quinta-feira, 23 de julho de 2009

O e-mail que mudou a sua vida

Era a quarta vez que ela entrava no e-mail. Já havia escrito inúmeras coisas, mas sempre apagava antes mesmo de terminar. Queria escrever muito, contar muito sobre si e perguntar muito. Mas achou que não deveria. Por fim, após inúmeras tentativas, resolveu escrever de forma um tanto impessoal. Começou pedindo desculpas e falando que, se não quisesse, ele não precisava responder. Falou sobre seu blog, o que escrevia e o motivo de estar enviando o e-mail.
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Motivo esse, que era baseado apenas na curiosidade. Queria saber porque ele parecia tão atencioso e interessado. Seria coisa da sua cabeça? Não sabia. Até receber a resposta no dia seguinte. "Tu não foi nada inconveniente, guria...", foi o que ele disse logo no início. Isso a tranquilizou rapidamente e a fez ler todo o e-mail com o coração. Realmente ele estava interessado e parecia querer conhecê-la melhor.
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Rapidamente ela respondeu o e-mail. Agora diferente e nada impessoal. Falou mais a seu respeito, sobre coisas que queria e o que sonhava. A resposta não foi diferente. Os dias se seguiram e a frequência dos e-mails só aumentava. No começo eram grandes e demonstrava a ânsia de se conhecerem. Com o tempo, mandavam e-mails, mesmo que só para falar da saudade. Até que um dia ela não aguentou e perguntou se estava namorando.
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A resposta só poderia vir no dia seguinte. A noite foi angustiante. Logo cedo, correu para o e-mail e, de uma forma rápida e curta, ele se desculpou e disse que, assim que pudesse, mandaria um e-mail com mais calma, mas sim, "pra mim, a gente está namorando", foi a frase que não cansou de ler até o e-mail grande chegar. Ele disse que também não queria estar com mais ninguém, apenas com ela. Ela respondou que não conseguia pensar em mais ninguém.
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Os messes passaram e eles começaram a se falar pelo MSN. As conversas duravam madrugadas inteiras. Até que trocaram telefones e, pela primeira vez, ouviram a voz um do outro. A conversa falada não foi longa, mas foi fascinante. As coisas foram acontecendo devagar. Um dia, decidiram que era hora de se verem. Precisavam se encontrar e ter certeza do que sentiam. O problema, é que eles moravam em quase dois extremos do país.
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Mas fizeram um esforço. Marcaram um encontro. Compraram a passagem e ele foi até ela. O primeiro encontro foi mágico. No saguão do aeroporto. O segundo beijo foi ainda melhor que o primeiro. Desde então, eles estão sempre se encontrando. Quando ela pode, vai visitá-lo. Quando tira férias, ele vai até ela. As coisas parecem caminhar bem. Essa semana, eles foram passear em Gramado. Um frio ótimo para namorar. Eles aproveitaram muito e fazem até planos para voltar.
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Eles não sabem onde essa história vai dar, mas fazem planos, teem sonhos e seguem aproveitando cada dia que passam juntos, com toda intensidade. Ah! E hoje, faz dois anos que ela criou coragem e mandou aquele e-mail. O e-mail que mudou a sua vida.
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Kari Mendonça

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Contradição

Somos seres contraditórios. Há dias essa frase não me sai da cabeça. Estava no avião, a caminho de São Paulo, quando uma menina, que não deveria ter mais de cinco anos, pediu a mãe para ir ao banheiro. A mãe, por sua vez, pediu que ela esperasse enquanto se arrumava e a menina olhou um tanto indignada e respondeu de uma forma bem atrevida, "mãe, eu sei ir sozinha.". E foi naquele momento que a tal frase me surgiu e, desde então, não me sai da cabeça.
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De fato, somos contraditórios em tudo e em todas as fases dessa vida. Quando crianças, tudo o que queremos é a tal independência. É poder sair de casa sem os pais, andar no shopping só com os amigos. Queremos nos mostrar adultos e capazes. Os pais acham engraçado (quando ainda não somos adolescentes) e nos ficamos com raiva por eles acharem a nossa tão sonhada independência motivo de piada.
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Quando crescemos, a maioria de nós, custam a sair de casa. Aumentou o número de pessoas que moram com os pais (nada estatístico, apenas uma observação). Há mais pessoas com seus trinta e poucos anos que não conseguem, por inúmeras razões, sair de casa. Não quer dizer que não sejam independentes, apenas não conseguem se libertar totalmente, afinal, a casa dos nossos pais é sempre algo bastante aconchegante.
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Mas não é só com os nossos pais que vivemos em eterna contradição, mas na vida em geral. Vivemos querendo seguir caminhamos que sabemos não dar em nada. Tentamos lutar por guerras já perdidas. Fazemos perguntas quando já sabemos as respostas. Mesmo que ela possa nos magoar. Discamos números, mesmo quando não queremos que atendam. Chamamos por quem já não queremos mais por perto.
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Fazemos planos, e mesmo quando não os realizamos, ainda assim continuamos a fazê-los. Temos sonhos contraditórios, que se contradizem com o tempo. Desejamos o que sabemos não poder ter, mas por algum motivo, ainda assim, continuamos querendo e desejando. Somos contraditórios nas nossas palavras, nos nossos quereres e até nos nossos pensamentos. É fato que somos assim, mas ainda não sei se é algo bom ou ruim.
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Kari Mendonça

