terça-feira, 31 de março de 2009

Diário das minhas mazelas

Continuando o meu diário, eu sinto informar que faltam novidades. Da última vez que dei notícias, o pedreiro havia desaparecido. Na terça passada, meu pai telefonou e ele disse, apenas, que havia ido ao médico. Na quarta-feira, entretanto, ele não apareceu. Nem na quinta, ou sexta.

Hoje, pela manhã, quando não estávamos em casa, ele apareceu por aqui, pegou as suas ferramentas e foi embora. Nem uma pequena explicação. Ou um pedido de desculpas. Nem, se quer, alguma indicação de quem pudesse não ser igual a ele. Ou seja, fomos abandonados por alguém que estava sendo pago. Vai entender esse povo...

No domingo, meu pai arrumou outro pedreiro (alguém que, cá entre nós, não me deu muita confiança, mas, resolvi lhe dar o benefício da dúvida) que veio, à tarde, conversar. A conversa parece ter sido boa, e ficou tudo combinado para ele aparecer na segunda que vem (dia seis), pois essa semana ele estava ocupado.

Nesse meio tempo, quando tudo está parado e bagunçado, chegaram as grades e as janelas. São tão lindas!!! Mas, infelizmente, só Deus sabe quando as janelas estarão no lugar. Até o portão que iria demorar um bom tempo já está pronto. Mas não pode vir, pois não está pronto o local onde ele ficará.

A frente da casa continua suja, cheia de areia, pedras, madeiras, telhas, lajotas e lajes. E, vez ou outra quando olho pra lá, me bate aquele pequeno desespero, quando penso que, talvez, as coisas não terminem nunca. Sabe, eu até estava pensando... Alguém sabe se material de construção (esses que falei) tem prazo de validade?

Pois, sinceramente, eu tenho medo que eles tenham... Já pensou? Era só o que faltava, né? Meses após tudo parado (sim, pois semanas já parecem meses), o material não pudesse mais ser utilizado? E tudo fosse perdido? Não quero nem pensar!

Ah! E, como desgraça pouco é bobagem, para completar as mazelas que andam me rodeando, hoje, enquanto ia para a aula de pintura (a terapia que arrumei), um filho da puta (desculpem o palavrão, mas é que FDP ou filho da p*, jamais seria capaz de descrevê-lo) batei, com toda a força do mundo na traseira do carro.

Quase seria um engavetamento, mas, graças a Deus, que segurou o nosso carro, não batemos no carro (novíssimo, diga-se de passagem) que estava na frente. O nosso carrinho sofreu coisas leves, como o travamento da mala e uma coisinha na lanterna. Já o carro do filho da puta (desculpem, mais uma vez) ficou completamente detonado (de verdade).

Como é que alguém não vê o carro da frente freando? Me diz??? Sei que ele (o tal filho da puta), tinha uma cara tão mal encarada, que eu e mainha, após constatar que o carro não estava amassado e nem nada grave, seguimos o caminho. A minha cabeça ficou doendo (e ainda está) horrores por causa da batida no banco. Já mainha ficou com a coluna dolorida.

Pois é, as coisas não andam muito boas para o meu lado. E, pra completar, ontem começou a semana de prova. Vê se pode?! Mas, era isso. Prometo, em breve, voltar com algo que não seja um diário ou coisa tão inútil assim.

Beijos,
Kari

quarta-feira, 25 de março de 2009

Andamento das coisas (???)

