quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aninha e o sorriso da lua

Aninha se achava a pior pessoa do mundo. Ás vezes ela, simplesmente, cansava das pessoas. Não queria mais papo e se afastava. Algumas vezes era passageiro, outras ia até conseguir a distância completa Ela sabia que isso não era bom, mas não conseguia ser diferente. E, por mais que tudo estivesse bem, como sua própria mãe disse uma vez, ela andava sempre com uma tristeza profundo a sua volta.

Aninha queria deixar a tristeza, mas ela é que não a deixava. Ás vezes tudo parecia ter se acertado e a tristeza sumia por uns dias, mas logo estava de volta. Até que desapareceu por um tempo maior. Entretanto, apesar da distância, a tristeza sempre aparecia para uma visita. Não era bem vinda, mas Aninha nunca sabia mandá-la embora, mas também não a deixava ficar por muito tempo.

Acontece que as pessoas começaram a se acostumar com Aninha sem a tristeza e, quando ela estava por perto ninguém parecia entender. Com tudo isso, Aninha aprendeu a esconder a tristeza ao máximo. Chorava sozinha, mas fingia que estava tudo bem. Mas havia aqueles dias em que, fingir era impossível, e Aninha acabava ouvindo sempre comentários críticos sobre seu comportamento.

Na noite anterior ela havia chorado. Chorou por vários motivos, mas fingiu que era por apenas um. Acordou bem, mas, ao longo do dia, as coisas foram ficando difíceis. Parecia que tudo iria acontecer naquele dia. Queria que ele acabasse o mais rápido possível. Terminou que ela falou o que não devia. Como sempre. Aninha achava que sempre falava o que não devia, quando não devia. Achava também que falava demais.

“Preciso me controlar”, pensava toda vez que acabava de falar. Era impossível segurar suas opiniões para si. Quando acabava de falar, percebia sempre que havia magoado quem não podia. Era também por isso que se achava a pior pessoa do mundo. As coisas pareciam sempre tão complicadas. Mas ela nunca sabia se eram, de fato, ou se ela que complicava demais. Ficava sempre na dúvida.

Naquele dia, quis passar o tempo inteiro deitada, com os olhos fechados e ouvindo alguma música. Qualquer música que fosse. Talvez alguma que lembrasse bons momentos. É! Era dos bons momentos que Aninha tinha saudade. Mas, apesar da saudade, achava que não conseguiria viver com aqueles momentos hoje em dia. Era uma menina confusa. Cada vez que olhava no espelho achava-se mais confusa.

E, quando aquele dia estava quase acabando, Aninha ainda queria sentar e apenas chorar. Chorar mais ainda. Chorar por todos os motivos e por motivo nenhum. Chorar de saudade, de mágoa, de tristeza, de raiva. Chorar pelas pessoas que gostava e pelas que já não gostava mais. Chorar para se sentir melhor e poder acordar com outros sentimentos.

E foi quando, no caminho para casa, ela olhou para o céu. Ficou confusa. Então percebeu a lua escondida em meio às nuvens. Forçou a vista e então reparou. A lua estava sorrindo para ela. Ficou alguns minutos fissurada naquele sorriso. O sinal abriu, precisava atravessar. Aninha sorriu de volta e seguiu seu caminho. Não precisava mais chorar, o sorriso da lua teve um efeito tão bom quanto o das lágrimas.



Kari Mendonça

9 comentários:

Uma Vencedora disse...

Amiga Kari,

Essa Aninha não tem uma irmã gemêa chamada Janaína?

E a lua, teve algum dia especial que aconteceu o ocorrido...?

A tristeza por mais que eu esteja bem, vira e mexe me assombra!

Bjs

Janaína

Flávia B. disse...

Eu sorri aqui também com o sorriso da lua :D

Beijo!

*Lusinha* disse...

Sabe, sinto-me como a Aninha de vez em quando, exatamente assim.
Bjitos!

ALF disse...

Não existe melhor momento do que aquele que você contempla o que te cerca. Tudo que te envolve tem um poder muito grande pra te transformar. Tudo ao nosso redor vem de Deus. Deus nos espreita em todos os detalhes.

Quando compreendemos bem esse SENTIR, sempre ficamos felizes.
Nessa hora sempre conseguimos um novo sorriso.

Que linda história Kari.
Beijos

Roderick disse...

Lágrimas de lua também sabe bem.
Chorar para a Lua...

Érica disse...

Não seria Érica essa Aninha? uhahuauhuhhuahua
Chorar é se renovar mesmo, concordo, vc é outra pessoa depois e descarregar a mágoa. Pronta pra outra.

Lindo texto.

Beijos e sushiiiiiiiiiiiiiiii!
uhauhauhauhauhahua

O Velho disse...

Pois é, tão simples ser feliz. O que um simples sorriso é capaz de fazer!

Se a gente lembrasse disse com mais frequência, não tomaria tanto remédio, nem perderia tanto tempo batendo papo com a tristeza...

O amor, esse sim, é o grande responsável pela alegria infinita do universo!

Grande beijo, Kari!

;-)

P.S.: Já escrevi o segundo capítulo da história, viu?

Jéssica disse...

Nossa, queria eu ter essa sorte de, nos dias que to com choro reprimido, encontra a lua e ela me tranquilizar de tudo. Talvez o que falta é essa minha "olhada par cima"

Adorei ;D

Marcela ツ disse...

Vc devia trocar Aninha por Marcelinha... e nao precisaria mudar nem o final ;)