de quem não me faz bem.
62. Não sei passar horas no telefone.
63. Odeie quando minha prima nasceu no dia do meu aniversário (oras! Teve o ano inteiro pra nascer... aff).
64. Nunca quis casar de vestido branco.
65. Aos 15 anos cumpri minha promessa de comprar, com meu primeiro salário, um pingente de ouro branco para minha mãe.
66. Sempre que passo numa joalharia paro para olhar alianças. Já virou até um hobby.
67. Sempre que observo alguém, olho primeiro para as mãos (e a esquerda primeiro).
68. Eu nem quero uma festa de casamento.
69. Afinal, eu não gosto de festas de casamento. Acho tãooo chato!
70. Adoro aniversário infantil.
71. Sempre achei que nasci tarde. Estou sempre querendo coisas que só posso “mais tarde”... Aff
72. Lá pelos 12 anos, uma garrafa de álcool pegou fogo na minha mão (corri para o chuveiro e nada de mais aconteceu).
73. Sempre gostei de fogo e por isso, não condeno Nero, afinal, é lindo demais algo pegando fogo!
74. Não sei fingir que está tudo bem quando não está.
75. Adoro tentar concertar aparelhos eletrônicos.
76. Meus dois ex. namorados eram grandes amigos.
77. Adoro sandálias de salto alto, mas não posso usar por causa do joelho.
78. A minha boca é a parte mais bonita do meu corpo.
79. Não converso sobre religião.
80. Odeio pessoas egoístas.
81. Odeio mais ainda as gananciosas.
82. Aos 14 anos coloquei um piercing na sobrancelha esquerda (ele foi expulso) e, aos 15 anos, coloquei na sobrancelha direita (mas também expulsou...). Por isso fiz uma tatuagem...
83. Não gosto de aniversários (os meus). Acho tão triste, não sei porquê.
84. Já deixei o dia do meu aniversário passar completamente em branco.
85. Só consigo dormir depois de tomar banho.
86. Me identifico com o filme “A casa do lago”.
87. Odeio e não assisto a Rede Globo.
88. Aos seis anos ganhei um relógio e só o tirei do pulso aos nove, quando ele quebrou.
89. Aos dez anos ganhei um relógio igual ao dos seis e só o tirei do pulso no início desse ano, quando decidi não viver mais a vida cronometrada.
90. Gosto da solidão, ás vezes.
91. Levo trufas pra vender na faculdade, mas não tenho jeito para vendas...
92. Não consigo ficar horas estudando.
93. E acho ir pra aula suficiente para saber o assunto.
94. Muitas vezes vou dormir prometendo não comer mais doces.
95. Me arrependo sempre que como um doce e depois lembro da promessa.
96. Acho chocolate uma das melhores coisas do mundo.
97. Eu tenho TPM (e odeio quem diz que ela não existe).
98. Odeio ser mulher quando preciso usar um banheiro público.
99. Sou uma pernambucana que nasceu com o coração lá no Sul... Finalmente me achei pelas bandas de Porto Alegre!
100. Sempre gostei do número três. Fui fã (mas fã mesmo, de juntar pastas e ir no show) do KLB, Hanson e, por acaso, minha sogra tem três filhos... (heheheh)
101. Eu sempre acho que não deveria ter falado quando acabo de falar.
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Era isso!
Se leu até o fim, parabéns!
Kari Mendonça

sábado, 15 de novembro de 2008

Pensamentos de uma insônia...

Mariana estava em casa. Não conseguia estudar, pois a cabeça não parava para se concentrar. Não conseguia ouvir música, pois o volume a incomodava os pensamentos. Sequer conseguia dormir. Os pensamentos não a deixam em paz. Decidiu sentar na cama. Pegou um papel, uma caneta e começou a escrever. Não sabia o que era, nem para quem poderia ser, mas escreveu.

"Eu não te conheço há muito tempo. Mas você vive me dizendo que não é mais como foi um dia. Que seus pensamentos, suas atitudes e até a sua forma de ver a vida mudaram bastante de lá pra cá. E eu amo você. Muito. Amo o seu jeito de ser, a sua forma de ver a vida e os pensamentos que você tem, mas ás vezes, não consigo não me questionar sobre quem você deixou para trás.

