segunda-feira, 29 de junho de 2009

Andrea foi embora.

Oi Mãe, oi Pai.

Não queria que as coisas fossem assim, mas não tinha outro jeito. Eu tive que ir embora. E antes que pensem, vocês não vão encontrar o meu corpo no banheiro e nem adianta olhar pela janela. Há essa hora, já devo estar bem longe, e não adianta correr pela vizinhança. Eu não fui para casa de nenhuma amiga e nem para a casa dos pais do Marcelo. Eu realmente fui embora. Estou a caminho de Florianópolis e, de lá, seguirei para Chapecó.

O celular, eu não levei e peço que me desculpem, mas eu realmente preciso de um tempo sozinha. Assim que as coisas se ajeitarem, eu mando notícias, não se preocupem. Sei que vocês devem estar preocupados, com raiva e, acima de tudo, decepcionados, mas eu espero que, de alguma forma, vocês me entendam. Não dá para seguir em frente estando aí. Dói demais olhar esse quarto, andar pelas ruas. A cada restaurante que vou, tenho uma lembrança e a saudade aperta e a dor não vai embora nunca.

É difícil entender, mas, para vocês, o Marcelo era apenas “um bom rapaz”, mas para mim, ele era muito mais que isso. Eu planejei toda a minha vida ao lado dele. E no dia que ele me deu aquela aliança, eu sabia que só poderia ser feliz ao lado dele. E juntos fizemos planos e sonhamos. Fizemos projetos e estávamos caminhando para que tudo corresse bem. Ah! Eu ainda não tinha lhes falado, mas, naquela semana, nós havíamos ido olhar apartamentos, e chegamos até a escolher um.

Nos últimos cinco anos, cada vez que eu pensei em um filho, era o Marcelo que eu via como pai, como meu companheiro. Ele era mais que um noivo e futuro marido, Mãe. Ele era o meu melhor amigo, meu comparsa, meu amante. Eu costumava dizer que ele era meu anjo da guarda. Será que esse foi meu erro? Bom, agora eu tenho certeza que ele é o meu anjo da guarda, mais que nunca. E, de alguma forma, ele está olhando por mim lá de cima. Mas sabe, saber disso não é suficiente para seguir a vida.

O Marcelo me entendia como ninguém. E Pai, ele sempre te dava razão nas nossas brigas, sabia? E me fazia repensar em tudo que eu havia dito. Ele tinha um carinho sem tamanho por vocês e não havia uma única vez que ele não perguntasse de vocês. Eu o amo muito e espero que vocês nunca duvidem disso. E o amarei eternamente, mesmo sabendo que um dia estarei com outro alguém ao meu lado. Viram? Eu não estou tão mal quanto vocês pensam. Eu sei que a vida vai continuar, e que vou aprender a viver sem ele.

Mas é que não dá para fazer isso estando aí. Nessa cama, em que chorei tantas vezes em seus braços. Ou na rua, onde sempre íamos comprar o pão. Ou naquele shopping que costumávamos ir nas noites de sexta-feira. Tudo me lembra o Marcelo nessa cidade. E se passo por um restaurante que sequer conheço, lembro que ele prometeu me levar lá. Imagina eu ir lá com outra pessoa? Não seria justo. E foi por tudo isso, e por precisar seguir em frente, da minha maneira, que eu estou indo para Chapecó.

Quanto a questão de sobrevivência, não se preocupem. Já mandei currículos para vários lugares e até tenho uma entrevista marcada. Não pensem que essa foi uma decisão de última hora ou coisa impensada. Eu e o Marcelo tínhamos uma poupança juntos e sempre conversamos que, caso acontecesse algo com um de nós, o outro deveria usar o dinheiro para começar do zero. E, para falar a verdade, até procuramos no mapa, numa brincadeira, um lugar para onde iríamos sozinhos.

