sábado, 29 de agosto de 2009

É dia de festa!

Na próxima segunda-feira, 31 de agosto, meus pais completam 25 anos de casados. Não é mais um aniversário, mas são as tão famosas Bodas de Prata. Talvez antigamente pudesse ser considerada uma data sem muita importância, mas, nos dias atuais, onde o divórcio é tão fácil e quase ninguém se esforça para manter um casamento, é uma vitória. Prova disso, é que não vemos bodas de prata com tanta frequência. Sabe Deus que, até hoje, vi pouquíssimas.

E por ser um dia tão vitorioso, será comemorado como merece. Com festa. Mas por ser numa segunda-feira, a festa será hoje. É uma forma de compensar a festa que não tiveram há vinte e cinco anos atrás. Não que não tenha havido festa, mas talvez não tenha saído como planejado. Não! Nada deu errado, mas digamos que... Não foram os noivos que bancaram e, por isso, não puderam palpitar tanto quanto deveriam.

A minha mãe brinca que, ao menos o noivo, ela pode escolher. Dessa vez, no entanto, além do noivo, escolheu também o bolo, a decoração e os convidados. É fato que muitos não poderão vir, mas serão lembrados com todo carinho e saudade. É fato também, que há hoje, quem não estava naquele dia. Eu sou prova disso. Ou melhor, eu sou fruto de todos esses anos. Não fossem por eles, talvez eu não fosse metade do que sou hoje.

Não foram 25 anos de festa, mas foram muito bem vividos e de grandes aprendizados. Houve dias de lágrimas e várias discussões. Houve também dias alegres e de vitórias. Houve perdas e saudades. Despedias e frustrações. Digamos que foram 25 anos bem intensos. E eu, só tenho a agradecer por poder fazer parte de um pedaço de tudo isso. E por ter pais tão maravilhosos, tão amigos e tão especiais.

A festa começa daqui a pouco. Preciso me arrumar. E aproveitar cada segundo para ver os meus pais tão felizes e satisfeitos. Afinal, não se faz 25 anos de casados todos os dias...


Kari Mendonça

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre o que escrevi...

Escrever, é maravilhoso para passar o tempo. E como li em um blog recentemente, escrever é como fotografar, pois, com as palavras você está guardando momentos, pensamentos, lembranças, saudades e até dores. Confesso que, ao não saber o que escrever, resolvi procurar algo já escrito. Reli frases de vários contos e, por cada frase, lembrei-me dos contos completos. Tentei colocar novamente algum, mas não me identifiquei com nenhuma daquelas cartas.

Já escrevi sobre músicas e até fiz um pedido de casamento. Já acabei relacionamentos das formas mais dramáticas possíveis. Já destruí uma relação que parecia perfeita, justo no dia do casamento. Já coloquei a morte para separar amores e até mãe e filho. Já escrevi sobre o quanto esse mundo me decepciona e o quanto eu queria mudar tudo isso, ou simplesmente sobre como andava a reforma da minha casa (assunto esse que, por respeito aos leitores, venho em breve contar-lhes como terminou). Já escrevi cartas que não foram contos, mas que os verdadeiros destinatários jamais irão ler. Já escrevi sobre minhas dores e meus amores. Sobre minhas saudades e meus sonhos. Já escrevi sobre coisas injustas e pensamentos confusos. Já escrevi poemas sem nexo e alguns até bonitinhos. Já escrevi sobre os amigos que tenho, os que tive e os que me fazem falta. Já escrevi sobre meus medos, e sobre dias perfeitos que imaginei. Já escrevi entre lágrimas e sorrisos. Já escrevi só para justificar a ausência ou para falar que voltava logo. Já escrevi enquanto viajava e sobre viagens. Já fui muitos dos meus personagens e não tive nenhuma ligação com vários deles. Já escrevi o que não conseguia dizer pessoalmente e o que jamais direi.

