segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um dia de saudade

Acordou tarde. Havia dormido em meio às lágrimas. Seus olhos estavam inchados. Por tantas vezes conseguia ser forte, mas em alguns dias era impossível... Há um tempo já havia aprendido a viver e conviver com a saudade. Com aquela ausência. Com aquele jeito como as coisas aconteciam. Sabia viver com aquilo, sabia mesmo. Mas, havia dias em que não conseguia se controlar, e neles, acabava sempre dormindo entre as lágrimas.

Não eram dias frequentes, mas, quando chegavam, machucavam como qualquer saudade machuca. Naquela manhã, com os olhos inchados e o rosto denunciando uma noite mal dormida, quis que tudo estivesse como antes. Mas não estava. A saudade ainda estava forte, machucando um pouco. Queria estar perto. Queria dizer coisas que só podem ser ditas olhando nos olhos. Queria um abraço forte e caloroso.

Nos últimos meses, e devido aos acontecimentos que se seguiram, a saudade estava mais difícil de suportar. Não era mais como antes, quando ainda não sabia exatamente como era nos “intervalos” da saudade. Sim! Porque ela havia lido, em algum lugar, que a saudade não tinha fim, tinha apenas intervalos. E não via a hora do intervalo chegar logo. Queria que o tempo corresse. Que os dias passassem.

Mas não havia muito que pudesse fazer. O tempo não ia mudar seu curso só porque ela estava sentindo saudades. Afinal, quantas outras pessoas no mundo também não estavam sentindo aquilo? Sabe... Era nesses momentos que ela tinha vontade de largar tudo e correr para longe dessa saudade. Mas, não podia... Tinha apenas que esperar os dias passarem calmamente... Deixar as lágrimas correrem, vez ou outra. E esperar o momento do abraço.



Kari Mendonça

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Milagres acontecem por aí...

Eu tentei escrever algumas coisas. Mas apaguei a maioria delas. Nenhuma conseguia descrever o quanto você me faz bem, tanto quanto essa música. Há alguns dias ela está na minha cabeça e, a cada frase que me vinha para escrever, junto vinha o pensamento, "milagres acontecem por aí...". E, eu só queria que você soubesse que você é o melhor e maior milagre que poderia me acontecer. E você me fez perceber que eu não tenho tantos motivos para chorar, quanto eu julguei ter, afinal, eu já tenho você, preciso mais do quê?

Obrigada, meu bem, por ser assim, tão especial pra mim!


Kari Mendonça

Sim! Blog novinho!!! Porque ele me disse que precisava de cores. Cores vivas. E eu percebi que ele tinha razão... Espero que gostem.... Beijos

sábado, 18 de abril de 2009

Cansei!

Sabe, eu cansei. Cansei de um bocado de coisas. Coisas das quais eu não deveria cansar, mas, de repente (ou nem tão de repente assim), eu cansei. Cansei de pessoas que só chegam junto de mim para reclamar. Reclamar da vida, das coisas, e, principalmente, das pessoas. Ora essa! Ninguém é igual a ninguém e você tem que aprender a respeitar o jeito de cada um. Não tem solução? Então se afasta, mas não fica reclamando o tempo inteiro que cansa...

Cansei também de perceber que esse mundo está cada vez mais perdido. É mãe que mata filho, e marido, e sogra. É filho que mata mãe, pai. É pai que mata filho. É neto matando avó. É um desconhecido matando outro por pura diversão. É um louco que sai de casa para matar um monte de estudantes, só porque queria se matar e não teve coragem. É tanta matança que não só cansa, mas entristece.

Cansei de esperar que façam por mim o que eu estou disposta a fazer pelas pessoas. Sabe o que é passar tanto tempo cultivando uma amizade, fazendo de tudo pela pessoa, para ela passar por você na rua (ou dentro da sua casa – sim, acredite) e simplesmente te ignorar? Eu cansei de me dedicar a pessoas que não me dão valor e que não se preocupam comigo. E não, não é uma atitude egoísta, mas é que, uma relação tem que ser recíproca.

Cansei de dizer as pessoas que cigarro mata. Fumante é sem noção (sim, todos eles). E pior é que, quando eu peço que parem, não é por eles, mas por mim, afinal, o meu organismo não é programado para receber aquilo numa boa. Mas, eles são tão sem noção que não se importam se eu morrer ali ao lado, eles “precisam” fumar, mesmo que aquilo os mate. E eu cansei também se sentir esse cheiro insuportável que o cigarro tempo.

