sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fechado para balanço


Eu não posso continuar fingindo que vou escrever, quando não vou. E por isso não vou deixá-los esperando por algo que não vai acontecer. Calma! Eu não vou embora. Ou melhor, até vou, mas com data para voltar. Com passagem de ida e volta. Volto assim que dois mil e dez começar. E não volto sozinha. Volto cheia de novidades. Coisas que tanto quero contar, mas não posso! Não agora! Só posso adiantar que dois mil e dez promete! É o último ano da faculdade. Mas isso, é o de menos... Ah! É o ano em que minha irmã vai casar. E... Bom... Quando eu voltar, poderei contar tudo direitinho. Oficialmente falando. E volto com todo gás. Prometo! Por favor me entenda. As férias começaram agora e a minha mente ainda está se recuperando. E já já o namorado chega (e, quem sabe... Ele deixa de ser "apenas" o namorado...), e vou aproveitar bem muito! E ele fica até dois mil e dez começar. E é por isso que logo depois eu volto. Volto, cheia de coisas pra contar. Enquanto isso, um ótimo Natal para todos vocês, meus amigos. E um dois mil e dez tão promissor quanto o meu! Até dois mil e dez, então! A gente se encontra! =D
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Abraços,
Kari Mendonça

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Elas! Finalmente elas!

Agora é oficial: as férias chegaram. Só preciso fazer uma prova no dia dois e mais um período chegou a fim. Agora só faltam dois! Um ano e mais uma etapa estará vencida. E tudo será diferente. Sabe... No colégio eu nunca senti que as etapas estavam passando. Hoje, a cada final de semestre me vem aquela sensação de missão cumprida. Talvez a explicação esteja nas minhas notas. É que no colégio elas nunca foram tão boas quanto são hoje. Mas aí, tem uma justificativa simples... Eu nunca fui de sentar numa cadeira e passar horas estudando. Para falar a verdade, eu sequer sei fazer isso. Lembro que na época de provas, eu sentava para estudar e, a cada cinco minutos, levantava para fazer alguma coisa.
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Eu gosto da sala de aula. Eu aprendo enquanto o professor fala e explica. Eu gosto de colocar em prática, de fazer um texto, uma revista ou um jornal. Gosto de mostrar que aprendi, não porque me perguntaram qualquer coisa, mas porque eu simplesmente mostrei a coisa pronta. É uma coisa boa da faculdade... Eles só querem ver e saber se você aprendeu, porque não dá pra filar (colar, como chamam em outras regiões), ou seja, ou você faz, ou não faz. Ou aprende. Ou não aprende. E assim por diante. Mas é claro que a faculdade não é a coisa mais maravilhosa do mundo. É apenas mais uma etapa. Boa, ás vezes. E a faculdade em si (a minha) poderia ser melhor. As pessoas poderia ser mais agradáveis...
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Mas, é como dizem, não é? Não se pode ter tudo nessa vida... Mas o importante é saber que a sua parte você está fazendo. E as etapas necessárias, você está vencendo da melhor forma possível. Posso agora ter uma noite de sono, sem pensar no que ainda preciso arrumar e no trabalho que preciso terminar. Pensar nisso... Agora só em fevereiro...
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Kari Mendonça

domingo, 15 de novembro de 2009

Entre lágrimas

Não era a primeira vez que ia dormir triste. Para falar a verdade, já estava se tornando, quase um hábito, o de dormir entre lágrimas. Não era um choro desesperado, mas era choro de saudade, daquela que logo vai acabar, mas enquanto não acaba, é saciado com as lágrimas. Naquela noite, foi diferente. Não eram apenas lágrimas, mas era um choro desesperado. Daqueles que se tem que procurar o ar, para não sufocar. Era choro angustiado, sofrido. Choro de quem sente dor. E não sabe como fazer parar.

Desligou as luzes da casa e foi até o quarto. Antes de começar o banho, começou a chorar. Não sabia o motivo, ao certo, mas não conseguia parar. Tomou um banho lento, mas sempre entre as lágrimas. Por vários momentos tentou se acalmar, mas não conseguia. Não sabia de onde viera àquela dor, e por isso, não conseguia fazer parar. Durante alguns minutos, sentiu-se mais calma. Colocou a roupa de dormir e, no escuro, foi deitar. Mas enquanto olhava aquele teto escuro, sentiu a solidão lhe abraçar. O choro voltou.

Em parte era pela solidão. Em parte, ainda pelo motivo desconhecido. Era aquela angústia. Aquela mesma dor. Queria uma explicação. Queria entender. Mas só conseguia chorar. Abriu a gaveta ao lado da cama, pegou o iPod e começou a ouvir músicas. Chorou mais forte ao ouvir Brian Adams cantando que, quando você ama alguém, as suas noites de sono estão apenas começando. Seria aquele choro, algo relacionado ao amor que sentia? Não sabia. Não conseguia saber. Aquela angustia aumentava pelo desconhecido.

Depois de algumas músicas, desligou o pequeno aparelho. Colocou novamente na gaveta. Não custou muito a dormir. Dormiu como uma criança. Tarde da manhã, acordou com os olhos inchados e a cabeça pesada. Queria que tudo estivesse melhor. Mesmo não sabendo o que não estava bem. Mas não saber era o mais angustiante.


Kari Mendonça

domingo, 8 de novembro de 2009

Sobre uma mente incansável

Há quatro dias que eu escrevo algo antes de dormir. Não termino. Apenas começo algo que poderia se tornar uma coisa legal. Ou não. Há cerca de três noites comecei a escrever um poema. Falava sobre o quanto a vida pode nos surpreender e sobre como é bom perceber que chegamos tão longe, quando nós mesmos não imaginávamos que daríamos um próximo passo. Não ficou bom. Não consegui juntar as rimas e nem dar o sentido que queria. Era muita coisa e não consegui passar em um pequeno poema. Lembro que até comecei a fazer um texto sobre o mesmo assunto, mas acabou ficando chato e sem sentido.

Na outra noite, comecei a escrever sobre o quanto algumas coisas são inúteis. “Já teve a sensação de que tudo ou quase tudo que você faz não é necessariamente útil?” O texto começava assim... Mas achei que seria muito bobo falar das coisas banais que todos nós fazemos e que nos dá a sensação de tempo perdido. Um exemplo? Lavar a louça do café da manhã. Assim que você acaba e está tudo limpo e arrumado... Chega a hora do almoço e suja tudo de novo... É um ciclo vicioso, chato e sem graça. Mas que faz parte da vida e que, apesar de inútil, continuaremos fazendo todos os dias.

Ontem, depois de muito tempo sem conseguir escrever nenhum conto, comecei a escrever um. Não terminei, ou não estaria escrevendo isso. Mas falava sobre a história de Maria Luiza e André. Na verdade, era mais um diálogo, sobre como ela contou a sua mãe que iria casar. O problema é que o casamento seria em dois meses. E não, ela não estava grávida. Sabe que até estava ficando legal? Mas ai eu parei no meio do caminho e comecei a fazer uma listra. Lista de pessoas. Resultou em quase 100 nomes. Preciso fazer algo para diminuir, mas eu só coloquei quem eu realmente queria ver...

Enfim, o meu sumiço e completa falta de criatividade e inspiração é que a minha cabeça anda cheia de coisas. Hoje é um daqueles dias que eu só queria sentir ali no cantinho do quarto e chorar. Pra descarregar mesmo. A minha cabeça anda cheia, e, apesar disso cansar, eu não posso reclamar. Eu tenho que fazer um jornal. Não sozinha, mas ainda assim dá trabalho. Também tenho que escrever o script do meu novo programa na rádio (ah! Mudei de horário e estou agora nas segundas e quartas ás 15hr) para poder começar a apresentá-lo... Digamos... Amanhã!

E pior é que eu não paro de pensar na tal lista que fiz... E em decoração e tantas outras coisas... Ora essa! Mais ainda falta tanto tempo. E por que eu não consigo não pensar? Por que não consigo parar de contar os dias pra ele chegar? Ou os dias para ir ao shopping buscar minha encomenda? Ah! E sem falar que agora arrumei outro estágio. Falta ainda arrumar a documentação e então começo. E angustia não ter um dia para começar... Ás vezes eu só queria um descanso desta minha mente incansável.
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Desculpe o incômodo.
Até a volta.
Kari Mendonça

domingo, 1 de novembro de 2009

Não só uma ceia

“Então bom natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.”


Há uma semana encontrei o CD "25 de Dezembro", de Simone. Havia procurado-o, mas não encontrei. Só na semana seguinte, por acaso. Não o ouvi, mas fiquei feliz em perceber que não o havia perdido. Lembro que, logo que o comprei, em liquidação no supermercado, vivia escutando. Era perto do Natal e eu gostava de ouvir aquelas músicas. "Então é Natal", era a minha preferida, pois cantei na Formatura do ABC. Já faz alguns anos que não escuto o CD e não é a toa que ele estava escondido. Desde que o achei, no entanto, estou com a música na cabeça... Hoje, ao sair com meus pais, comecei a cantar ela e outras músicas do CD. Senti certo alívio.

No início do mês, minha mãe decidiu fazer uma ceia de Natal. À noite. E mais, decidiu chamar meus tios para virem aqui em casa. Pode parecer algo bobo, mas é a primeira vez que teremos uma ceia de Natal em anos. E estamos até planejando coisas e coisas para o jantar. Desde que minha avó morreu, o mês natalino vem sendo difícil. Sei que ainda não será fácil passar pelo dia 21, mas é bom saber que estamos dando mais um passo. É como se o luto voltasse sempre que a data aproxima. Mas dessa vez, resolvemos seguir, mesmo com ele. E essa ceia é uma forma de mostrar a nós mesmos que estamos tentando.

É como se estivéssemos aproveitando a oportunidade pra comemorar as coisas boas que nos aconteceram esse ano. As coisas andaram difíceis nos anos que passaram. E parece que, desde que 2009 começou elas estão seguindo um bom caminho. Claro que nem tudo foram flores, e houve alguns espinhos, mas eles foram menor quantia. E há ainda que comemorar que não terminarei o ano como comecei. Alguns sonhos tornaram-se planos. Algumas vontades deixaram de ser apenas vontades. E alguns desejos tornaram-se objetivos. E é por isso e por tantas outras coisas, que esta simples "ceia de Natal" terá um significado enorme, para mim e para a minha família.

Ah! E não resisti... Estou escutando o CD agora...



Kari Mendonça

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um rosto diferente

No último sábado, sai com os amigos do colégio. E é tão maravilhoso encontrá-los, e poder perceber o quanto estamos diferentes. Cada um seguiu um rumo. Não nos encontramos mais todas as manhãs... Sequer uma vez no mês. Mas cada um tem um objetivo, as conversas estão mais maduras, os assuntos são outros. As brincadeiras continuam, as risadas e o carinho também. Mas é bom perceber que aqueles que você tanto gosta, estão seguindo a vida como você também está. E é melhor ainda saber que, apesar de tudo, ainda temos com o que nos identificar...