Meus amigos, leitores, ou até curiosos, desculpem a minha ausência. A reforma (vide post abaixo) continua. Não mais dentro de casa, mas ainda ocupando todo o meu espaço (físico ou psíquico). Quer dizer... É verdade que o pedreiro não dá as caras desde segunda, mas, passar o dia na espectativa se ele vai ou não aparecer ainda consome toda a minha paciência. Ou seja, imagina meu nível de estresse. Ah! E por falar em estresse, deixa só eu comentar umas coisas...
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No sábado acabaram de colocar o gesso nos quartos. Era quatro horas da tarde, quando começamos, eu e meus pais, a limpar tudo. Bom final de tarde em... Mas, o rapaz (aquele muito inteligente que guardou as minhas coisas - vide post abaixo) quebrou uma pequena peça do gesso, ou seja, ele aparecia outro dia. Imagina o estresse em pensar que, quando tudo estivesse finalmente limpo, ele sujaria novamente... Aí aí...
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Pois bem, ontem a tarde ele apareceu, colocou a pedrinha e, minutos depois foi embora. O quatro não ficou tão sujo (mas sujou, claro), entretanto pensei que estava tudo acabado. Hoje pela manhã, porém, ao acordar, corri para o banheiro dos meus pais e, ao abrir a privada, me deparo com o quê? Com o gesso! Acredite! O rapaz (sempre tão inteligente), jogou o resto do gesso dentro do vaso sanitário e lá está a camada branca coloca e entupindo.
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Fui contar a minha mãe e percebi que ela já sabia, como também sabia que o pedreiro não apareceu e ainda mentiu sobre ir para o médico (sei que mentiu, pois ligaram dizendo que ele não apareceu por lá). Enfim, devido ao recesso, eu não sei se posso ou não continuar dizendo que minha casa está em reforma, mesmo que a frente dela esteja cheia de areia (de vários tipos), pedras, pedrinhas (sim, são diferentes), cimento, madeira, telha, cerâmica....
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Enfim, era só um pedido de desculpas, mas achei que vocês precisavam saber o andamento das coisas. Espero que tenham pena de mim, porque até eu estou, já que, quando ninguém aparece eu fico irritada em ver a minha mãe irritadíssima. Era isso! Volto com mais novidades (se as obras retornarem, claro), em breve.
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Beijos!
Kari

quarta-feira, 18 de março de 2009

Reforma

A vida tem suas graças. Há 14 anos existe a minha casa que, por acaso, foi construída por meus pais. Por um tempo ficamos longe, mas, há um ano voltamos para cá. Nesses anos todos, a minha mãe sempre quis rebaixar um teto aqui, colocar um móvel ali, arrumar o canil acolá e por aí vai. Foram anos que a ouvi pedindo ao meu pai.

Finalmente, depois de vender um apartamento que tínhamos, decidimos fazer tudo o que queríamos. Ajeitar todos os detalhes, arrumar tudo direitinho e deixar a casa do jeito que minha mãe e nós, sempre quisemos. Faz duas semanas que meu pai saiu para resolver umas coisas e comprar uns materiais.

E, como trabalha o dia inteiro, ele já havia falado que hoje o dia seria bastante cheio. O que ele não havia dito é que seria muito mais que cheio. Eu não imaginava que fazer reforma e ajustes cansassem tanto. Era oito e meia quando acordei, precisa me vestir, afinal, não andaria pela casa com pijama, estando ela cheia de homens.

Ao sair do quarto, corri até o computador e, distraída olhei para a janela. Por uns instantes não acreditei e desviei o olhar, até que olhei novamente e constatei que eu não estava louca, tinha, realmente, um cavalo no meu quintal. Foi quando, alguns muitos minutos depois, me dei conta que era o rapaz trazendo as pedras (sim, ele vem numa carroça).

A carroça, no entanto, era bem pequena para a quantidade de pedras, logo ele veio aqui em casa, pelo menos, umas 20 vezes e, para cada vez, tocava a companhia ou dava murros no portão, o que tornava tudo estressante. Ah! Enquanto isso, haviam dois homens trabalhando na área de casa, arrumando o canil.

Sai por 5 minutos para ir ao banco e, ao voltar, a casa estava cheia. O rapaz chegou para montar os móveis da cozinha, enquanto o outro rapaz estava arrumando a fiação da cozinha e outro estava descarregando a areia e os tijolos e ainda havia outro trazendo as pedras. Achei que fosse enlouquecer, até que a companhia tocou.

Era o rapaz do gesso. Ele entrou e começou a descarregar gesso, a desarrumar meu quarto, a tirar os meus livros do lugar. Enquanto o outro rapaz reclamava do local dos móveis e o outro não conseguia arrumar a fiação. Foram os minutos mais estressantes, até então. E, quando eu achava que estava acabando, não estava.

Até que a minha mãe perguntou se eu trocava duas notas de cinco reais e eu disse que sim, afinal, tinha um dinheirinho guardado no guarda-roupas. E foi aí que me dei conta que eu não tinha mais guarda-roupas. Como assim? O inteligente rapaz que veio colocar o gesso, perguntou onde deveria colocar os meus móveis e cama, e minha mãe respondeu: na sala.