O Marcelo, com os olhos fechados, escolheu Chapecó. Na minha vez de escolher, a mãe dele nos chamou para jantar. Por isso, esse foi o destino escolhido. É onde o Marcelo começaria do zero, que eu resolvi recomeçar. Eu nunca vou esquecê-lo, porque ele sempre vai ser o amor da minha vida. Mas eu espero que vocês entendam que eu preciso de um tempo para aceitar tudo o que aconteceu nos últimos meses.

Ligarei em breve, não se preocupem. Amo muito vocês e espero, de verdade, que vocês me compreendam.
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,Beijos, Andrea.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pensamentos sobre a morte...

Já faz alguns dias que venho pensando sobre a morte. A maior causa foi uma vontade súbita que tive de ir visitar uma tia, até me lembrar que ela não estava em casa e que eu não poderia vê-la de outra forma, se não pelas fotos. O peito apertou e a saudade voltou com força. Lembrei de todos os que me fazem falta e eu não posso ir visitá-los. E comecei a pensar nas consequências da morte e, mais uma vez, lembrei da música do Leoni (sim, sempre ele).

A frase que diz que o pior é pensar que aquela dor vai cicatrizar, martela na minha cabeça com uma intensidade sem tamanho. E me revolta, ás vezes. Quando perdemos alguém, é uma dor imensa, uma saudade forte e uma desilusão. Tudo o que queremos é parar e não seguir, não sem aquela presença na nossa vida. É difícil imaginar a vida sem aquelas avós ou aquele tio, aquela tia... Muitos sofrem conosco, e todos seguimos, apesar da dor.

Ás vezes eu percebo que as pessoas realmente seguiram a vida e eu me pergunto se elas não sentem falta. Quanta injustiça a minha! Afinal, eu também segui, mesmo com a falta. Ás vezes me questiono se as coisas estariam onde estão se aquelas pessoas estivessem vivas e percebo que não, que as coisas (todas elas, na verdade), não estariam assim. Pessoas não existiriam, outras não teriam ido para longe, casamentos não teriam acontecido...

E é até sem querer que eu fico tentando fazer um paralelo e tentando imaginar se tudo estaria melhor com aquela pessoa ao meu lado. Pergunto-me também, como seria se não tivéssemos seguido em frente, mas percebo que não há como imaginar tudo isso. Seguimos em frente e isso é fato. As coisas mudaram e seguiram outros rumos e isso também é um fato. A saudade estará sempre presente na vida de quem fez parte daquele que se foi, mas a vida não para.

Quando me dei conta de que não poderia visitar a minha tia, lembrei-me de quando acordei na sua casa, e era dia do meu aniversário. Ela havia ido até o supermercado e trouxe um bolo para comemorar. E foi naquele momento que eu pensei que não queria ter seguido em frente. Não sem as coisas que perdi. Não queria ter seguido sem aquele bolo no aniversário ou sem aquele abraço tão forte que ela sempre me dava.

Não queria seguir em frente, sem dormir na rede amarela da minha avó, ouvindo-a cantar "oh! Lua branca de fulgores...". Ou sem o bolinho de fubá e o pão com queijo "de copo". Não queria seguir sem os abraços da minha outra avó, sem sua risada e seus comentários sempre engraçados ou irônicos. Não sem aquela peruca engraçada que meu tio usava para contar as piadas com duplo sentido que eu nunca entendia.

Eu não queria ter seguido em frente sem eles. Mas a vida não para enquanto ainda se está vivo. E eu segui em frente. E as pessoas ao redor também. E aquela dor intensa cicatrizou, diminuiu, mas nunca vai acabar. E a morte... Ah! A morte! Essa, ainda vai me fazer pensar muito...



Kari Mendonça

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Três anos e um monte de coisas...

Final de semestre é sempre turbulento. Quando o computador quebra, dificulta tudo. E quando mistura o computador quebrado e o final do semestre, não tem quem aguente. E foi por esses motivos que deixei um dia tão especial passar em branco. Há três anos o dia 13 de junho foi especial pra mim, pois nasceu esse blogue. E além de me ajudar imensamente com os desabafos, ele também me trouxe presentes maravilhosos e pessoas mais que especiais.