Ontem, no entanto, levei um susto. Estava descendo os degraus da faculdade, em meio a um vidro espalhado quando me deparei com a imagem logo à frente. Por alguns instantes, parei. Achei estranho aquela que vi, logo ali. Custei um pouco a acreditar que seria eu. Quer dizer... Estava com a mesma roupa que eu, o mesmo penteado, mas não parecia aquela que eu lembrava ser. Não! Os anos ainda não passaram tanto, ainda não consigo ver as rugas denunciando que as coisas mudaram. Mas o meu rosto não é mais o mesmo. Percebi ao descer naquela escada.

Não era mais aquela menina que ia para o colégio todas as manhãs. Que almoçava no shopping depois da aula, para ir ao cinema. Que dormia agarrada a um cachorro de pelúcia. Nem aquela que pintava a boca de preto para ir ao colégio. Ou que prendia o cabelo com mais de cinco fivelas. Também não era aquela menina que vivia dos amigos da irmã... E nem aquela que morria de medo do escuro. Era ainda a menina que morre de medo dos trovões, mas ainda assim, estava diferente.

Lembrei de como olhava para as pessoas, na época dos meus seis anos. Admirava os alunos da oitava série. No espelho, percebi que sou mais velha do que eles agora. Que estou prestes a terminar a faculdade (sim! Um ano passa rápido). Que logo estarei na minha casa e não mais na casa dos meus pais. Que em breve terei responsabilidades que um dia esteve tão longe. Ás vezes até, me pego dirigindo o carro (quem diria!). E foi naquele momento que me dei conta que, talvez aquele rosto diferente, demonstrasse maturidade.



Kari Mendonça

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O outro lado

Já parou para imaginar a revolução que deu quando o telefone foi criado? Imagina, naquela época, você conseguir ouvir a voz de quem estava do outro lado do mundo? Foi uma revolução e tanto. E desde então, essas revoluções tecnológicas só fazem crescer. No começo, antes até do telefone, a comunicação à distância resumia-se apenas as cartas. Se você descobria que estava grávida, escrevia uma carta para contar aos seus parentes que moravam longe. A carta demorava um bom tempinho para chegar, mas chegava sempre e trazia muitas emoções.

Depois o telefonema trouxe mais emoções ainda, pois você poderia saber da notícia com uma maior rapidez e até ouvir o choro de alguém que estava longe. Algum tempo depois, surgiu a tal da internet e com ela veio tantas outras coisas, como o e-mail, uma revolução gigantesca. Imagina você escrever uma “carta” e ela chegar instantaneamente? E imagina mais... Receber a resposta logo em seguida! Era algo inimaginável. E, pouquíssimo depois dos e-mails, surgiram as conversas instantâneas.

Seja com MSN, Skipe ou o que for, a comunicação a distância ficou ainda melhor. Com essas novas tecnologias, ficou mais fácil sentir quem estava longe. Conversar olhando nos olhos e ouvindo a voz de quem não se podia tocar. Uma verdadeira revolução... Quer dizer... Não queria que ficasse tão repetitivo, mas não achei outra palavra para expressar o surgimento de todas essas tecnologias que só melhoram a vida das pessoas. Ah! E sem falar nos celulares, não é mesmo? Nesse momento ficou fácil encontrar alguém a qualquer hora e em qualquer lugar.

Tanta revolução ajudou na diminuição da saudade. Em poder ouvir a voz na hora que a saudade bater, poder escrever a hora que sentir vontade e logo ser lido, e poder conversar a qualquer momento, independente das distâncias. Entretanto, nem tudo são flores. Tantas tecnologias e facilidades para encontrar alguém, nos tornaram um tanto... “Sem noção”. Sim... Perdemos a bom senso. E começamos a usar aquilo que foi criado para diminuir a distância de quem está longe, para nos mantermos distantes de quem está por perto.

Passamos a exigir também que as pessoas se tornem escravas dessas tecnologias. E não pense que você faz diferente, ou vai me dizer que não tem vontade de gritar quando a outra pessoa não atende ao telefone? Ou que você não fica irritado quando demoram mais de meia hora para responderem um e-mail? Falo por experiência, pois também sou assim. Ou era. Estou tentando mudar, pois, percebi que não posso exigir das pessoas aquilo que não quero que elas exijam de mim. E também não quero ser uma escrava.

Quer dizer... Sei que passo muito tempo em frente a uma tela de computador, mas estou tentando passar apenas o necessário. Dia desses, quando liguei o PC já á tarde, havia 9 e-mails na caixa de mensagem. Dos quais alguns perguntavam a mesma coisa, repetidamente. E então eu pensei que, se queriam falar comigo com tanta urgência, porque não usaram o telefone? Mas logo respondi, eu mesma, a pergunta: não ligaram, pois, além de exigimos das pessoas, ainda nos acomodamos. Se estamos em frente ao PC com o e-mail aberto, porque iremos usar o telefone, que gasta mais?

Tornamos-nos escravos das tecnologias e queremos que todos sejam assim. Felizmente ainda há poucos que são contra elas. Não saímos sem celular e, quando isso ocorre, ficamos agoniados e, muitas vezes, angustiados. Acontece que, as tecnologias são sim maravilhosas. E nos ajudaram e ajudam muito, todos os dias. Mas ainda temos muito que aprender com elas. Ou talvez, não com elas, mas sobre elas. Precisamos aprender a usá-las sem constranger os outros, e nunca de uma forma banal...

O telefone quando surgiu, foi maravilhoso. Hoje, entretanto, tornou-se tão banal receber um telefonema, que, muitas vezes, evitamos atender. Portanto, precisamos aprender a valorizar novamente as tais tecnologias que revolucionaram ao serem criadas. E precisamos lembrar também, para que, de fato, elas foram criadas... Talvez assim, consigamos nos libertar dessa escravidão....


Kari Mendonça

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Você conheçe o Recife?

Então venha conhecer. O blog Correio Recifense é um projeto para a faculdade, mas tenho certeza que você vai gostar.
Visite o site e aprenda e descubra mais sobre o Recife e o Bairro do Recife!

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Se ando distantes do Botando pra fora, não é por falta de vontade, é de tempo mesmo.

Aguardo vocês por lá!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Acabou!

Ele parecia indignado, quando questionou:
.- Como assim? Como você pode dizer que me ama, mas que não pode mais ficar comigo?
- Mas eu amo você e acho que, de alguma forma, sempre vou amar, mas acontece que não dá pra continuar.- Por quê? Se eu também amo você?
- Porque não é só de amor que sobrevive uma relação. Por isso!
- Eu sei que não é só de amar, mas a gente se ama tanto...
- Eu também sei disso, mas sei que você também sabe que não está mais dando certo.- Não sei...
- Você bem sabe que, para manter uma relação, o amor é necessário, mas não é o fundamental. É preciso, acima de tudo, a confiança, o respeito, a cumplicidade...- E nós não temos mais isso? Você não confia em mim?
- Confiar? Confio sim. Mas parece que já não temos mais tanta cumplicidade. É como se tivéssemos perdido... Perdido o “encanto”.
- O encanto?
- É... Eu não passo mais o dia esperando a hora de te ver... E sei que você sente o mesmo... Quando a gente se encontra, já não é mais a mesma coisa... A conversa não flui mais com tanta facilidade... Eu não sei explicar...- Se você que está falando não sabe explicar, eu é que não vou saber... Eu sequer estou conseguindo entender o que está acontecendo.
- O que está acontecendo é claro, nós estamos nos despedindo um do outro, afinal, faz um tempo que voltamos a ser um e outro e não mais o “nós”.- Talvez eu não queira admitir, mas você pode ter razão.
- Sim... E não pense que não me dói. Já chorei muito antes de termos essa conversa e sei que ainda vai me doer muito mais.
Ele estava chorando e ela não estava mais conseguindo se controlar.

- Eu não acho que isso aconteceu por causa do tempo... Não é o tempo que desgasta uma relação. Se aconteceu, é porque, de alguma forma, nós deixamos acontecer...- E como eu vou viver sem você?
- Você vai aprender. Eu também vou. Não vai ser fácil, mas eu sei que, em algum momento, nós saberemos que foi o melhor. Lembraremos sempre dos momentos bons... Mas saberemos que foi melhor assim...- Será?
- Sim... Saberemos.- E o que eu faço agora?

Ela sentou-se no sofá, olhou para o lado e, em meio a lágrimas, disse:

- Agora, você deixa a chave em cima da mesa, antes de sair.
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.Kari Mendonça
PS.: Ficção!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um dia feliz...

Hoje eu não queria, mais uma vez, levantar da cama. Não queria ouvir algumas coisas e nem queria falar com ninguém. Acordei por volta das oito horas, mas decidi não levantar. Não queria ouvir coisas que me contrariam. E nem ter que falar muito. Não queria fazer nada. E acabei ficando na cama até perto do meio dia. Decidi levantar e ficar na minha. Não falar muito, não conversar muito...

Mas, ao sair do quarto, me deparo com uma sacola e um cartão dos meus pais dizendo, "Feliz dia das Crianças, nós te amamos muito". Dentro, havia um avental. Deixe-me explicar. Faço aula de pintura com a minha mãe. Pintamos em madeira (mdf) e fazemos artesanato. É o nosso passatempo mais gostoso. E o avental é para eu poder ir para a aula, pois o que tinha era para cozinha e por isso, um pouco quente. O presente, foi feito pela minha mãe e, eu havia escolhido como queria, mas não imaginei que ela fosse me dar hoje. Foi especial e me senti feliz. É tão bom saber que eu os tenho na minha vida e que sou pra eles, um pouco do que eles são pra mim.

Ontem, inclusive, ganhei um hidratante do meu avô. E, apesar de sempre querer crescer mais rápido, fico feliz quando vejo que, aos olhos dos meus pais, eu serei sempre a filha mais nova deles.


Kari Mendonça
Ps.: Na foto, uma caixinha que eu pintei... Como não pude tirar foto, escaneei....

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O amor de uma mãe

Rosa é a mulher que trabalha aqui em casa. Desde abril ela faz parte da nossa vida, diariamente. É alguém por quem nos apegamos. É uma pessoa ótima. No sábado anterior a esse, ela ligou para minha mãe e disse que seu filho havia morrido. Minha mãe ficou sem reação e só conseguiu dizer que ela não se preocupasse com a gente e resolvesse as suas coisas. A semana passada inteira, ela não apareceu. Ontem, no entanto, Rosa veio conversar. Assim que entrou pelo portão, percebi que ela estava diferente. Não era a Rosa que sempre entrava sorrindo e brincando com meu gato.

Viemos até a sala e nos sentamos. Ela contou o que havia acontecido. Contou todos os detalhes do acidente de moto. Mostrou-nos uma foto de seu filho e nos falou um pouco dele. Enquanto ela falava, chorava. Ao seu lado, eu só consegui chorar também. Ela tentou não dizer que ele era seu filho preferido, e eu completei dizendo que cada um é cada um. Do seu jeito, na sua individualidade. Nenhum filho é igual ao outro. Nenhum irmão é como outro. Ela concordou. E confessou que ele era o mais carinhoso e o que mais demonstrava preocupação com ela. Eram muito apegados.

