terça-feira, 11 de agosto de 2009

Andea mandou notícias.

Para entender melhor, leia: Andrea foi embora.
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Oi Pai, oi Mãe.
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Sei que já se passou mais de um mês e ainda não dei o telefonema que prometi. E só posso pedir desculpas, mas eu não sei se estou preparada para falar com vocês. A verdade é que estou com medo. Medo por não saber se me perdoaram ou entenderam. Medo de que me critiquem. Pelas minhas contas, vocês devem receber esta carta, ainda essa semana. Sendo assim, pretendo ligar no sábado para que possamos nos falar melhor.
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Quanto a entrevista que vim fazer, deu tudo certo e começei a trabalhar já faz quinze dias. Estou trabalhando em uma empresa de comunicação e faz tempo que eu não me envolvia tanto com a publicidade. Gosto bastante do que faço e vejo que todos os cursos que o Marcelo quase me obrigou a fazer, foram muito úteis. Se não fosse por ele, eu não sei se estaria me dando tão bem. As pessoas também são muito boas e receptivas.
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Quando me escutam falar, logo perguntam de onde eu sou, e como é por aí... Ainda não sofri nenhum tipo de preconceito por ter vindo do Nordeste. Pelo contrário, todos dizem que querem conhecer Fortaleza e que um dia ainda vão conhecer essas praias que temos. Eu só faço rir. Não posso dizer que fiz amigos, pois estou a pouco tempo, mas posso dizer que não estou sozinha. No prédio onde estou, já conheço duas vizinhas. Elas são irmãs, sabe?
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E, logo no dia que cheguei (passei a primeira semana em um hotel, enquanto procurava por um apartamento bom), elas me convidaram para um jantar. Eu arrisquei e resolvi aceitar. E quer saber? Estava muito bom. Conversamos muito. Elas também não são daqui, são do Mato Gosso, acreditam? Já me levaram para conhecer vários lugares e já até conheço alguns de seus amigos. E assim como os do trabalho, eles são todos muito receptivos e simpáticos.
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Está tudo indo bem, mas confesso que sinto saudade de vocês. Tenho também, sonhado muito com o Marcelo nos últimos dias e isso tem me deixado com mais saudade ainda. Sei que ele queria me ver bem e por isso tenho me esforçado ao máximo para ficar bem. Acreditem, mesmo com todas as dificuldades, eu estou melhor aqui, do que estaria aí com todas as lembranças tão vivas e fortes.
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Assim como o Marcelo queria e como sei que vocês querem, eu estou seguindo em frente. Estou aprendendo a viver de outra forma, e a ser uma outra pessoa. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Não que isso seja algo ruim, mas não consigo ser a mesma que era quando o Marcelo estava por perto. Só ele me fazia ser daquele jeito que nem eu sei explicar. Enfim, espero que esteja tudo bem como vocês e sei que está. Prometo ligar logo.
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Amo muito vocês, nunca duvidem disso.
Beijos,
Andrea.

7 comentários:

Érica disse...

E ela foi embora querendo esquecer ele, mas não consegue. Ele vai tá guardado pra sempre em algum lugar dentro dela. Triste essa história. Mas ela é corajosa e eu queria ter essa coragem também, de ir embora e tentar ser mais feliz e realizada.
Amigaaa, não to indo na faculdade porque não estou conseguindo imaginar aquela energia negativa kkkkkkkk... To me preparando psicológicamente, mas hoje eu vou e a gente se vê.
Beijos, saudades!

Pripa Pontes disse...

Lendo esse post e a primeira parte dele me lembrei muito the "Anybody out there?" de Marian Keyes, e mais ainda de "P.S:Eu te amo". Como deve ser angustiante perder quem se ama e ter que seguir em frente. Eu no lugar dela acho que teria feito a mesma coisa. A cidade e lugares em que teria convivido com ele nunca me deixaríam sentir-se feliz e seguir em frente. Apesar de que essa atitude soa um tanto quanto "Fugir do problema"..mas acho que funciona mais como preservar a memória e convivência que ela tee com ele intocadas. Ficar no local em que coniveu com ele poderia com o tempo apagar as lembranças dos dois juntos, e da forma como ela fez, sempre que voltar para casa ela se lembrará da felicidade e do amor que uma vez desfrutaram.
Lindo texto!

Bjos.

Dona Poesia disse...

Querida, que saudades! pensei que vc nao me visitasse mais...risos.
Tenho lido vc sempre, é claro.
Sobre o pastor, é que esse casal era membro de outra igreja, em Araras, então nesses casos o pastor dizia visitantes por uma questão de ética, senao o outro pastor da outra igreja ia pensar que nós estávamos "roubando" membros para nossa igreja...enfim, coisas de igrejas, nem é bom discutir muito, mas tem ciumeiras, nesses casos, também.
Um beijo e obrigada pelo post.

Jaya disse...

Kari,

Eu lembro de quase chorar, com Andrea, na primeira carta. Essa tá mais ok. Ela tá se reerguendo. Sinto coisas boas, por vir.

Um beijo, moça.

Auíri Au disse...

Fiquei curioso aqui.
Quem será Andrea?Se aventurando na cidade grande...e correndo em busca dos sonhos...
Beijos

*Lusinha* disse...

Lembro do primeiro texto... E bom ver a continuação dele por aqui.
Essa carta fez me lembrar das cartas do Caio F. Abreu. Essa conversa fluída e as palavras...
Bjitos!

Marcos disse...

Tu pensa longe. A imaginária Andrea tem muito o que nos contar.

Beijão!!!