sábado, 31 de janeiro de 2009

Por enquanto

O despertador tocou cedo. Naquela manhã parecia ainda mais cedo. Estava com sono. Havia dormido muito tarde na noite anterior. Acordou-o com um beijo. Esperou que ele se levantasse e continuou mais um pouco ali. Quase dormiu novamente, mas conseguiu levantar. E, como vinha fazendo nos últimos dias, preparou-lhe um café da manhã.

Nada muito luxuoso, apenas fatias de pão com "mu-mu" e um copo com leite. Esperou ele sair do banho e, mais uma vez o beijou. Um beijo seguido de um abraço forte. Sentaram no sofá e, enquanto ele colocava o sapato, ela o observava. Algo que vinha fazendo também nos últimos dias, mas que, naquele dia foi diferente.

Comentou sobre os dias que estavam juntos e de como tudo estava sendo maravilhoso. Ambos sorriram. Ele levantou, pegou o prato e o copo e veio comer ao seu lado. Não trocaram muitas palavras. Estavam ambos com sono e talvez não soubessem o que dizer. Ele acabou de comer. Escovou os dentes e, ao pegar a mochila, aquela dor no peito a incomodou.

Abraçou-o o mais forte que pôde. Disse-lhe "te adoro" olhando em seus olhos. Apertou-o mais algumas vezes em forma de abraço. Não queria soltá-lo, não queria deixá-lo ir. Mas ele foi. E, para não sentir saudade, ela voltou a dormir. Não dormiu muito bem. Acordou de instante em instante, querendo que a hora passasse para ele chegar, mas não querendo que o fim do dia se aproximasse.

Eram onze horas quando decidiu levantar. Tomou um banho e tentou não pensar em nada. Ao entrar no quarto, no entanto, e ao olhar a mala, percebeu que precisava arrumá-la. Enquanto juntava suas coisas e dobrava suas roupas, tentou ser forte, mas, a cada roupa que segurava, lembrava de algum momento ao lado dele. A camisa azul lembrava aquele domingo no parque, já preta, lembrava a noite no bar...

Resolveu escrever para ele, uma carta, contando como estava se sentindo naquele momento. Enquanto escrevia, as lágrimas não paravam de cair. Tentou conter, mas não conseguiu. Não queria ir embora, não dali, de onde gostava tanto e onde era sempre tão bem recebida. Não quando ela finalmente estava fazendo parte da rotina dele. Acabou de escrever a carta. Enxugou as lágrimas.

Ficou um pouco na sala, quando seu cunhado a abraçou e disse: "vê se volta, pois sinto saudade de ti." E saiu. As lágrimas, já enxutas voltaram a cair e demorou a pararem daquela vez. Na hora combinada, tomou banho e vestiu a roupa da viagem. A casa estava quente, aquele dia estava quente, mas não tanto quanto outros. Ao ir pendurar a toalha, sentiu uma brisa e ali ficou alguns minutos. Recebendo a brisa, sentindo uma saudade antecipada e esperando ele chegar.

Algum tempo depois, entrou em casa e não demorou um minuto e ele apareceu. Ela correu para beijá-lo e abraçou forte. Terminaram juntos de arrumar os últimos detalhes e fecharam a mala. Ela o entregou a carta. Silenciosamente ele a leu. Ao acabar não disse nada, apenas a beijou delicadamente. Era a vez de ele ir se arrumar. Quando já estava pronto, quando nenhuma palavra foi dita, mas os olhos choravam sem lágrimas, ele falou: "vamos?".

Era a hora da despedida. Tentou manter-se firma. Abraçou sua sogra e segurou a voz e as lágrimas, mas, enquanto ela falava e chorava, não resistiu e chorou também. Acabou não dizendo nada, apenas chorando e abraçando aquela que é tão especial. Abraçou-a uma última vez e, sem olhar para trás saiu.

Ele ia à frente. Ela tentou se recompor e seguiu o caminho aparentando estar bem. Chegaram ao aeroporto, fizeram o check-in e foram comer. Ambos estavam com fome. Pediram hambúrgueres, batata frita e algo para beber. Comeram devagar. Não queriam que o tempo passasse. Conversaram sobre seus planos, tiraram fotos. Até que chegou a hora.