Mas não, ele colocou tudo no minúsculo quarto onde fica o meu guarda-roupas. E o quarto é pequeno e cheio de coisas ficou impossível de abrir qualquer coisa. Ou seja, estou sem roupas até que ele acabe de arrumar tudo, o que, pelo andar da carruagem, vai demorar bastante. Para comprovar, nesse exato momento, estou usando um pijama da minha mãe.

E eu achei que não podia ser pior. E, cada vez que minha mãe reclama de algo, o que acontece a cada dez minutos, eu digo: “mãe, pensa que é por um bem maior”. Mas sabe, eu não tento convencer a ela, eu tento convencer a mim mesma. Querer mudar é muito bom. As idéias são demais e pensar é sempre maravilhoso.

Mas, por em prática, pode fazer você querer desistir de tudo num instante. Aí aí.... Mas não! Eu não vou desistir, porque amanhã começa tudo de novo... E, afinal, “é por um bem maior”, não é?



Kari Mendonça

domingo, 15 de março de 2009

A manhã de hoje

Hoje acordei ouvindo música, e a primeira parte dizia "hoje eu acordei e te quis por perto"*. Olhei para os lados e a cama pareceu tão grande. Quis que tu estivesses ao meu lado, ali, bem perto de mim. Senti saudade dos teus braços para apoiar a cabeça e do teu peito para encostar o rosto. Respirei e foi teu cheiro que senti no meu corpo.

Senti saudade do teu corpo apoiando o meu, da tua boa próxima a minha. Tentei ir para o canto, mas a cama só parecia aumentar. Esparramei-me, mas, mesmo ocupando todo o espaço, ainda assim pareceu grande. Quis, mais que tudo abraçar teu corpo e beijar-te, intensamente, a boca.

Lembrei-me, então, dos momentos que passamos juntos. Das manhãs que acordamos um ao lado do outro e tentamos ficar assim o resto do dia. Das manhãs que nos separamos, sabendo que estaríamos juntos a noite. Das noites em que deitamos e um serviu de apoio, de aconchego, para o outro.

Não queria que o dia começasse, pois não queria levantar sem teus beijos. Mas levantei. Levantei e me dei conta que, mesmo que não estejas ao meu lado, tu estas comigo. Porque tu sempre estas comigo. Mesmo quando não estas junto, tu estas perto, e é a tua presença, física ou sentida, que me faz levantar todas as manhãs, mesmo quando sei que o dia será difícil.



Kari Mendonça
* O Retorno de Saturno, Detonautas.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ping Pong

