quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais leve!

Como eu bem informei, não fui embora. Apenas precisava esfriar um pouco a cabeça. E sabe como hoje eu tive certeza de que estava melhor? Quando acordei, às cinco da manhã, e percebi que não estava com olheiras. Senti-me mais leve e desse jeito passei o dia inteiro. Sei que a vida tem dessas coisas e que ainda vou ficar assim várias outras vezes nesse meu longo (assim espero) percurso que é a vida. O caso é que eu não sei fingir que está tudo bem. Se não estou bem, eu choro. Se algo deu errado, eu me irrito. Se algo não sair como planejado, eu me desespero. Não é o melhor jeito de viver a vida, mas é como tenho conseguido levar nos últimos anos.

Se eu estava triste e desesperada pela tal da experiência, já não estou mais. Sim! Eu descobri onde comprá-la. Ou melhor, não vou pagar nada por ela, mas também não vou receber. Mas sabe, eu descobri uma coisa: quando queremos muito algo, não devemos jogar nenhuma oportunidade fora. Qualquer experiência é válida. Aprender é fundamental para crescer. E, se não recebo nada hoje, é essa experiência que vai me ajudar a receber mais amanhã. Não entendeu? Eu explico. Lembra que eu estava trabalhando numa academia? Pois bem... Fui pra lá pensando apenas em receber, pois sabia que não tinha nada relacionado com a minha área.

E então, eu me dei conta de que não vale nada receber um bom salário, se me sinto frustrada e se não vou crescer onde quero. Então, segui o conselho de uma amiga e resolvi correr atrás de aprendizado. Quero crescer, quero saber mais e quero fazer melhor. Na sexta-feira, terei meu último dia na academia. Já estou ensinando quem ficará no meu lugar e estou me sentindo leve. Na terça-feira, começo a apresentar um programa na Rádio Universitária AM. Começarei apenas com um suplemento musical para me acostumar com o ambiente, pegar o jeito da coisa e então, em seguida, começarei a apresentar um programa como sempre quis, com músicas e notícias (e por falar nisso, até agora o nome do programa é Música & Notícia).

Parece que agora as coisas estão seguindo um caminho melhor. Sinto-me bem, e penso que estou indo pelo caminho certo. Agora, é deixar as coisas seguirem seu rumo.


Kari Mendonça

domingo, 27 de setembro de 2009

...


Eu não fui embora.
A última semana foi difícil para mim.
Não venho me sentindo bem, e por isso não tenho aparecido por aqui.
Assim que as coisas se acalmarem e, acima de tudo, os meus nervos acalmarem, eu volto.

Até breve.
Abraços.
Kari Mendonça


Ps.: Não se preocupem, não aconteceu nada fatal.
Apenas a vida que anda me tirando, um pouco, do sério.

sábado, 19 de setembro de 2009

A importância do blog para mim

Estava sentando conversando com um amigo, quando lhe contei que havia colocado algo novo em meu blog. “Um desabafo”, comentei. Então ele me veio com a pergunta que só quem não tem um blog (ou tem há pouco tempo) faz: “e tu não se sente mal em expor a tua vida assim?”. Na mesmo hora respondi um “não”, mas não lhe expliquei o motivo.

O fato é que, desde os 10 anos que tenho blogs. Já tive no blogger, blog-se, weblogger. Cada um durou algum tempo. Mas nenhum durou tanto quanto esse. O motivo? Em nenhum deles eu escrevi tão abertamente. Em nenhum eu escrevi com o coração. E o mais importante, em nenhum eu deles eu criei laços. Escrever, como já falei tantas vezes, é pra mim a melhor forma de acalmar a alma, de me fazer sentir melhor. E, quando recebo comentários como os do post passado, aí sim eu lembro de como é bom e importante ler o que os amigos tem a me dizer. Alguns me criticam. Já falaram que eu reclamo demais. Mas sempre há quem me dê alguma força. Uma palavra de incentivo. E isso, acalma ainda mais uma alma, um coração.

As coisas estão caminhando. Mas é tão maravilhoso quando percebo comentários como o da minha amiga Neve, que sempre me coloca pra cima e diz que eu posso sim conseguir aquilo que quero. Que é uma pessoa com quem criei um carinho tão grande e que, mesmo sem saber muito sobre mim, ainda assim me incentiva. Ou quando escuto experiências como as das minhas amigas Luciana e Katarine. Quando uma delas nem estuda comigo, mas é alguém com quem também tenho um carinho sem tamanho e até me preocupo quando some por uns tempos. Mas fico feliz sempre quando sei que seu sumiço, foi por uma boa causa.