Creio que já devo ter comentado isso em alguns dos outros aniversários, mais o blogue surgiu de um momento de angústia. O texto publicado no dia 13/06, "De luto pelo meu Brasil", foi, na verdade, escrito no dia 07 e publicado no meu extinto fotolog. Lembro bem que estava na aula de História Geral quando resolvi escrevê-lo. Ás lágrimas quase me caíram dos olhos e a desilusão era tremenda.

Era tristeza pelo Brasil. Tristeza essa que só aumenta. É um luto que não acaba mais. Mas é uma vontade de querer tudo diferente que é ainda maior que tudo isso. Eu ainda não consigo aceitar muitas das coisas que eu vejo por aí e esse ainda não é o país que eu quero pra mim, sabe? Mas, como eu disse no ano passado, ainda é o meu país e é por isso que eu continuo aqui, disposta a fazer alguma coisa.

Para começar, que tipo de políticos são esses? Que sequer sabem a função de um jornalista? Ou melhor, que até sabem, mas que se deixam comprar, sendo contrários aos interesses da população. É o mesmo país onde esses ministros que não se importam, de verdade, com o cidadão, recebem um salário de quase 25 mil reais, enquanto metade da população sobrevive com um salário mínimo, que não chega aos 500 reais.

E que país é esse onde a justiça é uma das mais lentas do mundo? E que defende os bandidos de todas as formas possíveis? Eu sei que a infância é um momento único da vida, mas, se desde a infância a criança ou adolescente não sabe agir como cidadão, porque ele merece sair pelas ruas como se nada tivesse acontecido, ou se nada tivessem feito? Porque todo mundo sabe que essas casas de reabilitação para "menores infratores", só serve para torná-los "maiores infratores".

É tanta injustiça. Tanta desigualdade. E tanta desorganização, que eu só posso continuar com o meu luto. Sim, o luto pelo meu Brasil, porque eu ainda acredito que ele pode ser melhor. De alguma forma, eu ainda acredito.



Kari Mendonça

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ainda sobre o Jornalismo...

Para muitos, é apenas mais um post chato, para outros, vale a pena ler.
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Artigo publicado por Silvia Bessa, no jornal Diario de Pernambuco, no dia 19/06/2009.
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Sou jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco há 12 anos. Em todo esse tempo não fui outra coisa a não ser repórter - aquele que tem a tarefa diária de caçar notícias. Já fiz milhares de entrevistas e sei o quanto as técnicas de abordagem, de redação e as noções de ética me valeram. Por esse motivo, me indignei com a decisão do STF de dispensar o diploma para o exercício da minha profissão. Usei cada lição aprendida e tento aprimorar uma a uma ao longo dos anos. Procuro isso em conversas com presidentes, governadores, deputados no Recife e em Brasília ou com anônimos dos confins do Nordeste. Do presidente Lula da Silva à dona de casa Lucimar da Silva, que passa fome no Ceará, foi assim. Com o pé na estrada, descobri que a prática do ofício de um jornalista não se limita à discussão em torno da liberdade de expressão.
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Opinião todo mundo tem, pode e deve expressar, mas o jornalismo está alicerçado em informação de qualidade. E, para chegar até ela, é necessário mais que uma opinião. Tive a certeza disso nessa quarta-feira, quando soube da votação do STF e lembrei do quanto difícil foi produzir reportagens sobre uso da internet nos grotões nordestinos, sobre o impacto do aquecimento global ou mesmo sobre a malversação de subvenções sociais por deputados. Fiquei imaginando se, mesmo com a capacidade que devem ter para chegar ao Supremo, os ministros teriam condições de fazer qualquer uma delas. Talvez pudessem comentar os temas; testemunhar ou revelar uma realidade vista de vários ângulos, tenho cá minhas dúvidas. E é para isso que jornalistas são formados.
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Para ser jornalista é preciso talento com as letras, habilidade para coleta de múltiplas informações, disposição para pesquisa, abertura para ouvir o engravatado, o professor e o descamisado e equilíbrio para narrar os fatos. Reunir essas e outras características independem do diploma, mas o aprendizado acadêmico pode ser decisivo na conquista. A escola é o ponto de partida para o bom jornalismo. Eu não vejo médicos, advogados, professores e outros profissionais com didática suficiente para enviar mais de cem e-mails para conseguir mapear os municípios do Nordeste que possuem lan houses com discagem rápida, para buscar e cruzar dados para entender fenômenos sociais e para entrevistar dezenas de adolescentes e entender o que eles buscam na rede - algumas das tarefas que cumpri para realizar a reportagem sobre o fenômeno das lan houses no interior do Nordeste. Não vejo. Só consigo ver estudantes recém-saídos das faculdades tentando acertar esse caminho e dispostos a seguir o preceito da informação democrática. O resto, para mim, é vaidade de muitos que não conseguem perceber que o fim do diploma para jornalistas compromete o futuro de uma geração nova de profissionais da imprensa. E tem a ver com a confiabilidade do que será escrito por eles.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jornalista por formação!