Ás vezes penso que, talvez, tenha sido uma parte muito boa de você, a parte que ficou. Parte essa que me pergunto se, algum dia, chegarei a conhecer. São pequenas coisas que você me diz que me deixam a pensar. Algumas afirmações e indagações. Me pego pensando coisas que não deveria. Que não me fazem bem. Mas que são inevitáveis. E não me venha dizer que esses pensamentos poderiam ser evitados, porque eu não consigo evitá-los. É mais forte que eu.

Se você soubesse a curiosidade que tenho em saber quem é ela. Ela, que teve tanto poder de te mudar assim tão completamente. Que te fez sofrer tanto, a ponto de duvidares do amor e de temeres o futuro. Quem é ela que ainda te invade os pensamentos, que ainda te magoa, de alguma forma?

Não! Eu não duvido dos seus sentimentos por mim, em nenhum segundo. Mas percebo que, de alguma forma, ela ainda se faz presente nos seus pensamentos. Mas eu fico me perguntando quantas vezes você já disse que a amava? Sim! Pois apesar do que você diz, foi amor, ou não teria te feito sofrer tanto. E, quantos pensamentos sobre o futuro vocês tiveram juntos? Quantos planos? Imagino que tantos..."

Ao terminar, dobrou o papel com cuidado. Sabia para quem deveria enviar. Abriu a gaveta, procurou um envelope e escreveu: "ao meu presente mais belo, com toda a intenção de um futuro ainda mais brilhante". Beijou o envelope. Colocou-o em baixo ao travesseiro e, finalmente, adormeceu. Eram pensamentos. Pensamentos que não deveriam ficar para si, por isso os escreveu...



Kari Mendonça

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quatro, três, dois, um!

Quatro braços, que
juntos, formam três.

Quatro olhos, que
tentam, ser apenas dois.

Duas bocas, que,
a todo momento, ficam uma.

Vários pensamentos.
Duas opiniões.

Várias contradições,
duas conclusões.

Dois seres.
Dois corpos.

Um só sentimento!

E um só ato.
O ato de amar.



Kari Mendonça

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vai!

Ela estava deitada, quando sentiu que alguém a observava. Abriu os olhos devagar e pode ver que era ele. Escondeu o rosto com as mãos e sorriu. Ele continuou sério. Levantou e foi ao banheiro. Decidiu continuar deitada até ele voltar. Ele demorou um pouco mais que o normal. Achou estranho. Assim que ele saiu, correu para o banheiro. Escovou os dentes e tomou banho.

Ao sair, ele estava sentado na cama. Cabisbaixo e pensativo. Resolveu perguntar o que estava acontecendo, afinal, tudo ontem parecia estar tão bem. "Precisamos conversar", foi a resposta que recebeu. "Não! Essa frase não!" Sabia que, fosse o que fosse, o que estava por vir naquela conversa não seria algo bom. Sentou-se ao lado dele e disse-lhe para começar a falar...

- Tainá, é que... Não ta mais dando certo, sabe? Quer dizer, a gente está tentando fingir que está tudo bem, mas, há muito tempo não está...
Enquanto ele falava, ela ficou quase em choque.

- Desculpa, mas não está tudo bem há quanto tempo? Quer dizer... Ontem você disse que me amava e agora me vem com essa história? Não! Definitivamente eu não quero ouvir.
- Mas eu te amo, menina, é só que, o nosso relacionamento é que não está dando certo. Há dias que estou tentando conversar contigo. Sei lá... Preciso de outro lance, sabe? De uma mudança na vida, de...




- Estou sim Tái! Respondeu com a cabeça baixa. Mas eu não queria que tudo acabasse com mágoas, sabe? Quer dizer... Tudo o que a gente viveu até agora foi tão lindo e eu queria que acabasse da mesma forma.

Nesse momento ela se descontrolou.

- Como assim? Se, como você diz, tudo não está bem há tanto tempo, por que você nunca falou nada? Por que continuou me tratando como sempre? E porque diabos continuou dizendo que me amava? Tem noção que há tempos eu vivo pra você? Tudo que eu faço é pra você ou com você, e você não teve nem a consideração de me dizer que não estava se sentindo bem com a relação? Porque você sabe que não tinha nada errado. O único com alguma coisa aqui é você. Que porra de sentimento é esse que você diz sentir?
- Mas...




