sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jornalista por formação!

É triste perceber que ainda há quem não entenda a importância do jornalismo. Para muitos, e inclusive é esse o motivo que leva vários estudantes a escolherem o curso, o jornalismo é apenas escrever e mudar o mundo. Dos que pensam assim, poucos continuam na faculdade, outros mudam seus pensamentos e percebem que, mudar o mundo não é tão fácil quanto parece, principalmente quando vivemos numa sociedade capitalista.

Se existe sensacionalismo? Existe! E existe no mundo inteiro, que isso fique bem claro. Pois, do mesmo jeito que a imprensa abordou, por exemplo, o assassinato da menina Isabela, a mesma mídia, porém no outro lado do mundo, abordou o desaparecimento de outra menina, a Madeleine, chegando, inclusive, a considerar seus pais os culpados. E, independente de concordar ou não, a intenção é mostrar que existe em qualquer lugar.

Quanto ao fato do jornalismo ser “tendencioso”... As tendências também existem em qualquer lugar do mundo. Ela é fruto do capitalismo. E o que muitas pessoas não entendem, é que o jornalista é um empregado como qualquer outro e há, em cima dele, um empregador, que possui interesses financeiros, pessoais e políticos. Em qualquer país ou cidade, há, no mínimo dois jornais, e, acredite, cada um deles segue tendências opostas e interesses pessoais.

Com tantos comentários defendendo a decisão do Supremo Tribunal Federal, fiquei com a impressão de que muitos não entendem que ser jornalista é mais que escrever qualquer coisa que aconteceu. Se você, cidadão, lê uma notícia no jornal, ouve a mesma notícia no rádio e assiste a mesma notícia na televisão, parar para perceber, a mesma notícia foi dada de três maneiras diferentes, e não apenas por terem sido escritas por três diferentes pessoas, mas porque foram direcionadas a três públicos diferentes.

Você olha uma banca de revista e vê inúmeras revistas. Mas já parou para analisar cada uma delas? Não é fácil. Uma revista não é apenas um local onde se encontram matérias e reportagens. Há também ideologias, interesses e intenções, e todo um projeto por trás daquela revista que você lê semanalmente. Algumas seguem abertamente para algum lado, outras, não tão abertamente, mas basta lê-la mais de uma vez para identificar.

Hoje, a tecnologia e a internet, oferecem espaço para qualquer um escrever e se comunicar, e muitos jovens (como nós) fazem isso. Entretanto, como já foi dito, ser jornalista não é apenas escrever uma crônica ou um conto. Na faculdade, que esta semana, foi considerada desnecessária, o estudante aprende a escrever de diferentes formas, para diferentes meios de comunicação e diferentes públicos.

O que falta é o conhecimento da sociedade, que, apesar de muito desenvolvida, ainda vive momentos dos séculos passados, onde as únicas profissões que importam são a medicina e a advocacia. É uma pena perceber isso, pois, com tanta desinformação, esquecem-se dos 80 mil jornalistas existentes nesse país, que lutaram muito para chegar aonde estão hoje.

E, ao contrário do que foi dito pelo ministro, ser jornalista, não é como ser cozinheiro, onde basta pegar uma receita na internet e ir para a cozinha.



Karina Mendonça

10 comentários:

Leh disse...

Eu sei ler, sei escrever e diria que sei me comunicar, então, serei pedagoga. Isso se eu fosse seguir os conselhos do ministro ao definir a profissão de jornalista. Um retrocesso.
Jornalismo não é arte. Jornalismo não é fruto de inspiração! Jornalismo é técnica.
Os jornais já são ruins, ficarão piores!!!!

Jéssica disse...

Até ser cozinheiro dá trabalho amiga, eu tenho a prova cabal disso: já testei milhões de vezes pegar uma receita e tentar fazer na cozinha, mas algo SEMPRE dá errado. Sou um desastre!

Imagina ser um desastre em passar informação, em alertar para as pessoas sobre o que está acontecendo no mundo?

Bem, enfim, como eles não estão nem aí para o mundo que ELES governam/mandam/impõem/querem mandar/ou mesmo vivem, então quem somos nós para dar murro em ponta de faca?

Eu só sei que vou lutar pelo meu ganha-pão, pelo que eu gosto de fazer, e isso devia ser com todo mundo :)

;**

Auíri Au disse...

