sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um rosto diferente

No último sábado, sai com os amigos do colégio. E é tão maravilhoso encontrá-los, e poder perceber o quanto estamos diferentes. Cada um seguiu um rumo. Não nos encontramos mais todas as manhãs... Sequer uma vez no mês. Mas cada um tem um objetivo, as conversas estão mais maduras, os assuntos são outros. As brincadeiras continuam, as risadas e o carinho também. Mas é bom perceber que aqueles que você tanto gosta, estão seguindo a vida como você também está. E é melhor ainda saber que, apesar de tudo, ainda temos com o que nos identificar...

Ontem, no entanto, levei um susto. Estava descendo os degraus da faculdade, em meio a um vidro espalhado quando me deparei com a imagem logo à frente. Por alguns instantes, parei. Achei estranho aquela que vi, logo ali. Custei um pouco a acreditar que seria eu. Quer dizer... Estava com a mesma roupa que eu, o mesmo penteado, mas não parecia aquela que eu lembrava ser. Não! Os anos ainda não passaram tanto, ainda não consigo ver as rugas denunciando que as coisas mudaram. Mas o meu rosto não é mais o mesmo. Percebi ao descer naquela escada.

Não era mais aquela menina que ia para o colégio todas as manhãs. Que almoçava no shopping depois da aula, para ir ao cinema. Que dormia agarrada a um cachorro de pelúcia. Nem aquela que pintava a boca de preto para ir ao colégio. Ou que prendia o cabelo com mais de cinco fivelas. Também não era aquela menina que vivia dos amigos da irmã... E nem aquela que morria de medo do escuro. Era ainda a menina que morre de medo dos trovões, mas ainda assim, estava diferente.

Lembrei de como olhava para as pessoas, na época dos meus seis anos. Admirava os alunos da oitava série. No espelho, percebi que sou mais velha do que eles agora. Que estou prestes a terminar a faculdade (sim! Um ano passa rápido). Que logo estarei na minha casa e não mais na casa dos meus pais. Que em breve terei responsabilidades que um dia esteve tão longe. Ás vezes até, me pego dirigindo o carro (quem diria!). E foi naquele momento que me dei conta que, talvez aquele rosto diferente, demonstrasse maturidade.



Kari Mendonça

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O outro lado

Já parou para imaginar a revolução que deu quando o telefone foi criado? Imagina, naquela época, você conseguir ouvir a voz de quem estava do outro lado do mundo? Foi uma revolução e tanto. E desde então, essas revoluções tecnológicas só fazem crescer. No começo, antes até do telefone, a comunicação à distância resumia-se apenas as cartas. Se você descobria que estava grávida, escrevia uma carta para contar aos seus parentes que moravam longe. A carta demorava um bom tempinho para chegar, mas chegava sempre e trazia muitas emoções.

Depois o telefonema trouxe mais emoções ainda, pois você poderia saber da notícia com uma maior rapidez e até ouvir o choro de alguém que estava longe. Algum tempo depois, surgiu a tal da internet e com ela veio tantas outras coisas, como o e-mail, uma revolução gigantesca. Imagina você escrever uma “carta” e ela chegar instantaneamente? E imagina mais... Receber a resposta logo em seguida! Era algo inimaginável. E, pouquíssimo depois dos e-mails, surgiram as conversas instantâneas.

Seja com MSN, Skipe ou o que for, a comunicação a distância ficou ainda melhor. Com essas novas tecnologias, ficou mais fácil sentir quem estava longe. Conversar olhando nos olhos e ouvindo a voz de quem não se podia tocar. Uma verdadeira revolução... Quer dizer... Não queria que ficasse tão repetitivo, mas não achei outra palavra para expressar o surgimento de todas essas tecnologias que só melhoram a vida das pessoas. Ah! E sem falar nos celulares, não é mesmo? Nesse momento ficou fácil encontrar alguém a qualquer hora e em qualquer lugar.

Tanta revolução ajudou na diminuição da saudade. Em poder ouvir a voz na hora que a saudade bater, poder escrever a hora que sentir vontade e logo ser lido, e poder conversar a qualquer momento, independente das distâncias. Entretanto, nem tudo são flores. Tantas tecnologias e facilidades para encontrar alguém, nos tornaram um tanto... “Sem noção”. Sim... Perdemos a bom senso. E começamos a usar aquilo que foi criado para diminuir a distância de quem está longe, para nos mantermos distantes de quem está por perto.

Passamos a exigir também que as pessoas se tornem escravas dessas tecnologias. E não pense que você faz diferente, ou vai me dizer que não tem vontade de gritar quando a outra pessoa não atende ao telefone? Ou que você não fica irritado quando demoram mais de meia hora para responderem um e-mail? Falo por experiência, pois também sou assim. Ou era. Estou tentando mudar, pois, percebi que não posso exigir das pessoas aquilo que não quero que elas exijam de mim. E também não quero ser uma escrava.