- Tái, vamos conversar. Não grita vai!
As lágrimas não paravam de cair. Ele levantou seu rosto ela pôde perceber que ele também estava chorando.

- Então tá! Me conta tudo! Não mente pra mim não... Você ta com alguém, é isso?
- Não Tái! Eu jamais faria isso contigo. É só que andei pensando e não sei se estou preparado pra algo mais sério. Quer dizer, a gente ta juntos há três anos, eu quase que vivo aqui, mas eu quero um pouco de tempo pra mim, sabe? Não tem ninguém e eu não quero ninguém...



- Gui, você sabe que eu não vou ficar te esperando, né? Eu to sofrendo muito em ouvir tudo isso. Mas tá certo! Pode ir viver a sua vida que eu vou me recompondo aqui. Mas depois, não me volta dizendo que já está bem e pode ficar comigo, viu? Vai! E eu fico aqui pensando no que fazer com a nossa "vida genial".


- Tái! Agora era ele quem chorava mais intensamente.

- Vai Gui! Vai viver a tua vida, que eu fico aqui com a minha. Tão perto e tão longe de mim... Vai! Não piora as coisas Guilherme. Aproveita que a porta está aberta. Quer dizer... A porta esteve aberta o tempo inteiro, por que diabos você continuou desse jeito?
Ele levantou o rosto e, antes que pudesse dizer alguma coisa, ela falou:

- Eu não sei o que está te segurando. VAI! Pensa que a porta nem existe e vai. Vai logo, não me deixa mais tempo te olhando aqui e me perguntando o que eu fiz de errado.
- Não fez nada...



- Vai Guilherme. Tá esperando o quê? Você sabe voar não sabe? E, afinal, você sempre sabe voar de volta... Pra mim!

Ele levantou. Ela continuou com a cabeça baixa, quase sufocada com o próprio choro. Ele a beijou a testa. Saiu pela porta. Não era a primeira vez que dizia precisar de um tempo para si, mas, dessa vez, ela não sabia se estava disposta a recebê-lo de volta... Se voltasse... Afinal, num voou, ás vezes podemos nos perder nas nuvens... E ela sabia disso. Talvez fosse esse seu maior medo.


Kari Mendonça
*Inspirado na música "Vai", Ana Carolina.
- Mas nada! Sai daqui Guilherme. SAI por aquela porta E NÃO VOLTA MAIS! VAI EMBORA! Enquanto falava, as lágrimas lhe escorriam o rosto. Sentou na cama como se tivesse caído, sem forças.
- Calma aí! Que onda é essa de outro lance pra viver? Você não pode ta falando sério, né? Falou fitando-lhe os olhos.

sábado, 8 de novembro de 2008

Se eu morresse amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudade morreria
...Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de povir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
...Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n´alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
...Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
...Se eu morresse amanhã!


Álvares de Azevedo
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Manuel Antônio Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos.
Escreveu esse poema dias antes de sua morte.
O poema foi lido no velório por Joaquim Manuel de Macedo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aninha e o sorriso da lua

Aninha se achava a pior pessoa do mundo. Ás vezes ela, simplesmente, cansava das pessoas. Não queria mais papo e se afastava. Algumas vezes era passageiro, outras ia até conseguir a distância completa Ela sabia que isso não era bom, mas não conseguia ser diferente. E, por mais que tudo estivesse bem, como sua própria mãe disse uma vez, ela andava sempre com uma tristeza profundo a sua volta.

Aninha queria deixar a tristeza, mas ela é que não a deixava. Ás vezes tudo parecia ter se acertado e a tristeza sumia por uns dias, mas logo estava de volta. Até que desapareceu por um tempo maior. Entretanto, apesar da distância, a tristeza sempre aparecia para uma visita. Não era bem vinda, mas Aninha nunca sabia mandá-la embora, mas também não a deixava ficar por muito tempo.

Acontece que as pessoas começaram a se acostumar com Aninha sem a tristeza e, quando ela estava por perto ninguém parecia entender. Com tudo isso, Aninha aprendeu a esconder a tristeza ao máximo. Chorava sozinha, mas fingia que estava tudo bem. Mas havia aqueles dias em que, fingir era impossível, e Aninha acabava ouvindo sempre comentários críticos sobre seu comportamento.