É triste perceber que ainda há quem não entenda a importância do jornalismo. Para muitos, e inclusive é esse o motivo que leva vários estudantes a escolherem o curso, o jornalismo é apenas escrever e mudar o mundo. Dos que pensam assim, poucos continuam na faculdade, outros mudam seus pensamentos e percebem que, mudar o mundo não é tão fácil quanto parece, principalmente quando vivemos numa sociedade capitalista.

Se existe sensacionalismo? Existe! E existe no mundo inteiro, que isso fique bem claro. Pois, do mesmo jeito que a imprensa abordou, por exemplo, o assassinato da menina Isabela, a mesma mídia, porém no outro lado do mundo, abordou o desaparecimento de outra menina, a Madeleine, chegando, inclusive, a considerar seus pais os culpados. E, independente de concordar ou não, a intenção é mostrar que existe em qualquer lugar.

Quanto ao fato do jornalismo ser “tendencioso”... As tendências também existem em qualquer lugar do mundo. Ela é fruto do capitalismo. E o que muitas pessoas não entendem, é que o jornalista é um empregado como qualquer outro e há, em cima dele, um empregador, que possui interesses financeiros, pessoais e políticos. Em qualquer país ou cidade, há, no mínimo dois jornais, e, acredite, cada um deles segue tendências opostas e interesses pessoais.

Com tantos comentários defendendo a decisão do Supremo Tribunal Federal, fiquei com a impressão de que muitos não entendem que ser jornalista é mais que escrever qualquer coisa que aconteceu. Se você, cidadão, lê uma notícia no jornal, ouve a mesma notícia no rádio e assiste a mesma notícia na televisão, parar para perceber, a mesma notícia foi dada de três maneiras diferentes, e não apenas por terem sido escritas por três diferentes pessoas, mas porque foram direcionadas a três públicos diferentes.

Você olha uma banca de revista e vê inúmeras revistas. Mas já parou para analisar cada uma delas? Não é fácil. Uma revista não é apenas um local onde se encontram matérias e reportagens. Há também ideologias, interesses e intenções, e todo um projeto por trás daquela revista que você lê semanalmente. Algumas seguem abertamente para algum lado, outras, não tão abertamente, mas basta lê-la mais de uma vez para identificar.

Hoje, a tecnologia e a internet, oferecem espaço para qualquer um escrever e se comunicar, e muitos jovens (como nós) fazem isso. Entretanto, como já foi dito, ser jornalista não é apenas escrever uma crônica ou um conto. Na faculdade, que esta semana, foi considerada desnecessária, o estudante aprende a escrever de diferentes formas, para diferentes meios de comunicação e diferentes públicos.