Enquanto Rosa falava, meu coração apertou. As lágrimas que me caíram à face, eram por ela, uma mãe desconsolada. A minha mãe sempre fala que é antinatural que uma mãe enterre um filho. E se eu não achava isso, tive certeza quando olhei Rosa, sentada no meu sofá, chorando a saudade de um filho que não mais verá. Chorando pelos planos que ele não poderá realizar. E chorando pelo último abraço que jamais irá esquecer. A dor dessa mãe machucou também a mim. Desde aquele sábado que não paro de pensar nela.

Rosa decidiu não ir embora daqui. Pediu apenas, mais uma semana em casa, com sua filha. Depois, ela pretende voltar a trabalhar, pois sabe que a vida precisa continuar. Mas, qualquer um sabe que a dor que ela sente não vai acabar. Pode até amenizar, mas não acabará jamais. Porque esse é um tipo de ferida que não cicatriza. E que, basta olhar uma foto para machucar. Eu não sei o que Rosa está sentindo. Não tenho filhos. E não posso imaginar o que se passa por sua cabeça. Mas de uma coisa, eu tenho certeza, ela ama demais os seus filhos. Tanto o que se foi, quanto os que continuam ao seu lado.


Kari Mendonça

sábado, 3 de outubro de 2009

Amor

"A saudade varia com o tamanho do amor", foi essa frase que falaram no velório da minha avó. Desde então, nunca a esqueci (nem da frase e nem daquele dia). Provavelmente você deve tê-la lido por aqui. É que essa frase, realmente não me sai da cabeça em nenhum momento. Ainda mais, depois que a saudade virou... Como posso dizer??? Minha companheira de todas as horas, minha seguidora... Enfim, o fato é que eu sinto saudade. Todo dia. O tempo inteiro. E, segundo a tal frase que não me larga, eu amo muito. Afinal, se não amasse, não sentiria tamanha saudade, certo?

Certo! E eu amo mesmo. Independente do que digam, eu amo e amo muito. Mas, por algum motivo, castraram-me o direito de expor todo esse sentimento. Não que me tenham falado diretamente, mas foi um processo lento e, digamos, diário. Entretanto, eu continuo amando e demonstrando, eu apenas não falo mais. Cansei de ouvir um silêncio, cada vez que expressava o que sentia (e ainda sinto). Entretanto, me veio, junto ao silêncio, uma dor. É que dói quando o sentimento fica guardado. Afinal, e amor é coisa pra se guardar, onde quer que seja? Não! Amor é coisa pra se expor, pra se viver. Ora essa, amor é pra amar e pronto!


Kari Mendonça

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais leve!

Como eu bem informei, não fui embora. Apenas precisava esfriar um pouco a cabeça. E sabe como hoje eu tive certeza de que estava melhor? Quando acordei, às cinco da manhã, e percebi que não estava com olheiras. Senti-me mais leve e desse jeito passei o dia inteiro. Sei que a vida tem dessas coisas e que ainda vou ficar assim várias outras vezes nesse meu longo (assim espero) percurso que é a vida. O caso é que eu não sei fingir que está tudo bem. Se não estou bem, eu choro. Se algo deu errado, eu me irrito. Se algo não sair como planejado, eu me desespero. Não é o melhor jeito de viver a vida, mas é como tenho conseguido levar nos últimos anos.

Se eu estava triste e desesperada pela tal da experiência, já não estou mais. Sim! Eu descobri onde comprá-la. Ou melhor, não vou pagar nada por ela, mas também não vou receber. Mas sabe, eu descobri uma coisa: quando queremos muito algo, não devemos jogar nenhuma oportunidade fora. Qualquer experiência é válida. Aprender é fundamental para crescer. E, se não recebo nada hoje, é essa experiência que vai me ajudar a receber mais amanhã. Não entendeu? Eu explico. Lembra que eu estava trabalhando numa academia? Pois bem... Fui pra lá pensando apenas em receber, pois sabia que não tinha nada relacionado com a minha área.

E então, eu me dei conta de que não vale nada receber um bom salário, se me sinto frustrada e se não vou crescer onde quero. Então, segui o conselho de uma amiga e resolvi correr atrás de aprendizado. Quero crescer, quero saber mais e quero fazer melhor. Na sexta-feira, terei meu último dia na academia. Já estou ensinando quem ficará no meu lugar e estou me sentindo leve. Na terça-feira, começo a apresentar um programa na Rádio Universitária AM. Começarei apenas com um suplemento musical para me acostumar com o ambiente, pegar o jeito da coisa e então, em seguida, começarei a apresentar um programa como sempre quis, com músicas e notícias (e por falar nisso, até agora o nome do programa é Música & Notícia).

Parece que agora as coisas estão seguindo um caminho melhor. Sinto-me bem, e penso que estou indo pelo caminho certo. Agora, é deixar as coisas seguirem seu rumo.


Kari Mendonça

domingo, 27 de setembro de 2009

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Eu não fui embora.
A última semana foi difícil para mim.
Não venho me sentindo bem, e por isso não tenho aparecido por aqui.
Assim que as coisas se acalmarem e, acima de tudo, os meus nervos acalmarem, eu volto.

Até breve.
Abraços.
Kari Mendonça


Ps.: Não se preocupem, não aconteceu nada fatal.
Apenas a vida que anda me tirando, um pouco, do sério.

sábado, 19 de setembro de 2009

A importância do blog para mim

Estava sentando conversando com um amigo, quando lhe contei que havia colocado algo novo em meu blog. “Um desabafo”, comentei. Então ele me veio com a pergunta que só quem não tem um blog (ou tem há pouco tempo) faz: “e tu não se sente mal em expor a tua vida assim?”. Na mesmo hora respondi um “não”, mas não lhe expliquei o motivo.

O fato é que, desde os 10 anos que tenho blogs. Já tive no blogger, blog-se, weblogger. Cada um durou algum tempo. Mas nenhum durou tanto quanto esse. O motivo? Em nenhum deles eu escrevi tão abertamente. Em nenhum eu escrevi com o coração. E o mais importante, em nenhum eu deles eu criei laços. Escrever, como já falei tantas vezes, é pra mim a melhor forma de acalmar a alma, de me fazer sentir melhor. E, quando recebo comentários como os do post passado, aí sim eu lembro de como é bom e importante ler o que os amigos tem a me dizer. Alguns me criticam. Já falaram que eu reclamo demais. Mas sempre há quem me dê alguma força. Uma palavra de incentivo. E isso, acalma ainda mais uma alma, um coração.

As coisas estão caminhando. Mas é tão maravilhoso quando percebo comentários como o da minha amiga Neve, que sempre me coloca pra cima e diz que eu posso sim conseguir aquilo que quero. Que é uma pessoa com quem criei um carinho tão grande e que, mesmo sem saber muito sobre mim, ainda assim me incentiva. Ou quando escuto experiências como as das minhas amigas Luciana e Katarine. Quando uma delas nem estuda comigo, mas é alguém com quem também tenho um carinho sem tamanho e até me preocupo quando some por uns tempos. Mas fico feliz sempre quando sei que seu sumiço, foi por uma boa causa.

É tão bom perceber que há pessoas que também carregam as mesmas dúvidas e indignações que eu. E que há também quem responda coisas que não entendo. É maravilhoso os laços que são criados. E sabe, eu tenho mais que muitos motivos para não acreditar na virtualidade das coisas. Sim! É fato que não conheço pessoalmente muitos desses que hoje considero amigos, mas não gosto de chamá-los de “amigos virtuais”. Não sei, mas penso que perde um pouco do sentimento e da importância que dou a eles. Assim como não suporto quando falam em “namoro virtual”. Há quem namore assim, é fato, mas nem todos que se conheceram atrás dessa tecnologia vivem um namoro superficial.

Hoje, uma das minhas melhores amigas, foi encontrada pelo blog. Descobri que tínhamos uma história parecida e começamos a conversar. Chegamos até a nos encontrar (mais de uma vez) e hoje temos uma ligação sem tamanho. É pra ela que eu conto tudo. Tudo mesmo! Os e-mails são os mais gigantes possíveis. Os dela também. Conversamos sobre tudo. E ela é sim uma das minhas melhores amigas, mesmo que nem toda sexta estejamos num barzinho trocando papo... Foi um desses amigos que conheci no blog, que me tirou do pior aniversário da minha vida. Não fosse por ele e pelo seu telefonema de tão longe, eu teria dormido o dia inteiro e chorado a noite toda.

Há também outra amiga. Que nos conhecemos melhor, por termos histórias parecidas. Sempre conversamos por e-mails e ela até me cobra a visita que lhe devo (eu vou, quem sabe, na minha Lua de Mel). Acabamos criando uma ligação tão forte, que sinto quando algo acontece a cada um desses meus amigos. Choro com eles. Sorrio com eles. E procuro por eles quando somem. Por isso Hesíodo, não, eu não me importo em falar sobre minha vida no blog. Pelo contrário, me faz um bem sem tamanho. Tanto quando escrevo, como quando leio os comentários. Em breve, espero ter novidades. Lembrando, que ainda lhes devo o desfecho da reforma...


Kari Mendonça

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desabafo

Hoje, a desilusão me bateu a porta. Há dias sinto a sua presença por perto, mas apenas hoje paramos para conversar. Sua presença sempre me deixa tensa. Triste. E irritada. Mas não tem como evitar e, vez ou outra ela volta, aparece, ou, manda lembranças. Há duas semanas comecei a trabalhar. Não em algum estágio, mas em um trabalho. Estou numa academia e sou meio que uma recepcionista e atendente de telemarketing. Faço um pouco de cada e nada de jornalismo. Não escrevo. Não estudo. Não leio nada além de nomes e telefones. Na verdade, eu quase não converso com ninguém. Não é a toa que hoje ouvi algo como, “é que tu fica tão caladinha que esqueço de tu”.

Pois é. Parece que eu não consigo falar muito quando não estou muito a vontade. Por favor, não venha pensar que tenho algum preconceito contra qualquer profissão ou trabalho. Acho que trabalhar já é algo louvável (enquanto muitos roubam), então, respeito e admiro qualquer trabalho. Mas, enquanto estou lá, procurando fichas e fazendo telefonemas, eu percebo aquele bando de estudantes de Educação Física. Todos estagiando, aprendendo e colocando em prática aquilo que aprendem na faculdade. Nesse momento, eu olho para mim e percebo que estou longe de ser como eles. Acabo a faculdade no ano que vem, em dezembro, e ás vezes tenho a sensação de que vou sair de lá só com o que aprendi lá dentro.

E que fique claro que, desde que entrei na faculdade, estou sempre enviando currículos, me escrevendo em sites para estágio e procurando algo para aprender. Mas o fato que eu não tenho experiência e por isso a procuro. Entretanto, todos procuram pessoas com experiência. E aí eu fico sem saída. Se eles querem experiência, mas não dão oportunidade, então, como vou conseguir experiência? Já me perguntei onde poderia comprá-la, mas parece que não está a venda. Assim, eu continuo com a minha frustração e desilusão. Vou continuar num lugar que não tem nada a ver comigo (por motivos pessoais, eu tenho verdadeiro trauma de academia), onde não aprendo nada e aonde vou só passando os dias.