Alguém perguntou, e eu adoro responder... Aí vai um meme sugerido pela Cris...
Lá vai!
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1. Nome Completo?
Karina V. de Mendonça
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2. Porque lhe deram esse nome?
Até os nove meses, meu nome era Artur, mas, no dia 24 de janeiro o médico informou que seria uma menina. Minha mãe entrou em pânico, ligou para o meu pai e eles decidiram que seria Mariana. Mas, pouco antes de eu nasceu, minha irmã perguntou, “mãe, o nome dela pode ser Karina?”.
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3. Você faz pedidos às estrelas?
Olho para as estrelas e as contemplo sempre. Mas pedir mesmo, só a Deus, porque eu acho que Ele é o único que pode me ouvir...
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4. Quando foi a última vez que você chorou?
Na última terça, quando me dei conta que sou uma imatura para algumas coisas e chata para outras (não que eu não soubesse), e também por sentir saudade.
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5. Gosta da sua letra?
Não a caligrafia, por isso aprendi a escrever com letra de forma.
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6. Gosta de pão com o que?
Só o pão já é maravilhoso, mas também é bom com manteiga.
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7. Quantos filhos você tem? Como se chamam e quantos anos eles têm?
Por enquanto, nenhum. Pergunta daqui a uns seis anos...
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8. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo?
Depende! Eu sou uma pessoa chata, ou seja, para ser minha amiga, eu precisaria ser uma pessoa com um coração muito grande. (hehehe)
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9. Saltaria de bungee-jump?
Seria a realização de um sonho!!! Sempre que estou em algum lugar alto, fico imaginando como seria pular (calma, eu não tenho tendências suicidas. Imagino como seria pular sem me soltar, entenda bem...).
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10. Desamarra os sapatos antes de tirá-los?
Como só uso all star (de sapato, né? Porque eu vivo de sandália rasteira), então tenho que desamarrar...
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11. Acredita que você seja uma pessoa forte?
Para algumas coisas sim. Para outras não... Exemplos? Não me veio nenhuma na cabeça...
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12. Sorvete favorito?
Já foi chocolate, já foi morando, já foi flocos... Hoje eu nem sei... Ando enjoada de tantas coisas... Sorvete é uma delas.
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13. Vermelho ou Preto?
Depende, para uma camisa, preto. Para as unhas, vermelho.
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14.1 O que menos gosta em você?
A paciência que me falta... Já procurei, juro que já, mas encontrar é difícil...
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14.2 O que mais gosta em você?
Minha boca. Acho o desenho dela fascinante.
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15. De quem você sente saudades?
Das minhas avós. Da minha tia. Das minhas bisavós. Da minha irmã. Do namorado, quando ele ta longe.
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16. Descreva que roupa e calçado esta usando agora:
Um pijama branco com amarelo e uma pantufa lilás com rosa...
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17. Qual foi a ultima coisa que comeu hoje?
Uma fatia de queijo coalho com bolacha e um copo de leite com toddy. (Isso, sem contar os copos de água).
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18. O que você esta escutando agora?
O som da televisão lá longe... E o do teclado... (heheheheh)
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19. A última pessoa com quem falou ao telefone?
Mainha, quando pedi pra ela abrir o portão.
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20. Bebida favorita?
Água, com ou sem gás.
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21. Comida favorita?
Pode ser doce? Ou doce é só sobremesa?
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22. Último filme que viu no cinema e com quem?
"Um faz de conta que acontece", com o namorado.
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23. Dia Favorito do ano?
Um dia que eu esteja feliz.
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24. Inverno ou verão?
Depende. Inverno, pelo filme em baixo do lençol e a panela de brigadeiro. E verão pelo bronze, a piscina, o mar e o sol...
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25. Beijos ou abraços?
Abraços. Penso que beijos sejam para poucos. Não saiu beijando qualquer pessoa, só as que considero muito.
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26. Sobremesa favorita?
Torta alemã...
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27. Que livro está lendo?
No momento, nenhum. Mas vou começar "Estilo Magazine".
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28. O que tem na parede do seu quarto?
Um montão de fotos... A cor "lavanda" e uma estante.
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29. Filmes favoritos?
A casa do lago, Amor sem fronteiras, Um sonho de liberdade, Piratas do Caribe (os três), e mais um montão...
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30. Onde foi lugar o mais longe que você foi?
Serve os pensamentos? Esses me levam pra tão, tão longe... Ah! E os sonhos... Eles também me levam para o inimaginável (e, ás vezes, o "inchegável").
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31. Uma música?
"Big girls don´t cry", Fergie.
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32. Uma Frase?
"A saudade varia com o tamanho do amor", foi o que disseram no velório da minha avó e nunca vou esquecer.
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Gostou? Então responde, oras!
Kari Mendonça

quarta-feira, 11 de março de 2009

Teu silêncio

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O meu coração machuca,
quando não me dizes nada.
Porém, dói mais forte,
quando dizes não ter
nada a me dizer.

É menos doloroso o silêncio,
do que quando tentas me explicá-lo.
Porque talvez o silêncio
não tenha explicação...

Talvez eu queira apenas
ouvir-te um pouco mais.
Mas, se não tens o que me dizer,
não vou mais te pedir para falar...

Se puderes, vem,
e senta ao meu lado.
Vamos tentar, juntos,
contemplar o silêncio,
sem tentar explicá-lo.

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Kari Mendonça

domingo, 8 de março de 2009

Eu também preciso!

