sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O outro lado

Já parou para imaginar a revolução que deu quando o telefone foi criado? Imagina, naquela época, você conseguir ouvir a voz de quem estava do outro lado do mundo? Foi uma revolução e tanto. E desde então, essas revoluções tecnológicas só fazem crescer. No começo, antes até do telefone, a comunicação à distância resumia-se apenas as cartas. Se você descobria que estava grávida, escrevia uma carta para contar aos seus parentes que moravam longe. A carta demorava um bom tempinho para chegar, mas chegava sempre e trazia muitas emoções.

Depois o telefonema trouxe mais emoções ainda, pois você poderia saber da notícia com uma maior rapidez e até ouvir o choro de alguém que estava longe. Algum tempo depois, surgiu a tal da internet e com ela veio tantas outras coisas, como o e-mail, uma revolução gigantesca. Imagina você escrever uma “carta” e ela chegar instantaneamente? E imagina mais... Receber a resposta logo em seguida! Era algo inimaginável. E, pouquíssimo depois dos e-mails, surgiram as conversas instantâneas.

Seja com MSN, Skipe ou o que for, a comunicação a distância ficou ainda melhor. Com essas novas tecnologias, ficou mais fácil sentir quem estava longe. Conversar olhando nos olhos e ouvindo a voz de quem não se podia tocar. Uma verdadeira revolução... Quer dizer... Não queria que ficasse tão repetitivo, mas não achei outra palavra para expressar o surgimento de todas essas tecnologias que só melhoram a vida das pessoas. Ah! E sem falar nos celulares, não é mesmo? Nesse momento ficou fácil encontrar alguém a qualquer hora e em qualquer lugar.

Tanta revolução ajudou na diminuição da saudade. Em poder ouvir a voz na hora que a saudade bater, poder escrever a hora que sentir vontade e logo ser lido, e poder conversar a qualquer momento, independente das distâncias. Entretanto, nem tudo são flores. Tantas tecnologias e facilidades para encontrar alguém, nos tornaram um tanto... “Sem noção”. Sim... Perdemos a bom senso. E começamos a usar aquilo que foi criado para diminuir a distância de quem está longe, para nos mantermos distantes de quem está por perto.

Passamos a exigir também que as pessoas se tornem escravas dessas tecnologias. E não pense que você faz diferente, ou vai me dizer que não tem vontade de gritar quando a outra pessoa não atende ao telefone? Ou que você não fica irritado quando demoram mais de meia hora para responderem um e-mail? Falo por experiência, pois também sou assim. Ou era. Estou tentando mudar, pois, percebi que não posso exigir das pessoas aquilo que não quero que elas exijam de mim. E também não quero ser uma escrava.

Quer dizer... Sei que passo muito tempo em frente a uma tela de computador, mas estou tentando passar apenas o necessário. Dia desses, quando liguei o PC já á tarde, havia 9 e-mails na caixa de mensagem. Dos quais alguns perguntavam a mesma coisa, repetidamente. E então eu pensei que, se queriam falar comigo com tanta urgência, porque não usaram o telefone? Mas logo respondi, eu mesma, a pergunta: não ligaram, pois, além de exigimos das pessoas, ainda nos acomodamos. Se estamos em frente ao PC com o e-mail aberto, porque iremos usar o telefone, que gasta mais?

Tornamos-nos escravos das tecnologias e queremos que todos sejam assim. Felizmente ainda há poucos que são contra elas. Não saímos sem celular e, quando isso ocorre, ficamos agoniados e, muitas vezes, angustiados. Acontece que, as tecnologias são sim maravilhosas. E nos ajudaram e ajudam muito, todos os dias. Mas ainda temos muito que aprender com elas. Ou talvez, não com elas, mas sobre elas. Precisamos aprender a usá-las sem constranger os outros, e nunca de uma forma banal...

O telefone quando surgiu, foi maravilhoso. Hoje, entretanto, tornou-se tão banal receber um telefonema, que, muitas vezes, evitamos atender. Portanto, precisamos aprender a valorizar novamente as tais tecnologias que revolucionaram ao serem criadas. E precisamos lembrar também, para que, de fato, elas foram criadas... Talvez assim, consigamos nos libertar dessa escravidão....


Kari Mendonça

9 comentários:

Jéssica disse...

Não sei se no estágio que tá dá pra desprender, ou acontecer outra "revolução". Talvez algo aconteça, mas a maior de todas, tipo uma "Segunda Guerra Mundial" da tecnologia foi a invenção da internet, e é ela que vai guinar o mundo. Então... o passo que podemos dar é nos desenvolver muito mais, mas a maioria das coisas vão ser baseadas nessa comunicação rápida e fácil.