Na noite anterior ela havia chorado. Chorou por vários motivos, mas fingiu que era por apenas um. Acordou bem, mas, ao longo do dia, as coisas foram ficando difíceis. Parecia que tudo iria acontecer naquele dia. Queria que ele acabasse o mais rápido possível. Terminou que ela falou o que não devia. Como sempre. Aninha achava que sempre falava o que não devia, quando não devia. Achava também que falava demais.

“Preciso me controlar”, pensava toda vez que acabava de falar. Era impossível segurar suas opiniões para si. Quando acabava de falar, percebia sempre que havia magoado quem não podia. Era também por isso que se achava a pior pessoa do mundo. As coisas pareciam sempre tão complicadas. Mas ela nunca sabia se eram, de fato, ou se ela que complicava demais. Ficava sempre na dúvida.

Naquele dia, quis passar o tempo inteiro deitada, com os olhos fechados e ouvindo alguma música. Qualquer música que fosse. Talvez alguma que lembrasse bons momentos. É! Era dos bons momentos que Aninha tinha saudade. Mas, apesar da saudade, achava que não conseguiria viver com aqueles momentos hoje em dia. Era uma menina confusa. Cada vez que olhava no espelho achava-se mais confusa.

E, quando aquele dia estava quase acabando, Aninha ainda queria sentar e apenas chorar. Chorar mais ainda. Chorar por todos os motivos e por motivo nenhum. Chorar de saudade, de mágoa, de tristeza, de raiva. Chorar pelas pessoas que gostava e pelas que já não gostava mais. Chorar para se sentir melhor e poder acordar com outros sentimentos.

E foi quando, no caminho para casa, ela olhou para o céu. Ficou confusa. Então percebeu a lua escondida em meio às nuvens. Forçou a vista e então reparou. A lua estava sorrindo para ela. Ficou alguns minutos fissurada naquele sorriso. O sinal abriu, precisava atravessar. Aninha sorriu de volta e seguiu seu caminho. Não precisava mais chorar, o sorriso da lua teve um efeito tão bom quanto o das lágrimas.



Kari Mendonça

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

50 Receitas

Há uma música do Leoni que eu gosto muito, mas há um trecho dessa música que me atrai ainda mais. A música é “50 receitas” e o trecho é aquele que diz, “mais o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar”. Há três anos descobri o cd dele. E, quando eu gosto de algo, eu escuto até cansar. E escutei bastante esse cd, até que cansei.

Hoje o escuto vez ou outra. Ainda gosto muito. Mas essa frase, esse trecho da música, não pára de martelar a minha cabeça sempre que percebo ou sinto alguma coisa, pois percebo que, pior que sentir a dor, é pensar que ela vai passar. Sim! Já escrevi um pouco sobro isso quando uma amiga acabou um relacionamento, mas agora são outras coisas que passarão.

Abrangi o sentido da frase para fora dos relacionamentos amorosos. Afinal, há tantas pessoas que precisamos (ou não) esquecer, que 50 receitas poderiam ajudar. E não precisa necessariamente ser um ex. namorado ou marido, basta ser alguém que fez parte da nossa vida. Sabe... Foi duro. A verdade me bateu no peito com muita força, mas eu percebi que tudo, digo tudo mesmo, passa.

Quando perdemos alguém que amamos, os primeiros dias são aterrorizantes, afinal, não sabemos como viveremos sem aquela pessoa ao lado, ou sem vê-la aos domingos ou na escola. Ficamos apavorados com a nova vida que vai começar. Não queremos que comece. Não queremos seguir em frente. Não sem o pai, a mão ou a avô que se foi.

Mas, em algum momento, sentimos a necessidade de sair do quarto e ir até a sala, só para conferir que ela continua vazia e não deixará de ficar assim até que você sente no sofá. Mas você não quer sentar sozinha. Falta ele. Ela. Falta algum barulho na casa. Uma voz. Um passo. E você se sente apavorado ao perceber que os dias passaram e você não tem mais aquela companhia. E nem terá.

E, é fato que a dor vai sempre existir, e a saudade também, mas em doses menores. Sentar no sofá não será tão doloroso. As lembranças não machucarão tanto, ao contrário, te farão sorrir. E mais, falar da pessoa não será como te cortar o coração, exceto, claro, em algumas ocasiões, algumas datas específicas.