Daqui a pouco me formo. Mas fico pensando... Como será estar formada e ainda assim não ter a tão falada experiência?


Kari Mendonça

sábado, 12 de setembro de 2009

Carta a um amigo

Eu não sei como começar. Saberia se, ao menos, você tivesse respondido meu último e-mail. Sabe que, até hoje me pego pensando em como tudo acabou tão... Quer dizer... Como foi que tudo acabou mesmo? Ah! Lembrei! Eu viajei, não foi? Passei alguns meses fora e, quando voltei, nada mais foi como antes. Sabe que eu nunca entendi o motivo? Eu ainda lembro tão bem de quando éramos apenas duas crianças querendo namorar. Ora essa, nem sabíamos o que era isso, mas mesmo assim tentamos... Ainda hoje quando lembro, passo horas rindo de algumas coisas. Como quando quase nos beijamos duas vezes, por acidente.

Eu sempre gostei muito de você. É fato que, em alguns momentos, eu quis mais que só a sua amizade, mas era da amizade que eu mais gostava. Gostava de quando você ficava horas conversando comigo e de como me dava atenção. Gostava de como me entendia e sempre tentava me ajudar. Gostava de ouvir a sua voz e do jeito que você sempre me cumprimentou. Gostava também de como ficávamos flertando sempre que estávamos juntos. Gostava de estar com você e da sua presença. E é por gostar tanto assim, que senti muito a sua falta. Confesso que ainda sinto, mas me prometo não sentir mais.

Quando lhe escrevi, após tanto tempo sem notícias, conversas ou encontros casuais, eu só queria saber como você estava e se poderíamos, quem sabe... Voltar a nos falar. Mas já faz tanto tempo e não recebi nenhuma resposta. Sei que você recebeu, mas realmente não entendo porque nunca respondeu nem um “oi”. Por terceiros, eu acabo sabendo de como anda a sua vida e de como você está. Confesso que parei de perguntar, mas fico feliz que estejas bem. Creio que você não sabe de mim, de como estou e do que ando fazendo. Imagino que não seja do seu interesse saber.

Tentei imaginar se havia te feito alguma coisa. Percebi que não. Você apenas se afastou. Mas não vou te culpar. Afastei-me também, é verdade, mas já disse que tentei voltar atrás. Talvez você tenha cansado, ou tenha coisas demais para fazer, do que tentar voltar com uma amizade que já se foi há tanto tempo. Assim, eu resolvi colocar um ponto final. Do jeito que as coisas andam, acho difícil que nossas vidas voltem a se cruzar. Por isso, estou te escrevendo para me despedir. Quero que você saiba que sempre estará nas minhas lembranças. Você foi um bom amigo. Mas, talvez o nosso tempo tenha se esgotado.

Uma boa vida para você. E um abraço de alguém que não vai te esquecer, mas que cansou de esperar que as coisas mudem. Beijos!


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Kari Mendonça
Esse post foi inspirado em um meme que tem andando por aí...
“A missão é escrever uma carta terminando um relacionamento, sem delongas. A ideia do meme foi inspirada na exposição de Sophie Calle chamada "Cuide de você", que convidou 104 mulheres a interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que quis romper o relacionamento.”Como fala em relacionamentos, escrevi termindo, não uma relação amorosa, mas algo que não deixa de ser uma relação, uma amizade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O filho não gerado

Aproximou-se do banco da praça próxima a sua casa. Havia uma mulher lá. Ficou alguns instantes em silêncio, mas não agüentou.

- Você não me conhece. Mas eu preciso conversar com alguém. Posso me sentar?
- Claro. Está tudo bem?
- Não! Disse quase chorando.
- O que aconteceu?
- Você tem um minuto para me escutar?
- Não apenas um. Pode falar. O que aconteceu?
- Sabe, eu não deveria estar aqui hoje. Deveria estar na maternidade. Hoje, o meu bebê deveria estar chegando nesse mundo. Foram tantas as vezes que fiz as contas... E em todas elas, era hoje a data.
- Do que você está falando? Me desculpe...
Ela continuou como se não ouvisse.

- Descobri a gravidez quando menos a esperava. Era março quando percebi que a menstruação não chegou. Estava tão atarefada no emprego novo, que sequer me dei conta que estava atrasada. Corri na farmácia, mas não consegui. Olhei o teste, mas não o consegui abrir.
- O que estava errado?

- Eu não sabia o que esperar. No dia seguinte, era sete da manhã quando cheguei ao consultório. De lá, corri no laboratório. Nem consegui ir trabalhar, passei o dia na sala de espera, esperando o resultado.

- E seu marido?

- Eu não o contei. Não queria que passasse por tudo novamente. Da outra vez, achei que estava grávida e o contei. Ele ficou muito feliz e já fazia até planos, mas quando fiz o resultado, deu negativo. Não quis deixá-lo como eu.

- E o que aconteceu dessa vez?

- O resultado foi positivo e achei que era motivo suficiente para não fazê-lo sofrer mais. Corri para o supermercado, comprei umas coisas e fiz um jantar pra lá de especial. Ele não acreditou quando lhe mostrei o exame. Estava embaixo de seu prato. Lembro como se fosse ontem como ele chorou de felicidade. Choramos juntos.
- Mas o que aconteceu?

- Eu já estava na 15a semanas quando senti uma cólica terrível. Estava no trabalho e liguei para o Guilherme, que chegou em cinco minutos. Fomos até o hospital e, antes que a médica chegasse, a cólica foi seguida por uma forte hemorragia.
Estava em prantos.

- Você quer continuar falando sobre isso?

- Eu preciso.
- Então se acalme um pouco, antes de continuar.
Chorou mais um pouco e continuou...

- Assim que ela chegou, fizemos um ultra-som. E apesar de ser algo que ela deve ver todos os dias, senti uma ponta de tristeza quando ela me anunciou a morte do meu bebê. Naquele momento, uma dor tomou conta de mim.

- Eu imagino. Quer dizer... Nunca engravidei, mas...

- Sei. Todos dizem que entendem ou imaginam, mas na verdade, só sabe a dor de perder um bebê, quem o perde. E o aborto espontâneo é pouco falado, pois as pessoas não entendem a verdadeira dor da mãe que não gerou.
- Você tem razão. Eu não posso imaginar o que é perder um filho não gerado e nem esse luto que você falou.

- O luto ainda não acabou. Como me disseram uma vez, o luto não chega logo após a morte, e sim, um tempo demais. E acho que hoje o meu luto está mais presente do que nos últimos meses. Até agora eu estava de luto pela gravidez que foi interrompida. Hoje, o luto é pelo filho que não nasceu.
- Mas você terá outros filhos.

- Sim. Mais jamais me esquecerei desse que perdi.
- Talvez, quando estiver nesse mesmo parque, brincando com seus filhos, não pense mais nesta perda.

- Você realmente não entende. Os últimos meses foram duros para mim. A cada dia 2 eu pensava que meu bebê deveria estar crescendo, se não estivesse morto. E hoje eu acordei com uma dor enorme.
- Seu marido não te ajuda?

- Ajudar? Ele é o melhor companheiro que eu poderia ter. É o homem que eu amo e, a cada dia descubro um novo motivo para amá-lo. Mas ele também sente. No último mês, o ouvi chorando no banheiro. Conversamos sobre o assunto, mas, ao descobrir a gravidez, cada um fez planos e, com a perda, cada um ficou com suas frustrações.
- Mas vocês vão superar.

- Nós superamos. E entendemos que não tínhamos que ser pais naquele momento. Mais nem por isso, deixamos o luto de lado. Ele também acordou triste. Saiu cedo para caminhar e sei que, quando faz isso, é porque quer ficar sozinho. Por isso, vim até aqui. Precisava conversar com alguém.
- Me desculpe se não a posso compreender tão bem. Mas lamento a sua dor. E sei que, em algum momento o seu luto vai passar, mesmo que a saudade do filho não gerado dure eternamente.

- Obrigada pelas suas palavras. E por me ouvir. Agora vou para casa. Creio que o Guilherme deve estar chegando. Acho que conversaremos sobre isso. Mas hoje à noite, iremos a um restaurante com amigos.
- Bom jantar. E espero vê-la novamente.

- Eu também. Obrigada, mais uma vez.

Kari Mendonça

sábado, 5 de setembro de 2009

Promessas de Casamento

Para começar, eu não te prometo um conto de fadas. E nem uma vida só com alegrias. Mas posso te prometer os melhores momentos da tua vida, a começar por hoje. E talvez os piores dias também. Mas não se preocupe. Os piores dias é que farão com que tenhamos os melhores e mais especiais momentos juntos. Será dos piores dias que a nossa felicidade será feita, pois serão eles que nos aproximarão sempre. Eu não te prometo apenas uma casa, mas um lar. Prometo-te um aconchego para todas as tuas angústias e uma companhia para os dias de solidão. Prometo o silêncio, para quando quiseres estar sozinho, e um sorriso, para quando estiveres triste.

Prometo ser tua companheira, tua amiga e tua amante. Prometo nunca usar uma dor de cabeça como desculpa, e ser sempre sincera contigo. Prometo que me esforçarei para não deixar que a rotina nem o sexo se acomodem. E prometo fazer sexo sem pudores ou “frescuras”. Mas não prometo que estarei bem todos os dias. Haverá dias em que estarei tensa, triste ou cansada, e eu espero que você me entenda. Prometo te entender quando não estiveres bem e fazer de tudo para te deixar melhor. Prometo não deixar de ser a pessoa que você conheceu e nunca deixar de ser tudo o que você tanto gosta em mim. Prometo te surpreender sempre, por mais que você me conheça bem.

Prometo que aumentaremos a nossa família, só quando decidimos juntos que já é hora. E prometo não deixar que os problemas da vida destruam o que estamos para começar hoje. Como já te disse, não te prometo um conto de fadas, mas sabe.... Prometo que, todos os dias, teremos o nosso final feliz.

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Kari Mendonça
Inspirado em Promessas de Casamento, Martha Medeiros.

sábado, 29 de agosto de 2009

É dia de festa!

Na próxima segunda-feira, 31 de agosto, meus pais completam 25 anos de casados. Não é mais um aniversário, mas são as tão famosas Bodas de Prata. Talvez antigamente pudesse ser considerada uma data sem muita importância, mas, nos dias atuais, onde o divórcio é tão fácil e quase ninguém se esforça para manter um casamento, é uma vitória. Prova disso, é que não vemos bodas de prata com tanta frequência. Sabe Deus que, até hoje, vi pouquíssimas.

E por ser um dia tão vitorioso, será comemorado como merece. Com festa. Mas por ser numa segunda-feira, a festa será hoje. É uma forma de compensar a festa que não tiveram há vinte e cinco anos atrás. Não que não tenha havido festa, mas talvez não tenha saído como planejado. Não! Nada deu errado, mas digamos que... Não foram os noivos que bancaram e, por isso, não puderam palpitar tanto quanto deveriam.