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bate bola

Mania: Morder os lábios (puxo com os dentes quando estou nervosa, pensativa ou ansiosa)
Pecado capital: Gula (adoro um doce)
Melhor cheiro do mundo: Terra molhada em dia de chuva
Se dinheiro não fosse problema eu... Adiantaria algumas coisas que, por enquanto, estão sendo planejadas
Casos de infância: Adorava ficar penteando os cabelos da minha bisavó...
Como dona de casa: Sou ótima cozinheira
O que não gosta de fazer em casa: Não gosto de lavar roupa...
Desabilidades como dona de casa: Não consigo fazer nada da parte elétrica. Já tentei concertar um ventilador, mas ele acabou queimando...
Frase: "A saudade varia com o tamanho do amor"
Passeio pra alma: Olhar o céu numa noite estrelada
Passeio pro corpo: Uma tarde de domingo, um parque, um sol não tão forte e uma água O
O que me irrita: Quando não escutam o que eu falo
Frase ou palavra que falo muito: "Oxente", "Ô mainha", "Aff"...
Palavrão mais usado: PQP (principalmente quando dirijo)
Desce do salto e sobe no morro quando... Mentem para mim
Perfume que usa no momento: Day by Day, Água de Cheiro
Elogio favorito: "Ficou ótimo", em relação a algo que fiz
Talento oculto: Faço artesanato
Não importa o que seja moda, não uso nem no meu enterro: Essas calças que estão na moda e tem uma boca minúscula
Eu sou extremamente: Impaciente
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Kari Mendonça
PS.: Os dias andam corrido. Passei a semana me arrumando pra viajar. Assim que tiver um tempinho, volto com algo bem legal. Ou, para contar das férias...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A base de sexo

Dia desses, estava mudando de canal (algo que faço com bastante freqüência) e me deparei com uma cidadã que havia feito fotos sensuais. Ela não parecia nenhuma “profissional” ou, pelo menos, pareceu ter feito pela primeira vez. Estava um pouco tímida (pouco) e me chamou a atenção quando percebi que falava sobre seu relacionamento de dois anos (não consegui descobrir se era um namoro ou casamento).

Ela comentou que a relação havia esfriado e foi esse o motivo das fotos sensuais. Em seguida, mudei o canal, mas não parei de pensar naquela mulher e em tantas outras pessoas que resumem um relacionamento ao sexo. O sexo faz parte. Mas não é a parte fundamental. Acredite, se o sexo esfriou, é porque muitas outras coisas também esfriaram, mas talvez, tenham passado despercebidas. As pessoas acreditam que se o sexo é bom, tudo vai ser bem, e não é bem assim.

O sexo pode ser ótimo, quente e muito prazeroso, mas quando os dois sentam para tomar café, por exemplo, falta assunto ou não se entendem. E com o tempo, a falta de assunto e os desentendimentos vão causando um mal estar, e em certo momento esse mal estar vai ser refletido no sexo. É preciso que as pessoas percebam que uma relação a dois depende de muitas coisas de todos os lados. É necessário ceder em algumas situações e também relevar algumas outras.

O relacionamento é baseado, principalmente na confiança. Sem ela, não há relação que continue por muito tempo. É baseado também na amizade. Mas, o que sustenta e salva qualquer situação é o diálogo. Se há algo errado (ou até se você acha que há), pergunte se está acontecendo alguma coisa. E se você foi perguntado e realmente houver algo errado, converse, fale o que está incomodando.

Muitas vezes as pessoas não ouvem o que querem e se calam. Não recebem o que querem e se calam. Mas esquecem-se que, se não falarem o que há de errado, dificilmente o outro saberá o que deve mudar. É fato que as mulheres gostam de fazer jogo e ficam séria, chateadas e demonstram de todas as formas que há algo errado, até que o homem pergunte o que fez de errado. E não há nada pior do que ouvir isso de um homem.

É por isso que as mulheres devem parar de jogar e os homens devem parar de fingir que tudo está bem quando não está, pois uma hora ou outra, a bomba vai acabar estourando e vai ser ainda pior. Acredito que se houver confiança e diálogo, não há como um relacionamento esfriar (exceto claro, quando tem que esfriar mesmo). E, com o diálogo em dia e os entendimentos também, pode ter certeza, não existe sexo mais gostoso.


Kari Mendonça