Desceram as escadas e pararam em frente ao portão de embarque. Abraçaram-se forte e ela começou a chorar intensamente. Queria parar, mas cada vez que o abraçava as lágrimas caiam com mais força. Não queria deixá-lo. Não queria, mais uma vez, se despedir. Estava começando a odiar despedidas. Elas estavam se tornando cada vez mais dolorosas.

E depois de muito enxugar-lhe os olhos, ele a avisou das horas e disse: "por enquanto, meu bem. Por enquanto tem que ser assim." E a aconchegou em seus braços. E ao sentir-se aconchegada, e ao ouvir que seria apenas "por enquanto", ela o beijou e segurando-lhe as mãos se afastou.

Enquanto caminhava para embarcar, pensou no quanto gostou de fazer parte da rotina dele. E no quanto deseja continuar fazendo parte daquela rotina. Quer deixar o coração dele tão risinho quanto ele deixa o seu. Quer o seu sorriso naquele peito ou naqueles braços. Quer aquele melhor encosto que são seus braços ou seu corpo. Quer mais beijos amargos pela manhã.

Sim! O que ela quer, é fazer mais parte dele, como quer também que ele seja mais sua parte, seu pedaço.... Por enquanto a saudade dói, mas a tranquiliza lembrar que é apenas, "por enquanto"...



Kari Mendonça

24 comentários:

Somente EU mesma!!! disse...

Olá Kari...

É, infelizmente a despedida de pessoas que amamos é muito dolorosa...

O importante nisso tudo é que o sentimento sempre fica mais intenso!

Bjs

Janaína

Palavras de um mundo incerto disse...

Eitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Que relato lindo, apesar de algumas lágrimas.

BEIJÃO!

Marcos Seiter

::Lone Wolf:: disse...

Nossa, de apertar o coração. Tive várias experiências com relacionamentos a distância, mas nenhuma chegou ao mesmo ponto em que a sua está. De fato, com todo esse sentimento, a separação só pode ser por pouco tempo mesmo.

Beijos.

∆٭♥∞

::Lone Wolf:: disse...

Esqueci de dizer... Minha amada mora nos EUA. =/

Hariane disse...

Ah só sei que gostei de ler. Fluiu com personagem como se fosse comigo.

obrigada pela visita no blog. Sinta à vontade para voltar mais vezes.

Abraço

VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil! - disse...

VejaBlog
Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br

Parabéns pelo seu Blog!!!

Você está fazendo parte da maior e melhor
seleção de Blogs/Sites do País!!!
- Só Sites e Blogs Premiados -
Selecionado pela nossa equipe, você está agora entre
os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!

O seu link encontra-se no item: Blog

http://www.vejablog.com.br/blog

- Os links encontram-se rigorosamente
em ordem alfabética -

Pegue nosso selo em:
http://www.vejablog.com.br/selo


Um forte abraço,
Dário Dutra

http://www.vejablog.com.br
....................................................................

Branca disse...

Lindo seu post...intenso, sofrido, a saudade tomando conta...

Gostei daqui!

Bom domingo pra vc,
bjos.

Fernanda disse...

obrigada pela visita em meu blog...


saudade é coisa que dói...machuca...que só é matada com a presença.
adorei o blog=)
passarei aqui mais vezes=)

meus instantes e momentos disse...

ótimotexto, parabens.
Foi bom vir aqui.
Maurizio

Carolina; respira-me disse...

Quando a saudade insisti em bater, nos castiga. Saudade é fome sem nome que dói... e dói!
Lindo texto Kari, me emocionou.

Muitos beijos :**

No meu mundo. disse...

Amiga, não consigo imaginar o quanto eh grande sua saudade! Mas sei que é forte, e é por enauqnto.

Bjos

Jéssica disse...

Texto para ler ouvindo Cássia Eler


Nunca gostei de despedidas, ainda mais desse tipo, por isso me identifiquei bastante com o texto. Apesar de isso nunca ter acontecido comigo - e espero que nao aconteça - deu pra sentir a mesma dor que ela sentiu. Ou você

Adorei, lindo :)

;**

Camila disse...

Fiquei com o coração apertadinho aqui! Ai ai... Despedidas são sempre ruins, mas "por enquanto" tem que ser assim!

Lindo demais voces!