A minha mãe brinca que, ao menos o noivo, ela pode escolher. Dessa vez, no entanto, além do noivo, escolheu também o bolo, a decoração e os convidados. É fato que muitos não poderão vir, mas serão lembrados com todo carinho e saudade. É fato também, que há hoje, quem não estava naquele dia. Eu sou prova disso. Ou melhor, eu sou fruto de todos esses anos. Não fossem por eles, talvez eu não fosse metade do que sou hoje.

Não foram 25 anos de festa, mas foram muito bem vividos e de grandes aprendizados. Houve dias de lágrimas e várias discussões. Houve também dias alegres e de vitórias. Houve perdas e saudades. Despedias e frustrações. Digamos que foram 25 anos bem intensos. E eu, só tenho a agradecer por poder fazer parte de um pedaço de tudo isso. E por ter pais tão maravilhosos, tão amigos e tão especiais.

A festa começa daqui a pouco. Preciso me arrumar. E aproveitar cada segundo para ver os meus pais tão felizes e satisfeitos. Afinal, não se faz 25 anos de casados todos os dias...


Kari Mendonça

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre o que escrevi...

Escrever, é maravilhoso para passar o tempo. E como li em um blog recentemente, escrever é como fotografar, pois, com as palavras você está guardando momentos, pensamentos, lembranças, saudades e até dores. Confesso que, ao não saber o que escrever, resolvi procurar algo já escrito. Reli frases de vários contos e, por cada frase, lembrei-me dos contos completos. Tentei colocar novamente algum, mas não me identifiquei com nenhuma daquelas cartas.

Já escrevi sobre músicas e até fiz um pedido de casamento. Já acabei relacionamentos das formas mais dramáticas possíveis. Já destruí uma relação que parecia perfeita, justo no dia do casamento. Já coloquei a morte para separar amores e até mãe e filho. Já escrevi sobre o quanto esse mundo me decepciona e o quanto eu queria mudar tudo isso, ou simplesmente sobre como andava a reforma da minha casa (assunto esse que, por respeito aos leitores, venho em breve contar-lhes como terminou). Já escrevi cartas que não foram contos, mas que os verdadeiros destinatários jamais irão ler. Já escrevi sobre minhas dores e meus amores. Sobre minhas saudades e meus sonhos. Já escrevi sobre coisas injustas e pensamentos confusos. Já escrevi poemas sem nexo e alguns até bonitinhos. Já escrevi sobre os amigos que tenho, os que tive e os que me fazem falta. Já escrevi sobre meus medos, e sobre dias perfeitos que imaginei. Já escrevi entre lágrimas e sorrisos. Já escrevi só para justificar a ausência ou para falar que voltava logo. Já escrevi enquanto viajava e sobre viagens. Já fui muitos dos meus personagens e não tive nenhuma ligação com vários deles. Já escrevi o que não conseguia dizer pessoalmente e o que jamais direi.

Foram tantas as coisas que escrevi, que já perdi as contas. Já escrevi para chorar mais e parar definitivamente junto com o ponto final. E já escrevi só porque estava feliz demais para fazer qualquer outra coisa. Já corri para escrever depois de uma briga. E já escrevi para pedi desculpas. E a prova de que escrever é guardar é que hoje não me identifico com tantas coisas escritas. Penso que posso escrever melhor e que republicar talvez não seja a melhor opção.

Inúmero dos meus contos são apenas contos. Vários deles, entretanto, são o meu reflexo. Muitos são os que não levam a sério, mas escrever limpa a alma. Tanto limpa que há um assunto específico que ainda não escrevi. Mas que daria uma bela história, apesar de triste. Mas, cada vez que penso em escrevê-la, as lágrimas atravessam-me de uma forma tão intensa, que sequer, consigo tentar. Talvez, quem sabe, eu conte um dia... Ou talvez, morra comigo essa pequena dor. Os meses passam, mais ainda não me sinto preparada. Diferente de tantos outros acontecimentos, ainda não consegui sentar para escrever, desabafar...

Escrever é guardar os momentos da forma mais bonita e mais poética. Porque poesia, não é feita apenas em versos, mas é feita com o coração.


Kari Mendonça

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um transplante de rim

André e Pedro são irmãos. A família é grande e há ainda dois outros irmãos. Não são mais crianças, todos estão casados, com suas famílias, seus filhos e netos. Três dos irmãos são muito unidos, mas desde que casou, Pedro anda sempre um pouco distante. André é dono de um mercado. Há uns meses atrás, foi descoberto que André estava com problemas de saúde. Com o tempo, descobriram que era no rim. Tentaram alguns tratamentos, mas não foram bem sucedidos. Não demorou muito e André precisou de um transplante. Sua esposa logo vez o teste de compatibilidade, mas o resultado foi negativo. Toda a família e conhecidos também o fizeram. Todos foram negativos. Todos, exceto Pedro. Só Pedro poderia salvar a vida de seu irmão. Dependia apenas de Pedro, se o pequeno Ricardo cresceria ou não com seu pai. Os familiares respiraram aliviados, afinal, se estava nas mãos de Pedro, tudo estaria bem. Mas ele não respondeu. O resultado havia sido positivo, mas Pedro ainda não havia falado sobre o assunto.
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Todos estavam ansiosos. O estado de André começou a agravar. O transplante não poderia mais esperar. O assunto não poderia ser adiado. Mas logo Pedro respondeu. Todos ficaram chocados. Ele não faria a doação, pois estava aguardando o resultado de um concurso. Os familiares não conseguiam entender. Era o concurso mais importante que a vida do seu irmão? André estava piorando. Seu estado estava mais crítico. Um funcionário do mercado, Marcelo, perguntou como poderia fazer o teste. Não demorou a fazê-lo e nem a decidir. O resultado foi positivo. Ainda havia uma esperança. O processo na justiça poderia ser complicado, afinal, Marcelo não é da família, e pode ser considerado compra de órgão. O irmão advogado logo resolveu. Em poucos dias a cirurgia do transplante de rim foi feita. A vida de André estava salva. E tudo, graças a um simples funcionário do mercado. Desde então, Pedro permanece distante. Custou a ter coragem para encarar sua família novamente. André segue sua vida, protegendo-se do frio, cuidando do seu novo rim e, eternamente agradecido aquele simples funcionário que lhe salvou a vida.
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Esta é uma história baseada em fatos reais. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos.
Agora você decide se quer ser como Pedro e considerar qualquer coisa mais importante que uma vida.
Ou se vai ser como Marcelo e doar a vida a alguém.

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Kari Mendonça

sábado, 15 de agosto de 2009

Eu, as minhas frustrações e minhas lágrimas

Foi divulgado esta semana, que as mulheres passam, até os setenta anos, um ano e quatro meses de suas vidas, chorando. A princípio, achei que seria pouco, mas comecei a achar que pode ser tempo demais. Logo, me surgiu uma dúvida: se passamos esse tempo chorando, acredito então, que passamos a vida inteira pensando, mas, quando tempo será que “gastamos” sonhando e planejando (os sonhos)? Segundo a pesquisa, grande parte dessas lágrimas está relacionada a assuntos do coração.

E, convenhamos, as mulheres choram até quando estão felizes, por isso, nem todas as lágrimas exprimem algo que dói. Mas, pensando sobre o assunto e ainda refletindo sobre a dúvida que me surgiu ao ler a pesquisa, cheguei a conclusão de que muitas dessas lágrimas são resultados dos sonhos. Não apenas dos que se realizaram, mas também dos que foram frustrados ou sequer, chegaram perto de acontecer. E acredite, não são poucos, levando em conta o tempo que passamos sonhando, fica impossível realizar tudo vivendo até os 70 anos.

Pude comprovar as minhas teorias hoje cedo. Acordei por volta das nove horas, mas o que eu menos queria era me levantar, pois assim teria que falar com as pessoas e eu não queria ver ninguém e nem precisar falar. Preferi continuar deitada, olhando o teto e não pensar em nada. Mas oras... A minha incansável mente não me deixou cumprir o meu último desejo e, nos 95 minutos que passei deitada fiz inúmeros planos e compras, todos relacionados a um dos tantos sonhos que tenho.

Acredite, eu não queria pensar tudo o que pensei. Principalmente porque me encontro naqueles dias em que eu acho que nada vai dar certo. Fiz planos que, talvez, jamais possa realizar. “Comprei” coisas que não sei se poderei, de fato, comprar. Sai da realidade e mergulhei na minha fantasia. No mundo que eu queria ter. Na vida que eu tanto planejo. Nas coisas que eu tanto quero. Enfim, mergulhei na minha, até então, fantasia frustrada. E claro, qualquer coisa que nos frustra, nos faz chorar.

Ou seja, eu consegui comprovar duas teorias em apenas alguns minutos. Mas eu ainda não sei se isso é algo bom ou ruim. Tenho as minhas dúvidas. Eu sempre tenho dúvidas. Não de tudo, mas de um monte de coisas. Eu corro atrás daquilo que eu quero, mas eu nem sempre consigo chegar lá e alcançar. Será que eu sou um fracasso? Hoje, eu penso que sim. Talvez amanhã eu esteja me sentindo melhor e menos dramática e melancólica e acorde me sentindo a melhor e maior pessoa do mundo. Mas hoje não...

Hoje, talvez eu vá dormir mais cedo. Eu, as minhas frustrações e minhas lágrimas....


Kari Mendonça

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Andea mandou notícias.

Para entender melhor, leia: Andrea foi embora.
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Oi Pai, oi Mãe.
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Sei que já se passou mais de um mês e ainda não dei o telefonema que prometi. E só posso pedir desculpas, mas eu não sei se estou preparada para falar com vocês. A verdade é que estou com medo. Medo por não saber se me perdoaram ou entenderam. Medo de que me critiquem. Pelas minhas contas, vocês devem receber esta carta, ainda essa semana. Sendo assim, pretendo ligar no sábado para que possamos nos falar melhor.
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Quanto a entrevista que vim fazer, deu tudo certo e começei a trabalhar já faz quinze dias. Estou trabalhando em uma empresa de comunicação e faz tempo que eu não me envolvia tanto com a publicidade. Gosto bastante do que faço e vejo que todos os cursos que o Marcelo quase me obrigou a fazer, foram muito úteis. Se não fosse por ele, eu não sei se estaria me dando tão bem. As pessoas também são muito boas e receptivas.
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Quando me escutam falar, logo perguntam de onde eu sou, e como é por aí... Ainda não sofri nenhum tipo de preconceito por ter vindo do Nordeste. Pelo contrário, todos dizem que querem conhecer Fortaleza e que um dia ainda vão conhecer essas praias que temos. Eu só faço rir. Não posso dizer que fiz amigos, pois estou a pouco tempo, mas posso dizer que não estou sozinha. No prédio onde estou, já conheço duas vizinhas. Elas são irmãs, sabe?
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E, logo no dia que cheguei (passei a primeira semana em um hotel, enquanto procurava por um apartamento bom), elas me convidaram para um jantar. Eu arrisquei e resolvi aceitar. E quer saber? Estava muito bom. Conversamos muito. Elas também não são daqui, são do Mato Gosso, acreditam? Já me levaram para conhecer vários lugares e já até conheço alguns de seus amigos. E assim como os do trabalho, eles são todos muito receptivos e simpáticos.
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Está tudo indo bem, mas confesso que sinto saudade de vocês. Tenho também, sonhado muito com o Marcelo nos últimos dias e isso tem me deixado com mais saudade ainda. Sei que ele queria me ver bem e por isso tenho me esforçado ao máximo para ficar bem. Acreditem, mesmo com todas as dificuldades, eu estou melhor aqui, do que estaria aí com todas as lembranças tão vivas e fortes.
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Assim como o Marcelo queria e como sei que vocês querem, eu estou seguindo em frente. Estou aprendendo a viver de outra forma, e a ser uma outra pessoa. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Não que isso seja algo ruim, mas não consigo ser a mesma que era quando o Marcelo estava por perto. Só ele me fazia ser daquele jeito que nem eu sei explicar. Enfim, espero que esteja tudo bem como vocês e sei que está. Prometo ligar logo.
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Amo muito vocês, nunca duvidem disso.
Beijos,
Andrea.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carta ao Meu Amôr