É tão bom perceber que há pessoas que também carregam as mesmas dúvidas e indignações que eu. E que há também quem responda coisas que não entendo. É maravilhoso os laços que são criados. E sabe, eu tenho mais que muitos motivos para não acreditar na virtualidade das coisas. Sim! É fato que não conheço pessoalmente muitos desses que hoje considero amigos, mas não gosto de chamá-los de “amigos virtuais”. Não sei, mas penso que perde um pouco do sentimento e da importância que dou a eles. Assim como não suporto quando falam em “namoro virtual”. Há quem namore assim, é fato, mas nem todos que se conheceram atrás dessa tecnologia vivem um namoro superficial.

Hoje, uma das minhas melhores amigas, foi encontrada pelo blog. Descobri que tínhamos uma história parecida e começamos a conversar. Chegamos até a nos encontrar (mais de uma vez) e hoje temos uma ligação sem tamanho. É pra ela que eu conto tudo. Tudo mesmo! Os e-mails são os mais gigantes possíveis. Os dela também. Conversamos sobre tudo. E ela é sim uma das minhas melhores amigas, mesmo que nem toda sexta estejamos num barzinho trocando papo... Foi um desses amigos que conheci no blog, que me tirou do pior aniversário da minha vida. Não fosse por ele e pelo seu telefonema de tão longe, eu teria dormido o dia inteiro e chorado a noite toda.

Há também outra amiga. Que nos conhecemos melhor, por termos histórias parecidas. Sempre conversamos por e-mails e ela até me cobra a visita que lhe devo (eu vou, quem sabe, na minha Lua de Mel). Acabamos criando uma ligação tão forte, que sinto quando algo acontece a cada um desses meus amigos. Choro com eles. Sorrio com eles. E procuro por eles quando somem. Por isso Hesíodo, não, eu não me importo em falar sobre minha vida no blog. Pelo contrário, me faz um bem sem tamanho. Tanto quando escrevo, como quando leio os comentários. Em breve, espero ter novidades. Lembrando, que ainda lhes devo o desfecho da reforma...


Kari Mendonça

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desabafo

Hoje, a desilusão me bateu a porta. Há dias sinto a sua presença por perto, mas apenas hoje paramos para conversar. Sua presença sempre me deixa tensa. Triste. E irritada. Mas não tem como evitar e, vez ou outra ela volta, aparece, ou, manda lembranças. Há duas semanas comecei a trabalhar. Não em algum estágio, mas em um trabalho. Estou numa academia e sou meio que uma recepcionista e atendente de telemarketing. Faço um pouco de cada e nada de jornalismo. Não escrevo. Não estudo. Não leio nada além de nomes e telefones. Na verdade, eu quase não converso com ninguém. Não é a toa que hoje ouvi algo como, “é que tu fica tão caladinha que esqueço de tu”.

Pois é. Parece que eu não consigo falar muito quando não estou muito a vontade. Por favor, não venha pensar que tenho algum preconceito contra qualquer profissão ou trabalho. Acho que trabalhar já é algo louvável (enquanto muitos roubam), então, respeito e admiro qualquer trabalho. Mas, enquanto estou lá, procurando fichas e fazendo telefonemas, eu percebo aquele bando de estudantes de Educação Física. Todos estagiando, aprendendo e colocando em prática aquilo que aprendem na faculdade. Nesse momento, eu olho para mim e percebo que estou longe de ser como eles. Acabo a faculdade no ano que vem, em dezembro, e ás vezes tenho a sensação de que vou sair de lá só com o que aprendi lá dentro.

E que fique claro que, desde que entrei na faculdade, estou sempre enviando currículos, me escrevendo em sites para estágio e procurando algo para aprender. Mas o fato que eu não tenho experiência e por isso a procuro. Entretanto, todos procuram pessoas com experiência. E aí eu fico sem saída. Se eles querem experiência, mas não dão oportunidade, então, como vou conseguir experiência? Já me perguntei onde poderia comprá-la, mas parece que não está a venda. Assim, eu continuo com a minha frustração e desilusão. Vou continuar num lugar que não tem nada a ver comigo (por motivos pessoais, eu tenho verdadeiro trauma de academia), onde não aprendo nada e aonde vou só passando os dias.

Daqui a pouco me formo. Mas fico pensando... Como será estar formada e ainda assim não ter a tão falada experiência?


Kari Mendonça

sábado, 12 de setembro de 2009

Carta a um amigo

Eu não sei como começar. Saberia se, ao menos, você tivesse respondido meu último e-mail. Sabe que, até hoje me pego pensando em como tudo acabou tão... Quer dizer... Como foi que tudo acabou mesmo? Ah! Lembrei! Eu viajei, não foi? Passei alguns meses fora e, quando voltei, nada mais foi como antes. Sabe que eu nunca entendi o motivo? Eu ainda lembro tão bem de quando éramos apenas duas crianças querendo namorar. Ora essa, nem sabíamos o que era isso, mas mesmo assim tentamos... Ainda hoje quando lembro, passo horas rindo de algumas coisas. Como quando quase nos beijamos duas vezes, por acidente.