Beijos

Katarine disse...

Kari, querida!
Nunca tive a experiência de namorar à distância - ainda bem, mas quanto às despedidas, sei bem como é, rs.
Engraçado que, mesmo morando no mesmo município de Beto, quando éramos namorados, sempre que nos despedíamos, parecia que uma parte de mim ia embora.
Hoje - graças a Deus - somos um só.
bjos pra ti e obrigada pelas visitas e o apoio em meu blog.
E sim, eu sei o que quero. Agora tenho que esperar a oportunidade para colocar meu desejo em prática!
bjos e belo lay!!!

Leh disse...

Sei cada detalhe do que acabei de ler aqui no teu blog. E não consegui não chorar. Lembrei da minha despedida de lá, agora em janeiro. É complicado demais isso!

O bom é que ele vem daqui a quinze dias!

Beijão

Simples Assim... disse...

Olá, Kari

Passei pra retribuir a visita e gostei muito do seu espaço. E mais. Esse post me é muito familiar. Estar sempre me despedindo das pessoas de quem gosto faz parte da minha rotina já há alguns anos. Até gosto desse ir e vir, mas a ausência do afeto é doloroso, às vezes quase cruel. Gosto da forma que vc escreve, escreve sem se proteger, sem se esconder nas entrelinhas. Enfim, voltarei sempre. Bjin !!!

Thiago disse...

espero que teu pra sempre não acabe! Um beijo Kari!

Candinha disse...

ai, kari, que coisa linda.. fiquei com os olhos cheios de lágrima! tu sabe como essa história em especial mexe comigo, né?

sabe que te lendo eu lembro de marian keyes e meg cabot, né?? acho q tu devia começar a escrever feito elas.. ia dar super certo!! eu iria comprar todos os best-sellers de Kari Mendonça!! hehehehe

bjão, linda! ah, e foi ótimo ver vc sexta, viu?? deu pra matar um pouquinho da saudade.. e renovar as fotos, claro! :D ;**

Auíri Au disse...

Emocionante!!
Cada vez melhor em colocar sentimentos nas palavras!
Será por que esse sentimento você sente?
Por enquanto....melhor que uma despedida!!

Beijos

Day disse...

Cotidiano não tão comum.
despedidas são parte da vida, mas não do dia-a-dia..talvez por isso eu nunca me acostume com elas...alguém se acostuma, afinal?

vagando pelos blogs achei o seu
e
...
deixo aqui minha indicação ao Prêmio Dardos.Caso aceite, passa na minha página e vê as "regras".

aguardo resposta!

beises

;*

Érica disse...

Coisa mais linda.
Não tenho o que dizer, você já disse tudo. Até eu chorei.
Linda.
:**

Eu® disse...

Hehe esse texto fez-me lembrar da minha primeira viagem pra cá, e tudo ainda era uma bela ´bola de neve`, literalmente.

Para ajudar, na volta, e com toda aquela ansiedade de voltar, fui deportada.... e alguém merece isso?? kk

Ainda bem aí nao tem servico de emigracao né Karitia, e podemos ir e vir quando quiser!

Mas eu já estava beirando meus mais de 35 e o desespero parecia maior, já no caso desse texto, acredito o tempo dela era beeeeem maior.

A gente quer sempre dar um risco final nas nossas histórias, até pq cansa ficar de historinha, mas no final das contas, o que sobra sao elas, e delas rimos muito no final, nao seríamos nada sem.

Beijocas amiga

Raquel Mendonça disse...

Lindo.

Bom, não sei se a história é auto biográfica, mas para quem já viveu isso ou vive constantemente (meu caso), os sentimentos são mesmo estes, e a dor é sempre a mesma, todas as vezes.

Acredito no seu "por enquanto".

Parabéns pelo lindo texto.

ALF disse...

Eu senti isso na pele há alguns dias atrás, quando voltei de viagem das férias.

Mas meu caso foi mais solitário. não sou de chorar na frente dos outros, mas quando estou sozinho desabo.

Quando a gente se distancia de quem ama, o coração parece ficar um pouco órfão, tão carente e necessitado.

A saudade dói mesmo. Que bom que o sua é por enquanto. A minha parece ser definitiva...
:/

Tudo de bom pra ti minha amiga.
Beijocas