O que falta é o conhecimento da sociedade, que, apesar de muito desenvolvida, ainda vive momentos dos séculos passados, onde as únicas profissões que importam são a medicina e a advocacia. É uma pena perceber isso, pois, com tanta desinformação, esquecem-se dos 80 mil jornalistas existentes nesse país, que lutaram muito para chegar aonde estão hoje.

E, ao contrário do que foi dito pelo ministro, ser jornalista, não é como ser cozinheiro, onde basta pegar uma receita na internet e ir para a cozinha.



Karina Mendonça

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Botando pra fora - Informação

STF derruba exigência do diploma para o exercício do jornalismo
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Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado do julgamento e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.
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Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.
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No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.
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“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defe4sa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.
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Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.
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Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.
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Fonte: FENAJ

quarta-feira, 10 de junho de 2009

(Im)Perfeição

É quase "Dia dos namorados". Só mais uma data criada para dar lucro ao comércio e incentivar o consumo. Sinceramente? Dar presente (e receber, claro!) é muito bom, mas acredito que não há presente mais gostoso que aquele ganho num dia "qualquer", aquele presente inesperado. Um presente com a intenção de demonstrar que se lembrou da pessoa amada e nada mais.

Mas não é bem sobre isso que venho pensando nos últimos dias. Por essa época do ano, fala-se muito em relacionamentos. Algumas meninas sonham em encontrar o "príncipe encantado" para poder ganhar um presente, outras mulheres fazem listas de como seria o “homem perfeito” e há até quem faça promessas ao tal "santo casamenteiro". Acreditam que deixá-lo de cabeça para baixo vai resolver todos os problemas.

Nada contra crenças. Cada um com as suas... Mas, "homem perfeito"? Isso não é crença é ilusão. Não existe perfeição, nunca vai existir. Diga se não estou certa: o cara perfeito ou namora com aquela sua amiga ou mora na casa ao lado, não é verdade? É por isso que ele é perfeito, porque não tem nenhum relacionamento com você. Acredite, se você o conhecesse melhor, descobriria várias "imperfeições".

Você começa uma relação achando que aquele cara é o "perfeito", e quando saem a primeira vez, tudo parece um conto de fadas. Ele é educado, inteligente, carismático e mastiga direito. No segundo encontro, você percebe que ele pode ser um pouco mais sério do que parecia, ou mais engraçado demais. E aos poucos você vai conhecendo melhor aquela pessoa e descobrindo coisas que talvez o tire o rótulo de "perfeito".

É por isso que o rótulo nunca deve existir. Porque, por melhor que seja ele sempre vai falar algo que vai te chatear. Ou vai responder algo que você não queria ouvir. E quando você fizer uma pergunta importante, ele vai soltar uma risada, mudar de assunto e fingir que nada aconteceu. Ou, no aniversário de namoro, quando você comprar um cartão bem bonito e um presente especial, ele vai aparecer de mãos vazias dizendo que esqueceu.

Não estou falando dos homens apenas, nós mulheres também não somos perfeitas. Também esquecemos o aniversário do namoro, ou falamos coisas que não devíamos. Choramos nas horas impróprias, agíamos de modo que não agrada aos homens e adoramos discutir a relação (sim, é verdade). Viu? A "mulher perfeita" também é mito. Porque, não existe pessoa perfeita. Creio que somos a criação perfeita mais imperfeita que existe (perfeita no sentido genético e físico, não emocional).

E é por isso que não adianta andar por aí procurando o par perfeito, o que você deve procurar (não desesperadamente, pois, "o segredo, é não correr atrás das borboletas", mas claro que também não pode ficar em casa o resto da vida esperando o telefone milagrosamente tocar), é por alguém que complete você. Sei que parece meloso, mas é verdade. Não podemos nos fechar para relações. Sempre vai existir alguém que nos fez sofrer.

Mas devemos tratar o sofrimento como aprendizado, e abrir um novo caminho para nossas vidas. Segundo algo que tenho em meu caderno e desconheço a autoria, "não busque aparência, elas podem mudar. Encontre aquela pessoa que te faça dar gargalhadas ao falar uma piadinha... Que faça seu coração sorrir." Encontre aquela pessoa que seja perfeita mesmo com suas imperfeições, pois quem ama, releva algumas coisas.