Cansei de querer e sonhar com alguns milagres, quando deveria saber que certas coisas não acontecem comigo. Cansei de querer que a vida passe mais depressa, que o tempo corra e que o futuro chegue logo. Não adianta, o relógio não vai passar mais rápido só porque eu quero uma vida diferente e mais evoluída. Cansei também de sonhar tanto com algo que não faço a menor ideia de quando vai acontecer. Algo me diz que está muito longe de ser possível.

Cansei de sentir saudade de pessoas que nunca voltarão. De quem nunca mais poderia ver e, dessa forma, a minha saudade vai aumentar. Cansei de querer que momentos voltassem. Que as reuniões da família fossem as mesmas, de sentarmos todos na cadeira e brincarmos como antes. Cansei de perceber que a vida me tornou "adulta" e que por isso tantas coisas e pessoas mudaram ao meu redor.

Cansei de sonhar tanto, de querer tanto. De desejar o impossível, e de querer o improvável. Cansei de fazer planos que nunca sairão do papel e de contar a todo mundo o que eu quero pra mim. Cansei de ouvir as pessoas me dizerem que sou nova, que tenho uma vida pela frente e que eu tenho tempo para tudo. Cansei de ouvir as pessoas dando "pitaco" na minha vida. Cansei das pessoas, principalmente, mas cansei de tantas coisas também, que chegam a me deixar cansada em relatar tudo isso...



Kari Mendonça

sábado, 11 de abril de 2009

Ela era uma sonhadora...

Maria levava uma vida simples. Sem luxo, e sem grandes expectativas. Sempre teve sonhos, dos mais variados, mas sempre soube que nem todos poderiam ser realizados. Era uma sonhadora, mas não sabia se isso era bom ou ruim. Chegava a passar noites sonhando o que faria se recebesse, por exemplo, aquele dinheiro da Mega Sena. Os planos eram tantos... E os detalhes também.

Imaginava ser como aquele ex. carroceiro que é hoje dono de um grande império. Queria vencer na vida e provar a todos que duvidaram que ela fosse capaz. Mas ás vezes, no entanto, nem ela sabia se, de fato, era capaz de conseguir tudo aquilo. Ou tudo o que não fosse tão extravagante. Maria não sonhava o tempo inteiro, apesar de sonhar muito. E, o mais importante, ela sabia a hora de parar.

Havia dias em que acordava tão triste e desiludida. Não queria levantar da cama e se deparar com aquele monte de nada que tinha para fazer. Via o tempo passar, os meses... E não via as coisas acontecerem. Há tanto tempo parecia se sentir preparada para a vida adulta, mas a vida não parecia muito disposta a deixá-la crescer e agir como “gente grande”. A maioria das pessoas não acreditava nela. E quando ela dizia que estava sim tentando e procurando, eles a olhavam de lado.

E certos olhares a faziam se sentir tão mal. Alguns comentários também. Certa vez, um amigo chegou triste e foi conversar. Falou o quanto estava desiludido, a procura de algo e, quando ela disse que também se sentia assim, ele comentou, “é, mas tu não queres de verdade.”. E aquilo foi como um punhal em seu peito. Ela queria e procurava, ela apenas não conseguia. Mas as pessoas sempre tinham algo a dizer. Algo que, nem sempre, ajudava.

E, aquele domingo, era um daqueles dias. Passou a manhã inteira na cama. Não estava dormindo, mas não queria acordar. Ficou deitada, pensando em inúmeras coisas, sonhando com outras e, ás vezes, cochilando. Não queria que o dia começasse, por isso tardou o quando pode. Não queria se deparar com “tudo”. Aquele era um dos dias em que ela achava que tudo daria errado. Não no dia em si, mas em toda a sua vida.

Quando acordou, não ainda definitivamente, lembrou que era dia sete de março. “Meu Deus, já estamos em março e eu ainda nem sai do canto!”, pensou com dor na alma e lágrimas nos olhos. Como poderia, daqui a um ano e meio, fazer o que tanto queria? Como poderia fazer aqueles planos? Sim! Algumas das coisas não eram apenas sonhos, eram planos. Queria uma família, uma casa. Queria alguém especial ao seu lado.