Quer dizer... Sei que passo muito tempo em frente a uma tela de computador, mas estou tentando passar apenas o necessário. Dia desses, quando liguei o PC já á tarde, havia 9 e-mails na caixa de mensagem. Dos quais alguns perguntavam a mesma coisa, repetidamente. E então eu pensei que, se queriam falar comigo com tanta urgência, porque não usaram o telefone? Mas logo respondi, eu mesma, a pergunta: não ligaram, pois, além de exigimos das pessoas, ainda nos acomodamos. Se estamos em frente ao PC com o e-mail aberto, porque iremos usar o telefone, que gasta mais?

Tornamos-nos escravos das tecnologias e queremos que todos sejam assim. Felizmente ainda há poucos que são contra elas. Não saímos sem celular e, quando isso ocorre, ficamos agoniados e, muitas vezes, angustiados. Acontece que, as tecnologias são sim maravilhosas. E nos ajudaram e ajudam muito, todos os dias. Mas ainda temos muito que aprender com elas. Ou talvez, não com elas, mas sobre elas. Precisamos aprender a usá-las sem constranger os outros, e nunca de uma forma banal...

O telefone quando surgiu, foi maravilhoso. Hoje, entretanto, tornou-se tão banal receber um telefonema, que, muitas vezes, evitamos atender. Portanto, precisamos aprender a valorizar novamente as tais tecnologias que revolucionaram ao serem criadas. E precisamos lembrar também, para que, de fato, elas foram criadas... Talvez assim, consigamos nos libertar dessa escravidão....


Kari Mendonça

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Você conheçe o Recife?

Então venha conhecer. O blog Correio Recifense é um projeto para a faculdade, mas tenho certeza que você vai gostar.
Visite o site e aprenda e descubra mais sobre o Recife e o Bairro do Recife!

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Se ando distantes do Botando pra fora, não é por falta de vontade, é de tempo mesmo.

Aguardo vocês por lá!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Acabou!

Ele parecia indignado, quando questionou:
.- Como assim? Como você pode dizer que me ama, mas que não pode mais ficar comigo?
- Mas eu amo você e acho que, de alguma forma, sempre vou amar, mas acontece que não dá pra continuar.- Por quê? Se eu também amo você?
- Porque não é só de amor que sobrevive uma relação. Por isso!
- Eu sei que não é só de amar, mas a gente se ama tanto...
- Eu também sei disso, mas sei que você também sabe que não está mais dando certo.- Não sei...
- Você bem sabe que, para manter uma relação, o amor é necessário, mas não é o fundamental. É preciso, acima de tudo, a confiança, o respeito, a cumplicidade...- E nós não temos mais isso? Você não confia em mim?
- Confiar? Confio sim. Mas parece que já não temos mais tanta cumplicidade. É como se tivéssemos perdido... Perdido o “encanto”.
- O encanto?
- É... Eu não passo mais o dia esperando a hora de te ver... E sei que você sente o mesmo... Quando a gente se encontra, já não é mais a mesma coisa... A conversa não flui mais com tanta facilidade... Eu não sei explicar...- Se você que está falando não sabe explicar, eu é que não vou saber... Eu sequer estou conseguindo entender o que está acontecendo.
- O que está acontecendo é claro, nós estamos nos despedindo um do outro, afinal, faz um tempo que voltamos a ser um e outro e não mais o “nós”.- Talvez eu não queira admitir, mas você pode ter razão.
- Sim... E não pense que não me dói. Já chorei muito antes de termos essa conversa e sei que ainda vai me doer muito mais.
Ele estava chorando e ela não estava mais conseguindo se controlar.

- Eu não acho que isso aconteceu por causa do tempo... Não é o tempo que desgasta uma relação. Se aconteceu, é porque, de alguma forma, nós deixamos acontecer...- E como eu vou viver sem você?
- Você vai aprender. Eu também vou. Não vai ser fácil, mas eu sei que, em algum momento, nós saberemos que foi o melhor. Lembraremos sempre dos momentos bons... Mas saberemos que foi melhor assim...- Será?
- Sim... Saberemos.- E o que eu faço agora?

Ela sentou-se no sofá, olhou para o lado e, em meio a lágrimas, disse:

- Agora, você deixa a chave em cima da mesa, antes de sair.
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.Kari Mendonça
PS.: Ficção!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um dia feliz...

Hoje eu não queria, mais uma vez, levantar da cama. Não queria ouvir algumas coisas e nem queria falar com ninguém. Acordei por volta das oito horas, mas decidi não levantar. Não queria ouvir coisas que me contrariam. E nem ter que falar muito. Não queria fazer nada. E acabei ficando na cama até perto do meio dia. Decidi levantar e ficar na minha. Não falar muito, não conversar muito...