E com essa mesma comunicação é que nos deixamos levar pela timidez e falta de humanização, o olho no olho, o falar pessoalmente fica esquecido, perdido no passado pré-histórico. Como você disse, fica mais fácil mandar um email não só pela facilidade, rapidez e por ser mais barato, mas também por não termos coragem, por sermos tímidos o bastante para não pegar o telefone e ouvir a voz de outra pessoa do outro lado.

O que você acha? Que isso estraga nosso contato pessoal? Ou que mesmo assim dá pra fazer mais amizades, conhecer gente do mundo todo com essa fluidez toda?


;**

Kari disse...

Jéssica, ajuda sim a conhecer pessoas. Eu conheci o meu namorado atravéz do blog e, não fosse o MSN, não sei como estaríamos juntos.
Mas é isso que estou falando...

Que usar para quem está distante é a função e não usar para quem podemos ligar (afinal, ligação local é pouquinho, né?).

Hoje, vemos pessoas que moram no mesmo edifício, conversando pelo MSN, ao invés de irem para o térrio conversar.

Claro que eu acho magnífico o surgimento da internet, mas acho que exageramos um pouco no seu uso.

Beijos

Jaya disse...

A gente sempre tem tendência a entrar de cabeça em todas as novidades que aparecem. É assustador. Às vezes me pego falando com meus primos pelo msn, e, putz, eles moram a alguns quarteirões aqui de casa! Comodismo?

Gostei da reflexão que você propôs, Kari.

Beijoca.

Agostinho Lopes disse...

Como digo geralmente, não existe nada na vida totalmente bom, nem totalmente ruim. O que muda é apenas a intensidade.

Resta-nos a consciência da necessidade do bom uso, para o "particular" e também para o "coletivo"; para o bem da humanidade.

Simples Assim... disse...

Sabe de uma coisa? Somos eternos insatisfeitos. Isso nos faz a cada dia descobrir inovações tecnológicas, mas também nos faz torná-las meio descartáveis. O celular meio que substituiu o telefone. O e-mail diminui as ligações telefônicas. O msn diminuiu os e-mails. E assim segue a humanidade. Eu não sou muito viciada em tecnologias. Óbvio que uso as disponíveis, mas sou daquelas meio emperradas com milhões de ferramentas tecnológicas, uso celular pra fazer e receber ligações e, na verdade, vivo esquecendo em casa... rs. Mas, de todo jeito, a internet me deu mais vontade de lidar melhor com as máquinas, já que acaba sendo uma forma de me aproximar de quem realmente me interessa, as pessoas. Pra quem mora bem longe de casa como eu é uma maravilha. Bjs, querida.

marcela disse...

Oi Kari.
Bom, é a primeira vez que venho no teu blog e esse primeiro post que eu li me fez pensar bastante. De fato a gente acaba não valorizando as tecnologias antigas mesmo assim duvido muito que elas possam ser extintas, como vc mesmo falou dificil encontrar alguém que não tenha celular. Acho que as tecnologias vão surgindo p/ se completar umas às outras. PS: Eu tbm fico doente qdo não atendem o telefone hehehe
bjos!

Pripa Pontes disse...

Kariiii,
Bom lhe visitar depois de tanto tempo! Tava ausente dos blogs..

Mas isso que vc falou é algo que já passou várias vezes pela minha cabeça. Como nós nos tornamos escravos da tecnologia! Passar um dia sem acessar a internet é sinônimo de estar por fora de tudo que acontece no seu círculo social...
Ficar uma manhã pelo menos sem celular, é chegar em casa e ver que 5 pessoas lhe ligaram e vc retornar p elas e ser repreendida: "só tu mesmo p ser demente em sair sem o celular", "p q tem um cel se n atende?". E eu mesma já proferi essas frases qndo a situação ao contrário...
Quando éramos pequenos n tinha celular e nem por isso as pessoas deixavam de se ver, ou de resolver seus problemas, mas hoje essas "maravilhas da tecnologia" nos são tão dispensáveis como um órgão de nosso corpo.

Bjos!!
E foi ótimo ter seu comentário no rotineiro :)
Saudadesssss

Lusinha disse...

É, acho que é mais lembrar para quê foram criadas.
Eu posso dizer que sou escrava do meu celular. Se saio de casa sem ele, sinto que está faltando um pedaço de mim e tenho mania de ficar conferindo se alguém me ligou.
Bjitos!

Ignoto Jardim disse...

kari eu pensava que vc tinha uns vinte e seis anos, agora que soube que tem apenas vinte fico mais encantada com sua inteligência e sensibilidade. Vc nasceu mesmo para a comunicação, quer seja literatura, quer seja jornalismo! Beijão sobrinha!