Apoiada.
Precisar de mais um grito, o meu está disponivel..
beijos
ps: se jogue nesse seu balão, não vai se perder, tenho certeza..

Agostinho Lopes disse...

Kari!

Cheguei aqui através da "Candy", que fez "ótimas referências" ao blog. hahaha

Este tema sobre a questão do diploma para a profissão de jornalista é estarrecedor.

Não sei se há algum precedente em outros países, mas num país onde o presidente da república é um analfabeto, não será surpresa se em poucos dias até diploma para médico, sem levar em conta a precariedade de muitos cursos, seja também dispensado.

Lamentável sob todos os aspectos.

Abraço!

candy disse...

Concordo, Kari!
Sr fosse assim, pra que existiria faculdade???
Um ponto a mais pra ignorancia.
Um retrocesso.

*to esperando o email e a revista, viuu?
**tenho novidades, mas só conto qnd vc me mandar o email (percebeu a chantagem? kkkkkkk)
saudadeeee

:***

Rubens B. C. disse...

Interessante o post, mas desconcordo da fundamentação. Não desmereço a profissão de jornalista, eles fazem um papel importante na sociedade - especialmente na brasileira, que atraves deles descobrimos os últimos escandalos de Brasília.
No entanto, não se pode limitar que apenas jornalistas com diploma escrevam em jornais, pois afinal quem escreve melhor sobre economia, um jornalista ou um economista?

Ademais, esta decisão não é um retrocesso como você coloca. Na Europa e nos EUA - onde pautamos o conceito de evolução e modernidade de nossa sociedade - o diploma não é exigido.
Por fim, creio que a decisão do STF só veio a ampliar o debate acerca da informação.

Érica disse...

Decepção, angústia por um tempo impreciso. Não sei o que pensar sobre essa questão.
Triste eu fiquei no momento, triste permaneço até então.
Ai ai minha amiga.
Espero que seja um mal remediável.
Beijos
:**

nuh disse...

Um retrocesso, sim. Sem dúvidas... Mas há muitos pontos em jogo, e que devem ser considerados. Estou no último ano da faculdade de Jornalismo, e não acredito que a decisão de não obrigatoriedade do diploma vá influenciar no trabalho dos jornalistas profissionais, dos bons profissionais. Um diploma não faz um jornalista, como não faz um médico, ou um advogado. É claro que, principalmente depois da internet, a comunicação tomou uma abrangência quase ilimitada, o buraco é muito, muito mais embaixo. Depois da decisão do Supremo, na minha opinião, pelo menos uma análise pôde ser feita: quem é jornalista, realmente, e quem é mais interessado no diploma. Os grandes veículos vão continuar contratando diplomados, para concursos, o diploma ainda será essencial. Mas eu não me sentiria injustiçada se alguém sem diploma ocupasse o meu lugar de jornalista, porque, não obstante os QI's do 'jeitinho' brasileiro, essa pessoa seria merecedora. Bons profissionais têm seu lugar, sempre. Ser jornalista é mais que ter diploma de jornalista. Sei disso porque grande parte da minha turma vai receber o mesmo canudo que eu no fim do ano e, modéstia às favas, sem metade da experiência, responsabilidade e dedicação. A questão é complicada, mas o estardalhaço que milhares de pessoas estão fazendo acerca dele... não tem fundamento nenhum.

Abraços.

Leh disse...

Rubens, os profissionais de outras áreas continuarão contribuindo para os jornais, isso sempre existiu (que bom). MAS ELES NÃO SÃO JORNALISTAS E NUNCA SERÃO. Eles são economistas que entendem de economia.

Kari disse...

Concordo com o que a Leh, falou e continuo achando um retrocesso, independente do que acontece em outros países.

Acho que cada país é independente (com seus problemas e situações) e, por isso, no Brasil é um retrocesso, pois é um país onde metade da população é analfabeta e milhares de vagas de emprego continuam abertas por falta de profissional qualificado.

Quanto a Nuh, é fato que sempre existirá profissionais mais qualificados que outros (mesmo tendo cursado a mesma faculdade), pois a competência independe de curso superior, depende de cada um. E concordo que empresas sérias continuarão a empregar os mais qualificados e com certificado, mas o que entristece é saber que, em lugares do interior, por exemplo, inúmeras pessoas passarão a receber informação sem qualidade ou ética.