Mas, ao sair do quarto, me deparo com uma sacola e um cartão dos meus pais dizendo, "Feliz dia das Crianças, nós te amamos muito". Dentro, havia um avental. Deixe-me explicar. Faço aula de pintura com a minha mãe. Pintamos em madeira (mdf) e fazemos artesanato. É o nosso passatempo mais gostoso. E o avental é para eu poder ir para a aula, pois o que tinha era para cozinha e por isso, um pouco quente. O presente, foi feito pela minha mãe e, eu havia escolhido como queria, mas não imaginei que ela fosse me dar hoje. Foi especial e me senti feliz. É tão bom saber que eu os tenho na minha vida e que sou pra eles, um pouco do que eles são pra mim.

Ontem, inclusive, ganhei um hidratante do meu avô. E, apesar de sempre querer crescer mais rápido, fico feliz quando vejo que, aos olhos dos meus pais, eu serei sempre a filha mais nova deles.


Kari Mendonça
Ps.: Na foto, uma caixinha que eu pintei... Como não pude tirar foto, escaneei....

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O amor de uma mãe

Rosa é a mulher que trabalha aqui em casa. Desde abril ela faz parte da nossa vida, diariamente. É alguém por quem nos apegamos. É uma pessoa ótima. No sábado anterior a esse, ela ligou para minha mãe e disse que seu filho havia morrido. Minha mãe ficou sem reação e só conseguiu dizer que ela não se preocupasse com a gente e resolvesse as suas coisas. A semana passada inteira, ela não apareceu. Ontem, no entanto, Rosa veio conversar. Assim que entrou pelo portão, percebi que ela estava diferente. Não era a Rosa que sempre entrava sorrindo e brincando com meu gato.

Viemos até a sala e nos sentamos. Ela contou o que havia acontecido. Contou todos os detalhes do acidente de moto. Mostrou-nos uma foto de seu filho e nos falou um pouco dele. Enquanto ela falava, chorava. Ao seu lado, eu só consegui chorar também. Ela tentou não dizer que ele era seu filho preferido, e eu completei dizendo que cada um é cada um. Do seu jeito, na sua individualidade. Nenhum filho é igual ao outro. Nenhum irmão é como outro. Ela concordou. E confessou que ele era o mais carinhoso e o que mais demonstrava preocupação com ela. Eram muito apegados.

Enquanto Rosa falava, meu coração apertou. As lágrimas que me caíram à face, eram por ela, uma mãe desconsolada. A minha mãe sempre fala que é antinatural que uma mãe enterre um filho. E se eu não achava isso, tive certeza quando olhei Rosa, sentada no meu sofá, chorando a saudade de um filho que não mais verá. Chorando pelos planos que ele não poderá realizar. E chorando pelo último abraço que jamais irá esquecer. A dor dessa mãe machucou também a mim. Desde aquele sábado que não paro de pensar nela.

Rosa decidiu não ir embora daqui. Pediu apenas, mais uma semana em casa, com sua filha. Depois, ela pretende voltar a trabalhar, pois sabe que a vida precisa continuar. Mas, qualquer um sabe que a dor que ela sente não vai acabar. Pode até amenizar, mas não acabará jamais. Porque esse é um tipo de ferida que não cicatriza. E que, basta olhar uma foto para machucar. Eu não sei o que Rosa está sentindo. Não tenho filhos. E não posso imaginar o que se passa por sua cabeça. Mas de uma coisa, eu tenho certeza, ela ama demais os seus filhos. Tanto o que se foi, quanto os que continuam ao seu lado.


Kari Mendonça

sábado, 3 de outubro de 2009

Amor

"A saudade varia com o tamanho do amor", foi essa frase que falaram no velório da minha avó. Desde então, nunca a esqueci (nem da frase e nem daquele dia). Provavelmente você deve tê-la lido por aqui. É que essa frase, realmente não me sai da cabeça em nenhum momento. Ainda mais, depois que a saudade virou... Como posso dizer??? Minha companheira de todas as horas, minha seguidora... Enfim, o fato é que eu sinto saudade. Todo dia. O tempo inteiro. E, segundo a tal frase que não me larga, eu amo muito. Afinal, se não amasse, não sentiria tamanha saudade, certo?

Certo! E eu amo mesmo. Independente do que digam, eu amo e amo muito. Mas, por algum motivo, castraram-me o direito de expor todo esse sentimento. Não que me tenham falado diretamente, mas foi um processo lento e, digamos, diário. Entretanto, eu continuo amando e demonstrando, eu apenas não falo mais. Cansei de ouvir um silêncio, cada vez que expressava o que sentia (e ainda sinto). Entretanto, me veio, junto ao silêncio, uma dor. É que dói quando o sentimento fica guardado. Afinal, e amor é coisa pra se guardar, onde quer que seja? Não! Amor é coisa pra se expor, pra se viver. Ora essa, amor é pra amar e pronto!


Kari Mendonça