Na hora da dor, tudo o que você não quer pensar é que vai passar, mas passa. Sempre passa. Pra quem sofre, essa é a pior coisa a se ouvir e talvez você me diga que eu não passei por algo extremamente terrível para dizer que tudo passa. Então eu te respondo que, ver uma pessoa que amo morrer todos os dias e agonizar até o último segundo foi terrível.

E eu achei que nunca fosse passar, mas passou. Agora eu consigo viver com isso. Olhar as fotos ainda dói, mas algumas lembranças já me fazem sorrir. Entrar na casa ainda é estranho e sentir seu cheiro ainda machuca. Mas ainda é recente. Para o tempo do coração é! Mas eu sei que vai continuar melhorando e sendo, cada vez, menos difícil.

Entretanto, nas minhas descobertas, percebi que não é apenas a dor que passa (diminuindo, e, ás vezes, sem nunca acabar), mas tudo passa. Seja uma raiva, uma mágoa... O tempo é capaz de curar. Achei, em algum momento, que jamais aceitaria “uma” tal situação, mas o tempo me mostrou que, a situação em si não tem culpa do que está em sua volta.

E é por isso que eu não tenho motivos para não gostar da “situação”. Também não tenho motivos para não aceitar que, apesar da dor, as pessoas devem seguir em frente (sim, eu preciso me explicar. É que, para mim, é meio difícil ver as pessoas seguindo em frente em algumas ocasiões, por mais que eu sempre diga que é isso que elas devem fazer.).

É difícil aceitar que algumas raivas também acabam. Não porque pediram desculpas ou porque tudo está bem, mas porque, em algum momento você percebe que não tem mais sentido sentir aquilo. Mesmo que você nunca diga, mas seus sentimentos mudam com o tempo, com a maturidade...

Enfim, “o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar”, porém, se pensarmos bem, pior seria se não cicatrizasse jamais...



Kari Mendonça

domingo, 2 de novembro de 2008

Álbum de fotografia

Acabaram-se os álbuns de fotografia. Hoje em dia, quando vejo pessoas com câmeras fotográficas (o que vejo com uma constância enorme e em qualquer lugar), escuto sempre conversas do tipo: “se junta aí pra colocar no Orkut.”. Sempre fico indignada com tudo isso. Talvez por ser, digamos, um pouco sentimental.

O fato é que eu sou do tipo que gosta de álbuns de fotografia. Numa manhã de segunda-feira, ou seja quando for, eu sento no chão do quarto e passo horas olhando fotos. Revivo cada momento ali representado. Sorrio. Choro. Sinto raiva ou saudade. É um misto de sentimentos e emoções que sinto, cada vez que revejo as fotos.

Entretanto, não troco meus momentos passando as páginas do álbum por nada no mundo. Por mais que doa perceber que algumas pessoas das fotos não estão mais aqui e que só as encontrarei ali, ainda assim não troco a saudade e nem as lágrimas. É um tempo de reflexão e me faz bem.

Alguns podem argumentar a tecnologia e dizer que as câmeras digitais fazem álbuns online ou no computador. Mas sabe, esses argumentos não me valem. Afinal, as fotos digitais podem ser reveladas. Sempre revelo as minhas. De 50 fotos que tiro, ao menos, 20 são reveladas e ficam em meu álbum.

Não apenas para mim e para os meus momentos "reflexivos", mas para o momento que desde sempre sonho. O momento de mostrar o meu álbum aos meus filhos e, quem sabe, netos. Sempre gostei de olhar fotos. Não acho nada mais fascinante que uma fotografia. Pegava, quando pequena, os álbuns da minha mãe e perguntava o momento de cada uma das fotos.

Adorava ouvir as histórias, imaginar os momentos que não vivi e admirar a fotografia. E é isso que quero fazer, mostrar meus álbuns para meus filhos, afinal, é a única lembrança minha que deixarei para eles. É a única forma que ficarei eternizada e onde poderão me encontrar todas as vezes que olharem.

Portanto, não me importa como sejam as câmeras fotográficas e nem aonde vá a tecnologia, eu ainda sou a favor das fotos reveladas, dos álbuns e dos momentos de rever as fotos. Afinal, em alguns momentos da vida, a nostalgia é fundamental...


Kari Mendonça
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PS.: O layout foi modificado pois o outro estava dando alguns erros e problemas na publicação. Espero que gostem! Beijos