sábado, 14 de fevereiro de 2009

Lulu

Lulu! Foi assim que resolvi chamá-lo. Ou chamá-la. Na verdade eu não sei se ele era um cachorro ou uma cadela. Por isso escolhi um nome que julguei unissex. É que tudo foi tão rápido que não tive tempo de descobrir. Foi daqueles momentos rápidos e marcantes, sabe? Que você não consegue esquecer, mesmo quando tenta?

Já faz uma semana e Lulu não me sai da cabeça. Era quinta-feira e eu estava voltando da aula. Estava mais ou menos perto de casa quando percebi Lulu, um cachorrinho (ou cachorrinha) branco, parecido com um poodle, mas com os pelos curtos. Não era muito grande, mas tinha uma carinha tão linda...

Ele estava na faixa do ônibus, querendo atravessar a avenida. Ao perceber, reduzi a velocidade do carro e, quando estava prestes a buzinar para avisar a Lulu que saísse dali, uma caminhonete passou com toda a velocidade pela faixa do ônibus. “Filho da puta”, foi a única coisa que eu consegui gritar quando ouvi o último gritinho de Lulu.

Abaixei o rosto e tentei não olhar, mas acabei olhando o retrovisor e vi aquele corpinho tão pequeno caído no chão. Terminei o percurso até em casa bastante tensa. Não consegui chorar, até chegar e me acalmar. Enquanto chorava, ouvia repetidamente aquele gritinho que seria um latido, mas não terminou, sabe?

Aí que dor! Hoje, mais uma vez, voltando pra casa, passei pelo local. Sempre passo, mas tento olhar para o outro lado. Hoje olhei, meio de bandinha e me entristeci. Não é saudade, afinal, eu nem conhecia Lulu, como poderia sentir saudades? Mas era algo parecido, não sei explicar...

Desde aquela quinta, não há um dia que eu não pense em Lulu. Fico pensando como seria a vida dele. Será que tinha família? Alguém sentiu a sua falta? Bom, de uma coisa eu sei... Lulu marcou a minha vida de um jeito muito forte. Eu não me esqueço de quando tentava atravessar e acho que não vou esquecer...

Então, se ninguém mais sentir falta, eu vou sentir falta de Lulu, mesmo que nunca tenhamos passado nenhum momento juntos...



Kari Mendonça

14 comentários:

Eu® disse...

Já vi meu Lulu ser atropelado, oh que dorzinha né.

ALF disse...

Acho que aqui palavras são desnecessárias para descrever a minha emoção ao ler isso.

Deixo no ar aquela sensação de "li, sorri e me emocionei".

Que lindo Kari.

ps: Menina, cê tá sumida. Espero que eu não tenha feito nada pra ti. Sinto a falta de sua doce presença lá no meu blog. Tanto tempo de férias me deixa saudosista... rsrs

Tem uma flor te esperando por lá.
Uma flor do norte.
;)

Beijos

Simples Assim... disse...

Lendo seu post me veio um pensamento que, aliás, é recorrente: O quanto somos frágeis, efêmeros.

Nesse aspecto (e em muitos outros) não somos mais que cachorros tentando atravessar a rua, seres que se aventuram e correm riscos. Lulu podia ter ficado quietinho na calçada, assim como cada um de nós podia ficar no aconchego de nossas camas (ou embaixo delas). Se fizesse isso, Lulu ainda estaria vivo. Mas isso seria mesmo vida?

Talvez a sensação que vc sinta seja uma familiaridade enorme, pois foi isso que senti. Assim como Lulu prefiro tentar atravessar as avenidas, as surpresas que me esperam do outro lado me fazem achar valer à pena enfrentar os carros. Será que vou acabar esmagada como Lulu? Talvez sim, talvez não. Esse é um dos mistérios da vida.

Adorei o post. Bjin !!!

Marcus Vinícius da Silva disse...

Meu pai era assim com animais também. Muitos podem ver isso como uma espécie de prosopopéia, mas é na verdade amor pelos animais mesmo.

Quer dizer, não era gente, mas era um ser vivo, certo?

Beijão!

Maria Flor disse...

Oi kari!

simplesmente....
Num sei...

eu fiquei triste como você, vivendo um pouquinho da situação qe você viveu e descreveu por aqui...

doi saber que nem sempre podemos evitar que machuquem os animais! Um absurdo!!

beijocas,
flor.

Hariane disse...

Ai que triste. Tb sofria o mesmo ou até pior. Pensaria semrpe em lulu.

Bj

Simples Assim... disse...

Realmente não precisa agradecer. Pode acreditar Kari isso aqui é mesmo um compartilhar de idéias. Vc vive, escreve, eu leio, penso e... escrevo.

Bjin !!!

Katarine disse...

Puxa, que triste! Acho que eu ficaria como vc. Ai, que raiva desse cara da caminhonete!!!!
bjos!

Maria disse...

Deixei um Meme para você no meu blog, passa lá.

Um ótimo final de semana!

Fernanda disse...

eu mesma sem conhecer Lulu sentirei falta dele também...
que triste,fico aqui muuuito triste por saber que ele morreu.
adoro cachorros.

Candy disse...

Li o post passado, Kari.
Eu comecei a trabalhar numa empresa que contrata babas, domesticas etc, pra outras pssoas.
Já vi mtooo caso assim (nao vi, as profissionais contavam): a criança gostar muito mais da baba do que dos pais.
Afinal, a baba cuida dele enquanto os pais passam o dia fora e qnd chegam, querem cuidar de si e dormir.
Pra que ter filho?!

To numa fase totalmente: "o mundo está ao contrario e ngm reparouuuu".
Putz.

:*

Marcela ツ disse...

Seu layout ta liiiiindo!
E eu to feliz da vida por estar conseguindo comentar =D
Saudades tuas! Fico super feliz de vc nunca me abandonar, nem nas piores fases do infinito. Deve ser por isso que tenho essa cumplicidade com vc.
Ainda bem que vc nao abandonou a blogosfera.. fui checar minha lista de links e tomei um susto, todo mundo foi embora!
Tenha uma ótima semana, Karilinda! E obrigada pelos parabens, adorei vc ter lembrado!
Beeeeijo beijo beijo

*Lusinha* disse...

Que triste!
Bjitos!

Érica disse...

Ai ai mundo cruel.
:/