sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um transplante de rim

André e Pedro são irmãos. A família é grande e há ainda dois outros irmãos. Não são mais crianças, todos estão casados, com suas famílias, seus filhos e netos. Três dos irmãos são muito unidos, mas desde que casou, Pedro anda sempre um pouco distante. André é dono de um mercado. Há uns meses atrás, foi descoberto que André estava com problemas de saúde. Com o tempo, descobriram que era no rim. Tentaram alguns tratamentos, mas não foram bem sucedidos. Não demorou muito e André precisou de um transplante. Sua esposa logo vez o teste de compatibilidade, mas o resultado foi negativo. Toda a família e conhecidos também o fizeram. Todos foram negativos. Todos, exceto Pedro. Só Pedro poderia salvar a vida de seu irmão. Dependia apenas de Pedro, se o pequeno Ricardo cresceria ou não com seu pai. Os familiares respiraram aliviados, afinal, se estava nas mãos de Pedro, tudo estaria bem. Mas ele não respondeu. O resultado havia sido positivo, mas Pedro ainda não havia falado sobre o assunto.
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Todos estavam ansiosos. O estado de André começou a agravar. O transplante não poderia mais esperar. O assunto não poderia ser adiado. Mas logo Pedro respondeu. Todos ficaram chocados. Ele não faria a doação, pois estava aguardando o resultado de um concurso. Os familiares não conseguiam entender. Era o concurso mais importante que a vida do seu irmão? André estava piorando. Seu estado estava mais crítico. Um funcionário do mercado, Marcelo, perguntou como poderia fazer o teste. Não demorou a fazê-lo e nem a decidir. O resultado foi positivo. Ainda havia uma esperança. O processo na justiça poderia ser complicado, afinal, Marcelo não é da família, e pode ser considerado compra de órgão. O irmão advogado logo resolveu. Em poucos dias a cirurgia do transplante de rim foi feita. A vida de André estava salva. E tudo, graças a um simples funcionário do mercado. Desde então, Pedro permanece distante. Custou a ter coragem para encarar sua família novamente. André segue sua vida, protegendo-se do frio, cuidando do seu novo rim e, eternamente agradecido aquele simples funcionário que lhe salvou a vida.
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Esta é uma história baseada em fatos reais. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos.
Agora você decide se quer ser como Pedro e considerar qualquer coisa mais importante que uma vida.
Ou se vai ser como Marcelo e doar a vida a alguém.

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Kari Mendonça

7 comentários:

Agostinho Lopes disse...

Por definição, não tenho medo da morte e tomara que seja assim mesmo quando "aquela senhora", estender-me a mão.

Mas adoraria "reviver aos pedaços" em quem quer que seja que precise de algum de meus órgãos. Nem que sejam os agora raros cabelos, para completar a peruca de um careca.

Tô dentro!

Cαmilα ♥ disse...

Lá em casa todos nós vamos ser doadores.
Em vida discutimos sobre isso, muito melhor continuar vivendo em alguem, fazendo pessoas felizes que deixar tudo apodrecer.

Infelizmente deve haver gente como Pedro. =(

Um beijo Kari, lindo texto.
Que bom que o final é feliz.

Cadinho RoCo disse...

O amor existente em cada um de nós precisa de ser assumido por cada um de nós e não tem outro jeito disso acontecer.
Cadinho RoCo

Jaya disse...

Conversei com meu pai a respeito há alguns dias, e tô me informando sobre, Kari. Isso me afeta, bastante. Quero ser doadora.

Um beijo, moça.

Thiago disse...

Tem muitos pedros por aí...e é uma pena.

Marcos disse...

Pessoas, como o Pedro, devem ignorar a vida dos outros.

Beijos!!

ALF disse...

Já venho pensando bastante nisso sabe Kari. Como tantas pessoas neessitam de órgãos e poucos se habilitam pra doar. Não é apenas um ato de coragem, mas de solidariedade. E isso é o que importa. Falta mais consciência.
Também para doação de sangue.

Vou me tornar doador. Já comentei com a minha mãe. Faei isso em breve.

Se for preciso um dia, não quero hesitar em ajudar alguém.

Beijos Kari.

ps: saudades imensas de vir aqui Kari. Sumi mesmo devido a obrigações necessárias. Estou desenvolvendo meu TCC e ando deveras ocupado. Enquanto não apareço completamene, meu horizonte ficará nublado...
Espero em breve voltar.

Grande beijo.