Eu sempre gostei muito de você. É fato que, em alguns momentos, eu quis mais que só a sua amizade, mas era da amizade que eu mais gostava. Gostava de quando você ficava horas conversando comigo e de como me dava atenção. Gostava de como me entendia e sempre tentava me ajudar. Gostava de ouvir a sua voz e do jeito que você sempre me cumprimentou. Gostava também de como ficávamos flertando sempre que estávamos juntos. Gostava de estar com você e da sua presença. E é por gostar tanto assim, que senti muito a sua falta. Confesso que ainda sinto, mas me prometo não sentir mais.

Quando lhe escrevi, após tanto tempo sem notícias, conversas ou encontros casuais, eu só queria saber como você estava e se poderíamos, quem sabe... Voltar a nos falar. Mas já faz tanto tempo e não recebi nenhuma resposta. Sei que você recebeu, mas realmente não entendo porque nunca respondeu nem um “oi”. Por terceiros, eu acabo sabendo de como anda a sua vida e de como você está. Confesso que parei de perguntar, mas fico feliz que estejas bem. Creio que você não sabe de mim, de como estou e do que ando fazendo. Imagino que não seja do seu interesse saber.

Tentei imaginar se havia te feito alguma coisa. Percebi que não. Você apenas se afastou. Mas não vou te culpar. Afastei-me também, é verdade, mas já disse que tentei voltar atrás. Talvez você tenha cansado, ou tenha coisas demais para fazer, do que tentar voltar com uma amizade que já se foi há tanto tempo. Assim, eu resolvi colocar um ponto final. Do jeito que as coisas andam, acho difícil que nossas vidas voltem a se cruzar. Por isso, estou te escrevendo para me despedir. Quero que você saiba que sempre estará nas minhas lembranças. Você foi um bom amigo. Mas, talvez o nosso tempo tenha se esgotado.

Uma boa vida para você. E um abraço de alguém que não vai te esquecer, mas que cansou de esperar que as coisas mudem. Beijos!


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Kari Mendonça
Esse post foi inspirado em um meme que tem andando por aí...
“A missão é escrever uma carta terminando um relacionamento, sem delongas. A ideia do meme foi inspirada na exposição de Sophie Calle chamada "Cuide de você", que convidou 104 mulheres a interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que quis romper o relacionamento.”Como fala em relacionamentos, escrevi termindo, não uma relação amorosa, mas algo que não deixa de ser uma relação, uma amizade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O filho não gerado

Aproximou-se do banco da praça próxima a sua casa. Havia uma mulher lá. Ficou alguns instantes em silêncio, mas não agüentou.

- Você não me conhece. Mas eu preciso conversar com alguém. Posso me sentar?
- Claro. Está tudo bem?
- Não! Disse quase chorando.
- O que aconteceu?
- Você tem um minuto para me escutar?
- Não apenas um. Pode falar. O que aconteceu?
- Sabe, eu não deveria estar aqui hoje. Deveria estar na maternidade. Hoje, o meu bebê deveria estar chegando nesse mundo. Foram tantas as vezes que fiz as contas... E em todas elas, era hoje a data.
- Do que você está falando? Me desculpe...
Ela continuou como se não ouvisse.

- Descobri a gravidez quando menos a esperava. Era março quando percebi que a menstruação não chegou. Estava tão atarefada no emprego novo, que sequer me dei conta que estava atrasada. Corri na farmácia, mas não consegui. Olhei o teste, mas não o consegui abrir.
- O que estava errado?

- Eu não sabia o que esperar. No dia seguinte, era sete da manhã quando cheguei ao consultório. De lá, corri no laboratório. Nem consegui ir trabalhar, passei o dia na sala de espera, esperando o resultado.

- E seu marido?

- Eu não o contei. Não queria que passasse por tudo novamente. Da outra vez, achei que estava grávida e o contei. Ele ficou muito feliz e já fazia até planos, mas quando fiz o resultado, deu negativo. Não quis deixá-lo como eu.

- E o que aconteceu dessa vez?

- O resultado foi positivo e achei que era motivo suficiente para não fazê-lo sofrer mais. Corri para o supermercado, comprei umas coisas e fiz um jantar pra lá de especial. Ele não acreditou quando lhe mostrei o exame. Estava embaixo de seu prato. Lembro como se fosse ontem como ele chorou de felicidade. Choramos juntos.
- Mas o que aconteceu?

- Eu já estava na 15a semanas quando senti uma cólica terrível. Estava no trabalho e liguei para o Guilherme, que chegou em cinco minutos. Fomos até o hospital e, antes que a médica chegasse, a cólica foi seguida por uma forte hemorragia.
Estava em prantos.