E, por mais que ela insistisse em fazer planos, ainda assim, tudo parecia tão distante. Queria se convencer de que tudo ficaria bem, mas não podia, não tinha certeza para convencer nem a si mesma. É verdade que ela achou que algumas coisas seriam mais fáceis, mas nunca imaginou que pudessem ser tão difíceis. Havia quem lhe dissesse para ter fé. Maria tinha fé. Mas, nem por isso, deixa de se sentir triste alguns dias.

Tanto tardou para o dia começar, e tão logo ela quis que ele acabasse. Não gostava de se sentir daquele jeito. Preferia os dias em que acordava sorrindo, e sabendo que tudo daria certo. Que tudo aconteceria como planejado e que todas as coisas seguiriam seu tão sonhado rumo. Mas, aquele domingo, definitivamente, não era um daqueles dias...



Kari Mendonça

quarta-feira, 8 de abril de 2009

E "se" ...?

Há coisas na vida que devemos simplesmente esquecer. Algumas delas, no entanto, não saem da nossa cabeça e ficam, por anos, martelando e nos martirizando. Talvez seja imaturidade ficar pensando nos "se" da vida, mas talvez seja também impossível esquecer alguns deles. E claro, quando nos deparamos com alguma dificuldade, aí sim, vem àquela frase: "mas e se...".

E se você tivesse ido embora antes do amanhecer? E se ela tivesse ligado? E se ele tivesse cumprido todas as promessas que fez? E se não tivesse chovido naquela tarde? E se ela não tivesse morrido? E se você tivesse se esforçado um pouco mais? E se tivesse tentando mais uma vez? E se não tivesse sido tão fria? E se ela tivesse lhe dado aquele carro? E se ela não tivesse lhe dado?

São perguntas sem resposta. Talvez porque, quem poderia responder já não pode mais, ou simplesmente, porque ninguém nunca pode responder se não o tempo. Ah o tempo! Além de curar feridas (para alguns, apenas), ainda é capaz de responder questões... Ou não. Ele apenas responde como foi sem aquele "se", o resto fica pela imaginação. E é aí onde o bicho pega, quando entra a tal da imaginação na história.

Afinal, todas aquelas perguntas são respondidas pelo imaginário. Quando você pergunta, por exemplo, se tivesse ganhado um carro, você começa a responder que, se tivesse aquele carro, poderia vendê-lo, juntar o dinheiro para algo maior em sua vida. Poderia com ele fazer tantas coisas... E é quando a ficha cai que a dor aumenta. Porque você percebe que não ganhou e que, por isso, nada daquilo que seria feito parece possível.

Outras situações são ainda mais difíceis e dolorosas de se perguntar. É quando você pensa, "e se ela não tivesse morrido?" E então vem a resposta que, se ela ainda estivesse aqui, ele não estaria com outra pessoa (ou estaria?), todas as brigas não teriam acontecido (ou teriam?), o muro não teria sido derrubado e nem estaríamos onde estamos agora. Viu como é tudo parece complicado? E é tudo culpa de um "simples" "se". Maldito "se"!

Sinceramente? Eu não acredito que exista alguém que nunca, em momento algum, pensou num "se" que fosse... Tudo bem que não devemos deixar de viver por causa deles, mas é inevitável não pensar. Como já foi dito, pensamos mais quando a coisa aperta. Mas sabe... Não podemos deixar que isso tome conta das nossas vidas. Temos que seguir em frente, tentando pensar que "se" aquilo tivesse acontecido, aquilo outro (sendo algo bom), poderia não estar com você.

Complicado? Não tanto. É só pensar que, para a vida, existe um rumo. Rumo esse, pelo qual você não é completamente responsável (é o que alguns chamam de destino, mas eu prefiro chamar de predestinação). Ou seja, se as coisas não podem voltar atrás, não adianta ficar remoendo o que passou. Cabeça pra cima, pensamento de que tudo vai melhorar e olhos num futuro bom. Pelo menos, é isso que venho tentando fazer...



Kari Mendonça

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Saudade de você

Era o fim da tarde daquele dia. Eu já estava pronta, como você pediu. Havia acabado de arrumar os últimos detalhes, quando fui para o terraço pendurar a toalha. Deparei-me com um sol maravilhoso (não forte, apenas bonito), um vento gostoso e uma sensação de bem estar. Percebi o que eu já sabia, o quão bem esse teu canto me faz. Fiquei, por alguns minutos, ali. Sentido o clima. O Sol. O vento. E esperando você chegar.