Desculpe-me. Definitivamente eu não consigo tirá-lo da cabeça. Não é que eu queira esquecê-lo, veja bem, quero apenas parar, por alguns instantes, de pensar em você. Não por nada, mas é que, ás vezes, penso que deveria pensar menos. Olho-te e vejo o teu dia tão corrido, e acho que não passas cada instante pensando em mim, visto que tens que fazer tantas contas e se preocupar com tantas coisas...Não é que me faça mal, claro que não. Mas, por algum motivo, já tentei de tudo, mas foi em vão. Tentei atarefar o meu dia em quase todas as horas, mas, no segundo que parei para respirar, só em você consegui pensar. Tentei passar a manhã inteira dormindo, mas você me invadiu até os sonhos. Tentei não pensar em nada e apenas ouvir o silêncio, mas até o teu silêncio eu não consegui esquecer. Tentei chegar cedo à aula, para encontrar umas amigas e conversar besteiras, mas uma delas estava cantando justo a música que você gosta. Tentei me esconder sob os lençóis, mas o teu cheiro ainda estava neles. Tentei ler um livro, mas acabei abrindo aquele com as tuas anotações. Tentei ouvir uma música para me distrair, mas ouvi logo a música que você me disse para escutar, certa noite. Tentei sair com o carro, sem destino, mas o rapaz que atravessou a rua tinha olhos da cor dos teus. Tentei esquecer coisas que você me disse, mas só lembrei-me da frase "eu preciso de você". E foi aí que eu percebi que não adianta tentar te esquecer, por um minuto sequer, porque você já faz parte de mim e, se eu tentar te esquecer, acabarei esquecendo do meu ser. E eu não quero me perder. Não quero voltar a ser como era, quanto não estavas por perto. Afinal, quando você apareceu, os meus pensamentos passaram a ser só teus. E não adianta o quanto eu tente atarefar o dia ou deixá-lo passar, você sempre vai estar comigo, me seguindo aonde for. Porque, afinal, eu também preciso de você. .
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Kari Mendonça
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P.S.: Adoro as várias formas como diferentes pessoas interpretam uma mesma obra. Entretanto, aqueles que interpretaram que houve anulação pessoal, simplesmente por "precisar de outro alguém", leiam, por favor, algo que escrevi a pouco mais de um ano, "Meu! Minha!". E, se não tiver tempo, fica aqui o trecho de um livro que gosto muito, O pequeno príncipe:
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"- Que quer dizer 'cativar'? Disse o principezinho.
- Significa 'criar laços'...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade do outro. Serás pra mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo."

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres e suas lágrimas...

Provavelmente você já deve ter percebido que as mulheres choram inúmeras vezes mais que os homens. E isso é um fato. Para alguns a explicação se resume ao corpo feminino e seus hormônios, para outros, a explicação é mais simples: as mulheres choram para mostrar aos homens que não estão bem. Há quem ache machista, mas, pense comigo em quantas vezes você estava calada, cabisbaixa, meio triste e ele sequer perguntou se você estava realmente bem?

Algumas amigas chegam até mim para conversar (dizem que sou uma boa ouvinte) e, não foram poucas as vezes que as ouvi (sim, foram várias diferentes) reclamando que eles nunca ligam quando elas não estão bem. E, depois que comecei um relacionamento, percebi elas estão certas. Os homens, ou se fazem de desentendidos (acho que não), ou são muito egoístas (alguns) ou realmente são uns idiotas (a maioria).

Que fique claro que, em chamá-los de idiotas eu não quis ser nem um pouco preconceituosa, é que, quando chamei de idiota, me referi ao fato de não conseguirem ler todos os sinais que enviamos. E, na verdade, isso nem é tanto culpa deles. Já li uma reportagem (na revista NOVA) que eles, de fato, teem certa deficiência no cérebro (digo deficiência porque desconheço os termos técnicos, mas, em outras palavras, eles usam menos um dos lados do cérebro).

Então, com o tempo (e a evolução da espécie), nós mulheres, começamos a perceber que todos os sinais não nos levariam a lugar nenhum. Foi aí que a lágrima passou a ser usada como uma arma. Sim! Uma arma para atrair a atenção dos homens e seus cuidados (e, claro, muito carinho e um pouco de dengo). Repare que, quando uma mulher chora, o homem (a maioria) entra em desespero.

Ele nunca sabe o que fazer e nem como agir. Então, para ajudá-los aqui vai uma dica: não precisa dizer nada, só dá um abraço bem forte e pergunta o que nos está aperriando. É claro que, com o abraço, ficamos tão emocionadas que choramos ainda mais, mas, é também o abraço que nos acalma aos poucos. Portanto, homens: tenham paciência quando estiverem nos consolando.

