quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lamentações de uma guria

Ela não sabia explicar. Era uma angústia... Uma dor... Um mal estar que sentia. Não conseguia comer direito. Não sentia vontade de falar com quase ninguém. Na verdade, faltavam-lhe palavras para expressar qualquer coisa. De “repente”, passou a viver com algo a engasgando na maior parte do tempo. Era o choro. O choro que estava engasgado. E conseguia mantê-lo ali até pouco antes de dormir. Havia se tornado um costume, o de chorar antes do banho e de dormir com os olhos inchados. As noites passaram a ser longas e por mais que dormisse não conseguia acordar bem, como deveria. Queria gritar, mas não conseguia. Queria dizer ao mundo que era mais do que imaginavam. Que não era uma criança como pensavam e nem lhe faltava maturidade. Que não sonhava com um “conto de fadas” e nem achava que as coisas poderiam cair do céu. Que sabia o quanto a vida poderia ser difícil, mas que estava disposta a enfrentar tudo, não como sonhadora ou sabe-se lá o que, mas como quem sabe o que quer e está disposta a enfrentar qualquer coisa para conseguir. Queria dizer tantas coisas. Mas tudo que conseguia era se recolher em seu canto. Havia decidido seguir em frente com o que planejava e queria, não importando de quem receberia apoio ou não. Lamentava que não a apoiassem, mas apenas o que poderia fazer era lamentar. Isso a entristecia, mas seguiria. Sentia-se triste por não ser compreendida. Mas sabia que, cedo ou tarde o choro deixaria de ser seu companheiro durante as noites. As lágrimas deixariam de visitá-la com tanta frequência. E em breve não se sentiria tão engasgada. Por enquanto, ainda sentia a dor no peito. A náusea. A tristeza...



Kari Mendonça

10 comentários:

Quase Trinta disse...

Me senti como ela o ano de 2008 inteiro...... chegou as férias, o choro veio.... o antidepressivo foi necessário.
Com um novo ano, a esperança de dias melhores, psicoterapia e a a certeza de que o melhor está por vir.

bjs

Palavras de um mundo incerto disse...

Poxa, mas tenho certeza que essa guria conseguirá passar por cima dos muros que estiverem na frente.

Beijos minha querida!!!


Marcos Seiter

Flávia disse...

O pior de se sentir assim é que a gente não sabe quando vai passar. A gente sabe que passa mas meu Deus, enquanto não passa é uma angústia, uma tortura.

Beijo!

Caroline disse...

Conheço bem, essa coisa de não conseguir falar.
Lembrou Zélia Duncan:

"é que às vezes
meu coração não responde,
só se esconde e dói"

beijo Karii!!

Jéssica disse...

Nossa, já me senti muuuuito assim, mas essa épocas são ótimas pra aprendizagem!

Espero que passe logo. Ou não.

;**

Jéssica disse...

Tem um presente lá no blog pra você :D

;**

candy disse...

E vai passar sim, Kari, vc sabe que sim!
e eu sei que vc tem mtos e mtos planos e sonhos que se realizarão!
Menina determinada e com mta garra sempre consegue o que quer.
;)

:*

Eu® disse...

Os aprendizados é que vem nessas horas.
Se eu fosse essa menina deixava a vida me levar. Quando queremos muito impactar alguma coisa, o resultado, seja na hora, ou mais tarde, sempre é aniquilador.

Reticências disse...

Que bom que ela sabe guardar no peito, além de dor e lágrimas a esperança de que isso irá mudar.
;)

*Lusinha* disse...

Infelizmente, tem horas nessa vida que dor nenhuma é consolável, palavra nenhuma ameniza, que o que mais podemos fazer por nós mesmos é ficarmos quietos no nosso canto até retomarmos o fôlego.
Bjitos!