terça-feira, 6 de outubro de 2009

O amor de uma mãe

Rosa é a mulher que trabalha aqui em casa. Desde abril ela faz parte da nossa vida, diariamente. É alguém por quem nos apegamos. É uma pessoa ótima. No sábado anterior a esse, ela ligou para minha mãe e disse que seu filho havia morrido. Minha mãe ficou sem reação e só conseguiu dizer que ela não se preocupasse com a gente e resolvesse as suas coisas. A semana passada inteira, ela não apareceu. Ontem, no entanto, Rosa veio conversar. Assim que entrou pelo portão, percebi que ela estava diferente. Não era a Rosa que sempre entrava sorrindo e brincando com meu gato.

Viemos até a sala e nos sentamos. Ela contou o que havia acontecido. Contou todos os detalhes do acidente de moto. Mostrou-nos uma foto de seu filho e nos falou um pouco dele. Enquanto ela falava, chorava. Ao seu lado, eu só consegui chorar também. Ela tentou não dizer que ele era seu filho preferido, e eu completei dizendo que cada um é cada um. Do seu jeito, na sua individualidade. Nenhum filho é igual ao outro. Nenhum irmão é como outro. Ela concordou. E confessou que ele era o mais carinhoso e o que mais demonstrava preocupação com ela. Eram muito apegados.

Enquanto Rosa falava, meu coração apertou. As lágrimas que me caíram à face, eram por ela, uma mãe desconsolada. A minha mãe sempre fala que é antinatural que uma mãe enterre um filho. E se eu não achava isso, tive certeza quando olhei Rosa, sentada no meu sofá, chorando a saudade de um filho que não mais verá. Chorando pelos planos que ele não poderá realizar. E chorando pelo último abraço que jamais irá esquecer. A dor dessa mãe machucou também a mim. Desde aquele sábado que não paro de pensar nela.

Rosa decidiu não ir embora daqui. Pediu apenas, mais uma semana em casa, com sua filha. Depois, ela pretende voltar a trabalhar, pois sabe que a vida precisa continuar. Mas, qualquer um sabe que a dor que ela sente não vai acabar. Pode até amenizar, mas não acabará jamais. Porque esse é um tipo de ferida que não cicatriza. E que, basta olhar uma foto para machucar. Eu não sei o que Rosa está sentindo. Não tenho filhos. E não posso imaginar o que se passa por sua cabeça. Mas de uma coisa, eu tenho certeza, ela ama demais os seus filhos. Tanto o que se foi, quanto os que continuam ao seu lado.


Kari Mendonça

9 comentários:

Simples Assim... disse...

Acho que é impossível mesmo imaginar a dor de uma mãe que perde seu filho. A única coisa que podemos fazer é aproveitar ao máximo a companhia dos filhos, pais, mães, irmãos, amigos. Tudo nessa vida é passageiro. Bjs.

P.S.: Voltei pra agradecer denovo vc ter me enviado a foto da campanha pelo transplante. Ficou legal, né?

Candinha disse...

poxa, fiquei arrasada pela Rosa. mas Deus sabe o que faz, só Ele pra consolar uma dor tão grande..

kariroca, que saudades!
precisamos nos ver, nos falar! tá sabendo da comemoração do aniversário de mayra? como faço pra falar ctg? pode ser e-mail? se sim, me manda um oi! :D

beeijos, Candinha.

Érica disse...

Ai... Que tristeza.
Nossa posição de filho é muito egoista, eu sempre penso nisso. Nunca o amor que dedicamos a nossos pais (mãe), chega a 1/10 do que eles (as) nos dedica. Mãe vive para os filhos, se dedica para eles. Saber que eles vão partir para seguirem suas vidas, já as deixam mal, quanto mais saber que a partida foi definitiva, devido a esse fenômeno incontrolável e repentino que a morte. Enfim. Minhas condolências para a Rosa.
:(
Beijo amiga!

Cαmilα ♥ disse...

Minha mãe diz a mesma coisa sobre filhos morrerem antes dos pais.
Minha vó passou por isso há muitos anos atrás, antes mesmo de ter netos.
Mas até hoje ela sente a perda, fala de meu tio e de tudo que ele não viveu.

Que Deus dê a Rosa muita coragem e força neste momento tão sofrido.

Um beijO Kari!

Lu disse...

Imagino a dor desta mãe! Não tenho filhos, mas tenho 8 sobrinhos e que perdi um, o mais velho, o mais querido, o primeiro neto, o primeiro sobrinho. Até hoje sofro com a ausência dele. Que Deus console o coração da Rosa.

A Magia da Noite disse...

amar o fruto de vosso ventre será sempre o maior presente do divino, conceber será o último desafio da mulher.

Agostinho Lopes disse...

Kari!

Todas as vezes que escuto ou presencio histórias de pais que enterram filhos (um amigo perdeu um de 22 anos há duas semanas atrás), me vem à mente um trecho de "Pedaço de Mim", de Chico Buarque e que é mais conhecida na voz de Zizi Possi. Há um trecho dá letra que, para mim, é a definição mais perfeita de uma saudade que dói, quando diz que "...Saudade é arrumar o quarto, do filho que já morreu". Como é forte essa frase!!!

A verso completo é assim:

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu


Beijo!

Lusinha disse...

Deve ser muito triste mesmo.
Que Deus dê forças a ela para enfrentar esse momento tão doloroso.
Bjitos!

Jaya disse...

Não consigo falar nada.

Foi pancada, aqui.