Hoje eu li que saudade pode causar os mesmos sintomas que abstinência de drogas. Será? Eu acredito que sim. Sabe... Desde que voltei para casa, parece que não voltei completamente. E não voltei mesmo. Uma parte de mim continua aí. Sentada no sofá esperando teu beijo ao entrar em casa. Deitada na cama, esperando que acabes o banho. Assistindo filme ao teu lado. Andando pelas ruas de Porto Alegre contigo....
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Ah! Faz tão pouco que voltei e já me sinto tomada por uma saudade sem tamanho. Senti saudade, antes mesmo de ir. É que... Pensar em te deixar me parte o coração. É saudade de pensar que não estarei contigo quando acordares e que vais ter que preparar sozinho o sanduíche antes de sair. Voltar para a cama sozinha é a pior parte, mas sinto saudade de saber que vais chegar a noite e vamos poder ficar juntos novamente.
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Que você saiba, meu bem, que foi a minha melhor parte que ficou contigo. Pois é essa parte que despertas em mim, a melhor e mais bonita. A parte boa, que me faz mostrar o sorriso "tronxo" o tempo inteiro. Que me deixa encabulada quando percebo que me olhas. É a parte que te pertence. Ou melhor, tua, sou por completo, mas uma parte, por enquanto, ainda precisa voltar para o que hoje, chamo de casa.
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Digo assim, pois, penso que, em breve (seja breve quanto for), chamarei de casa, e de minha, uma outra morada, em outro endereço. Terei novos vizinhos, um novo CEP e, acredito, alguém para dividir tudo comigo. Não alguém qualquer, mas alguém especial. Tu! És tu o meu alguém, o meu bem. E eu quero ainda não precisar sentir tanta saudade. Sentir apenas a saudade pequena. Aquela que se sabe acabar no fim do dia. Com, pelo menos, um beijo.
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Meu bem, acordo lembrando dos passeios contigo. Das ruas de Porto Alegre, de Gramado... Lembrando de cada conversa, cada desentendimento e cada vez que tu me olhou de uma forma especial. Aí como sinto saudade do teu olhar me penetrando a alma. Sim, já falei desse olhar. É que gosto dos teus olhos verdes. Gosto de olhá-los bem de perto e de sentir teus cílios batendo em meu rosto.
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Lembra do que falei no começo? Talvez seja verdade... De uma coisa eu tenho certeza: saudade baixa a imunidade. Pois não é coincidência que eu tenha ficado gripada justo quando tive que ir pra longe dos teus braços... Amo-te demais e sei que não consegues esquecer isso.
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Hoje, mais que nunca, eu queria poder te abraçar bem forte e me fazer presente nesse momento.
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Beijos apaixonados,
Tua Pequena

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O e-mail que mudou a sua vida

Era a quarta vez que ela entrava no e-mail. Já havia escrito inúmeras coisas, mas sempre apagava antes mesmo de terminar. Queria escrever muito, contar muito sobre si e perguntar muito. Mas achou que não deveria. Por fim, após inúmeras tentativas, resolveu escrever de forma um tanto impessoal. Começou pedindo desculpas e falando que, se não quisesse, ele não precisava responder. Falou sobre seu blog, o que escrevia e o motivo de estar enviando o e-mail.
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Motivo esse, que era baseado apenas na curiosidade. Queria saber porque ele parecia tão atencioso e interessado. Seria coisa da sua cabeça? Não sabia. Até receber a resposta no dia seguinte. "Tu não foi nada inconveniente, guria...", foi o que ele disse logo no início. Isso a tranquilizou rapidamente e a fez ler todo o e-mail com o coração. Realmente ele estava interessado e parecia querer conhecê-la melhor.
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Rapidamente ela respondeu o e-mail. Agora diferente e nada impessoal. Falou mais a seu respeito, sobre coisas que queria e o que sonhava. A resposta não foi diferente. Os dias se seguiram e a frequência dos e-mails só aumentava. No começo eram grandes e demonstrava a ânsia de se conhecerem. Com o tempo, mandavam e-mails, mesmo que só para falar da saudade. Até que um dia ela não aguentou e perguntou se estava namorando.
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A resposta só poderia vir no dia seguinte. A noite foi angustiante. Logo cedo, correu para o e-mail e, de uma forma rápida e curta, ele se desculpou e disse que, assim que pudesse, mandaria um e-mail com mais calma, mas sim, "pra mim, a gente está namorando", foi a frase que não cansou de ler até o e-mail grande chegar. Ele disse que também não queria estar com mais ninguém, apenas com ela. Ela respondou que não conseguia pensar em mais ninguém.
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Os messes passaram e eles começaram a se falar pelo MSN. As conversas duravam madrugadas inteiras. Até que trocaram telefones e, pela primeira vez, ouviram a voz um do outro. A conversa falada não foi longa, mas foi fascinante. As coisas foram acontecendo devagar. Um dia, decidiram que era hora de se verem. Precisavam se encontrar e ter certeza do que sentiam. O problema, é que eles moravam em quase dois extremos do país.
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Mas fizeram um esforço. Marcaram um encontro. Compraram a passagem e ele foi até ela. O primeiro encontro foi mágico. No saguão do aeroporto. O segundo beijo foi ainda melhor que o primeiro. Desde então, eles estão sempre se encontrando. Quando ela pode, vai visitá-lo. Quando tira férias, ele vai até ela. As coisas parecem caminhar bem. Essa semana, eles foram passear em Gramado. Um frio ótimo para namorar. Eles aproveitaram muito e fazem até planos para voltar.
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Eles não sabem onde essa história vai dar, mas fazem planos, teem sonhos e seguem aproveitando cada dia que passam juntos, com toda intensidade. Ah! E hoje, faz dois anos que ela criou coragem e mandou aquele e-mail. O e-mail que mudou a sua vida.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Contradição

Somos seres contraditórios. Há dias essa frase não me sai da cabeça. Estava no avião, a caminho de São Paulo, quando uma menina, que não deveria ter mais de cinco anos, pediu a mãe para ir ao banheiro. A mãe, por sua vez, pediu que ela esperasse enquanto se arrumava e a menina olhou um tanto indignada e respondeu de uma forma bem atrevida, "mãe, eu sei ir sozinha.". E foi naquele momento que a tal frase me surgiu e, desde então, não me sai da cabeça.
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De fato, somos contraditórios em tudo e em todas as fases dessa vida. Quando crianças, tudo o que queremos é a tal independência. É poder sair de casa sem os pais, andar no shopping só com os amigos. Queremos nos mostrar adultos e capazes. Os pais acham engraçado (quando ainda não somos adolescentes) e nos ficamos com raiva por eles acharem a nossa tão sonhada independência motivo de piada.
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Quando crescemos, a maioria de nós, custam a sair de casa. Aumentou o número de pessoas que moram com os pais (nada estatístico, apenas uma observação). Há mais pessoas com seus trinta e poucos anos que não conseguem, por inúmeras razões, sair de casa. Não quer dizer que não sejam independentes, apenas não conseguem se libertar totalmente, afinal, a casa dos nossos pais é sempre algo bastante aconchegante.
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Mas não é só com os nossos pais que vivemos em eterna contradição, mas na vida em geral. Vivemos querendo seguir caminhamos que sabemos não dar em nada. Tentamos lutar por guerras já perdidas. Fazemos perguntas quando já sabemos as respostas. Mesmo que ela possa nos magoar. Discamos números, mesmo quando não queremos que atendam. Chamamos por quem já não queremos mais por perto.
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Fazemos planos, e mesmo quando não os realizamos, ainda assim continuamos a fazê-los. Temos sonhos contraditórios, que se contradizem com o tempo. Desejamos o que sabemos não poder ter, mas por algum motivo, ainda assim, continuamos querendo e desejando. Somos contraditórios nas nossas palavras, nos nossos quereres e até nos nossos pensamentos. É fato que somos assim, mas ainda não sei se é algo bom ou ruim.
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Kari Mendonça

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bate bola

Mania: Morder os lábios (puxo com os dentes quando estou nervosa, pensativa ou ansiosa)
Pecado capital: Gula (adoro um doce)
Melhor cheiro do mundo: Terra molhada em dia de chuva
Se dinheiro não fosse problema eu... Adiantaria algumas coisas que, por enquanto, estão sendo planejadas
Casos de infância: Adorava ficar penteando os cabelos da minha bisavó...
Como dona de casa: Sou ótima cozinheira
O que não gosta de fazer em casa: Não gosto de lavar roupa...
Desabilidades como dona de casa: Não consigo fazer nada da parte elétrica. Já tentei concertar um ventilador, mas ele acabou queimando...
Frase: "A saudade varia com o tamanho do amor"
Passeio pra alma: Olhar o céu numa noite estrelada
Passeio pro corpo: Uma tarde de domingo, um parque, um sol não tão forte e uma água O
O que me irrita: Quando não escutam o que eu falo
Frase ou palavra que falo muito: "Oxente", "Ô mainha", "Aff"...
Palavrão mais usado: PQP (principalmente quando dirijo)
Desce do salto e sobe no morro quando... Mentem para mim
Perfume que usa no momento: Day by Day, Água de Cheiro
Elogio favorito: "Ficou ótimo", em relação a algo que fiz
Talento oculto: Faço artesanato
Não importa o que seja moda, não uso nem no meu enterro: Essas calças que estão na moda e tem uma boca minúscula
Eu sou extremamente: Impaciente
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Kari Mendonça
PS.: Os dias andam corrido. Passei a semana me arrumando pra viajar. Assim que tiver um tempinho, volto com algo bem legal. Ou, para contar das férias...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A base de sexo

Dia desses, estava mudando de canal (algo que faço com bastante freqüência) e me deparei com uma cidadã que havia feito fotos sensuais. Ela não parecia nenhuma “profissional” ou, pelo menos, pareceu ter feito pela primeira vez. Estava um pouco tímida (pouco) e me chamou a atenção quando percebi que falava sobre seu relacionamento de dois anos (não consegui descobrir se era um namoro ou casamento).