Foram tantas as coisas que escrevi, que já perdi as contas. Já escrevi para chorar mais e parar definitivamente junto com o ponto final. E já escrevi só porque estava feliz demais para fazer qualquer outra coisa. Já corri para escrever depois de uma briga. E já escrevi para pedi desculpas. E a prova de que escrever é guardar é que hoje não me identifico com tantas coisas escritas. Penso que posso escrever melhor e que republicar talvez não seja a melhor opção.

Inúmero dos meus contos são apenas contos. Vários deles, entretanto, são o meu reflexo. Muitos são os que não levam a sério, mas escrever limpa a alma. Tanto limpa que há um assunto específico que ainda não escrevi. Mas que daria uma bela história, apesar de triste. Mas, cada vez que penso em escrevê-la, as lágrimas atravessam-me de uma forma tão intensa, que sequer, consigo tentar. Talvez, quem sabe, eu conte um dia... Ou talvez, morra comigo essa pequena dor. Os meses passam, mais ainda não me sinto preparada. Diferente de tantos outros acontecimentos, ainda não consegui sentar para escrever, desabafar...

Escrever é guardar os momentos da forma mais bonita e mais poética. Porque poesia, não é feita apenas em versos, mas é feita com o coração.


Kari Mendonça

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um transplante de rim

André e Pedro são irmãos. A família é grande e há ainda dois outros irmãos. Não são mais crianças, todos estão casados, com suas famílias, seus filhos e netos. Três dos irmãos são muito unidos, mas desde que casou, Pedro anda sempre um pouco distante. André é dono de um mercado. Há uns meses atrás, foi descoberto que André estava com problemas de saúde. Com o tempo, descobriram que era no rim. Tentaram alguns tratamentos, mas não foram bem sucedidos. Não demorou muito e André precisou de um transplante. Sua esposa logo vez o teste de compatibilidade, mas o resultado foi negativo. Toda a família e conhecidos também o fizeram. Todos foram negativos. Todos, exceto Pedro. Só Pedro poderia salvar a vida de seu irmão. Dependia apenas de Pedro, se o pequeno Ricardo cresceria ou não com seu pai. Os familiares respiraram aliviados, afinal, se estava nas mãos de Pedro, tudo estaria bem. Mas ele não respondeu. O resultado havia sido positivo, mas Pedro ainda não havia falado sobre o assunto.
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Todos estavam ansiosos. O estado de André começou a agravar. O transplante não poderia mais esperar. O assunto não poderia ser adiado. Mas logo Pedro respondeu. Todos ficaram chocados. Ele não faria a doação, pois estava aguardando o resultado de um concurso. Os familiares não conseguiam entender. Era o concurso mais importante que a vida do seu irmão? André estava piorando. Seu estado estava mais crítico. Um funcionário do mercado, Marcelo, perguntou como poderia fazer o teste. Não demorou a fazê-lo e nem a decidir. O resultado foi positivo. Ainda havia uma esperança. O processo na justiça poderia ser complicado, afinal, Marcelo não é da família, e pode ser considerado compra de órgão. O irmão advogado logo resolveu. Em poucos dias a cirurgia do transplante de rim foi feita. A vida de André estava salva. E tudo, graças a um simples funcionário do mercado. Desde então, Pedro permanece distante. Custou a ter coragem para encarar sua família novamente. André segue sua vida, protegendo-se do frio, cuidando do seu novo rim e, eternamente agradecido aquele simples funcionário que lhe salvou a vida.
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Esta é uma história baseada em fatos reais. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos.
Agora você decide se quer ser como Pedro e considerar qualquer coisa mais importante que uma vida.
Ou se vai ser como Marcelo e doar a vida a alguém.

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Kari Mendonça

sábado, 15 de agosto de 2009

Eu, as minhas frustrações e minhas lágrimas

Foi divulgado esta semana, que as mulheres passam, até os setenta anos, um ano e quatro meses de suas vidas, chorando. A princípio, achei que seria pouco, mas comecei a achar que pode ser tempo demais. Logo, me surgiu uma dúvida: se passamos esse tempo chorando, acredito então, que passamos a vida inteira pensando, mas, quando tempo será que “gastamos” sonhando e planejando (os sonhos)? Segundo a pesquisa, grande parte dessas lágrimas está relacionada a assuntos do coração.

