quarta-feira, 8 de abril de 2009

E "se" ...?

Há coisas na vida que devemos simplesmente esquecer. Algumas delas, no entanto, não saem da nossa cabeça e ficam, por anos, martelando e nos martirizando. Talvez seja imaturidade ficar pensando nos "se" da vida, mas talvez seja também impossível esquecer alguns deles. E claro, quando nos deparamos com alguma dificuldade, aí sim, vem àquela frase: "mas e se...".

E se você tivesse ido embora antes do amanhecer? E se ela tivesse ligado? E se ele tivesse cumprido todas as promessas que fez? E se não tivesse chovido naquela tarde? E se ela não tivesse morrido? E se você tivesse se esforçado um pouco mais? E se tivesse tentando mais uma vez? E se não tivesse sido tão fria? E se ela tivesse lhe dado aquele carro? E se ela não tivesse lhe dado?

São perguntas sem resposta. Talvez porque, quem poderia responder já não pode mais, ou simplesmente, porque ninguém nunca pode responder se não o tempo. Ah o tempo! Além de curar feridas (para alguns, apenas), ainda é capaz de responder questões... Ou não. Ele apenas responde como foi sem aquele "se", o resto fica pela imaginação. E é aí onde o bicho pega, quando entra a tal da imaginação na história.

Afinal, todas aquelas perguntas são respondidas pelo imaginário. Quando você pergunta, por exemplo, se tivesse ganhado um carro, você começa a responder que, se tivesse aquele carro, poderia vendê-lo, juntar o dinheiro para algo maior em sua vida. Poderia com ele fazer tantas coisas... E é quando a ficha cai que a dor aumenta. Porque você percebe que não ganhou e que, por isso, nada daquilo que seria feito parece possível.

Outras situações são ainda mais difíceis e dolorosas de se perguntar. É quando você pensa, "e se ela não tivesse morrido?" E então vem a resposta que, se ela ainda estivesse aqui, ele não estaria com outra pessoa (ou estaria?), todas as brigas não teriam acontecido (ou teriam?), o muro não teria sido derrubado e nem estaríamos onde estamos agora. Viu como é tudo parece complicado? E é tudo culpa de um "simples" "se". Maldito "se"!

Sinceramente? Eu não acredito que exista alguém que nunca, em momento algum, pensou num "se" que fosse... Tudo bem que não devemos deixar de viver por causa deles, mas é inevitável não pensar. Como já foi dito, pensamos mais quando a coisa aperta. Mas sabe... Não podemos deixar que isso tome conta das nossas vidas. Temos que seguir em frente, tentando pensar que "se" aquilo tivesse acontecido, aquilo outro (sendo algo bom), poderia não estar com você.

Complicado? Não tanto. É só pensar que, para a vida, existe um rumo. Rumo esse, pelo qual você não é completamente responsável (é o que alguns chamam de destino, mas eu prefiro chamar de predestinação). Ou seja, se as coisas não podem voltar atrás, não adianta ficar remoendo o que passou. Cabeça pra cima, pensamento de que tudo vai melhorar e olhos num futuro bom. Pelo menos, é isso que venho tentando fazer...



Kari Mendonça

7 comentários:

Fernanda disse...

dizem que tudo na vida tem um por que..mas essa frase ' e se...' sempre surge em meus pensamentos...

Cadinho RoCo disse...

Entendo haver a pertinência de não nos dedicarmos tanto ao futuro e mais ao presente para que não fiquemos expostos ao excesso das expectativas.
Cadinho RoCo

Gabriela Magnani disse...

Te admiro muito Kari!

C. disse...

Essa pergunta vem sempre vislumbrando possibilidades, analisando reações, imaginando soluções...
Somos um poço de ansiedade, isso sim.
Coincidência Karitia, hoje mesmo de manha tava conversando exatamente sobre isso...

Beijoca

*Lusinha* disse...

Ah, com certeza Kari, pelo menos às vezes nos fazemos a pergunta do "e se"... E não tem jeito, acho que é inevitável imaginar como teria sido se tivéssemos escolhido o caminho da direita em vez do da esquerda...
Só acho que tem gente que vive demais pensando nos "e se" e deixa de aproveitar os benefícios do caminho que escolheu...
Bjitos!

meus instantes e momentos disse...

ótimo post. Parabens pelo blog. Bem escritom inteligente, godstei daqui....
Maurizio

Jaya disse...

Minha vida seria outra, SE eu soubesse dizer "eu te amo".

Seria, Kari.

Teu texto é doce e real. Verdadeiro.

OBRIGADA por dividi-lo.

:*