Ela comentou que a relação havia esfriado e foi esse o motivo das fotos sensuais. Em seguida, mudei o canal, mas não parei de pensar naquela mulher e em tantas outras pessoas que resumem um relacionamento ao sexo. O sexo faz parte. Mas não é a parte fundamental. Acredite, se o sexo esfriou, é porque muitas outras coisas também esfriaram, mas talvez, tenham passado despercebidas. As pessoas acreditam que se o sexo é bom, tudo vai ser bem, e não é bem assim.

O sexo pode ser ótimo, quente e muito prazeroso, mas quando os dois sentam para tomar café, por exemplo, falta assunto ou não se entendem. E com o tempo, a falta de assunto e os desentendimentos vão causando um mal estar, e em certo momento esse mal estar vai ser refletido no sexo. É preciso que as pessoas percebam que uma relação a dois depende de muitas coisas de todos os lados. É necessário ceder em algumas situações e também relevar algumas outras.

O relacionamento é baseado, principalmente na confiança. Sem ela, não há relação que continue por muito tempo. É baseado também na amizade. Mas, o que sustenta e salva qualquer situação é o diálogo. Se há algo errado (ou até se você acha que há), pergunte se está acontecendo alguma coisa. E se você foi perguntado e realmente houver algo errado, converse, fale o que está incomodando.

Muitas vezes as pessoas não ouvem o que querem e se calam. Não recebem o que querem e se calam. Mas esquecem-se que, se não falarem o que há de errado, dificilmente o outro saberá o que deve mudar. É fato que as mulheres gostam de fazer jogo e ficam séria, chateadas e demonstram de todas as formas que há algo errado, até que o homem pergunte o que fez de errado. E não há nada pior do que ouvir isso de um homem.

É por isso que as mulheres devem parar de jogar e os homens devem parar de fingir que tudo está bem quando não está, pois uma hora ou outra, a bomba vai acabar estourando e vai ser ainda pior. Acredito que se houver confiança e diálogo, não há como um relacionamento esfriar (exceto claro, quando tem que esfriar mesmo). E, com o diálogo em dia e os entendimentos também, pode ter certeza, não existe sexo mais gostoso.


Kari Mendonça

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Andrea foi embora.

Oi Mãe, oi Pai.

Não queria que as coisas fossem assim, mas não tinha outro jeito. Eu tive que ir embora. E antes que pensem, vocês não vão encontrar o meu corpo no banheiro e nem adianta olhar pela janela. Há essa hora, já devo estar bem longe, e não adianta correr pela vizinhança. Eu não fui para casa de nenhuma amiga e nem para a casa dos pais do Marcelo. Eu realmente fui embora. Estou a caminho de Florianópolis e, de lá, seguirei para Chapecó.

O celular, eu não levei e peço que me desculpem, mas eu realmente preciso de um tempo sozinha. Assim que as coisas se ajeitarem, eu mando notícias, não se preocupem. Sei que vocês devem estar preocupados, com raiva e, acima de tudo, decepcionados, mas eu espero que, de alguma forma, vocês me entendam. Não dá para seguir em frente estando aí. Dói demais olhar esse quarto, andar pelas ruas. A cada restaurante que vou, tenho uma lembrança e a saudade aperta e a dor não vai embora nunca.

É difícil entender, mas, para vocês, o Marcelo era apenas “um bom rapaz”, mas para mim, ele era muito mais que isso. Eu planejei toda a minha vida ao lado dele. E no dia que ele me deu aquela aliança, eu sabia que só poderia ser feliz ao lado dele. E juntos fizemos planos e sonhamos. Fizemos projetos e estávamos caminhando para que tudo corresse bem. Ah! Eu ainda não tinha lhes falado, mas, naquela semana, nós havíamos ido olhar apartamentos, e chegamos até a escolher um.

Nos últimos cinco anos, cada vez que eu pensei em um filho, era o Marcelo que eu via como pai, como meu companheiro. Ele era mais que um noivo e futuro marido, Mãe. Ele era o meu melhor amigo, meu comparsa, meu amante. Eu costumava dizer que ele era meu anjo da guarda. Será que esse foi meu erro? Bom, agora eu tenho certeza que ele é o meu anjo da guarda, mais que nunca. E, de alguma forma, ele está olhando por mim lá de cima. Mas sabe, saber disso não é suficiente para seguir a vida.

O Marcelo me entendia como ninguém. E Pai, ele sempre te dava razão nas nossas brigas, sabia? E me fazia repensar em tudo que eu havia dito. Ele tinha um carinho sem tamanho por vocês e não havia uma única vez que ele não perguntasse de vocês. Eu o amo muito e espero que vocês nunca duvidem disso. E o amarei eternamente, mesmo sabendo que um dia estarei com outro alguém ao meu lado. Viram? Eu não estou tão mal quanto vocês pensam. Eu sei que a vida vai continuar, e que vou aprender a viver sem ele.

Mas é que não dá para fazer isso estando aí. Nessa cama, em que chorei tantas vezes em seus braços. Ou na rua, onde sempre íamos comprar o pão. Ou naquele shopping que costumávamos ir nas noites de sexta-feira. Tudo me lembra o Marcelo nessa cidade. E se passo por um restaurante que sequer conheço, lembro que ele prometeu me levar lá. Imagina eu ir lá com outra pessoa? Não seria justo. E foi por tudo isso, e por precisar seguir em frente, da minha maneira, que eu estou indo para Chapecó.

Quanto a questão de sobrevivência, não se preocupem. Já mandei currículos para vários lugares e até tenho uma entrevista marcada. Não pensem que essa foi uma decisão de última hora ou coisa impensada. Eu e o Marcelo tínhamos uma poupança juntos e sempre conversamos que, caso acontecesse algo com um de nós, o outro deveria usar o dinheiro para começar do zero. E, para falar a verdade, até procuramos no mapa, numa brincadeira, um lugar para onde iríamos sozinhos.

O Marcelo, com os olhos fechados, escolheu Chapecó. Na minha vez de escolher, a mãe dele nos chamou para jantar. Por isso, esse foi o destino escolhido. É onde o Marcelo começaria do zero, que eu resolvi recomeçar. Eu nunca vou esquecê-lo, porque ele sempre vai ser o amor da minha vida. Mas eu espero que vocês entendam que eu preciso de um tempo para aceitar tudo o que aconteceu nos últimos meses.

Ligarei em breve, não se preocupem. Amo muito vocês e espero, de verdade, que vocês me compreendam.
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,Beijos, Andrea.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pensamentos sobre a morte...

Já faz alguns dias que venho pensando sobre a morte. A maior causa foi uma vontade súbita que tive de ir visitar uma tia, até me lembrar que ela não estava em casa e que eu não poderia vê-la de outra forma, se não pelas fotos. O peito apertou e a saudade voltou com força. Lembrei de todos os que me fazem falta e eu não posso ir visitá-los. E comecei a pensar nas consequências da morte e, mais uma vez, lembrei da música do Leoni (sim, sempre ele).

A frase que diz que o pior é pensar que aquela dor vai cicatrizar, martela na minha cabeça com uma intensidade sem tamanho. E me revolta, ás vezes. Quando perdemos alguém, é uma dor imensa, uma saudade forte e uma desilusão. Tudo o que queremos é parar e não seguir, não sem aquela presença na nossa vida. É difícil imaginar a vida sem aquelas avós ou aquele tio, aquela tia... Muitos sofrem conosco, e todos seguimos, apesar da dor.

Ás vezes eu percebo que as pessoas realmente seguiram a vida e eu me pergunto se elas não sentem falta. Quanta injustiça a minha! Afinal, eu também segui, mesmo com a falta. Ás vezes me questiono se as coisas estariam onde estão se aquelas pessoas estivessem vivas e percebo que não, que as coisas (todas elas, na verdade), não estariam assim. Pessoas não existiriam, outras não teriam ido para longe, casamentos não teriam acontecido...

E é até sem querer que eu fico tentando fazer um paralelo e tentando imaginar se tudo estaria melhor com aquela pessoa ao meu lado. Pergunto-me também, como seria se não tivéssemos seguido em frente, mas percebo que não há como imaginar tudo isso. Seguimos em frente e isso é fato. As coisas mudaram e seguiram outros rumos e isso também é um fato. A saudade estará sempre presente na vida de quem fez parte daquele que se foi, mas a vida não para.

Quando me dei conta de que não poderia visitar a minha tia, lembrei-me de quando acordei na sua casa, e era dia do meu aniversário. Ela havia ido até o supermercado e trouxe um bolo para comemorar. E foi naquele momento que eu pensei que não queria ter seguido em frente. Não sem as coisas que perdi. Não queria ter seguido sem aquele bolo no aniversário ou sem aquele abraço tão forte que ela sempre me dava.

Não queria seguir em frente, sem dormir na rede amarela da minha avó, ouvindo-a cantar "oh! Lua branca de fulgores...". Ou sem o bolinho de fubá e o pão com queijo "de copo". Não queria seguir sem os abraços da minha outra avó, sem sua risada e seus comentários sempre engraçados ou irônicos. Não sem aquela peruca engraçada que meu tio usava para contar as piadas com duplo sentido que eu nunca entendia.

Eu não queria ter seguido em frente sem eles. Mas a vida não para enquanto ainda se está vivo. E eu segui em frente. E as pessoas ao redor também. E aquela dor intensa cicatrizou, diminuiu, mas nunca vai acabar. E a morte... Ah! A morte! Essa, ainda vai me fazer pensar muito...



Kari Mendonça

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Três anos e um monte de coisas...

Final de semestre é sempre turbulento. Quando o computador quebra, dificulta tudo. E quando mistura o computador quebrado e o final do semestre, não tem quem aguente. E foi por esses motivos que deixei um dia tão especial passar em branco. Há três anos o dia 13 de junho foi especial pra mim, pois nasceu esse blogue. E além de me ajudar imensamente com os desabafos, ele também me trouxe presentes maravilhosos e pessoas mais que especiais.

Creio que já devo ter comentado isso em alguns dos outros aniversários, mais o blogue surgiu de um momento de angústia. O texto publicado no dia 13/06, "De luto pelo meu Brasil", foi, na verdade, escrito no dia 07 e publicado no meu extinto fotolog. Lembro bem que estava na aula de História Geral quando resolvi escrevê-lo. Ás lágrimas quase me caíram dos olhos e a desilusão era tremenda.

Era tristeza pelo Brasil. Tristeza essa que só aumenta. É um luto que não acaba mais. Mas é uma vontade de querer tudo diferente que é ainda maior que tudo isso. Eu ainda não consigo aceitar muitas das coisas que eu vejo por aí e esse ainda não é o país que eu quero pra mim, sabe? Mas, como eu disse no ano passado, ainda é o meu país e é por isso que eu continuo aqui, disposta a fazer alguma coisa.

Para começar, que tipo de políticos são esses? Que sequer sabem a função de um jornalista? Ou melhor, que até sabem, mas que se deixam comprar, sendo contrários aos interesses da população. É o mesmo país onde esses ministros que não se importam, de verdade, com o cidadão, recebem um salário de quase 25 mil reais, enquanto metade da população sobrevive com um salário mínimo, que não chega aos 500 reais.