O caso é que, não vale chorar todas às vezes, é por isso que também as mulheres discutem mais. Porque elas sempre querem esclarecer. Afinal, não tem nada pior do que não está bem e ter que fingir que está. Mas é fato que nem sempre queremos dizer que não estamos bem, queremos, ás vezes, ficar na nossa. Porém, se damos algum sinal de que não estamos bem, é porque estamos com alguém que confiamos e gostariamos muito de ser questionadas se está tudo realmente bem ou não.
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Complicadas? Sim, as mulheres talvez sejam. Mas, veja bem, pode ser culpa dos hormônios. Portanto, não critiquem as nossas atitudes. Os homens têm 70% de culpa na maneira como agimos. E, como eu já disse, não é nem tanto culpa deles, é culpa do lado do cérebro que eles deixam de usar. Enfim, tudo isso foram apenas reflexões que surgiram em alguém que está com tpm, que só queria um ombro para chorar, mas, pela falta dele, resolveu sentar e escrever...



Kari Mendonça

terça-feira, 3 de março de 2009

"Complicada e perfeitinha" *

Não faz muito tempo, mas cheguei à conclusão que, quando se está angustiado, triste ou se sentindo pra baixo, não vale a pena conversar com ninguém. É verdade. As pessoas nunca vão entender o que você está sentindo, porque eles sempre olharão de uma forma diferente e você vai ter que ouvir algo como, "não é tão grave assim", ou "você está fazendo uma tempestade num copo d´água".

Oras, talvez eu realmente esteja fazendo tal tempestade, mas deixa cair os meus raios e trovões. Deixem-me chorar as minhas angústias pensando que são as piores do mundo, mesmo sabendo que podem não ser nada comprado a tantas outras. Deixem que eu tenha meus momentos, mesmo que seja aquele em que eu me sinto a pior criatura da face da terra.

Se você faz alguma reclamação da vida ou com a vida, as pessoas olham pra você e dizem sempre que você não está se esforçando. Que poderia procurar mais, correr mais, buscar mais, fazer melhor etc. O que eles não sabem é que talvez eu esteja sim dando o máximo de mim e indo a luta com todas as minhas forças, mas eu simplesmente não consigo sair do canto. E não é por falta de corrida.

Já reparei que, de fato, a minha vida (assim como a de todos, acredito), é realmente vivida em fases e pior, dá voltas. Sim, voltas, daquelas que, vez ou outra nos encontramos naquele mesmo ponto. Há fases em que estou ótima, onde tudo me satisfaz, me alegra, me ajuda... Já em outra fase, eu fico completamente desestimulada com tudo a minha volta. Eu acho que nunca vou conseguir nada ou nunca vou sair do canto...

E por assim vão as minhas fases. Algumas delas passam e não voltam, como a fase em que eu só andava de batom preto e cabelo colorido (graças a Deus que não volta), outras, no entanto, voltam sempre depois de um longo (ou nem tão longo) ciclo. E, assim como a menstruação, eu penso “vai passar. Mais uns dias e acaba.” Entretanto, enquanto não acaba, eu me entrego.

O problema maior (sim, o dos últimos dias) é que me dei conta de que, as pessoas a minha volta não sabem que é uma fase. E não sabem que vai passar (apesar de sempre me dizerem que vai). O caso é que eu percebi que as pessoas cansam. E eu resolvi que não vou mais cansá-las com as minhas angústias e lamentações. Porque elas não precisam ouvir todos os dias eu falando as mesmas coisas.

Assim como eu canso, acontece com elas também. E, depois de algumas lamentações e várias lágrimas, eu fiquei com medo (mais ainda) de que, ao cansar de me ouvirem reclamar da vida, elas resolvessem que não dava mais para conviver comigo (apesar de que, elas não sabem que o problema não sou e, e sim a minha fase).
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Então, como não estou disposta a deixar esse momento (infernal, diga-se de passagem), destruir a minha vida, eu resolvi não mais conversar com ninguém sobre o que eu sinto, penso ou quero (ou deixo de querer) nesses últimos tempos. Pra falar a verdade, foi tudo isso que me manteve afasta por longos (e quase eternos) dias daqui (fora uns probleminhas de saúde que já foram resolvidos).
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E, também foi uma dessas fases que me fizeram criar o blog... Sim! E é engraçado reler algumas coisas que escrevi. Lendo, dá pra perceber que passo épocas escrevendo coisas lindas... E outras épocas escrevendo coisas mórbidas... Há épocas que só faço reclamar e várias outras coisas...
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Afinal, a vida é feita de fases e eu estou passando por apenas, mais uma delas...



Kari Mendonça
*Trecho da música "Mulher de fases", Raimundos.