Quis que você chegasse logo, para fazer parte daquele momento comigo. Mas você não chegou. E eu ainda precisava arrumar algo mais. Ou pensava precisar. Entrei em casa e, não demorou nada, você chegou. Recebi-o com um beijo e um abraço forte. Dediquei alguns minutos com o abraço, pois sabia que sentiria falta. Arrumamos as coisas, saímos, eu voltei pra casa. A vida seguiu. Mas aqueles instantes não me saíram da cabeça.

Sempre que é fim de tarde, eu me lembro daquela tarde. Sempre que sinto o calor o Sol, lembro-me daquele sentimento. Sempre que sinto uma brisa, um vento... Lembro daquela sensação. E sinto saudade. Saudade de apertar a alma. Saudade de fazer sorrir do nada, olhando para o nada. Saudade de estar no terraço, na varanda, ou onde for, te esperando chegar. Saudade de te receber com um abraço e tantos beijos...

É tanta a saudade que sinto que não cabem em palavras. É saudade dos momentos que estivemos juntos. Das sensações que você me causa. Dos sentimentos. É tanta saudade, que sinto até saudade do que ainda vamos viver. Porque, meu bem, quando eu não estou com você, tenha certeza: eu estou morrendo de saudade de você.


Kari Mendonça

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Hoje eu avistei a lua. E fiquei a pensar...

Hoje eu avistei a lua. Estava tão bonita. Parecia um sorriso, meio de lado. Aquele amarelão partido ao meio, brilhante. O céu estava azul escuro, cor de céu à noite, com a pequena claridade recebida pela lua. As estrelas estavam lá. Há quanto tempo que eu não via as estrelas! Mas elas estavam lá, hoje. E na outra noite também. Estavam brilhando. Não tanto como a lua, mas estavam diferentes.

Na outra noite, inclusive, parei, por alguns instantes, para apreciar aquele céu. Aquele, parecido com o de hoje, mas com a lua um pouco menor, e, portanto, com menos claridade. Ah! Quantas vezes estamos tão ocupados que não paramos para apreciar o céu? O céu é uma das coisas mais belas no mundo e, com certeza, a maior e mais brilhante. O céu é quase uma terapia. Sim! Eu gosto de terapias. Mas não da convencional.

Não gosto da idéia de sentar e falar com alguém (desculpa Lili, mas não me sinto a vontade). Prefiro a idéia de terapia em tantas outras coisas. A aula de pintura, da terça-feira, por exemplo, minha mãe sempre disse que era sua terapia, e hoje percebo que ela tinha razão. Agora, é como se fizéssemos terapia juntas. Também gosto da ideia de escrever num blog. Acalma como ninguém.

Conversar com as amigas, na mesa do MC Donald´s também é uma terapia boa, ou pode ser, num barzinho, tanto faz. Mas enfim, de todas as terapias, a do céu é a melhor que existe. Já deitou no meio da grama, numa noite bonita? É tão gostoso... Tão reconfortante. Ou não precisa ser na grama, pode ser no chão, ou na janela, tanto faz, o importante é parar para olhar o céu e só ele.

É como se a mente saísse de você e fosse até lá em cima. Você pensa em tantas coisas e em nada ao mesmo tempo. Ah! Sentir a brisa da noite também é algo magnífico. A noite traz uma sensação tão boa, ao menos para mim. É uma sensação de liberdade, de bem estar. A noite é mais agradável, mais silenciosa, mais bonita. Quer dizer, é fato que um dia ensolarado é brilhante (em todos os sentidos), mas não há dia como a noite.

O céu continua bonito. Há poucas nuvens por lá. Há inúmeras estrelas brilhantes. E há uma lua linda. E, mesmo não estando lá fora há algum tempo, eu não paro de pensar em tudo que vi essa noite. E na outra noite também. É que... É tanta beleza que fica difícil esquecer. É tanta beleza que não consigo não pensar em que não pode mais olhar o céu ao meu lado. Ou em quem até pode olhar, mas não ao meu lado.

Está muito ocupado agora? Então para tudo e vai olhar a noite... Verás que não é tempo perdido. É tempo precioso. É tempo sagrado. Afinal, acredito que não existe algo mais sagrado do que o céu. Lá, ao menos, o homem nunca conseguiu meter a mão para modificar ou tirar de lugar...


Kari Mendonça