E relevar não quer dizer se anular, nada a ver. Para encontrar a pessoa certa, basta sentir algumas coisas, e sentimentos não podem ser colocados em listas. Nunca se sabe o que se vai sentir quando a pessoa aparecer. Luís Fernando Veríssimo disse que, "ás vezes estamos em meio a centenas de pessoas, e a solidão aparta nosso coração pela falta de uma única pessoa."

E ele ainda completa, "ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatos importantes... Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas ideias e planos para saber se vocês combinam, e certifique-se de que quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra..."
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A perfeição talvez não seja um mito completo. Acredito nos momentos perfeitos, aqueles em que estamos onde queremos estar e ao lado de quem queremos. E a vida, é feita de alguns momentos perfeitos e inúmeros imperfeitos, ao lado de pessoas imperfeitas que, perfeitamente, nos completam.



Kari Mendonça

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Não sem a certeza...

Esta noite eu não quero dormir.
Não sem a certeza de que
Estarás ao meu lado.
Não sem a certeza de que
Poderei apoiar a cabeça em teu corpo.

Eu não quero dormir
Sem a certeza que de
Estarás comigo caso eu
Venha a ter pesadelos.

Não sem a certeza de que
Vais me abraçar forte durante a madrugada.
Não! Eu não quero dormir.

Não sem a certeza de que
Estarás ao meu lado quando amanhecer.

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Kari Mendonça

domingo, 7 de junho de 2009

Eu não fui embora...

Andei ausente, eu sei, mas acredite, não foi por vontade. Final de semestre é um horror e sempre piora. São inúmeros trabalhos, provas, gravações... Consumiram todas as minhas forças, dormi mal pra caramba, sonhei com telejornais e revistas, mas, finalmente, acabou. Ou quase. Ainda tenho uma provinha amanhã e espero que seja a última. Gosto de pensar que agora só faltam mais três semestres e fico livre. Livre dessas, porém com inúmeras outras obrigações.

A reforma que por aqui continua, também anda me consumindo todas as forças... É que cansa não poder ficar a vontade em casa porque sempre tem um homem estranho andando por ela. Por falar nisso, eu queria saber por que pedreiro é tão desorganizado. Sabe, a reforma daqui de casa poderia ter acabado a mais de um mês se houvesse uma ordem, mas, por algum motivo, não há. É impressionante como ele começa algo no quarto e, sem terminar, ele vai para o lado da casa e, sem terminar vai para frente....

Ou seja, a reforma não falta começar nada, tudo que deveria ser feito já foi começado, porém... Terminar que é bom é que tá complicado... Só Deus sabe quando as coisas vão acabar por aqui, mas eu espero, sinceramente, que seja até o meio desse mês. Quero minha liberdade dentro de casa de volta... Ah sim! E sem falar no silêncio... Reforma faz barulho demais. É um quebra-quebra enorme, uma desorganização, e suja tudo e desarruma... E eu não aguento mais, de verdade, é muito chato...

E eu já ia me esquecendo, mas o meu sumiço deu-se também por causa do computador. Por algum motivo que só a Lei de Murphy explica, os comutadores decidem quebrar logo quando você mais precisa. Pois é. Na semana de prova, com vários trabalhos para entregar, ele resolveu não ligar. Tirou férias logo quando não podia. Tive que levá-lo ao “médico” que depois de muito aperreio, descobriu o que ele tinha e ainda tirou todos os vírus e, finalmente, ele voltou sã e salvo para casa.

Enfim, eu só queria dizer que, se possível amanhã, eu volto com algo decente escrito. Um poema quem sabe, pois faz tempo que não os escrevo. Um conto daqueles bem gostosos de ler. Ou, quem sabe, alguma reflexão sobre algo dessa vida... Vai saber... Era isso. Volto logo.



Kari Mendonça