E, convenhamos, as mulheres choram até quando estão felizes, por isso, nem todas as lágrimas exprimem algo que dói. Mas, pensando sobre o assunto e ainda refletindo sobre a dúvida que me surgiu ao ler a pesquisa, cheguei a conclusão de que muitas dessas lágrimas são resultados dos sonhos. Não apenas dos que se realizaram, mas também dos que foram frustrados ou sequer, chegaram perto de acontecer. E acredite, não são poucos, levando em conta o tempo que passamos sonhando, fica impossível realizar tudo vivendo até os 70 anos.

Pude comprovar as minhas teorias hoje cedo. Acordei por volta das nove horas, mas o que eu menos queria era me levantar, pois assim teria que falar com as pessoas e eu não queria ver ninguém e nem precisar falar. Preferi continuar deitada, olhando o teto e não pensar em nada. Mas oras... A minha incansável mente não me deixou cumprir o meu último desejo e, nos 95 minutos que passei deitada fiz inúmeros planos e compras, todos relacionados a um dos tantos sonhos que tenho.

Acredite, eu não queria pensar tudo o que pensei. Principalmente porque me encontro naqueles dias em que eu acho que nada vai dar certo. Fiz planos que, talvez, jamais possa realizar. “Comprei” coisas que não sei se poderei, de fato, comprar. Sai da realidade e mergulhei na minha fantasia. No mundo que eu queria ter. Na vida que eu tanto planejo. Nas coisas que eu tanto quero. Enfim, mergulhei na minha, até então, fantasia frustrada. E claro, qualquer coisa que nos frustra, nos faz chorar.

Ou seja, eu consegui comprovar duas teorias em apenas alguns minutos. Mas eu ainda não sei se isso é algo bom ou ruim. Tenho as minhas dúvidas. Eu sempre tenho dúvidas. Não de tudo, mas de um monte de coisas. Eu corro atrás daquilo que eu quero, mas eu nem sempre consigo chegar lá e alcançar. Será que eu sou um fracasso? Hoje, eu penso que sim. Talvez amanhã eu esteja me sentindo melhor e menos dramática e melancólica e acorde me sentindo a melhor e maior pessoa do mundo. Mas hoje não...

Hoje, talvez eu vá dormir mais cedo. Eu, as minhas frustrações e minhas lágrimas....


Kari Mendonça

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Andea mandou notícias.

Para entender melhor, leia: Andrea foi embora.
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Oi Pai, oi Mãe.
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Sei que já se passou mais de um mês e ainda não dei o telefonema que prometi. E só posso pedir desculpas, mas eu não sei se estou preparada para falar com vocês. A verdade é que estou com medo. Medo por não saber se me perdoaram ou entenderam. Medo de que me critiquem. Pelas minhas contas, vocês devem receber esta carta, ainda essa semana. Sendo assim, pretendo ligar no sábado para que possamos nos falar melhor.
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Quanto a entrevista que vim fazer, deu tudo certo e começei a trabalhar já faz quinze dias. Estou trabalhando em uma empresa de comunicação e faz tempo que eu não me envolvia tanto com a publicidade. Gosto bastante do que faço e vejo que todos os cursos que o Marcelo quase me obrigou a fazer, foram muito úteis. Se não fosse por ele, eu não sei se estaria me dando tão bem. As pessoas também são muito boas e receptivas.
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Quando me escutam falar, logo perguntam de onde eu sou, e como é por aí... Ainda não sofri nenhum tipo de preconceito por ter vindo do Nordeste. Pelo contrário, todos dizem que querem conhecer Fortaleza e que um dia ainda vão conhecer essas praias que temos. Eu só faço rir. Não posso dizer que fiz amigos, pois estou a pouco tempo, mas posso dizer que não estou sozinha. No prédio onde estou, já conheço duas vizinhas. Elas são irmãs, sabe?
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E, logo no dia que cheguei (passei a primeira semana em um hotel, enquanto procurava por um apartamento bom), elas me convidaram para um jantar. Eu arrisquei e resolvi aceitar. E quer saber? Estava muito bom. Conversamos muito. Elas também não são daqui, são do Mato Gosso, acreditam? Já me levaram para conhecer vários lugares e já até conheço alguns de seus amigos. E assim como os do trabalho, eles são todos muito receptivos e simpáticos.
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Está tudo indo bem, mas confesso que sinto saudade de vocês. Tenho também, sonhado muito com o Marcelo nos últimos dias e isso tem me deixado com mais saudade ainda. Sei que ele queria me ver bem e por isso tenho me esforçado ao máximo para ficar bem. Acreditem, mesmo com todas as dificuldades, eu estou melhor aqui, do que estaria aí com todas as lembranças tão vivas e fortes.
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Assim como o Marcelo queria e como sei que vocês querem, eu estou seguindo em frente. Estou aprendendo a viver de outra forma, e a ser uma outra pessoa. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Não que isso seja algo ruim, mas não consigo ser a mesma que era quando o Marcelo estava por perto. Só ele me fazia ser daquele jeito que nem eu sei explicar. Enfim, espero que esteja tudo bem como vocês e sei que está. Prometo ligar logo.
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Amo muito vocês, nunca duvidem disso.
Beijos,
Andrea.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carta ao Meu Amôr