E que país é esse onde a justiça é uma das mais lentas do mundo? E que defende os bandidos de todas as formas possíveis? Eu sei que a infância é um momento único da vida, mas, se desde a infância a criança ou adolescente não sabe agir como cidadão, porque ele merece sair pelas ruas como se nada tivesse acontecido, ou se nada tivessem feito? Porque todo mundo sabe que essas casas de reabilitação para "menores infratores", só serve para torná-los "maiores infratores".

É tanta injustiça. Tanta desigualdade. E tanta desorganização, que eu só posso continuar com o meu luto. Sim, o luto pelo meu Brasil, porque eu ainda acredito que ele pode ser melhor. De alguma forma, eu ainda acredito.



Kari Mendonça

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ainda sobre o Jornalismo...

Para muitos, é apenas mais um post chato, para outros, vale a pena ler.
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Artigo publicado por Silvia Bessa, no jornal Diario de Pernambuco, no dia 19/06/2009.
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Sou jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco há 12 anos. Em todo esse tempo não fui outra coisa a não ser repórter - aquele que tem a tarefa diária de caçar notícias. Já fiz milhares de entrevistas e sei o quanto as técnicas de abordagem, de redação e as noções de ética me valeram. Por esse motivo, me indignei com a decisão do STF de dispensar o diploma para o exercício da minha profissão. Usei cada lição aprendida e tento aprimorar uma a uma ao longo dos anos. Procuro isso em conversas com presidentes, governadores, deputados no Recife e em Brasília ou com anônimos dos confins do Nordeste. Do presidente Lula da Silva à dona de casa Lucimar da Silva, que passa fome no Ceará, foi assim. Com o pé na estrada, descobri que a prática do ofício de um jornalista não se limita à discussão em torno da liberdade de expressão.
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Opinião todo mundo tem, pode e deve expressar, mas o jornalismo está alicerçado em informação de qualidade. E, para chegar até ela, é necessário mais que uma opinião. Tive a certeza disso nessa quarta-feira, quando soube da votação do STF e lembrei do quanto difícil foi produzir reportagens sobre uso da internet nos grotões nordestinos, sobre o impacto do aquecimento global ou mesmo sobre a malversação de subvenções sociais por deputados. Fiquei imaginando se, mesmo com a capacidade que devem ter para chegar ao Supremo, os ministros teriam condições de fazer qualquer uma delas. Talvez pudessem comentar os temas; testemunhar ou revelar uma realidade vista de vários ângulos, tenho cá minhas dúvidas. E é para isso que jornalistas são formados.
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Para ser jornalista é preciso talento com as letras, habilidade para coleta de múltiplas informações, disposição para pesquisa, abertura para ouvir o engravatado, o professor e o descamisado e equilíbrio para narrar os fatos. Reunir essas e outras características independem do diploma, mas o aprendizado acadêmico pode ser decisivo na conquista. A escola é o ponto de partida para o bom jornalismo. Eu não vejo médicos, advogados, professores e outros profissionais com didática suficiente para enviar mais de cem e-mails para conseguir mapear os municípios do Nordeste que possuem lan houses com discagem rápida, para buscar e cruzar dados para entender fenômenos sociais e para entrevistar dezenas de adolescentes e entender o que eles buscam na rede - algumas das tarefas que cumpri para realizar a reportagem sobre o fenômeno das lan houses no interior do Nordeste. Não vejo. Só consigo ver estudantes recém-saídos das faculdades tentando acertar esse caminho e dispostos a seguir o preceito da informação democrática. O resto, para mim, é vaidade de muitos que não conseguem perceber que o fim do diploma para jornalistas compromete o futuro de uma geração nova de profissionais da imprensa. E tem a ver com a confiabilidade do que será escrito por eles.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jornalista por formação!

É triste perceber que ainda há quem não entenda a importância do jornalismo. Para muitos, e inclusive é esse o motivo que leva vários estudantes a escolherem o curso, o jornalismo é apenas escrever e mudar o mundo. Dos que pensam assim, poucos continuam na faculdade, outros mudam seus pensamentos e percebem que, mudar o mundo não é tão fácil quanto parece, principalmente quando vivemos numa sociedade capitalista.

Se existe sensacionalismo? Existe! E existe no mundo inteiro, que isso fique bem claro. Pois, do mesmo jeito que a imprensa abordou, por exemplo, o assassinato da menina Isabela, a mesma mídia, porém no outro lado do mundo, abordou o desaparecimento de outra menina, a Madeleine, chegando, inclusive, a considerar seus pais os culpados. E, independente de concordar ou não, a intenção é mostrar que existe em qualquer lugar.

Quanto ao fato do jornalismo ser “tendencioso”... As tendências também existem em qualquer lugar do mundo. Ela é fruto do capitalismo. E o que muitas pessoas não entendem, é que o jornalista é um empregado como qualquer outro e há, em cima dele, um empregador, que possui interesses financeiros, pessoais e políticos. Em qualquer país ou cidade, há, no mínimo dois jornais, e, acredite, cada um deles segue tendências opostas e interesses pessoais.

Com tantos comentários defendendo a decisão do Supremo Tribunal Federal, fiquei com a impressão de que muitos não entendem que ser jornalista é mais que escrever qualquer coisa que aconteceu. Se você, cidadão, lê uma notícia no jornal, ouve a mesma notícia no rádio e assiste a mesma notícia na televisão, parar para perceber, a mesma notícia foi dada de três maneiras diferentes, e não apenas por terem sido escritas por três diferentes pessoas, mas porque foram direcionadas a três públicos diferentes.

Você olha uma banca de revista e vê inúmeras revistas. Mas já parou para analisar cada uma delas? Não é fácil. Uma revista não é apenas um local onde se encontram matérias e reportagens. Há também ideologias, interesses e intenções, e todo um projeto por trás daquela revista que você lê semanalmente. Algumas seguem abertamente para algum lado, outras, não tão abertamente, mas basta lê-la mais de uma vez para identificar.

Hoje, a tecnologia e a internet, oferecem espaço para qualquer um escrever e se comunicar, e muitos jovens (como nós) fazem isso. Entretanto, como já foi dito, ser jornalista não é apenas escrever uma crônica ou um conto. Na faculdade, que esta semana, foi considerada desnecessária, o estudante aprende a escrever de diferentes formas, para diferentes meios de comunicação e diferentes públicos.

O que falta é o conhecimento da sociedade, que, apesar de muito desenvolvida, ainda vive momentos dos séculos passados, onde as únicas profissões que importam são a medicina e a advocacia. É uma pena perceber isso, pois, com tanta desinformação, esquecem-se dos 80 mil jornalistas existentes nesse país, que lutaram muito para chegar aonde estão hoje.

E, ao contrário do que foi dito pelo ministro, ser jornalista, não é como ser cozinheiro, onde basta pegar uma receita na internet e ir para a cozinha.



Karina Mendonça

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Botando pra fora - Informação

STF derruba exigência do diploma para o exercício do jornalismo
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Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado do julgamento e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.
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Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.
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No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.
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“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defe4sa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.
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Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.
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Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.
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Fonte: FENAJ

quarta-feira, 10 de junho de 2009

(Im)Perfeição

É quase "Dia dos namorados". Só mais uma data criada para dar lucro ao comércio e incentivar o consumo. Sinceramente? Dar presente (e receber, claro!) é muito bom, mas acredito que não há presente mais gostoso que aquele ganho num dia "qualquer", aquele presente inesperado. Um presente com a intenção de demonstrar que se lembrou da pessoa amada e nada mais.

Mas não é bem sobre isso que venho pensando nos últimos dias. Por essa época do ano, fala-se muito em relacionamentos. Algumas meninas sonham em encontrar o "príncipe encantado" para poder ganhar um presente, outras mulheres fazem listas de como seria o “homem perfeito” e há até quem faça promessas ao tal "santo casamenteiro". Acreditam que deixá-lo de cabeça para baixo vai resolver todos os problemas.

Nada contra crenças. Cada um com as suas... Mas, "homem perfeito"? Isso não é crença é ilusão. Não existe perfeição, nunca vai existir. Diga se não estou certa: o cara perfeito ou namora com aquela sua amiga ou mora na casa ao lado, não é verdade? É por isso que ele é perfeito, porque não tem nenhum relacionamento com você. Acredite, se você o conhecesse melhor, descobriria várias "imperfeições".

Você começa uma relação achando que aquele cara é o "perfeito", e quando saem a primeira vez, tudo parece um conto de fadas. Ele é educado, inteligente, carismático e mastiga direito. No segundo encontro, você percebe que ele pode ser um pouco mais sério do que parecia, ou mais engraçado demais. E aos poucos você vai conhecendo melhor aquela pessoa e descobrindo coisas que talvez o tire o rótulo de "perfeito".

É por isso que o rótulo nunca deve existir. Porque, por melhor que seja ele sempre vai falar algo que vai te chatear. Ou vai responder algo que você não queria ouvir. E quando você fizer uma pergunta importante, ele vai soltar uma risada, mudar de assunto e fingir que nada aconteceu. Ou, no aniversário de namoro, quando você comprar um cartão bem bonito e um presente especial, ele vai aparecer de mãos vazias dizendo que esqueceu.

Não estou falando dos homens apenas, nós mulheres também não somos perfeitas. Também esquecemos o aniversário do namoro, ou falamos coisas que não devíamos. Choramos nas horas impróprias, agíamos de modo que não agrada aos homens e adoramos discutir a relação (sim, é verdade). Viu? A "mulher perfeita" também é mito. Porque, não existe pessoa perfeita. Creio que somos a criação perfeita mais imperfeita que existe (perfeita no sentido genético e físico, não emocional).

E é por isso que não adianta andar por aí procurando o par perfeito, o que você deve procurar (não desesperadamente, pois, "o segredo, é não correr atrás das borboletas", mas claro que também não pode ficar em casa o resto da vida esperando o telefone milagrosamente tocar), é por alguém que complete você. Sei que parece meloso, mas é verdade. Não podemos nos fechar para relações. Sempre vai existir alguém que nos fez sofrer.

Mas devemos tratar o sofrimento como aprendizado, e abrir um novo caminho para nossas vidas. Segundo algo que tenho em meu caderno e desconheço a autoria, "não busque aparência, elas podem mudar. Encontre aquela pessoa que te faça dar gargalhadas ao falar uma piadinha... Que faça seu coração sorrir." Encontre aquela pessoa que seja perfeita mesmo com suas imperfeições, pois quem ama, releva algumas coisas.

E relevar não quer dizer se anular, nada a ver. Para encontrar a pessoa certa, basta sentir algumas coisas, e sentimentos não podem ser colocados em listas. Nunca se sabe o que se vai sentir quando a pessoa aparecer. Luís Fernando Veríssimo disse que, "ás vezes estamos em meio a centenas de pessoas, e a solidão aparta nosso coração pela falta de uma única pessoa."

E ele ainda completa, "ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatos importantes... Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas ideias e planos para saber se vocês combinam, e certifique-se de que quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra..."
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A perfeição talvez não seja um mito completo. Acredito nos momentos perfeitos, aqueles em que estamos onde queremos estar e ao lado de quem queremos. E a vida, é feita de alguns momentos perfeitos e inúmeros imperfeitos, ao lado de pessoas imperfeitas que, perfeitamente, nos completam.



Kari Mendonça