- Você quer continuar falando sobre isso?

- Eu preciso.
- Então se acalme um pouco, antes de continuar.
Chorou mais um pouco e continuou...

- Assim que ela chegou, fizemos um ultra-som. E apesar de ser algo que ela deve ver todos os dias, senti uma ponta de tristeza quando ela me anunciou a morte do meu bebê. Naquele momento, uma dor tomou conta de mim.

- Eu imagino. Quer dizer... Nunca engravidei, mas...

- Sei. Todos dizem que entendem ou imaginam, mas na verdade, só sabe a dor de perder um bebê, quem o perde. E o aborto espontâneo é pouco falado, pois as pessoas não entendem a verdadeira dor da mãe que não gerou.
- Você tem razão. Eu não posso imaginar o que é perder um filho não gerado e nem esse luto que você falou.

- O luto ainda não acabou. Como me disseram uma vez, o luto não chega logo após a morte, e sim, um tempo demais. E acho que hoje o meu luto está mais presente do que nos últimos meses. Até agora eu estava de luto pela gravidez que foi interrompida. Hoje, o luto é pelo filho que não nasceu.
- Mas você terá outros filhos.

- Sim. Mais jamais me esquecerei desse que perdi.
- Talvez, quando estiver nesse mesmo parque, brincando com seus filhos, não pense mais nesta perda.

- Você realmente não entende. Os últimos meses foram duros para mim. A cada dia 2 eu pensava que meu bebê deveria estar crescendo, se não estivesse morto. E hoje eu acordei com uma dor enorme.
- Seu marido não te ajuda?

- Ajudar? Ele é o melhor companheiro que eu poderia ter. É o homem que eu amo e, a cada dia descubro um novo motivo para amá-lo. Mas ele também sente. No último mês, o ouvi chorando no banheiro. Conversamos sobre o assunto, mas, ao descobrir a gravidez, cada um fez planos e, com a perda, cada um ficou com suas frustrações.
- Mas vocês vão superar.

- Nós superamos. E entendemos que não tínhamos que ser pais naquele momento. Mais nem por isso, deixamos o luto de lado. Ele também acordou triste. Saiu cedo para caminhar e sei que, quando faz isso, é porque quer ficar sozinho. Por isso, vim até aqui. Precisava conversar com alguém.
- Me desculpe se não a posso compreender tão bem. Mas lamento a sua dor. E sei que, em algum momento o seu luto vai passar, mesmo que a saudade do filho não gerado dure eternamente.

- Obrigada pelas suas palavras. E por me ouvir. Agora vou para casa. Creio que o Guilherme deve estar chegando. Acho que conversaremos sobre isso. Mas hoje à noite, iremos a um restaurante com amigos.
- Bom jantar. E espero vê-la novamente.

- Eu também. Obrigada, mais uma vez.

Kari Mendonça

sábado, 5 de setembro de 2009

Promessas de Casamento

Para começar, eu não te prometo um conto de fadas. E nem uma vida só com alegrias. Mas posso te prometer os melhores momentos da tua vida, a começar por hoje. E talvez os piores dias também. Mas não se preocupe. Os piores dias é que farão com que tenhamos os melhores e mais especiais momentos juntos. Será dos piores dias que a nossa felicidade será feita, pois serão eles que nos aproximarão sempre. Eu não te prometo apenas uma casa, mas um lar. Prometo-te um aconchego para todas as tuas angústias e uma companhia para os dias de solidão. Prometo o silêncio, para quando quiseres estar sozinho, e um sorriso, para quando estiveres triste.

Prometo ser tua companheira, tua amiga e tua amante. Prometo nunca usar uma dor de cabeça como desculpa, e ser sempre sincera contigo. Prometo que me esforçarei para não deixar que a rotina nem o sexo se acomodem. E prometo fazer sexo sem pudores ou “frescuras”. Mas não prometo que estarei bem todos os dias. Haverá dias em que estarei tensa, triste ou cansada, e eu espero que você me entenda. Prometo te entender quando não estiveres bem e fazer de tudo para te deixar melhor. Prometo não deixar de ser a pessoa que você conheceu e nunca deixar de ser tudo o que você tanto gosta em mim. Prometo te surpreender sempre, por mais que você me conheça bem.

Prometo que aumentaremos a nossa família, só quando decidimos juntos que já é hora. E prometo não deixar que os problemas da vida destruam o que estamos para começar hoje. Como já te disse, não te prometo um conto de fadas, mas sabe.... Prometo que, todos os dias, teremos o nosso final feliz.

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Kari Mendonça
Inspirado em Promessas de Casamento, Martha Medeiros.