Hoje eu li que saudade pode causar os mesmos sintomas que abstinência de drogas. Será? Eu acredito que sim. Sabe... Desde que voltei para casa, parece que não voltei completamente. E não voltei mesmo. Uma parte de mim continua aí. Sentada no sofá esperando teu beijo ao entrar em casa. Deitada na cama, esperando que acabes o banho. Assistindo filme ao teu lado. Andando pelas ruas de Porto Alegre contigo....
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Ah! Faz tão pouco que voltei e já me sinto tomada por uma saudade sem tamanho. Senti saudade, antes mesmo de ir. É que... Pensar em te deixar me parte o coração. É saudade de pensar que não estarei contigo quando acordares e que vais ter que preparar sozinho o sanduíche antes de sair. Voltar para a cama sozinha é a pior parte, mas sinto saudade de saber que vais chegar a noite e vamos poder ficar juntos novamente.
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Que você saiba, meu bem, que foi a minha melhor parte que ficou contigo. Pois é essa parte que despertas em mim, a melhor e mais bonita. A parte boa, que me faz mostrar o sorriso "tronxo" o tempo inteiro. Que me deixa encabulada quando percebo que me olhas. É a parte que te pertence. Ou melhor, tua, sou por completo, mas uma parte, por enquanto, ainda precisa voltar para o que hoje, chamo de casa.
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Digo assim, pois, penso que, em breve (seja breve quanto for), chamarei de casa, e de minha, uma outra morada, em outro endereço. Terei novos vizinhos, um novo CEP e, acredito, alguém para dividir tudo comigo. Não alguém qualquer, mas alguém especial. Tu! És tu o meu alguém, o meu bem. E eu quero ainda não precisar sentir tanta saudade. Sentir apenas a saudade pequena. Aquela que se sabe acabar no fim do dia. Com, pelo menos, um beijo.
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Meu bem, acordo lembrando dos passeios contigo. Das ruas de Porto Alegre, de Gramado... Lembrando de cada conversa, cada desentendimento e cada vez que tu me olhou de uma forma especial. Aí como sinto saudade do teu olhar me penetrando a alma. Sim, já falei desse olhar. É que gosto dos teus olhos verdes. Gosto de olhá-los bem de perto e de sentir teus cílios batendo em meu rosto.
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Lembra do que falei no começo? Talvez seja verdade... De uma coisa eu tenho certeza: saudade baixa a imunidade. Pois não é coincidência que eu tenha ficado gripada justo quando tive que ir pra longe dos teus braços... Amo-te demais e sei que não consegues esquecer isso.
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Hoje, mais que nunca, eu queria poder te abraçar bem forte e me fazer presente nesse momento.
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Beijos apaixonados,
Tua Pequena